sexta-feira, 31 de agosto de 2018


Projeto perdoa multas de caminhoneiros que se manifestaram em 2015


BLOG DO CAMINHONEIRO

Os caminhoneiros que participaram das manifestações contra o aumento do preço do combustível no início de 2015 poderão ter as multas de trânsito, daquele período, anistiadas. É o que determina o Projeto de Lei da Câmara (PLC 5/2015), que está pronto para ser votado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado (CCJ). A proposta confere aos caminhoneiros grevistas o perdão para multas aplicadas, em todo o território nacional, de 18 de fevereiro a 2 de março de 2015.
De acordo com o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), um dos autores da proposta, o objetivo é não onerar ainda mais os caminhoneiros que protestam legitimamente pelos seus direitos.
Pelo projeto, serão perdoadas as multas por estacionamento na pista de rolamento, nos acostamentos, nos cruzamentos ou por impedir a movimentação de outro veículo, bem como o bloqueio da via com o veículo. A proposta, contudo, limita a anistia para os veículos classificados como caminhão, reboque ou semirreboque, cavalo trator, trator de rodas, trator de esteiras e trator misto.
O relator na CCJ, senador Paulo Paim (PT-RS), foi favorável ao projeto. Ele considerou a ação dos caminhoneiros como o exercício legítimo do direito de manifestação. “É justo o protesto desses trabalhadores que veem os recursos destinados ao sustento de suas famílias serem direcionados para custear as crescentes despesas da prestação do serviço”, afirmou o senador no relatório.
Greve
Na época das manifestações, os motoristas usaram os caminhões para bloquear as estradas em protesto contra o preço do diesel, o baixo preço do frete e os valores dos pedágios. O movimento se concentrou principalmente nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Em Brasília, os caminhoneiros organizaram um buzinaço contra as medidas do governo.
Fonte: Agência Senado

Petrobras anuncia reajuste de 13% no preço do diesel nas refinarias


BLOG DO CAMINHONEIRO

Petrobras anunciou nesta sexta-feira (31) reajuste de 13% no preço médio do diesel praticado pela estatal nas refinarias. O preço do litro subirá de R$ 2,0316 para R$ 2,2964.
Os novos preços entram em vigor já nesta sexta-feira e devem acabar impactando no valor pago pelos consumidores nas bombas. O repasse do reajuste para o preço final, entretanto, vai depender dos postos.
Em nota, a Petrobras informou que o valor “reflete a média aritmética dos preços do diesel rodoviário, sem tributos, praticados pela Petrobras em suas refinarias e terminais no território brasileiro”.
Apesar do reajuste, o novo preço do diesel nas refinarias ainda continuará abaixo do que era praticado antes da greve dos caminhoneiros. A máxima do período de reajustes diários da Petrobras foi registrada no dia 22 de maio, quando o diesel chegou a R$ 2,3716 nas refinarias.
Congelamento
O preço do diesel estava congelado desde 1º junho e o reajuste acontece após a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicar os novos preços de referência para comercialização do diesel, com alta de até 14,4% dependendo da região do país.
O congelamento do preço de referência do diesel foi parte decisiva da negociação do governo federal para pôr fim à greve dos caminhoneiros. Para não causar prejuízos às refinarias e distribuidoras, o governo garantiu subsidiar em até R$ 0,30 por litro do combustível até o dia 31 de dezembro deste ano.
O novo preço de referência do diesel publicado pela ANP nesta sexta refletem, segundo a agência, “os aumentos dos preços internacionais do diesel e do câmbio no último mês”. Os novos preços já levam em conta a subtração de R$ 0,30 por litro (patamar de subsídio estabelecido pelo governo).
Os novos preços de referência da ANP valerão por 30 dias. O governo prevê gastar R$ 9,58 bilhões até o final do ano com o subsídio ao diesel.
Segundo a Petrobras, o novo período do programa prevê o ajuste nos preços médios regionais e mantém a condição de pagamento da subvenção à comprovação de que os preços praticados pelas empresas habilitadas sejam inferiores aos preços de comercialização definidos pela ANP para as cinco regiões (Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte sem Tocantins e Nordeste com Tocantins).
Já os preços da gasolina foram reajustados em 1,40% nas refinarias a partir de sexta-feira, para R$ 2,1375 o litro, nova máxima dentro da era de reajustes diários iniciada há mais de um ano, conforme divulgado já na véspera pela estatal.
Diferença deve ser paga pelo consumidor
O novo preço do diesel leva em conta sobretudo a alta do preço do barril do petróleo e do dólar, e deve voltar a pesar no bolso dos consumidores, segundo especialistas do mercado.
Como o o dólar foi a R$ 4, o preço do diesel subiu muito no mercado. Então, aqueles 30 centavos não estão sendo suficiente para cobrir os custos das distribuidoras”, afirma o sócio-diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires.
A mudança na fórmula de cálculo do preço de referência do diesel partiu de uma cobrança das distribuidoras. Porém, a nova metodologia não atenderá às expectativas, segundo adiantou o presidente da Plural, Leonardo Gadotti.
Segundo o executivo, o pedido para mudança do cálculo partiu “basicamente daquelas [distribuidoras] que importam o produto”. O Brasil produz 70% do diesel que consome, e os outros 30% são importados.
“As distribuidoras pediam que a fórmula considerasse os custos de transferência do produto dos portos até a região de comercialização. Sob esse aspecto, o pedido foi atendido. O problema que surgiu é que se estabeleceu na fórmula um custo menor de logística e excluiu a margem de remuneração das importadoras. Assim, voltou à estaca zero. A fórmula existe, mas não incentiva ninguém a buscar o produto lá fora”, ressaltou Gadotti.
Fonte: G1

Vereador é detido com carro clonado após dono receber multas


Chico do Hotel foi ouvido e liberado, mas deve responder por receptação culposa, quando não há intenção de cometer crime

Redação
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Foto: DivulgaCand/ TSE
Foto: DivulgaCand/ TSE

O vereador da cidade de Itamaraju Francisco Carlos Barbosa Silva, conhecido como Chico do Hotel (PP), foi detido na cidade de Itamaraju, sul da Bahia, após o carro dele ser identificado com a placa clonada.
Segundo a Polícia Militar, eles abordaram o veículo depois que o proprietário de um veículo semelhante, com a mesma placa que mora em Vitória, no Espírito Santo, recebeu multas obtidas no trecho urbano da BR-101, em Itamaraju.
A Polícia Civil informou ao G1 que o vereador chegou a ser detido, mas contou que não sabia do crime e foi liberado. Ele deve responder por receptação culposa, quando não há intenção de cometer o crime.
Chico do Hotel disse que adquiriu o carro com um corretor, identificado como Jerriê Sales. Ele também foi liberado, após pagar fiança, que não teve o valor divulgado. Ele também negou conhecimento da clonagem, mas será indiciado por receptação dolosa, por não ter averiguado a procedência do carro para vender.

Haddad manifesta ‘desolação’ por TSE julgar registro de Lula


Ele também afirmou que discutirá na próxima segunda-feira (3) com Lula o resultado do julgamento da Corte

Redação
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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O candidato a vice-presidente pelo PT, Fernando Haddad, manifestou “desolação” com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de julgar o registro de Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (31), antes das alegações finais da defesa do petista. A informação é do Broadcast Político.
“A nossa chapa não pode apresentar, contrariando o que aconteceu com todos os outros pedidos, as alegações finais em um quadro em que o que está em jogo é o direito do povo eleger o seu presidente”, disse, durante coletiva de imprensa em Fortaleza (CE)
Ele também afirmou que discutirá na próxima segunda-feira (3), com o ex-presidente sobre o que fazer após o julgamento da Corte.  Haddad ainda admitiu a possibilidade de alterar o programa eleitoral do PT a partir da próxima terça-feira (4), se o TSE proibir a aparição de Lula no rádio e na TV.
“Qualquer que seja a decisão, não pode ter vigência imediata porque os programas já estão sendo transmitidos agora. Nós temos inserções que foram transmitidas hoje para o horário eleitoral. Como vai fazer uma decisão retroagir? Não vejo esse risco”, disse Haddad. “Mas o programa de terça talvez tenha que passar por alguma modificação dependendo da decisão, que eu espero que seja favorável, de acordo com o direito internacional.”

Relator vota por inelegibilidade de Lula no TSE


Barroso diz que não vai acatar recomendação do Comitê de Direitos Humanos da ONU

Redação
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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Luís Roberto Barroso, relator da ação na Corte, votou pela inelegibilidade e pelo indeferimento do ex-presidente Lula (PT), em julgamento nesta sexta-feira (31).
Barroso diz que, por não haver restrições infundadas, e sim restrições baseadas em lei, não vai acatar a recomendação do Comitê de Direitos Humanos da ONU, que recomendou a permanência de Lula na corrida presidencial até condenação final.
O relator afirma que, se fosse seguida a recomendação, a decisão sobre a inelegibilidade de Lula seria tomada só no ano que vem, depois das eleições.
Ele declarou ainda que o ‘Comitê de Direitos Humanos da ONU é órgão administrativo, sem competência jurisdicional, composto por 18 peritos. Por isso, suas recomendações não têm efeito vinculante’.
O ministro afirmou também que não é feito no TSE um novo julgamento do ex-presidente Lula. “Não estamos decidindo em nenhum grau a culpabilidade ou não de Lula ou julgando seu legado político”, disse. O julgamento continuava até pelo menos às 19h50.

TCM notifica João Carlos Bacelar por desvio de R$ 65 milhões


O deputado foi acionado para apresentar defesa em 20 dias; montante desviado teria sido de recursos municipais por meio de convênios com a ONG Pierre Bourdieu

Redação
BAHIA.BA
Foto: Roberto Viana/ Ag. Haack/ bahia.ba
Foto: Roberto Viana/ Ag. Haack/ bahia.ba

O Tribunal de Contas dos Municípios notificou o deputado João Carlos Bacelar, ex- secretário de Educação de Salvador, para apresentar defesa no processo de auditoria que apura desvio de recursos municipais em convênios com a ONG Pierre Bourdieu, no montante de R$ 65 milhões.
O deputado tem 20 dias para apresentar sua defesa. Findo o prazo, o TCM vai julgar o processo.
Além do deputado João Carlos Bacelar, o processo envolve o então reitor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Lourivaldo Valentim da Silva, e mais oito gestores públicos – já denunciados pelo Ministério Público Estadual por improbidade administrativa.

Em pé de guerra: Dilma pede a Pimentel saída de concorrente ao Senado em chapa mineira


Para retirar Miguel Corrêa da jogada, o PT precisará expulsá-lo do partido ou convencê-lo a renunciar, já que a candidatura já foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral

Redação
BAHIA.BA
Foto: Lula Marques/ PT
Foto: Lula Marques/ PT

Os dirigentes da campanha da ex-presidente Dilma Rousseff ao Senado resolveram comprar uma briga interna no PT de Minas Gerais por causa da indicação do governador Fernando Pimentel, candidato à reeleição, do deputado federal Miguel Corrêa, envolvido em escândalos, para a segunda vaga de senador na chapa.
Segundo a coluna do Estadão, a revolta dos “dilmistas” já chegou ao diretório nacional da sigla. Eles alegam que Corrêa é dono de duas empresas acusadas de fazer propaganda eleitoral irregular nas redes sociais.
Os aliados de Pimentel dizem não acreditar no envolvimento da presidente nacional da legenda, Gleisi Hoffmann, no caso, embora ainda exista a possibilidade do PT retirar o concorrente do páreo para não comprometer a majoritária.
Sem aliança, Miguel Corrêa foi alçado à vaga após o PT ficar sem opções de coligações no estado. Dilma lidera as pesquisas de intenção de voto ao Senado, mas ele garante que tem mais chances de vencer do que a ex-presidente.
Para retirar Corrêa da jogada, o PT precisará expulsá-lo do partido ou convencê-lo a renunciar, já que a candidatura já foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral.

‘Prefiro morrer na prisão’, diz Dirceu sobre delação premiada


Segundo o petista, a sigla não o defendeu no escândalo do Mensalão

Redação
BAHIA.BA

Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

Em liberdade, o ex-ministro José Dirceu voltou a falar sobre o Mensalão e delação premiada. Segundo o petista, a sigla não o defendeu no escândalo do Mensalão. O político disse ainda que nunca cogitou fazer uma colaboração premiada e criticou a postura de Antonio Palocci.
“Acho que eles nunca me procuraram porque me conhecem. Conhecem a minha história e sabem que eu jamais faria isso. Palocci tomou decisão de fazer, decisão dele, que ele vai responder sempre. Prefiro ficar na prisão, morrer na prisão, do que fazer isso. Até porque não tenho o que delatar”, ressaltou em entrevista à rádio Metrópole, nesta sexta-feira (31).
Na oportunidade, Dirceu negou que o Mensalão tenha aconteceido no governo do ex-presidnete Lula.
O petista afirmou que os ataques que sofreu já eram uma tentativa de derrubar o governo do PT. “Não era um ataque a mim e, sim, ao Lula e ao governo. E a história provou que eu estava certo. Ela provou que o objetivo sempre foi derrubar o governo que acabou acontecendo com o impeachment da Dilma, perseguição a Lula, condenação e prisão. Eu era só um dos caminhos”, ressaltou.
“Houve empréstimos repassados pelo PT. Eu nunca tive participação, tanto que nunca conseguiram provar nada. Os próprios ministros do Supremo reconhecem que me condenaram sem provas e vamos fazer uma revisão criminal disso. Me apresentei, cumpri a pena, fui indultado, paguei a minha conta, apesar de não dever essa conta. Mas também não baixei a cabeça e continuei lutando”, destacou.
Ele ainda criticou a delação premiada feita pelo ex-ministro Antonio Palocci.
“É uma tragédia isso, fico muito triste. Amigo nosso, companheiro nosso, tomar uma decisão na vida que eu considero muito duro, muito triste, porque o Palocci era um dos nossos. Mas cada um sabe o que faz na vida. Sempre respeitei muito o Palocci apesar de divergir muito. Eu lamento, mas também não desejo mal a ele não”, finalizou.

Fake News: depois do Planserv, Detran também alerta cidadãos


Em nota, o órgão de trânsito informou que “não envia mensagens aos cidadãos pela internet e que os valores das taxas são estabelecidos por lei e devem ser pagos no banco”

Redação
BAHIA.BA
Foto: Divulgação/ Detran-BA
Foto: Divulgação/ Detran-BA
O Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA) emitiu um alerta aos contribuintes nesta sexta-feira (31) a respeito da veiculação, por meio das redes sociais, de notícias falsas sobre supostos descontos no pagamento de serviços de habilitação e veículos.
Segundo o órgão, pessoas clonam perfis e se passam por servidores estaduais, oferecendo vantagens em troca da transferência eletrônica de dinheiro.
Em nota enviada à imprensa, o Detran adverte aos cidadãos para não acreditarem nem compartilharem as fake news. Sugere que os contribuintes acessem o portal oficial do órgão (www.detran.ba.gov.br) para confirmar as informações que recebe.
Diz, ainda, que “não envia mensagens aos cidadãos pela internet e que os valores das taxas são estabelecidos por lei e devem ser pagos no banco”.
Na quinta-feira (30), o Planserv também se pronunciou sobre uma notícia falsa da suposta venda da assistência médica dos servidores públicos da Bahia para a iniciativa privada que foi divulgada de forma massiva nas redes sociais. A Empresa Gráfica da Bahia, responsável pela edição do Diário Oficial do Estado, acionou a Polícia Civil para apurar o caso.

TSE rejeita impugnação e aprova registro de candidatura de Alckmin


Pedido de impugnação foi feita pelo MDB, que questionou à Justiça os documentos apresentados para consolidação da chapa do tucano

Juliana Almirante
BAHIA.BA
Alckmin fala sobre perspectivas e investimentos para 2016
Alckmin fala sobre perspectivas e investimentos para 2016

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou, em sessão nesta sexta-feira (31), o pedido de impugnação da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB). Sendo assim, por unanimidade, a chapa foi considerada apta para concorrer as eleições.
A solicitação foi feita pelo MDB, que questionou à Justiça os documentos apresentados para consolidação da chapa do tucano.  O argumento foi de que ao menos três partidos (PRB, Solidariedade e PR) não atualizaram as atas de suas convenções partidárias. Com isso, haveria a falhas na formalização de apoio e em redução do tempo de TV no horário eleitoral da coligação.
Todos os ministros seguiram a posição contra a impugnação da procuradora-geral eleitoral, Raquel Dodge, e o voto do relator, ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto. O ministros Luiz Edson Fachin e Admar Gonzaga, no entanto, divergiram do relator na preliminar e afirmaram que haveria legitimidade para apresentar o pedido de impugnação do registro de Alckmin.
No mérito da questão, no entanto, votaram com o relator, a favor do registro da candidatura da chapa do tucano. “Reconheço que há falhas mas não provas suficientes a ponto de julgá-lo inapto”, disse Fachin.
O presidenciável Geraldo Alckmin havia classificado a tentativa de impugnação da candidatura como “tapetão duro”. “Não tem o menor sentido querer fraudar a vontade do partido político na aliança”, afirmou.

Isaquias conquista título brasileiro de canoagem


Poucos dias após se tornar campeão Mundial, baiano de Ubaitaba venceu a final da categoria C1 1000 em Curitiba

Redação
BAHIA.BA
Foto: Reprodução/ Agência Brasil
Foto: Reprodução/ Agência Brasil

O campeão olímpico Isaquias Queiroz sagrou-se campeão brasileiro da categoria C1 1000 de canoagem na tarde desta sexta-feira (31). O baiano de Ubaitaba venceu a final da competição nacional menos de uma semana após ter se tornador campeão mundial em Portugal.
Isaquias terminou a prova em 3m58s53, quase dois segundos à frente de Erlon Souza, seu companheiro de canoa na medalha de prata em duplas conquista nos jogos do Rio de Janeiro, que ficou com 4m00s40. O terceiro lugar acabou ficando com Jacky Godmann (4m01s12).

Por que os brasileiros detestam os candidatos ricos?


Tal como os latino-americanos em geral, os brasileiros são ressentidos em relação aos indivíduos que amealharam fortuna. Não à toa, as toscas ideias socialistas sempre vingaram por aqui. A propósito, leiam artigo de Leonardo de Siqueira Lima publicado pela Gazeta do Povo:


Você está numa sala fechada com uma pessoa desconhecida (digamos que se chame Maria). De repente, chega uma terceira pessoa e oferece R$ 1 milhão para ser dividido entre vocês dois. A regra do jogo é a seguinte: você deve fazer uma proposta de divisão e Maria diz se aceita ou rejeita a oferta. Se Maria aceitar, a divisão é feita. Se Maria recusar, ambos vão para casa de mãos vazias.
Oras, a teoria dos jogos diz que, independentemente da sua divisão, é racional Maria aceitar a oferta; afinal, pouco é melhor do que nada e, no fim das contas, ela estaria mais rica do que antes! A teoria diz também que você, sabendo disso antecipadamente, faria a menor oferta possível, pois tem ciência de que Maria aceitaria qualquer divisão. Essa seria uma oferta racional.
Se estivéssemos preocupados apenas com o resultado absoluto das coisas, é isso que esperaríamos. Você faz uma divisão, Maria recebe uma pequena parte e acaba aceitando. Em último caso, nenhuma oferta deveria ser rejeitada. Mas esse resultado assume que as pessoas estão apenas preocupadas com posições absolutas. Esse teste foi repetido diversas vezes ao redor do mundo. O teste é conhecido como “Teste da Torta”, pois, no lugar do valor em dinheiro, geralmente utilizava-se uma torta.
O que se verifica na prática, porém, é algo diferente do que dissemos. Na maioria dos casos, quando uma oferta muito injusta é feita, a outra pessoa geralmente a rejeita. Mais precisamente, quando as ofertas foram menores do que 30%, metade das pessoas as rejeitava.
Isso mostra um fato. As pessoas, além de se preocupar com posições absolutas, também se preocupam com posições relativas, ou seja, com a desigualdade. O teste da torta mostra que uma pessoa prefere não receber nada (para ver uma divisão mais justa) do que ver um colega levando quase que a torta inteira enquanto ela fica com uma pequena fração.
Independentemente de esse ser o melhor comportamento ou não, esse é um fato comprovado. A pergunta natural, portanto, que surge disso tudo é: por que rejeitamos uma sociedade desigual? Há algumas explicações para isso. Uma delas tem a ver com biologia evolutiva e não com economia.
Por um grande período da história humana, as pessoas viviam em pequenos grupos. Para aumentar as chances de sobrevivência era necessária uma certa propensão a contribuir com o grupo. Ao fim, um grupo bem-sucedido significa maior chances de sucesso de um indivíduo. Portanto, do ponto de vista evolucionário, um indivíduo mais fraco prejudica o bando todo. Por isso a preferência das pessoas em ajudar os mais fracos. É uma questão de sobrevivência, e não de altruísmo em si. Herdamos isso dos nossos antepassados.
A nossa preferência por igualdade ao rejeitarmos ofertas injustas explica muito de nossas reações no dia a dia contra pessoas ricas.
Recentemente, vimos todos os candidatos à Presidência declararem seus patrimônios, como obriga a legislação eleitoral. João Amoêdo, um ex-executivo de banco, declarou R$ 425 milhões. Já o ex-chefe do Banco Central Henrique Meirelles diz ter R$ 377 milhões. A fortuna coloca os dois no grupo dos supersupersuper-ricos.
Do outro lado, Guilherme Boulos diz ter apenas R$ 15,4 mil e Cabo Daciolo não declarou patrimônio algum. Sem entrar no mérito se as declarações são verdadeiras ou não, esse é o cenário perfeito para quem gosta de rótulos. O capitalista contra o trabalhador. Patrão versus proletário. O grande comendo o pequeno. É João Amoêdo e Meirelles ficando com 99% da torta e o restante dos brasileiros com 1%.
Seguindo a mesma lógica dos nossos ancestrais que viviam em bandos, deveria ser assim: o patrimônio dos candidatos pode nos fazer torcer para Boulos e Daciolo e excluir Meirelles e Amoêdo das nossas possiblidades. O próprio PSol fez um material de campanha sugerindo que apenas Boulos seria o presidente certo para os pobres.
Ao aplicar a lógica evolucionária e detestar candidatos ricos, cometemos muitos enganos. Ainda que sem saber, cometemos.
O primeiro ponto é: quem é mais corrompível? O que fez a sua vida na iniciativa privada e, não precisando de dinheiro, resolveu entrar para a política? Ou aqueles que dependem dela para viver?
Mas mais do que isso. Que mensagem a passamos para as pessoas e nossos filhos se condenamos aqueles que tiveram sucesso na sociedade de maneira honesta? Execrar um candidato rico significa praticar a cultura do fracasso. Perpetuamos a ideia de que ter sucesso é feio, imoral e pessoas vencedoras são um mal para a sociedade.

Esquecemos, porém, que aqueles que acumularam um patrimônio – principalmente na incitativa privada – o fizeram por gerar valor para a sociedade. E, diferentemente dos esportes, a iniciativa privada não é um jogo de soma zero em que, se alguém ganhou, é porque alguém perdeu. Pelo contrário, é um win-win game. Não há empresário que tenha ficado rico (honestamente) sem ter feito a vida daqueles que vivem ao seu redor também melhores. Uma sociedade com muitos Amoêdos e Meirelles é melhor do que uma com poucos como eles.
Há no instinto humano uma tendência a punir aqueles que não contribuem com o grupo ou com a sociedade. O teste da torta mostra isso. Mais do que simples altruísmo, o motivo pelo qual há uma tendência em “punir” aqueles que não contribuem com o grupo é uma questão de sobrevivência.
Não acredito, porém, que o patrimônio deva ser critério algum de voto. Mas, se for, votemos naqueles mais ricos. Pelo menos eles já provaram que conseguiram agregar valor para a sociedade e sabem gerir bem um patrimônio. As chances de destruir o país são bem menores.
Leonardo de Siqueira Lima é mestre em Economia pela Barcelona Graduate School of Economics e associado do Instituto de Formação de Líderes (IFL-SP).
BLOG ORLANDO TAMBOSI

"Candidatura" Lula: de zero para zero.


No mundo imaginário das "pesquisas", Lula passa de “30%” a “40%” dos votos. Na vida real, passa de zero para zero, pois não vai receber voto algum. Mas essa salada de números é usada para vender um dos disparates mais espetaculares da história eleitoral brasileira: sim, certo, a lei está aí, mas uma eleição sem Lula seria um “constrangimento”. Pega mal no New York Times. Põe em dúvida a pureza da nossa democracia. Esse, sim, é o estelionato eleitoral transformado em obra-prima. Coluna de J. R. Guzzo, que sai na próxima edição impressa de Veja:


Há um curto-circuito mental no Brasil que pensa em política — e, quanto mais esse Brasil pensa, piores são os resultados que produz. Parece que “caiu o sistema”, como você vive ouvindo dizer quando precisa de alguma coisa. Aí não adianta perder tempo batendo nessa ou naquela tecla, porque nenhuma das opções oferecidas será válida. Nada é tão espantoso, no presente momento de desordem cerebral que cerca a vida pública brasileira, quanto “a candidatura Lula” à Presidência da República. Não há nenhuma candidatura Lula. Mas, segundo nos dizem todos os dias os meios de comunicação e os peritos em explicar que dia é hoje, não há nenhuma outra candidatura tão essencial quanto justamente essa, que não existe. O ex-presidente, o PT e a sua máquina de apoio conseguiram desligar a chave geral do mecanismo que regula as eleições brasileiras — e por causa dessa aberração ninguém menos que o Supremo Tribunal Federal se verá obrigado a dizer que não, Lula não vai ser candidato. Um servidor do cartório eleitoral já poderia ter dito exatamente a mesma coisa há muito tempo. Mas estamos no Brasil, o “sistema” está fora do ar e por isso temos de pagar por uma das farsas mais velhacas já aplicadas na política deste país.

Vamos lá: Lula não pode ser candidato a presidente do Brasil da mesma maneira como uma criança de 11 anos não pode. Por que não pode? Porque a lei diz que a idade mínima para alguém exercer a Presidência é 35 anos. Se a certidão de nascimento do candidato atestar que ele tem só 11, não vai dar. Você pode dizer que é injusto, ou que é preconceito, ou que o garoto lidera “todas as pesquisas” — não vai adiantar nada, porque a lei diz que é proibido criança ser presidente da República. Da mesma forma, o sujeito não pode se candidatar se estiver morando em Estocolmo, por exemplo; precisa apresentar a sua conta de luz ou de gás e provar que tem residência no Brasil, por mais que seja um gênio na arte de governar. Está claro, também, que o candidato tem de ser brasileiro nato. Um Barack Obama, digamos — seria uma maravilha de candidato, não é mesmo? Imaginem onde o homem estaria no Datafolha a esta altura. Se estivesse concorrendo, ganharia fácil de qualquer das figuras que estão no páreo. Mas eis aí, outra vez: a lei diz que não pode. Também não pode ser candidato um analfabeto, quem não pertence a partido algum ou um cidadão que está internado no hospício.

Será que é assim tão difícil de entender? No seu caso, Lula não pode ser candidato porque está condenado a doze anos de cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro, com sentença confirmada em segunda instância. Fim de conversa: é o que está escrito na Lei da Ficha Limpa (assinada por ele mesmo, quando era presidente), e a Lei da Ficha Limpa vale a mesmíssima coisa que as outras leis, nem um miligrama a menos. Você pode achar a condenação errada — ou certa, tanto faz. A autoridade eleitoral não tem o direito de resolver isso; só diz se a candidatura está dentro ou fora da regra. Caberia a um funcionário de balcão da repartição pública onde se registram candidaturas resolver a história. Por que raios, então, uma exigência tão alucinada como “a candidatura Lula” tem de chegar ao Supremo Tribunal Federal? Porque o Brasil da elite pensante, dos partidos e tribunais de Justiça, da mídia e redes sociais etc. etc. aceitou ceder à sabotagem das atuais eleições por parte do complexo Lula-PT e do que vem junto com ele: liberais civilizados que têm horror da direita, intelectuais orgânicos, empreiteiros de obras públicas mais o resto que se sabe.

O centro dessa trapaça, basicamente, está nas profecias eleitorais publicadas a cada meia hora — sem elas, o mais provável é que Lula estivesse largado no fundo da sua cela, em Curitiba. As “pesquisas” criaram uma realidade artificial — uma situação em que o povo está desesperado para votar num candidato, mas não pode porque “eles” não deixam. É mentira. Lula existe nos institutos de opinião pública, mas não existe nas ruas; não conseguiria ir a um campo de futebol sem um exército de seguranças à sua volta. Nesse mundo imaginário, Lula passa de “30%” a “40%” dos votos. Na vida real, passa de zero para zero, pois não vai receber voto algum. Mas essa salada de números é usada para vender um dos disparates mais espetaculares da história eleitoral brasileira: sim, certo, a lei está aí, mas uma eleição sem Lula seria um “constrangimento”. Pega mal no New York Times. Põe em dúvida a pureza da nossa democracia. Esse, sim, é o estelionato eleitoral transformado em obra-prima.

Publicado em VEJA de 5 de setembro de 2018, edição nº 2598
BLOG ORLANDO TAMBOSI

A ética do candidato a Lula


"Vamos escrever o que tem de ser escrito, vai que o Brasil sai do transe: Fernando Haddad, este que deu o brado ético contra um bandido, é hoje o representante do maior bandido nacional (ou melhor: multinacional, como sabemos pelas triangulações regidas por ele entre Odebrecht, BNDES e ditaduras associadas)". Coluna de Guilherme Fiuza, via Gazeta do Povo:

O ex-prefeito Fernando Haddad, hoje mais conhecido como candidato a Lula, deu uma declaração moralizante em sua própria defesa. Disse que na ação de improbidade administrativa que corre contra ele, o Ministério Público “tem nas mãos a palavra de um bandido” (o plural é nosso).
O bandido em questão, ou apresentado como tal pelo dicionário Haddad, é um daqueles empreiteiros que privatizaram o Lula e o PT – no baile de gala exibido pela Lava Jato em que todos enriqueceram, menos você.
Não chega a ser um sinal de gratidão tratar como bandido um ex-amigo de fé que encheu a sua gangue de dinheiro e propiciou a maior colheita de votos da história, botando uma longa sequência de eleições no papo. Deve ser a isso que andam chamando de onda de ódio e destruição de amizades por causa de política.
A declaração de Fernando Haddad não teve a menor repercussão – pelo simples fato de que o Brasil está dodói e virou uma grande sucursal do Facebook. A pouco mais de um mês da eleição presidencial mais complicada do século, o senso comum é formado por um campeonato de tiradas. A supremacia moral emana do placar de likes.
Se o país não tivesse virado essa cracolândia digital (obrigado, Ana Paula), ele estaria, como diria a companheira ex-presidenta (que não só está solta, como é candidata), es-tar-re-ci-do.
Vamos escrever o que tem de ser escrito, vai que o Brasil sai do transe: Fernando Haddad, este que deu o brado ético contra o bandido, é hoje o representante do maior bandido nacional (ou melhor: multinacional, como sabemos pelas triangulações regidas por ele entre Odebrecht, BNDES e ditaduras associadas). Esse criminoso está na cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro, condenado a ficar trancado lá por 12 anos, enquanto os outros seis processos em que é réu não estendem a temporada.
A carreira política de Fernando Haddad & companheiros solidários foi fermentada anos a fio pelo dinheiro roubado do maior assalto já visto num regime democrático. O Brasil está recém-saído da maior recessão de sua história, tentando se soerguer a duras penas, graças a esse estupro das contas públicas liderado pelo bandido que Haddad representa – não num baile funk, mas na eleição para a Presidência da República.
O Brasil é uma mãe – atualmente viciada em crack – e permite não só que um personagem desses pose de bom moço (contando ninguém acredita), como aceita que a orgia montada nas principais instituições nacionais ao longo de década e meia simplesmente suma do debate eleitoral.
Não é que o escândalo revelado pela Lava Jato devesse ser o tema central da campanha presidencial: ele é o único. Repetindo: o único tema.
Pelo seguinte: política, esse assunto abominável que só agrada aos que vivem dele, tem uma única finalidade – organizar a bagunça. A vida em sociedade é muito complicada e precisa funcionar – e a política serve para isso, só para isso. Quem falou mais alto que política é paixão, e charme, e carisma, e fé, etc, está vendo o sol quadrado e hoje é um sem-urna.
A catalepsia brasileira permitiu que esse personagem viesse para o centro do debate eleitoral como injustiçado ou não injustiçado, candidato ou não candidato – quando deveria ser apenas o modelo vivo e monstruoso da política que não organiza, destrói.

A eleição 2018 é isso: o país aprendeu (ou deveria ter aprendido, pois lhe foi esfregado na cara, noves fora o esfolamento) o que é o populismo parasitário com verniz progressista. Ok. O impeachment sustou o crime (quase) perfeito do PT e resgatou as instituições centrais (e principais indicadores) – não por obra do MDB, mas de técnicos notáveis que o Brasil, por incrível que pareça, ainda tem.
Deu para entender? É mais ou menos isso: uma coisa ou outra. Como foi no Plano Real contra tudo e contra todos os parasitas de esquerda, de direita, de centro, de cima e de baixo. Ou você organiza, ou você suga.
O problema é que agora, pela baixa popularidade do governo Temer, quase todos os candidatos resolveram fingir que não viram a recuperação da Petrobras, o esforço fiscal para corrigir o festival de pedaladas, a salvação da política monetária do delírio populista com resultados inegáveis na redução dos juros e da inflação.
Não. Todo mundo é novinho em folha, ninguém viu nada do que já estava aí e portanto é velho. Nada presta – só os salvadores de cartilha que nunca viram o Brasil mais gordo. É assim que se apaga as pegadas do escândalo do PT e da luta pós-impeachment para tirar o país da recessão.
Até aqui, é a eleição da conspiração. Num país sem passado, até Haddad pode gritar pega ladrão.
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Cassandra


Seria melhor os jovens lerem os trágicos do que lerem o mimimi generalizado de hoje. Coluna de Luiz Felipe Pondé, publicada pela FSP:


Haveria mesmo um vínculo necessário entre felicidade e ignorância? As pessoas mais felizes são as menos inteligentes? Ou isso seria apenas um discurso para disfarçar a incapacidade de algumas pessoas para a felicidade? E mais: seria a beleza "excessiva" numa mulher uma maldição para ela e para os homens à sua volta?

Não vou cair aqui na armadilha de definir felicidade nem beleza. Mantenha sua ansiedade sob controle quanto a essas definições. Existem definições que só servem às almas rasas e burocráticas. Como sabem muitos filósofos, mestres em definições, algumas coisas, quando definidas, ficam mais difíceis de serem compreendidas.

A intuição imediata, às vezes, é mais clara do que o esforço de dar nomes complicados para experiências "simples".

Voltemos ao que interessa: haveria mesmo um vínculo necessário entre felicidade e ignorância? E a beleza "excessiva" numa mulher seria uma maldição?

Indaguemos a tradição clássica. Você não tem clareza quanto ao que é a tradição clássica? Trata-se daquele conjunto de textos e autores que atravessam as época sendo melhores, mais profundos e mais relevantes do que a maioria dos outros. Sobrevivem a um monte de críticos que desaparecem, enquanto os clássicos permanecem. Italo Calvino (1923-1985), em seu "Por Que Ler os Clássicos", deixa isso bem claro.

Eu arriscaria dizer que poderíamos jogar no lixo grande parte do ruído causado por alguns textos e autores contemporâneos e colocar no lugar textos e autores antigos. Seria melhor os jovens lerem os trágicos do que lerem o mimimi generalizado de hoje.

Ouçamos Ésquilo (525/524 a.C-456/455 a.C) em "Agamémnon", primeira peça da sua trilogia "Oresteia".

Numa conversa entre o Corifeu (personagem líder do coro nas tragédias gregas) e Cassandra, uma bela escrava troiana recém-trazida a Argos pelo vitorioso Agamémnon, temos uma ideia da visão grega trágica acerca desses temas. "Não há dúvida que tens uma grande capacidade de sofrimento e uma alma corajosa!", diz Corifeu. Cassandra responde: "As pessoas felizes não ouvem palavras dessas...".

Cassandra é uma pitonisa (profetisa) nessa cena, isto é, ela conhece o futuro: Agamémnon será morto pela sua esposa, a rainha Clitemnestra. E Cassandra mesma será morta —não irei mais longe no enredo.

Ela sofre porque sabe disso tudo. Além do fato de ter sido feita escrava "sexual" devido à sua beleza, porque sua cidade foi derrotada na famosa guerra causada pela mulher mais bela da Grécia antiga, Helena de Troia, apesar de os sofistas Górgias (485 a.C-380 a.C) e Protágoras (490 a.C.-415 a.C.) negarem a culpa de Helena nessa guerra.

A questão de se a beleza "excessiva" numa mulher a destrói, assim como aos homens à sua volta, é consistente.

O Corifeu sabe da desgraça de Cassandra. De escrava do leito do rei Agamémnon a pitonisa de seu assassinato pela esposa, Cassandra responde ao Corifeu que as almas felizes não ouvem elogios acerca de sua capacidade de sofrimento e sua coragem.

O sofrimento de Cassandra começa pela derrota de sua cidade, Troia, arrastada a uma guerra causada pela bela Helena. Seu sofrimento avança por causa de sua condição de mulher jovem desejável. É coroado por seu saber acerca do que as pessoas normais não sabem, o saber acerca do futuro.

A resposta de Cassandra nos remete à ideia de que a felicidade é fruto da ausência de conhecimento prático da dor, causada seja por sua condição de escrava do leito, seja por sua condição de pitonisa.

A ideia de que a prática é a única forma de ter virtudes de fato aparece também em Aristóteles (384 a.C-322 a.C) em sua "Ética a Nicômaco".

O vínculo entre conhecimento excessivo e infelicidade está, portanto, posto por Ésquilo.

Não se trata de dizer que ser melancólico seja chique. Trata-se de saber que o conhecimento pode, sim, gerar uma prática da dor. A ignorância é uma forma de proteção contra essa prática.

Outra virtude de Cassandra, a coragem, é também irmã da dor. O que encanta o Corifeu é justamente sua postura altiva diante da desgraça. Sendo nós todos mortais, os gregos se encantavam por aqueles que enfrentavam o destino mortal sem medo. Esses merecem ser lembrados (uma heroína é exatamente uma pessoa que merece ser lembrada).

A beleza de Cassandra e Helena marcam o vínculo entre sofrimento e beleza. Qualquer mulher muito bonita sabe disso no silêncio de sua solidão.

Resumo da ópera: não se adquirem virtudes em workshops felizes de fim de semana. Fuja deles.
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Assassinos culturais


Para a nova geração, experiência cultural vale mais do que a posse de objetos, escreve João Pereira Coutinho na FSP:


Sou um assassino cultural. Não faça essa cara. Você também é. Eu sei que é romântico chorar quando uma livraria fecha as portas. Não sou alheio a essas lágrimas.

Mas convém não abusar do romantismo —e da hipocrisia. Fomos nós que matamos aquela livraria e o crime não nos pesa muito na consciência.

Falo por mim. Os livros físicos que entram lá em casa são cada vez mais ofertas —de amigos ou editoras.

De vez em quando, mais por razões estéticas que intelectuais, ainda cedo ao vício, sobretudo na ficção. Mas é um vício caro, cansativo, redundante. Já não tenho 20 anos.

Aos 20, quando viajava por territórios estranhos, entrava nas livrarias locais como um faminto na capoeira. Comprava tanto e carregava tanto que desconfio que o meu problema de ciática é, na sua essência, um problema livresco. Hoje?

Gosto da flânerie. Mas depois, em gesto que horroriza qualquer erudito, fotografo capas com o meu celular antes de regressar para o divã. É no conforto doméstico que expresso os meus desejos ao psicanalista —o famoso dr. Kindle—, esperando uma cura imediata. Que sempre vem.

Culpado? Um pouco. E em minha defesa só posso afirmar que pago pelos meus vícios. Não sou como alguns leitores que, em sessões de autógrafos, já me apresentaram fotocópias dos meus livros para eu assinar.

Entenda: não é o abuso e o roubo que me perturbam. É a inteligência deles. Se são meus leitores e procedem dessa forma, o que é que isso diz sobre mim como autor?

E quem fala em livrarias, fala em todo o resto. Eu não matei apenas a Borders, por exemplo. Eu ajudei a matar a Tower Records e a VirginMegastore. Havia lá dentro uma bizarria chamada CD —você se lembra?

Hoje, com o Spotify, tenho uma espécie de discoteca de Alexandria onde escuto os meus clássicos e descubro novos clássicos —todos os dias, a todas as horas.

Se juntarmos ao pacote os filmes do iTunes e as séries da Netflix, você percebe por que motivo eu também tenho o sangue dos cinemas e dos blocksbusters nas mãos.

Eis a realidade: vivemos a desmaterialização da cultura como nossos antepassados viveram a revolução da impressão com Gutenberg.

Mas não é apenas a cultura que se desmaterializa, deixando mais vazias as nossas salas e estantes. É a nossa relação com ela. Não somos mais proprietários de "coisas"; somos apenas consumidores e, palavra importante, assinantes.

Um livro recente, que obviamente comprei via Kindle, analisa o fenômeno sem abusar do jargão técnico: "Subscribed", de Tien Tzuo. É uma reflexão sobre a "economia de assinaturas" que conquista a economia global.

Conta o autor que mais de metade das empresas que apareciam na famosa lista das 500 da Fortune já não existiam em 2017. O que tinham em comum?

O objetivo meritório de vender "coisas" —muitas coisas, para muita gente, como sempre aconteceu desde os primórdios do capitalismo.

Pelo contrário: as empresas que sobreviveram e as novas que entraram na lista souberam se adaptar à economia digital, vendendo serviços (ou, de forma mais precisa, acessos).

A Netflix, que até 2007 vendia DVDs, optou sensatamente pelo streaming e conseguiu 120 milhões de assinantes em 11 anos. Ao mesmo tempo, revitalizou a indústria, manteve os profissionais em atividade —e ofereceu-nos "House of Cards", "Peaky Blinders" ou "Alias Grace".

O Spotify, que surgiu quando a indústria discográfica afundava sem hipótese de salvação, representa agora mais de 20% das receitas.

Claro que na mudança algo se perde —e eu, de temperamento conservador, sei disso. O desaparecimento das livrarias, que não acredito que seja total no futuro (e ainda bem), diminui as hipóteses de acasos felizes. Tive vários —e se hoje leio autores como Agnes Repplier, Renata Adler ou Ivan Illich (não, não é esse em que você está pensando) é também porque os descobri.

Além disso, ler no papel não é o mesmo que ler no écran, razão pela qual não tenciono me desfazer já da biblioteca.

Mas o interesse do livro de Tien Tzuo não está apenas nos números; está no retrato de uma nova geração para quem a experiência cultural é mais importante do que a mera posse de objetos.

Há quem veja aqui um retrocesso. Mas também é possível ver um avanço —ou, para sermos bem filosóficos, o triunfo do espírito sobre a matéria.

E não será essa, no fim das contas, a vocação mais autêntica da cultura?
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Para venezuelanos em êxodo, Brasil não está em crise econômica

Postado em 30/08/2018 7:45 DIGA BAHIA1
“Quando meu filho de nove anos entrou no supermercado aqui em Boa Vista e viu as prateleiras cheias, ele disse que se sentia um milionário. Você sabe o que é uma criança de nove anos dizer que se sente milionário? Ele se sentia no céu mesmo”.
O depoimento de Jaasiel Herrera Lujano, venezuelano de 30 anos que há quatro meses vive na capital de Roraima, traduz um sentimento comum entre os imigrantes que deixaram a Venezuela e se refugiaram no Estado menos populoso e um dos mais pobres do Brasil: a sensação de alívio e esperança por terem deixado para trás um país onde a inflação é escandalosa (648% ao ano) e a crise de abastecimento é grave.
Os venezuelanos entrevistados pela reportagem do R7 afirmam não enxergar em Boa Vista ou em Pacaraima — na fronteira — os sinais da crise econômica que diminuiu a renda média do trabalhador brasileiro e mantém mais de 13 milhões de pessoas na fila do desemprego.
Ex-sargento do Exército venezuelano (a Força Armada Nacional Bolivariana), Herrera conta que se tornou um desertor após ficar cinco dias fora de casa para a realização de demonstrações militares e encontrou os filhos passando fome em casa.
— Quando eu voltei, meus filhos só tinham manga em casa para comer. Foi aí que eu decidir ir embora do meu país.
Após fugir da Venezuela há quatro meses, Herrera trouxe na semana passada para Boa Vista o restante da família — mulher, dois filhos, mãe e outros parentes —, que ele alegam estarem sofrendo ameaças em seu país.
O casal foi encontrado pela primeira vez pela reportagem em frente à sede da Polícia Federal na capital roraimense, com um isopor sobre uma bicicleta, vendendo bolinhos de carne típicos da Venezuela.
Ao lado deles, Luis Vallenilla, de 36 anos, um ex-funcionário de uma fabricante de vidros em Puerto Ordaz, vende suco de limão e chicha a R$ 1,00. Ele está há cinco meses em Roraima, mas sonha em deixar a cidade e “avançar pelo Brasil”.
— Dizem que o Brasil passa por problema de emprego, mas o que nós vivemos não se compara. A Venezuela tem emprego, mas o salário não é suficiente.
Os desafios de ser ambulante
O trabalho de ambulante, principalmente com a venda de café, sucos e comidas, mas também de produtos da Venezuela, é a principal fonte de renda dos imigrantes no Brasil.
Eles alegam que esse tipo de trabalho rende uma grana imediata, embora muito baixa, mas suficiente para comprar produtos básicos, como pão, leite ou um saco de arroz.
“Pouco dinheiro aqui é muito na Venezuela”, diz Ernesto Hernandez, de 44 anos, que mora com sua companheira em uma barraca em frente ao abrigo do Exército no Jardim Floresta. O casal e dezenas de outros venezuelanos ficam na rua à espera de uma vaga no abrigo.
Enquanto observa uma família venezuelana preparando uma panela de arroz e pedaços de peixe frito, em um fogareiro de pedra, Hernandez faz as contas do preço do arroz no Brasil e em seu país.
— Quanto custa um saco de arroz? R$ 3,00? Na Venezuela custava 3 milhões de bolívares. É quase um salário mínimo. Aqui no Brasil, pelo menos, dá pra viver com um salário mínimo.
O alívio dos venezuelanos, no entanto, é parcial. O sonho deles é ter um emprego fixo, de carteira assinada, e poderem pagar um aluguel por mês. E sabem que, como ambulantes, é apenas um recomeço da vida. Mas o desemprego e a falta de trabalho é um drama diário.
Para quem está em Boa Vista, é mais seguro trabalhar como ambulante ou limpando vidros no farol. Já quem vive em Pacaraima relata insegurança e perseguições, principalmente após o ataque a um grupo de venezuelanos há quase duas semanas, deflagrada após a agressão a um comerciante local.
“Eles correm atrás da gente e tomam nossas coisas”, diz Zuri Torres, de 42 anos, que há dois meses mora debaixo de uma lona, junto de outros oito parentes, próximo da linha que divide os dois países.
— Queremos ir mais para dentro do Brasil, mas como vamos fazer? Como a gente faz pra comer se não nos deixam trabalhar?

R7

Musicoterapia ajuda no desenvolvimento de crianças autistas

Postado em 30/08/2018 7:45 DIGA BAHIA!
Após avaliar o desenvolvimento de 45 crianças em sessões de musicoterapia, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) concluiu que a música pode ser uma grande aliada no tratamento do autismo.
A musicoterapia tem mudado a vida de crianças autistas, com instrumentos que trabalham a coordenação motora e ajudam a envolver com brincadeiras e jogos.
A modalidade abrange diferentes métodos, que podem variar de acordo com as necessidades de cada criança. “Ainda não há nenhuma comprovação científica da cura do autismo, o que podemos fazer com a musicoterapia é potencializar as habilidades que essa criança já tem”, explica Marina Freire, professora da UFMG.
Para a professora da UFMG, a musicoterapia também é bem-vinda para diminuir as dificuldades de socialização e comunicação.
R7

Tesouro de ‘Ali Babá tártaro’ do século 14 é descoberto na Bulgária

Postado em 30/08/2018 7:47  DIGA BAHIA!
Quase 900 moedas de prata, 11 de ouro, 11 aplicações e fivelas, 28 botões de prata e bronze, onze pingentes e dois anéis de ouro são alguns dos 957 objetos de um tesouro do século 14 que, encontrado em um vaso enterrado às margens do Mar Negro, abre margem a imaginar a existência de um “Ali Babá tártaro”.
Em entrevista coletiva no local, no norte da Bulgária, Boni disse que os valiosos objetos serão mostrados ao público no ano que vem, assim que for estabelecida sua procedência exata mediante análise.
A especialista contou que sua equipe mudou de planos depois que um cidadão local a advertiu de “que tinha visto um crânio que aparecia de debaixo da terra”.
“Começamos a escavar lá”, no que se demonstrou que eram as ruínas de uma casa destruída por um incêndio no início do século XV, explicou a especialista.
Primeiro apareceu um ornamento em nefrita (um tipo de jade) feito na China, que por ser muito incomum na região levou os pesquisadores a supor que tinha sido um presente para algum dos últimos monarcas do Segundo Reino búlgaro, antes de ser usurpado pelo Império Otomano.
Posteriormente, os arqueólogos desenterraram o vaso que guardava o tesouro, com moedas da época dos sultões Bayezid I (1360-1402) e Murad I (1362 – 1389), assim como de Veneza, Gênova e Bizâncio, de até 23,5 quilates de ouro.
“Evidentemente são troféus militares, roubados pelos tártaros que invadiram esta região durante os primeiros anos do século 15”, disse Boni, e lembrou que Kaliakra foi capturada por hordas de tártaros que devastaram amplas áreas do reino búlgaro após serem deslocadas pelos mongóis do norte.
Por volta do ano de 1404, os tártaros foram expulsos também do solo balcânico e os arqueólogos acreditam que foi nesse momento quando o desconhecido dono do tesouro o escondeu com a intenção de recuperá-lo mais tarde.
“O jarro foi enterrado debaixo do piso (da casa), mas no incêndio o teto caiu em cima do local e o sepultou durante séculos, preservando-o até hoje”, explicou Boni.
Para os arqueólogos, a descoberta do tesouro é “como se tivéssemos recebido um SMS do século 14” e agora resta estabelecer o que exatamente aconteceu naqueles tempos tão convulsos da história em torno da estratégica fortaleza medieval de Kaliakra.
R7

Em 308 cidades brasileiras, há mais eleitores do que habitantes

Postado em 31/08/2018 9:19 DIGA BAHIA!
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) identificou que em 308 cidades do Brasil o número de eleitores é maior que o de habitantes, considerando a estimativa populacional. Metade dos municípios onde ocorre a inversão está em Minas Gerais, no Rio Grande do Sul e em Goiás e todos são de pequeno porte, segundo levantamento feito pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).
Em todo o país estão aptos para votar 146,8 milhões de eleitores, o que corresponde a 70,4% da população brasileira, de 208,5 milhões. Os menores colégios eleitorais do país estão em cidades com menos ou pouco mais de mil habitantes.
O município com menor número de eleitores é também o menor do país em habitantes: Serra da Saudade (MG), com 941 para 786 habitantes.
De acordo com a pesquisa da CNM, a maior diferença entre o eleitorado e a população residente ocorre em Canaã dos Carajás (Pará). A cidade tem 3.805 eleitores a mais que habitantes. Em Severino Melo (RN), Cumaru (PE) e Maetinga (BA), a disparidade entre eleitores e residentes também é maior do que 3,2 mil.
Números
Em relação aos municípios que têm menos eleitores entre os habitantes, Balbinos (SP) é o primeira do ranking, com 5.532 habitantes e eleitorado de apenas 1.488. Em seguida, a proporção de eleitores em relação ao número de habitantes abaixo de 30% ocorre em cidades do interior do Pará: Água Azul do Norte, São Félix do Xingu e Ulianópolis.
As capitais representam os maiores colégios eleitorais. Em números absolutos, São Paulo lidera a lista com 9 milhões de eleitores, o que representa cerca de 6% do total brasileiro. Em seguida, vêm o Rio de Janeiro, com 4,8 milhões de eleitores (3,3,e Brasília, com cerca de 2 milhões de eleitores (1,42%).
Análise
O levantamento da confederação, baseado nos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ressalta que as diferenças ocorrem pela distinção entre os domicílios eleitoral e civil, o que permite que o eleitor more um uma cidade e vote em outra.
A concentração de eleitores em locais com maior atividade econômica e migração constante de grupos populacionais, como ciganos e assentados, também contribui para a diferença, segundo a CNM
“Morar numa cidade e votar na outra é possível, não é fraude. Não tem má-fé aí. São várias situações. São todos municípios de pequeno porte”, afirmou o presidente da CNM, Glademir Aroldi.
Ele disse que há situações em que os jovens saem para estudar em outras cidades, mas mantêm o domicílio eleitoral no município de origem. “Há muitas cidades litorâneas onde a pessoa acaba adquirindo imóvel, mas reside e trabalha em outra, e com o tempo transferiu o título pra lá também”, observou.
Queixas
Outro motivo apontado por Aroldi é o fato de que o número real de habitantes de algumas cidades pode estar subestimado. O próximo censo do IBGE está previsto para ser feito em 2020, e a estimativa mais recente do instituto foi baseada no censo anterior, de 2010.
“Há reclamações de prefeitos de que o censo do IBGE não foi feito [em algumas dessas cidades]. A população pode estar subestimada, muitos municípios alegam isso. O município diminuiu no último censo feito pelo IBGE, mas a população pode não ter diminuído ou ter aumentado alguma coisa”, reagiu Aroldi.
Para a CNM, equívocos como esses têm impactos para a população e o município. “Isso traz prejuízos enormes para o município porque os programas e recursos do governo federal são distribuídos de acordo com o número de habitantes”, disse Aroldi.

Bandeira tarifária de energia elétrica segue no patamar mais alto


TUDO NEWS
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) disse hoje (31) que a cobrança adicional na conta de energia seguirá no patamar mais alto em setembro. A agência manteve a bandeira tarifária no patamar 2 da cor vermelha, o mais alto do sistema e o mesmo a ser aplicado no próximo mês. Isso significa que, para cada 100 quilowatts-hora (kWh) de energia consumidos, haverá uma cobrança extra de R$ 5 nas contas de luz.
Setembro será o quarto mês seguido com a bandeira tarifária no patamar mais caro. A cobrança extra de R$ 5 para cada 100 kWh começou em junho. Em maio, a bandeira tarifária estava na cor amarela, que tem cobrança extra de R$ 1 para cada 100 kWh.
A Aneel disse que a manutenção da bandeira vermelha no patamar 2 deve-se às condições hidrológicas desfavoráveis e pela redução no nível dos reservatórios nacionais.
A baixa incidência de chuvas, também chamada de risco hidrológico, ou GSF da sigla em inglês e o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que é o preço da energia elétrica no mercado de curto prazo, são as principais variáveis que influenciam na cor da bandeira tarifária.
“Como consequência, o preço da energia elétrica no mercado de curto prazo (PLD) ficou próximo ao valor máximo estabelecido pela ANEEL, não se vislumbrando melhora significativa do risco hidrológico (GSF). O GSF e o PLD são as duas variáveis que determinam a cor da bandeira a ser acionada”, disse a Aneel.
Por conta da estiagem e do baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas, os consumidores pagaram R$ 1,2 bilhão a mais nas contas de luz de janeiro a junho deste ano.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

As trapalhadas de Dirceu e o começo da união dos países bolivarianos


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José Dirceu agia como se fosse um primeiro-ministro…
Merval Pereira
O Globo

O episódio em que o ex-ministro José Dirceu levou uma bronca do então presidente Lula, incluído no seu livro de memórias, que Ancelmo Gois revelou ontem, foi talvez o primeiro choque petista na burguesia brasileira, poucos meses depois de chegar ao poder.
No fim de 2003, no IV Foro Iberoamérica, reunião de empresários, intelectuais, acadêmicos e autoridades de países da América Latina, Portugal e Espanha, o chefe do Gabinete Civil do novo governo brasileiro disse que o Brasil pensava articular uma parceria militar entre os países da América do Sul para se contraporem aos Estados Unidos. No dia seguinte, foi desautorizado por Lula: “Não sabia que tinha lhe nomeado ministro da Defesa e das Relações Exteriores”.
REBULIÇO – Eu estava lá, e verifiquei pessoalmente o rebuliço que causou nos meios políticos e diplomáticos, e especialmente entre os empresários, brasileiros e estrangeiros, alguns dos principais investidores no Brasil, como o milionário Carlos Slim.
Dirceu, visivelmente encantado com o efeito de suas palavras, disse a empresários preocupados que eram apenas “reflexões”. Conforme relatei na ocasião, gerou reflexões mesmo, e algumas preocupações. “Parte da plateia era muito sensível a certos temas levantados pelo ministro, que misturou suas reflexões com histórias do tempo em que era clandestino e vagava pelos aeroportos do mundo armado e com passaportes falsos.”
Descrevi um almoço nos jardins da mansão do casal Ivo Rosset e Eleonora Mendes Caldeira, desenhada por Wesley Duke Lee em Campos de Jordão, que serviu de palco para o empresariado digerir, junto com uma perdiz, algumas percepções de Dirceu, que já não estava presente. “Difícil digestão, não apenas pelo aspecto militar levantado, mas especialmente pelo lado político de algumas observações”.
PREOCUPAÇÕES – Não passou despercebido, por exemplo, que, ao falar de Cuba, o ministro não fez nenhuma referência direta às restrições democráticas na ilha. Houve também quem tenha se preocupado com o fato de o chefe do Gabinete Civil de Lula ter se referido à sublevação que derrubou o presidente da Bolívia como um exemplo da “força do poder popular no continente latino-americano”. 
Mas, em relação à crise política na Venezuela, teve comportamento totalmente diferente. Para Dirceu, tanto a revolta popular na Bolívia como a derrota do presidente Uribe na eleição na Colômbia seriam “sinais de que as reformas sociais na região precisam ser apressadas”.
Quando se referiu à Venezuela, porém, o ministro tratou a campanha do plebiscito, previsto na Constituição venezuelana, como uma tentativa golpista. Ao fazer essa afirmação, estava ao lado do empresário Gustavo Cisneros, um dos mais ferrenhos adversários do presidente Hugo Chávez naquela ocasião, e estimulador do plebiscito que tentou tirá-lo do poder.
TEMORES – A defesa da integração militar na América do Sul, por seu lado, trouxe de volta temores que já haviam surgido durante a campanha eleitoral. Os presentes consideraram que não fora à toa que José Dirceu citou China, Índia e Rússia como exemplos de países que impõem suas presenças no cenário mundial também pelo poderio militar. Não por acaso, os três possuem a bomba atômica.
Quando, em um debate na campanha presidencial com militares, Lula criticou a adesão do Brasil ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, numa referência direta aos países desenvolvidos que não abriram mão de seus arsenais, afirmou que o acordo só teria sentido se todos deixassem de usar armas nucleares.
IDAS E VINDAS – Logo no início do governo, o ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, defendeu, em uma entrevista à BBC, que o Brasil não podia renunciar a nenhum conhecimento tecnológico, nem mesmo sobre a bomba atômica.
Relatei na ocasião que todas essas idas e vindas do governo frequentaram a cabeça dos que ouviram o ministro José Dirceu misturar invasão da Amazônia pelos Estados Unidos e a tese de que a soberania nacional está intimamente ligada ao poderio militar das nações. Mas teve apoio nos dias seguintes de países da região. Era o embrião da união dos governos bolivarianos.
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O parricídio político na Argentina faz os filhos denunciarem os próprios pais


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Em Buenos Aires, as mães cobram notícias sobre seus filhos
Hugo Studartas
A República

Há casos bem populares de parricídio, como o de Suzane von Richthofen. Na literatura, temos três grandes clássicos nos quais o filho mata o pai: Édipo Rei, do dramaturgo grego Sófocles; Hamlet, do britânico Shakespeare; e Irmãos Karamazov, do russo Dostoievski.
O parricídio era encarado como tragédia ou psicopatia até o advento dos grandes expurgos perpetrados pelo ditador soviético Joseph Stalin, nos anos 30, e três décadas depois, pela Revolução Cultural de Mao Tsé-tung, quando filhos eram incentivados a denunciar os próprios pais por supostos crimes ideológicos contra o comunismo.
A última aberração dessas foi protagonizada pelo psicopata Pol Pot, que implantou no Camboja o regime ensandecido do Kmer Vermelho, que exterminou 1 milhão de pais alfabetizados com o intento de criar um Novo Homem. Não tenho notícias sobre o tirano Kim, da Coréia do Norte – mas há de se supor que o parricídio ideológico venha sendo praticado por lá.
E NA ARGENTINA… – Ensaia-se algo assim na Argentina. Cerca de 30 filhos de antigos agentes da repressão (civis e militares), presos sob a acusação de violações de Direitos Humanos durante a ditadura militar, vêm se reunindo para exigir que seus pais não saiam da cadeia. A lei penal da Argentina permite o benefício do “dois por um”, ou seja, dois dias de pena computada a cada dia passado em prisão preventiva. Isso colocaria muitos ex-torturadores na rua. Esse grupo de filhos, reunidos no movimento Histórias Desobedientes, estão exigindo a mudança da lei para que os condenados cumpram prisão perpétua.
Há uma diversidade de nuances com esses filhos. Alguns, gostariam que os pais se declarassem arrependidos e ajudassem a encontrar os desaparecidos políticos. Outros, cujos pais já faleceram, querem tão-somente apoio de semelhantes para fazer catarse emocional e política. Mas há também aqueles que se declaram com horror à ideia de que seus pais fiquem em liberdade. São esses que estão ganhando maior destaque na imprensa internacional.
 A ditadura militar argentina durou apenas sete anos, entre 1976 e 1983, mas deixou um triste saldo de 20 mil mortos e desaparecidos para uma população de 25 milhões de habitantes — algo absolutamente monstruoso.
COMPARAÇÃO – Em um exercício simplório de comparação, se esse Terrorismo de Estado fosse perpetrado no Brasil, o saldo do nosso fratricídio seria de 90 mil mortos (foi de 357 vítimas da repressão militar, de acordo com o compêndio Direito à Memória e à Verdade, da Presidência da República, e de 117 vítimas das organizações de esquerda, segundo os militares).
Quando a ditadura argentina caiu, seus generais presidentes foram imediatamente para a cadeia. O civil Raúl Alfonsín assumiu o poder buscando dar contornos fortemente progressistas. Então criou a Comisión Nacional sobre la Desaparición de Personas, que cuidou de analisar as denúncias de desaparecimentos, sequestros e mortes provocados pela ditadura militar argentina. Tal qual a Comissão Nacional da Verdade do Brasil, a Comisión argentina não tinha por atribuição julgar nem punir qualquer dos denunciados, mas apenas relatar as violações de direitos humanos e, entendendo por bem, encaminhar as denúncias para as providências judiciais cabíveis. O trabalho tem 50 mil páginas de denúncias.
Os militares e civis envolvidos com a repressão começaram a ser julgados. Em suas defesas, alegaram a tese da “obediência devida” – a mesma alegada pelos nazistas durante o Julgamento de Nuremberg, ou seja, que estavam apenas cumprindo ordens. A tese não foi aceita pelos Aliados em Nuremberg. Na Argentina, pressionado pelos militares, Alfonsín acabou baixando duas leis de impunidade: a Lei do Punto Final, de 1986, e a da Obediência Devida, de 1987.
IMPUNIDADE – Boa parte da sociedade jamais se conformou com a impunidade e vem há mais de 30 anos se mobilizando, em diferentes movimentos políticos. O mais conhecido é o das Madres de la Plaza de Mayo, que não concordou com o trabalho meramente investigativo da comissão do governo Alfonsín, exigindo a punição aos militares e agentes do regime ditatorial. Fato é que centenas de agentes da repressão acabaram julgados, condenados e cumprindo penas, inclusive de prisão perpétua.
Os movimentos de Direitos Humanos da Argentina fundamentam-se no conceito de “lembrar para não esquecer”, como também na memória como arma de denúncia, instrumento político e reivindicação da justiça. É obvio que, no caso argentino, com 20 mil mortos, os agentes da repressão não deixaram muita margem para negociar anistia ou conciliação, como ocorreu na África do Sul e, de certo modo, no Brasil.
Contudo, aprovar socialmente que filhos denunciem os próprios pais (ainda que tenham sido monstros torturadores), parece um caso que transcende as tragédias familiares para se tornar psicopatia política. A única atitude certa a fazer é entregar a investigação sobre torturadores ao Ministério Público. Quanto a esses filhos, precisam ser entregues a bons psiquiatras. É o que penso.
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Associação de Pessoas com Doenças Falciforme de Ilhéus vem avançando a cada dia

ILHÉUS NOTICIAS
A Associação surgiu em 1997, quando do diagnóstico de “traço falciforme” em uma assistente social, que reside aqui em Ilhéus, o que causou curiosidade. Por ser uma doença desconhecida um grupo de pessoas se reuniram para fundar a associação.
A APEDFI – Assoc. de Pessoas com Doenças Falciforme de Ilhéus tem como finalidade congregar pacientes, familiares, amigos e profissionais de saúde. Se reuni com seus associados toda primeira quarta do mês usa também as redes sociais para informar sobre a patologia, orienta sobre os cuidados para que se tenha uma qualidade de vida já que a cura não está ao alcance de todos. A associação também tem o papel de garantir os direitos das pessoas com DF junto aos poderes públicos.
Ilhéus oferta acompanhamento para pessoas a partir dos 12 anos, as crianças eram atendidas pelo CERDOF em Itabuna, no entanto final de fevereiro/18 esse atendimento foi suspenso pela Central de Regulação de Itabuna para todos os municípios não pactuados, o que oferece risco à vida das mesmas que se encontram sem o devido acompanhamento.

Quando assumimos a associação que estava desmotivada há mais de 4 anos reiniciamos do zero, fizemos busca ativa aos pacientes afim de trazer de volta à clínica que só oferecia na época uma hematologista, que logo se aposentou. Ficamos praticamente um ano sem atendimento com especialista. Mas a associação foi à luta e tivemos muitas vitórias a exemplo: a contratação da equipe multiprofissional (hematologista, psicólogo, enfermeira, assistente social, nutricionista técnico de enfermagem)) conseguimos normalizar a dispensação dos medicamentos de uso continuo, garantimos a participação em eventos relacionados a DF dentro e fora do município.
As pessoas com Doença Falciforme em Ilhéus encontram muitas dificuldades para fazer o tratamento, pela falta constante de medicamentos de uso contínuo dispensado pela atenção farmacêutica do município, consultas com outros especialistas, alguns exames de imagens e cirurgião, até mesmo alguns exames de laboratório demanda tempo para marcação o que implica no retorno à consulta com a hematologista o que compromete de fato o tratamento.
Ilhéus oferta acompanhamento para pessoas a partir dos 12 anos, as crianças eram atendidas pelo CERDOF em Itabuna, no entanto final de fevereiro/18 esse atendimento foi suspenso pela Central de Regulação de Itabuna para todos os municípios não pactuados, o que oferece risco à vida das mesmas.
Existe um outro agravante, quando acometidos por crises álgicas as pessoas com DF muitas das vezes demoram de procurar a emergência dos hospitais, por conta da falta de informação de muitos profissionais de saúde que não sabem como classificar as dores. Hoje temos paciente que além de tratar a DF, trata também de uma neoplasia mamária, paciente dialisando, pacientes com risco de avc, pacientes com abdômen agudo, pacientes necrosados já deficientes físico, pacientes com retinopatia que já perderam a visão, enfim.
Já solicitamos da atual gestão que olhe para o programa da Doença Falciforme de Ilhéus e continue garantido as nossas conquistas que foram frutos das nossas lutas.
Fazemos um apelo aos doadores de sangue ou até mesmo você que nunca doou que procurem o banco de sangue e façam sua doação, existe alguns pacientes que necessitam de transfusão regular e em outros casos a pessoa com Doença Falciforme em crise de dor precisam ser transfundidos.
Com luta e resistência nós vamos vencer o racismo institucional para que tenhamos o atendimento que precisamos ter. A “dor” é força que nos move e que nos mantem firmes, a APEDFI pode contar com vários parceiros e amigos para realização de seus eventos. Em abril/18 a APEDFI completou 21 anos de fundação, somos uma família solidária com a dor do outro, porque a dor de um é a dor de todos e se você não sente dor não subestimem a nossa.
Ilhéus, 31 de agosto de 2018.