Há muitos culpados da eleição de Jair Bolsonaro, mas a grande imprensa se destaca dentre todos eles. Sua desconexão com o mundo real se traduz numa incapacidade de compreender o pensamento do homem comum. Flavio Quintela para a Gazeta do Povo:
A grande imprensa brasileira perdeu a mão. Desaprendeu a fazer jornalismo.
Algumas
décadas de domínio quase completo sobre redações e faculdades de
jornalismo transformaram esse ofício, de suma importância para qualquer
regime democrático, em mero exercício de transmissão ideológica. O
fenômeno não é restrito ao Brasil, muito pelo contrário.
Onde
estão as grandes reportagens investigativas? Onde estão os furos
conseguidos de fontes supersecretas, fruto de carreiras dedicadas ao
desvendamento da verdade? Onde está o jornalismo sem torcida, que mantém
os olhos atentos para os atos do Leviatã?
A
preguiça tomou conta das redações. Uma leitura das principais matérias
dos principais portais jornalísticos do Brasil mostrará uma dolorosa
realidade: grande parte dos jornalistas da atualidade não passa de
usuários do Google. Há uma desconexão com o mundo real, e ela se traduz
numa incapacidade de compreender o pensamento do homem comum. Há muitos
culpados da eleição de Jair Bolsonaro, mas a grande imprensa se destaca
dentre todos eles. Durante a última campanha presidencial, apostaram vez
após vez no ataque às pautas conservadoras que Jair, então candidato,
defendia. Desperdiçaram chance após chance de encurralá-lo com questões
pertinentes e importantes. Pior que isso, toda vez que usaram suas
polêmicas para confrontá-lo, deixaram a bola quicando na frente do gol. E
todas as vezes ele marcou, e cada vez que o fez ficou um pouco mais
perto da vitória.
Há
muitos culpados da eleição de Jair Bolsonaro, mas a grande imprensa se
destaca dentre todos eles. Sua desconexão com o mundo real se traduz
numa incapacidade de compreender o pensamento do homem comum
Já
na cadeira da Presidência, Bolsonaro viu que nada mudaria. Ele pode ser
um sujeito tosco e ignorante, mas idiota ele não é. Novamente, em
diversas oportunidades, soube usar os ataques pueris em seu favor. E,
por achar ninguém que lhe fizesse uma oposição firme e inteligente, foi
aumentando o tom de estupidez para com os repórteres. Descobriu, assim,
que além de todas as falhas ligadas ao comprometimento ideológico e à
falta de compromisso para com a verdade, essa imprensa era também
chorona e vitimista.
O
episódio em que o presidente manda a jornalista Laurene Santos calar a
boca é somente um de muitos. A repórter, certamente treinada pela escola
moderna de jornalismo brasileiro, não conseguiu reagir. Sua reação era
necessária, imprescindível. O presidente-bully, que adora fazer piada
com pênis de japonês e ânus de homossexual, teve seu comportamento
reforçado mais uma vez. Bullies não ligam para repercussões a
posteriori. Não ligam se a diretora lhes colocou de castigo depois do
horário de aula. A única maneira de se deter um bully é revidando na
hora. É não se calando. No caso de Jair, é invocando os valores que ele
diz defender e esfregá-los em sua cara no momento do embate. Laurene
Santos poderia ter empostado a voz e dito “Presidente, sua truculência
não mudará em nada minha missão de informar as pessoas”. Ou então:
“Presidente, para alguém que se diz defensor da liberdade de expressão, o
senhor já extrapolou a cota de ‘cala-bocas’ há muito tempo”. Enfim,
qualquer resposta que o colocasse em seu lugar.
Acordem
de uma vez por todas. Eu sei que uma grande parte de vocês teve a mente
lavada na faculdade. Sei que acham os Estados Unidos um país malvadão
imperialista e Cuba, um sonho feito realidade. Sei que passam pano para o
PT, PSol e companhia. Sei que adoram jornalismo lacrativo, aquele do
feminismo radical, que chama aborto de “direito da mulher”.
Infelizmente, vocês já deixaram de ser jornalistas há muito tempo, se é
que um dia já foram. Os mais antigos desaprenderam e os mais jovens não
chegaram a aprender o que é jornalismo de fato.
Ainda
que vocês jamais se recuperem dessa letargia intelectual e desse viés
ideológico monumental, há uma coisa que vocês podem e precisam fazer:
aprendam a responder a esse ignorante que ocupa a Presidência da
República. Ele se alimenta da covardia de vocês. Na verdade, ele fica na
expectativa de que alguém lhe faça aquela determinada pergunta que
acabará em mais um cala-boca.
Na
minha época de escola, a reposta para um cala-boca era dada em verso.
“Cala a boca já morreu, quem manda em minha boca sou eu.” Um garoto
daquela época mostrava muito mais bravura que um jornalista chorão de
2021.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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