segunda-feira, 26 de abril de 2021

A volta de Lula, a disputa contra Bolsonaro e a democracia brasileira por um fio…

 


Charge do Galhardo (site Um Brasil)

Roberto Nascimento

No dizer do político baiano Otavio Mangabeira, a Democracia é uma planta tenra e frágil, por isso, precisa ser cuidada e regada sempre. No Brasil, ela morreu duas vezes, de 1930 a 1945 e de 1964 a 1985, mas renasceu e nos legou a Constituição Cidadã, como a denominou o Sr. Diretas, Ulysses Guimarães, ao promulga-la em 1988. Hoje está nossa Constituição em perigo.

João Gabriel de Lima cita em sua coluna do Estadão, neste sábado, o desenrolar do declínio da Guerra Fria (EUA&URSS), descrita no enredo do livro “A Terceira Onda”, narrativa sobre a derrocada das ditaduras de direita e de esquerda, em especial, a Revolução dos Cravos, eclodida em 25 de abril de 1974, movimento que derrubou a ditadura Salazarista.

FLORES NOS FUZIS – Os soldados marcharam rumo a Lisboa, capital de Portugal, e nas ruas expunham seus fuzis com flores no cano, daí o nome: ” Revolução dos Cravos”. É melhor cultivar flores do que incentivar o uso de armas.

Também no Estadão, sobre armas e bombas, o economista Fábio GiambiagI compara o número de vítimas da Covid no Brasil e as bombas jogadas em Hiroshima e Nagazaki, onde morreram de imediato cerca 140 mil japoneses. Assim, as vítimas no Brasil já ultrapassavam em muito as duas bombas atômicas despejadas pelos americanos no fim da segunda guerra Mundial.

Fabio Giambiagi alerta que não há comunidade, quando uma parte dela trata a outra com cinismo, com descaso e desprezo pela vida humana. Quando o homem se torna frio diante da morte, perde-se a humanidade, mergulhamos no abismo, instaura-se a barbárie, advém a tragédia da vida humana. Quando tudo isso se perdeu? O que aconteceu com o Brasil? Como responderemos aos nossos netos, sobre a razão de pecarmos por ação ou omissão ou nada fazermos para impedir as mortes da Pandemia?

POBRE NÃO LÊ… – Se não bastasse o Negacionismo, o Cinismo, a Ideologização da vida entre os atores políticos, o escritor Sérgio Augusto, do Caderno Especial do Estadão, declara que, em meio ao fechamento de livrarias devido à pandemia, o perverso ministro Paulo Guedes inventou de taxar os livros, enquanto atua para isentar os tributos das Igrejas. Instado a responder por que deseja taxar os livros, o desastrado e inculto ministro disse: ”Pobre não lê”.

Ao mesmo tempo, o jurista Joaquim Falcão, membro da Academia Brasileira de Letras, criticou a decisão do Supremo, sobre a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro, argumentando acerca do ativismo do Tribunal Constitucional.

Ora, o STF erra por último, sanando os erros grosseiros das Instâncias Inferiores, no exemplo da prerrogativa de foro (juiz natural). Portanto, decisão boa é aquela que nos favorece, não é mesmo?

LULA DE VOLTA – O jornalista Ascânio Seleme, em artigo no Globo deste sábado, também discorre sobre os efeitos da suspeição de Moro, julgada pelo STF na última quinta-feira, que põe o ex-presidente Lula no páreo para a disputa presidencial de 2022.

O negacionista Bolsonaro estará de um lado e o candidato petista Lula de outro. O desgaste do atual mandatário, apoiado por forças retrógradas e autoritárias, é evidente, vem perdendo adeptos e caindo nas pesquisas, por conta dos fracassos no combate à pandemia.

Seleme acredita, que os possíveis candidatos, Dória, Moro, Mandetta, Ciro e Hulk derrotariam o presidente num provável segundo turno, mas, as nuvens do horizonte de 2022 apontam para o terceiro mandato de Lula. Entretanto, até lá, há um oceano para ser ultrapassado. E nossa democracia está por um fio da navalha.

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