Indústria do petróleo aumentou renda e busca por novas habitações.
Mão de obra, porém, é insuficiente e pouco qualificada.
Jociano, Luiz e Luiz Maurício: não falta trabalho na construção (Foto: Lilian Quaino/G1)Nascimento Júnior trabalha na construção de um condomínio residencial na área nobre de Pelinca, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, onde a construção civil vem puxando para cima os indicadores da indústria – e tornando a mão de obra qualificada um item escasso.
A atual riqueza da cidade vem da produção do petróleo, que elevou a massa salarial dos moradores e incentivou a migração, fazendo explodir a demanda por novas habitações, segundo a Firjan.
Obras de prédios residenciais, muitos de alto padrão, de prédios corporativos e hotéis "pipocam" pela cidade, e engenheiros e mestres de obras sofrem com a falta de mão de obra. Motivos: a falta de qualificação dos candidatos e a concorrência com obras de grande porte como o superporto do Açu, megaempreendimento do empresário Eike Batista que, com a crise nas empresas do grupo EBX, reduziu o ritmo das obras, mas não chegou a parar.
Edifício em construção na Pelinca(Foto: Lilian Quaino/G1)
A cidade hoje emprega 11,4 mil trabalhadores com carteira assinada na construção civil, segundo o presidente do sindicato do setor, José Carlos Eulálio. Dez anos atrás, diz ele, eram 7,2 mil.
Escassez
Mas a oferta de mão de obra é insuficiente e, em boa parte, com baixa qualificação.
"As obras não param. O problema é a mão de obra. Estamos importando trabalhadores de vários estados, do Nordeste, até paraguaios e uruguaios. Isso nos preocupa. Estamos tentando corrigir isso oferecendo cursos de qualificação em parceria com institutos técnicos, com a Secretaria de Trabalho e Renda e com as próprias empresas", diz Eulálio.
"Hoje um pedreiro, no porto ou no prédio, não chapa mais massa com a colher. Hoje tem máquina para injetar a massa, mas os trabalhadores não sabem manejar o maquinário. Estão adquirindo essa atualização aos poucos", disse.
Qualificar a mão de obra é um desafio e uma meta da Secretaria de Trabalho e Renda de Campos, segundo a diretora-geral, Andrea Soares Manhães. Segundo explica, a herança e as tradições da época dos grandes canaviais deixou a população rural sem muito estímulo para modernizar-se.
"Estamos tentando implantar nessa população o sonho de poder evoluir para além da agricultura primitiva", explica. "A demanda por mão de obra para offshore e construção é absurda. Mas também qualificamos aqueles que buscam o primeiro emprego, as donas de casa que cuidam de filhos e netos”.
O engenheiro de obra Silvio Araújo confirma que a demanda por mão de obra é grande. "Além da falta de qualificação, há a concorrência com o Porto do Açu. Os mestres de obras e engenheiros trazemos do Rio de Janeiro", disse.
Thiago da Silva Santos (de verde, ao fundo), diz querenda chega a R$ 4 mil por mês
(Foto: Lilian Quaino/G1)
A alta demanda eleva os salários: um servente começa com cerca de R$ 900 na carteira, mas com horas extras pode chegar a ganhar R$ 2 mil, afirma o sindicalista. O salário de um pedreiro começa em R$ 1.600, o de um soldador simples, R$ 2.300, e o soldador mais qualificado, R$ 4 mil.
Segundo Eulálio, o sindicato recebe por dia de 70 a 80 currículos e os candidatos em geral conseguem o emprego.
"Estou em Campos há dois anos, nunca fiquei sem emprego nem tive dificuldade de achar trabalho. Não fiz curso, aprendi carpintaria na obra mesmo", diz o pernambucano Thiago da Silva Santos, de 24 anos, que trabalha nas obras de um hotel no centro da cidade. Ele diz que seu salário registrado é de cerca de R$ 1,2 mil, mas os trabalhos extras que faz elevam a renda a até R$ 4 mil por mês.
Luiz Maurício Campos, de 31, anos, é gancheiro (maneja elevadores), função para a qual fez curso, e ganha R$ 1,130. "Mas com hora extra chega a R$ 1.300. Nunca teve dificuldade em achar emprego", disse.
Já o colega Jociano da Conceição Cispim, de 37, sempre foi servente, nunca teve problema para achar emprego e espera a promoção a carpinteiro para ganhar mais. "Sou servente e me especializei em carpintaria. Estou apenas aguardando um certificado para assumir uma nova função", contou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário