MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O equívoco sobre o Centro de Convenções, por Orlando Santos


Foto: Arquivo/Divulgação
Centro de Convenções
O novo governador do Estado se pronunciou sobre a suposta obsolescência do Centro de Convenções, construído na década de 70, no Governo Roberto Santos, devido à sua estrutura metálica, que seria inadequada devido à sua proximidade do mar. Cabem aqui algumas considerações sobre o tema. Na estrutura do Centro foi utilizado o aço COR-TEN. A denominação de COR-TEN é abreviatura de resistência à corrosão (CORrosion resistance) e resistência à tração (TENsile strength). Esse tipo de aço foi desenvolvido inicialmente nos Estados Unidos por volta de 1932.
Trata-se de um aço patinável que tem, dentre outras características, o fato de que, embora inicialmente sofra corrosão de modo semelhante ao que ocorre nos aços carbono comuns, com o passar do tempo, no aço COR-TEN a taxa de corrosão torna-se decrescente, e, após alguns anos, praticamente deixa de existir. A camada de óxido protetora presente nesse tipo de aço apresenta uma textura fina e é altamente aderente ao substrato metálico, agindo como uma barreira à entrada de oxigênio e umidade, evitando assim o prosseguimento da corrosão. Esse aço vem sendo utilizado por dezenas de décadas em pontes marítimas, mundo afora, que sofrem com salinidade muito mais elevada que aquela registrada no nosso bairro da Boca do Rio. Essas informações estão ao alcance de qualquer pessoa por meio de uma simples pesquisa no Google (http://www.infomet.com.br/site/acos-e-ligas-conteudo-ler.php?codConteudo=201).
Cadeiras cortadas, falta d’água, sanitários com ar irrespirável, sistema de ar condicionado quebrado, elevadores e escadas rolantes inoperantes, instalações elétricas e hidráulicas defeituosas, em nada se relacionam com a estrutura metálica do Centro. Tais problemas refletem a incompetência dos governos recentes em prover a adequada manutenção de um equipamento que, após quase quatro décadas de construído, ainda é uma das principais ferramentas para a atração do turismo de negócios para a Bahia. Os inúmeros eventos que poderiam ser recepcionados pelo nosso Centro de Convenções e estão migrando para outras cidades e estados trazem visitantes que gastam muito acima da média do turista comum e são formadores de opinião e divulgadores da imagem da nossa terra para o resto do Mundo.
O retrato do descaso e da negligência pode ser obtido por dois fatos recentes, emblemáticos, amplamente noticiados pela imprensa: a falta de água nos banheiros e o mau cheiro insuportável que constrangeu os 6.000 médicos presentes ao 55º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia e a demora de quase três anos para contratar uma simples reforma da climatização, mesmo contando com verba do Ministério do Turismo liberada por meio da CEF.
Surpreendentes (ou não) são a aparente desinformação e a abordagem primária dos problemas e das propostas de solução para assuntos tão importantes para nosso estado. Se o Centro de Convenções “já deu o que tinha que dar”, entregamos para alguém que “deve botar aquilo no chão” e vamos construir outro! Pensassem dessa forma todos os governantes baianos, o Palácio Rio Branco, o Palácio da Aclamação, o forte de São Marcelo e o Farol da Barra já teriam ido ao chão porque, afinal, já não tem serventia para os seus fins há centenas de anos. Como já disse o poeta, “Triste Bahia…”
* Orlando Santos é advogado e subsecretário de Transportes de Salvador.
Orlando Santos*
POLITICA LIVRE

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