MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

segunda-feira, 26 de julho de 2021

“Benefícios de uma amizade saudável para a sua saúde mental”, por Andréa Ladislau, doutora em psicanálise

 

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No mês de Julho temos o prazer de comemorar os laços de amizade. O dia do amigo, comemorado em 20 de Julho, é uma data que nos remete à lindas histórias de carinho e fidelidade entre amigos, conquistados ao longo da vida. Neste sentido, vamos aproveitar esse momento para refletir sobre os benefícios que uma amizade saudável pode trazer para nossa saúde física e mental.


Psicanaliticamente falando, somos seres desejantes e sociáveis e por esta razão vivemos nossas vidas conectados com o outro, ou os outros. Por isso, se queremos entender como o cérebro humano funciona, temos que compreender como os cérebros funcionam juntos — como uma mente molda a outra. Isso porque a interação social incentiva uma longevidade natural entre as pessoas, visto que os solitários costumam desenvolver hábitos prejudiciais à saúde, pois o fato de não possuírem uma vida social ativa, faz com que se sintam mais indefesos, podendo vir a sofrer de complicações como estresse e ansiedade.


Cultivar o ciclo de amizades, além de ser um tipo de prática saudável e prazerosa, pode oferecer inúmeros benefícios para nossa vida, como: diminuição do risco de doenças pelo aumento da imunidade; alcance da longevidade; aumento dos mecanismos ligados ao otimismo; coração saudável; compartilhamento de sentimentos e facilidade ao externar emoções; estímulo a relações mais duradouras; extinção da depressão e elevação da autoestima.


A ciência, através de inúmeras pesquisas, comprova que uma amizade verdadeira pode influenciar nossos comportamentos e ancorar hábitos equilibrados de qualidade de vida, que demonstram impactos profundos na melhora do estado físico e mental das pessoas. Além disso, a amizade faz bem ao coração literalmente, já que nossas emoções, principalmente quando estamos felizes em grupo, influenciam muito nossos batimentos cardíacos, diminuindo a probabilidade de doenças cardíacas e infarto em 22% dos casos.


A verdade é que, sorrir, dividir sentimentos e pensamentos podem trazer alívio e satisfação, principalmente porque diminuem a solidão e auxiliam na indução de uma longevidade mais acentuada, pois um mecanismo natural dos seres humanos é a vontade de dividir suas experiências, gostos, necessidades e sensações. E ter um amigo de confiança para compartilhar sentimentos, ajuda a melhorar a saúde mental de todos. Ter um amigo para compartilhar desde suas maiores alegrias até momentos de decepções e tristezas, sem dúvida alguma, é um grande privilégio para qualquer ser humano. Não somos ilhas e nem devemos buscar uma vida de solidão. Não é saudável enfrentar o mundo sozinho.


A amizade auxilia os aprendizados e induz o amadurecimento, já que partilhamos experiências e garantimos crescimento e melhorias, através das relações interpessoais. E o ganho embutido nesta troca de relações ajuda no desenvolvimento de sentimentos bons, no próprio bem-estar, na empatia, além de cultivar a paciência e a compreensão. Um outro benefício enriquecedor de uma relação de amizade saudável é a aceitação das diferenças e semelhanças que nos tornam seres únicos e distintos. Fomentando nossa harmonia e sabedoria em relação ao mundo.Vista como uma das principais fontes de felicidade e bem-estar, a amizade traz um apoio emocional importante ao indivíduo, uma vez que o compartilhamento de interesses, emoções, ideias, experiências e sentimentos, faz parte do universo desta relação que, através do prazer pode ser grande responsável na ajuda ao nosso cérebro quando o assunto são os mistérios do envelhecimento.


Quem nunca olhou para uma foto de dois velhinhos juntos e se imaginou amparando e sendo amparado por um grande amigo (a) na velhice? Laços fortes, mantidos com amigos de infância, já foram apontados, em diversas pesquisas como gatilhos para eliminação de crises de ansiedade, além de aumentar a autoestima e controlar processos depressivos de muitas pessoas. Não tenha dúvidas de que o jeito de se ver o mundo e seus reflexos são influenciados pelas boas e velhas amizades. É o que chamamos de conexões que aprofundam nosso senso de identidade e promovem a construção de nossa personalidade.


Os melhores índices de bem-estar físico e emocional, são explicados em muitos casos, pela interação das pessoas entre si, fato que justifica e demonstra o quanto devemos ser amigos e ter amigos, engrossando o vínculo social que nos torna integrados, entendendo que a vida seja digna de ser vivida.Ao valorizar os laços afetivos estamos, em nosso inconsciente, fortalecendo o sentimento de si mesmo, através do amadurecimento, pois para lidar com o outro, preciso também saber lidar comigo. Para compreender o outro, preciso compreender meu “eu” e saber onde me encaixo. Desta maneira, podemos despertar para questões coletivas ou individuais que ensinam a conviver com o prazer e conduzem a um aprendizado pessoal muito oportuno para o ser humano.


Portanto, segundo uma visão antropológica, a humanidade, a cada momento, se vê envolvida em trocas sociais que promovem experiências capazes de desenvolver alegria, satisfação, celebrações, mas também decepções, expectativas frustradas e desentendimentos. No entanto, não devemos deixar morrer a plantinha que floresce nossas amizades e nossas relações. Sendo assim, sempre que tiver a oportunidade demonstre seu carinho, diga que ama, diga que está com saudade, faça uma surpresa virtual, mas não deixe de demonstrar afeto. Aproveite a contribuição benéfica e emocional que essas relações podem nos trazer, sendo relações saudáveis e prazerosas, como: o cuidado, a cumplicidade e o carinho ao coração.Enfim, de uma coisa esteja certo: ao longo de nossa trajetória, à medida que a vida vai se desenvolvendo, vamos identificando quem são os amigos de verdade, que devem ser valorizados e guardados do lado esquerdo do peito, como assim falava a canção.

 

Dra. Andréa Ladislau, doutora em psicanálise.



Andréa é  Membro da Academia Fluminense de Letras - cadeira de numero 15 de Ciências Sociais;  Administradora Hospitalar e Gestão em Saúde; Pós Graduada em Psicopedagogia e Inclusão Social;  Professora na Graduação em Psicanálise;  Embaixadora e Diplomata In The World Academy of Human Sciences US Ambassador In Niterói;  Professora Associada no Instituto Universitário de Pesquisa emPsicanálise da Universidade Católica de Sanctae Mariae do Congo; e Professora Associada do Departamento de Psicanálise du Saint

Peter and Saint Paul Lutheran Institute au Canada, situado em souhaites.


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