Reconstrução dos momentos finais da princesa mostram as reações e o choque dos que a acompanhavam de perto ou de longe. Vilma Gryzinski:
Os
dois filhos de Diana Spencer, que passou para o mundo dos mitos como a
princesa de Gales, vão se encontrar no começo do próximo mês para
inaugurar uma estátua da mãe.
Será
um encontro bem complicado. William e Harry estão, na prática, rompidos
desde antes que o caçula resolveu largar tudo e ir morar numa mansão de
gosto duvidoso na Califórnia com Meghan, a mulher que o ajudou a se
afastar da família real.
A
inauguração e o encontro entre os irmãos já estão atraindo uma enorme
atenção, mais uma vez, para a história trágica da morte precoce de
Diana, em 31 de agosto de 1997, num acidente num túnel de Paris na
Mercedes dirigida em alta velocidade por um motorista que não deveria
estar lá, mas cumpriu ordens do namorado da princesa, Dodi Al Fayed.
Diana tinha apenas 36 anos, a idade de Harry hoje.
O
jornal Daily Mail está fazendo uma série de reportagens sobre sua
morte. E, por incrível que pareça num caso que já foi vasculhado por
todos os ângulos possíveis, ainda conseguiu levantar informações novas.
Já
mostrou, por exemplo, como o então chefe da investigação sobre a morte
da princesa leu um bilhete para o príncipe Charles em que Diana dizia,
para seu mordomo de confiança que ela seria morta por “falha nos freios e
ferimentos na cabeça”.
A
princesa estava obcecada pela ideia de que o marido, de quem já havia
se separado, pretendia se livrar dela para poder se casar com a
governanta dos filhos, Tiggy Legge-Bourke. Achava que Camilla também
estava sendo enganada por Charles.
É
muito possível que a ideia tenha sido plantada por Martin Bashir, o
jornalista da BBC que inventou várias histórias absurdas para ganhar a
confiança – e uma entrevista-bomba – de Diana.
O
bilhete de Diana alimentou teorias conspiratórias sobre sua morte que
persistem até hoje. Por causa das suspeitas, insufladas principalmente
pelo pai de Dodi, o milionário egípcio Mohammed Al Fayed, a polícia
inglesa teve que investigar sua morte, acabando por colocar seu
ex-diretor, John Stevens, na delicada posição de “entrevistar” o
herdeiro do trono e perguntar a ele se sabia por que a ex-mulher havia
escrito o bilhete tão comprometedor.
Charles disse que não sabia. Depois, rubricou uma transcrição da conversa.
Ao receber o policial, ele havia perguntado majestaticamente: “Como está indo o inquérito? O que o senhor quer de nós hoje?”.
Stevens
também fez entrevistas com Mohammed Fayed. O milionário, que hoje tem
92 anos, o presenteou com uma embalagem contendo os testículos de um
veado abatido em sua propriedade na Escócia, sugerindo que lhe dariam
“força e coragem na sua investigação”. Além de “melhorar seu desempenho
na cama”, claro.
Parece
uma história inventada, como tantas outras relacionadas a Diana e seu
fim tão triste. Em outra dessas reconstruções, o Mail relata como o
médico intensivista Frédéric Maillez entrou no túnel parisiense
imediatamente depois do acidente com a Mercedes, vindo com o namorado de
uma festa de aniversário.
Maillez
prestou os primeiros socorros à “mulher muito linda” que ele não
identificou. O médico estranhou a quantidade de fotógrafos em volta do
carro e ouviu que a mulher acidentada falava inglês. Tentou animá-la em
inglês. Quando a ambulância com a equipe de emergência chegou, relatou o
que havia encontrado e se afastou. Foi embora para casa ainda sem saber
a identidade de Diana e começou a tentar tirar o sangue de seu terno
branco.
O
sargento bombeiro Xavier Gourmelon, da equipe de atendimento de
emergência, também não reconheceu Diana. Viu que ela falava e se mexia.
Não aparentava nenhum ferimento. “Ela disse em inglês: ‘Oh, meu Deus, o
que aconteceu?’. Tentei acalmá-la. Segurei a mão dela”, contou.
Quando
ela foi passada para o colchão de ar do serviço de emergência, sofreu a
primeira parada cardíaca. Tinha uma ruptura da veia pulmonar esquerda
provocada pelo impacto do acidente e já estava com hemorragia interna,
embora as primeiras equipes não soubessem. Morreria disso.
Diana
já havia sido identificada. A primeira autoridade britânica a se
deslocar para o hospital foi o cônsul-geral em Paris, Keith Moss,
avisado pelo diplomata de plantão e pelo chefe de polícia de Paris. Foi
ele quem avisou o embaixador britânico, Michael Jay.
Quando
a gravidade dos ferimentos sofridos por Diana ficou clara, depois de um
agonizantemente lento percurso até o hospital Pitié-Salpêtrière, o
embaixador pediu que fosse chamado um padre anglicano.
O
chefe da portaria do hospital recorreu Yves-Marie Clochard-Bossuet, o
capelão católico de plantão, em casa, naquela noite. O padre,,
desconfiado exigiu saber quem era a pessoa envolvida na emergência – e
achou que o chefe da portaria estava bêbado. Só foi atender no segundo
chamado dele.
Quando
entrou na ala de emergência, a cirurgia de tórax aberto e as tentativas
de reanimação já estavam chegando ao fim. Os médicos haviam se dado por
vencidos, depois de acabar com o estoque de adrenalina da emergência e
fazer uma hora de massagem cardíaca no coração que não respondia mais. O
embaixador pediu a Clochard-Bossuet que orasse e velasse por ela
enquanto não achavam um padre anglicano.
Juntos,
foram ao quarto onde estava o corpo de Diana, coberto até o pescoço por
um lençol .“Ela estava completamente intacta. Nenhuma marca, nenhum
hematoma, nenhuma maquiagem. Completamente natural. Era realmente uma
mulher muito bonita e parecia que quase se poderia falar com ela”.
O padre começou a rezar. E não saiu do lado de Diana durante dez horas.
Do
lado de fora do hospital, o ministro do Interior da França, Jean-Pierre
Chevènement anunciou às 4,41 da manhã para os jornalistas que já se
aglomeravam que Diana estava morta.
Monsef
Dahman, então um jovem cirurgião da emergência do hospital, o primeiro
médico a abrir o tórax de Diana para que o professor Alain Pavie
suturasse a veia rompida, saiu do centro cirúrgico exausto e frustrado.
Só
na manhã seguinte notou que os tamancos brancos de borracha que usava
estavam manchados de sangue. Um homem, francês, o abordou e disse que
queria comprá-los. “Eles têm sangue azul”. Dahman recusou a proposta
absurda, exemplo das muitas insanidades que a figura de Diana provocava.
“É tão terrível que essa bela pessoa tenha tido um fim tão trágico”, resumiu o médico sobre seus sentimentos desde então.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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