Alguns dos exemplos são VLT, COTs, Arena Pantanal e viadutos.
Pacote de 56 obras previa todas prontas a tempo do Mundial de 2014

Os contratos começaram a ser assinados ainda em 2010 pelo estado. Para isso, foi criada a Agência estadual de Execução dos Projetos da Copa do Mundo (Agecopa), com Adilton Sachetti no comando. O engenheiro civil renunciou e o governador indicou Yênes Magalhães. No ano seguinte, o ex-secretário da Casa Civil, Éder Moraes, assumiu a agência, que depois se tornou a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa). E, no fim do ano, com Moraes exonerado, o cargo passou para Maurício Guimarães, já em 2012.
Uma das primeiras obras a começar foi a Arena Pantanal. Aparentemente pronta, foi usada nos jogos da Copa. Mas, nem ela é considerada uma obra finalizada. A reforma no aeroporto que recebeu grande parte dos turistas também não está terminada, por conta de erros no projeto. Foram vários aditivos de prazo ao longo de 2014.
E, em relação às obras de mobilidade urbana, até fevereiro do ano passado, o discurso do estado era esse. "Todas as obras que foram iniciadas ou que vão iniciar nós vamos entregar ainda em 2013", declarou Silval Barbosa. Mas, em balanço após a Copa, mudou. "Quando vai inaugurar? Agora eu falo: quando ficar pronto. Porque não depende [de mim], o prazo foge do alcance do gestor", disse o governador.
Porém, além de atraso, as obras que foram entregues não estão finalizadas. De acordo com Juarez Samaniego, engenheiro do Crea-MT (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia), que fiscaliza 15 obras de mobilidade urbana, pelo menos 12 apresentaram irregularidades grosseiras. “A gente sempre esteve acompanhando e cobrando os projetos e isso nunca nos foi entregue porque, na realidade, não existia projeto. E isso está vindo à tona pela execução dessas obras, com péssima qualidade”, disse Samaniego.
Viaduto da Sefaz não chegou a ser usado por mais de seis meses no trânsito de Cuiabá após liberação. (Foto: Reprodução / TVCA)Atualmente, é realizada uma perícia contratada pela Secopa para avaliar a qualidade de todas as obras e o tempo que elas ainda devem levar pra ser finalizadas.
VLT
A construção mais polêmica, a de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é também a mais atrasada. Segundo o Crea-MT, só 30% foram feitos. O metrô de superfície é também o mais caro dos projetos de mobilidade urbana voltados para a Copa - quase R$ 1,5 bilhão. As obras relacionadas à implantação do veículo são as principais acompanhadas pelo Ministério Público estadual (MPE).
Segundo o promotor de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, faltou planejamento e a modalidade de contrato escolhida também atrapalhou. O RDC (Regime Diferenciado de Contratação), criado pelo governo federal para agilizar a conclusão de obras da Copa do Mundo, permitiu negociar com o consórcio sem que existam projetos em execução.
Ao
custo de mais de R$ 1,47 bilhão, VLT de Cuiabá não tem prazo definido
para ser entregue e transtornos à população já provocaram ação contra o
governador e as empresas responsáveis. (Foto: Edson Rodrigues / Secopa)"Todos os inconvenientes que a população passou nesses anos, em decorrência das interdições, que o comércio sofreu por ser diretamente atingido na sua organização, pelas empresa que fecharam, isso não tem como o MP buscar a tutela individual das pessoas, tem que pleiteada ser pela própria pessoa lesada. Mas, de uma forma geral, como isso atinge a coletividade, aí sim cabe ao MP agir e, em razão disso, a ação foi proposta", disse o promotor Clóvis de Almeida Júnior.
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