Julier Sebastião da Silva deixou a magistratura nesta quarta-feira (2).
Ele disse ter intenção de concorrer a eleição neste ano.
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Julier Sebastião da Silva deu entrevista nesta 5ªpara falar sobre decisão (Foto: Pollyana Araújo/ G1)
"Não é fácil ser juiz, porque muitas vezes o juiz é colocado em situações difíceis. Avalia, julga e depois sofre, como qualquer ser humano", afirmou. Ele avalia que a profissão de juiz se limita praticamente à análise do magistrado, enquanto no Executivo as decisões são executadas por várias pessoas. "Não julgo mais ninguém e agora quero ser julgado pela população", enfatizou Julier, nesta quinta-feira (3). Ele se filiou ao PMDB nesta terça-feira (2) e disse que pretende disputar vaga de governador do estado.
Ele contou que não teve o apoio da família quando decidiu deixar a função de juiz. "Minha filha não gostou", comentou. Mas, independentemente disso, o ex-magistrado disse que quis arriscar. Enquanto juiz, julgou ações contra esquemas de corrupção no estado e, quando perguntado se sentia algum tipo de constrangimento por ter se aliado a pessoas as quais havia julgado anteriormente, respondeu que não e que 'a democracia funciona assim'.
Um dos casos mais recentes em que ele atuou foi o do 'escândalo dos maquinários", como ficou conhecido o esquema que desviou R$ 44 milhões do governo do estado, na gestão do ex-governador Blairo Maggi (PR), por meio do programa 'MT 100% Integrado". No mês passado, ele condenou dois ex-secretários e Infraestrutura e de Administração do Estado a pagar multa de R$ 15 mil pelo desvio de dinheiro dos cofres públicos através da compra de 705 máquinas agrícolas para atender os municípios do interior do estado.
Natural de Chapada dos Guimarães, a 65 km da capital, ele disse ter vindo de uma família pobre e que só foi registrado no cartório da cidade quando já estava com dois anos por causa da dificuldade em sair da comunidade Rio da Casca, onde morava. Antes de passar no concurso de juiz federal, ele disse ter defendido os interesses dos trabalhadores sem-terra, quando trabalhava como advogado. "Sou a favor dos pobres e tenho lado", afirmou.
Questionado sobre o que faria de diferente caso fosse eleito governador, vaga a qual pretende pleitear, Julier destacou que investiria mais em educação e tentaria melhorar a distribuição de renda, avaliando que Mato Grosso é um estado rico, mas os seus municípios são pobres. "Oitenta e quatro por cento dos municípios do estado são pobres, sendo que temos uma atividade que praticamente sustenta a balança comercial brasileira", pontuou, se referindo ao setor do agronegócio, no qual o estado se destaca nacionalmente e internacionalmente.
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