Nos últimos dez anos, já foram realizados quase 150 mil contratos do Fies na Bahia
Financiar o primeiro carro ou, quem
sabe, dar entrada na casa própria para se tornar menos dependente dos
pais. Esses são planos comuns entre aqueles que acabam de concluir o
ensino superior. Mas para quem começou a vida adulta investindo no
financiamento da educação em uma faculdade particular, é preciso pensar
duas vezes.
O estudante de Medicina Vinicius Mota, 25 anos, por
exemplo, já tem um saldo devedor de R$ 240 mil com o Fundo de
Financiamento Estudantil (Fies), que abre inscrição amanhã. “O pessoal
da turma que tem Fies brinca quando alguém está planejando comprar um
apartamento ou carro: ‘se lembre que você tem o Fies para pagar’”,
cita.
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O estudante de Medicina Vinicius: saldo devedor de R$ 240 mil com o Fies e 18 anos para quitar débito
(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO) |
O
Fies é o programa que dá aquela força no pagamento da mensalidade de
instituições particulares – diferente do Sisu, que é o sistema que
seleciona os estudantes para as vagas de instituições públicas, e do
Prouni, que concede bolsas de estudo parciais ou integrais em
instituições particulares.
No caso do Fies, que cobre parte ou o valor total
das mensalidades, o estudante faz o curso e, só depois de formado,
começa a quitar a dívida, com juros mais baixos do que os do mercado.
Nos últimos dez anos, já foram realizados quase 150 mil contratos do
Fies na Bahia.
Vale a penaO
sonho de Vinicius era estudar Medicina e ele decidiu apostar em um
curso numa instituição privada. Quando garantiu a vaga, faltava
condições para arcar com a mensalidade de R$ 2.996 (atualmente R$
4.222).
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Hoje no 11º semestre de Medicina na Faculdade de
Tecnologia e Ciências (FTC), Vinicius tem 100% do curso financiado pelo
governo federal, com a responsabilidade de pagar o valor após a
formação. Ele não se arrepende.
"Caso a pessoa não tenha como pagar e não consiga
mesmo uma vaga em faculdade pública, o Fies vale a pena sim, já que são
os juros mais baixos. Em contrapartida, ao final do curso você já começa
a carreira profissional com uma dívida considerável”, pondera.
Atualmente, a taxa de juros do Fies é de 6,5% ao
ano. No ano passado, o Ministério da Educação anunciou mudanças nas
regras do financiamento para os contratos assinados a partir do segundo
semestre de 2015, como a taxa de juros. Antes, até outubro de 2006, era
de 9%. Depois, até agosto de 2009, passou a ficar entre 3,5% e 6,5%. Em
março de 2010, passaram a 3,4%.
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Vale a penaAos
17 anos, quando começou o curso de Biomedicina, Fernanda Carvalho, hoje
com 28, se assustou com a ideia de contrair uma dívida de cerca de R$
45 mil, correspondente ao financiamento de 50% do valor do curso. “Tinha
medo e até hoje eu fico pensando: poxa, ainda vou terminar de pagar só
em 2018”, diz.
As condições de pagamento, porém, estão aí para
tranquilizar os estudantes. “Você tem o triplo de tempo do curso para
pagar. No meu caso o curso é de 6 anos, vou ter 18 para pagar”,
exemplifica Vinicius. Até 2010, o prazo era de duas vezes a duração do
curso.
Fernanda explica que quando terminou o curso passou
um ano pagando R$ 500, valor que era de amortização dos juros do
financiamento. O montante era equivalente ao da outra metade da
mensalidade não financiada.
“Esse valor vai diminuindo. Hoje pago R$ 354,42 por
mês. Quando terminei o curso, tinha outras ambições, de fazer uma
pós-graduação, então isso me preocupou, mas eu entendi tudo isso como um
investimento”, afirma.
Fernanda hoje trabalha como operadora de ressonância
magnética. A dica dela para quem vai contratar o Fies é ficar atento
sempre aos prazos de renovação, que se forem perdidos podem dar muita
dor de cabeça.
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Qualidade acadêmicaPresidente
da Associação Baiana de Mantenedores do Ensino Superior (Abames),
Carlos Joel Pereira acredita que o programa não só dá segurança e
possibilidade das instituições privadas fazerem planejamento.
“Com o Fies, o estudante tem a tranquilidade de
focar no estudo sem precisar se preocupar se vai ter como pagar a
faculdade no final do mês e isso aumenta a qualidade acadêmica”,
acredita.
A crítica da Abames ao programa é a implantação do sistema de seleção aos moldes do Sisu, através do site.
“Até 2014, o Fies funcionou de forma plena, as
instituições intervieram no processo de seleção. Hoje, a forma como está
sendo feito dificulta a comunicação com o estudante e tem deixado vagas
sem ser preenchidas”, cita.
InadimplênciaNo
início do mês, o ministro da Educação Aloizio Mercadante afirmou que a
solução para o pagamento de contratos atrasados do Fies é cobrar a
dívida do fiador.
Atualmente, cerca de 370,9 mil contratos de
financiamento encontram-se na fase de amortização, considerando o total
de financiamentos desde 1999.
MEC ainda não divulgou número de contratos que serão oferecidosO
número de contratos de financiamento que serão ofertados este semestre
ainda não foi divulgado, o que preocupa estudantes diante de cortes e
readequações do orçamento da pasta da educação.
No primeiro semestre de 2015, foram firmados, segundo o MEC, 16.841 contratos na Bahia.
De acordo com a Associação Baiana de Mantenedores do
Ensino Superior (Abames), que representa as instituições particulares, a
expectativa do setor é que em todo o ano de 2016 sejam oferecidos cerca
de 300 mil contratos. No ano passado, foram celebrados 313,9 mil
contratos de financiamento.
Em Salvador, 34 instituições baianas aparecem na
relação de autorizadas pelo MEC para oferecerem bolsas através do Fies.
Anualmente, as instituições interessadas são verificadas pelo Sistema
Nacional de Avaliação da Educação Superior.



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