Produto não é considerado arma
por
Yuri Abreu
Publicada em TRIBUNA DA BAHIA
“É como se estivessem vendendo uma arma
de fogo”. A declaração do físico e coordenador do curso de engenharia
mecatrônica da Unifacs, Sérgio Xavier, ilustra a situação de um produto
que é facilmente encontrado em dos maiores pontos de comércio popular de
Salvador, a Avenida Sete. Trata-se de uma lanterna que dá choque e que
pode até matar, a depender da pessoa que for atingida.
“Se uma pessoa recebe uma carga dessas, a depender do caso, faz um bom estrago”, falou um comerciante que vendia a lanterna, de origem chinesa, por R$ 60. Dentro da caixa, além do item principal, um cabo que serve como carregador também está incluído. Um manual de instruções vem junto, apesar de não especificar a potência do choque correta do produto e estar totalmente em inglês.
Poucos metros à frente, outra vendedora comercializava a lanterna, mas pelo valor de R$ 70. No entanto, ela não a tinha em exposição na sua barraca. “Mas se o senhor quiser comprar, eu vou até o meu depósito e pego”, disse ela, informando também que o produto estava tendo muita procura e que sua principal clientela era de pessoas que trabalhavam, geralmente, com segurança privada. “Só na semana passada vendi quatro desses”, contou.
Em uma terceira barraca, já próxima a Estação da Lapa, um comerciante também vendia o item por R$ 60. Desconfiado, ele só se dispôs a mostrar o produto caso a compra fosse realizada. Muitos deles consideram que a venda desta lanterna é proibida, mas o fazem devido a grande procura por ele. Qualquer pessoa que chegar até estes locais à procura, não terá dificuldades em acessá-lo.
ALTA TENSÃO
Na caixa, a descarga de choque informada pelo manual é de um milhão de volts. O produto tem uma autonomia de duas horas e um tempo de carga que varia entre 10 e 12 horas. Porém, segundo o coordenador do curso de engenharia mecatrônica da Unifacs, Sérgio Xavier, a potência descrita é alta demais para um item deste tamanho. “Essa voltagem equivale a uma descarga elétrica de um raio, o que é suficiente para carbonizar uma pessoa”, alertou.
Ele contou que o máximo de potência que as lanternas de choque podem chegar é de oito mil volts, mas que elas são perigosas mesmo assim, já que a descarga recebida, neste caso, equivale a um fio de alta tensão. “A depender do local onde a carga for feita, pode ser letal, principalmente para crianças ou pessoas que utilizam marca-passo. Ter uma lanterna dessas em casa é, sem dúvida, uma grande temeridade”, destacou Xavier.
Produto não é considerado arma
Apesar dos riscos a que as pessoas estão expostas, a falta de uma regulamentação específica faz com que não haja um controle sobre este produto. Tudo por que, legalmente, as lanternas não são consideradas armas. De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP-BA), elas só são consideradas criminosas quando há lesão corporal envolvida em sua utilização. A mesma resposta foi dada pela Polícia Militar.
A reportagem da Tribuna da Bahia entrou em contato também com a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) e foi informada que o órgão não tem o poder de coibir a venda deste tipo de equipamento, apesar de realizarem fiscalizações constantes para restringir a venda de produtos pirateados como CDs e DVDs. Também procurado, o Instituto Baiano de Metrologia e Qualidade (Ibametro) disse que realiza operações neste sentido, mas apenas no mercado formal.
“Ela pode estar sendo comprada tanto por quem trabalha na área de segurança, quanto por quem não trabalha. Essa lanterna tem poder igual ou maior do que tem um taser, que é uma arma utilizada por muitas polícias no mundo. Infelizmente, vejo que é uma coisa que já perdeu o controle”, salientou, Sérgio Xavier.
“Se uma pessoa recebe uma carga dessas, a depender do caso, faz um bom estrago”, falou um comerciante que vendia a lanterna, de origem chinesa, por R$ 60. Dentro da caixa, além do item principal, um cabo que serve como carregador também está incluído. Um manual de instruções vem junto, apesar de não especificar a potência do choque correta do produto e estar totalmente em inglês.
Poucos metros à frente, outra vendedora comercializava a lanterna, mas pelo valor de R$ 70. No entanto, ela não a tinha em exposição na sua barraca. “Mas se o senhor quiser comprar, eu vou até o meu depósito e pego”, disse ela, informando também que o produto estava tendo muita procura e que sua principal clientela era de pessoas que trabalhavam, geralmente, com segurança privada. “Só na semana passada vendi quatro desses”, contou.
Em uma terceira barraca, já próxima a Estação da Lapa, um comerciante também vendia o item por R$ 60. Desconfiado, ele só se dispôs a mostrar o produto caso a compra fosse realizada. Muitos deles consideram que a venda desta lanterna é proibida, mas o fazem devido a grande procura por ele. Qualquer pessoa que chegar até estes locais à procura, não terá dificuldades em acessá-lo.
ALTA TENSÃO
Na caixa, a descarga de choque informada pelo manual é de um milhão de volts. O produto tem uma autonomia de duas horas e um tempo de carga que varia entre 10 e 12 horas. Porém, segundo o coordenador do curso de engenharia mecatrônica da Unifacs, Sérgio Xavier, a potência descrita é alta demais para um item deste tamanho. “Essa voltagem equivale a uma descarga elétrica de um raio, o que é suficiente para carbonizar uma pessoa”, alertou.
Ele contou que o máximo de potência que as lanternas de choque podem chegar é de oito mil volts, mas que elas são perigosas mesmo assim, já que a descarga recebida, neste caso, equivale a um fio de alta tensão. “A depender do local onde a carga for feita, pode ser letal, principalmente para crianças ou pessoas que utilizam marca-passo. Ter uma lanterna dessas em casa é, sem dúvida, uma grande temeridade”, destacou Xavier.
Produto não é considerado arma
Apesar dos riscos a que as pessoas estão expostas, a falta de uma regulamentação específica faz com que não haja um controle sobre este produto. Tudo por que, legalmente, as lanternas não são consideradas armas. De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP-BA), elas só são consideradas criminosas quando há lesão corporal envolvida em sua utilização. A mesma resposta foi dada pela Polícia Militar.
A reportagem da Tribuna da Bahia entrou em contato também com a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) e foi informada que o órgão não tem o poder de coibir a venda deste tipo de equipamento, apesar de realizarem fiscalizações constantes para restringir a venda de produtos pirateados como CDs e DVDs. Também procurado, o Instituto Baiano de Metrologia e Qualidade (Ibametro) disse que realiza operações neste sentido, mas apenas no mercado formal.
“Ela pode estar sendo comprada tanto por quem trabalha na área de segurança, quanto por quem não trabalha. Essa lanterna tem poder igual ou maior do que tem um taser, que é uma arma utilizada por muitas polícias no mundo. Infelizmente, vejo que é uma coisa que já perdeu o controle”, salientou, Sérgio Xavier.
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