Nunca houve tantos bilionários no mundo desde que a 'Forbes' começou a fazer sua lista famosa, na qual entrou a estrela dos reality shows. Vilma Gryzinski:
Tudo
o que elas têm é maior do que o normal, inclusive as fortunas. Agora, a
decana das notórias irmãs Kardashian/Jenner, Kim Kardashian West –
ainda portando o último sobrenome antes que seja finalizado o divórcio –
entrou para a lista de bilionários da Forbes.
Ao
contrário do senso comum, 2020 foi um ano bom para quem soube
aproveitar as oportunidades – e aproveitar oportunidades é praticamente a
profissão da mulher que não canta, não dança e não atua, mas soube
virar uma antológica potência das redes sociais, arrastando junto as
irmãs e meia-irmãs.
Foi
o modelo de negócio da meia-irmã caçula, Kylie Jenner, que levou Kim a
dar o salto bilionário: ser a proprietária da própria marca de
cosméticos e não apenas uma garota propaganda de luxo, com participação
nas vendas de produtos dos outros.
Kim
fundou a KKW Beauty em 2017. Foi um começo promissor: vendeu 300 mil
estojos para fazer contorno no rosto – um truque de maquiagem que
“afina” a face e ressalta as maçãs – em duas horas. Outros produtos se
seguiram, usando como motor incomparável o exército digital
kardashianista: ela tem 69,6 milhões de seguidores no Twitter e 213
milhões no Instagram, o tamanho da população do Brasil.
No
ano passado, vendeu 20% da empresa para a gigante dos cosméticos Coty,
propulsionando o valor da KKW. Segundo o cálculo da Forbes, os 72% que
continua a deter valem 500 milhões de dólares.
Outro
negócio que bombou, tirando vantagem das mudanças propiciadas pela
pandemia, foi a Skims, uma linha de modeladores, tipo de roupa de baixo
que procura controlar excessos corporais.
Como
ficar em casa trabalhando na frente do computador virou o sistema de
vida de enormes fatias da população, a Skims lançou roupas confortáveis,
como as de ginástica, com moletons e calças com elástico na cintura que
viraram o figurino padrão das mulheres confinadas no home office. A
participação dela na Skims foi calculada pela Forbes em 225 milhões de
dólares.
A
ascensão de Kim ao clube dos bilionários coincide com o fim de seu
casamento com Kanye West e da longa série Keeping Up With the
Kardashians, pioneira no método de mostrar tudo, tudo mesmo, inclusive
brigas conjugais e de família, traições, bebedeiras, cirurgias
plásticas, tentativas de engravidar, ultrassom de fetos, partos e até a
transição do padrasto das irmãs mais velhas, que era o medalhista
olímpico Bruce Jenner e virou a estrela trans Caitlyn.
Kim
Kardashian é uma das poucas mulheres que estão na lista de biliionários
da Forbes sem ser esposa, ex-esposa, viúva ou filha de um homem que
construiu a fortuna familiar. (A brasileira Luiza Trajano, responsável
pela explosão da rede de lojas que era de seus pais, é outra: está no
lugar número 529, com 5,1 bilhões de dólares).
O
número de bilionários computados pela Forbes no ano passado subiu para
2.755, um impressionante aumento de 660 em relação ao ano anterior.
Jeff Bezos, como sempre, está em primeiro lugar, com 177 bilhões, com Elon Musk (151 bilhões) querendo encostar.
Juntos, os quase três mil bilionários têm 13,1 trilhões de dólares, quase o dobro do PIB do Brasil
Os
Estados Unidos têm 724 dos nomes da lista e a China, incluindo Hong
Kong e Macau, 698. Pela primeira vez, Pequim passou, raspando, Nova York
no número de bilionários, com 100 nomes na lista, contra 99.
Dos
novos nomes da lista, cerca de 40 são “coronabilionários”, pessoas que
criaram produtos ou serviços ligados à pandemia de Covid.
Entre
eles, Ugur Sahin, o oncologista alemão de origem turca que fundou com a
mulher a BioNTech, o laboratório que criou a vacina produzida pela
Pfizer.
Outro:
Stéphane Bancel, o francês que é CEO e dono de 9% da Moderna, a
laboratório biotecnológico americano que desenvolveu a outra vacina
baseada na nova tecnologia que usa o RNA mensageiro.
A Moderna gerou ao todo quatro novos bilionários, o mesmo número que a chinesa CanSino Biologics.
O
mais rico dos coronabilionários, com 6,2 bilhões, é Li Jianquang, dono
da Winner Medical, que produz máscaras, aventais cirúrgicos, curativos e
outros produtos médicos.
Que
Kim Kardashian esteja nessa lista é um atestado de competência e da
velha piada sobre mulheres que têm um corpo feito para o pecado e uma
cabeça talhada para os negócios.
Ela
poderia ter causado tudo o que causou em seus quase vinte anos de fama –
está com 40 – e continuado na turma dos milionários “menores”, as
celebridades que ganham muito dinheiro, mas acham que investir em
imóveis, não arriscar em novos negócios, é o melhor que têm a fazer e
não dão o salto quântico.
É
possível que tenha herdado, o pendor comercial, entre outros atributos
explosivos, da mãe, Kris Jenner, considerada a cabeça das estratégias
para manter a família eternamente na boca – e nas redes digitais – do
povo.
No
ano passado, sua irmã Kylie apareceu na lista da Forbes como a mais
jovem bilionária, com apenas 21 anos. Depois foi “cassada”, sob a
suspeita de ter manipulado números para parecer que tinha mais dinheiro
do que na realidade – “apenas” uns 850 milhões de dólares.
Ah, a Forbes deveria saber que transformar a realidade numa versão aumentada da ficção é uma especialidade do clã Kardashian.
Um exemplo do momento: Caitlyn Jenner está sondando uma candidatura a governadora da Califórnia. E é pelo Partido Republicano.
Imaginem a festa da posse com o clã em peso.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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