Alegorias criadas por parintinenses são usadas em escolas do Rio e SP.
80% dos artistas dos bois de Parintins trabalham no carnaval, diz um deles.
Esculturas feitas por artistas de Parintins são usadas em alegorias de várias escolas de samba (Foto: Pedro Gadelha/Divulgação)Rossy, atualmente é vice-presidente do Boi-bumbá Caprichoso. Mesmo assumindo um cargo de gestão no bumbá, ele consegue tempo para administrar sua equipe, composta por 30 artistas, distribuídos entre as escolas de samba Beija-flor, Mangueira, Portela, Grande Rio e São Clemente. "Não é apenas o artista. Parintins hoje conta com verdadeiros profissionais polivalentes. São projetistas em 3D, desenhistas, escultores, aderecistas. Eu já fiz 12 carnavais consecutivos, sempre fazendo as mesmas escolas", revela.
Carlos Lopes é conhecido como 'Carlinhos deParintins' nos galpões das escolas de samba
(Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)
"Seriam diferentes, mais não os mesmos. Acho que o Carnaval sem a arte parintinense já é fantástico. Com Parintins, então, é um espetáculo. Assim como o Festival de Parintins ganhou muito com o talento dos cariocas nos efeitos de iluminação, a tecnologia cabocla dos parintinenses, quase sempre, traz um destaque especial para as escolas de samba. Ver um carro alegórico estático, sem movimento não é a mesma coisa que visualizar uma alegoria articulada, com um bom revestimento, simulando quase um ser vivo. Além disso, conseguimos deixar as alegorias mais leves e reduzir o custo nos materiais cerca de 30% menos, o que faz uma grande diferença. Quando conseguimos realizar um bom trabalho, fazendo o público ser capaz de aplaudir a alegoria passando, é uma gratificação sem tamanho. Por isso agradeço sempre o espaço que as Escolas de Samba nos dão para mostramos nosso trabalho, para aprendermos e contribuirmos com a história do carnaval", disse ao G1.
Carlinhos conta que começou a trabalhar para escolas de samba em 1998. Em São Paulo, ele realizou trabalhos na Nenê de Vila Matilde, Império de Casa Verde e Acadêmicos do Tucuruvi. Já no Rio de Janeiro, começou a trabalhar em 2007 e já fez alegorias da Grande Rio, Império Serrano, Mangueira e Rocinha. Atualmente trabalha no Salgueiro.
Alegoria do artista de Parintins Rossy Amoedo em desfile da Beija-flor, no Rio de Janeiro (Foto: Pedro Gadelha/Divulgação)"Se pensarmos no aprendizado, ganhamos muito. Mas em termos econômicos, nem tanto. (...)Quando chega mais próximo ao carnaval é quando é liberado as verbas de incentivo para as escolas de grupos e blocos, a demanda por mão de obra especializada fica muito concorrida. O contrato de cada profissional varia, dependendo da sua especialidade, da experiência e de suas referências em outros trabalhos. Na nossa equipe por exemplo, um ajudante ainda em formação técnica ganha em torno de R$ 2 mil ao mês, mínimo. Dependendo do trabalho, e do tempo de execução, os valores aumentam bastante. Nos últimos anos passamos a formar nossos profissionais, trabalhando em parcerias contínuas com alguns cariocas, além de apostar em novos talentos vindos de Parintins. Jovens aos quais repassamos os conhecimentos técnicos e nossas experiências e que já começam a formar suas próprias equipes", conta Carlos.
Artista de Parintins, Emerson Pacheco, trabalha na VaiVai de São Paulo (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)
Mesmo cientes da interferência positiva no carnaval, os profissionais de Parintins acreditam que as duas festas saem ganhando com o intercâmbio entre as cidades. "O aprendizado que o carnaval me trouxe, tanto como ser humano quanto como profissional, me deu uma estrutura de como conduzir melhor as coisas. Estou como vice- presidente do Caprichoso. Esse aprendizado está sendo empregado diretamente em Parintins. Não é um retorno só financeiro ", disse Rossy.
Rossy Amoedo, coordena uma equipe de 30 pessoas no carnaval (Foto: Pedro Gadelha/Divulgação)
Nenhum comentário:
Postar um comentário