Aterro Sanitário de Aparecida de Goiânia não permite mais acesso público.
Muitos migraram para as cooperativas e alguns procuraram outra profissão.
Cooperativa possui 30 catadores de materiais recicláveis (Foto: Paula Resende/ G1 GO)“Antes, era cada um por si. Só começou a funcionar agora, mas, mesmo assim, muita gente não se acostuma com as regras. Vem um ou dois dias e não volta”, conta a secretária-auxliar da Coocap, a pedagoga Eldenice Mota Pinheiro, de 46 anos.
Para ser um dos cooperados, o catador não pode, entre outras regras, beber ou usar drogas no galpão. Além disso, o salário só é pago no final do mês e a pessoa ganha conforme as horas trabalhadas.
Romilda, Sisnalva e Mauri querem ganhar melhorna cooperativa (Foto: Paula Resende/ G1 GO)
Mauri e a mulher, Sisnalva Correa dos Santos, de 38, também reclamam do que vão receber trabalhando na cooperativa, que deve ser, segundo a Coocap, cerca de R$ 300 para cada. “No lixão a gente tirava até R$ 1mil por semana, a gente não tira isso aqui por mês”, relata.
O casal gosta da profissão, mas não descarta mudar de área de trabalho. “Não falta vontade de trabalhar. Vamos dar uma chance por 90 dias, que foi o prazo que eles pediram para adequar. Eu sou pedreiro também. Então, se aqui não der mais dinheiro, eu vou voltar para a minha profissão”, diz.
Consenso entre os catadores é o fato de que eles passaram a ter melhor condição de trabalho. “Aqui a gente não pega chuva, não pega sol. Aqui é limpo, não tem bicho morto ou bicho entrando na bota da gente”, comemora Ricardo de Deus Marques.
Diferentemente da família de Mauri, Ricardo está feliz com a cooperativa. “Sair daqui só se a cooperativa fechar. O importante é o jeito, a condição de trabalho, mais do que o dinheiro”, ressalta.
Mudança necessária
Diretora do programa de resíduos sólidos da prefeitura de Aparecida de Goiânia, Márcia Nayane Rocha Santana, concorda que a adaptação não é um processo fácil, mas não teria como adiar o fechamento do acesso ao aterro. Ela conta que alguns catadores que não quiseram migrar para a cooperativa foram contratados pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano. “Treze catadores que não queriam ficar no galpão estão na secretaria. Eles pediram a oportunidade e nós demos. Tem gente que também foi contratado pela empresa que presta serviços terceirizados aqui”, afirma.
Com a proibição do acesso ao local, o coordenador do aterro, Geraldo Carlos da Silva, explica que as atividades passaram a ser feitas normalmente. Mais de 400 toneladas de lixo são despejadas diariamente na área. “Antes tinha o risco de atropelar alguém. Tinha gente que vinha armado pra cá. Agora, a frente de descarga está limpa e funciona sem interrupção”.
Mesmo com a proibição expressa, catadores ainda tentam entrar no local. No entanto, Nayane afirma que eles não chegam a retirar material do local, pois são contidos por agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que vigiam a área de 823 mil m² do local. “O aterro está cercado, eles cortam a cerca e tentam entrar, mas veem a Guarda e fogem. No começo, era maior o número de invasores. Ainda não acabou definitivamente, mas são poucos que ainda tentam”, afirma a diretora do do programa de resíduos sólidos.
Aterro recebe mais de 400 toneladas de lixo pro dia (Foto: Paula Resende/ G1 GO)
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