Samuel Costa/Hoje em Dia
Cecília e Francisco: troca de carinhos durante amamentação
Tomar leite no peito traz mais benefícios do que a maioria das pessoas
imagina. Além de aumentar a imunidade do bebê e fortalecer o vínculo com
a mãe, contribui para a saúde oral da criança, a respiração e até a
fala.
Lista de vantagens extensa que explica o motivo de dentistas e
fonoaudiólogos abraçarem as campanhas pelo aleitamento materno tanto
quanto os pediatras. E defenderem que todas as mulheres ofereçam aos
herdeiros somente o seio nos primeiros seis meses de vida.
Não é exagero dizer que sugar o leite da mãe pode levar a um sorriso
mais bonito. Doutora em odontopediatria, Sylvia Lavínia Martini Ferreira
afirma que o esforço para movimentar a mandíbula durante a mamada não
só estimula a musculatura da boca e o complexo maxilofacial como
favorece o crescimento dos ossos do crânio e da face.
Na prática, “prepara” o espaço que será ocupado pelos dentes e colabora
para que o posicionamento deles seja correto. Por isso, melhora também a
mastigação e a deglutição.
Medida certa
Mamar no seio ajuda a afastar as cáries. O alimento produzido pela mãe
tem cálcio, fósforo e vitamina D, e a absorção desses nutrientes está
diretamente ligada à qualidade do esmalte dentário. “Não acontece da
mesma forma com o leite artificial ou o de vaca”, diz Sylvia. O efeito
prevalece até nos dentes permanentes.
Outra vantagem é prevenir que a criança desenvolva hábitos nocivos como
chupar dedo ou bico, pois o instinto natural de sugar já é atendido.
Sem falar que tamanha proximidade com a mãe pode tornar a chupeta menos
interessante, reduzindo a chance de o pequeno ter uma maloclusão –
mordida aberta ou cruzada – por uso prolongado do objeto.
Na pauta
Tudo isso não significa, é claro, que quem mamou no peito está livre de
ter um problema bucal no futuro. “Mas o aleitamento materno é
preventivo”, esclarece Sylvia, vice-presidente do 17º Congresso
Latinoamericano de Odontopediatria.
O evento reunirá 1.500 especialistas em São Paulo de 21 a 23 de agosto e
também vai abordar a importância da amamentação – inclusive para a
respiração do bebê, pois ele é obrigado a coordenar esse ato com a
sucção do seio. Até o dia 7, acontece, em todo o mundo, a Semana de
Aleitamento materno.
Nada de preguiça
Boa parte dos benefícios da amamentação está ligada à força que a
criança tem que fazer para puxar o leite. Na mamadeira, o esforço é
muito menor. “O nível de dificuldade leva ao desenvolvimento da
musculatura da boca, do lábio, da bochecha e da língua. Tudo vai se
refletir na articulação da fala”, diz a fonoaudióloga clínica Maria
Carmem Monteiro Teixeira. Por isso, quem é amamentado pode ter maior
facilidade para fazer, por exemplo, sons vibrantes, como o “r” de
“Bruno”.
O aparelho auditivo, quem diria, também agradece, pois o risco de
otites é menor. “O leite pode chegar até o ouvido se a mamadeira estiver
na posição errada”. A naturalidade com que acontece a sucção no peito
praticamente descarta essa chance.
De todas as vantagens, a que Cecília Santos mais curte é o contato com o
filhote. “Amamentar é um momento único. Não dá para descrever a relação
que se cria com o bebê. É algo muito emotivo, só sendo mãe para saber”,
diz a publicitária, que há três meses e meio deu à luz Francisco.
Tanto quanto carinho, há ali comunicação, diz a fonoaudióloga Maria
Carmem. “Pelo contato físico e a troca de olhares. É por isso que o bebê
maiorzinho, de 4 ou 5 meses, resmunga se nota que a mãe está
distraída”.
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