Quem precisa estar nas ruas para ganhar o pão de cada dia tem vivido com preocupação e estresse
8 horas e 2 minutos
Por Hieros Vasconcelos Rêgo
A insegurança que toma conta de Salvador tem afetado a população de maneira geral. E quem precisa estar todos os dias nas ruas para ganhar o pão de cada dia tem vivido cotidianamente com medo e alto nível de estresse: é o caso dos taxistas que rodam na capital baiana.
Não é raro esses profissionais terem que usar da ‘’intuição’’ para saber se devem fazer uma corrida ou recusá-la, diante dos riscos. No entanto, algumas vezes não adianta a recusa. O assalto acontece tão logo o passageiro aborda o veículo.
Taxista há 37 anos, com ponto atual no Campo Grande, Vandilson de Jesus Sena, 57, conta que já perdeu as contas de quantas vezes foi assaltado ao longo da profissão, mas acrescenta que este ano a quantidade e a frequência aumentaram de maneira desproporcional.
“Antigamente, e ainda é um pouco a prática, os bandidos entravam no carro, fingiam ser pessoas honestas, e enganavam a gente até a hora de dar o bote, que sempre era num local deserto e de pouco movimento de carro. Mas agora eles estão ou sados, mesmo. Já chegam apontando a arma no ponto de taxi, independente de ter outros carros ou não. A situação está insustentável. Saio todo dia de casa com minha mulher me benzendo”, conta ele.

Taxistas relatam assaltos e insegurança nas ruas; todo cuidado é pouco | Foto: Romildo de Jesus
Em julho deste ano, o presidente da Associação Geral dos Taxistas , Denis Paim, se reuniram com a Coordenação de Qualidade do Centro de Operações de Inteligência (COI) da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, Fábio Campos e Zanony Neves, para avaliarem os resultados das operações adotadas pela SSP-BA. Segundo a Associação, uma das principais estratégias que tem gerado impacto positivo é a retomada das abordagens a taxistas nas blitze.
O também taxista Mauro Costa Argolo, 45 anos, conta que parou de rodar a noite após o seu taxi ser atingido com disparos de arma de fogo por não ter parado o veículo próximo ao Extra da Avenida Paralela.
“A gente que está todo dia lidando com isso já vamos fazendo nossas estratégias. A gente sabe onde são pontos comuns. Ninguém fica do nada esperando passar um taxi. É sempre algo muito suspeito. Mas nesse dia eu não parei e estavam um homem e duas mulheres. Não parei e o bandido atirou, meu erro foi ter diminuído a velocidade, pois eu ia parar. Na hora que eu desisti, porque Deus soprou no meu ouvido. Depois disso parei de rodar a noite a pedido de minha filha que ficou muito traumatizada e preocupada. Mas as vezes, é o que resta para gente”, afirma.
Ele explica, no entanto, que tem feito de tudo para não agir de
maneira racista no seu dia a dia. “As pessoas estão muito mal
acostumadas a associar bandidos a pessoas negras, pois isso é uma
consequência do racismo estrutural. Eu não ajo assim, eu defino métodos e
infelizmente escolho sim onde entro e não entro”, conta.
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