Brincadeira, que acontece há 46 anos no município, atrai visitantes.
Aproximadamente dois mil cavaleiros participam do casamento.
Noivos do casamento matuto a cavalo, em Pesqueira (Foto: Katherine Coutinho/G1)
Minervino Osório e Adecy Leal são os anfitriões dafesta (Foto: Katherine Coutinho/G1)
Para receber os convidados, a casa é toda enfeitada. "A gente se prepara o ano todo, mas uma semana antes começa a organizar tudo. É muito trabalho, fazemos as flores de papel para enfeitar os cavalos, os brindes para quem vem, fora a comida", detalha Oneide Leal, que admira o amor do pai pelo evento. "Ele acorda cinco horas da manhã e vai até tarde da noite, para tudo ficar perfeito", entrega a filha.
Um dos postos mais disputados nesse casamento fictício é o de noiva. "Toda noiva que casa no meu casamento matuto, acaba casando de verdade depois", confidencia Minervino. No ano passado, a noiva foi uma das filhas do aposentado, Osineide Leal. "Eu quero casar. Ano que vem vou ser noiva de novo para garantir", brinca Osineide.
A noiva deste ano foi uma das sobrinhas do organizador da festa, Maria Amália Santos. "Eu já casei uma vez, mas separei. Agora quero casar de novo, mas quero outro noivo. Estou aberta a convites", avisa Maria Amália. "A gente vai se revezar no posto até casar", diz Osineide.
Festejo reúne aproximadamente dois mil cavaleiros (Foto: Katherine Coutinho/G1)A cerimônia é marcada por muita irreverência, arrancando risos de quem acompanha. A apresentação tem direito até a noivo fujão, padre gago e noiva desesperada para casar. "É sempre divertido, a gente se distrai", conta a noiva Maria Amália.
A aposentada Maria Isabel Lopes D'ario veio do Guarujá, em São Paulo, para conferir o casamento. Fã do São João tradicional e familiar de Pesqueira, ela trouxe neste ano a sobrinha de Brasília, Carmelina Neta Carvalho Rodrigues, para ver a festa. "Vim só por causa do casamento matuto a cavalo, nunca vi uma coisa dessas. É espetacular", elogia Carmelina.
Tradição
Quem vai um ano ao casamento matuto, acaba voltando em outros. Ao menos, é o que entrega o autônomo Diogo Melo. "Eu vim a primeira vez só para ver como era, mas acabei gostando e venho todo ano", conta Diogo. O mesmo aconteceu com os primos José Apolo Cavalcanti e José Genildo da Silva. "Depois que comprei um cavalo, comecei a vir e não deixei mais", explica José Genildo.
Vinda da tribo de índios Xucuru de Pesqueira, Maria Damina Pereira é uma das que também não perde um ano. "É sempre animado, eu acho uma tradição muito bonita. É um prazer poder participar, quanto mais você vem, mais você quer vir", acredita Maria Damiana.
Antônio Cesário mora em Sanharó, também no Agreste pernambucano, e faz o percurso até a cidade vizinha todos os anos a cavalo. "Adoro cavalgadas, não tem muito tempo, fiz uma de 25 quilômetros até São Bento do Una", conta Antônio, que vai sempre acompanhado do filho, Kêba Cesário, e dos netos, Kauê, de 8 anos, e Kainã, de apenas três, o mais novo dos cavaleiros na festa. "Fazendo chuva ou sol, eu venho. Os meninos adoram também, vem sempre comigo", conta Kêba.
Fábio Guilherme canta toada para os cavaleiros(Foto: Katherine Coutinho/G1)
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