Com menos de 1 mês, as meninas estão se alimentando por mamadeira.
Pediatra diz que amamentação deve ser estimulada.
Maria Linete conseguiu superar rapidamente a troca da filha (Foto: Bernardo Gravito/G1)
Natalícia acaricia a filha depois de sofrer com atroca das meninas (Foto: Bernardo Gravito/G1)
Natalícia diz que nos dois primeiros dias após o nascimento, quando a família ainda não tinha descoberto a troca, a menina foi amamentada por Maria Linete. Depois que o hospital descobriu a troca e isolou as crianças, elas passaram a ser alimentadas por uma sonda, fatos que, segundo Natalícia, podem ter sido decisivos para a rejeição da filha ao peito.
A família dela está tendo que apertar o orçamento para comprar o leite adequado. “Ela consome uma lata de leite por semana e o custo é alto, minha família está nos ajudando”, conta.
As duas mães reagiram de forma diferente à falha nas trocas dos bebês. Segundo os familiares de Natalícia, ela ficou abalada e quase entrou em depressão. A cunhada dela, Ana Maria Ribeiro Brito, conta que “a família teve que ajudar, conversar com ela”. Já Maria Linete diz que lidou bem com a situação. Depois que as filhas foram destrocadas, ela conseguiu retomar a rotina.
Falta de acompanhamento
Segundo a pediatra Andrea Amaral, nestes casos a amamentação deve ser estimulada. A profissional explica que há bebês que ficam na UTI por muitos meses e que, mesmo assim, a mãe consegue amamentar.
Andrea admite que a história das duas mães não foi fácil. "Elas passaram por um estresse muito grande". Mas o ideal, segundo a pediatra, é tentar resgatar o leite materno, já que a média nacional para amamentação é de dois meses e meio. "Na maioria das vezes, não é o bebê que rejeita o peito, mas a mãe que não se esforça. Ela tem que perseverar, estimular o leite e ter apoio de profissionais." A pediatra ainda afirma que o leite materno, além de ser mais saudável, proporciona maior vínculo entre mãe e filha.
Uma das queixas de Natalícia é que o hospital prometeu acompanhamento psicológico, mas, segundo ela, até agora a família não recebeu visita de nenhum profissional.
Maria Linete segura a filha e respira aliviadadepois de 1 mês que as meninas foram trocadas
(Foto: Bernardo Gravito/G1)
Entenda o caso
No dia 29 de maio, dois bebês foram trocados no Hospital e Maternidade Dona Regina. A troca foi percebida pela irmã adolescente de uma das recém-nascidas. Ela constatou que o nome da mãe registrado na pulseira usada pela criança era diferente do da mãe biológica.
Depois disso, a família fez uma busca pela maternidade e encontrou outro bebê com a pulseira de identificação com o nome da mãe biológica.
Os familiares dos bebês informaram o hospital sobre o erro e chamaram a polícia. Para confirmar a troca, a direção da maternidade precisou fazer exames de DNA. Os bebês só foram entregues às mães biológicas uma semana depois, quando foram divulgados os resultados dos exames.
O hospital abriu uma sindicância para apurar o caso. Já a assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança Pública informou que o erro não vai ser investigado pela polícia, pois se trata de uma questão administrativa da maternidade.
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