sábado, 17 de junho de 2017

FHC retira a última coluna que sustentava Michel Temer no governo


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Charge do Angeli (Folha)
Pedro do Coutto
Na entrevista a Silvia Amorim, O Globo desta sexta-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a maior figura do PSDB, retirou o que se pode classificar de última coluna ou base de sustentação do presidente Michel Temer do Palácio do Planalto. Fernando Henrique Cardoso afirmou de forma direta que o presidente da República perdeu a legitimidade para permanecer no governo. O ex-presidente divulgou um texto no qual destaca os pontos principais de sua visão institucional. Ele defende que Temer, num gesto de grandeza concorde com a antecipação para já das eleições diretas marcadas para 2018.
“Se tudo continuar como está – ressaltou – com a desconstrução contínua da autoridade e seu empenho de embaraçar as investigações em curso, não vejo mais como o PSDB possa permanecer no governo”.
ESVAZIAMENTO – Além de Sílvia Amorim em O Globo, as declarações de FHC foram também objeto de matéria assinada por Raymundo Costa no Valor. Na quinta-feira, Folha de São Paulo, reportagem de Talita Fernandes e Bruno Boghossian, o presidente em exercício do PSDB, Tasso Jereissati, afirmara que Michel Temer tem de provar sua inocência e que acreditar na proposta de acordo de apoio do PMDB a um candidato da legenda que preside interinamente, no lugar de Aécio Neves significa um verdadeiro delírio, ou, como disse o poeta, o sonho de uma noite de verão.
Deixando o sonho e retornando-se à realidade exposta por Fernando Henrique, pode-se afirmar que o argumento da falta de tempo para convocar eleições gerais é algo secundário, partindo de uma ilusão. O exemplo de 1945 coloca por terra o tema falta de tempo.
EXEMPLO DE VARGAS – A 29 de outubro de 1945, o presidente Getúlio Vargas, então ditador desde novembro de 37, foi deposto por um movimento político militar. Como não havia Congresso Nacional funcionado, assumiu a presidência da República o presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares, hoje nome de rua no Leblon. As eleições presidenciais e para a constituinte de 46 foram realizadas normalmente a 2 de dezembro do ano hoje distante na memória política.
Foi eleito o general Eurico Dutra, com o apoio de Vargas, juntamente com a representação de 2 senadores por estado e os deputados federais. A Constituição de 46 que durou até 64, foi promulgada no mês de setembro. A nova Carta Constitucional da época foi que estabeleceu três senadores por estado. O terceiro senador foi eleito em 1947. Os governadores também.
HÁ TEMPO – Portanto, não é por falta de tempo que a sucessão presidencial antecipada não passará da teoria à prática. Em 1945, as cédulas de votação eram individuais, a contagem dos votos era manual, não existia internet e os computadores eram apenas um projeto nos países mais adiantados. Basta dizer que o primeiro computador a entrar em funcionamento foi inventado em 1944 pelo inglês Alan Touring que, com ele, decifrou o código nazista que antecipou o final da segunda guerra na Europa.
Hoje existe tudo  isso e não se pode sequer comparar o panorama tecnológico de 45 com a realidade dos dias de hoje.
Por falar em realidade a tese levantada por Fernando Henrique Cardoso é a mais realista possível e conduz à saída de um túnel obscurecido pela corrupção e pelas tentativas de obstruir as investigações da Lava-Jato e aquelas que sucederam o petrolão e aterrissaram nos campos da JBS. Depois de FHC falar, o silêncio do Planalto é a melhor confirmação dos fatos.
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