Especialistas debatem a viabilidade de tecnologias emergentes
São Paulo, novembro de 2021 – No quarto e último dia do Futurecom Digital Week, foi a vez de dar espaço para debates latentes sobre Edge Cloud Computing, redes fixas (FWA) na era 5G, além da Integração do 5G e Inteligência Artificial das Coisas (AIoT).
Na webinar “Integração 5G e Inteligência Artificial das Coisas (AIoT): Criando Negócios Inovadores”,
os debatedores se preocuparam em expor as possibilidades de novos
modelos de negócios com a chegada das novas frequências da telefonia
móvel, que permitem inovação e criação de aplicações ainda impossíveis
atualmente.
O moderador André Miceli, CEO e editor-chefe do MIT Technology
Review, comentou as inúmeras possibilidades em setores como
agronegócios, indústria 4.0, saúde e entretenimento com aumento de
produtividade, diminuição de custos e muito mais qualidade de vida.
No setor da produção industrial, AIoT se traduz na
conectividade inteligente que pode otimizar operações fundamentais como
coleta de informações por imagens e sensores para análise e controle
de erros operacionais, prevenção de falhas ou detecção de perdas como
explicou Hugo Ramos, Chief Regional Technologist Latin America da
Commscope.
Do ponto de vista do acesso à tecnologia e seus benefícios, a
discussão enfatizou a democratização de aplicações a todas as camadas
da população. Para Rodrigo Duclós, Chief Digital Officer da Claro, “a
estrutura de acesso em banda larga sem fio será democratizada e os
serviços ganham com a escala, o que será benéfico para todos da
indústria e a população”. Duclós explica que a baixa latência das novas
redes somada à computação de borda vai exigir devices mais simples e
baratos. “Teremos oportunidades de oferecer serviços inovadores em
várias verticais de mercado como agronegócios, games, saúde, indústria
4.0. O recurso do metaverso será realidade e vai proporcionar
experiências que ainda não tivemos.”
Saúde e privacidade
A qualidade de vida e o bem-estar foram o foco de Fabricio
Campolina, diretor regional América Latina de Healthcare Transformation
na Johnson & Johnson. A coleta de informações dos sinais vitais
das pessoas para se transformarem em dados inteligentes no controle da
saúde já teve início com alguns gadgets atuais, mas, para ele, esse
recurso será somado a consultas e procedimentos realizados via
telemedicina, que ganhará uma capacidade imensa com as facilidades do
metaverso. “Imaginem a sensação tátil numa consulta à distância”,
projeta Campolina.
A verdadeira avalanche de dados gerados e trafegados, além da
infinidade de serviços e aplicações disponíveis, necessitarão de redes
que operem em nuvem híbrida e com camadas de segurança mais rígidas
daqui para frente. Afinal, a população está preocupada com a
privacidade de dados. De acordo com Marco Righetti, Cloud Solution
Senior Director da Oracle, “os provedores de nuvem devem aprimorar-se
nas certificações de segurança”. “Mas há um alinhamento de iniciativa
privada e do poder público nesse sentido, há uma ética de dados, não
estamos partindo do zero, a exemplo da LGPD.”
Edge Cloud Computing
O Edge Computing promete ser a tecnologia que vai liderar e
revolucionar setores variados da economia dos mais diferentes portes,
viabilizando produtos e serviços inovadores e criando muitas
oportunidades de negócios. Especialistas discutiram essas possibilidades
e como ele vai impulsionar novas aplicações aliado ao 5G, que deve
chegar nos próximos anos, durante a palestra “Edge Cloud Computing e seu Papel como Habilitadora da Novas Arquiteturas de TI”.
O evento online foi mediado pela jornalista Solange Calvo e teve as
presenças de Diuliana França, diretora de Serviços Cloud B2B da
Embratel; Jorge Stakowiak, diretor de TI e Infraestrutura da DASA;
Livio Silva, arquiteto chefe Americas da Vertical Comunicações Red Hat e
Roberto Corrêa, especialista em Tecnologia para Redes e
Telecomunicações da Intel.
Quando uma nova tecnologia ganha corpo entre as empresas e
usuários, pode parecer que ela pode conflitar com as que as pessoas já
estão habituadas a usar, mas Diuliana França destaca que isso não deve
acontecer neste caso. “São tecnologias que se complementam: o Edge leva
o dado para ser processado na borda, mais perto do consumidor e do seu
gerador de dados. Hoje qualquer tipo de dado precisa ser transportado
para uma estrutura central, seja um Data Center privado ou de um
provedor ou ainda uma estrutura de Cloud Centralizada e isso é oneroso e
gera custos, inviabilizando uma série de aplicações que, com Edge, a
gente espera que sejam alavancadas. Tudo vai depender da estratégia de
negócios em cada caso, mas ela vem para complementar”, detalhou a
especialista.
Roberto Corrêa reforça que, de fato, os custos de operação
devem ser relevantes para o uso do Edge Computing. “A integração do
Edge difere dos padrões de rede em telecomunicações e o custo-benefício
são relevantes. Traz os mesmos benefícios para o usuário final e
clientes corporativos”, comentou. “A combinação do Edge com o 5G, que
está com sua estruturação em andamento, conforme um estudo feito pela
Intel que traz algumas projeções, deve culminar num ponto de inflexão
em 2025, marcado pela movimentação de US$ 3 trilhões no PIB global.
Esse impacto econômico será reflexo das soluções e aplicações
revolucionárias que chegarão ao mercado como novos serviços e
produtos”, explicou ele. Livio Silva concorda e dá um panorama de como
essas mudanças já são esperadas por diferentes analistas em todo o
mundo. “O impacto na economia mundial é grande e vai crescer
rapidamente. A taxa de crescimento anual ligada a essas tecnologias é
de 25%. Este ano o Fórum Econômico Mundial fez uma projeção semelhante,
em torno de US$ 3,5 trilhões, com expectativa de criação de novos
empregos e de um novo mercado nos próximos anos ligados a sistemas de
TI e criações de Data Centers em todas as verticais da Indústria 4.0”,
acrescentou.
Toda essa arquitetura reflete do outro lado do balcão, segundo
pontuou Jorge Stakowiak, diretor de TI e Infraestrutura da DASA,
empresa do ramo de Saúde. “Se olharmos as necessidades hoje em dia,
verificamos que já acontecem na ponta e com o Edge será possível
melhorar esse tipo de relação e solução. Dispositivos como relógios e
outros wearables que medem sinais vitais já trazem impactos na
sociedade e será possível acelerar ainda mais esses diagnósticos, que
ficarão mais precisos”, acredita ele. “A medicina preventiva fica ainda
mais acelerada nesse sentido porque hoje os custos inviabilizam isso,
mas isso deve mudar com a criação de soluções no ecossistema
hospitalar, de diagnóstico e cuidados integrados. A integração dessas
tecnologias vai contribuir absurdamente para a Medicina, que vai evoluir
como indústria nos próximos 5 a 10 anos de forma acelerada numa
disrupção muito grande”, prevê Stakiwiak.
De acordo com os palestrantes, o papel dos provedores nesse
ecossistema e redesenho será fundamental. Para Diuliana, após a
explosão do cloud computing e do 4G que possibilitaram acesso a
inovações de serviços na palma da mão que levaram à criação de empresas
como Uber e AirBnb e outras, ou seja, a digitalização dos serviços, o
próximo passo é a digitalização da indústria. “Sairemos de soluções em
laboratórios e experimentos que têm alto custo para uma escala maior e
com custo mais baixo relativamente em segmentos como agroindústria,
medicina automatizada, indústria 4.0 e cidades inteligentes. É um mundo
de oportunidades e de transformação digital”, conceitua a diretora da
Embratel. Os pontos de contato e de logística deverão ser ampliados com
base no conhecimento que as empresas já têm com base no mundo Cloud,
explica Roberto Corrêa, da Intel. “Quando falamos de infraestrutura de
edge integrada na rede, há preocupação com protocolos do ambiente de
telecomunicações devido ao volume gigante de dados processados em
ambiente virtualizado. Hoje existe vulnerabilidade, mas muita
preocupação com segurança. Novas aplicações devem surgir até 2025, ano
do ponto de inflexão citado. Métodos estão sendo delineados e a
indústria já trabalha firmemente para controles de segurança mais
especializados, com muito investimento”, destacou Corrêa.
Toda a tecnologia envolvida nessa evolução brilha aos olhos,
mas os profissionais do evento não deixaram de mencionar um ponto
preocupante e, ao mesmo tempo importante, para viabilizar tudo o que é
esperado no futuro: uma mão-de-obra qualificada, que está em falta no
Brasil e é um problema real do mercado de TI. Jorge Stakowiak, da DASA,
conta que verifica isso no seu dia a dia e que vem sendo um desafio. “É
importante atrair mão-de-obra qualificada de especialistas e ao mesmo
tempo investir na formação das 'categorias de base' com parcerias,
investimentos e expandir o mercado além dos grandes centros, pois há
pessoas qualificadas e em busca de oportunidades em todo Brasil até
porque a pandemia acelerou o processo e provou que com a tecnologia
pode-se trabalhar remotamente”, pontuou ele.
Apenas 55,7% dos domicílios brasileiros possuem acesso à banda larga fixa
O painel “Definindo as futuras gerações de redes fixas (FWA) na era 5G”, moderado por Marco Canongia, sócio-diretor da Lumicom Tecnologia e Inovação, começa
com informações do mercado brasileiro, considerando os números de
Julho/2021, em que foram registrados 39,4 milhões de banda larga fixos,
contra 246,8 milhões de terminais móveis – ou seja, o número de
acessos banda larga fixa no Brasil é 6,3 vezes menor que os acessos
móveis, enquanto em termos globais o número de acessos banda larga é da
ordem de 3 vezes menor que os acessos móveis. A infraestrutura local,
as áreas de difícil acesso, a regulamentação e o trade-off entre custo
de rede e viabilidade econômica do serviço são parâmetros importantes
para alavancar o apetite empresarial por investimentos no FWA - acesso
sem fio em banda larga - com o advento do 5G, que permite competir com
as fibras ópticas em velocidade e performance.
Para Vicente Aquino, Conselheiro da Anatel, o
FWA é uma ferramenta importante para diminuir a desigualdade digital. É
uma tecnologia que reacende com a chegada do 5G, “É um mercado que
pode se alavancar, crescer e a tendência é de amadurecer essa
tecnologia, neste momento em complementação da fibra óptica, naqueles
locais exatamente onde não possa haver a chegada da fibra por alguma
razão. Eu vejo como uma possibilidade de um amadurecimento com a 5ª
geração de tecnologia.”
Outros dados trazidos pelo conselheiro são que segundo o GSMA,
atualmente de 1% a 2% dos acessos de rede fixa no mundo são de FWA, e a
Calltem Point Consulting, de maneira otimista, diz que em 2030 esse
número pode chegar a 36% dos acessos de internet. Sobre as
regulamentações da Anatel para o FWA, comenta que a Anatel, apesar de
adotar a neutralidade tecnológica, ela deixa o mercado livre para
escolher as soluções técnicas mais apropriadas para os modelos de
negócios dos provedores de internet.
Igor Chambon, Diretor executivo de operações da Sky diz
que “O FWA é importante para levar internet onde ainda o acesso não é
fácil ou não disponível, principalmente em regiões mais afastadas.”
Dentro dos cases de negócios, o FWA pode ser uma forma de chegar em
regiões afastadas, consolidar o mercado, e transferi-lo para a fibra
óptica quando disponível. O diretor da Sky também levanta o alto custo
de implementação de antenas. Diz que há movimentos do setor para
infraestruturas neutras, para que as operações mais eficientes possam
se posicionar na ponta para os clientes, dividindo essas infraestruturas
entre, por exemplo, três grandes operadoras, e que seria interessante
ver essa discussão também para o FWA. Conclui dizendo que o FWA pode
ser usado como modelo complementar – de back-up, como modelo de opção
para consumidores que ainda tem acesso à internet de uma velocidade de
alta capacidade, e modelos mistos, em que a operadora vai ter a opção
de fibra em uma localidade e FWA em outras, tendo um conjunto econômico
que seja viável atender cada vez mais a população.
Na visão do Anthony Magee, Senior Director Business Development da ADVA, o
FWA não compete com a fibra óptica, sendo um modelo complementar.
“Olhando além do terminal FWA, uma vez dentro da casa dos consumidores,
o FWA pode ser visto como uma extensão do mecanismo de transporte. Ele
te coloca dentro do prédio, e uma vez no prédio, é levar o 5G nas
bandas mais baixas, em que a performance dentro do prédio pode não ser
tão elevada.” Comenta que para a comunicação entre máquinas na
indústria, “a mensagem que temos ouvido é de as empresas privadas
gostariam de ver algo mais robusto e ‘classe de operadora’ além da sua
infraestrutura de Wifi já existente para trazer o 5G”, mas que os
maiores business cases são em áreas rurais, em que normalmente é
difícil escavar para instalar a fibra.
Helio Oyama, Director product Management da Qualcomm enxerga
que mesmo nas regiões onde já existem soluções cabeadas de fibra,
existe a oportunidade de uma alternativa de internet back-up, em que o
FWA pode ser o serviço de redundância, tanto para usuários
corporativos, quanto para residenciais. “O 5G vai aumentar de forma
significativa a velocidade de transmissão de dados e podendo oferecer Gb
por segundos, equivalente às velocidades que temos hoje em fibra.” A
conjugação de frequências baixas e altas traz mais velocidade,
justamente por proporcionar mais banda na interface aérea, também a
ganhos de áreas de cobertura, em até 30% segundo os testes da Qualcomm.
Também alerta que uma vez que backhaul do 5G já tenha múltiplos Gb por
segundo, haverá a necessidade de que o gargalo não seja no Wifi,
demandado no mínimo o Wifi 6, e em alguns casos de ondas milimétricas, o
Wifi 6 versão estendida.
Sobre o Futurecom
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ecossistema de tecnologia e telecomunicações, apresentando soluções para
o seu negócio, por meio de conexões de comunidades, relacionamentos e
conteúdo de qualidade em todos os ambientes: digital, físico e
simultaneamente. O Futurecom conta hoje com uma base de dados
qualificada, com mais de 151 mil contatos de profissionais do setor e
diversos canais, como plataforma digital, website, redes sociais e um
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para promover marcas, lançar produtos, gerar leads qualificados e
realizar ações personalizadas para obtenção de um melhor retorno de
investimento, com mais foco e assertividade.
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