domingo, 2 de julho de 2017

Rodrigo Janot: "Caneta continua na minha mão até 17 de setembro"


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que denunciou o presidente Michel Temer por corrupção passiva e poderá apresentar novas denúncias contra o peemedebista nas próximas semanas, disse neste sábado (1º) que seu trabalho não vai perder o ritmo até o dia 17 de setembro, quando deixa o cargo de chefe do Ministério Público Federal (MPF).
"Enquanto houver bambu, vai ter flecha. Meu último dia é 17 de setembro. Até lá, a caneta vai continuar na minha mão e eu vou continuar nesse ritmo que estou", afirmou o procurador-geral, no Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em São Paulo.
Procurador-geral da República disse que Joesley Batista "continua sendo bandido, réu colaborador"
Procurador-geral da República disse que Joesley Batista "continua sendo bandido, réu colaborador"
No painel "Desafios no Combate à Corrupção: a Operação Lava Jato", Janot explicou para a plateia de jornalistas que não tinha como recusar a negociação de delação premiada com os irmãos Batista, da JBS, sob o risco de a investigação ir para a primeira instância e o processo levar anos para ser concluído.
"O cara não deixou de ser bandido", disse o PGR, em referência ao empresário Joesley Batista, que gravou a conversa com o presidente Michel Temer e ofereceu as provas ao Ministério Público e, como condição, não poderia ser denunciado. "Não adianta chegar para o colaborador e dizer: 'Meu amigo Joesley, venha aqui. Vou te propor acordo, beleza? Vou te dar uma caixa de bombom Garoto. Gosta de pão de mel? Vou te dar pão de mel'".
"Se eu não tivesse dado imunidade, não tinha acordo. Se não tivesse acordo, não tinha investigação. E se não tivesse investigação, não cessava o crime”. Para ele, a delação não significa que os irmãos não sejam criminosos. "Continua sendo bandido. É réu colaborador".
Decisão do STF sobre Rocha Loures
A dois meses de deixar o cargo, o procurador-geral da República disse que a saída do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB) da prisão faz parte do processo. “Cada um de nós tem seu entendimento jurídico sobre as questões. O que eu posso dizer é que o Ministério Público tem a mão mais pesada que os outros atores de Justiça".
No painel "Desafios no Combate à Corrupção: a Operação Lava Jato", o procurador voltou a elogiar a decisão do Supremo Tribunal Federal, tomada na última quinta (29), de validar a delação dos executivos da JBS. "A decisão é fantástica. Ela salvou o instituto da delação premiada".
Sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer, ele disse que denunciar o presidente do país não é uma tarefa fácil. "Queria passar ao largo disso, mas tenho que cumprir minha missão".
Para Rodrigo Janot, a escolha de Raquel Dodge, sua sucessora na PGR, foi legítima. “O importante é que o nome escolhido seja da lista. A lista é tríplice, não é eleição direta. E dentro da lista você escolhe um dos três. A escolha foi legítima”.
Com Agência Brasil

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