Falta espaço na unidade até para acomodar os recém-nascidos.
Direção diz que os hospitais do Estado e Município estão desabastecidos.
Corredor funcionando como enfermaria em maternidade de Natal (Foto: Caroline Holder/G1)Resultado: são alocadas em cadeiras, macas e camas em meio aos corredores. O G1 foi ao local na manhã desta segunda-feira (24). A unidade tem capacidade para 92 gestantes. Contudo, 38 mães, algumas já com seus bebês, se acomodam como podem nos corredores da maternidade.
Sala de pós-parto também funciona comoenfermaria (Foto: Caroline Holder/G1)
"A única com impossibilidade de atendimento é a Maternidade Leide Morais, devido ao descredenciamentos de parte dos médicos, provocando um déficit nas escalas de trabalho", afirmou.
Contudo, a superlotação na Maternidade Escola Januário Cicco é evidente. Os corredores fazem a função de quartos; as cadeiras, de leitos. Quem já pariu há mais tempo precisa dar lugar a quem acabou de sair da sala de cirurgia.
“É a dança das cadeiras. Para fazer o acompanhamento das pacientes preciso fazer uma chamada oral para saber onde elas estão. Se estão internadas na cama, na cadeira... Tenho uma listinha aqui para distinguir que são as parturientes (em trabalho de parto) e quem são puérperas (mulher que teve bebê recentemente), já que estão todas no mesmo lugar e não há vagas na enfermaria”, explicou Ana Karina Dantas, enfermeira da unidade.
Mulher se recupera em corredor depois deperegrinar em busca de maternidade
(Foto: Caroline Holder/G1)
“Eu acabei de ter filho e estou passando mal. Não tenho uma cama para ficar. Estou internada nesta cadeira e minha filha, que acabou de nascer, já não tem lugar no mundo. Nem berço. Minha mãe, que está me acompanhando, é quem está com ela. Não tenho onde colocá-la”, lamentou Cinthia Vanessa Nelo, de 19 anos.
Mulher acabou de ter filho e não tem cama para serecuperar (Foto: Caroline Holder/G1)
Uma mãe que concordou em mostrar o rosto, mas não quis dizer o nome, não teve a sorte de poder enfrentar a situação com o filho nos braços. “Ele nasceu morto. Não sei se foi a demora. Não sei o que foi. Só sei que ele morreu e não está aqui comigo. Estou enfrentando tudo isso sozinha. É duro”, afirmou.
Mãe sofre a dor de ter perdido o filho(Foto: Caroline Holder/G1)
O G1 tentou contato com a assessoria de comunicação da Secretária Estadual de Saúde e também com o secretário Isaú Gerino, mas as ligações não foram atendidas.
“Queremos que as outras unidades, pelo menos, recebam as mães depois do parto. Se continuar assim, teremos que colocar uma corrente no portão para fechar a unidade”, finalizou a diretora da Januário Cicco.
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