Mostra fica em cartaz no Museu de Artes e Ofícios até dia 28 de outubro.
Estilista mineiro Renato Loureiro avalia trabalhos a pedido do G1.
Elmo de ouro exposto na mostra de design de joias.(Foto: Cristina Moreno de Castro / G1)
A exposição faz parte da 4ª Bienal Brasileira de Design, em cartaz até 31 de outubro – é a primeira vez que o design de joias é abordado pela Bienal. Ela faz uma retrospectiva de 20 anos de produção das preciosidades no país, com os trabalhos de vencedores do concurso do IBGM (Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos), que existe desde 1992, e do AuDITIONS, promovido pela mineradora multinacional Anglo Gold Ashanti desde 2002.
São mais de 200 joias, incluindo algumas que estão pela primeira vez no Brasil, vindas da Índia, China e África do Sul.
A convite do G1, o estilista mineiro Renato Loureiro, 68, foi avaliar a exposição na última terça-feira (16). Loureiro começou no mundo da moda há 42 anos e fez parte, há dez anos, do primeiro júri do concurso AuDITIONS.
Renato Loureiro avalia exposição de design de joias a convite do G1 (Foto: Cristina Moreno de Castro / G1)Num primeiro momento, chama a atenção de Loureiro o excesso de joias feitas por designers mineiros. Segundo a organização da mostra, elas são 60% das peças expostas. "O design mineiro é referência nacional. Aqui é um celeiro de novos talentos", justificou Loureiro.
Para ele, concursos como o AuDITIONS, que é tido como o maior do mundo, têm a vantagem de apresentar designers desconhecidos e iniciantes, que não teriam como confeccionar tantas peças valiosas sem patrocínio. "E quando não tem aspecto comercial, o designer dá asas à imaginação. Ele 'solta os capetas' e consegue surpreender pela criatividade", diz Loureiro. O estilista ressalva que, às vezes, "acabam pecando pelo exagero para chamar a atenção."
Por isso, peças muito ousadas no conceito, embora "maravilhosas", nem sempre são viáveis comercialmente. Ele aponta para um colar com incontáveis pedras preciosas, que não arrisca estimar quanto custa. "Cria-se aquela situação em que a mulher vai a uma festa, com um segurança e um cofre, e só pode vestir o colar lá dentro."
Aquela é a primeira das quatro salas da mostra, apenas com as peças do concurso do IBGM, que é voltado para peças comerciais e apenas com gemas de cor.
Loureiro avalia peças. (Foto: Cristina Moreno deCastro / G1)
A crítica de Loureiro é justamente por conta da falta de informações sobre cada peça: também há várias sem o nome do autor e nenhuma delas tem o nome do projeto ou um resumo com a intenção do designer. "Isso é um problema. O artista tem que ser conhecido. Todo designer justifica sua criação."
Segundo Manoel Bernardes, curador da exposição, as informações não foram colocadas porque a intenção era focar no design produzido no Brasil historicamente, não nas peças específicas. "Agrupei pelos fatores permanentes na percepção do design do Brasil, considerando as formas, sensualidade e repetição das peças."
Liberdade de criarQuando perguntado sobre qual foi sua peça favorita, Loureiro diz: "Não gostei de uma, mas de várias." E elogia a exposição por dar liberdade para as pessoas criarem.
Já estamos na segunda sala visitada, que é a que Loureiro mais gosta. "Aqui podemos ver que tem design sem nenhum tipo de impedimento. É muito mais impactante que na sala anterior, que tinha jóias que poderiam estar em lojas."
Loureiro acha colar exposto sensual.(Foto: Cristina Moreno de Castro / G1)
O importante nesses concursos, diz ele, é justamente poder ousar nos conceitos, mesmo que não sejam peças que poderiam ser usadas depois. Por exemplo, ele aponta um elmo todo de ouro e um chapéu em formato de gaiola, que "seriam interessantes na cabeça de um modelo, em um desfile, ou da Madonna e da Lady Gaga".
Identidade brasileira
Na terceira sala, batizada de "Diálogos", há as peças vindas da África do Sul, Índia e China, ao lado de outras brasileiras. Embora Loureiro considere o artesanato africano "um dos melhores do mundo", prefere as peças brasileiras, como o colar formado por formas de garotos brincando de roda. "A identidade brasileira é mais evidente."
Ao fundo, peças do Brasil, África do Sul, Índia e China, na sala "Diálogos", da exposição de joias.(Foto: Cristina Moreno de Castro / G1)
Exposição PetrAurumAté dia 28 de outubro
Museu de Artes e Ofícios
Praça Rui Barbosa s/n
Horário de funcionamento: terça e sexta, das 12h às 19h, quarta e quinta, das 12h às 21, fim de semana e feriado, das 11h às 17h
Entrada gratuita
Telefone: (31) 3248-8600
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