Prédio da Escola Estadual Barão do Rio Branco completará 100 anos.
Restauração geral vai custar R$ 6,8 milhões e deve ser concluída em 2014.
Fachada da Escola Estadual Barão do Rio Branco, na Avenida Getúlio Vargas, na Savassi. (Foto: Cristina Moreno de Castro/G1)Agora, pela primeira vez, o grupo escolar que hoje atende a crianças do 6º ao 9º anos do Ensino Fundamental passará por uma grande reforma. Mais que reforma: toda a estrutura do prédio, que é tombado como patrimônio histórico, será restaurada, preservando as características originais da construção de estilo neoclássico abrigada em uma área de 4.544 m² no coração da Savassi, região nobre da capital mineira.
Um dos pátios da escola e trecho do prédio (no canto direito)que foi interditado pela Defesa Civil por correr risco de
desabar. (Foto: Cristina Moreno de Castro/G1)
A Secretaria de Estado de Educação tomou a decisão, então, de fazer uma reforma completa em toda a escola, em vez de apenas no trecho comprometido. “O prédio, pelo que representa, merece uma restauração completa”, diz o subsecretário de Administração do Sistema Educacional, Leonardo Petrus. “Não justifica ter um transtorno dessa ordem para fazer intervenção que daqui a dois ou três anos teria que ser refeita.”
O diretor do Barão, Carlos Henrique da Silva, mostrapinturas originais encontradas sob camadas de tinta.
(Foto: Cristina Moreno de Castro/G1)
Independentemente da restauração, há muito o que consertar e reconstruir na escola. Casas que não estavam na construção original, onde ficam a cantina e o ginásio, serão derrubadas e refeitas. Um elevador será construído para receber pessoas com deficiência. As salas vão ganhar quadros negros e de pincel, além de equipamentos de multimídia. Os muros, que estão com várias partes derrubadas, serão corrigidos. E o mesmo será feito com janelas, portas, rodapés, grades, tetos – cheios de infiltrações –, porões etc. Resultado: o orçamento inicial, que era estimado em R$ 4,5 milhões, agora deve ser de R$ 6,8 milhões. E a obra, que seria entregue a tempo do centenário do prédio, em 2013, agora só deve ficar pronta em 2014.
O processo de licitação já está em fase final de escolha de um vencedor dentre cinco classificados e, segundo Petrus, as obras começam até o próximo mês. Elas serão administradas pelo Departamento de Obras Públicas do Estado de Minas Gerais, com recursos da Secretaria de Educação e supervisão do Instituto Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais. Afinal, ali dentro, até as árvores centenárias de mangueiras e gameleiras são tombadas.
Enquanto as obras não começam, toda aquela área do Barão está abandonada à espera do fim da licitação. O diretor da escola, Carlos Henrique Alves da Silva, diz que conseguiu autorização para manter um faxineiro e dois vigilantes cuidando do local, “para evitar a entrada de vândalos”. “Minha preocupação era ter um prédio deste tamanho, nesta localização, por tanto tempo vazio. Com certeza ia ser invadido.” Não conseguiram evitar, no entanto, pichações e algumas invasões, que contribuíram para o aspecto de depredação do prédio.
Alunos sentem saudadesEnquanto isso, os alunos do Barão, que costumavam ocupar 13 salas de aula, agora se apertam em dez salas do Instituto de Educação. Segundo Silva, o espaço “mais concentrado” acabou ajudando na disciplina da criançada. Por outro lado, elas sentem a ausência de uma quadra para praticarem esportes.
Alunos
que acabaram de terminar o 9º ano do Barão do Rio Branco, em biblioteca
montada no Instituto de Educação. (Foto: Cristina Moreno de Castro/G1)Quando perguntados se o Barão precisava mesmo de uma reforma, os cinco responderam em uníssono: “Estava!”. “A gente se mudou quando a situação estava tão precária que os alunos tinham que estudar na sala dos professores e o auditório, todo mofado, também virou sala de aula”, diz Blenda, que foi uma das que estudaram no auditório, quando a Defesa Civil constatou que a caixa d’água da escola corria o risco de cair e interditou parte do local.
“O porão [onde também havia salas de aulas] estava com os tacos soltando e os ventiladores não estavam mais funcionando”, completou Ana Luísa. “O muro caiu com uma chuva de 2010 e ainda não foi reconstruído”, disse Lorenna.
No entanto, todos eles, que passaram de ano direto e agora vão cursar o Ensino Médio em outras escolas públicas da cidade, também dizem a todo o momento que “morrem de saudade” do antigo Barão. “O local era muito bom, mais espaçoso, bem localizado, tinha lugar pra jogar bola, as salas eram ventiladas”, diz Blenda. Eles sentem saudades da grande árvore que fica perto do portão da escola, onde várias paqueras começaram e os alunos podiam se esconder para matar aula. “Aqui no Instituto de Educação não tem nem onde matar aula”, brinca Lorenna.
Pátio do Instituto de Educação, onde alunos recém-formadosdo 9º ano do Barão do Rio Branco almoçavam na última
quarta-feira (12). (Foto: Cristina Moreno de Castro/G1)
A única vantagem que vêem no espaço menor foi o fato de todos terem se visto obrigados a ficar mais próximos e, com isso, novas amizades terem surgido.
Sobre a reforma, são bastante céticos: “A Savassi ficou pronta antes de a obra do Barão começar”, disse Blenda. Todos também falam de rumores de que a escola, após a reforma, abrigaria um museu, em vez de voltar a funcionar ali. A Secretaria de Educação nega os boatos
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