Primeiro caso ocorreu em 2002; segundo carro foi deixado 6 anos depois.
Em um ano, o custo para deixar um carro no local é de R$ 10 mil.
Para chamar menos atenção, veículos foram colocados na parte de trás e cobertos por capas. (Foto: Carolina Paes/G1)O intrigante é que os proprietários nunca foram localizados ou sequer voltaram para resgatar os bens. De acordo com a rodoviária, se for considerado apenas um ano, a dívida dos carros com as diárias de estacionamento é de aproximadamente R$ 10 mil. Caso os donos reapareçam terão que pagar para retirar os patrimônios.
Abandono
O atual supervisor da rodoviária, Celso de Camargo Pereira, lembra que na época do último abandono, em 2008, as únicas informações que tinham sobre a situação foram passadas por um motorista do ponto de táxi do terminal. “Segundo o que disse esse taxista, duas pessoas deixaram o Gol no estacionamento e pegaram um táxi até São José dos Campos. Ele só se lembrava disso. Não sabia nome e mais nada dos passageiros que abandonaram o carro”, diz Pereira.
Dono do Gol foi visto pegando um táxi para São Josédos Campos depois de abandonar carro.
(Foto: Carolina Paes/G1)
Por causa do tempo parados, os veículos estão bastante deteriorados. Além dos pneus murchos, as latarias estão bem enferrujadas e descascadas.
Ao todo, o estacionamento tem cem vagas. Por dia, ficam em média de 60 a 70 carros no local. Por conta do grande movimento, de acordo com o supervisor, a rodoviária colocou os carros na parte de trás e ainda aproveitou para cobri-los com uma capa. "O Voyage ficava bem na frente do estacionamento e isso despertava a atenção dos curiosos. Então resolvemos disfarçar e colocar os veículos em um local mais discreto", afirma Pereira.
Donos
Em pesquisa o G1 encontrou os contatos das pessoas em que os nomes constam na documentação dos veículos. A reportagem descobriu que o proprietário do Voyage faleceu este ano, mas que segundo informações da esposa, que mora em Cruzeiro, no Vale do Paraíba, e não quis se identificar, há muitos anos o carro não era mais de seu marido. O veículo havia sido vendido para terceiros. O G1 tentou por várias vezes contato com o morador de São Paulo, que pelos documentos, é dono do Gol. Porém, ele nunca atendeu as ligações.
O Terminal Rodoviário informou que os carros ainda não foram removidos porque a legislação brasileira não permite. De acordo com o advogado especialista em direitos do consumidor, Laudicir Zamaia Júnior, a rodoviária não é a responsável legal pelos carros. “A legislação não permite que a rodoviária mexa nos carros porque não há nenhuma medida judicial que a autorize a mexer em objeto alheio. Isso é garantido pela legislação, uma vez que o estacionamento tem apenas o dever de guardar os carros sem ser efetivamente a proprietária”, explica Zamaia.
Voyage abandonado em 2002 está com a latariabastante deteriorada (Foto: Carolina Paes/G1)
Segundo a PM, os carros não são frutos de roubo nem de furto. Ambos apenas possuem irregularidades com a documentação. O Voyage tem os documentos atrasados desde 2002, época em que foi abandonado. Já o Gol está desde 1994 com pendências na documentação.
Porém, ainda de acordo com Zamaia existem várias medidas judiciais para solucionar este caso. “É uma questão complexa, mas de modo geral existem alguns elementos jurídicos para esse problema. É necessário analisar qual melhor se enquadraria nesse caso dos abandonos”, diz.
Segundo o advogado, como os veículos estão gerando uma dívida, a rodoviária poderia entrar com uma ação de cobrança. O carros poderiam ser vendidos ou serem leiloados para suprir os gastos com estacionamento. Outra medida seria a lei de usucapião, já que os automóveis estão abandonados há mais de 5 anos.
A empresa ainda informou que o caso está no setor judiciário e que não encara como prejuízo o fato de os carros estarem há tanto tempo ali, já que só perde duas vagas e que há espaço suficiente para atender a demanda.
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