quarta-feira, 21 de abril de 2021

Renan merece o codinome

 



Faz anos que corre da Justiça — sem sair do lugar. Augusto Nunes:


Em 1994, às vésperas da decretação do Plano Real, encontrei-me em Brasília com o então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Perguntei-lhe a certa altura se estava satisfeito com o cargo. Estava, com uma ressalva: “Aqui não tem muita gente para conversar, não. Tenho muita saudade do Senado “. Fiquei curioso. Com quem conversava com mais frequência no Congresso? “

“Tinha o Roberto Campos, o Darcy Ribeiro, o Afonso Arinos, o Jarbas Passarinho...”, começou o desfile multipartidário de interlocutores que valiam a pena. Pode parar, sorri. Eu também teria saudade de gente assim. O encontro com FHC ocorreu há menos de 30 anos. Não é tanto tempo. O que terá havido com o Senado de lá para cá?

Perto da virada do século, sobravam cardeais de fina linhagem, bons de conversa, que faziam da política uma forma de arte. Hoje, a instituição é controlada por gente que deixa enfastiado em cinco minutos o mais paciente dos ouvintes. Os grandes senadores foram substituídos por tipos medíocres, estrategistas de picadeiro, casos de polícia e perfeitas bestas quadradas, fora o resto.

Como explicar, por exemplo a longevidade de um Renan Calheiros na cúpula do Senado? Neste século, ele já foi presidente várias vezes. Mandou e desmandou enquanto colecionava acusações, denúncias, ações judiciais, inquéritos e processos que continuam a arrastar-se no Supremo Tribunal Federal. Agora, prepara-se para entrar em ação como relator da CPI da Pandemia.

Renan merece o codinome que ganhou do Departamento de Propinas da Odebrecht: Atleta. Faz anos que corre da Justiça — sem sair do lugar.
 
BLOG  ORLANDO  TAMBOSI

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