Jair Bolsonaro fez ontem uma série de novos ataques ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso
Foto: Alan Santos/PRPor Lauriberto Pompeu
O
presidente Jair Bolsonaro fez ontem uma série de novos ataques ao
presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso.
Ao reiterar o endosso ao voto impresso a apoiadores na entrada do
Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse que não vai atacar o Supremo
Tribunal Federal (STF) e o TSE, mas que tem uma "luta" contra Barroso.
"O
que eu falo não é um ataque ao TSE ou ao Supremo Tribunal Federal. É
uma luta direta com uma pessoa apenas: ministro Luís Barroso, que se
arvora como dono da verdade", disse o chefe do Poder Executivo. "Não
aceitarei intimidações. Vou continuar exercendo meu direito de cidadão,
de liberdade de expressão, de crítica, de ouvir, e atender, acima de
tudo, a vontade popular."
Na noite de segunda-feira, 2, o TSE
decidiu, por unanimidade, determinar duas medidas contra o presidente
por declarações falsas de fraude no sistema atual de votação, que é
eletrônico, e ameaças às eleições de 2022. Foi determinada pelo TSE a
abertura de um inquérito administrativo e a inclusão de Bolsonaro em
outra investigação, a das fake news, que tramita no STF, sob a relatoria
de Alexandre de Moraes. O desfecho dessas apurações pode levar à
impugnação de eventual registro de candidatura à reeleição ou até mesmo
inelegibilidade de Bolsonaro.
Como revelou o Estadão, o
ministro da Defesa, Walter Braga Netto, enviou ao presidente da
Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), um emissário para dizer que não
haveria eleições sem voto impresso. A mesma declaração foi dada
publicamente por Bolsonaro várias vezes.
Na última
quarta-feira, 28, o STF reagiu, por meio de nota, às acusações falsas de
Bolsonaro sobre o combate à covid e disse que "uma mentira contada mil
vezes não pode se tornar verdade". Trata-se de uma adaptação da clássica
frase de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda do nazista Adolf
Hitler. Em resposta, Bolsonaro repetiu hoje a mesma frase para reforçar a
acusação falsa contra as urnas eletrônicas. "Não vai ser um homem que
vai repetir mil vezes que a urna é confiável e essa mentira vai se
tornar verdade", declarou.
O presidente também acusou, sem
apresentar provas, o ministro do STF e do TSE de agir para favorecer o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição do ano que vem. "Nós
sabemos o quanto o senhor Barroso deve ao senhor Luiz Inácio Lula da
Silva", afirmou. O presidente declarou que, se Barroso continuar
"insensível" a seus apelos contra o sistema eleitoral, e o povo desejar,
haverá um movimento na Avenida Paulista, em São Paulo, para mandar um
"último recado" ao ministro. "Senhor Barroso, sua palavra não vale
absolutamente nada. Está a serviço de quem?", questionou.
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