Produtos com design amazônico são exportados para Europa e EUA.
'É como se fosse uma cirurgia na madeira', descreve marceneiro.
Móveis e artigos de decoração são feitos com resíduos da floresta (Foto: Jamile Alves/G1 AM)
'Fruteira girassol' marchetada foi destaque no Prêmio Idea Brasil (Foto: Jamile Aves/G1 AM)O processo de construção das peças envolve técnicos e artesãos de Manaus, mas também de comunidades ribeirinhas de outros municípios do Amazonas. Cerca de 700 trabalhadores do interior, dentre eles indígenas, participam da confecção das peças em diversos municípios do estado, como Itacoatiara, Maués, Novo Airão e Barcelos. O projeto promove ainda programas de qualificação para melhor utilização dos recursos naturais no interior do estado.
Gonçalves informou que o projeto já teve itens premiados em feiras nacionais e internacionais, como a Bienal de Designer e o Prêmio Idea Brasil. Além disso, uma linha de móveis do projeto deverá compor a decoração dos principais salões da Arena da Amazônia durante o período da Copa do Mundo, que tem Manaus como uma das sedes.
Sete espécies diferentes de madeira foram usadas para produzir os efeitos do quadro (Foto: Jamile Aves/G1 AM)Há 40 anos, o marceneiro Rosalvo Mendes, de 58 anos, por meio do projeto, transforma madeira em arte. "Acompanhei todo o crescimento da marcenaria no Amazonas. Vi coisas horríveis acontecerem com nossas riquezas. Tudo o que eu pensava era que eu queria perpetuar as árvores, usando elas sem desperdício ou agressão", relatou.
"É como uma cirurgia na madeira", diz marceneirosobre fabricação dos móveis
(Foto: Jamile Aves/G1 AM)
Fabricação
O projeto desenvolve peças de movelaria e artigos de decoração que utilizam como matéria-prima resíduos de madeiras certificadas ou de áreas de manejo, além de sementes e fibras florestais. Atualmente, cerca de 30 espécies diferentes de madeira são utilizadas na confecção das peças. Até folhas de árvores já passaram por tratamento para integrar os detalhes dos móveis.
"Sempre tive um carinho especial pelas árvores. Elas também são seres vivos, assim como nós."
Rosaldo Mendes
De acordo com a designer Luçana Mouco, as peças não passam por processo de pintura, já que a diversidade amazônica possibilita a mistura de cores. A técnica resulta em produtos exclusivos. "A inspiração vem a partir de muita pesquisa, viagens e leitura. Os tipos variados de madeira, a coloração diferenciada e o modo de produção levam ao surgimento de peças únicas".
Além de decorar casas e escritórios, insumos da floresta amazônica também servem de matéria-prima para a confecção de biojoias, que levam em colares, brincos e anéis, um traço diferente da cultura tradicional da região. A designer de joias, Rita Prossi, incorpora a cada peça a sustentabilidade, a história e a beleza indígena e cabocla.
Rita Prossi confecciona joias com produtosflorestais (Foto: Jamile Alves/G1 AM)
A oportunidade, surgida por acaso, abriu portas primeiramente para o mercado externo. Mais tarde, a cliente se tornou a primeira revendedoras de produtos de Rita. Segundo ela, os processos de aquisição dos materiais incluem tribos indígenas como os Waimiri Atroari e Apurinãs, que dispõem de fibras de arumã e tucumã para a confecção das joias.
Alianças são confeccionadas com tucumã. Traços indígenas fazem alusão a dois filhos do casal. (Foto: Jamile Alves/G1 AM)A mesclagem de joias com produtos ecológicos leva tempo relativo, segundo a designer. A inspiração para idealizar as peças, por outro lado, chega rápido quando a artista "sente o ambiente". "É só observar. Em uma viagem de barco que eu fiz a Manacapuru, cidade do interior do Amazonas, passamos perto de igapós. Eu vi plantas aquáticas lindas e fiquei encantada. No outro dia estava pensando em uma nova coleção para executar", relatou.
Fibras e fios de árvores são trançados também por indígenas (Foto: Jamile Alves/G1 AM)
colar e brincos são feitos com caroço de tucumã (Foto: Jamile Alves/G1 AM)
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