sábado, 5 de agosto de 2017

Crise política ameaça bloco planejado por Temer, Aécio e Maia



Por Redação BNews | Fotos: Folhapress
A crise aberta pela delação da JBS ameaça dissolver um bloco de centro-direita articulado por mais de um ano por PSDB, PMDB e DEM para as eleições de 2018. De acordo com a coluna Poder, da Folha, o derretimento do presidente Michel Temer, a divisão dos tucanos e o fortalecimento de Rodrigo Maia (DEM-RJ) mudaram o equilíbrio de forças nesse grupo –que pretendia chegar unido à disputa, sob a bandeira da recuperação econômica, mas passou a se mover em direção incerta.
 
A disputa interna do PSDB em relação ao governo deixou sequelas graves nas relações dessa trinca de siglas. Peemedebistas que contavam com uma aliança com os tucanos nas próximas eleições dizem que esse caminho ficou interditado depois dos movimentos do partido a favor do rompimento com Temer.
 
Ainda conforme a coluna, tucanos e dirigentes do PMDB tratam como certo um desembarque do PSDB do governo no ano que vem, em um movimento para se distanciar da impopularidade de Temer. Nas condições atuais, uma recomposição é vista como improvável. A articulação do governador Geraldo Alckmin (PSDB) para que a bancada paulista da sigla votasse em massa na Câmara pelo prosseguimento da denúncia de corrupção contra o presidente teve impacto direto sobre essas negociações. Como o governador paulista é o principal nome colocado na corrida pelo Planalto, DEM e PMDB consideraram que o tucano traiu um bloco que cogitava lhe dar suporte.
 
 
Dirigentes peemedebistas e auxiliares de Temer acreditam que o DEM está prestes a deslocar o PSDB do papel de protagonista dessa coalizão. O partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, cresceu como consequência da crise e poderia chegar a 2018 com mais força que os tucanos para articular alianças eleitorais do bloco. "Diferentemente das últimas três eleições, nossas conversas não se darão só com o PSDB. Vamos procurar diversos atores, sem condições preestabelecidas", diz o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM).
 
O estremecimento das relações com o PSDB abriu flancos para a busca por candidatos ao Planalto. O DEM tenta construir um nome próprio, mas esbarra na limitada projeção nacional de Maia. O baixo desempenho do PIB também dificulta o projeto de lançar o ministro Henrique Meirelles (Fazenda), como defensor das reformas econômicas. Alguns dirigentes admitem que o prefeito paulistano, João Doria, poderia representar essa coalizão de centro –seja pelo PSDB ou por outro partido, caso sua disputa interna com Alckmin gere uma cisão incontornável.
 
O PMDB também trabalha reservadamente com o plano de filiar um novo quadro para disputar a vaga de Temer, mas o partido corre o risco de ter voz discreta nessas composições. Acusado de corrupção, o presidente teria que restringir sua atuação a bastidores, sem capital político para impor sua vontade na construção da candidatura.
Desde os primeiros meses de governo, Temer tenta consolidar esse bloco como um polo alternativo ao chamado "centrão", então tutelado por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje preso no Paraná.
Em troca da sustentação a seu governo, o presidente ofereceu ao PSDB a inclusão das reformas na pauta prioritária do país. Se o movimento fosse bem-sucedido, os tucanos encontrariam a agenda limpa para disputar o poder em 2018 sem ter que enfrentar medidas impopulares.
 
Essa aliança foi selada em 12 de julho de 2016. Naquela noite, Temer e Aécio Neves (PSDB) foram a um restaurante no Clube de Golfe de Brasília, para fechar o apoio do PMDB e do PSDB à candidatura de Maia à presidência da Câmara. Os três grupos saíram de lá entoando o discurso de que estava fechado ali um compromisso para 2018. Presidente do PMDB, o senador Romero Jucá (RR) reconhece que a crise prejudicou a coesão desse bloco para as próximas eleições, mas defende a reconstrução de pontes. "O PSDB é uma força política importante, mas tem que se resolver internamente", afirmou. "Quem tem responsabilidade tem que se juntar agora para ajudar a recuperar o país."

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