São José, 24 de junho de 2021 (IICA). A
agricultora brasileira Simone Silotti, criadora de “Faça um bem
Incrível” – projeto que associa agricultores e instituições que
colaboram com pessoas vulneráveis – receberá o prêmio “A Alma da
Ruralidade”, que o Instituto Interamericano de Cooperação para a
Agricultura (IICA) outorga a Líderes da Ruralidade das Américas.
O
prêmio é parte de uma iniciativa do organismo especializado em
desenvolvimento agropecuário e rural para prestar reconhecimento a
homens e mulheres que deixam rastro e fazem a diferença no campo da
América Latina e do Caribe.
Além
de receber como reconhecimento o prêmio “A Alma da Ruralidade”, os
Líderes da Ruralidade destacados pelo IICA serão convidados a participar
de diversas instâncias assessoras do organismo especializado em
desenvolvimento agropecuário e rural.
“Trata-se
de um reconhecimento para os que cumprem o duplo e insubstituível papel:
o de avalistas da segurança alimentar e nutricional e o de guardiões da
biodiversidade do planeta por sua atuação na produção em qualquer
circunstância. O reconhecimento, além disso, tem a função de promover
exemplos positivos para as zonas rurais da região”, disse o
diretor-geral do IICA, Manuel Otero.
Com
essa iniciativa, o IICA trabalha para que o reconhecimento facilite
vinculações com organismos oficiais, da sociedade civil e do setor
privado, para a obtenção de apoio para as suas causas.
“Falamos
de pessoas cuja pegada está presente em cada alimento que consumimos
onde quer que estejamos, em cada lote de terra produtiva e nas
comunidades em que elas e as suas famílias vivem. São homens e mulheres
que deixam rastro e são a alma da ruralidade porque produzem, plantam,
colhem, criam, inovam, ensinam e unem”, afirmou o Diretor Geral do IICA,
Manuel Otero, ao lançar a iniciativa.
“São
pessoas que encarnam lideranças silenciosas que é preciso visibilizar e
reconhecer. São, sobretudo, exemplos de vida. Porque transformam,
superam adversidades e inspiram”, acrescentou.
O
IICA trabalha com as suas 34 Representações nas Américas na escolha dos
primeiros #Líderesdelaruralidad. Os resultados da primeira etapa da
iniciativa serão apresentados ao Comitê Executivo do IICA, uma das
instâncias de governo do Instituto.
Simone
Silotti: uma agricultora que trabalha para associar pequenos produtores
e instituições a fim de garantir alimentação aos mais vulneráveis
Brasília. Filha de agricultores, Simone Silotti passou a infância no campo até os 12 anos, quando se mudou para a cidade.
O pai
dela tinha perdido a propriedade rural e precisou se mudar com a mulher
e os cinco filhos para a populosa Região Metropolitana de São Paulo,
onde alugou uma casa e começou a trabalhar como pedreiro para manter a
família. Um infarto acabou prematuramente com a vida de Mário Silotti
aos 53 anos.
Simone
relata que seu pai andava desgostoso porque “fora do campo não se
encaixava”. A família ficou na cidade, e a quarta e única filha de Mário
concluiu, por insistência dele, o curso de Estudos Sociais e começou
uma carreira como pesquisadora. “Ele insistia muito em que os seus
filhos estudassem”, afirma.
Aos
46 anos, separada e com dois filhos, Simone cedeu à nostalgia que
sentia pela vida rural e convidou os irmãos a estabelecerem uma
sociedade para retornar à zona rural.
“A minha
infância foi a etapa mais bonita da minha vida. Tínhamos grande
abundância. Havia de tudo: mexericas, garapa de cana, açúcar mascavo,
ovos e tudo o que a minha mãe fazia. Fora essa abundância de comida,
carecíamos de tudo o mais, mas sempre senti saudade do passado”.
Os
irmãos embarcaram na aventura, e a família comprou uma propriedade de
24 mil metros quadrados no distrito de Quatinga, Mogi das Cruzes, cidade
localizada a 90 km de São Paulo e um dos 39 municípios que formam o
cinturão verde da sua Região Metropolitana e garantem a segurança
alimentar de mais de 16 milhões de pessoas.
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