Artesanato surgiu no povoado de Mumbuca, próximo a cidade de Mateiros.
Produtos são feitos com a planta e sustentam centenas de famílias.
Capim dourado se transforma em produtos artesanais (Foto: Agência Tocantinense de Notícias/Divulgação)
Região do Jalapão, onde surgiu o artesanato docapim dourado (Foto: Sydney Neto/TV Anhanguera )
Mas não é só as cachoeiras e as dunas que chamam a atenção. A aventura das estradas de terra, onde só percorrem carros traçados, ganha outros ares no povoado do Mumbuca, a 35 km de Mateiros, onde remanescentes de quilombolas, traçam outra preciosidade tocantinense: o capim dourado.
Do capim dourado, espécie de sempre-viva da família Eriocaulaceae, a palha se transforma em peças de artesanato como pulseiras, brincos, chaveiros, bolsas, cintos, vasos, peças de decoração entre outros, que da cor do ouro brilha e ganha mercados fora do Tocantins e do Brasil.
Trabalho manual transforma o capim emartesanato requintado (Foto: ATN/Divulgação)
Laurinda Ribeiro da Silva, de 50 anos, é a presidente da Associação dos Artesãos e Extrativistas do Povoado Mumbuca. Nascida no povoado, próximo à cidade de Mateiros, viu a avó costurar o capim dourado com a seda do babaçu. “Ela chamava de pingo de ouro e fazia o balaio, o porta-joias e o chapéu. Costurava com 5 cm da seda do buriti e 5 cm do capim”, lembra.
Laurinda é sobrinha de Guilhermina Ribeiro da Silva, a dona Miúda, que até antes de morrer, ensinou os descendentes a arte de tecer o capim. “Elas vendiam tudo o que elas mandavam”, lembra ela, dizendo que os produtos artesanais eram vendidos pelos homens, que viajavam para as cidades para comprar sal para o gado, comprar tecido, entre outros.
Até hoje, os homens do povoado mantêm a tradição. São eles que colhem o capim para as mulheres costurarem. “A gente não imaginava que ia ter essa fama, a gente sabia que, se fizesse, vendia.”
Capim dourado ainda verde(Foto: Sydney Neto/TV Anhanguera )
Com a crescente procura, foi criada há 12 anos a associação que conta com 80 mulheres produzindo as mais variadas peças de capim dourado. “Foi bom porque vivíamos isolados, colocou o pão na mesa, não sabíamos o que era fogão, gás”, conta.
A fama do capim dourado, segundo Laurinda, foi importante para o povoado que é habitado por cerca de 150 pessoas, mas está comprometendo a preservação da planta. “Hoje estamos correndo o risco, porque estão colhendo de qualquer forma.”
Além disso, ela diz que não estão voltando ao isolamento por causa do artesanato que chama a atenção de turistas. “A gente tem muita fé e esperança, mas estamos perdendo a esperança porque os políticos não veem o nosso lado, não veem o que fizemos”, observa, dizendo que carecem de saúde, infraestrutura e educação.
Produtos feitos com capim dourado chamamatenção de turistas (Foto: Márcio Vieira/ATN)
Sustento
Longe do povoado do Mumbuca, Gildenora Dias Alves, de 45 anos, nascida em Santa Tereza do Tocantins, conheceu o capim dourado quando ele não era 'famoso'. “Eu viajava muito para a região e na época dos festejos vinham aquelas mulheres para expor. Lembro de ter comprado uma vasilha de capim dourado.”
Mas foi há 12 anos que ela começou a costurar o capim, através da irmã Anália, que mora em Ponte Alta do Tocantins [portal do Jalapão]. “Eu vendia umas peças para a minha irmã e um dia viajei para Ponte Alta e ela me ensinou a costurar e comecei a fazer supla [de mesa], bolsa, carteira.”
Gildenora mostra que as bolsas são todasforradas (Foto: Elisangela Farias/G1)
Famoso em todos os cantos do país e até no exterior, Gildenora, que vende os produtos na Feira do Bosque, em Palmas, diz que o capim dourado não é tão apreciado pelos tocantinenses. “O turista é quem valoriza, as pessoas daqui passam e nem olham. Não tem valor para a região”, ressalta, dizendo que é preciso uma maior divulgação.
Artesã mostra o capim dourado no Jalapão (Foto: Sydney Neto/TV Anhanguera)
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