Instituição revisou para cima a previsão do Produto Interno Bruto brasileiro devido à melhoria no mercado
de trabalho e ao aquecimento do setor de serviços no primeiro semestre. Indústria deve crescer 0,2%
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta crescimento de 1,4% para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil neste ano, de acordo com o Informe Conjuntural
do 2º trimestre. O percentual se aproxima da previsão de alta de 1,2%
feita em dezembro de 2021, antes da guerra na Ucrânia e do agravamento
da pandemia de Covid-19 na China, que pressionaram preços e adiaram as
expectativas de normalização das cadeias globais de produção. Esses
fatores levaram a CNI, em abril, a prever uma expansão da economia
menor, de 0,9%. No entanto, o primeiro semestre de 2022 tem sido marcado
por um bom desempenho da atividade econômica no Brasil, com melhoria no
mercado de trabalho e o aumento da demanda do setor de serviços.
O
gerente-executivo de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, explica que o
setor de serviços surpreendeu positivamente no primeiro trimestre. A
indústria registrou altas moderadas da produção ao longo do primeiro
trimestre, pouco acima do previsto, com maior dinamismo em setores
ligados a commodities. “Os dados do segundo trimestre disponíveis até o
momento permitem esperar continuidade desse bom desempenho”, explica o
economista.
Uma
série de impulsos ajudam a explicar o desempenho favorável da atividade
econômica na primeira metade de 2022. A recuperação do mercado de
trabalho segue firme, com o emprego em elevação desde 2020, totalizando
97,5 milhões de pessoas ocupadas, maior ocupação desde o início da
série, em 2012. O rendimento médio real também vem crescendo, a despeito
da inflação elevada. Revisamos nossa expectativa de taxa de desemprego
média no ano, de 12,9% para 10,8%, e o crescimento da massa salarial
real, de 1,4% para 1,6%.
Antecipação do 13º salário e liberação do FGTS aqueceram economia no primeiro semestre
Mário
Sérgio enumera alguns fatores transitórios que também contribuíram para
um desempenho melhor no primeiro semestre. São eles: adiantamento do
13º salário para aposentados e pensionistas do INSS; liberação de saques
do FGTS; retomada do pagamento do abono salarial; e aumento das
transferências diretas de renda.
Dessa
forma, a CNI revisou também as projeções para o PIB da Indústria e de
Serviços. Além do aumento da massa salarial, o setor de serviços também
tem sido beneficiado pela normalização pós-pandemia de serviços ligados à
mobilidade. Assim, a projeção de crescimento passou de alta de 1,2%
para alta de 1,8%. A Indústria, por sua vez, segue enfrentando
dificuldades, mas a projeção de PIB industrial passou de queda de 0,2%
para alta de 0,2%. A revisão da Agropecuária foi no sentido inverso, com
previsão de estabilidade (0%), ante alta de 1,3%. O recuo ocorre devido
aos efeitos do clima adverso no início do ano para a soja, que foram
mais intensos do que o previsto.
Selic deve encerrar o ano em 13,75%
A
inflação por todo o mundo surpreendeu negativamente na maior parte do
primeiro semestre. No Brasil, a CNI revisou para cima a previsão de
inflação (IPCA) para 2022, de 6,3% ao ano para 7,6% ao ano, mesmo
considerando o significativo impacto da redução do ICMS de combustíveis
(gasolina, diesel e etanol), energia elétrica, telecomunicações e
transporte coletivo. Por conta disso, a taxa de juros Selic foi elevada
para além de das expectativas do primeiro trimestre, com a expectativa
de mais uma elevação em agosto, que levaria a taxa para 13,75% ao ano
até o fim de 2022.
Nenhum comentário:
Postar um comentário