MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

sábado, 22 de fevereiro de 2014

No AP, Oceano Atlântico e Falonha têm orgulho de nomes incomuns


Nome foi desejo do avô, tio já falecido se chamava Oceano Pacífico.
Em Macapá, Falonha, é resultado de nomes dos pais Fátima e Lodonho.

John Pacheco Do G1 AP

Oceano Atlântico, de 68 anos, é motorista no Amapá (Foto: John Pacheco/G1)Oceano Atlântico, de 68 anos, é motorista no Amapá (Foto: John Pacheco/G1)
O motorista Oceano Atlântico da Silveira e Souza, de 68 anos, que mora em Macapá, diz que o nome de batismo inusitado nunca lhe causou constrangimento ou vergonha. “Ele só me fez bem", afirmou. Já a funcionária pública Falonha Santos Ferreira, de 25 anos, se acostumou com o nome, que é uma junção dos nomes do pai e da mãe, Fátima e José Lodonho.
Em 2001, um pai quis registrar o filho de Osama Bin Laden logo após o ataque as torrres gêmeas "
Cristiane Passos, tabeliã
Em Macapá, a tabeliã Cristiane Passos, do 2º Cartório de Notas e Ofícios, explicou que casos inusitados acontecem com frequência na capital, os mais comuns são nomes americanizados, que excedem a quantidade de letras k, w e y, a exemplo de Wylly, Karollyne e Wesclay.
Nessas situações, o cartório não pode recusar o registro mas orienta os pais para não expor os filhos ao ridículo. "Nomes com a duplicação dessas letras prejudicam o aprendizado da criança e podem constranger na fase adulta", explica Cristiane.
A situação mais atípica citada pela tabeliã aconteceu em 2001, quando um pai quis batizar o filho de Osama Bin Laden semanas após os ataques às torres gêmeas em Nova York. "Segundo esse pai, ele achou o nome bonito e quis dar para o filho, mas eu fui contra na época e o caso acabou indo para a corregedoria e ele foi obrigado a 'trocar' o nome", relatou Cristiane.
Nomes de artistas consagrados e atores de hollywood são comuns, a exemplo de Michael Jackson, John Wayne, John Lennon e Lady Di, diz a tabeliã.Atualmente os nomes mais populares de filhos no cartório seguem personalidades que estão em destaque em novelas ou no esporte, casos como Félix e Neymar 'estão na moda'.
A tabeliã Cristane Passos diz que nomes americanizados dificultam a alfabetização da criança (Foto: John Pacheco/G1)A tabeliã Cristane Passos diz que nomes
americanizados dificultam a alfabetização da
criança (Foto: John Pacheco/G1)
Os 'Oceanos' Atlântico e Pacífico
Para quem ouve pela primeira vez é sempre uma surpresa”, destacou Oceano, que ganhou o nome após o desejo do avô e de um erro no cartório. Atlântico não é o único da família a ganhar nome de oceano. O tio, que morreu aos 80 anos, se chamava Oceano Pacífico.
"Meu avô nasceu em 1895, no município de Amapá [a 302 quilômetros da capital] e naquela época na comunidade onde ele morava só se chegava de barco. Por muitos anos ele viajou em um barco à vela próximo ao mar, por isso fez uma promessa de que o primeiro filho homem dele se chamaria Oceano Atlântico. No momento do registro em cartório, o tabelião errou e batizou meu tio de Oceano Pacífico, então minha mãe resolveu homenagear meu avô me batizando de Atlântico", lembra o motorista.
Já me perguntaram se eu queria trocar de nome.
Nunca quis"
Oceano Atlântico, motorista
"Na infância, não passava por chacota por causa do nome, pois até os 18 anos quando morava no interior, nunca tive convívio de rotina com outras crianças da minha idade. Isso mudou quando vim morar para a capital e as pessoas perguntavam sobre o nome e o porque", conta Oceano Atlântico.
Quanto ao símbolo do nome, o motorista disse que já conheceu o Oceano Atlântico, na costa leste do Amapá, por várias vezes, em viagens de lazer ou para pescar. Mas não pensou na criatividade do avô para colocar o nome nos filhos, que segundo ele são "normais", Wesley e Mariane. "Já me perguntaram se eu queria trocar minha identidade pelo fato de Oceano ser constrangedor, até advogado já me propôs isso, mas nunca quis", destaca.
Falonha Santos Ferreira, de 25 anos, já se acostumou com o nome (Foto: Cássio Albuquerque/G1)Falonha Santos Ferreira, de 25 anos, já se acostumou com o nome (Foto: Cássio Albuquerque/G1)
A funcionária pública Falonha Santos Ferreira, de 25 anos, também diz que já se acostumou com o nome, que é uma junção dos nomes do pai e da mãe, Fátima e José Lodonho.
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Falonha é a terceira filha de 4 irmãs (Foto: Cássio Albuquerque/G1)Falonha é a terceira filha de 4 irmãs
(Foto: Cássio Albuquerque/G1)
A amapaense que mora no bairro Santa Inês, Zona Sul de Macapá, brinca que ainda não compreende a homenagem feita a ela por ser a terceira filha do casal.
"Tenho 3 irmãs com nomes comuns, Danielle, Rafaele e Paloma. Meus pais me contam que sempre tiveram essa ideia do nome anteriormente, mas não haviam colocado nas duas primeiras filhas", diz Falonha, que não pretende fazer algo parecido com o nome dos filhos.
Lei regula registro de nomes inusitados
De acordo com a lei de registro público, o registro de um nome pode ser negado em casos em que possam constranger ou expor a pessoa ao ridículo. Neste caso, o pedido é encaminhado à Justiça, que determina se a criança pode ou não receber aquele nome.

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