BLOG ORLANDO TAMBOSI
Senhores da guerra na África obtiveram ganho econômico. Deirdre McCloskey para a Folha de São Paulo:
A
resposta parece óbvia. Os cafeicultores brasileiros e os plantadores de
cana-de-açúcar do Caribe e de tabaco e algodão dos Estados Unidos,
certo? Segundo a Nova História do Capitalismo, a escravidão é o pecado
original e a semente da economia moderna.
Marx e Engels haviam dito que o lucro da pirataria explicava o enriquecimento da Europa.
Eles
e seus numerosos seguidores acrescentaram a exploração, por exemplo,
dos trabalhadores britânicos. Marxistas posteriores disseram que o lucro
obtido com o imperialismo era a semente. Então eles disseram que era o
lucro do tráfico de escravos. Agora os novos historiadores estão dizendo
que foi a própria escravização.
Nada
disso faz sentido. O erro histórico é esquecer que a pirataria, a
contratação de mão de obra, o imperialismo e, sobretudo, a escravidão
aconteceram em todos os tempos e em todos os lugares, repetidamente, há
milênios. Por exemplo, um vigoroso comércio de escravos ao longo da
costa leste da África abasteceu os mercados do Cairo. Era tão grande
quanto o comércio que existia na costa oeste do continente, que
abastecia Recife, Kingston e Charleston. No entanto, nenhuma economia
moderna adveio.
O erro econômico é confundir ganhos comuns, como nossos salários, com ganhos extraordinários, o "lucro" definido economicamente.
As
muitas pessoas que são tão inteligentes ou enérgicas quanto você e eu
competem para reduzir nossos salários ao normal. Mas a mulher que
descobre que as crianças gostam de ler sobre um mágico infantil chamado
Harry Potter obtém lucro. A empresa que descobre petróleo insuspeito na
costa do Brasil obtém lucro.
É
bom porque é compartilhado em longo prazo, com ficção mais barata e
petróleo mais barato. Nunca é bom quando alguém descobre como corromper o
governo de uma nova maneira. E nunca é bom quando alguém escraviza
outro.
Mas
os fazendeiros brasileiros ou americanos competiam, fazendo subir o
preço dos escravos. Nenhum lucro aí. Não para os comerciantes que
competiam nos embarques da África.
O
lucro econômico foi para os senhores da guerra africanos. Os perdedores
na guerra sempre foram escravizados. Os demandantes também são
culpados, é claro, ao encorajar os senhores da guerra a fazê-lo. Mas os
senhores da guerra, não os europeus, obtiveram o lucro econômico.
Voltando
ao erro histórico. Se o lucro explica uma maior prosperidade, a África,
não a Europa ou suas ramificações, é que deveria ter sido a condutora
da Prosperidade. Não foi.
Postado há 3 days ago por Orlando Tambosi

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