Nos anos 70, jogador sugeriu que o ‘povo’ não teria condições de votar ‘por falta de prática, de educação’ e pela curiosa mania de votar ‘por amizade’ nos candidatos. Fernando Schüler para o Estadão:
Percival Puggina
Em qualquer jogo, a regra determina a conduta dos participantes. O futebol, sem a norma do impedimento, teria menos drible e mais trombada na área; o basquete, sem a regra do tempo jogado, seria um esporte dormente em que a bola permaneceria mais tempo parada do que em disputa; o vôlei, sem rodízio, seria repetitivo e monótono.
Na política não é diferente. Se o sistema de governo e a lei eleitoral induzem à representação política dos grupos de interesse, teremos raros estadistas e muitos políticos distribuindo privilégios para uns e mandando a conta para outros. Se a regra do jogo estimula que os parlamentares sejam porta-vozes de regiões, corporações, sindicatos patronais e de trabalhadores, etc., a mobilização e a militância se darão muito mais nessas áreas do que nos partidos. E será a tais grupos e não às respectivas legendas que os políticos serão fiéis.
Contam-se nos dedos os políticos ocupados com o bem comum porque nada estimula os votantes a ter critérios superiores. O mesmo eleitor que exige a presença do político junto a si e se satisfaz com que ele agencie apenas seus interesses pessoais ou corporativos, cobra a presença de todos os outros no parlamento para cuidar dos interesses gerais. Hipocrisia de manual! De onde sairiam tais estadistas?
Não é paradoxal que o eleitor obediente à regra do jogo (e não poderia ser diferente) vote em defesa de seus interesses e acabe profundamente descontente com o espelho de representação que surge de cada pleito? Ele constata que, periodicamente, como que brotam do ventre da terra, para se emaranharem nos altares do poder, personagens cada vez mais interesseiros, menos honestos, menos capazes e menos comprometidos com o bem comum. E há quem conclua, dessa observação, que a política seja exatamente a lavoura onde se cultivam tais produtos e que dela nada melhor pode surgir. No entanto, reitero: é a regra do jogo que está errada.
Observe um jogo de cartas. Quando os participantes se sentam para jogar, tratam de definir as regras a que estarão submetidos. Se o jogo for de canastra, definirão o valor dos coringas, como bater, etc, mas dificilmente alguém abandonará a mesa de jogo em função da regra fixada. Na política é diferente: a regra do jogo determina objetivamente quem vai jogar. Existem regras que levam à mesa as representações classistas, as representações regionais, os economicamente poderosos, e existem outras que estimulam o surgimento de estadistas. Existem regras que promovem a formação de partidos consistentes, de longa tradição, e regras que criam representações comerciais das movediças pautas políticas.
O mosaico normativo em que já se tornou a Constituição Federal de 1988 é decorrência da regra do jogo político ao tempo de sua elaboração. Com uma Constituinte não exclusiva (decisão lamentável de José Sarney em 1985), com o modelo eleitoral estimulando a representação política dos grupos de interesse, e num ambiente de tensão ideológica, criamos a matriz dos problemas com os quais convivemos. Entre os destampatórios da esquerda que queria tudo estatal e grátis e a insensibilidade dos caciques regionais que desejavam conservar os anéis nos próprios dedos, surgiu o centrão para compor o possível. O leitor mais idoso lembra, por certo, dos “buracos negros”, temas sobre os quais não se chegava a um entendimento e que acabaram entrando para o texto unidos a preceitos do tipo “na forma da lei complementar”. Ou seja, a Constituição diz, mas não diz, para que a lei, mais tarde, quando houver acordo, venha a dizer.
Resultaram inúteis as advertências no sentido de que a Constituição deveria definir os consensos e a lei dispor sobre os dissensos. Era fatal que, a partir da promulgação, as emendas fossem se acumulando. A Constituição é tratada como se lei ordinária fosse porque fizeram dela uma lei assim, portadora de grave pecado original decorrente da regra de jogo que selecionou seus elaboradores. Por isso, nestes dias, tantos candidatos ao Legislativo carregam no bolso Propostas de Emendas à Constituição (PECs) que refletem o equívoco dos constituintes de 1988.
Quatro décadas após aquele alvoroço democrático, fomos estacionar, com liberdades minguantes, tão longe de uma democracia quanto estamos nestes dias de burrice, estupidez, insegurança e trevas.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Sérgio J. Kaminski
Dias difíceis vivemos nós brasileiros ... Nem todos!
Um vírus, desde muito existente, alojado se encontra nos três poderes da nação brasileira, leia-se Legislativo, Executivo e Judiciário...Se alastra e contamina número maior daqueles que detém o poder adquirido pelo voto ou por nomeações generosas...
O mal cheiroso corporativismo dos "nossos políticos", aliado ao objetivo de reeleição duradoura e ampliação dos privilégios para si e os seus, nos trouxe aos dias tristes que compartilhamos com todo cidadão brasileiro...
Deseducação nas escolas, insegurança, desemprego, desassistência na saúde e caos jurídico em todas as instâncias.
A Praça dos Três Poderes é posse de "autoridades" que exalam o mau cheio da corrupção e desobediência ao galgar os degraus da legislação vigente (deficiente, confusa e inacabada...)
Inoculados com o vírus do "egoísmo corruptivo" acreditam que, vírus que também são, vítimas não serão em um horizonte que se avizinha, levando de roldão todos brasileiros ...
Cicatrizes profundas se avizinham num horizonte logo ali...
A mídia, tida e havida como quarto poder, deveria agir como agente neutro e apolítico, com boa técnica e ética profissional no desempenho do papel de mediadora entre os poderes.
Lamentavelmente a verdade verdadeira é sonegada de modo torpe aos brasileiros.
A concertação do caos não irá acontecer com decisões futuras...A oportunidade, mais uma vez, vai estar disponibilizada nas eleições de 4 de outubro. Nossas escolhas não podem uma vez mais serem errôneas!
É preciso que nosso direito sagrado do voto seja usufruído com olhar no futuro do Brasil e dos brasileiros!
Urge eliminarmos a "ratazana" que ocupa por inteiro os rodapés da política brasileira, corrigir a rota com atitudes e navegar solidários e resilientes na busca de dias melhores que todos brasileiros merecem.
Lembrando nosso hino da Proclamação da República, de autoria de José Joaquim Medeiros e Albuquerque/Leopoldo Miguez:
"Seja um pátio de luz desdobrado
Sob a larga amplidão destes céus
Este canto rebel, que o passado
Vem remir dos mais torpes labéus
Seja um hino de glória que fale
De esperança, de um novo porvir!
Com visões de triunfos embale
Quem por ele lutando surgir!
Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz."
Gilberto Simões Pires
ONDA DE INDIGNAÇÃO
Por mais que me esforce, confesso que por força da ONDA DE INDIGNAÇÃO que tomou conta de grande parte da sociedade brasileira contra as barbáries que são cometidas, com o sereno beneplácito das AUTORIDADES ESQUERDISTAS -eleitas e não eleitas-, do nosso empobrecido Brasil, é praticamente impossível ler, ouvir e assistir as centenas de milhares de mensagens que me são enviadas e/ou publicadas nas REDES SOCIAIS.
EDITORIAL DO ESTADÃO
Diante da avalanche interminável de NOTÍCIAS, COMENTÁRIOS E OPINIÕES INDIGNADAS, o que me resta é selecionar e compartilhar aquilo que me parece mais impactante. É o caso, por exemplo, do que está posto no Editorial do ESTADÃO do dia 26/7, que, para desespero de quem PAGA IMPOSTOS (elevadíssimos), e como tal sustenta os SERVIDORES PÚBLICOS DO NOSSO PAÍS, aponta INFILTRAÇÃO DO PCC NA CÚPULA DA POLÍCIA MILITAR DE SÃO PAULO.
A SOBERANA POLÍCIA MILITAR E OPERADORES FINANCEIROS
No editorial, o ESTADÃO, jornal que sempre se mostrou IDEOLOGICAMENTE IDENTIFICADO COM AS CAUSAS DA ESQUERDA, não aguentou e resolveu comentar sobre a Operação Janus, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo, que REVELOU SUSPEITAS (??) DE LIGAÇÃO ENTRE INTEGRANTES DO ALTO COMANDO DA -SOBERANA- POLÍCIA MILITAR PAULISTA E OPERADORES FINANCEIROS DO -PCC- PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL. A investigação aponta -possíveis- conexões envolvendo PAGAMENTOS DE PROPINAS E RELAÇÕES COM INTEGRANTES DA FACÇÃO E EXPÕE COMO O PCC LAVA DINHEIRO E RESOLVE SUA QUERELAS POR MEIO DOS CHAMADOS TRIBUNAIS DO CRIME.
O NOSSO PCC, SEGUNDO LULA
Mensagens obtidas pelas autoridades indicam que um dos membros do -NOSSO PCC-, como prefere o presidente LULA, buscava dinheiro “PARA PAGAR A POLÍCIA". Uma planilha típica do esquema de propina conhecido como TICKETAGEM registra pagamento a um coronel identificado como “Patrício”. Um grupo de WhatsApp intitulado “Aniversário General”, com diálogos entre o PCC e a cúpula da PM paulista, sugere um convívio indecente, para dizer o mínimo, entre criminosos e agentes supostamente a serviço da lei. Que tal?
Alex Pipkin, PhD
Há poucos dias subi a um
lugar muito alto. Instintivamente olhei para baixo. Meu corpo enrijeceu,
as pernas balançaram e
senti aquela velha sensação de que a própria altura nos lembra de
recuar. Quem estava comigo também olhou para baixo. Nenhum de nós
conseguiu ignorar a altura.
Voltei para casa pensando que a natureza criou um mecanismo extraordinário. Quanto maior a altura, maior a cautela. A vertigem não existe para impedir que subamos. Existe para impedir que esqueçamos onde estamos.
Foi então que me ocorreu uma pergunta.
Por que esse mecanismo desativa justamente quando a altura deixa de ser física e passa a ser intelectual?
Já passei dos sessenta anos. Li milhares de páginas, lecionei por mais de trinta e cinco anos e continuo estudando todos os dias.
Se existe uma conclusão à qual todo esse tempo me conduziu, ela é quase um paradoxo.
O conhecimento não elimina a ignorância, apenas ilumina suas fronteiras. Cada resposta revela perguntas que antes sequer existiam. Aprender não é acumular certezas, mas ampliar, continuamente, a consciência daquilo que ainda desconhecemos.
Descobri também que estudar produz um efeito inesperado. Não nos transforma em proprietários da verdade. Apenas reduz nossa arrogância diante dela. Continuamos sem saber exatamente o que fazer em muitas situações, mas passamos a reconhecer, com muito mais clareza, aquilo que repetidamente não deveria ser feito. A maior utilidade do conhecimento não é eliminar a dúvida, mas impedir que deixemos de duvidar.
Talvez por isso as pessoas mais preparadas dificilmente são as sempre mais categóricas.
O curioso é que vivemos exatamente a época oposta.
Nunca foi tão fácil encontrar especialistas instantâneos. Pessoas que jamais estudaram geopolítica distribuem certezas sobre conflitos milenares. Quem nunca abriu um tratado de economia apresenta soluções definitivas para países inteiros. Jovens que mal começaram a viver falam da vida como quem já escreveu o último capítulo.
Quase ninguém demonstra a menor vertigem.
O conhecimento amplia o horizonte, e a inteligência nunca consistiu na ausência de dúvidas, mas na capacidade de conservar a vertigem diante daquilo que pensamos saber.
Francisco Carneiro Junior
“O socialismo nunca defendeu o povo — defendeu o Estado contra o povo, e destruiu, no caminho, a menor minoria que existe sobre a Terra: o indivíduo”. Ayn Rand
Enquanto Brasília sonha com outubro, o Brasil sangra em silêncio.
O projeto que hoje ocupa Brasília não é um projeto de governo. É um projeto eleitoral disfarçado de governo. Não existe plano de nação ali dentro — existe cronograma de campanha. E a diferença entre as duas coisas é medida em vidas, em contas de luz, em presídios que viraram sede social do crime, em fronteiras que ninguém fecha. O horizonte deles é outubro de 2026. O horizonte do povo é o Brasil que sobra depois. Sacrifica-se o presente do brasileiro para financiar o futuro do partido — e a fatura, gigantesca, cairá sobre a mesa de cada família em 2027, quando o circo já tiver ido embora e restar só a lona rasgada.Olhe ao redor. Segurança pública, defesa nacional, infraestrutura, o interior esquecido, o cotidiano exaurido — em cada uma dessas frentes a sensação é uma só, monocórdica, obsessiva: abandono. Não é impressão. É método.
Comecemos pelo bolso, que é onde a ideologia perde a poesia e vira aritmética. Você paga luz, combustível, internet, plano de saúde, transporte, água — e nunca votou em quem decide, de fato, quanto você vai pagar por cada um desses itens. O Brasil mantém onze agências reguladoras federais com poder de editar norma, autorizar, fiscalizar, multar, interferir. Um poder imenso, quase invisível, que não passa pela urna e raramente passa pela imprensa. O problema não é a regulação em si — regular é função legítima do Estado moderno. O problema é quando a regulação deixa de prestar contas a alguém e passa a prestar favor a algum setor. Isso tem nome técnico: captura regulatória. E captura regulatória, meus caros, é apenas uma forma elegante de dizer que o Estado trocou de dono sem avisar o eleitor.
Agora olhe a fronteira, porque é lá que a ficção do “Brasil que funciona” se desfaz com mais violência. O país deixou de ser rota do narcotráfico internacional para se tornar base dele. O Tren de Aragua fornece armamento. O Comando Vermelho articula redes que atravessam continentes. O PCC se expande como uma corporação transnacional — porque é exatamente isso que ele é: uma corporação transnacional do crime, com filial, com logística, com departamento financeiro. E enquanto isso acontece, a cúpula da Polícia Federal chama de “equívoco técnico” a decisão de potências estrangeiras de tratar essas facções como organizações terroristas. Chamam de equívoco o que deveria ser chamado de diagnóstico tardio. O governo, em vez de agradecer a cooperação, veste a beca da soberania ferida — como se soberania fosse o direito de deixar o crime crescer sem interferência alheia, e não o dever de protegê-la com as próprias mãos, antes que outros precisem fazê-lo por nós.
A solução, aliás, nunca foi complicada — só foi, sistematicamente, evitada. Fronteira protegida. Dinheiro bloqueado. Bens confiscados. Lideranças isoladas em regime que impeça o comando de dentro da cela. Facções tratadas como o que são: ameaça à soberania nacional, não como problema de assistência social mal resolvido. Ou o Brasil enfrenta o narcoestado que se instala célula por célula, ou aceita ser playground do crime organizado — e nações não escolhem entre essas duas coisas por acaso; escolhem por covardia ou por coragem, e a covardia, infelizmente, também é política pública.
E é dentro do próprio sistema prisional que se vê o retrato mais cru do abandono. Quando o Estado perde o controle dos presídios, ele não perde um detalhe administrativo — perde a soberania sobre o próprio território, célula por célula, ala por ala. É nesse vácuo, morno e silencioso, que as facções recrutam, se organizam, se profissionalizam. Cada preso não ressocializado é um funcionário em potencial da maior multinacional do crime que o Brasil já produziu.
E é nesse cenário que ouvimos uma vereadora — Karen Santos, do PSOL — descrever traficantes como “trabalhadores megaexplorados” e defender a legalização das drogas como política de combate ao próprio tráfico. Segundo ela, a droga seria “uma mercadoria como qualquer outra”. Vejam a inversão: quem morre soterrado pela guerra das facções vira estatística; quem comanda o tráfico vira proletário oprimido. É a compaixão apontada para o lado errado da arma. E o pior: dita com a solenidade de quem acredita estar do lado certo da história — o que nos leva a um fenômeno mais profundo do que qualquer discurso isolado de plenário.
Porque existe uma engrenagem, quase invisível, que rege a política digital contemporânea, e que explica por que discursos como esse não desaparecem — eles se multiplicam. A internet não premia necessariamente quem está certo. Premia quem consegue fazer o adversário reagir. Há uma lei informal da internet que descreve exatamente isso: a forma mais eficiente de dominar uma conversa não é fazer a pergunta mais inteligente — é lançar a provocação mais irritante, aquela que ninguém consegue deixar sem resposta. O erro vira isca. A indignação vira combustível. E jornalistas, adversários, influenciadores, militantes de boa-fé começam, sem perceber, a trabalhar de graça espalhando exatamente aquilo que gostariam de destruir. Some a isso outro princípio, batizado em homenagem a um escritor italiano: a quantidade de energia necessária para desmentir uma mentira é ordens de grandeza maior do que a energia necessária para produzi-la. E some ainda a advertência de um linguista americano: negar publicamente um enquadramento é, paradoxalmente, reforçá-lo na mente de quem ouve — porque a palavra repetida grava a moldura, mesmo quando pretende apagá-la. Três mecanismos, uma só conclusão: nem toda provocação merece palco, porque na guerra de narrativas quem “corrige” costuma sair convencido de que venceu o debate — enquanto quem provocou, na verdade, venceu a pauta.
E a hipocrisia, aqui, atinge sua forma mais pura. Em palanque na universidade, antes de discurso do próprio presidente da República, ouvimos a acusação de que as igrejas seriam “máfias”. Mas, chegada a eleição, os mesmos lábios que insultaram os templos pedirão, mansamente, o voto dos que neles rezam. Quando alguém chama a igreja de máfia, não está atacando um prédio de tijolo e telha — está atacando milhões de pessoas de fé que sustentam famílias, recuperam vidas destruídas pelo vício, alimentam quem o Estado esqueceu. Quem conhece o trabalho das igrejas nas periferias sabe que ali não há crime organizado: há oração, acolhimento, prato de comida quente, esperança reconstruída tijolo por tijolo. A fé do povo não pode ser transformada em inimigo ideológico por quem, depois, precisará dela nas urnas. Respeitar as igrejas não é favor — é reconhecer a liberdade religiosa e a dignidade elementar de quem crê.
Mas para entender por que tudo isso se encaixa como peças de um só quebra-cabeça, é preciso voltar a 1985, quando um ex-agente da KGB desertou para o Ocidente e revelou o método. Yuri Bezmenov não foi treinado para plantar bombas — foi treinado para plantar percepções. O trabalho dele não era espionagem no sentido clássico. Era reformular, lentamente, a maneira como uma população inteira enxerga a realidade, até que essa população perca a capacidade de distinguir o certo do errado. Ele batizou o processo de subversão ideológica. Eu batizo de Brasil contemporâneo.
A subversão não chega de tanque. Chega pela escola que ensina a obedecer em vez de pensar. Chega pela mídia que decide, por você, o que merece sua indignação hoje. Chega pela cultura que glorifica o Estado provedor e culpa o empresário pela pobreza que o próprio Estado, com sua carga tributária asfixiante, ajudou a produzir. Bezmenov descreveu quatro etapas, e cada uma delas tem endereço no Brasil de 2026. Desmoralização: corroer os valores que sustentam uma sociedade produtiva — família, mérito, propriedade. Ele considerava essa etapa concluída no Ocidente já em 1985; no Brasil, ela amadureceu tardiamente, mas amadureceu. Desestabilização: atacar a economia real, as relações exteriores, a capacidade de defesa — leis que encarecem produzir, impostos que sufocam quem gera emprego. Crise: o colapso que chega, com pontualidade quase matemática, quando a base produtiva de um país é sistematicamente destruída. Normalização: o momento em que o povo deixa de se indignar e passa a administrar o caos como se fosse clima — carga tributária alta? “é assim mesmo”. Empresa fechando? “culpa do empresário ganancioso”. E aqui mora a peça mais trágica do tabuleiro: os idiotas úteis. Não são vilões conscientes — são, em sua maioria, pessoas de boa-fé que propagam a narrativa da própria ruína por ingenuidade, por vaidade, por ganância de aplauso, sem perceber que ajudam a afundar o mesmo barco em que navegam.
E é preciso dizer, com honestidade que a militância raramente pratica: a esquerda moderna não é uma conspiração de cinismo. É pior — é um sistema de poder que se autolegitima através da própria linguagem moral. A maioria de seus operadores acredita genuinamente no que prega. E é exatamente por isso que o sistema é tão resistente: um regime que depende de conspiradores conscientes é frágil, porque conspiradores podem ser expostos, comprados, desmascarados. Um regime que convence seus próprios operadores de que estão praticando o bem é quase inexpugnável, porque não há traidor a delatar — há apenas fiéis convictos. Roger Scruton deu nome a esse impulso: oikofobia — o desprezo sistemático pelo que é seu, familiar, herdado, local. É um movimento psicológico que precede o político. Primeiro se aprende a sentir vergonha da própria origem; depois se aprende a reparar essa vergonha através da militância; a militância então se torna identidade; e a identidade se torna o bem supremo, blindado contra qualquer crítica. O resultado é uma classe que se sente moralmente superior precisamente por ter rompido com tudo que a precedeu — a família, a tradição, a fé, a nação. Quanto mais se rejeita o passado, mais virtuoso se é. Quanto mais se pertence a ele, mais culpado se torna. É um sistema fechado, meus caros: não há como vencer esse debate por dentro, porque o debate, ali, nunca foi sobre argumentos — é sobre pertencimento moral, e pertencimento moral não se discute, se professa.
Se o brasileiro real, no seu dia a dia, em seus valores, em sua fé, é majoritariamente conservador — e se os partidos que dizem falar em nome do povo são sistematicamente progressistas — a pergunta que ninguém quer responder se impõe sozinha: quem, afinal, representa quem? A resposta é desconfortável, mas é precisa: a esquerda brasileira nunca representou o povo. Representou a classe intelectual que se autoproclamou porta-voz dele. E essa distinção não é detalhe acadêmico — é o núcleo exato do problema. Quando Antonio Gramsci formulou o conceito de hegemonia cultural, ele não estava ensinando como convencer a maioria a mudar de opinião. Estava ensinando como tornar a opinião da maioria irrelevante, controlando as instituições que decidem o que conta como realidade. Escola. Universidade. Imprensa. Entretenimento. Quem domina essas quatro estruturas não precisa vencer eleição nenhuma para governar — governa antes mesmo de a urna ser aberta.
E o que é o aparelhamento senão a hegemonia cultural com CNPJ, com organograma, com folha de pagamento? Não é teoria. É prática administrativa. Educação, saúde, previdência, o Bolsa Família — tudo instrumento; nada é fim em si. Um pedaço das Forças Armadas, capturado pela lógica da acomodação. Um pedaço da Polícia Federal, capturado pela lógica do “equívoco técnico”. As autarquias, a ANEEL, a ANATEL, o alfabeto inteiro das siglas que ninguém elegeu — tudo isso não administra o Brasil: administra o desvio, a cooptação, a promoção contínua de um projeto único, que é a utopia centralizadora de Brasília. E a essa utopia é preciso, finalmente, dizer basta. Precisamos rever, reexaminar, reconquistar aquilo que é nosso — porque a verdade incômoda é esta: nós não defendemos coisa alguma que seja nossa.
Enquanto isso, observe o mundo lá fora: as outras nações defendem, com unhas e dentes, até aquilo que não lhes pertence. Recebem o que não é delas, e ficam com o que recebem. O Brasil, ao contrário, entrega o que é seu — e agradece pela oportunidade. Por que a exceção somos sempre nós? O sistema, note bem, já nasceu arranjado para isso: os fundos estão definidos, as autarquias estão desenhadas, os recursos escoam para onde a lei manda escoar, obrigatoriamente, independentemente de mérito, de resultado, de qualquer critério que não seja o critério político que criou a norma. Não é desvio informal — é rolo institucionalizado, com força de lei, blindado contra qualquer revisão.
E aqui está o erro estratégico mais grave de décadas de resistência conservadora: nós só sabemos nos levantar contra indivíduos. Contra o ministro, contra o petista da vez, contra o rosto que a televisão nos mostra. Mas nunca contra a instituição — a autarquia, o fundo, a estrutura burocrática permanente — que segue ali, entronizada, cooptada, orientada contra o próprio país, muito depois de o indivíduo ter caído em desgraça e sido substituído por outro igual. Combater o sintoma e poupar a doença é a receita exata da derrota eterna. É a instituição, e não apenas o nome que a ocupa hoje, que precisa ser revista, disputada, reconquistada — porque enquanto lutarmos apenas contra pessoas, o aparelho continuará de pé, esperando, paciente, o próximo ocupante.
A esquerda não chegou ao poder no Brasil por vitória eleitoral esmagadora nem por sedução ideológica da maioria silenciosa. Chegou por infiltração institucional — lenta, paciente, metódica, executada ao longo de gerações por intelectuais e militantes que compreenderam exatamente aquilo que os conservadores brasileiros insistiram, soberbamente, em ignorar: que o poder duradouro não está em quem vence a eleição de outubro, mas em quem forma os juízes, os professores, os jornalistas, os funcionários públicos de carreira que permanecem no cargo enquanto os governos passam. Os conservadores brasileiros falharam de maneira monumental em construir as alternativas institucionais que poderiam ter alterado esse equilíbrio décadas atrás. E aqui vai a advertência mais dura deste texto, porque advertência sem dureza é apenas lamento vestido de análise: criticar a hegemonia cultural da esquerda sem ter erguido nada comparável não é diagnóstico — é queixa. É o general que denuncia o exército inimigo sem jamais ter treinado o próprio batalhão.
E, no entanto — e é aqui que este texto se recusa a terminar em resignação, porque resignação é exatamente o produto final que a subversão ideológica pretende entregar — reverter esse quadro é questão de construção, não de lamentação. Escola por escola. Instituição por instituição. Uma geração disposta a ocupar o espaço que a anterior cedeu por comodismo.
O Brasil não está condenado ao regime de exceção regulatória, ao narcoestado tolerado, à normalização do caos como clima. Está, isso sim, diante da última hora em que a construção ainda é possível sem que o colapso a torne inevitável. Um Brasil que funciona não é utopia de gabinete nem imaginação de discurso de posse — é projeto que se constrói com as mãos, com instituição, com coragem de nomear o crime pelo nome certo e a fé pelo respeito que ela merece. Existe, ainda, um caminho de volta. A pergunta que resta — e que cada brasileiro terá que responder, sozinho, diante da própria consciência, antes de outubro de 2026 — é se ainda restará gente disposta a percorrê-lo antes que a conta, gigantesca e avassaladora, vença de vez.
Francisco Carneiro Júnior
O PT vem desrespeitando a Lei Federal nº 4.320, que trata das Despesas
de Exercícios Anteriores desde 2016. Não cumpriram a lei em nenhum ano.
Também cometem Subavaliação de Restos a Pagar desde 2020. O Tribunal de
Costas do Estado, repositário de aliados nomeados pelo PT, destaca essas
infrações todo ano. Mas continua aprovando as contas...
O ex-secretário estadual Carlos Sodré, que se lançou candidato, tem
cultura, conhecimento, mas poucos votos. Mesmo assim bota fé em
conseguir bons votos por ser o "único candidato sulbaiano" ao Senado. Só
que agora ele perdeu esse mote. O partido "porra lôca" Psol lançou para
o Senado a professora Delliana Ricelli, de Itabuna. Quem? Pois é.
Alguém precisa acordar Ai Dela Dinheiro que, pelo jeito, é sonâmbula e
dá entrevistas enquanto sonha que está em Nárnia. Nas entrevistas, ela
cita como grandes conquistas do PT a Ferrovia de Integração Oeste-Leste,
o Porto Sul, os contornos norte e sul de Ilhéus e a Ponte
Salvador–Itaparica. Alguém avise a ela que nada disso existe e ninguém
sabe se vai existir.
A cena foi linda. Parecia reencontro de amantes em comédia romântica.
ACM Neto segurando o rosto de Capetão Azêdo com todo o carinho, olhar
apaixonado. Só faltou o beijo. Só que, gente que conhece o capetão diz
que ele estava desconfortável, como noiva que se arrependeu do casamento
mas tem que manter o compromisso porque o buffet já está pago.
Neto não costuma discutir com quem não é concorrente direto a
governador, mas abriu uma exceção para Rui Cannabis, que chamou ele e
Bruno Reis de "um bando de Zé Mané". Neto disse que o caso de Rui é "um
problema de terapia, não de debate político, porque ele não se cansa de
me agredir. Eu posso sugerir que ele procure uma terapia para se
acalmar".
Só existe uma pesquisa dando empate técnico entre ACM Neto e Zerônimo, a
da Quest. Cujo dono tem cargo no governo do Ladrão (PT). Cuja empresa, a
Genial, foi denunciada pela PF por fazer parte do sistema de lavagem de
dinheiro do PCC. Que tem indícios fortes de parceria com o PT. Partido
de Zerônimo. Que perde feio em todas as outras pesquisas...
Após o anúncio de apoio ao deputado federal Joseildo Góes, jogando fora
Jonga Bacelar, que mandou várias emendas para Canavielas, o prefeito
Paulo Pamonha descobriu que não manda nem no primeiro-damo e não lidera
ninguém. Cada secretário apoia um candidato diferente. Vão ter que
dividir os 93 votos que deram a Jonga em 22. É tão pouco que dá para
conseguir isso na zona.
Durante a campanha eleitoral, o PT vai ter que tomar muito cuidado para
não perder seu candidato, Zerônimo, em algum acidente. É preciso tomar
cuidado para não deixar ele visitar fazendas, igrejas ou terreiros. Se
tentar entrar numa fazenda pode perder a vida num "mata-burro". Se
visitar uma igreja corre o risco de ser exorcizado. No terreiro, de
baixar uma pomba-gira...
Augusto, Capetão Azêdo, Pancadão da AFI e um garoto estão num avião
caindo. Só tem três paraquedas. Pancadão diz "sou deputado e por isso
tenho que ser salvo primeiro", pega um paraquedas e pula. Augusto propõe
a Azêdo tirar no par ou ímpar. Quem perder cede o paraquedas a
Joaozinho. "Não precisa," diz o garoto. "Pancadão pulou com minha
mochila da escola..."
Durante a convenção do PL, que consagrou Flávio Bolsonaro para
presidente, o deputado Capitão Alden afirmou que "a tônica agora é da
união, juntarmos os esforços para que a gente possa realmente despetizar
o Brasil". Ele podia começar seguindo o próprio conselho na Bahia, onde
vive criticando o presidente estadual, João Roma, para deleite dos
petistas.
Se voce quer os votos dos moradores de uma cidade, o mínimo que precisa
fazer é respeitar suas festas e participar dos eventos que são
importantes para ela. Pancadão da AFI ignorou o aniversário de Itabuna,
se limitando a postar um card frio, com frase burocrática. O finado
Gelado Limões, ex-prefeito, foi outro que desprezou a data mais
importante da cidade.
Foi um contraste com Neto, Roma, Coroné Anjo, Zé Cocá e Valderico II,
que estavam lá, prestigiando Itabuna. Foram recebidos com elegância por
Augusto, que cumprimentou, conversou e agradeceu a presença. Pancadão
Traíra, que se elegeu pela direita e pulou para a esquerda, não tinha
nenhuma desculpa para faltar, já que agora ele está no mesmo lado de
Castro.
O finado Gelado Limões até queria ter ido ao aniversário de Itabuna.
Tirou as naftalinas do paletó e botou pintura nova no cabelo, mas alguém
deve ter colocado Super Bonder na fechadura da tumba e ele não pode
sair. Ou não se importou com a festa da cidade, o que, para quem ainda
tem a ilusão de concorrer à prefeitura como vice de Renato, é uma
afronta com o eleitor.
Jaques Master teve um princípio de infarto e foi levado para o hospital
por Rui Cannabis e Zerônimo. Todos ficaram preocupados quando o médico
informou que teria que fazer uma ponte de safena. Rui chamou ele de lado
e disse para não fazer isso. "Faça quatro, superfaturadas. Uma pro
Jaques, uma pra mim, uma pro Zerônimo e a outra voce divide com sua
equipe".
Na próxima eleição para prefeito, que está mais perto do que a gente
pensa, Itabuna pode se transformar num cenário de The Walking Dead.
Existe um boato de que o finado Gelado Limões vai sair da tumba para ser
vice de Renato Costa, os dois pelo MDB, numa articulação de Lúcifer
Vieira Lima. Outros que podem voltar do além são Major Fábio e Capetão
Azêdo.
O TRE mandou suspender o perfil anônimo do Instagram @jerolandiareserva,
por criar notícias falsas contra o desgovernador Zerônimo. Não
entendemos. Para que criar notícias falsas contra um governo tão ruim?
Não precisa. Basta usar a verdade: depois de 20 anos de PT, a Bahia é um
dos piores estados, líder de assassinatos, miséria e ignorância.
O pito podia ter sido da mãe de Zerônimo, mas veio de Neto. O
desgovernador, talvez por falta de capacidade de discutir problemas
reais, gastou tempo acusando Neto de "não gostar de caldo de cana". A
resposta foi cortante: "A Bahia precisa de um governador concentrado em
resolver problemas, não em criar distrações". Zerônimo é o zero, à
esquerda.
A imprensa vem avisando há anos que os animais soltos em Itabuna eram um
perigo e um dia iam matar alguém. Aconteceu nesta semana e a
responsabilidade é da Prefeitura de Itabuna, que há anos promete retirar
os animais, mas nunca fez. É uma mancha vergonhosa numa administração
exemplar. Se o DCZ não funciona, Augusto deve trocar tudo. É o nome dele
em jogo.
Se a prefeitura não tem competência para resolver, que visite Vitória da
Conquista, que resolveu o problema com estrutura adequada para manter
os animais, estratégia de vigilância constante e, acima de tudo, decisão
política de atacar o problema com firmeza. Conquista é maior e tem
muito mais animais que Itabuna. Mas voce não vê nenhum nas ruas.
Depois da morte do garoto, apareceu um pessoal da GCM, com farda de
combate, e um caminhão. Fizeram pose para fotos e apreenderam três
cavalos (e nenhuma vaca, nem a responsável pelo acidente). Duas
observações: isso não vai trazer de volta a vida perdida pela omissão. A
segunda é que, em dois dias, a GCM some de novo. Já tiraram a selfie...
Existe um jeito simples de acabar com o abuso dos donos dos animais. Em
caso de vaca ou boi, se for apreendido vai direto para o matadouro e a
carne distribuída para entidades sociais. Se for cavalo, vira
propriedade do batalhão montado da PM ou será usado em equoterapia. Sem
prazo para resgatar. Sem leniência. Deixou na rua, perdeu.
Vice bom substitui o prefeito mantendo o perfil. O de Itabuna, Junior
Brandão, seguiu a tradição de Augusto, que tem um fuso horário só dele e
chega atrasado nos eventos. Junior representou Augusto na inauguração
da nova (e bela) sede do Procon. Chegou quase uma hora atrasado e alguém
brincou. "Como voce demorou, a gente já inaugurou. Mas pode inaugurar
de novo". Inaugurou.
Durante a cerimônia, o diretor do Procon Bahia, Iratan Vilas Boas,
encheu a bola da coordenadora Jisele Neves, dizendo que ela colocou o
Procon de Itabuna "na prateleira de cima" dos Procons baianos. O
reconhecimento do trabalho, que ressuscitou a unidade de Itabuna, deve
ter incomodado todo mundo que veio antes dela...
A esdrúxula decisão da "justiça" da Bahia, proibindo deputado de cumprir
sua obrigação e direito de fiscalizar o estado, pode ser um tiro no pé.
Se ACM Neto vencer, os deputinhos da facção petista não vão poder
fiscalizar nada... A decisão segue o exemplo de cima. iMoraes anulou e
fechou o Congresso, e o TJ anula e, na prática, fecha a Assembleia da
Bahia.
A obrigação de agendar a fiscalização é uma piada de muito mal gosto,
avisando antes e dando tempo para o denunciado maquiar o problema. É
como a polícia avisar o traficante de que vai fazer uma operação na boca
de fumo, dizendo dia e horário. Assim como seria absurdo em relação ao
tráfico, é absurdo na gestão pública. O medo é flagrar coisa errada.
O deputado Leandro de Jesus diz que a decisão restringe o exercício da
atividade parlamentar. E expõe o absurdo da decisão: "eu tenho que pedir
autorização de quem vai ser fiscalizado! Além disso, a Casa é
controlada pelo governo do Estado e a decisão acaba amordaçando o povo
baiano". Ele se refere à exigência de que a Alba precisa aprovar a
fiscalização.
Esta coluna é dedicada às futricas, intrigas e críticas à política
baiana, e de Itabuna e Ilhéus. Não inventamos nada, mas desnudamos o que
tentam esconder...
JORNAL A REGIÃO
A cobrança de tarifa única de R$ 80 pelo estacionamento da Arena Fonte Nova durante os jogos do Bahia virou alvo de uma representação no Ministério Público. A medida, considerada abusiva pelos autores, pede a suspensão imediata por violação ao Código de Defesa do Consumidor.
A representação foi protocolada na quarta-feira, pelo ex-prefeito de Salvador João Henrique. O documento foi encaminhado à Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor. Segundo o autor, a cobrança da tarifa única obriga o consumidor a pagar R$ 80 independentemente do tempo de permanência no estacionamento, seja por poucos minutos ou durante toda a partida.
Para João Henrique, a prática configura um aumento abusivo e sem justa causa, em desacordo com o artigo 39, inciso X, do Código de Defesa do Consumidor. “Não é razoável que o consumidor seja obrigado a pagar R$ 80 de estacionamento, independentemente do tempo em que utilize o serviço".
"O Código de Defesa do Consumidor proíbe aumentos sem justa causa, e é justamente isso que estamos levando ao conhecimento do Ministério Público para que sejam adotadas as medidas cabíveis”, afirmou.
Os autores da representação também sustentam que a mudança foi aplicada sem comunicação prévia aos usuários, surpreendendo os torcedores que compareceram à Arena Fonte Nova na última rodada do Campeonato Brasileiro.
No pedido encaminhado ao MP-BA, João Henrique e Luisinho Sobral solicitam procedimento para apurar a legalidade da cobrança e a adoção de medidas para suspender imediatamente a tarifa única de R$ 80, caso sejam constatadas irregularidades.
“A população já convive com um custo de vida elevado. Não podemos admitir que o consumidor seja submetido a uma cobrança que entendemos ser abusiva e incompatível com a legislação de defesa do consumidor”, concluiu João Henrique.
JORNAL A REGIÃO
Cerca de 80 estudantes, ex-alunos e educadores do Colégio Marista de Salvador participaram, durante quatro dias, da 15ª Missão Marista Solidária, em Baixa Grande, no centro-norte. A iniciativa promoveu oficinas, visitas e outras atividades para mais de 3 mil crianças e adolescentes da rede municipal.
Integraram o grupo 76 estudantes, quatro ex-alunos que atuaram como profissionais de apoio nas áreas de psicologia, comunicação e engenharia, além de educadores da instituição.
A principal característica do projeto é o acompanhamento de cada cidade por um ciclo de três anos. Nesse período, as atividades são desenvolvidas em parceria com escolas, instituições e lideranças locais. Baixa Grande encerrou esse ciclo e, em 2027, outro município baiano receberá a missão.
Ao longo dos quatro dias, foram promovidas 34 oficinas socioculturais, em 146 aplicações, em cinco escolas municipais. A programação também chegou a comunidades rurais, ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), à Paróquia Nossa Senhora da Conceição e a um abrigo de idosos.
Os encontros abordaram temas como educação, saúde, saúde mental, sustentabilidade, cidadania, artes, ecologia integral, direitos das crianças e dos adolescentes e projeto de vida. Entre os destaques esteve a oficina dedicada ao planejamento do futuro, para discutir projeto de vida, acesso ao ensino superior e continuidade dos estudos.
A atividade buscou apresentar possibilidades de formação após a educação básica e ampliar o conhecimento dos jovens sobre os caminhos de ingresso na universidade, tema que ainda é um desafio no interior, onde o acesso ao ensino superior permanece abaixo da média dos grandes centros.
Além das oficinas, o grupo realizou visitas domiciliares e ações em instituições locais. Também foram arrecadados e entregues mais de 100 materiais escolares, mais de 100 itens de higiene pessoal e 70 quilos de alimentos.
Realizada há 15 anos, a Missão Marista Solidária define as cidades participantes com base em critérios educacionais e sociais, incluindo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), além do diálogo com gestores públicos e representantes locais.
Segundo o coordenador Felipe Teixeira, a permanência das equipes permite dar continuidade ao trabalho. "Como voltamos todos os anos, não começamos do zero. Encontramos pessoas que já conhecem o projeto e conseguimos dar continuidade ao que foi iniciado, construindo as ações em conjunto com a comunidade."
Para Ayanne Oliveira, estudante da 3ª série do EM e participante da missão, a convivência com os moradores foi um dos aspectos mais marcantes da experiência. "A cada retorno percebemos que os vínculos se fortalecem e entendemos que solidariedade também significa ouvir, aprender e construir caminhos junto com a comunidade".
Com o encerramento das atividades em Baixa Grande, a iniciativa se prepara para chegar a uma nova cidade baiana em 2027. Ao manter o acompanhamento das comunidades por um período prolongado, o projeto busca dar continuidade às ações desenvolvidas nas escolas e instituições locais.
O Marista Brasil é uma rede de colégios e escolas sociais presente em 20 estados, atendendo cerca de 100 mil crianças, jovens e adultos em 96 unidades de ensino. Os estudantes recebem formação integral, composta pela tradição dos valores Maristas e pela excelência acadêmica alinhada aos desafios contemporâneos. Saiba mais em: maristabrasil.org
JORNAL A REGIÃO
Após o primeiro fim de semana, a edição 2026 da Festa das Cerejeiras continua com novas atrações neste sábado e domingo, no Parque do Carmo, na Zona Leste da capital. A programação reúne apresentações culturais, grupos de dança, performances de taiko, shows musicais, demonstrações de odori e liang gong e atividades tradicionais.
Também tem a continuidade do Festival das Estrelas Tanabata. O evento celebra a tradição japonesa da contemplação da florada das cerejeiras e reúne expressões culturais, gastronomia típica e atrações que atraem visitantes de diferentes regiões da cidade.
Reconhecida como um dos principais eventos do calendário turístico e cultural paulistano, a festa é promovida pela Federação Sakura e Ipê do Brasil, em parceria com a Prefeitura, e acontece em um parque que abriga mais de 4 mil cerejeiras, formando um dos maiores bosques da espécie no país.
No Bosque das Cerejeiras, os visitantes podem apreciar a florada das árvores sakura, um dos momentos mais aguardados. A paisagem transforma o Parque do Carmo em um dos principais locais de contemplação da natureza na cidade e preserva a tradição do hanami, que simboliza renovação, beleza e valorização dos ciclos naturais na cultura japonesa.
Durante os primeiros dias, o público acompanhou apresentações tradicionais, oficinas e diversas manifestações da cultura japonesa, além de desfrutar da gastronomia oriental e da beleza do local. Neste último fim de semana, a programação será renovada com novas atrações para todas as idades.
"Convidamos quem ainda não participou a aproveitar os últimos dias da programação e vivenciar essa celebração tão especial", destaca o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Wanderley Soares.
A origem da Festa das Cerejeiras remonta à década de 1970, quando associações da comunidade nipo-brasileira de Itaquera se mobilizaram para plantar as primeiras mudas. A iniciativa marcou os 70 anos da imigração japonesa no Brasil e reforçou o compromisso de preservar e compartilhar as tradições.
Hoje, o Brasil reúne a maior comunidade nipônica fora do Japão, com aproximadamente 2,7 milhões de japoneses e descendentes, de acordo com dados de 2023 do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão.
JORNAL A REGIÃO
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a abertura de um inquérito para investigar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, por suspeitas dos crimes de tráfico de influência e corrupção.
A investigação atende a um pedido da Polícia Federal (PF), que busca aprofundar apurações sobre a suposta atuação do filho do presidente Lula (PT) em negócios relacionados ao Ministério da Saúde e ao mercado de cannabis medicinal.
O pedido da PF foi distribuído a Mendonça por ser o relator dos inquéritos relacionados à Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes em descontos associativos aplicados sobre aposentadorias e pensões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo o requerimento encaminhado ao Supremo, os investigadores apuram indícios de que Lulinha teria utilizado sua influência junto a órgãos do governo federal para favorecer interesses privados ligados à liberação e à comercialização de produtos à base de canabidiol em programas públicos de saúde.
A Polícia Federal também investiga uma suposta atuação conjunta entre Lulinha e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Apontado como um dos principais investigados na Operação Sem Desconto, Camilo Antunes é suspeito de integrar um esquema de desvios envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.
De acordo com a investigação, Lulinha teria atuado no setor de cannabis medicinal em parceria com a empresária Roberta Luchsinger. Os investigadores apuram se ambos trabalharam em favor da empresa World Cannabis, apontada pela PF como vinculada a Antônio Carlos Camilo Antunes.
O relatório enviado ao STF afirma que foram identificados pagamentos realizados por Camilo Antunes à RL Consultoria, empresa pertencente a Roberta Luchsinger. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo.
Lulinha já era alvo de apuração em um dos procedimentos decorrentes das investigações sobre as fraudes no INSS. Com a abertura do novo inquérito, a PF pretende concentrar as investigações especificamente em sua suposta atuação junto ao Ministério da Saúde, servidores da pasta e integrantes do gabinete da Presidência da República.
Em nota, o advogado Marco Aurélio Carvalho, que representa Lulinha classificou a medida como uma possível “pesca probatória”.
"É estranha a notícia sobre a instauração de novo inquérito, a impressão que passa é que a Polícia Federal está promovendo uma espécie de pesca probatória. ‘Não achei nada aqui e vou procurar ali’. Isso é muito grave. Não acharam nada do Fábio no bojo das investigações do INSS, como não vão achar em relação a esses fatos”, afirmou ao Estadão. Com diário do Poder.
JORNAL A REGIÃO
A relação entre as ferrovias, a formação das cidades e as histórias construídas ao redor dos trilhos ganha destaque na Jornada do Patrimônio 2026. A programação reúne ações de preservação da memória ferroviária em diferentes regiões de São Paulo.
Realizada pela Secretaria da Cultura, a Jornada ocorre durante agosto, com programação especial entre os dias 7 e 9. Com o tema “Nosso patrimônio é uma viagem!” a edição deste ano reúne 254 atividades em 95 municípios, com o objetivo de fortalecer a preservação histórica e celebrar a diversidade do patrimônio paulista.
Entre os destaques estão as ações apoiadas pelo Instituto Rumo, como o lançamento da mostra audiovisual “Trilhos que contam o Brasil”, no Museu da Imagem e do Som (MIS), na capital, e a programação especial do Museu Ferroviário de São José do Rio Preto.
No dia 7, o MIS recebe a mostra “Trilhos que contam o Brasil” composta por seis minidocumentários sobre a memória ferroviária. As produções foram desenvolvidas por 30 universitários de São Paulo, selecionados para uma edição do projeto Geração Futura, realizada pelo Canal Futura em parceria com o Instituto Rumo.
Os filmes apresentam histórias de comunidades e ex-ferroviários, os vínculos afetivos criados em torno dos trilhos e o papel das ferrovias no desenvolvimento urbano, social e ambiental. As obras também propõem um diálogo entre passado e futuro a partir do olhar dos jovens envolvidos no projeto.
O lançamento no MIS será realizado em uma sessão para convidados e contará com uma roda de conversa entre os estudantes e os profissionais responsáveis pela formação. Posteriormente, os seis minidocumentários da mostra serão exibidos gratuitamente nos 127 Pontos MIS do estado.
Em São José do Rio Preto, a programação será nos dias 7 e 8, no Museu Ferroviário. Na sexta-feira (7), às 19h, o museu exibirá os seis minidocumentários da mostra “Trilhos que contam o Brasil”. Em seguida, o pesquisador Eduardo Bacani apresentará a palestra “Da Morada do Sol à Boca do Sertão: formação e expansão da Estrada de Ferro Araraquarense até São José do Rio Preto (1895–1912)”.
A atividade abordará, com base em mapas, relatórios e registros históricos, o primeiro ciclo de expansão da Estrada de Ferro Araraquarense e as relações entre a ferrovia, a economia e o crescimento de São José do Rio Preto.
A Jornada do Patrimônio também reúne atividades em diferentes cidades que convidam o público a conhecer estações, museus, antigos traçados e histórias relacionadas ao desenvolvimento das ferrovias paulistas.
Na capital, o Museu da Língua Portuguesa promove, nos dias 8 e 9, a visita “Entre Rios e Trilhos: Presenças indígenas no Guaré e na região da Luz”. O roteiro relaciona o prédio da Estação da Luz aos antigos Campos do Guaré, área atualmente ocupada pelos bairros do Bom Retiro e de Campos Elíseos.
Também em São Paulo, o Museu da Energia recebe, no sábado (8), às 10h, a palestra “Transformações Urbanas: Uma Viagem nos Tempos dos Bondes”. A atividade utilizará documentos e registros históricos para abordar os antigos percursos dos bondes e as mudanças ocorridas na capital.
No Vale do Paraíba, a caminhada patrimonial “Caminhos dos Trilhos”, em Cruzeiro, percorrerá 5,7 km entre o Museu Major Novaes e a Estação Rufino de Almeida. Durante o trajeto, serão apresentados aspectos da relação entre a ferrovia, a expansão urbana e a formação econômica do município.
Ao final, o retorno dos participantes será feito por transporte ferroviário. A atividade ocorre no domingo (9), às 8h, com 50 vagas e inscrição gratuita.
Em Taubaté, o roteiro “Nos Trilhos do Tempo” será realizado nos dias 8 e 9, na Estação do Conhecimento. A experiência propõe uma visita pela antiga Estação Ferroviária, relacionando história, arquitetura, memória e desenvolvimento regional. Não é necessário fazer inscrição.
Botucatu terá duas atividades. Na sexta-feira (7), às 19h, “Caça ao Patrimônio: Entre Trilhos e Memórias” utilizará contação de histórias, mapas e fotografias antigas para apresentar a importância da ferrovia na história da cidade. A atividade será realizada na Praça da Educação e não exige inscrição.
Em Bauru, o Encontro da Rede Temática do Patrimônio Ferroviário será realizado no sábado (8), das 14h às 17h, na Faculdade de Arquitetura da Unesp. Em formato híbrido, a reunião será voltada a gestores públicos, pesquisadores e responsáveis por bens ferroviários e discutirá as redes temáticas como instrumentos de preservação e de política pública.
Em Araçatuba, o roteiro “Por Onde os Trilhos Aqui Passavam” será realizado no sábado (8), às 9h30. O percurso acompanhará parte do antigo traçado da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e apresentará elementos urbanos relacionados à ferrovia e ao surgimento da cidade.
Na Baixada Santista, a atividade “Do Complexo Ferroviário ao Museu do Futuro: Patrimônio, Memória e Preservação” ocorre no dia 7, às 14h, no auditório do Museu Pelé, em Santos. O encontro discutirá a proposta de um futuro museu ferroviário dentro do Sistema Municipal de Patrimônio Cultural da cidade.
JORNAL A REGIÃO
O secretário de Saúde de Salvadaor, Rodrigo Alves, recebeu a presidente da Associação de Pessoas com Fibromialgia de Salvador (AFIBS), Sílvia Ribeiro, para discutir novas ações voltadas à assistência às pessoas que convivem com a doença na capital baiana.
Durante o encontro, foram debatidas novas estratégias, com destaque para a implantação de uma Clínica da Dor e o fortalecimento da abordagem da dor crônica na Atenção Primária à Saúde. Também foram avaliados os resultados das ações já implementadas em Salvador.
Entre as iniciativas, estão a emissão da Carteira Municipal de Identificação da Pessoa com Fibromialgia, a inclusão da condição no cadastro dos agentes comunitários, inserção nos programas municipais de atenção à dor crônica e de atenção à pessoa com deficiência, além da produção de uma cartilha educativa e sinalização de atendimento prioritário nas unidades de saúde.
“As conquistas alcançadas até aqui mostram que o diálogo com a AFIBS tem gerado resultados concretos para quem convive com a fibromialgia. Nosso objetivo agora é consolidar uma linha de cuidado cada vez mais estruturada,” afirma o secretário.
Desde 2023 a Secretaria Municipal da Saúde promove seminários, reuniões de sensibilização e oficinas de capacitação com equipes da Atenção Primária, Atenção Especializada e dos serviços de Urgência e Emergência, fortalecendo o cuidado integral às pessoas com fibromialgia.
Para Sílvia, o diálogo permanente entre a entidade e a gestão municipal tem sido fundamental. “As pessoas com fibromialgia eram praticamente invisíveis. Hoje temos reconhecimento, acesso, diálogo com a gestão e profissionais preparados para acolher melhor essa população".
Durante a reunião, também foi discutida a realização de uma nova feira de saúde dedicada à conscientização sobre a fibromialgia, em parceria entre a SMS e a AFIBS, em local de grande circulação na cidade. A definição do formato e da data será construída conjuntamente pelas equipes técnicas.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada principalmente por dor musculoesquelética crônica e generalizada, frequentemente associada à fadiga, distúrbios do sono e alterações cognitivas.
JORNAL A REGIÃO
A Secretaria de Saúde de Ilhéus promoveu uma blitz educativa na Barra de Itaípe para orientar moradores e motoristas sobre a prevenção ao Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. O bairro foi escolhido por ser uma das áreas prioritárias no combate ao mosquito.
Embora Ilhéus tenha reduzido o Índice de Infestação Predial (LIRAa) de 9,1 para 5,6, o município ainda permanece em situação de alto risco. A escolha da Barra de Itaípe levou em consideração o histórico de elevados índices de infestação na localidade.
Segundo a Sesau, cerca de 70% dos criadouros do mosquito estão dentro das residências. Por isso, a orientação é eliminar recipientes com água parada, manter caixas-d’água bem fechadas e realizar a limpeza frequente de quintais e outros espaços que possam acumular água.
Moradores que passaram pelo local durante a ação aprovaram a iniciativa. O motorista João Antônio destacou a importância da iniciativa. “Esse tipo de trabalho educativo é muito importante, porque conscientiza a população e reforça que a prevenção é responsabilidade de todos”, afirmou.
A Secretaria orienta a população a informar a existência de possíveis focos, como terrenos baldios, piscinas e imóveis abandonados, para que as equipes de Endemias possam realizar as medidas necessárias.
JORNAL A REGIÃO
Relatórios da Polícia Federal revelaram detalhes da relação entre o senador Jaques Wagner e Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Os investigadores identificaram 74 chamadas de voz pelo WhatsApp entre novembro de 2023 e maio de 2025, com 5 horas e 30 minutos de conversas.
Os documentos vieram a público após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirar o sigilo do caso. Em entrevistas após a denúncia da primeira fase da operação, Wagner alegou que só tinha conversado com Lima "uma ou duas vezes".
A PF descreve uma relação marcada por proximidade pessoal, familiar e política. O relatório cita encontros entre as famílias, viagem de Wagner e da esposa à Ilha da Paixão, voos em aeronaves ligadas a Augusto Lima e presentes. Entre os benefícios investigados estão ingressos para shows de Taylor Suíft destinados a familiares do senador e vinhos avaliados em até R$ 5.300 a garrafa.
Os investigadores também relacionam parte dos contatos a assuntos de interesse do Banco Master no Congresso, incluindo propostas sobre o Fundo Garantidor de Créditos e a venda da instituição ao Banco de Brasília. A PF ainda apura a negociação de um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,4 milhões. O material integra uma investigação em andamento e não representa condenação do senador.
Jaques Wagner nega ter recebido vantagens indevidas ou atuado em favor do Banco Master. O senador afirma que seus atos contrariaram interesses da instituição e que a PF precisa comprovar alguma troca entre a relação pessoal e sua atuação parlamentar.
JORNAL A REGIÃO
Depois dos protestos dos moradores da Urbis IV, pela colisão com uma vaca que causou a morte de um rapaz de 21 anos, a Prefeitura de Itabuna correu para editar um decreto regulamentando o combate aos animasi soltos em vias públicas e enviou uma equipe da GCM apreender alguns cavalos.
O Decreto nº 17.967/2026 regulamenta a fiscalização, apreensão, guarda e destinação de animais encontrados em vias públicas. Ele estabelece procedimentos para registro, devolução ao dono, multas, ressarcimento de despesas e cobrança dos custos decorrentes do recolhimento.
As ações serão executadas pelas secretarias de Agricultura, de Saúde e de Segurança e Ordem Pública. A Seagrima ficará responsável pela fiscalização, recolhimento, transporte, guarda, liberação e destinação dos animais, além dos processos administrativos.
O Centro de Controle de Zoonoses vai cuidar da saúde dos animais e emissão de laudos técnicos. A Sesop prestará apoio operacional e institucional às equipes, incluindo a escolta da GCM às equipes de captura. Mas, apra resolver o problema será preciso que as ações sejam permanentes e as multas, altas.
JORNAL A REGIÃO
Um dia depois da morte de um motociclista ao colidir com uma vaca solta na Urbis IV, na entrada do Condomínio São José, vários animais foram flagrados circulando pelas ruas de Itabuna livremente durante a noite de quinta-feira, inclusive no centro da cidade.
Motociclistas postaram fotos das vacas, cobraram a prefeitura, a Settran e o governo do estado. "Tem que catar os donos desses bichos e colocar na cadeia", desabafou um deles. Eles destacam que os animais estão soltos em vários bairros, no centro de Itabuna e nas rodovias BR-415 e BA-649.
Um protesto foi iniciado na manhã desta sexta próximo ao local onde Jonathans Maciel, de apenas 21 anos, perdeu a vida. O ato, com queima de pneus e madeira, bloqueou completamente a rodovia BR-415 e gerou mais um prejuízo, com um engavetamento envolvendo três carros.
O jornalista Oziel Aragão, que denunciava a omissão da prefeitura em relação aos animais soltos há anos, fez um apelo para que as autoridades tomem providências. "Não é possível que gente inocente continue a perder a vida por conta da irresponsabilidade do dono do animal e da falta de fiscalização".
Ao fazer o video próximo ao local, pela manhã, flagrou mais vacas pastando no local. Ele destacou que os animais circulam na Beira-Rio, na Av. Princesa Isabel, em frente ao Batalhão da PM, em bairros como Jardim Primavera e Jardim Vitória. "Faço um apelo ao prefeito Augusto Castro e à Câmara".
Não houve falta de aviso sobre a "morte anunciada". O jornal A Região, a Morena FM e a OziTV alertam para os animais soltos há muitos anos. A Prefeitura de Itabuna, em várias gestões, prometeu resolver o problema sendo rigorosa com os donos dos animais, com multas pesadas e leilão dos animais.
Tudo isso ficou apenas na processa, inclusive na atual gestão de Augusto Castro, que chegou a anunciar um mutirão para apreender os animais, multar os donos e leiloar se não retirados em 30 dias. Nada foi feito e o problema é cada vez maior pela omissão das autoridades. O estado sequer se manifesta.
Diante da repercussão, nesta sexta, a Guarda Municipal de Itabuna apareceu com um caminhão e apreendeu três cavalos. Porém será uma ação pontual, quando o problema requer uma patrulha noturna e diária, todos os dias, com suporte de caminhão e áreas para a guarda dos animais.
A equipe de A Região sugere que a Câmara aprove uma lei endurecendo o combate aos animais soltos. Todas as vacas e bois apreendidos seriam levados imediatamente para o matadouro municipal e a carne distribuída para entidades e programas sociais. Os cavalos passariam a ser propriedade da polícia montada da PM ou usados em equoterapia.
Jovens do interior da Bahia ganham espaço em grandes clubes e mostram como o futebol pode transformar vidas
No distrito de Tapirama, na zona rural de Gongogi, no Sul da Bahia, o futebol tem sido muito mais do que um jogo. Em um campo simples, cercado por sonhos grandes, meninos que começaram chutando bola entre amigos agora vestem as cores de tradicionais centros de formação do país. O avanço de três jovens atletas para categorias de base de clubes do Nordeste e de São Paulo é o reflexo mais visível de um trabalho que vai além das quatro linhas: usar o esporte como ferramenta concreta de transformação social.
A história nasce na Associação e Escolinha Esportiva Tapirama, projeto social apoiado pela Appian / Atlantic Nickel desde 2021, com a missão de desenvolver crianças e adolescentes por meio do futebol e tem como missão contribuir com a formação pessoal de crianças e adolescentes, desenvolvendo competências socioemocionais a partir da integração entre a educação e o esporte. Desde sua implantação, a iniciativa já impactou 49 jovens da região no entorno dos municípios de Itagibá, Ipiaú e Gongogi, no Sul da Bahia.
“Tenho um sentimento de dever cumprido, pois o futebol tem sido um agente de transformação para a nossa comunidade, algo que eu não sonhava. O esporte é de grande importância aqui e é uma satisfação enorme fazer parte disso tudo! Penso que estamos no caminho certo, estamos fazendo a diferença na vida desses garotos e o apoio da Atlantic Nickel tem sido essencial para viabilidade do projeto”, emociona-se Gil Santos, professor e coordenador da Associação e Escolinha Esportiva Tapirama.
Histórias mais genuínas do futebol brasileiro: fábrica de talentos
No entanto, agora, o projeto comemora uma safra especial de talentos — cada um com perfil próprio, trajetórias distintas e um mesmo ponto de partida: o campo de Tapirama. Os números ajudam a dimensionar o impacto: dos 37 alunos atualmente atendidos, 22 já passaram por avaliações em clubes brasileiros — cerca de 60% dos participantes.
“Mas deixo claro que formar atletas nunca foi o meu único objetivo. Aqui em Tapirama, cada contrato assinado representa uma conquista coletiva. Mais do que revelar promessas para o futebol brasileiro, o projeto mostra que, quando aliado à educação e ao compromisso social, o esporte tem potência real para mudar destinos. É ali, longe dos holofotes, que começam algumas das histórias mais genuínas do futebol brasileiro”, pondera Santos.
Do interior da Bahia para a categoria sub-15 do Ceará Sporting Club
O caso mais recente é o do goleiro Neymar Castro, de 15 anos. Com impressionantes dois metros de altura e presença marcante debaixo das traves, ele chamou atenção pela maturidade e segurança incomuns para a idade. O jovem passou a integrar neste ano a categoria sub-15 do Ceará Sporting Club, com contrato até 2028, e já se prepara para disputar a próxima Copa do Brasil Sub-15. Aposta para o futuro do clube cearense, ele representa a força de uma formação construída com disciplina e constância.
Prata da Casa: direto para categoria sub-13 do Esporte Clube Bahia
No Esporte Clube Bahia, quem desponta é Levy Brito, de apenas 12 anos. Dono de velocidade, leitura de jogo e personalidade competitiva, o atleta assinou contrato de formação com o clube até 2027 e passou a integrar a equipe sub-13. Sua ascensão reforça o olhar atento de um dos principais clubes formadores do país para talentos que surgem longe dos grandes centros.
Desbravando novos territórios (região Sudeste): atleta da categoria sub-14 do time I9 Academy, de Ribeirão Preto – interior de São Paulo
Já Samuel Rocha, de 13 anos, trilha um caminho que evidencia persistência e adaptação. Após passagem pelo Bahia, o jovem hoje integra a categoria sub-14 da I9 Academy, de Ribeirão Preto (SP), com contrato até 2028. Reconhecido pela versatilidade e dedicação, Samuel segue sua trajetória em um ambiente voltado ao desenvolvimento técnico de atletas com potencial para o futebol profissional.
Muito além dos resultados: compromisso com o desempenho escolar
Em Tapirama, a permanência no programa está diretamente ligada ao desempenho escolar. Atualmente o programa atende 37 crianças e adolescentes entre 5 e 14 anos, com a realização de mais 40 horas de atividades esportivas no contraturno escolar com cerca de 9 horas treinos de futebol.
Nas categorias Sub-9 a Sub-12, voltada aos garotos maiores, os treinos são realizados 3 vezes por semana, já na categoria Sub-6, direcionada aos meninos menores, eles acontecem 2 vezes. As aulas ocorrem sob a orientação de profissionais. O método alia o desenvolvimento esportivo e socioemocional, por isso, durante os treinos os alunos-atletas aprendem a ganhar, a perder e a dar sempre o seu melhor. Isso tem contribuído inclusive com a evolução acadêmica dos alunos.
Na rotina dos treinos, os alunos aprendem fundamentos técnicos, mas também valores essenciais como disciplina, respeito, trabalho coletivo e resiliência. “O futebol funciona como incentivo para que crianças e adolescentes permaneçam na escola, desenvolvam responsabilidade e construam perspectivas de futuro. Há, inclusive, casos de jovens que deixaram de avançar para avaliações em clubes devido ao rendimento escolar, uma demonstração prática de que a educação vem antes da bola”, ressata o professor e coordenador do projeto.
Compromisso com a transformação social no entorno das operações
O apoio da Appian Capital Brazil, fundo de investimentos privados especializado em mineração, proprietária da Atlantic Nickel, ativo do grupo produtor de níckel sulfetado, no entorno dos municípios de Itagibá, Ipiaú e Gongogi, no Sul da Bahia, já soma cerca de R$ 70 mil investidos até 2025 e integra a estratégia da companhia de fortalecer o desenvolvimento social nas comunidades do entorno de suas operações.
“O cuidado com as comunidades que recebem nossas operações é uma das nossas principais missões, principalmente no que tange ao fomento da educação. As iniciativas realizadas na localidade poderão transformar positivamente a vida destes jovens, independentemente de seguirem ou não carreira no esporte”, destaca Gilcimar Oliveira, diretor de ESG e Pessoas da Appian Capital Brazil.
Para saber mais, acesse appiancapitaladvisory.com e atlanticnickel.com
Sobre a Appian Capital Brazil
A Appian Brasil é o braço regional da Appian Capital Advisory, a maior investidora global de private equity em metais e mineração. Fundada em 2011 em Londres com investimentos em diversos países, a empresa é referência no setor, com seu modelo diferenciado de mineração inteligente, respeitando o meio ambiente, trabalhando de forma integrada com as comunidades onde atua e apoiando o desenvolvimento destas regiões. Com oito anos de atuação no mercado brasileiro e presente em dois estados (Minas Gerais e Bahia), o fundo se estabeleceu no país em 2018. Atualmente, o grupo possui três ativos no país: Atlantic Nickel, Graphcoa, além da subsidiária Omnigen Energy. Com sólido compromisso e missão de transformar recursos naturais em prosperidade e desenvolvimento sustentável, o grupo trabalha alinhada às melhores práticas ESG. Transformando regiões onde atua, aliado à Integração Social, o grupo Appian tem como prioridade o profundo respeito com as pessoas e com a segurança nas operações.
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