quarta-feira, 19 de julho de 2017

A força da pesquisa agropecuária paulista


O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, liberou na semana passada um recurso do Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos (FID), da Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania, no montante de R$ 2.246.769,40 para o Instituto Biológico (IB) desenvolver projeto de pesquisa para monitorar os impactos ambientais da aplicação de agroquímicos em áreas agrícolas. Em maio, o governador já havia destinado nada menos do que R$ 120 milhões – dentro de programa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) – para modernização dos 20 institutos de pesquisa paulistas.
A expectativa é que o projeto “Impactos ambientais na aplicação de agroquímicos em áreas agrícolas” tenha duração de três anos. É um trabalho que já vem sendo muito bem realizado pelos pesquisadores do Biológico, e que agora ganha novo fôlego. As análises são feitas em várias fases, depurando a amostra do vegetal até sua composição para verificar o tipo e a quantidade de agroquímicos aplicados naquele produto. É segurança na mesa do consumidor.
Fomentar uma iniciativa tão importante é a comprovação do olhar atencioso do governo paulista para a pesquisa agropecuária, responsável por ganhos ambientais, sociais e econômicos na produção de nosso Estado. É um recurso investido em pesquisa que apresenta resultados sólidos, mostra sua relevância e essencialidade para o agricultor paulista aumentar a renda, agregar valor e respeitar a natureza.
Os R$ 120 milhões liberados em maio por meio de financiamento junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) beneficia nossa Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) e os seis institutos de pesquisa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento: Agronômico (IAC), Biológico (IB), de Economia Agrícola (IEA), de Pesca (IP), de Tecnologia de Alimentos (Ital) e de Zootecnia (IZ).
Instituições de pesquisa que garantem retorno à sociedade de até 11 vezes o valor investido. Com base na análise de 48 tecnologias desenvolvidas pelos seis institutos e 14 polos de pesquisa ligados à Apta ficou constatado que a cada R$ 1 investido, a Agência retornou R$ 11,40 para a sociedade no biênio 2014/2015.
Em 2016, foram realizadas 378.332 análises laboratoriais. A Apta reúne cerca de 220 normas e procedimentos laboratoriais certificados ou acreditados pelo Inmetro com a norma ISO 17025, relacionada à qualidade.
Além disso, o IAC também disponibiliza e transfere ao setor de produção sementes básicas e porta-enxertos, que são transferidas ao setor produtivo. Em 2016, foram disponibilizados 403.698 quilos de sementes genéticas e, aproximadamente, 200 mil borbulhas, transferidas ao setor citrícola.
Nas 28 unidades da Apta Regional, cresceu a captação de recursos oriundos da prestação de serviço e comercialização de insumos de pesquisa, uma forma de transferência de tecnologia. Um exemplo, é a venda de ovos embrionados de trutas para truticultores de todo Brasil, realizada pela Unidade de Pesquisa de Campos do Jordão.
Outro exemplo é a comercialização de abelhas rainhas para apicultores de todo o Brasil. A Apta Regional é a única instituição pública do País que realiza esse trabalho. Para as condições paulistas, a troca periódica das abelhas rainhas representa de 15 a 30 kg de mel a mais por colmeia por ano.
Mesmo assim os investimentos não pararam. No Instituto Agronômico foram investidos R$ 3,4 milhões em 2016. Realizou-se reforma e adequação do Laboratório de Fisiologia Vegetal e Tecnologia de Pós-colheita: valor de R$ 715 mil; reforma do Quarentenário IAC: custo de R$ 188 mil; reforma de estrutura para ampliação do Programa Feijão IAC: R$ 100 mil; recuperação da rede elétrica: R$ 1 milhão; reparo no prédio de Ecofisiologia e Biofísica: R$ 334 mil; obras no Centro de Cana: R$ 180 mil – além de R$ 880 mil investidos na aquisição de equipamentos.
Para 2017, a previsão é de um valor cerca de 30% maior: R$ 4,3 milhões. Dinheiro que será usado pelo IAC para reforma nos laboratórios de Biotecnologia, Laboratório de Fitoquímica e Laboratório do Centro de Café:  R$ 1,6 milhão; reforma do Prédio de Sementes e construção de galpão de armazenamento: R$ 800 mil; reforma da estrutura dos prédios do Centro de Horticultura e do Centro de Genética: R$ 910 mil; reforma no sistema de irrigação da Fazenda Santa Elisa: R$ 100 mil; Centro de Citricultura e Centro de Frutas: R$ 520 mil; reforma do Quarentenário IAC: R$ 300 mil.
O Instituto de Zootecnia deve triplicar os investimentos recebidos. Em 2016, foram R$ 336.252 para modernização da Sala de Manipulação de Amostras (R$ 69.252) e adequação do Laboratório de Monitoramento Animal (R$ 267 mil). Para 2017, a previsão é de R$ 1 milhão para Sala de Ordenha (R$ 247 mil), Núcleo de Geração e Transferência de Conhecimento (R$ 380 mil) e Laboratório de Reprodução (R$ 380 mil).
No Instituto Biológico, foram R$ 2 milhões em investimentos em 2016 para o desenvolvimento do Laboratório de Segurança Nível 3 (NB3), que se somam aos R$ 2 milhões liberados na semana passada pelo governador Geraldo Alckmin. Temos ainda o Instituto de Pesca, que recebe neste ano R$ 4,71 milhões para seu Centro do Pescado Continental, em São José do Rio Preto.
São fatos inegáveis da preocupação do Governo do Estado de São Paulo com a pesquisa agropecuária. Sabemos que sem tecnologia não há aumento de produtividade, de renda, agregação de valor, não se cuida tão bem da natureza. Sabemos disso e fazemos todos os esforços para que São Paulo continue sendo o centro da produção do conhecimento agropecuário para o Brasil.
19/07/2017
Arnaldo Jardim é secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e
deputado federal licenciado (PPS-SP)

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