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sábado, 15 de abril de 2023

No Dia Mundial da Doença de Chagas, o Instituto Nacional de Cardiologia alerta para risco de retomada da transmissão residencial da doença

 

No Dia Mundial da Doença de Chagas, o Instituto Nacional de Cardiologia alerta para risco de retomada da transmissão residencial da doença

Desmatamento e pobreza favorecem a transmissão da doença, cuja principal causa de morte é a insuficiência cardíaca. Na Amazônia, a cada 10 km² quadrados de desmatamento, há em média dois novos casos da doença.

Rio de Janeiro, 14 de abril de 2023 – No Dia Mundial da Doença de Chagas, o Instituto Nacional de Cardiologia (INC), órgão do Ministério da Saúde, alerta para o risco de uma possível retomada da transmissão residencial da doença, ocasionada pelo desmatamento e má qualidade das residências, principalmente nas áreas de expansão agropecuária na Amazônia.

A Doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, que infecta humanos por meio da picada do barbeiro. O inseto, que originalmente habita áreas de mata, também é encontrado em casas de pau a pique com revestimento de barro (casas de taipa).

Em 2006, o Brasil recebeu o certificado de eliminação da transmissão vetorial domiciliar da Doença de Chagas, graças a melhorias nas condições de habitação da população. A transmissão residencial não cessou complemente, mas chegou a nível tão baixo que foi considerada estatisticamente eliminada.

Atualmente, a principal forma de transmissão da Doença de Chagas é por via oral, quando se ingere alimentos – como açaí e caldo de cana – infectados com ovos do inseto barbeiro.

Estima-se que existam entre dois e três milhões de brasileiros infectados com a Doença de Chagas. Esse total tende a cair, caso a transmissão residencial não seja retomada.

“Nos últimos anos, dois fenômenos causam preocupação: o empobrecimento da população e o desmatamento dos diversos biomas brasileiros”, afirma o Dr. Bernardo Rangel Tura, médico e pesquisador do Observatório de Saúde Cardiovascular do INC. “O desmatamento desloca a população dos insetos de seu habitat próprio para o ambiente urbano, em especial para casas de taipa próximas das matas e florestas, que são, na maior parte das vezes, residências das populações mais pobres”.

O pesquisador avaliou dados de incidência da doença em regiões de florestas desmatadas na Amazônia. A conclusão é que a cada 10 km² de desmatamento, há em média dois novos casos de Doença de Chagas (veja gráfico anexo).

No Brasil, no período de 2018 a 2021, ocorreram 140.789 internações de pacientes com diagnósticos de Doença de Chagas e 16.826 pessoas tiveram a doença como causa básica de morte – em geral, associada ao desenvolvimento de insuficiência cardíaca.

Descoberta pelo sanitarista brasileiro Carlos Chagas em 1909, a Doença de Chagas é classificada como negligenciada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), pela falta de investimento em pesquisas, prevenção e políticas públicas.

A principal explicação para a falta de investimentos é o fato que de a Doença de Chagas é endêmica em populações de baixa renda. O INC acompanha há mais de 15 anos um grupo de pacientes portadores da doença na sua forma crônica, que reflete o quadro epidemiológico atual da doença em grandes centros urbanos. 60% desses pacientes vivem com uma renda familiar de até dois salários mínimos e 67% tem até dois anos de escolaridade.

O Brasil conseguiu um grande avanço com a eliminação estatística da transmissão residencial, mas os retrocessos nos últimos anos colocam em risco essa conquista.

Assessoria de imprensa do INC

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Marcelo Cajueiro

cajueiromarcelo@gmail.com

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