Acho, sim, que o promotor Conserino deveria ter ouvido os investigados — por mais que já reúna elementos — antes de deixar claro que vai denunciá-los. O PT certamente vai acusar a sua suspeição. Mas isso tudo não é problema da VEJA ou de qualquer outro órgão de imprensa, que devem publicar aquilo que sabem
Luiz
Inácio Lula da Silva está agora na fase do “Terror Judicial”, conforme
anunciou aos blogueiros sujos de dinheiro público. Segundo entendi, é
alguém falar dele, e pimba! Tome processo! Ok A Justiça existe, entre
outras coisas, para isto: para que os que foram agravados peçam a
punição dos culpados. Vamos lá. Desta feita, o petista promete processar
a VEJA — claro!… —, e sua defesa acena com medidas contra um promotor.
Qual é a questão da hora?
Em
entrevista à VEJA desta semana, o promotor Cássio Conserino, do
Ministério Público Estadual de São Paulo, afirma que Lula e sua mulher,
Marisa Letícia, serão denunciados por lavagem de dinheiro. Não! O caso
nada tem a ver com o petrolão — a não ser lateralmente. A Bancoop,
cooperativa habitacional dos bancários, que era dirigida por João
Vaccari Neto, pegou o dinheiro dos mutuários, transferiu para o PT e deu
um beiço em 3 mil associados, que nunca viram seus respectivos
apartamentos.
Alguns
fortões do PT, no entanto, tiveram sorte diferente. E Lula é um deles. O
prédio do Guarujá em que está o tríplex cuja cota ele havia comprado e
alguns outros foram concluídos. A tarefa ficou a cargo da OAS,
empreiteira que é uma das estrelas do petrolão. A empresa também bancou a
reforma do imóvel, de 297 metros quadrados.
Muito bem!
Lula agora nega ser o dono do apartamento e afirma que havia apenas uma
opção de compra, que não foi exercida. Ocorre que, em 2006, ele próprio
declarou a tal cota em Imposto de Renda. Em 2010, sua assessoria
confirmou que ele era proprietário do imóvel.
À VEJA, afirmou o promotor que investiga o caso:
“Há fortes elementos, provas documentais e testemunhais, que mostram que o ex-presidente Lula e a ex-primeira-dama tentaram, com a ajuda da OAS, ocultar patrimônio e, por isso, incorreram no crime de lavagem de dinheiro. A empreiteira praticou crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica”. Mais adiante, disse: “Lula e dona Marisa serão denunciados. Brevemente, eles serão chamados a depor”.
“Há fortes elementos, provas documentais e testemunhais, que mostram que o ex-presidente Lula e a ex-primeira-dama tentaram, com a ajuda da OAS, ocultar patrimônio e, por isso, incorreram no crime de lavagem de dinheiro. A empreiteira praticou crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica”. Mais adiante, disse: “Lula e dona Marisa serão denunciados. Brevemente, eles serão chamados a depor”.
O Instituto Lula emitiu uma nota a respeito em que se lê o seguinte trecho:
“Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva examinam as medidas que serão tomadas diante da conduta irregular e arbitrária do promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo. O promotor violou a lei e até o bom senso ao anunciar, pela imprensa, que apresentará denúncia contra o ex-presidente Lula e sua esposa, Marisa Letícia, antes mesmo de ouvi-los.”
“Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva examinam as medidas que serão tomadas diante da conduta irregular e arbitrária do promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo. O promotor violou a lei e até o bom senso ao anunciar, pela imprensa, que apresentará denúncia contra o ex-presidente Lula e sua esposa, Marisa Letícia, antes mesmo de ouvi-los.”
Mais adiante, a ameaça é dirigida à revista:
“Quanto à revista Veja, que utilizou a entrevista do promotor para mais uma vez ofender e difamar o ex-presidente Lula, será objeto de nova ação judicial por seus repetidos crimes.”
“Quanto à revista Veja, que utilizou a entrevista do promotor para mais uma vez ofender e difamar o ex-presidente Lula, será objeto de nova ação judicial por seus repetidos crimes.”
Vamos ver
Na concepção jornalística do petismo, se um promotor que investiga um ex-presidente anuncia que vai denunciá-lo por lavagem de dinheiro, a informação deve ser amoitada. Isso, claro, se o alvo for um “companheiro”. Se for alguém da oposição, o site do PT já aproveita e decreta a condenação do vivente. Ora, a revista cumpriu apenas a sua obrigação.
Na concepção jornalística do petismo, se um promotor que investiga um ex-presidente anuncia que vai denunciá-lo por lavagem de dinheiro, a informação deve ser amoitada. Isso, claro, se o alvo for um “companheiro”. Se for alguém da oposição, o site do PT já aproveita e decreta a condenação do vivente. Ora, a revista cumpriu apenas a sua obrigação.
Como se
sabe, aqui eu falo tudo. Acho, sim, que o promotor Conserino deveria ter
ouvido os investigados — por mais que já reúna elementos — antes de
deixar claro que vai denunciá-los. O PT certamente vai acusar a sua
suspeição. Mas isso tudo não é problema da VEJA ou de qualquer outro
órgão de imprensa, que devem publicar aquilo que sabem. Ponto.
Na nota,
os petistas admitem que Lula tem a tal cota, mas continuam a dar a
entender que ela não foi exercida. Diz o promotor: “Há diversas
testemunhas que relatam as visitas do casal presidencial ao prédio. Mas
não é só isso. Ouvi os funcionários e funcionárias da OAS, ouvi o dono
da empresa contratada para reformar o tríplex, e todos confirmaram que
dona Marisa acompanhou pessoalmente o cronograma das obras.”
É muito
provável que os advogados de Lula tentem recorrer à Corregedoria do
Ministério Público Estadual para tirar Conserino caso. Não sei se
consegue. A ameaça à VEJA já virou uma espécie de clássico. Lula acha
que jornalismo maiúsculo é aquele exercido pelos blogeiros oficialistas,
alguns deles financiados por estatais.
Afinal,
naquele grupo, ele pôde dizer, sem ser contestado, que é a pessoa dotada
da maior honestidade do mundo — segundo ele, mais do que qualquer um
dos presentes que lhe puxavam o saco. Neste particular, vamos convir,
ele estava certo, né? Naquele grupo, Lula era, sem dúvida, o mais
honesto, se é que vocês me entendem.
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