A estatal dos aeroportos continua retrógrada, fechada, ineficiente e dispensável. O que se verá na Copa, na maioria dos aeroportos por ela administrados: tapumes e poeira, muita poeira:
A
privatização dos aeroportos nunca foi algo bem resolvido pelo governo,
uma decisão meio envergonhada. Tanto é assim que, apesar de ser
necessária há muitos anos, não foi adotada por FH ou Lula. Somente Dilma
fez essa política, e mesmo assim de forma pouco usual: a Infraero
continuou com 49% dos aeroportos. Não apita em nada no plano de
negócios, mas tem de assumir praticamente metade dos investimentos.
Um dos
argumentos para esta situação anômala era a modernização da estatal,
umas das mais fechadas, retrógradas e ineficientes do pais. A Infraero,
diziam, se transformaria com a “vivência” com os novos parceiros
privados.
Especialistas,
na época, questionaram esse argumento, lembrando que o caminho para
modernizar uma empresa é profissionalizar sua gestão, abrir seu capital e
prestar contas com cobrança de resultados.
Mas, no
fim, essa foi a solução para o governo, que privatizou na primeira leva
de fevereiro de 2012 os terminais de Guarulhos, Viracopos e Brasília. No
fim de 2013 foi a vez do Galeão, no Rio, e de Confins, em Belo
Horizonte. Sempre mantendo um forte braço estatal.
Bom,
passados dois anos da nova gestão dos primeiros aeroportos privatizados,
muita coisa mudou. Brasília já inaugurou seu primeiro novo terminal,
moderno e com “cara” de primeiro mundo. Guarulhos e Campinas viverão
esta experiência nas próximas semanas.
Talvez o
prazo não seja o ideal, pois a maior parte dos voos só serão de fato
transferidos para as novas estruturas depois do apito final da Copa. Mas
esse atraso não parece nada perto do que ocorre nos aeroportos
Infraero.
Nas
outras cidades sede da Copa, nada mudou. Será a Copa dos tapumes nos
aeroportos. Obras estão atrasadas de forma escandalosas, sem que ninguém
seja punido, a diretoria da estatal continua a mesma. Pelo atual ritmo,
os terminais Infraero não ficarão prontos tão cedo.
Voar, na
maioria das cidades do país, ainda é um suplício e uma experiência de
desrespeitos em série ao código de defesa do consumidor. A Infraero não
aprendeu, mas ensinou ao Brasil que o estatal é ruim e só há esperanças
no privado. Era isso que o governo Dilma queria, afinal? (O Globo).
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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