Exame para pessoas privadas de liberdade será nos próximos dias 9 e 10.
Neste ano, 288 presidiários e 48 socioeducandos de AL se inscreveram.
Inscrito no Enem PPL, Jassvan Willames aproveita o tempo livre para estuda na cela(Foto: Waldson Costa/G1)
Jassvan Willames vê oportunidade de mudar devida se aprovado (Foto: Waldson Costa/G1)
Interessado no curso superior de laticínios, ele diz que encontra nos livros e no trabalho dentro da unidade a oportunidade para mudar de vida.
"Como a minha pena já está para terminar, pretendo pontuar bem para ingressar em uma faculdade e voltar ao mercado de trabalho. No ano anterior, consegui pontuação suficiente, mas não pude cursar porque não recebi autorização judicial para sair do presídio. O juiz alegou que não havia pessoal suficiente para fazer escolta", lamenta Silva, ex-militar da polícia de São Paulo que obteve em 2013 a sexta melhor colocação entre os inscritos do Enem PPL do sistema prisional alagoano.
"Mesmo não conseguindo prosseguir com o estudo fora do presídio, o resultado do exame foi animador para quem terminou o segundo grau com 17 anos e estava há um bom tempo sem estudar. Vejo, assim como muitos, essa prova como uma oportunidade para mudar de vida", completa.
É essa oportunidade que faz o número de inscritos ser expressivo, segundo avaliação da gerente de Educação do Sistema Penitenciário de Alagoas, Andrea Rodrigues. Para ela, o crescimento progressivo da quantidade de inscritos acompanha uma escala qualitativa e não só quantitativa.
"São candidatos que se comprometem com o estudo e possuem possibilidades reais de pontuação. Desta forma, temos um número mínimo de abstinência e um aproveitamento muito positivo dentro da ressocialização", relata Andrea.
Andrea Rodrigues diz que inscrições aumentaramde forma qualitativa (Foto: Waldson Costa/G1)
No primeiro ano do Enem PPL, em 2012, o sistema prisional alagoano registrou 193 inscritos. Em 2013 o número de reeducandos interessados no exame subiu para 272. Destes, segundo dados da gerência de Educação, 76 conseguiram pontuação suficiente para concorrer a uma oportunidade no Sistema de Vagas Unificadas (Sisu) e 25 no Programa Universidade para Todos (Prouni).
O número de matriculados em universidades, entretanto, destoa da quantidade de inscritos. Foi concretizado o ingresso de apenas um candidato pelo Sisu e de dois pelo Prouni. Assim como em 2013, quando 95 candidatos obtiveram pontuação para o Sisu e 34 para o Prouni, mas apenas quatro conseguiram ingressar em cursos superiores, dois de cada programa.
"A disparidade entre o número de candidatos aptos a disputar vagas em cursos superiores e o número real de ingressos ocorre por uma série de situações, desde a liberação do juiz para que o reeducando deixe o sistema prisional, que na maioria das vezes é vetado por conta de mecanismos estruturais e judiciais, a questões pessoais dos candidatos", expõe Andrea Rodrigues.
Aprovação x remissão da pena
Também inscrita no exame deste ano, a reeducanda Ana Paula Torres, 25, que estudou só até o 1° ano do ensino médio, trabalha com corte e costura dentro do sistema prisional, mas pensa em desempenhar alguma atividade na área de estética.
Ana Paula Torres não concluiu o ensino médio, mas se prepara para o Enem PPL (Foto: Waldson Costa/G1)Se aprovada, ela pode ser beneficiada com a Recomendação N° 44 do Conselho Nacional de Justiça, de 26 de novembro de 2013. De acordo com a publicação, o reeducando que não possuir o ensino médio completo e for aprovado no Enem, terá direito a remissão da pena, podendo alcançar até 66 dias a menos de reclusão.
"A realização do exame para o preso atende a um direito onde o objetivo é a humanização e remissão da pena pelo estudo. Algo que dá oportunidade de escolha ao indivíduo que encontra-se privado da liberdade. E isso é importante porque possibilita ao Estado devolver um cidadão melhor para sociedade", completa.
Sistema socioeducativo
No sistema socioeducativo de Alagoas, que abriga jovens entre 12 e 21 anos, o número de inscritos é menor: 48 candidatos, de 173 que estudam nas sete unidades do sistema. Porém, a direção de educação da Superintendência de Assistência Socieducativa (Sase) vem registrando um aumento no número de inscrições desde o primeiro ano do Enem PPL. O número de candidatos a realizar o exame passou de 8 em 2012 para 16 em 2013.
Segundo a diretora de educação da Sase, Elizabeth Kümmer, nenhum dos 48 socioreeducandos que farão o Enem em dezembro tem o ensino médio completo. "A maioria dos jovens sofre com uma defasagem escolar gritante, então, além das aulas de EJA [Educação de Jovens e Adultos] que eles já têm nas unidades, o Enem é uma oportunidade muito importante para a readaptação à sociedade", avalia.
Socioeducandos participam de aula preparativa para o Enem PPL 2014 (Foto: Arquivo Seris/Jorge Santos)
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