quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019


Folião deve apostar nas refeições leves para pular Carnaval


Para aguentar tantos dias de folia, os nutricionistas aconselham que o folião adote uma alimentação leve, com muitas frutas, verduras, legumes, além de caprichar na hidratação e moderar o consumo de bebidas alcoólicas.

Tribuna da Bahia, Salvador
25/02/2019 06:20 | Atualizado há 3 dias, 14 horas e 30 minutos
   
Foto: Reprodução

Por: Jordânia Freitas

O fim de semana em Salvador foi marcado pelas festas pré-carnavalescas Fuzuê e Furdunço. Amanhã o agito continua com a terceira edição do Pipoco, que acontece do Clube Espanhol até o Farol da Barra, sob o comando do cantor Léo Santana. E na quinta-feira (28) começa oficialmente o Carnaval de Salvador. Para aguentar tantos dias de folia, os nutricionistas aconselham que o folião adote uma alimentação leve, com muitas frutas, verduras, legumes, além de caprichar na hidratação e moderar o consumo de bebidas alcoólicas.
“A gente transpira muito durante a festa e estamos vivendo um calor intenso, por isso o folião acaba perdendo muita água e tem que repor, se hidratando bastante”, explicou Amália Magalhães, nutricionista, especialista em nutrição e gastronomia funcional.
Antes de correr atrás do trio, o aconselhável é ingerir refeições leves, para evitar transtornos intestinais. Os pratos devem ser ricos em hortaliças e legumes de cor escura, para ajudar na reposição de cálcio.
Arroz integral, purê de aipim, salada e uma proteína, como peito ou filé de frango grelhado ou assado é um exemplo de prato ideal para consumir antes de cair na folia.
“Existe uma cultura de se comer feijoada, achando que ela vai sustentar até o fim da festa, mas é um hábito perigoso, porque ela sobrecarrega o corpo. Junto com a feijoada as pessoas consomem farinha e diversas carnes gordurosas. A gordura vai aumentar o trabalho do aparelho digestivo. O batimento cardíaco também aumenta, a pessoa se sente mais cansada e vemos até histórias de infarto durante o Carnaval”, afirmou Amália.
A nutricionista também orienta que alimentos vendidos por ambulantes nos circuitos devem ser evitados, pois muitos não são acondicionados de maneira adequada e frequentemente ocorre o reaproveitamento de óleo nas frituras. No caso de legumes, como o alface utilizado em hambúrgueres, há o risco das folhas não terem sido higienizadas corretamente e causar uma série de problemas de saúde.
“O ideal é evitar comer no circuito e levar uma barra de cereal, banana ou outra fruta. Pode consumir água de coco ou procurar comer em locais como camarotes, onde a cozinha passou por fiscalização da Vigilância Sanitária”, completou a nutricionista.
Para quem chega de madrugada em casa e acorda de manhã precisando repor as energias, uma boa pedida são as raízes, como aipim e batata doce ou banana da terra cozida e cuscuz para substituir o pão. A bebida pode ser uma vitamina de frutas ou café.

Ex-padre revela rede de corrupção entre Cabral e Igreja Católica

Postado em 28/02/2019 2:17 DIGA BAHIA!
O ex-padre Wagner Augusto Portugal, braço-direito de Dom Orani Tempesta, cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, admitiu que participava de esquema de corrupção na área da saúde do governo Sérgio Cabral e, com isso, se tornou delator premiado.
Portugal confessou participação no desvio de R$ 52 milhões dos cofres do Rio de Janeiro em contratos com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio com a organização social católica Pró-Saúde em 2013.
O MPF (Ministério Público Federal) do Rio investiga se parte dessa propina ficou com sacerdotes. As informações foram confirmadas pela Record TV.
Portugal era diretor de Relações Institucionais e de Filantropia da Pró-Saúde, frequentava o Palácio São Joaquim, residência oficial de Dom Orani, e o chamava de “você”, demonstrando, assim, intimidade, pois não usava o “eminência”.
Portugal, que é apontado como um dos beneficiários do esquema, foi afastado do sacerdócio pelo Vaticano por desobediência.
Segundo as investigações, o ex-padre entrou para os negócios com a saúde pública em Belém (PA), quando atuou como arcebispo, entre 2004 e 2009, e assumiu a gestão de seis hospitais públicos paraenses.
Na última terça-feira (26), o MPF divulgou o depoimento do ex-governador do Rio Sérgio Cabral em que ele cita um esquema de propina com a OS (organização social) da Igreja Católica, a Pró-Saúde. Até o momento, não existe indício do envolvimento direto de Dom Orani no esquema, como afirmou Cabral.
A investigação da força-tarefa da Lava Jato contra o esquema de Cabral levou 21 pessoas para a prisão. O ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes e os empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita estão entre os presos.
Iskin tinha influência tanto sobre o orçamento e a liberação de recursos pela Secretaria de Saúde quanto sobre as contratações pela Pró-Saúde. Por isso, ele indicava empresas e fornecia a documentação necessária para a contratação.
Segundo Skin, 10% do valor dos contratos eram divididos em propinas. Agora, as investigações se concentram em quem foram os beneficiados.
Um dos trunfos da investigação foi a delação do ex-padre e da irmã dele, Wanessa Portugal, que morreu em janeiro passado. Eles detalharam o esquema de corrupção e de prestação de serviços para o desvio dos repasses do governo do Rio.
Portugal era influente nos bastidores da Igreja Católica e visto como o homem forte da Pró-Saúde. O ex-padre afirmou a amigos que “comprava sistematicamente roupas para Dom Orani, principalmente camisas, acrescentando que o arcebispo do Rio transpira muito. Numa única ocasião, Portugal disse ter adquirido 52 camisas em Roma.”
Portugal também teria presenteado o arcebispo com báculos — espécie de cajado — comprados em uma loja especializada em artigos religiosos de Roma, na Itália. Ele ainda teria comprado passagens aéreas e contratado voos fretados para viagens de Dom Orani pelo Brasil.
Os procuradores da República investigam a relação do ex-padre com a Igreja Católica e um suposto crime de peculato, pois entidades filantrópicas não podem ter lucros.
Em nota ao R7, a Pró-Saúde diz que “a nova diretoria tomou, espontaneamente, a iniciativa de colaboar com a apuração do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, no âmbito da Operação S.O.S, divulgada em agosto do último ano. A ação está em segredo de justiça e tem resultado em importantes desdobramentos na investigação de práticas irregulares na gestão da saúde pública no Brasil.”
Wagner Portugal está impedido de falar devido à colaboração premiada e, por isso, “indicou os advogados da Pró-Saúde para falarem por ele. Alegou que o processo canônico de seu afastamento citado ocorreu em período anterior ao vínculo institucional dele com a Pró-Saúde, razão pela qual não se manifestaria”.
Confira, na íntegra, a nota da Pró-Saúde:
“Em 2017, a nova diretoria da Pró-Saúde tomou, espontaneamente, a iniciativa de colaborar com a apuração do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, no âmbito da Operação S.O.S, divulgada em agosto do último ano. A ação está em segredo de justiça e tem resultado em importantes desdobramentos na investigação de práticas irregulares na gestão da saúde pública no Brasil.
Soma-se à colaboração espontânea oferecida por integrantes da nova diretoria da Pró-Saúde, que assumiu a administração da entidade em 2014, um conjunto de ações concretas que visam a estabelecer padrões elevados de integridade na rotina institucional da entidade, que completará 52 anos de atividades em junho:
• Em 2017, a Pró-Saúde instituiu o Compliance em seu novo modelo de gestão e, também, contratou uma consultoria para orientar na implantação das ações de integridade institucional, focada em medidas anticorrupção;
• No mesmo ano, foi implementada a Governança Corporativa, que instituiu normas de transparência e reorganizou todos os seus processos internos; o mais recente passo está em curso: todos os 16 mil colaboradores da instituição estão recebendo treinamento nas novas regras institucionais;
• Em 2018, aprimorou as medidas já tomadas e lançou o seu Código de Ética e de Conduta, com determinações claras que devem ser rigorosamente seguidas por todos os públicos: alta direção, colaboradores, usuários dos serviços, fornecedores, contratantes e parceiros comerciais.
Trata-se de um esforço conduzido pela nova diretoria para consolidar uma cultura de gestão austera, íntegra e transparente, em que os processos internos estejam acima dos ocupantes das funções, e que o cumprimento da legislação seja um valor irrenunciável.
As despesas dos colaboradores da instituição observam atualmente a legislação, bem como as diretrizes e normas internas, que alcançam, inclusive, o reembolso das despesas relacionadas ao exercício de atividades institucionais pela sua diretoria Estatutária. Composta por religiosos, a diretoria Estatutária participa das macrodefinições estratégicas e, também, desenvolve projetos importantes nas unidades sob sua gestão – caso ilustrativo é o da Pastoral da Saúde, ação cristã que leva conforto e tranquilidade para doentes e familiares. Dessa forma, viagens e reembolsos de suas despesas institucionais são custeados em conformidade com os regulamentos internos, sempre em função da sua participação ativa nas ações da Pró-Saúde. Sua remuneração, ademais, obedece rigorosamente os limites do artigo 12 da Lei n. 9.532/97 e das demais normas de regência.
Por fim, a presença religiosa reforça a missão solidária consolidada pela Pró-Saúde durante mais de meio século de existência, em benefício dos brasileiros que dependem da saúde pública. Atualmente, mais de um milhão de usuários do SUS, mensalmente, são atendidos nas unidades gerenciadas pela instituição, em 11 Estados brasileiros – e, em ranking divulgado pela imprensa, dois dos dez melhores hospitais públicos do País estão sob gestão da Pró-Saúde.”
R7

O radicalismo crescente da esquerda norte-americana


A esquerda radical usurpou o Partido Democrata e, em nome do "liberalismo", prega a total implosão dos pilares que fizeram dos EUA uma grande nação livre e próspera. Artigo de Rodrigo Constantino, via Gazeta do Povo:

Escuta-se com frequência na mídia a noção de que vivemos tempos muito polarizados e radicais. Em parte isso é verdade. Mas o viés ideológico da imprensa impede um diagnóstico mais preciso do fenômeno. E isso ocorre tanto no Brasil como em outros países, incluindo os Estados Unidos.
O verdadeiro radicalismo tem vindo muito mais da esquerda que da direita. Se Trump e Bolsonaro demonstram alguns indícios de populismo ou ideias mais ousadas, parece inegável que, em geral, pregam medidas bastante razoáveis e até moderadas. Por outro lado, não podemos dizer o mesmo dos democratas e dos “progressistas”.

Se o leitor duvida, então que tal imaginar um conservador falando em abolir o imposto de renda, zerar todas as alíquotas de importação ou retirar totalmente qualquer rede de proteção social? Parece absurdo, certo? E, de fato, absolutamente nenhum político republicano prega tais bandeiras.
Enquanto isso, socialistas democratas, grupo em ascensão dentro do partido, falam abertamente em instaurar imposto de mais de 70% (confisco?), criar um planejamento central digno do regime soviético ou permitir o aborto até o último mês de gravidez. E o pior: tais propostas não são tratadas como insanas pela mídia. Ao contrário: esses extremistas são tidos como progressistas, sem aspas, e defensores da “igualdade social”.

Bernie Sanders talvez seja o melhor exemplo. O sujeito passou a lua de mel na União Soviética, defendeu a ditadura cubana no passado e fez vista grossa ao modelo venezuelano de Maduro mais recentemente, prega a socialização completa do sistema de saúde, quer impostos altamente progressivos, e mesmo assim não recebe a pecha de extremista nos jornais. Trump, sim, seria um extremista, segundo esses jornalistas.
O Partido Democrata, aliás, está tomado por esses esquerdistas radicais. Quase todos os pré-candidatos para 2020 são ou socialistas ou tribalistas, ou seja, adeptos da política de identidade, que segrega a população com base em alguma categoria coletivista qualquer, como raça ou gênero. Tudo se resume a concentrar no Estado todo o poder, dividir o povo entre opressores e vítimas, e detonar o legado da América. Mas radical, claro, é Trump...
A nova estrela do partido, Alexandria Ocasio-Cortez, que servia bebidas num bar até pouco tempo atrás, virou uma “especialista” em economia, clima e ciência, sendo que já deu inúmeras demonstrações de profunda ignorância em todos os temas. Não importa: prega com extrema arrogância medidas ultrarradicais, que beiram ao infantilismo com pitadas stalinistas, mas segue sendo respeitada pela imprensa, vista como detentora de uma visão nobre do futuro.
É impossível acompanhar de perto da política americana e discordar de Barry Rubin, que escreveu um livro sobre a tese de uma “revolução silenciosa” na América. A esquerda radical usurpou o Partido Democrata, e em nome do liberalismo, como se fossem progressistas, esses extremistas pregam uma total implosão dos pilares que fizeram da América uma grande nação livre e próspera. “Silenciosa” porque esses revolucionários marxistas ainda são tratados como moderados, enquanto os moderados que tentam impedi-los acabam tachados de radicais de “extrema-direita”.

No Brasil não foi muito diferente. É verdade que Bolsonaro tem, sim, uma ala radical ao seu lado, uma turma que não se importa em adotar os métodos similares de seus inimigos. Mas, em geral, o que se viu até aqui é bastante razoável, seja a proposta anticrime liderada por Sergio Moro, seja a inadiável reforma previdenciária apresentada pela equipe do liberal Paulo Guedes dias atrás. É puro bom senso, redução de privilégios da casta de servidores públicos, mais igualdade entre homens e mulheres.
E como reagiu a esquerda? No minuto seguinte à apresentação da proposta, já estava fazendo protestos. Eles leram o texto? Claro que não. E nem precisam: sabem que qualquer mudança vai reduzir vantagens indevidas, e como os reacionários extremistas que são, tomam as ruas para lutar por seus privilégios. Mas eis que é Bolsonaro o radical, enquanto aqueles que tentam melar qualquer avanço institucional ou a necessária interrupção do crescimento descontrolado da dívida pública posam de “justiceiros sociais” e “progressistas”. É uma piada!
O grau de extremismo desses que falam em nome das minorias e dos pobres atingiu um nível assustador. Eles querem subverter todo o código de valores morais vigentes, aniquilar com qualquer tradição que sobreviveu ao teste do tempo, e mergulhar seus países num experimento coletivista igualitário, que já se mostrou um retumbante fracasso ao longo de um século de tentativas em diversos lugares diferentes. Não obstante, não são Sanders, Ocasio-Cortez e Kamala Harris nos Estados Unidos, ou então a patota do PSol no Brasil, que acabam expostos pela imprensa como os radicais que são, e sim os liberais clássicos e conservadores que pretendem simplesmente preservar o legado da civilização ocidental e aquilo que efetivamente funcionou para gerar riqueza e empregos, além de garantir liberdades básicas.
Quando a mídia embarca nessa narrativa, perde mais credibilidade ainda, pois comprova seu viés ideológico e sua postura torcedora e partidária. Esses dias, por exemplo, a CNN, uma emissora bem esquerdista, contratou uma colaboradora republicana para a cobertura das eleições do ano que vem. Foi o suficiente para despertar a fúria dos “progressistas”, os mesmos que falam em pluralismo e tolerância. É preciso manter uma hegemonia absoluta, caso contrário haverá forte reação.

Óbvio que nesse ambiente haverá reação radical do outro lado também. Trump e Bolsonaro não têm se mostrado, até aqui, líderes radicais no poder, mas seus perfis destoam daquele desejado pela imensa maioria de liberais ou mesmo conservadores. O problema é que o crescente radicalismo da esquerda vai produzir inexoravelmente esse tipo de demanda: alguém que fale mais grosso contra esses malucos disfarçados de moderados. O verdadeiro problema das democracias ocidentais não está na “extrema-direita”, mas sim na extrema-esquerda, que avança gradualmente sob o manto de um liberalismo progressista moderno. Só trouxa cai nessa. Mas há muito trouxa no mundo..
BLOG ORLANDO TAMBOSI

Venezuela: ditadura militar bolivariana.


O chavismo corrompeu as Forças Armadas, submetendo-as à ideologia bolivariana (leia-se: fascista). Com isso, os militares viraram empresários, ministros, governadores, executivos, podendo ou não livrar-se da farda. Em poucas palavras, o chavismo deturpou a missão dos militares. Artigo de um "venezuelano anônimo", publicado pelo Instituto Juan de Mariana (Espanha):

La etapa democrática venezolana que se inició en 1958 con la caída del último régimen militar se materializó con la entrega del poder a un régimen civil. Los soldados volvieron a sus cuarteles y fueron sometidos al cumplimiento de su trabajo profesional. La llegada de un nuevo sistema electoral, que permitía cambiar de gobernante, fue apagando poco a poco la nostalgia por los Gobiernos militares. Se impuso en el país la división de poderes y los uniformados aceptaron su nuevo rol. Ahora la fuerza armada debía consagrarse a la defensa de la constitución y a mantener la integridad territorial y la soberanía nacional.

Pero el chavismo, apenas asumió las riendas del país, alteró el ordenamiento jurídico relacionado con la institución militar, y modificó esencialmente su misión. Ahora los militares son empresarios, ministros, gobernadores, ejecutivos, y se pueden poner y quitar el uniforme según sea su rol civil o militar. El chavismo los convirtió en instrumentos para solucionar la crisis de política interna y someter a la población a sus caprichos e intereses.

Hugo Chávez, nada más llegar al poder, creó una constitución que le permitiera hacer realidad su sueño totalitario. Para ello necesitaba someter a las fuerzas armadas y manejarlas a su antojo; eliminó el artículo que decía que estas eran una institución “apolítica, obediente y no deliberante”. Les concedió a los uniformados el derecho a votar y comenzaron a ser ideologizados y politizados. Los militares pasaron a copar todos los cargos de responsabilidad y a intervenir en todo tipo de actividades hasta ahora ocupadas por civiles. Así, podíamos verlos en jornadas de corte de pelo o de bote de escombros. Los ascensos comenzaron a convertirse en premios, y se les impuso el lema “patria, socialismo o muerte”, copiado de los cubanos.

Cuando el chavismo cumplió diez años en el poder los efectivos militares habían pasado de 79.000 a 115.000. Pero a partir de 2013 hubo un salto a 273.000, más del doble. Cuando Maduro llegó al poder, las Fuerzas Armadas Nacionales Bolivarianas (FANB) superaron los 2.000 generales. Según el jefe del Comando Sur de los Estados Unidos, Craig Faller, es más de lo que tiene la OTAN combinada.

Las FANB tienen bajo su dirección más de 20 empresas, incluyendo bancos y canales de televisión, Petróleos de Venezuela (PDVSA), minería, la recolección de impuestos a través del SENIAT, donde gobierna desde hace años el hermano de Diosdado Cabello, una aseguradora, una gran empresa de transporte de valores, instituciones para el manejo de fondos e inversiones sociales, la Corporación Venezolana de Guayana (CVG), corporaciones nacionalizadas del cemento y del asfalto, empresas estatales aéreas y aeronáuticas, etc. En la práctica tenemos un verdadero gobierno paralelo, o quizás sea el verdadero Gobierno y Maduro encabece el paralelo.

En 2017, de los 32 ministerios operativos, 12 carteras estaban bajo la administración directa de la responsabilidad militar. La influencia castrense también se observa en el poder ejecutivo estatal y municipal. Como ejemplo, ocho de los gobernadores son funcionarios militares, activos o retirados. En aquellos estados donde gobiernan civiles, estos tienen que someterse o humillarse al control de la guarnición militar correspondiente, solapándose con frecuencia las funciones. Hay que destacar que reina la opacidad en aquellas regiones gobernadas por militares. El Gobierno hace la vista gorda ante aquellas administraciones donde reinan los uniformados. Por supuesto, la rendición de cuentas brilla por su ausencia.

En la Corporación Venezolana de Guayana, antes una de las más modernas siderúrgicas del mundo, siete de los últimos 10 presidentes, desde el año 2000, han sido militares. El actual presidente es el mismo gobernador del estado más extenso del país. De los 11 funcionarios que han estado al frente del Ministerio de Alimentación 10 han sido militares. Todos han manejado dólares preferenciales para importar alimentos.

Pero los militares no solo manejan aquellas dependencias oficiales que les asigna el Ejecutivo, también los altos mandos tienen carta blanca para operar y dirigir casinos clandestinos, que operan a la luz del día en importantes urbanizaciones; en las fronteras son los encargados de vigilar que el contrabando de gasolina y bienes subsidiados no salga (o salga bajo su autorización) del país y manejan barcos pesqueros que revenden en el Caribe combustible subsidiado. Bajo su custodia se encuentran los puertos, aeropuertos y hatos expropiados.

Recientemente, se les ha hecho un jugoso regalo. Ahora pueden manejar a su antojo la explotación irracional de oro en la Guayana venezolana. Por supuesto, no han tardado las mafias militares en asociarse con bandas asesinas que a diario cometen crímenes contra los mineros y se dedican al contrabando de oro y otros metales preciosos. Ha habido numerosas denuncias del régimen primitivo semiesclavista al que son sometidos los mineros en las jornadas de trabajo, bajo la mirada cómplice de los militares, que se enriquecen con el contrabando y el saqueo.

No es extraño que los generales sean propietarios de muchas grandes haciendas de ganado y explotaciones forestales. En algunas regiones participan públicamente como miembros de los gremios ganaderos y empresariales.

A estas alturas, 20 años después de la toma del poder por los socialistas del siglo XXI, Venezuela está seriamente señalada como un país donde el narcotráfico ha encontrado terreno fértil y las mafias militares se han asociado con poderosos narcotraficantes para crear el famoso Cartel de los Soles, cuya cabeza principal es el segundo hombre del régimen, Diosdado Cabello.

Esta corrupta casta militar es el pilar que sostiene a Maduro. Hoy cuando se exige a los militares que retomen su rol como garantes de la constitución, nos encontramos con unas FAN sometidas a los caprichos ideológicos de un régimen que las ha adoctrinado, amarrado y corrompido mediante compromisos y prebendas que las alejan del deber fundamental para el cual fueron creadas. Es esta la razón por la que el llamamiento del presidente Juan Guaidó a las FAN para que apoyen la constitución ha encontrado tanta resistencia. Los altos mandos velan por sus intereses y por su seguridad personal. Sus principios han sido corrompidos por el régimen al abrirles la puerta que los ha acercado a oficios criminales y lucrativos, como el contrabando, el narcotráfico y otras actividades de dudosa legitimidad. Por eso, cuando el general Padrino López dice que tendrán que pasar sobre sus cadáveres, se refiere, en primera instancia, al de él y luego al de su también comprometida cúpula militar, la cual se ha embarrado tanto que les resulta difícil salir.

En fecha tan temprana como el 5 de julio de 1999, el historiador Jorge Olavarría dijo que “(…) el año entrante Venezuela no entrará en el siglo XXI, se quedará rezagada en lo peor del siglo XX. O retornará a lo peor del siglo XIX. (…) lo que Hugo Chávez está haciendo con las Fuerzas Armadas, legal, paralela, metalegal o ilegal, va a llevar a la destrucción de una de las instituciones de mayor prestigio en la sociedad venezolana. Una institución cuyo nivel de profesionalismo ha costado muchos esfuerzos. Aparentemente su deseo es convertir a las FAN en una milicia a su servicio exclusivo”.

El historiador Manuel Caballero afirmó en su libro La gestación de Hugo Chávez que lo peor que había hecho el fallecido presidente fue reintroducir el partido militar en la dinámica política venezolana.

Hasta ahora la casta militar no ha aceptado la propuesta que les han hecho el presidente Guaidó y el Gobierno de Donald Trump. Queda pendiente saber cuáles son sus exigencias, si las tienen, o de verdad prefieren que pasen sobre sus cadáveres.
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Maduro é Lula! Ditador expressa apoio ao lado do bandoleiro Stédile, do MST.


Encontro de facínoras: Nicolás Maduro recebeu bandeira “Lula preso político” do líder sem terra, João Pedro Stédile, durante evento da esquerda latinoamericana, em Caracas. Reportagem da Gazeta do Povo:


Mesmo preso, de certa forma o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da Assembleia Internacional dos Povos, em Caracas. O ditador venezuelano, Nicolás Maduro, posou para fotos com uma bandeira de Lula com a sentença ”preso político” que recebeu do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile.
Na imagem divulgada no Twitter é possível ver Maduro e outros presentes fazendo um “L” com as mãos, marca registrada do ex-presidente brasileiro, condenado pela Lava Jato nos casos do sítio de Atibaia e também do triplex do Guarujá. O evento em Caracas terminou nesta quarta-feira (27), após quatro dias de programação organizada por partidos políticos, movimentos sindicais e populares de 85 países, segundo os organizadores.
Maduro cola sua imagem à de Lula no momento em que é alvo de críticas da comunidade internacional, que o consideram um usurpador do cargo de presidente da Venezuela por causa de fraudes na última eleição. Países como Estados Unidos, Canadá, Colômbia, Brasil e parte da União Europeia reconhecem o opositor Juan Guaidó como presidente interino.
Participei de atividade com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, na Assembleia Internacional dos Povos (AIP), que reúne em Caracas desde domingo 400 dirigentes políticos de 85 países. Manifestamos o nosso repúdio à prisão política do companheiro Lula. Lula Livre! pic.twitter.com/GbiDEfxNtZ— João Pedro Stédile (@stedile_mst) 27 de fevereiro de 2019
Discurso de Maduro

Maduro esteve no encontro na terça-feira (26). Ele chegou a interromper seu discurso para pedir a bandeira da Venezuela a uma pessoa da plateia e comentou as estremecidas de relações diplomáticas com a vizinha Colômbia. “Com todo amor que temos pela Colômbia e ao povo colombiano, que denuncie e rechacem a tentativa de uma invasão dos Estados Unidos à Venezuela a partir da Colômbia”.
Nesta quarta (27), Maduro publicou na internet: “Peço aos movimentos políticos e sociais que levem a verdade da pátria de [Simon] Bolivar e [Hugo] Chávez a todos os países, como parte da luta pelo direito dos povos por um mundo digno e justo. A Venezuela não está sozinha”.

Líder do MST, Stédile participou da abertura do encontro, ao lado de nomes como a prefeita de Caracas, Érika Farías. “O imperialismo estadunidense, suas petroleiras e os doidos bolsonaros foram derrotados em Bogotá. Venceu a política da sensatez, o povo da Venezuela e o governo Maduro. A invasão militar foi afastada, ainda que o cerco da guerra híbrida continue. Muitas vidas se salvaram”, afirmou Stédile no Twitter.
Ainda que não diretamente, o líder sem terra reconheceu o trabalho do vice-presidente do Brasil, general Hamilton Mourão, na reunião do Grupo de Lima, que aconteceu em paralelo, na vizinha Colômbia: “Ainda bem que os militares brasileiros, ao que parece, ainda têm algum juízo. As declarações do vice demonstram que as Forças Armadas brasileiras não querem entrar numa aventura militar sem sentido algum para o povo brasileiro”.
Além do líder brasileiro, estiveram na Venezuela outros nomes da esquerda, como o deputado espanhol do parlamento europeu Javier Couso e o jornalista Ben Norton.
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Paquistão continua a ser o lugar mais perigoso do mundo


Com armas nucleares e inimizade eterna com a Índia, o país está celebrando a captura de piloto do vizinho; todos os demais devem se arrepiar. Vilma Gryzinski, via Mundialista:
“O chá está fantástico.”

É preciso reconhecer que o piloto indiano Abhinandan Varthanan demonstrou ter sangue frio num momento em que o de muita gente estava fervendo.
Com seus vastos bigodes e o rosto deformado de pancadas, ele elogiou, além do chá, os oficiais paquistaneses que o capturaram e se “comportaram como cavalheiros”.

É claro que o piloto não estava sendo completamente espontâneo, considerando-se que era uma espécie de prisioneiro de guerra do Paquistão, salvo de um linchamento por seus captores, depois de saltar de paraquedas do MiG21 derrubado durante um ataque de retaliação.
Derrubar dois caças inimigos (o outro caiu em território indiano) e ainda capturar o piloto de um deles foram atos comemorados em todo o Paquistão. Todo o resto do planeta que conhece os riscos envolvidos sentiu o gosto do perigo.

Num momento em que o norte-coreano Kim Jong-Un está voltando à condição de adolescente rebelde, é importante lembrar que o Paquistão continua na disputa pelo título de lugar mais perigoso do mundo..

Mesmo sem um acordo com os Estados Unidos, Kim Jong-Un já demonstrou que é um “ator racional”, ou seja, é sensível a questões que envolvam a própria sobrevivência.

Como “prova”, dizem que ele mandou fuzilar 70 militares que se opunham a qualquer negociação com os Estados Unidos.

Ter o comando dos militares é uma condição indispensável para que o líder político de qualquer um dos nove países nuclearizados do mundo passe no teste da estabilidade. O Paquistão não passa.

Um resumo rápido. O homem que iniciou o programa nuclear paquistanês, Zulfikar Ali Bhutto, acabou derrubado e enforcado (e a filha dele, Benazir, foi assassinada num atentado jihadista). O cientista genial que o conduziu, Abdul Qadeer Khan, roubou segredos nucleares da Holanda. A China ajudou.

O Paquistão saiu lucrando tanto da invasão soviética do Afeganistão quanto da americana. Cobra caro para que seu território seja usado como base, mas os militares e os diversos serviços de inteligência têm simpatia em graus variados pelo fundamentalismo ao estilo talibã.

Enquanto se passavam por aliados dos Estados Unidos, recebendo cerca de 20 bilhões de dólares desde o Onze de Setembro, esconderam Osama Bin Laden durante anos.

Os madraçais divulgam sem parar aos estudantes do Corão as mensagens mais radicais. O atual primeiro-ministro, o ex-campeão de críquete Imran Khan, só foi eleito depois de se aproximar do islamismo radical.

No críquete ou no arsenal nuclear, a Índia é a obsessão nacional. Os dois países nasceram do parto mais doloroso do mundo, a Partilha de 1947, quando o império britânico acabou e o Paquistão se descolou da Índia para criar uma “nação dos puros” – e dos muçulmanos.

Os massacres mútuos deixaram mais de um milhão de mortos, um recorde em matéria de velocidade. O ódio se acirrou quando a Índia incentivou a independência de Bangladesh, que era um território territorialmente isolado do Paquistão e nasceu em outro banho de sangue, fome e miséria.

“Se a Índia tiver bombas atômicas, comeremos grama ou passaremos fome, mas vamos ter também”, prometeu Ali Bhutto. E cumpriu. O Paquistão é um país miserável, com um a população equivalente à do Brasil e PIB per capita dez vezes menor, mas construiu um arsenal hoje estimado entre 120 e 150 artefatos nucleares – um pouco mais que a Índia.

O foco do confronto entre os dois países é, ironicamente, um lugar de beleza paradisíaca, a Caxemira, um vale ao pé dos Himalaias, inspiração de James Hilton quando criou a utópica Shangrilá, em Horizonte Perdido.

As pashminas e as roupas de cashmere, tecidas com a lã finíssima de uma cabra da região (antes que surgissem as falsificacões chinesas), espalharam pelo mundo o nome do vale onde um marajá de tempos passado se converteu a uma corrente mística do Islã, levando junto a maioria da população.

O Paquistão tomou um pedaço do território, o antigo principado de Jamur e Caxemira, e a China outro, com explosões bélicas sucessivas.

Mas o instrumento mais perverso vem das organizações terroristas paquistaneses que se infiltram em território indiano para atentados espetaculares. O mais recente foi um carro-bomba jogado por um terrorista suicida contra um ônibus de transporte de policiais militares na Caxemira indiana. Morreram 44.

Os bombardeios de regiões do lado paquistanês foram em represália ao ataque e em resposta à opinião pública indiana que exigia vingança. Foi derrubado um caça paquistanês, mas os dois aviões indianos perdidos e o piloto capturado causaram exultação muito maior no Paquistão.

“Faço uma pergunta à Índia: com as armas que nós temos, podemos nos dar ao luxo de algum erro involuntário?”, perguntou, muito racionalmente, Imran Khan, que estudou em Harvard, morou na Inglaterra e foi casado com uma socialite inglesa.

O problema é se Imran Khan tem de fato autoridade para decidir, com os generais que mandam nas bombas e um público embriagado com a perda infligida aos inimigos indianos.

Narenda Modi, o primeiro-ministro indiano, também sofre pressões intensas, acirradas pelo fato de que ele é líder de um partido nacionalista hinduísta – e tem eleição logo, logo. Até agora, ele rejeitou as aberturas de Imran Khan.

Um enviado da Arábia Saudita foi ao Paquistão para tentar distensionar o clima. Os sauditas também despejam muito dinheiro no Paquistão e têm um acordo tácito: em caso de um ataque iraniano, podem contar com o guarda-chuva nuclear de seus protegidos.

Alá nos proteja a todos das inimagináveis complicações envolvidas. Ainda mais agora que o baby Kim pode se sentir mais livre para voltar ao personagem original.

Aliás, o Paquistão ajudou Coreia do Norte, Líbia e o próprio Irã a desenvolver seus programas nucleares bélicos, único motivo de arrependimento do fantástico doutor A.Q. Khan. Se um dia acontecer uma guerra nuclear, muito provavelmente terá a marca dele.
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Empréstimos 'camaradas' à ditadura chavista na gestão PT alimentam dívida bilionária


Do saldo devedor de R$ 2,662 bilhões com o BNDES, R$ 472 milhões correspondem a parcelas que já estão em atraso. Calote será coberto com verbas de fundo vinculado ao Ministério da Fazenda. Herança maldita de Lula & Dilma:

O caos econômico e social por que passa a Venezuela reabriu o debate sobre a capacidade real de o país de Nicolás Maduro cumprir as dívidas que tem com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Hoje, o saldo devedor da Venezuela com o BNDES é de US$ 710 milhões (R$ 2,662 bilhões, pelo câmbio desta terça-feira, dia 27). Desta quantia, US$ 126 milhões (R$ 472 milhões) correspondem a parcelas que já estão em atraso.
O risco de calote é reconhecido pelo BNDES. O banco pode recorrer, em caso de prejuízo comprovado, ao Fundo de Garantia à Exportação (FGE), gerenciado pelo Ministério da Fazenda e que funciona como um seguro.

O débito corresponde a quatro projetos: obras para uma linha no metrô de Caracas, para uma linha no metrô de Los Teques, cidade a 30 quilômetros da capital venezuelana, e as construções de uma usina siderúrgica e de um estaleiro. Os dois primeiros empreendimentos estão a cargo da Odebrecht, e os restantes, da Andrade Gutierrez – ambas as empresas estão envolvidas na operação Lava Jato. Todos os empréstimos foram efetuados pelo BNDES quando o Brasil estava sob o comando do PT: a operação da siderúrgica foi fechada durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, e as demais, durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff.

A saída do PT da Presidência, com o impeachment de Dilma em 2016, correspondeu também a uma alteração na política do BNDES para os empréstimos a países estrangeiros. Saiu a visão mais “expansionista” das gestões petistas, que tinha como meta um fortalecimento das empresas brasileiras no exterior, e entrou no lugar uma postura mais cautelosa.

Em setembro de 2016, o então presidente do banco, Dyogo Oliveira, disse que os empréstimos a Venezuela - e a Cuba, que também tem problemas com os empréstimos - “provavelmente não deveriam ter sido feitos, mas agora temos que ir atrás do dinheiro”.

Também em 2016, na gestão de Michel Temer, o BNDES anunciou novas regras para as operações internacionais. Segundo o banco, as diretrizes implantadas passariam a considerar aspectos como a “análise do projeto como um todo, efetividade e economicidade” e “a conformidade com as práticas internacionais de contratação” - em relação a este último aspecto, o banco menciona explicitamente o objetivo de “coibir financiamentos”. Desde maio daquele ano, os repasses para projetos na Venezuela estão suspensos.

Crítico frequente das relações das gestões petistas com Venezuela e Cuba, o presidente Jair Bolsonaro apresentou, em seu programa de governo na campanha do ano passado, a meta de fazer com que o BNDES se posicione principalmente como um agente nos processos de privatização. “O BNDES deverá retornar à centralidade em um processo de desestatização mais ágil e robusto, atuando como um “Banco de Investimentos” da União e garantindo que alcancemos o máximo de valor pelos ativos públicos”, aponta o plano de Bolsonaro. O texto também diz, no campo sobre política externa, que “não mais faremos acordos comerciais espúrios ou entregaremos o patrimônio do Povo brasileiro para ditadores internacionais”.

Na posse do presidente atual do banco, Joaquim Levy, o ministro Paulo Guedes (Economia) também criticou a atuação do BNDES sob as gestões anteriores. Segundo Guedes, o banco fez “projetos econômicos estranhos do ponto de vista de retorno de capital, estranhos do ponto de vista político, estranhos do ponto de vista de quem é o beneficiário”. “Achamos que isso distorce a economia, derruba a taxa de crescimento, transfere renda perversamente”, falou Guedes, em 7 de janeiro. Levy foi ministro da Fazenda em 2015, no início do segundo mandato de Dilma Rousseff.
O que são as operações internacionais do BNDES?

Além da Venezuela, o BNDES tem operações recentes atualmente em outros 13 países: Costa Rica, Cuba, Argentina, República Dominicana, Honduras, México, Paraguai, Peru, Guatemala e Equador, na América, e Gana, Angola, e Moçambique, na África.
Nos projetos internacionais, o banco não “dá dinheiro” e nem chega a emprestar diretamente as verbas a outros países. As operações obedecem a seguinte rotina: empresas brasileiras que querem prestar serviços no exterior procuram o banco e apresentam os projetos em que desejam participar. O BNDES então repassa o recurso à companhia nacional, para que ela preste os serviços, e o pagamento do empréstimo é feito pelo governo do país estrangeiro. É nesta etapa em que estão ocorrendo os calotes e atrasos atuais.
O objetivo do BNDES ao efetuar os empréstimos é fortalecer as empresas nacionais, o que, segundo o banco, faz “gerar emprego e renda no Brasil”. “Quando financia as exportações de uma empresa brasileira de engenharia para obras no exterior, o BNDES exige que todos os bens e serviços apoiados sejam de origem brasileira”, aponta texto no site do banco.

Embora tenham sido impulsionados nas gestões petistas, os projetos internacionais já existiam durante governos anteriores. Em 2001, no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, uma operação que garantiu recursos para o metrô de Caracas foi fechada, na casa de US$ 107,5 mi.
Disputa política

Ao longo dos últimos anos, o BNDES se tornou um dos principais campos de batalha na política nacional. Do lado dos defensores dos governos de Lula e Dilma, os argumentos a favor da atuação do banco se baseavam na renda e nos empregos que as empresas contempladas pelos empréstimos gerariam em território nacional. Já os opositores ao PT criticavam o BNDES basicamente por dois argumentos: o favorecimento a empresas brasileiras específicas, sem critérios claros de seleção, e a concessão de empréstimos a países com denúncias de violação de direitos humanos e ideologicamente alinhados à esquerda, como a Venezuela.
Ainda em setembro do ano passado, durante o período eleitoral, o então candidato Jair Bolsonaro escreveu que os “venezuelanos morrem de fome devido à tirania de um governo que anda de mãos dadas com a ditadura cubana” e que “via BNDES e outras fontes de seu dinheiro o Brasil é um dos maiores patrocinadores do socialismo que massacra milhões no mundo”. Já eleito, Bolsonaro destacou uma página que o BNDES divulgou em seu site com a lista de projetos internacionais que contam com verba do banco. “BNDES divulga interessante link identificando os países que usaram os recursos financeiros do Brasil e os motivos dos empréstimos. Tire suas conclusões”, escreveu, numa referência velada às ações em Venezuela e Cuba.

O banco foi tema de CPIs na Câmara e no Senado e pode ser alvo de outra comissão parlamentar de inquérito. No início de fevereiro, o deputado federal Vanderlei Macris (PSDB-SP) apresentou uma requisição para criação de nova CPI do BNDES, sob a alegação de que as anteriores “não abriram a caixa-preta do banco”.

“Sem a ciência dos brasileiros, os governos do Lula e da Dilma autorizaram o BNDES a realizar financiamentos para obras no exterior. Por sinal, uma decisão tomada no governo Lula, abrindo a possibilidade de o BNDES financiar essas grandes obras. E por mais de uma década, nós tivemos uma dilapidação nefasta de recursos da sociedade brasileira, fundos que foram aplicados fora de nossas fronteiras e que ainda muito pouco sabemos em relação a isso”, relata o requerimento elaborado pelo tucano.
A “decisão tomada no governo Lula” aí mencionada é o decreto 6.322, de 2007, que permitiu ao banco financiar a aquisição de ativos por empresas de capital nacional no exterior. Essa decisão foi o que possibilitou, por exemplo, que o frigorífico JBS adquirisse empresas em outros países e se tornasse o maior do mundo no setor. O pedido de CPI será analisado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Como o início do mandato dos deputados foi marcado por um excesso na solicitação de CPIs, a nova investigação sobre o BNDES não figura em um cenário muito provável.

“Isso nos inquieta ainda mais quando nos lembramos que os últimos governos brasileiros, alinhados ideologicamente, emprestaram, por meio do BNDES, algo em torno de R$ 11 bilhões ao governo venezuelano”, afirmou o senador Eduardo Girão (Podemos-CE), que conseguiu aprovar nesta terça-feira (26) um requerimento sobre o assunto na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor.

Ele propôs a realização de uma audiência pública para esclarecer os empréstimos feitos pelo Brasil à Venezuela entre 2003 e 2016, com as presenças do ministro José Mucio Monteiro, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), e de Joaquim Levy, presidente do BNDES.
Operações válidas

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), que foi ministro nos governos Lula e Dilma, disse que as operações internacionais do BNDES foram válidas por terem garantido, à época, recursos às empresas brasileiras.
O petista também minimizou a responsabilidade dos antigos gestores do banco diante do possível calote dos outros países: “quem autorizou os empréstimos não tem culpa se o cenário no outro país se modificou. Quando os empréstimos foram feitos, a economia sugeria que as operações seriam positivas para o Brasil”. Padilha também descartou a ideia de que os empréstimos foram feitos por afinidade ideológica: “se fosse assim, não teriam ocorrido no governo Fernando Henrique”. (Gazeta do Povo).
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Salsichas acadêmicas: o caso do dossiê sobre lesbocídio.


No Brasil, os crimes homofóbicos são como as salsichas: melhor não saber como são fabricados. Texto de Flávio Gordon, publicado pela Gazeta do Povo:

“Os intelectuais são, no estrito senso que estamos vendo, fundamentalmente inconsequentes às exigências do mundo externo.” (Thomas Sowell, Os Intelectuais e a Sociedade)

Naquele fim de tarde, o estudante universitário Daniel Reynaldo subiu, determinado, as escadarias do prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ, localizado no Largo de São Francisco de Paula, centro do Rio de Janeiro. Seu objetivo era acompanhar a apresentação dos resultados de uma pesquisa acadêmica intitulada Dossiê sobre Lesbocídio no Brasil de 2014 a 2017, de autoria das pesquisadoras Maria Clara Dias (professora do Departamento de Filosofia e coordenadora do estudo), Milena Cristina Carneiro Peres e Suane Felippe Soares, e desenvolvida no âmbito do Grupo de Pesquisa “Lesbocídio – As histórias que ninguém conta”, iniciativa do Núcleo de Inclusão Social (NIS) e do Nós: Dissidências Feministas, ambos vinculados àquela universidade. Tendo tido conhecimento prévio do estudo, pretendia questionar as autoras sobre o que lhe pareceram falhas metodológicas e conclusões infundadas da pesquisa. Mas não tardaria a descobrir que, nos dias de hoje, há coisas que não se deve perguntar dentro de uma universidade, pois o que está em jogo ali é militância político-ideológica, não ciência. O que se relata a seguir é baseado em entrevista por mim realizada com Daniel (que já havia publicizado o ocorrido em seu blog e página do Facebook), bem como nos áudios por ele gravados no dia do incidente.

É o dia 7 de março de 2018. Numa sala tomada por ativistas de extrema-esquerda – membros de variados “coletivos” entoando de quando em quando seus gritos de guerra tribais –, e na qual uma atmosfera de exacerbada comoção substitui o espírito acadêmico de debate racional e crítica, as pesquisadoras apresentam resumidamente os objetivos e resultados do dossiê. Após ouvir pacientemente a exposição, quando então se abre inscrição para perguntas da plateia, Daniel faz estes dois questionamentos, com toda a educação:
1. Para o ano de 2017, a pesquisa registrara 17 casos de suicídios de lésbicas no Brasil. Naquele mesmo ano, houve aproximadamente 11 mil suicídios em geral. Diante dessa proporção, não seria exagerado qualificar como alarmante o número de suicídios de lésbicas?
2. Embora a pesquisa listasse vários casos explícitos de lesbocídio, as informações veiculadas na imprensa sobre a maior parte deles não davam prova de motivação lesbofóbica. As autoras poderiam explicar melhor os critérios adotados para se chegar às conclusões?
Já na segunda pergunta, as vaias começam. Daniel passa a ser violentamente hostilizado e ofendido. “Lesbofóbico! Asqueroso! Babaca! Palhaço!” são algumas das ofensas (as mais leves) que sofre. Por várias vezes, ordenam-lhe que cale a boca. A segurança do prédio é chamada com o objetivo de expulsá-lo dali. Convicto de seu direito de estar naquele espaço público, e ademais sendo aluno da universidade, ele se recusa a sair, e tenta explicar a situação para os seguranças, sempre em meio a ofensas. O evento prossegue em clima tenso. Ao fim, Daniel dirige-se à saída e começa a ser empurrado pelas costas. Recebe chutes e safanões, ainda que sem gravidade.
Eis que, em meio ao rebuliço que encerrava o evento, aparece um personagem curioso, mas deveras típico na fauna acadêmica nacional. Dirigindo-se rispidamente a Daniel, e não à turba hostil, o funcionário da universidade começa a gritar com voz estridente e pastosa: “Sem agressão! Sem agressão!” Junto aos seguranças, conduz o pária para fora do recinto. “Vai embora, seu asqueroso” – grita uma mulher ao fundo. “Vai, vai, vai por aqui” – o homem indica o caminho aos seguranças. Mais uma vez, Daniel tenta argumentar com um deles. Transtornado, o funcionário recém-chegado interrompe-o aos berros, com palavras de baixo calão: “Olha só, o senhor cale a sua boca. Ninguém fala nada. Eu sou o diretor desta porra, hein? Cale a sua boca! Cale a sua boca!”.

Daniel questiona: “O senhor é diretor do IFCS?” A resposta é a mesma: “Cale a sua boca”. Daniel reage com ironia: “Desculpe, eu não sabia que você era o diretor do IFCS”. “Desculpa é o caralho!” – torna o homem. Insiste-se na pergunta, e o sujeito (que não era diretor do instituto coisa alguma, mas apenas um diretor administrativo) responde: “Não tenho obrigação de te responder isso não, parceiro. Não tenho obrigação de te responder essa porra, não”.
Levado para uma sala e mantido em cárcere privado por cerca de meia hora, Daniel tem o celular apreendido pela segurança. Ao perguntar se poderia reaver o seu aparelho, recebe a resposta, sempre gritada, do autoproclamado diretor: “Não pode pegar porra nenhuma! Não pode pegar porra nenhuma aqui”. Depois de algum tempo, o sujeito dá voz de prisão a Daniel, e o apresenta a policiais militares estacionados na porta do instituto. Todos são levados para a delegacia para prestar esclarecimentos. Ali, professores, alunos e funcionários da faculdade (incluindo, segundo nosso entrevistado, a então diretora do IFCS) acusam Daniel de agressão verbal, desacato e ameaça, tentando fazer com que fosse preso em flagrante. As acusações são rejeitadas pela Polícia Civil. O dia se encerra. Mas o imbróglio está só começando.
Daniel não fora desprevenido ao lançamento do dossiê. Como admite numa de suas perguntas, já vinha analisando os dados da pesquisa por algum tempo. Uma vez que as pesquisadoras haviam adotado como metodologia o clipping de notícias sobre mortes de lésbicas na internet – chegando ao número total de 126 entre os anos de 2014 e 2017 (número esse que passou a ser tomado como verdade absoluta pela imprensa) –, nosso entrevistado decidira procurar pelo nome das falecidas listadas, a data e o local do ocorrido, de modo a verificar qual fora a causa da morte noticiada na imprensa. O que descobriu foi que muitos casos computados no dossiê como lesbocídio – definido pelas pesquisadoras como “morte de lésbicas por motivo de lesbofobia ou ódio, repulsa e discriminação contra a existência lésbica” – tinham, na verdade, causas muito distintas. Seguem alguns exemplos.
Em 25 de dezembro de 2017, no município paulistano de Riolândia, a jovem Vitória Graciano Ramos foi acidentalmente atropelada por um parente ao escorregar do capô do carro em movimento no qual se sentara depois de abrir uma porteira. Para as pesquisadoras da UFRJ, Vitória foi vítima inequívoca de lesbocídio. Em 21 de setembro de 2017, na zona norte de Manaus, a assaltante Fabíola Oliveira Menezes morreu em troca de tiros com a polícia. Junto com dois comparsas também armados, havia roubado um Corsa preto, utilizado na fuga. Para as pesquisadoras da UFRJ, Fabíola foi vítima inequívoca de lesbocídio. Em 13 de julho de 2017, a cabeleireira e empresária Micaela Ferreira Avelino, 26 anos, foi baleada e morta em assalto a banco ao lado de sua barbearia num shopping da Grande Natal. Para as pesquisadoras da UFRJ, Micaela foi vítima inequívoca de lesbocídio. Em 24 de setembro de 2015, em Prata (MG), Talita Evelin Ribeiro Araújo, 21 anos, foi morta e incendiada pela namorada Eliane Alves, 36 anos. Para as pesquisadoras da UFRJ, Talita foi vítima inequívoca de lesbocídio. E assim sucessivamente…
Até que Daniel começasse a criticar a utilização dos dados da pesquisa, as autoras mantinham uma lista das vítimas de lesbocídio em três domínios virtuais, um blog no WordPress, uma página no Facebook, e outra no Twitter. Foi dessa lista, aliás, que o nosso entrevistado retirou os nomes das pretensas vítimas de lesbocídio citados no parágrafo anterior, pesquisando por eles nos meios de comunicação. Assim que começou a divulgar na internet as circunstâncias reais dessas mortes, o conteúdo das páginas foi apagado, tornando inacessível a base de dados utilizada para a conclusão de que, entre 2014 e 2017, houve no Brasil 126 vítimas de lesbocídio – ou seja, lésbicas mortas por serem lésbicas. Contudo, Daniel ainda teve tempo de tirar print de parte do material contido na página no Twitter.
Depois do incidente no IFCS, e com base na Lei de Acesso à Informação, Daniel decidiu requerer diretamente à UFRJ, e em seguida ao MEC, a lista com os nomes e os links acessados para verificação das circunstâncias das mortes. De início, a universidade nem sequer respondeu. Depois, forçada a dar alguma resposta pela Controladoria-Geral da União (CGU), sob pena de processo por improbidade administrativa, saiu-se com explicações pouco convincentes.

Assinada pela coordenadora do dossiê, a professora Maria Clara Dias, a primeira resposta foi negativa. Alegava-se que, por não ter recebido recursos governamentais, a pesquisa não estava sujeita à referida lei. Ocorre que a alegação contradizia o próprio documento oficial do estudo, em que se agradecia à Faperj e à Capes por haverem financiado a publicação do dossiê. Ademais, tendo utilizado recursos humanos e materiais da UFRJ, uma autarquia federal, ficava claro que os dados que fundamentaram a pesquisa eram de interesse público, sendo, portanto, objeto da Lei de Transparência.
Derrubado esse primeiro argumento em prol do sigilo sobre a base de dados, a UFRJ rejeitou um segundo recurso do requerente. Em resposta assinada pelo reitor Roberto Leher (aquele mesmo, filiado ao PSol, em cuja gestão o Museu Nacional extinguiu-se em chamas), recorria-se, agora, para negar o acesso às informações solicitadas, sob o pretexto da ética de pesquisa e da preservação da imagem das vítimas e de seus parentes. A alegação também não ficava de pé, todavia. Segundo a metodologia adotada pelas pesquisadoras, os dados levados em conta para a conclusão do dossiê já eram públicos, tendo sido retirados de sites e portais de notícias na internet.
Depois dessas negativas, a CGU terminou por conceder provimento parcial do recurso, de modo que fossem disponibilizados ao requerente os dados coletados no âmbito da pesquisa, mas apenas – essa era a ressalva – “em relação a idade da vítima, cidade/estado/região onde o caso ocorreu, a profissão da vítima, o método do assassinato, o vínculo com o assassino, o sexo do assassino, o tipo de lésbica e a raça/etnia da lésbica assassinada, bem como o número do processo judicial aos quais os crimes se referem, vedando-se a identificação das vítimas e dos assassinos”. O parecer não incluía a exigência de publicidade dos nomes das 126 pessoas mortas e dos links das matérias acessadas pelas pesquisadoras. Firme na convicção de obtê-los, contudo, Daniel entrou com recurso de última instância junto à Comissão Mista de Reavaliação de Informações (CMRI), mas, até o momento em que escrevo, o processo ainda está em andamento.
O estranho comportamento das pesquisadoras (e, por extensão, da própria universidade) em relação à divulgação dos dados não ficou só nisso. Como, depois do incidente no IFCS, Daniel houvesse feito críticas incisivas à pesquisa, acusando-a de “fraudulenta” e “mentirosa” – acusações que, todavia, a divulgação da base de dados talvez pudesse desmentir –, as autoras moveram-lhe uma ação de indenização por danos morais. Dizendo-se vítimas de agressão, perseguição, bullying virtual, assédio e terror psicológico, as autoras acusam o réu de atacar a população LGBT, entreter ideias nazistas e incitar o ódio. Na ação, exigiam em caráter liminar a remoção, suspensão e bloqueio integral das páginas na internet em que Daniel criticava a pesquisa; a proibição, sob pena de multa diária, de que o réu voltasse a tratar do caso; e, por fim, uma indenização por danos morais no valor de 20 salários mínimos.
Por incrível que pareça, a Justiça do Rio de Janeiro acatou o pedido das autoras – de início, até mesmo a suspensão das páginas (posteriormente liberadas por nova decisão do Tribunal de Justiça) –, condenando Daniel (que já recorreu) ao pagamento da indenização. Num dos trechos da sentença condenatória, a juíza do TJ-RJ responsável pelo caso argumenta: “Acrescente-se que o objeto da pesquisa das autoras é a morte violenta de uma parcela da população LGBTI, ou seja, as lésbicas, notoriamente discriminadas como minoria. O Brasil lidera ranking mundial de mortes por homofobia, segundo dados amplamente divulgados na imprensa. Diante de tal quadro, toda e qualquer forma de estímulo à violência, seja física ou simbólica, contra a população LGBTI deve ser combatida e sancionada, para se superar o comportamento estigmatizante e excludente”.
Note-se que o raciocínio (para não falar do vocabulário) da juíza aproxima-se perturbadoramente ao da militância LGBT(I?) mais inflamada, como aquela que hostilizou Daniel dentro da universidade. Mais ainda: como fundamento da sentença, a doutora dá de barato uma informação – a de que o Brasil lidera ranking mundial de mortes por homofobia – que, justamente, parece ser baseada em pesquisas metodologicamente imprecisas, tal como a que aqui se discute.
É realmente alarmante a possibilidade de que magistrados (incluindo aí os ministros ultraprogressistas do STF) possam estar proferindo decisões judiciais com base em conclusões acadêmicas infundadas. O que prova, por si só, a importância de se dar ampla publicidade à base de dados de onde se extraem essas conclusões. Caso contrário, cria-se um mecanismo nocivo de retroalimentação, uma caixa preta em que o mérito jamais é discutido (afinal, no caso em litígio, as 126 mortes foram ou não realmente motivadas por “lesbofobia”?), mas sempre pressuposto. Para condenar Daniel, a juíza tomou como fato inquestionável justamente aquilo que seria preciso debater de maneira transparente, mas que não tem sido graças à confusão reinante entre ativismo político (e jurídico) e pesquisa científica.
Fora da esfera judicial, a comunidade acadêmica agiu no caso como de costume: corporativa e ideologicamente. Publicaram-se um sem-número de manifestos coletivos de desagravo às autoras do dossiê e ataques coordenados contra a reputação de Daniel (ver exemplo), julgado e condenado pelo crime de exigir transparência, bem como rigor metodológico, de pesquisadoras universitárias financiadas com verba pública. Semanas após o incidente no IFCS, num paroxismo de irresponsabilidade e inversão de valores, o colegiado do Departamento de Filosofia – sob os protestos heroicos (mas inúteis) de um único professor – decidiu conceder uma menção de louvor àquele funcionário que, apresentando-se como “diretor desta porra” (leia-se, do instituto), interpelou Daniel aos berros, mantendo-o, ademais, em cárcere privado dentro da faculdade. Premiado por conduta imprópria a um funcionário público, o sujeito decerto não hesitará em reexibir o seu desequilíbrio numa nova oportunidade.
É, portanto, nesse ambiente de insanidade oficializada, do qual a discussão sobre a realidade concreta foi banida por meio de gritos histéricos e retórica sentimentalista, que a proposta de criminalização da homofobia tem sido decidida no Brasil por ministros da suprema corte que se portam como militantes, falam como militantes e se baseiam em dados colhidos exclusivamente em pesquisas conduzidas por militantes. Pesquisas que, como se viu no caso aqui relatado, jamais podem ser questionadas, muito menos esmiuçadas, tendo como único fundamento (sagrado e interdito) a palavra final do ativismo político. No Brasil, os crimes homofóbicos são como as salsichas: melhor não saber como são fabricados.
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O desprezo pela plebe: um retrato da esquerda portuguesa (e brasileira).



Perante o ditador Maduro, que empreendeu uma guerra contra o seu próprio povo, gente simpática como Francisco Louçã ou Joana Mortágua é tomada por um horror sagrado face... ao imperialismo americano, escreve o professor Paulo Tunhas no Observador (qualquer semelhança dos Louçã e Mortágua com Gleisi e a ralé ideológica esquerdista do PT e PSOL não é mera coincidência):
Face ao ditador Maduro, que empreendeu uma guerra contra o seu próprio povo, obrigando quase três milhões e meio de venezuelanos a abandonarem o país nos últimos anos, gente simpática como Dilma Rousseff, Gleisi Hoffmann, Francisco Louçã ou Joana Mortágua é tomada por um horror sagrado face ao imperialismo americano. Trump arranjará maneira, por um método qualquer, de pôr a mão na Venezuela e de impor um seu fantoche, tendencialmente sanguinário. Nada de surpreendente, é claro. Os velhos ódios, como os velhos amores, morrem dificilmente. Mas o facto de não ser surpreendente, muito exactamente, convida a alguma reflexão.

A facilidade em saltar para os hipotéticos males futuros, desvalorizando alegremente os reais males presentes, é ajudada por duas características salientes: a incapacidade de olhar os factos com um mínimo de despreendimento relativamente a um quadro teórico geral no qual cresceram e de que nunca se afastaram por um milímetro – e um profundo desprezo pela plebe. Estas duas características encontram-se, de resto, ligadas uma à outra.

Convém não esquecer que uma boa parte da esquerda (incluindo uma grossa fatia do PS) vive no interior de um mito. O mito generosamente garante sentido a tudo. Ou melhor, garante o sentido todo àquilo que permite pensar e, simultaneamente, cria uma fronteira intransponível entre o sentido e o sem-sentido, que pertence às trevas exteriores. O que é que o mito, genericamente, diz? Diz que há uma direcção bem determinada da história, na qual, sabendo-o ou não, caminhamos, e que essa direcção conduz ao socialismo e ao comunismo. Quem segue nessa direcção está no bom caminho, quem marcha em sentido contrário está no caminho errado. Não ver isto é laborar no sem-sentido, que só pode resultar de uma resistência voluntária ao sentido da história ou da pura e simples ignorância.

Toda a gente está a par desta doutrina, que outrora recebeu desenvolvimentos filosóficos apreciáveis, bem como elaborações de uma rusticidade extraordinária. O que se tende a ignorar é a que ponto ela continua a trabalhar os espíritos e a fornecer o mobiliário mental fundamental de gente que aparenta alguma sofisticação intelectual. O núcleo essencial do mito permanece intacto naquelas cabeças, aconteça o que acontecer, e se, por um instante ou outro, a crença se torna menos aparente, é para reaparecer logo a seguir, magicamente intacta e não menos poderosa. Não há desmentidos de qualquer espécie, empíricos ou teóricos, que a possam pôr em causa, como nada há que consiga tornar mais porosa a fronteira entre sentido e sem-sentido. Isso manifesta-se tanto nas mais gerais como nas mais ínfimas e ridículas questões. O mito perdura, eternamente fechado em si mesmo.

Percebe-se assim que Joana Mortágua ou Francisco Louçã, em artigos publicados no esquerda.net, não vejam o que qualquer pessoa que não viva no interior do mito vê com toda a nitidez possível. Por exemplo, que o regime “bolivariano” é um regime que, desde o primeiro momento (desde Chávez), estava condenado a tornar-se numa ditadura e que Guaidó, valha ele o que valer, representa efectivamente a voz possível de uma sociedade humilhada e miserável, submetida à crueldade de uma casta corrupta. Aí onde o ridículo e o grotesco anunciavam com razoável antecipação o horror, nada viam. O ridículo e o grotesco escaparam-lhes por inteiro, e tal colossal falta de sensibilidade diz muito daquelas cabeças. Certamente que agora se distanciam parcialmente de Maduro, que manifestamente não pode já encarnar o sentido da história. Maduro tornou-se incómodo, de mau gosto. Mas essa sensibilidade de superfície – que os distingue do PC, que tem a pele mais dura — não chega, é claro, para olhar a realidade de frente e medir o real sofrimento das pessoas. Cada milímetro de distância de Maduro é compensado com metros de repúdio dos Estados Unidos, finalmente os únicos efectivos fautores da desgraça dos venezualanos. Sempre foi assim. É um ritual que o mito ordena.

Mesmo assim… Como se pode ser tão imune à informação amplamente disponível sobre a miséria venezuelana? Bom, a imunidade à informação sobre o terror tem uma larga história e também aqui não se pode falar propriamente de novidade. Mas, sobretudo, é preciso ter em conta que o mito obriga a uma extraordinária selectividade no uso da compaixão. Se as criaturas humanas não encaixarem bem no esquema que o mito oferece, não gozarão sem dúvida da mesma piedade que merecem aquelas que nele encaixam. Formam uma plebe indistinta que não comove. Não se anda longe do desprezo.

É este desprezo, mais explícito ou mais implícito, que essencialmente fere. É o desprezo a que o mito obriga em relação a tudo o que escapa ao seu fechamento, a tudo o que não cabe no seu sentido. Aquela gente que foge da Venezuela ou que por lá se deixa morrer, pura e simplesmente não faz sentido. Joana Mortágua e Francisco Louçã preferem falar dos Estados Unidos e dos sinistros planos do Império. Conhecendo um pouco aquela maneira de pensar, faz todo o sentido: um sentido que tem uma triste e longa história.
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Cotas nas universidades: uma política irracional e insensata.


Os “justiceiros sociais”, geralmente uma “elite” branca de esquerda, recorrem a uma forma de atuação cujo propósito é manipular o público mediante o apelo emotivo. Artigo do professor Carlos Adriano Ferraz, publicado pela Gazeta do Povo:

Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter”. Martin Luther King
“Todos têm perguntado ... ‘que devemos fazer com o negro?’ Eu tenho apenas uma resposta desde o início. Não façam coisa alguma para nós! Vocês terem feito algo para nós já nos causou dano. Não nos façam coisa alguma! (...) se o negro não puder se apoiar em suas próprias pernas, então o deixe cair”. Frederick Douglass 

A Gazeta do Povo publicou recentemente um artigo (“Eu me declaro pardo”: reprovados por comitê de cotas, alunos protestam contra UFPE”) que reacende o problema insolúvel das cotas nas Universidades. Por que insolúvel? Ora, porque a questão das cotas é motivada não por razões, mas por uma ideologia. E por essa razão cotas deveriam ser banidas: não há como resolver racionalmente essa questão, uma vez que ela está corrompida em sua origem. Em verdade, as cotas mesmas são uma política ineficiente, irracional e insensata, como já foi demonstrado, de forma amplamente justificada e documentada, por autores como Thomas Sowell, Walter Williams, Richard Sander e Stuart Taylor.
Assim, o tema das cotas faz parte dos dogmas adotados por nossas universidades, juntamente com os mantras da “diversidade”, da “inclusão”, etc. Tais são apenas alguns dos dogmas dos quais partem nossos gestores, os quais eles simplesmente não questionam (afinal, são dogmas). Assim, ao evocarem seus dogmas, nossos ungidos “justiceiros sociais” (geralmente parte de uma “elite” acadêmica branca de esquerda), desde dentro da universidade, recorrem a uma forma de atuação cujo propósito é simplesmente manipular o público mediante o apelo emotivo, especialmente na defesa de políticas e ideias destinadas ao fracasso (como o sistema de cotas). Dessa maneira, eles partem desses dogmas e, ao invés de se deixarem orientar por argumentos racionais voltados para a verdade (que deveria, aliás, ser o propósito mais elevado de uma Universidade), imergem em apelos emotivos, deixando de lado qualquer resquício de razoabilidade.
Um desses dogmas é o das “cotas”, especialmente (mas não apenas) o das “cotas raciais”. Aliás, um dogma de tal forma enraizado no universo acadêmico que qualquer um que o questione será imediatamente chamado de ‘racista’ (ou, como mais na moda atualmente, de ‘fascista’ e ‘intolerante’). 
Dessa maneira, temos sido reiteradamente ensinados, em nossas Universidades, que o sistema de “cotas” é a solução para o problema das assim chamadas “minorias”. Atualmente vários grupos são beneficiados com essa denominação. Mas cabe perguntarmos: tal sistema é, realmente, eficiente? Não apenas isso, é ele justo? Ou, ainda: essa política visa realmente beneficiar as chamadas “minorias” ou assegurar a promoção daqueles “posers de moralidade” (a “elite” acadêmica branca de esquerda) que adotam tais “minorias” como ‘mascotes’ para seu próprio proveito?

Bom, a questão da eficiência é, aqui, irrelevante. Não apenas o termo “eficiência” é politicamente incorreto em nossas universidades, como também elas têm sido tradicionalmente geridas pela esquerda. Ou seja: são administradas por quem não precisa pensar em ideias que as tornem eficientes. Como disse Thomas Sowell, “não deveríamos ficar surpresos por encontrar a esquerda em instituições nas quais as ideias não precisam funcionar para sobreviver”. Assim, dado o dogma da “imaculidade da universidade” (concebida sem o “pecado original” do aliciamento pelo mercado), segundo o qual ela não pode se imiscuir com interesses de mercado e com a ideia de empreendedorismo, falar em “eficiência” das políticas adotadas nas universidades é uma heresia acadêmica (uma heresia que, felizmente, vem sendo cometida por algumas áreas em particular, por seu mérito e virtude).
E quanto à (in)justiça de tais políticas? 
Eu diria, primeiramente, que quando o que importa é ser “politicamente correto” e perpetuar o discurso emotivo, pouco importa considerações racionais (e, mesmo, fatos) atinentes à legitimidade de tais políticas. Mas, embora nossos gestores sejam cegos para elas, essas considerações existem. Dois estudos seminais esclarecem, de forma persuasiva e amplamente documentada, não apenas a injustiça dessas políticas, mas também seu destino ao fracasso. Refiro-me às obras “Ações Afirmativas ao redor do mundo” (2004), de Thomas Sowell, e “Mismatch: How Affirmative Action hurts students It is intended to help, and why Universities won’t admit It” (2012), de Richard Sander e Stuart Taylor. 
Essas são duas obras fundamentais para analisarmos racionalmente a questão, sem sentimentalismos tóxicos, sem demagogia e sem populismo. Urge o estudo de tais estudos, especialmente nesse momento em que ações ditas “afirmativas” se impuseram dogmaticamente desde nossas universidades. 
Com efeito, um dos dogmas solapados pelos autores dessas obras é o dogma dos efeitos positivos das ações afirmativas. A obra de Thomas Sowell, por exemplo, nos oferece um estudo empírico que revela toda a hipocrisia e demagogia por detrás das ações afirmativas. Ele analisa circunstanciadamente os resultados empíricos das políticas preferenciais implantadas em países como Índia, Malásia, Nigéria, USA, etc, chegando a conclusões que certamente seriam aplicáveis ao Brasil. Em resumo, em lugar algum do mundo as ações afirmativas funcionaram como uma política pública minimamente razoável. Ou seja, nossas universidades (mediante seus gestores) estão tão atrasadas (e desligadas da ideia de eficiência) que não apenas recorrem a ideias fracassadas: elas o fazem mesmo havendo exemplos que demonstram o fracasso dessas ideias. 
Como constatado pelos autores dos livros referidos (e por Frederick Douglass no século XIX), os negros, por exemplo, nunca foram beneficiados pelo assistencialismo (do qual fazem parte as ações afirmativas). Em verdade, eles não foram beneficiados por qualquer programa de assistência social. A economia de mercado (capitalismo) sempre foi o mecanismo mais eficiente para assegurar a prosperidade geral (inclusive das “minorias”). 
Nesse sentido, Sowell ataca duramente a dominante “mentalidade vitimista”. No contexto de suas abordagens acerca da ação afirmativa ele demonstra que o racismo (ou a escravidão) nunca foi causa de pobreza, criminalidade e desempenho medíocre nos estudos. Dentre as causas estão, por exemplo, a dissolução da estrutura familiar (algo observado inclusive pelo Senador estadunidense de esquerda, Daniel Patrick Moynihan, ainda nos anos 1960, ao demonstrar que a então crescente dissolução da família negra seria causa de caos e miséria), o relativismo moral, a ideia de que todas as culturas têm o mesmo valor, o vitimismo, um ensino elementar medíocre (que impede a igualdade de largada), etc. 
E qual a alternativa diante desse quadro? Ora, a alternativa seria, dentre outras coisas, a rejeição do estado de bem-estar social, o fim do monopólio da educação pública (adesão à ideia de um sistema de vouchers, por exemplo) e, claro, a adoção de um comportamento autônomo, responsável. Não apenas isso, seria preciso reconhecermos, contra o “multiculturalismo”, que há, sim, culturas melhores que outras, culturas que asseguram de forma mais eficiente a autorrealização individual e a prosperidade social. Ou seja, culturas que prezam valores como individualidade, liberdade, propriedade privada, empreendedorismo e, claro, livre mercado, bem como que protegem a estrutura familiar, evitando sua dissolução. 

Outro ponto que pode ser extraído de ambos os livros é o seguinte: quando “incluímos” na universidade estudantes tendo em vista aspectos que não sejam suas qualificações intelectuais, causamos dano ao indivíduo (que muito provavelmente fracassará caso as disciplinas mantenham sua exigência) e à própria instituição, que decairá inevitavelmente (o que terá impacto social, econômico, etc.). Parece óbvio para qualquer pessoa que pense um pouco a respeito, mas nossos atuais gestores jamais o admitirão. Eles não admitirão que tais ações “afirmativas” causam nos indivíduos a perda da confiança, fazendo com que tenham um desempenho cada vez mais baixo, o que consolida o abjeto preconceito segundo o qual eles são estudantes inerentemente medíocres se comparados ao que não ingressaram pelo sistema de cotas. 
Com dados ainda mais atualizados do que os de Sowell, os autores de ‘Mismatch’ corroboram as teses de Sowell e oferecem evidências esmagadoras quanto ao dano que as ações afirmativas causam às “minorias” estudantis. Observem, por exemplo, que hoje escutamos discussões sobre “políticas de permanência” na Universidade. Ou seja, temos as “ações afirmativas” para incluir e consideramos “políticas de permanência” para assegurar que os “incluídos” receberão, ao final, seu diploma. Em breve teremos, além das “ações afirmativas”, “avaliações afirmativas”. Na verdade, elas talvez já estejam ocorrendo, o que explica estarmos formando estudantes que sequer são alfabetizados proficientemente (algo mensurado por pesquisas como aquela intitulada “Estudo especial sobre alfabetismo e mundo do trabalho”, do Instituto Paulo Montenegro, a qual descobriu que apenas 22% dos que estão em vias de concluir – ou que recém concluíram – um curso “superior” são proficientemente alfabetizados). 
Eis um dos grandes embustes que se consolidou em nossas Universidades mediante políticas destinadas ao fracasso. 

Mas finalizemos com um exemplo polêmico e preocupante, a saber: talvez estejamos admitindo na medicina, mediante cotas, alunos que estariam qualificados para cursar, quem sabe, alguma licenciatura cuja exigência para acesso seja mais flexível. Ou talvez estejamos incluindo alunos que não estariam qualificados para a universidade de forma alguma, o que não é demérito: poderiam desempenhar atividades importantes e rentáveis que não exigem curso superior algum. Afinal, a universidade não é para todos.

Não obstante, estamos autorizando indivíduos com habilidades controvertidas a cuidarem da saúde de outras pessoas. E aqui podemos citar um caso paradigmático, a saber, o de Patrick Chavis. Admitido na Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em 1973, Chavis foi beneficiado pelas “ações afirmativas”. Por anos ele foi o “modelo” brilhante e midiático do suposto sucesso das “ações afirmativas” nos USA. Com o diploma de médico ele voltou às comunidades negras para servir como exemplo e para cuidar da saúde das pessoas. No entanto, também por anos se ocultou algo terrível: diversos de seus pacientes morriam de forma suspeita. Resultado: após muitas mortes e sofrimento em diversos outros pacientes, a verdade emergiu. Patrick Chavis não era sequer capaz de realizar procedimentos médicos básicos. Após uma investigação que durou um ano sua licença foi revogada. 
E seu exemplo não foi algo isolado. Ainda nos anos 1970 um Professor da Harvard Medical School declarou que Harvard estava permitindo que estudantes negros se graduassem sem que tivessem atingido certos padrões mínimos para ingresso e permanência no curso. Ele foi obviamente acusado de fazer declarações racistas, embora sua preocupação não fosse com os estudantes negros, mas com todo estudante não qualificado para ingressar e concluir o curso de medicina. Isso seria, segundo ele, “permitir que pacientes que confiam em nós paguem pela nossa irresponsabilidade”.
Assim, temos atualmente uma abrangente defesa das ações afirmativas, especialmente na forma de ‘cotas raciais’. Elas seguem avançando cegamente nas Universidades. Mas o ponto é que a ação afirmativa se impôs como um ‘dogma’, o que significa dizer: ela foi estipulada sem uma discussão sobre sua legitimidade e, mesmo, sobre seus efeitos (individuais e sociais) em longo prazo. Em verdade, ela se apresenta hoje quase de forma inquestionável (daí seu status de ‘dogma’). Assume-se que ela é legítima e disso se depreendem diversas ações com o propósito apenas de assegurá-la (mediante cotas em concursos, cotas na graduação, cotas na pós-graduação, etc.). Questioná-las não é, como sabemos, bem visto, de tal forma que o discurso sobre sua [suposta] importância ganha força especialmente na fala de demagogos sem grande envergadura intelectual, os quais pervertem nossas Universidades.
Resgatemos, pois, as visões de negros como Martin Luther King e Frederick Douglass, homens judiciosos e excepcionais cuja visão asseguraria a todos uma prosperidade fundada na dignidade da pessoa humana. 
* Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com estágio doutoral na State University of New York (SUNY). Foi Professor Visitante na Universidade Harvard (2010). Atualmente é professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) na graduação e no Programa de Pós-Graduação em Filosofia, no qual orienta dissertações e teses com foco em ética, filosofia política e filosofia do direito.
 
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