domingo, 23 de julho de 2017

Regiões mais ricas geram emprego enquanto Nordeste sofre com a crise



Por Redação BNews | Fotos: Reprodução / Google
Numa estrada coberta de lama, Cludio Santos de Jesus, 42, segue caminhando até o povoado de Rio Fundo, em Terra Nova, cidade de 13 mil habitantes a 81 km de Salvador. Desempregado, aproveita para assuntar sobre uma possvel vaga de trabalho no povoado vizinho ao de Paranagu, onde mora. Nos últimos dez meses, só conseguiu um temporário: cortou bambu em um assentamento de trabalhadores sem-terra. Antes, atuava no cultivo de capim em uma fazenda da cidade. Trabalhava por jornada, sem carteira assinada.
 
Desde que foi demitido, ele, mulher e seus quatro filhos, com idades entre 4 e 14 anos, vivem exclusivamente dos R$ 202 que recebem do Bolsa-Famlia. Segundo a Folha, a situação reflete o cenrio de centenas de milhares de trabalhadores rurais nordestinos. Depois de um perodo de bonana, marcado por um movimento de trabalhadores voltando da cidade para o campo, a taxa de ocupao despencou na regio.
 
Ainda conforme a matéria de João Pedro Pitombo, da Folha, dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclio) contínua do IBGE apontam que 2,3 milhões de brasileiros que tinham algum tipo de ocupao deixaram o mercado de trabalho entre o primeiro trimestre de 2014 e o primeiro trimestre de 2017.
 
 
Deste total, 69% – 1,5 milhões de trabalhadores – estão no Nordeste. A maioria deles, cerca de 875 mil, atuavam nos setores de agricultura, pecuária e pesca. Os dados incluem vagas formais, informais e trabalho por conta própria.
 
Desta forma, de cada três brasileiros que deixaram de ter uma ocupação desde o recrudescimento da crise econômica, um era trabalhador rural nordestino.
 
Do contingente total de 14 milhões de desempregados do país, 4 milhões estão no Nordeste. A Bahia lidera, com uma taxa de desocupados que chega a 18,6% da populao na fora de trabalho. Alagoas e Pernambuco vm na sequência.
 
Além da crise econômica, o aumento da desocupação no campo ainda traz mais um ingrediente que de contornos dramáticos da situção do Nordeste: a região enfrenta uma estiagem que já dura seis anos, na pior seca registrada nas últimas cinco décadas. Ainda segundo a Folha, na região de Juazeiro (BA), a conjugação de estiagem e crise fez crescer a massa de desocupados. Trabalhadores que atuavam por conta própria ou conseguiam serviços temporários em pequenas fazendas hoje estão parados.
 
No agronegócio, não houve demissões em massa. Mas as empresas da região estão sem ampliar a produção por limitaes no uso da água. A vazão de água da barragem de Sobradinho, que abastece a fruticultura irrigada do vale do rio São Francisco, foi reduzida para 550 metros cbicos por segundo – menor nvel desde que foi inaugurada em 1979.
 
A mecanização também tem reduzido vagas no agronegócio nordestino. O corte de cana-de-acar, que costumava criar 1.500 vagas sazonais na região de Juazeiro, atualmente gerar apenas 800 vagas, aponta o sindicato dos trabalhadores rurais.

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