O ex-presidente do STF criticou a "clara atitude de vassalagem" do general Paulo Sérgio ao chefe na pressão "cínica" sobre a Justiça Eleitoral. Coluna Radar, da Veja:
Joaquim
Barbosa foi ao Twitter na madrugada desta quinta-feira para comentar
uma declaração do ministro da Defesa, o general Paulo Sérgio Nogueira, durante audiência pública na Câmara, nesta quarta.
“Convido
as pessoas com um mínimo de conhecimento da trágica histórica política
brasileira a um exame sereno e lúcido da frase do ministro da Defesa, um
general que faz parte do grupo de auxiliares do primeiro escalão do
Presidente da República: Disse o general Paulo Sergio Nogueira: ‘As
Forças Armadas estavam quietinhas em seu canto e foram convidadas pelo
TSE…'”, escreveu o ex-presidente do STF para os seus mais de 550 mil
seguidores.
Passado o prólogo, veio a artilharia pesada contra a atuação do general, que segue a cartilha do presidente Jair Bolsonaro,
o “chefe supremo das Forças Armadas”, quando se arvora a questionar a
confiabilidade do processo eleitoral e das urnas eletrônicas.
“Ora,
general, as Forças Armadas devem permanecer quietinhas em seu canto,
pois não há espaço para elas na direção do processo eleitoral
brasileiro. Ponto. Insistir nessa agenda de pressão desabrida e cínica
sobre a Justiça Eleitoral, em clara atitude de vassalagem em relação a
Bolsonaro, que é candidato à reeleição, é sinalizar ao mundo que o
Brasil caminha paulatinamente rumo a um golpe de Estado. Pense nisso,
general”, escreveu Barbosa.
Para
concluir, ele destacou um “aspecto importantíssimo, que singulariza o
Brasil no concerto das democracias”: o fato de o país ter um ramo da
Justiça, independente, “concebido precisamente para subtrair o processo
eleitoral ao controle dos políticos”.
“E dos militares de casaca, claro”, arrematou o ex-ministro do Supremo.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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