Hoje se fala muito em ensinar respeito à diversidade, mas que profissionais praticam mais a tolerância do que elas? Luiz Felipe Pondé via FSP:
O mundo corporativo sempre fala coisas como "pensar fora da caixa", "inovação", "disrupção", "soft skills".
Claro, é tudo meio embromação, porque se você pensar mesmo "fora da
caixa", estará na rua antes de chegar aos 50 —quando estará de fato na
rua.
Queria
fazer uma proposta "fora da caixa" para o mercado de consultoria.
Fala-se muito em ensinar respeito à diversidade, tolerância, "soft
skills", e toda uma gama de valores que seriam fundamentais no novo
mundo lindo que estamos construindo pelas mãos do marketing de causas.
Que
tal lançar as garotas de programa como consultoras de negócios e
comportamento? Fala a verdade, existe profissional que pratica mais a
tolerância? A casa onde elas trabalham não era chamada, por nossos
ancestrais, que entendiam das coisas muito mais do que nós, de casa de
tolerância? Por que será? Pense, e se não encontrar a resposta, procure
no Google.
Não
me refiro a Madalenas arrependidas, nem a profissionais do sexo que
dizem por aí que são oprimidas. Refiro-me às profissionais que são
bem-sucedidas na carreira. Enfim, as que gostam do que fazem
Tampouco
me refiro à ideia de que estas jamais sonhariam em ter família e
filhos. Hoje não estou a fim do blá-blá-blá —aliás, nunca estou.
A profissão mais velha do mundo —a segunda, segundo o grande Paulo Francis, seria o jornalismo— tem a consistência da permanência, expressão que está na moda entre inteligentinhos que identificam Bernie Sanders como exemplo.
De
onde vem essa consistência da permanência no caso das garotas de
programa? Salvam casamentos? Diminuem o estresse? Aliviam a solidão?
Elogiam infelizes e brochas? Acolhem o choro envergonhado? E tudo por um
preço fixo sem taxas e impostos. Conhece algum negócio mais reto?
Imagino
que minha ideia não seria tão bem recebida no meio corporativo. As
colaboradoras, fora as que curtem as meninas, provavelmente diriam que é
machismo, patriarcalismo, assédio, enfim, usariam todas as palavras da
moda que existem para cortar o barato do pensamento público.
Imaginem
o que elas poderiam nos ensinar sobre a microfísica do poder e da
corrupção no país e no mundo? Alguém imagina algum método mais seguro de
garantir a corrupção do que o investimento nas velhas obsessões
humanas? Muito mais "soft" do que chantagens, e com pitadas de enorme
prazer.
Você
acha que uma CPI resistiria aos depoimentos dessas meninas? Só o charme
delas deixaria os senadores-consumidores de quatro, embebecidos pela
beleza candidata a salvar o mundo.
Nada
como uma prática que atravessa a geografia, a história, a filosofia, a
religião, a política e mesmo as ciências. Em meio à peste, pessoas se
arriscam por breves momentos na companhia dessas sacerdotisas da
natureza humana.
Dezenas
de artigos seriam escritos contra a proposta, quem sabe até
manifestações na avenida Paulista a favor da liberdade sexual e contra
aquelas que a praticam há milênios. Essas garotas são a prova de que a
hipocrisia é a substância da moral pública.
As
revoluções industriais, a inteligência artificial, enfim, toda e
qualquer inovação ou disrupção cai de joelhos diante de tamanho fato
sociológico, inegável.
Querem uma inovação mais radical nos currículos de humanidades em todas as faculdades do mundo?
Uma
disciplina ensinada por elas cujo título seria Ética da Tolerância e
cuja ementa seria "o mercado do sexo garante práticas ancestrais, 'soft
skills' e inovações comportamentais que resistem as crises de mercado e
geram sucesso em todos os ecossistemas de negócios".
Até
as guerras se dobram à mais velha profissão do mundo: essas
profissionais são espiãs dos dois lados, salvam vidas, denunciam
criminosos.
Mesmo as religiões têm um lugar guardado para elas. Não é à toa que o ancestral poema das aventuras de Gilgamesh, da Mesopotâmia, dá a elas um papel formador na vida dos grandes líderes quando jovens.
Essas
garotas são a prova cabal de que a vida das paixões tem um lugar
especial no coração dos sentimentos morais, sejam eles alegres ou
tristes.
Boa semana e lembre que ainda existe alguém que tolera você no mundo. Quem for puro de pecado, que atire a primeira pedra.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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