MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

domingo, 20 de junho de 2021

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Etanol: consumo cairá a partir de 2025 e chegará a 40% do atual

 

NOTICIAS AUTOMOTIVAS

Etanol: consumo cairá a partir de 2025 e chegará a 40% do atual

O Brasil pode “inundar” o mercado mundial de açúcar a partir de 2025, segundo estudo do executivo Soren Jensen, ex-diretor operacional da maior trading do setor no mundo, a Alvean. Mas, o que isso tem a ver com o etanol? Tudo.

No estudo de Jensen, o Brasil terá uma queda no consumo de etanol devido à eletrificação. A pesquisa, feita com Mariana Perina Jirousek, aponta que até 2035, o consumo do combustível cairá 40% do volume atual.

Além disso, entre 2035 e 2040, haverá mais 20% de queda, restando então 40% da produção atual do produto. Com menor demanda por etanol, os usineiros terão que compensar com a produção de açúcar. O etanol chega a representar mais de 50% da cana moída no país.

Como o Brasil é o maior produtor mundial do produto, países como Índia e Tailândia sofrerão grande impacto com o aumento da demanda de açúcar no mercado internacional.




Isso derrubará a cotação global e elevando os custos desses produtores, que já são mais altos que no Brasil. Outro fator será a redução do consumo de açúcar nos mercados como EUA e Europa, onde as pessoas reduzirão o consumo em busca de melhora na qualidade de vida.

Mas, em relação ao combustível, a queda é evidenciada pelo aumento da eletrificação veicular. Jansen disse: “Está claro que uma adaptação das novas tecnologias representará uma ameaça significativa para o setor de processamento de cana-de-açúcar do Brasil”.

Etanol: consumo cairá a partir de 2025 e chegará a 40% do atual

Em relação à eletrificação, o estudo considera os carros elétricos diretamente e num pior cenário, segundo o estudo, os carros híbridos plug-in afetarão mais a demanda pelo combustível.

Hibridização no Brasil

Como já se sabe, o Brasil ainda não tomou uma posição (política) em relação à eletrificação. Os fabricantes, por sua conta, apostam no híbrido flex inicialmente, mas não todos.

Outros acreditam no etanol como combustível para células e híbridos plug-in. Para uma parte, contudo, não haverá solução, dada que as estratégias globais envolvem portfólios 100% elétricos.

Etanol: consumo cairá a partir de 2025 e chegará a 40% do atual

A oferta de gasolina para os carros flex deverá mantê-los ainda por um bom tempo no mercado, visto que a adoção de motores puramente à etanol perdeu força com a desistência de um grande fabricante.

Sem um ponta-pé de um player de peso, como aconteceu com o carro flex, essa tecnologia não decolará e a hibridização entrará na pauta, reduzindo naturalmente o consumo de álcool, já que as médias feitas pelos híbridos é muito superior aos dos carros comuns, cessando totalmente com os elétricos.

[Fonte: Money Times]

O MDB pode apoiar qualquer um, Wagner, Neto ou Roma, diz Lúcio com a sinceridade que é sua marca

 

POLITICA LIVRE

Lúcio Vieira Lima tem um estilo de fazer política que surpreende pela sinceridade e pelo bom humor; pode-se dizer que é daqueles políticos que ainda dizem claramente como são as coisas no mundo da política. Uma delas foi explicada sem rodeios nessa entrevista concedida ao Política Livre na última quarta-feira (16): os partidos lançam candidaturas como maneira de negociar politicamente.

No mesmo dia dessa conversa, Lúcio reuniu-se, pela manhã, com Luiz Caetano, secretário estadual de Relações Institucionais do governador Rui Costa (PT), mas garante que pode apoiar qualquer um: o candidato do PT, Jaques Wagner, ou ex-prefeito ACM Neto (DEM) ou mesmo João Roma, ministro da Cidadania, hoje abrigado no Republicanos. O emedebista não nega que conversa com todo mundo.

E escancara: o que menos importa nessas conversas são projetos ou propostas, mas as facilidades que cada sigla pode oferecer para as eleições. O emedebista vê Roma, Neto e Wagner como os candidatos mais fortes ao governo estadual e não acredita no surgimento de uma terceira via que desfaça a polarização atual entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Lula (PT).

Sobre o petista, fez um comentário no mínimo intrigante: “dar um microfone a Lula é como dar um fuzil a um marginal”. Na Bahia, Lúcio destaca o peso do MDB que, em sua avaliação, foi relevado nas últimas eleições municipais – quando elegeu os prefeitos de Feira de Santana e Vitória da Conquista – mas diz que o partido jogará como time pequeno: com o regulamento debaixo do braço e sem lançar nome ao Palácio de Ondina.

Lúcio não gosta de ser chamado de “deputado” – com jeito escrachado, indagou ao repórter, ainda quando era marcada a entrevista, se não tinha visto que ele perdeu as eleições em 2018 – e salienta que não será candidato a nada em 2022: as urnas mostraram que o povo não o quer mais com mandato, em sua avaliação. Afirmando ser um “desempregado”, disse ainda que faz comentários políticos, mas não profissionalmente.

Também dá conselhos a quem se dispõe a ouvi-los. Se ninguém os quiser ouvir, brinca, falará para si.

Confira abaixo a íntegra da entrevista:

Desde que deixou de ser deputado federal, você tem se mostrado um comentarista político muito bom. Pretende se tornar comentarista?

Para fazer política, você não precisa estar com um mandato nas mãos. Faz política em casa, na escola, faz política no ônibus, e eu não disputarei nenhum cargo eletivo, pois submeti meu nome nas urnas e o povo não me quis eleito, não me quer como deputado federal. Eu perdi a eleição por uma única razão: não tive voto. Então eu disse que ia me dedicar a dar conselhos a quem quer, a quem acha que eu tenho conselhos para contribuir e eu iria me dedicar a fazer análise, não profissionalmente, mas por entender, por conhecer os meandros da política. Estou à disposição de quem quiser me ouvir; se ninguém quiser, eu falo para mim mesmo.

Hoje vi uma postagem em seu Instagram ao lado do presidente estadual do partido, o Alex Futuca. Como está a movimentação do MDB pela Bahia?

Na última eleição, todo mundo dizia que o MDB estava acabado quando, na verdade, o desgaste do partido é o desgaste mundial da política como um todo. Então o MDB disputou a eleição municipal sob a dúvida de se iria sobreviver ou não, mas no final, ao abrir as urnas, para surpresa dos outros, não minha, elegemos os prefeitos das duas maiores cidades do interior – Feira de Santana e Vitória da Conquista – saímos como o quinto maior partido em termo de votos, perdendo somente para o PT, que tinha o governo do Estado, o PSD, que tinha senador, para DEM, que tinha o prefeito da capital, e para o PP, que tinha o vice-governador. Nós fomos para a eleição sem nenhuma máquina, tínhamos apenas o 15, a legenda e nossa história. Em uma eleição de sobrevivência, fizemos uma eleição de manutenção.

Mas e hoje?

Hoje somos procurados também por diversos partidos, por diversos candidatos. Hoje pela manhã eu fui tomar café da manhã – e isso não é segredo porque uma coisa que eu não aceito é patrulhamento e todo mundo sabe de meu comportamento e de minha seriedade – eu fui tomar café a convite de Luiz Caetano [secretário de Relações Institucionais do governador Rui Costa], tomeu um belo de um café e conversamos por cerca de três horas. E isso quer dizer que vamos apoiar [o senador e pré-candidato do PT ao governo, Jaques] Wagner? Não. Isso quer dizer que podemos apoiar Wagner, que não tem nada que impeça; não tem intriga, não tem desavença, não tem nada. Como eu tenho conversado muito com João Roma [ministro da Cidadania que pode ser o candidato de Bolsonaro na Bahia em 2022]. Podemos apoiá-lo? Podemos. É um amigo com quem me dou muito bem, converso bem, e que está procurando fazer pela Bahia, por isso sou devedor a ele, pois está fazendo pelo meu estado. E, da mesma forma, podemos apoiar [o ex-prefeito de Salvador, ACM] Neto. Fazemos parte da base do prefeito Bruno Reis. Agora, falando como comentarista político, tem que parar com esse patrulhamento de achar que, quando é para um, pode; quando é para outro, não pode.

Nas conversas de agora já se avaliam todas essas possibilidades, inclusive de segundo turno? Pois todos dizem que só falam de eleição em 2022, mas as articulações já correm soltas.

Isso [não revelar as articulações que já ocorrem] é fruto do desgaste da política e dos partidos. Um país com 36 partidos aptos para disputar eleição, vamos convir que não há ideologia. Então os partidos viraram máquinas que têm tempo de TV, fundo eleitoral, e hoje o que menos importa são as propostas e projetos, mas as facilidades para disputar as eleições. Na hora de decidir qual candidato vai apoiar, tem que levar em conta a questão do legislativo, pois há candidatos que não querem ir para partidos que já têm deputados, pois acham que não se elegem assim. Nessa eleição haverá uma grande vantagem do MDB, pois, diferente dos partidos com candidatos a governador que têm já deputados, poderá jogar com o regulamento debaixo do braço e se comportar como partido pequeno. Não preciso ser atacante nem defensor, posso ser meio-campista.

A questão nacional é levada em conta também. Correto?

Para decidir aqui, vai precisar aguardar as decisões nacionais, pois os partidos estão agora muito mais dependentes de suas direções partidárias, que ganharam muito mais força.

Você acredita numa terceira via? Parece que haverá um cenário de polarização entre petismo e bolsonarismo.

Pode ter terceira, quarta, quinta, mas você acha que fora da polarização Lula e Bolsonaro poderá surgir um nome viável com possibilidade de vitória? Eu acho difícil arrumar um candidato que tenha viabilidade para disputar e ganhar a eleição. Primeiro porque o radicalismo imperou aqui no país, então se faz mais a política de paixão. As pessoas querem defender Bolsonaro ou defender Lula sem saber por que defendem ou por que atacam. Virou time, virou paixão e acho difícil furar essa polarização. E a eleição passada demonstrou que essa história de muitos partidos, tempo de televisão e palanque já não influencia tanto o voto.

O MDB nacionalmente também não demonstra se apoia ou não Bolsonaro. Tem, por exemplo, a liderança do governo no Senado, mas senadores do partido atacam a gestão do governo na pandemia como se vê na CPI da Covid.

Hoje, quando chega lá no parlamento, está todo mundo se colocando como terceira via para se valorizar com os dois lados. Então tem que aguardar, pois ninguém vai se definir agora. O próprio Neto gravou um vídeo no Instagram dele em que diz que não pode nem se declarar como pré-candidato. O Lula até pouco tempo não podia nem ser candidato, mas agora pode ser candidato e sai de até 15% nas pesquisas e vai para mais de 50% e mostra que pode ganhar no primeiro e no segundo turno.

O MDB e o PSL estavam conversando aqui na Bahia sobre formar um bloco. Com a entrada do deputado Elmar Nascimento no PSL, que também presidirá a sigla, como fica isso?

Tudo o que acertamos com o PSL foi quando o partido era presidido pela deputada Dayane Pimentel. Então o que conversei antes termina não valendo agora.

Ciro Gomes esteve aqui na semana passada e disse que esse cenário de polarização e crescimento do Lula é algo artificial e gerado pela própria decisão do STF que tornou Lula elegível de novo. Você concorda?

Com a avaliação dele eu concordo; com a avaliação do cenário, não. Se ele é candidato, é óbvio que ele vai dizer que é artificial. Se for dizer que não há polarização, que não há terceira via, que vai se manter assim, então ele não é candidato. Eu concordo com o discurso dele, Ciro, para ele: é o discurso que ele precisa fazer, que é o que todo candidato faz quando está atrás nas pesquisas.

Você cravou como certa a candidatura do João Roma. Ela é fruto de inabilidade de Neto, de necessidade do Bolsonaro ou de ambição política mesmo do ministro?

Eu sou amigo de João Roma como sou amigo de todos. Sempre trato a todos como muito respeito. [A candidatura de João Roma] não é fruto de inabilidade de Neto, não é fruto de ambição do ministro, não é fruto de Bolsonaro. É fruto da conjuntura política atual. Qual foi a inabilidade de Neto? Dizer que ele estava contra João Roma ser ministro? Eu não posso dizer que o sujeito estava certo ou errado, mas Neto teve razões naquele momento, principalmente por conta da política de Brasília, quando quiseram carimbá-lo como alguém que tivesse feito uma negociata. Então ele precisava desse gesto, na ótica dele, para mostrar que ele não fez negociata nenhuma. Podia ter feito de outra forma? Poderia ter feito da forma que fosse, mas ser engenheiro de obra pronta é muito fácil. O que não se pode dizer é que Neto é um político inábil. Mas João Roma mostrou também grande qualidade, crescendo dentro de seu partido, o Republicanos, e chega a ser ministro em seu primeiro mandato – ele demonstrou o seu valor. E o fato desse valor ter se manifestado logo cedo, permitindo que ele galgasse algo, isso não é ambição. Isso é mérito. Quando eu cravei que ele é candidato, é porque política também tem lógica. João Roma hoje é ministro, e parece que a esposa dele já se coloca como candidata a deputada federal. Se ele sai a governador e a Roberta a deputada, se ele perde, ele continua com o mesmo espaço. Na eleição, o que ele tem a perder? Ele corre o risco de ganhar. Se der tudo errado, ele pode ganhar a eleição. É a brincadeira que se faz. Ele se torna uma nova liderança. Ele não tem nada a perder, e alavancado por Bolsonaro, mesmo que perca, não vai ter um desempenho pífio que venha a desmoralizá-lo.

Então você aponta três candidaturas definidas.

Sim. Temos três candidaturas fortes definidas: a de Wagner ancorado em Lula, a de João Roma ancorado em Bolsonaro e a de Neto ancorado em Ciro Gomes e nele mesmo. Ele [Neto] vai se ancorar em mostrar o trabalho que ele fez na prefeitura de Salvador. Vai trabalhar para que não se federalize as eleições.

O senhor cravou a candidatura de Wagner, mas Leão quer ser candidato, Otto quer ser candidato. O senhor acha que Leão e Otto podem tomar outro caminho que não seja apoiar Wagner?

Todo mundo tem o direito e torço que todo partido possa apresentar uma candidatura. Mas na política tem um ditado: “é muito mais fácil retirar uma candidatura do que colocar”. Agora está na hora de todo mundo colocar candidatura. Todo mundo é candidato. Isso é um movimento natural da política: todo mundo apresenta para que possa negociar politicamente. Mas essa entrada de Lula fortalece muito o PT, e os outros candidatos [do grupo que hoje governa a Bahia] ficam mais enfraquecidos. Temos uma vaga para o Senado que, historicamente, também é feito pela chapa que vence [na disputa] ao governo. Então fica muito difícil: vai formar a chapa como? Sai Otto, João Leão, Wagner, Neto, Lídice, João Roma, mas como é que vai fazer para formar chapas? Não tem nome com densidade para formar tantas chapas. Mas o MDB pode apoiar A, B, C ou D porque se dá com todos.

A polarização que vemos hoje entre petistas e bolsonaristas tem sua origem apontada com a Lava Jato, com as prisões – inclusive do irmão do senhor, Geddel – mas surgiram decisões do STF que põem em dúvida ações de procuradores, do então juiz Sérgio Moro. Pode-se dizer que o lavajatismo caiu em desgraça?

Permita-me, primeiro, discordar [sobre a polarização]. Isso não começou com a Lava Jato, mas lá atrás com o mensalão, que também terminou prendendo gente, mas a economia estava funcionando. Estava o povo todo comprando carro, com o filho na faculdade, todo mundo tinha sua motocicleta, seu apartamento. A economia estava bombando em função da alta das commodities. Ali, o Lula, acabou se reelegendo e reelegeu a Dilma.

Então o senhor acha que foi questão econômica, não meramente política.

O que quero dizer é que, naquele momento, o combate à corrupção influenciou pouco nas eleições porque, basicamente, o que decide as eleições não só no Brasil e nos Estados Unidos também… houve presidentes até competentes que perderam as eleições porque a economia estava mal. A radicalização não foi questão de Lava Jato; no impeachment da Dilma, teve uma nova leva de complicação [na economia]. Aí na Lava Jato surgem aquelas famosas gravações conseguidas por hackers com Sérgio Moro, etc, que demonstraram certos excessos, o que não quer dizer que não foi um trabalho importante. Mas uns são presos por um motivo e outros não são presos, algo é considerado crime para um e não é crime para outro – começam essas interpretações que não cabem a mim discutir, mas ao Judiciário ou ao Ministério Público. No caso do Lula, com a saída de Lula, os petistas saíram com energia nova porque dar um microfone ao Lula é como dar um fuzil a um marginal. Um microfone na mão de Lula é uma bomba atômica. Então Lula e o PT estão com um discurso de que Lula é inocente, que foi injustiçado.

Embora ele não tenha sido inocentado, pois o processo foi encaminhado para outra vara federal …

Foi o que acabei de falar. É o discurso, não falei que foi inocentado, mas é a leitura que passa para a população. E os petistas, por sua vez, adquiriram uma alma nova para ir a campo. Então vai ser uma campanha muito dura, muito radicalizada, onde a justiça eleitoral vai ter que funcionar muito. Sobre a questão se o lavajatismo acabou, tudo na vida tem seus momentos mais fortes e momentos mais fracos. É igual ao homem: quando está na juventude, está forte; quando está na meia idade, mais maduro, mais tranquilo; quando fica idoso, fica mais tranquilo em tudo. O lavajatismo teve seu auge. Se foi feito com excessos ou não, a história serve para condenar ou inocentar. A história dirá quem está certo e quem está errado.

Davi Lemos

Com encarecimento de energia e gás, mais brasileiros devem atrasar contas

POLITICA LIVRE
economia

O agravamento da crise hídrica encareceu a conta de luz do brasileiro e muitos podem não conseguir honrar seus compromissos nos próximos meses. De acordo com a Serasa, a inadimplência em contas básicas, como energia, água e gás, representava 22,3% do total de débitos em maio, e a tendência é de crescimento com os sucessivos reajustes nos preços desses serviços.

Ao todo, são 36,9 milhões de faturas atrasadas no segmento. A alta no valor do gás de cozinha também tem pressionado a renda das famílias.

“O aumento no valor das contas de luz e gás pode impactar o orçamento dos brasileiros e resultar no atraso do pagamento”, diz Nathalia Dirani, gerente da Serasa.

Em dezembro, os calotes em serviços básicos bateram recorde –o percentual foi de 23,6%, maior valor de toda a série histórica iniciada em janeiro de 2018.

A inadimplência nessas contas cresceu mês a mês desde o início da pandemia de Covid-19, em março de 2020, mas caiu em janeiro deste ano e ficou entre 22,2% e 22,7% nos meses seguintes. O número de maio é 0,4 ponto percentual menor que o de abril.

Segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a bandeira vermelha, a mais cara cobrada sobre a conta de luz, deverá subir mais de 20% em razão do baixo nível dos reservatórios de água.

Em meio à escassez de chuvas, usinas térmicas são acionadas, e a bandeira tarifária cobrada sobre o serviço de energia fica mais cara. Em junho, já está vigente a bandeira vermelha nível 2, a mais cara, que cobra R$ 6,24 para cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos. Esse valor será elevado para aproximadamente R$ 7,50.

Na semana passada, a Petrobras anunciou aumento de 5,9% no preço do gás de cozinha, décima quarta alta consecutiva no preço do produto. De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), no Brasil, o botijão de 13 kg custava em média R$ 85 em abril, último dado disponível. Em janeiro, o valor era de R$ 76,86.

Mesmo com o aumento nos atrasos no pagamento de serviços básicos em relação a períodos anteriores à crise sanitária, as dívidas com bancos ainda são maioria entre os negativados. Em maio, eram 49,1 milhões de faturas de crédito e outros produtos financeiros cadastradas no banco de dados da Serasa, o equivalente a 29,7% do total, aumento de 0,9 ponto percentual em relação ao mês anterior.

Ao longo do ano passado, com o pagamento do auxílio emergencial e com o adiamento de parcelas promovido pelos maiores bancos, esse percentual variou entre 27,3% e 27,8%, mas voltou a subir no início deste ano.

“De acordo com a pesquisa ‘O Bolso dos Brasileiros’, da Serasa, 86% dos brasileiros consideram as contas básicas as mais importantes e entre aqueles que atrasaram o pagamento de alguma conta durante a pandemia, as contas básicas, como água, luz e gás são as principais prioridades caso tivessem que optar por apenas um pagamento em dia”, conta a gerente.

O aumento na conta de energia e do gás pesam ainda mais entre as famílias mais pobres.

“O aumento no valor das contas básicas afeta a toda a população brasileira, mas as pessoas com menor renda podem sentir mais esse impacto, já que, normalmente, essas são as contas priorizadas no orçamento familiar, que já vem sofrendo com a alta de produtos e serviços. Ou seja, algumas pessoas podem ter de fazer escolhas”, afirma Dirani.

Essa desigualdade pode ser percebida no recorte por região. No Norte, por exemplo, os atrasos em pagamentos de contas básicas representam 29,7% do total de débitos e ultrapassam as dívidas com bancos (22%), que lideram o ranking nacional. No Nordeste, o índice chega a 25,40%.

No Sul, a fatia da inadimplência nesses serviços é de 8,4%, a menor do país. No Centro-Oeste o percentual é de 19,9% e no Sudeste, de 23,6%.

Em maio, segundo dados da Serasa, 62,5 milhões de pessoas estavam com o nome sujo, 2,3 milhões a menos que em março, quando o coronavírus chegou ao país. Apesar da queda, isso significa que quase 30% de toda a população brasileira tem dívida em atraso.

Larissa Garcia, Folhapress

 

EUA congelam negociações na área ambiental, e Brasil teme retaliação econômica

 

POLITICA LIVRE
brasil

Quase dois meses após a Cúpula do Clima do presidente Joe Biden, as negociações sobre ambiente entre Brasil e Estados Unidos foram congeladas.

A paralisação coincide com o aumento do desmatamento na Amazônia e a operação da Polícia Federal que atingiu o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

A última reunião técnica entre negociadores das administrações Jair Bolsonaro e Biden ocorreu no início de maio. Na ocasião, técnicos do Itamaraty e do Ministério do Meio Ambiente realizaram uma videoconferência com Jonathan Pershing, assessor do enviado especial para o clima, John Kerry.

O objetivo era tentar encontrar um modelo de financiamento americano para ações de preservação ambiental no Brasil. Ao final da videoconferência, os participantes acordaram que teriam uma nova conversa nas semanas seguintes, mas desde então não houve pedido de agendamento pelas partes.

Desde o início do governo Biden, foram realizadas sete videoconferências sobre ambiente entre os países.

Kerry participou diretamente de duas —Salles esteve nos dois encontros, tendo sido acompanhado em um deles pelo ex-chanceler Ernesto Araújo e, no outro, pelo novo chefe do Itamaraty, Carlos França. As cinco reuniões restantes foram feitas em nível técnico.

Salles também marcou presença em algumas das videochamadas técnicas. Em uma delas, apresentou um slide com a imagem de um cachorro abanando o rabo na frente de espetos de frango assado, numa alegoria ao apetite do Brasil por doações internacionais.

O Itamaraty disse que as reuniões técnicas não são “negociações formais”, mas “exercício exploratório”. Também afirmou que não existe um “calendário predefinido” para os encontros. A embaixada dos Estados Unidos não respondeu.

Na quinta-feira (17), França conversou por videoconferência com o chefe da diplomacia americana, Antony Blinken.

De acordo com o Departamento de Estado, Blinken discutiu com França as metas climáticas do Brasil, “duplo financiamento para eliminar o desmatamento ilegal até 2030, e a necessidade de sustentar essas metas com passos concretos de implementação a curto prazo”.

Em uma série de mensagens no Twitter, o Itamaraty afirmou que os dois “trataram de prioridades convergentes das duas chancelarias: diplomacia da saúde, recuperação econômica e promoção do desenvolvimento sustentável”.

Segundo pessoas que acompanham o assunto, não houve sinalização sobre a retomada da rodada de negociações entre os auxiliares de Kerry, o Itamaraty e o Meio Ambiente.

Pouco mais de dez dias após a última reunião técnica, ainda em maio, a Polícia Federal deflagrou uma operação contra Salles e o agora presidente afastado do Ibama, Eduardo Bim.

A corporação apura suspeitas de crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando que teriam sido praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro.

A operação envolve informações repassadas pelo governo dos EUA, que avisou as autoridades brasileiras sobre uma carga de madeira ilegal apreendida no porto americano de Savannah (Geórgia).

Salles nega ter cometido irregularidades. Desde a deflagração da operação, a agenda do ministro registra um grande número de dias em que ele cumpre apenas despachos internos ou não tem compromisso oficial.

Interlocutores ouvidos pela Folha disseram não ser possível determinar se Kerry resolveu congelar as tratativas devido à investigação contra Salles.

No entanto, existe a avaliação entre especialistas que a administração Biden pode ter considerado um constrangimento sentar-se para negociar com um ministro acusado de envolvimento em um esquema de contrabando de madeira —ainda mais em uma investigação iniciada em território americano.

A situação do ministro não é o único fator que gera desconfiança em Washington.

Na Cúpula do Clima realizada no final de abril, Bolsonaro prometeu zerar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030 e duplicar os recursos disponíveis para fiscalização ambiental no país.

“Medidas de comando e controle são parte da resposta. Apesar das limitações orçamentárias do governo, determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais, duplicando os recursos destinados às ações de fiscalização”, disse Bolsonaro na ocasião.

Porém, no dia seguinte à cúpula, Bolsonaro sancionou o Orçamento de 2021 e cortou R$ 240 milhões do Ministério do Meio Ambiente. No final de maio, o Planalto enviou ao Congresso um projeto para recompor a verba da pasta em R$ 270 milhões.

Os números de devastação na floresta amazônica, por sua vez, têm registrado recordes, o que aumenta o ceticismo entre a equipe de Biden sobre o real comprometimento de Bolsonaro em executar sua promessa.

Maio foi o pior mês de avisos de desmatamento na Amazônia nos últimos anos, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

No período, foram emitidos alertas em uma área correspondente a 1.391 km². A piora nos índices fez Bolsonaro renovar a presença de forças militares em ações de proteção do bioma.

Nas negociações com o governo Biden, Salles vinha pedindo doações dos EUA para garantir a preservação da Amazônia. Nas últimas rodadas, ele chegou a solicitar US$ 1 bilhão para aplicação em ações de comando e controle e para pagamento de serviços ambientais.

Washington vinha exigindo resultados do governo Bolsonaro antes de destinar valores maiores. Em uma primeira contraproposta, o governo Biden sinalizou com um aporte de US$ 5 milhões, valor considerado insuficiente por Salles.

Além da interrupção das negociações ambientais, os EUA têm enviado sinais que geram apreensão entre auxiliares que aconselham Bolsonaro em política externa.

O embaixador americano no Brasil, Todd Chapman, anunciou sua aposentadoria em 10 de junho. Apesar de o diplomata alegar razões pessoais, sua saída após pouco mais de um ano no cargo reforçou a percepção no Itamaraty de que Biden quer mudar a abordagem com o governo Bolsonaro.

Chapman vinha sendo criticado por membros do Partido Democrata por uma relação excessivamente próxima à família Bolsonaro.

Pessoas que acompanham o tema apostam que o novo escolhido deve ter fortes credenciais de atuação na área ambiental. Também opinam que John Kerry deve ser um dos principais auxiliares consultados por Biden antes da definição do enviado a Brasília.

Além disso, o Itamaraty tem seguido com preocupação a renovação de um mecanismo especial de importações do governo dos Estados Unidos, que, segundo interlocutores, pode converter-se em mais um flanco de pressão sobre o Brasil.

O Congresso dos Estados Unidos está no processo de reativação do SGP (Sistema Geral de Preferências), programa que beneficia países em desenvolvimento com imposto zero de importação sobre determinadas mercadorias. O Brasil é um dos principais utilizadores do SGP, com exportações de cerca de US$ 2,3 bilhões em 2019.

Durante a votação da renovação do programa no Senado dos EUA, os parlamentares estabeleceram condições para a formulação da nova lista de países beneficiados. Entre os requisitos inseridos, está o cumprimento de leis e regulamentações ambientais e a ausência de graves violações de direitos humanos.

A Câmara de Representantes dos EUA ainda precisa confirmar a votação.

As novas exigências não significam que o Brasil será necessariamente excluído do grupo de beneficiários, uma vez que a tarefa cabe ao Executivo americano. Mas, na prática, os senadores deram ao governo Biden um motivo que pode ser usado para penalizar o Brasil caso Washington julgue necessário.

Ricardo Della Coletta, Folhapress

Queiroga: Programa de Imunização é esperança de por fim à pandemia

 

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O ministro da Saúde Marcelo Queiroga disse hoje (20) que o Programa Nacional de Imunização (PNI) é a esperança de por fim à pandemia de covid-19 no país. Em participação da vacinação em massa da ilha de Paquetá, bairro da capital Rio de Janeiro, o ministro disse que o PNI tem capacidade de vacinar até 2,4 milhões de brasileiros por dia.

“Até o final do ano, toda a população brasileira acima de 18 anos será imunizada contra a covid-19, com as duas doses da vacina. O passaporte para a nossa liberdade”, disse o ministro.

O ministro disse que o Ministério da Saúde adquiriu mais de 630 milhões de doses de vacinas e que, desse total, mais de 110 milhões de doses foram distribuídas. Segundo Queiroga, o Brasil se encontra entre os cinco países que mais distribuíram doses de vacinas para a sua população.

Queiroga e outras autoridades da área de saúde foram a Paquetá para o dia de imunização em massa dos moradores da ilha. A ação é uma parceria entre a Secretaria e Saúde do Município do Rio de Janeiro e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), para estudo de Fase 4 da vacina AstraZeneca, quando o que está em análise é a efetividade das vacinas “no mundo real”, conceito que é diferente de eficácia, que é o percentual de proteção medido pelos testes clínicos, em um grupo controlado e em comparação a um placebo antes da aprovação da vacina pelas autoridades sanitárias. Todos os moradores da ilha devem ser vacinados, pelo menos com a primeira dose, ainda hoje.

Na quinta-feira (17), o trabalho começou a ser realizado com a coleta de amostras de sangue para testes sorológicos em moradores de Paquetá que se apresentaram como voluntários. Entre os objetivos, o estudo quer monitorar a “soroconversão”, isto é, quem era soronegativo (não tinha anticorpos) e passou a ser soropositivo (com anticorpos). A pesquisa será capaz de diferenciar quem passou a ter anticorpos por causa da vacina e quem os adquiriu devido a uma infecção, e isso ajudará a verificar, entre outros pontos, o nível de proteção coletiva que será alcançado. Segundo o secretário de Saúde do Município do Rio de Janeiro Daniel Soranz, 70% da população da lha participou do teste.

Fiocruz
A presidente da Fiocruz Nísia Trindade agradeceu a disponibilidade dos moradores da ilha em participar da pesquisa. Ela disse que “vacinar é sempre uma emoção, quando pensamos na importância das pesquisas que avaliam a vacina e o impacto na transmissão, como está sendo feito aqui em Paquetá”.

Pesquisa
No evento, Queiroga lamentou profundamente todas as 500 mil vidas perdidas para a covid-19. “Não só os que morreram, mas os que ainda padecem dessa doença. É uma emergência de saúde pública internacional. Não é um problema exclusivo do Brasil e para enfrentá-lo a principal ferramenta é o Sistema Único de Saúde”.

Agência Brasil

Produtores temem que julgamento no TJ volte a beneficiar alvos da Operação Faroeste

 

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exclusivas

O Tribunal de Justiça da Bahia marcou para esta segunda-feira (21) um julgamento que, segundo advogados, poderá entregar a posse de 366 mil hectares de terras na região Oeste do Estado para dois dos principais investigados na Operação Faroeste, que apura venda de decisões judiciais, corrupção e grilagem, entre outros crimes.

A Corte irá julgar um mandado de segurança contra a sentença da juíza Marivalda Moutinho, afastada de suas atividades por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). As supostas irregularidades estariam, segundo o Ministério Público Federal, na origem dos crimes investigados na Faroeste.

Em dezembro de 2018, a juíza deu sentença que transferia a posse dos 366 mil hectares ao borracheiro José Valter Dias, em prejuízo de mais de 200 agricultores, que estão na região há pelo menos duas décadas. A decisão teria beneficiado o grupo do falso cônsul Adailton Maturino, cuja esposa, segundo o MPF, criou uma holding para administrar as terras.

A propriedade equivale a cinco vezes o tamanho da cidade de Salvador. Inicialmente, o TJBA suspendeu os efeitos da sentença de Marivalda. Agora, a relatora do processo na 2ª Câmara Cível do TJBA, desembargadora Sílvia Zarif, propõe a anulação do processo como um todo.

Os agricultores temem, no entanto, que com a eventual anulação da sentença de Marivalda (assim como a decisão que suspendeu seus efeitos), pode voltar a valer uma liminar proferida pelo juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio, também investigado e preso pela Faroeste.

A liminar determinava que os cerca de 200 agricultores deixassem suas terras, que seriam então tomadas pelo grupo de Adailton Maturino e José Valter Dias. A Associação dos Produtores da Chapada das Mangabeiras (Aprochama) chamou a atenção para essa consequência, mas, segundo eles, o voto da desembargadora não levou isso em consideração.

A associação congrega os agricultores que foram vítimas de alvos da Operação Faroeste. A esperança dos agricultores está nos próximos votos, uma vez que o julgamento foi suspenso e prosseguirá amanhã (21). A Aprochama pede ao TJBA que julgue o mérito da ação principal que discute com quem deve ficar a posse das terras.

A Corregedoria das Comarcas do Interior do TJ-BA confirmou audiência que fará no dia 28 de junho com a Aprochama. Nos últimos dias, a questão fundiária no Oeste da Bahia ganhou novos contornos com o assassinato do produtor Paulo Grendene.

Política Livre

China ultrapassa 1 bilhão de doses contra a Covid-19 aplicadas

 


A população do país é estimada em 1,3 bilhão de pessoas, segundo o Banco Mundial

Redação
BAHIA.BA 
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

A China ultrapassou neste domingo (20) a marca de 1 bilhão de doses de vacinas contra a Covid-19 aplicadas, segundo apontou um balanço divulgado pela plataforma Our World in Data, ligada à Universidade de Oxford. A população do país é estimada em 1,3 bilhão de pessoas, segundo o Banco Mundial.

De acordo com o G1, como não há divisão entre 1ª e 2ª dose nos números divulgados no balanço, é difícil dizer qual a porcentagem dos adultos foi completamente imunizada no país – isso porque, assim como no Brasil, a maioria das vacinas usadas tem que ser aplicada em duas doses.

Segundo a publicação, a plataforma aponta que o país asiático lidera, com folga, o ranking de vacinação mundial bem à frente dos Estados Unidos (316 milhões de doses) e Índia (266 milhões de doses). No total, mais de 2,6 bilhões de doses de vacinas já foram aplicadas em todo o planeta.

OAS é vendida a fundo de investimento por R$ 4,5 bilhões

 


Os detalhes da negociação, assim como o nome do fundo, serão divulgados em breve.


Tribuna da Bahia, Salvador
20/06/2021 11:30 | Atualizado há 7 horas e 51 minutos

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Foto: Foto: Reprodução

A OAS foi vendida para um fundo de investimentos por R$ 4,5 bilhões. Uma das maiores empresas do país no setor de engenharia e infraestrutura, a construtora tem dívida próxima a esse valor. De acordo com informações do Poder 360, os detalhes da negociação, assim como o nome do fundo, serão divulgados em breve.

Fundada em Salvador em 1976, a OAS tem como donos a família Mata Pires, da Bahia, e o executivo Léo Pinheiro (10%), sendo que o último passou um período preso em razão da operação.

A dívida que a OAS acumulou nos últimos anos foi construída, sobretudo, por causa da derrocada que veio depois que a empresa se enredou na operação Lava Jato.

Paquetá pode se tornar a primeira área livre da covid-19 no Rio

 


Vacinação em massa faz parte de estudo da Fiocruz


Tribuna da Bahia, Salvador
20/06/2021 08:25 | Atualizado há 10 horas e 53 minutos

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Foto: Foto: Reprodução

A bucólica Ilha de Paquetá, com suas ruas de terra e casas históricas, estará na vanguarda da cidade do Rio de Janeiro nos próximos meses e poderá ser a primeira área da cidade a erradicar a covid-19. O passo mais importante para que isso aconteça ocorre neste domingo (20), com a vacinação em massa promovida em um estudo da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 

Famosa nacionalmente como cenário do clássico A Moreninha, romance de Joaquim Manuel de Macedo, a ilha é localizada na parte mais interna da Baía de Guanabara e tem 4.180 moradores. Para chegar e sair do bairro, a barca é o único meio de transporte público, e as bicicletas e caminhadas substituem os carros nos 120 hectares de área da ilha.

Em uma transmissão ao vivo na internet com a Associação de Moradores de Paquetá (Morena), realizada na última semana, pesquisadores da Fiocruz e o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, explicaram como funcionará o estudo, que terá um ano de duração e espera antecipar os efeitos da vacinação que meses depois serão observados no restante da cidade. O imunizante utilizado será a vacina Oxford/AstraZeneca, que é produzida no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz). 

"Nossa esperança e principal expectativa é que Paquetá seja a primeira área do Rio de Janeiro livre da covid-19, e a gente poder falar que estamos há tantos dias sem nenhum caso de covid-19 em Paquetá. A expectativa é que isso aconteça 14 dias após a segunda dose, mas pode acontecer de a imunidade coletiva ser até mesmo com a primeira dose. Vamos analisar diariamente a curva de casos", disse Soranz.

Na quinta-feira (17), o trabalho começou a ser realizado com a coleta de amostras de sangue para testes sorológicos em 3 mil moradores de Paquetá que se apresentaram como voluntários. Entre os objetivos, o estudo quer monitorar a "soroconversão", isto é, quem era soronegativo (não tinha anticorpos) e passou a ser soropositivo (com anticorpos). A pesquisa será capaz de diferenciar quem passou a ter anticorpos por causa da vacina e quem os adquiriu devido a uma infecção, e isso ajudará a verificar, entre outros pontos, o nível de proteção coletiva que será alcançado.

O infectologista da Fiocruz José Cerbino Neto explicou que a população será dividida em três grupos: quem já havia se vacinado, quem vai receber a vacina no domingo e quem não pode receber a vacina, como as crianças. Com isso, será possível conferir questões como a proteção já na primeira dose e o quanto a vacinação das pessoas em volta é capaz de proteger quem não foi imunizado. 

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 1.946 pessoas já haviam recebido a primeira dose de alguma das vacinas contra a covid-19 em Paquetá até o dia 17 de junho, e 1.132 segunda dose já haviam sido aplicadas nos moradores até a mesma data. A expectativa de Soranz é que o número de doses aplicadas neste domingo possa chegar a 1,6 mil. 

Os pesquisadores explicam que quanto maior for a adesão da população ao estudo, maior será a possibilidade de extrair conclusões. A pesquisa é considerada um estudo de Fase 4, quando o que está em análise é a efetividade das vacinas "no mundo real", conceito que é diferente de eficácia, que é o percentual de proteção medido pelos testes clínicos, em um grupo controlado e em comparação a um placebo antes da aprovação da vacina pelas autoridades sanitárias. 

Estudo

A escolha de Paquetá para esse estudo passa por uma série de características, como o fato de ser uma ilha, com uma única entrada e saída. Além disso, o bairro tem apenas uma unidade de saúde, que, por sua vez, possui um cadastro de saúde da família bem consolidado com capacidade de monitorar a evolução dos casos. 

O infectologista da Fiocruz disse ainda que o estudo em Paquetá terá características diferentes dos que foram realizados em populações maiores, como nas cidades de Serrana e Botucatu. Segundo o infectologista, com um grupo populacional menor em observação, é possível, por exemplo, analisar o deslocamento dos voluntários para fora da ilha e possíveis impactos que isso possa ter na efetividade da vacina. Apesar da análise mais completa, os dados e as informações médicas dos moradores serão mantidas em sigilo.

“A gente vai poder avaliar questões de segurança da vacina, eventos adversos em uma escala maior e com controle mais fino. A gente vai poder ver a resposta da vacina para as diferentes variantes. Todos os casos de covid-19 que eventualmente apareçam a gente vai genotipar para saber que variante é aquela. São respostas muito importantes nesse momento”, explica Cerbino Neto. 

“Paquetá está na vanguarda da estratégia de vacinação da cidade. A gente vai começar por Paquetá e os resultados que a gente encontrar vão ajudar muito nas políticas de controle para o resto da cidade”. 

Evento-teste

Oito semanas após a primeira dose, haverá uma nova vacinação em massa para completar o esquema vacinal dos participantes do estudo. O intervalo de oito semanas está dentro da janela de oito a 12 semanas recomendada para a aplicação da segunda dose da AstraZeneca e permitirá obter os resultados mais rapidamente do que com o intervalo de 12 semanas. A expectativa dos pesquisadores é que 14 dias após a segunda dose a circulação do vírus tenha sido reduzida ou zerada, abrindo caminho para a realização de um evento-teste na ilha.

O evento será realizado no Parque Darke de Mattos, um local aberto, e só poderão participar moradores de Paquetá que tenham sido vacinados. Essa etapa do estudo depende de uma grande adesão à vacinação e permitirá observar se o vírus será capaz de circular em meio a uma população vacinada, que será dispensada do uso de máscara nessa ocasião, segundo Cerbino Neto. 

Fonte: Agencia Brasil

Nise Yamaguchi diz que foi humilhada em CPI e entra com ação contra 2 senadores

 


A ação, assinada pelos advogados Raul Canal e Danny Gomes, fala que os senadores atacaram a dignidade de Nise "enquanto médica, cientista e mulher" e intimidaram a oncologista.


Tribuna da Bahia, Salvador
19/06/2021 20:59 | Atualizado há 22 horas e 16 minutos

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Foto: Agência Senado

Por Rayssa Motta

A médica Nise Yamaguchi entrou com uma ação por danos morais contra os senadores Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid, e Otto Alencar (PSD-BA) pelo tratamento dispensado a ela durante o depoimento prestado na comissão parlamentar no início de junho. Ela afirma ter sido vítima de misoginia e humilhação no interrogatório e cobra indenização de R$ 160 mil de cada um - que, segundo o processo, será integralmente doado.

A ação, assinada pelos advogados Raul Canal e Danny Gomes, fala que os senadores atacaram a dignidade de Nise "enquanto médica, cientista e mulher" e intimidaram a oncologista. A defesa também pede que a Procuradoria-Geral da República (PGR) seja comunicada para analisar se os parlamentares cometeram o crime de abuso de autoridade.

"Os requeridos abusaram de seu direito, e sua conduta, além de ilegal e injusta, não foi adequada ou necessária, merecendo ser coibida e punida severamente", escrevem os advogados. "Projetaram-se politicamente mediante a exploração e humilhação pública da autora, tratando-a como verdadeira inimiga", acrescentam.

Defensora da prescrição de cloroquina para tratar pacientes com covid-19, a médica foi colocada na lista de investigados divulgada na sexta-feira, 18, pela CPI. Durante o depoimento, ela foi questionada sobre a existência do chamado "gabinete paralelo", que teria aconselhado o presidente Jair Bolsonaro sobre a gestão da pandemia na contramão das orientações do Ministério da Saúde, e sobre o decreto presidencial para mudar a bula da cloroquina.

Médico de formação, Otto Alencar confrontou Nise sobre conhecimentos técnicos a respeito de doenças virais. Insatisfeito com as respostas, interrompeu a oncologista: "a senhora não sabe, infelizmente a senhora não sabe nada de infectologia, nem estudou doutora, a senhora foi aleatória mesmo, superficial", disse.

Defesas

A assessoria de Otto Alencar se manifestou cobre a ação movida contra o parlamentar. "O senador Otto Alencar (PSD/BA), ainda não foi notificado. Assim que ocorrer a notificação, os advogados responderão, de acordo com a lei. A Constituição Federal em seu artigo 53, garante a senadores e deputados, o direito a manifestações, opiniões e votos no exercício de suas funções. O senador Otto Alencar reforça que durante os seus questionamentos se referiu a médica Nise Yamaguchi, com respeito, sempre a tratando como doutora, senhora e Vossa Senhoria. Quanto à pergunta sobre vírus e protozoário, a médica não soube responder a indagação. O questionamento foi feito com o objetivo de indicar, como atestam cientistas e especialistas na área de saúde, que nenhuma medicação evita a contaminação pelo coronavírus e que o tratamento precoce, defendido por Nise Yamaguchi, não funciona e não é recomendado."

A reportagem entrou em contato com Omar Aziz e aguarda resposta. O espaço está aberto para a manifestação do senador.

Fonte: Estadão Conteúdo

Pode ser uma imagem de texto que diz "Professores odeiam os militares e amam o Lula. No regime militar um professor era considerado mestre. Hoje apanham dos alunos! Alguém me explica?"

Febraban orienta sobre golpe do roubo do celular e dá dicas de segurança

 


Muito dos roubos ocorrem em vias públicas durante o uso do celular pelas pessoas.


Tribuna da Bahia, Salvador
20/06/2021 13:23 | Atualizado há 5 horas e 47 minutos

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Foto: Reprodução

Diante dos relatos de roubos de celulares seguidos de transações bancárias, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) esclarece que os aplicativos dos bancos contam com o máximo de segurança em todas as suas etapas, desde o seu desenvolvimento até a sua utilização. Portanto, não existe qualquer registro de violação da segurança desses aplicativos, os quais contam com o que existe de mais moderno no mundo para este assunto. Além disso, para que os aplicativos bancários sejam utilizados, há a obrigatoriedade do uso da senha pessoal do cliente.

Como funciona o golpe

Muito dos roubos ocorrem em vias públicas durante o uso do celular pelas pessoas. Dessa forma, os criminosos têm acesso ao celular já desbloqueado e, a partir daí, realizam pesquisas no aparelho buscando por senhas eventualmente armazenadas pelos próprios usuários em aplicativos e sites. De posse dessas informações, tentam ingressar no aplicativo do banco.

Para se proteger desse golpe, é fundamental que os clientes adotem os seguintes cuidados:

- Usar sempre o procedimento de bloqueio da tela de início do celular;

-Nunca utilize o recurso de "lembrar/salvar senha" em navegadores e sites;

- Jamais anotar senhas de acesso ao banco em blocos de notas, e-mails, mensagens de WhatsApp ou outros locais em seu celular;

- Não repetir a senha utilizada para acesso ao seu banco para uso em quaisquer outros aplicativos, sites de compras ou serviços na internet;

- Jamais anote a senha, memorize-a para o uso.

Adicionalmente, sempre que seu celular for roubado, o cliente deverá:

- Notificar imediatamente o seu banco para que as medidas adicionais de segurança sejam adotadas, especialmente o bloqueio do app do banco e senha de acesso;

- Avisar à operadora de telefonia para o bloqueio imediato da linha

- Registrar o Boletim de Ocorrência junto à autoridade policial.

 

“João Roma é o futuro da Bahia, com toda certeza” afirma Bolsonaro

 


Antes da fala de Bolsonaro, os participantes da chamada gritavam “mito, mito, mito”,


Tribuna da Bahia, Salvador
20/06/2021 13:50 | Atualizado há 5 horas e 18 minutos

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Foto: Sérgio Lima/Poder360

O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste domingo (20) que o ministro da Cidadania, João Roma, “é o futuro da Bahia com toda certeza”. Bolsonaro participou de uma chamada de vídeo com Roma, que promoveu um encontro com lideranças políticas em Amargosa, e falou para os participantes.

“Meus amigos da Bahia, um grande abraço a todos vocês. Parabéns pela liderança aí do João Roma. Queremos o melhor do Brasil. Ninguém melhor do que eu para expressar o que não gostaríamos que acontecesse com a nossa Bahia. Esse estado que é um país. Quem sabe na próxima oportunidade eu me faça presente para conversar com vocês aí. Mas o João Roma é o cara, é o futuro da Bahia com toda certeza”, disse o presidente.

Antes da fala de Bolsonaro, os participantes gritavam “mito, mito, mito”, saudação que é uma marca dos bolsonaristas para o capitão reformado. Na chamada, Roma apresentou os participantes do encontro ao presidente, entre prefeitos e lideranças.

Roma é virtual candidato ao governo da Bahia.

Fonte: Classe Politica

As mulheres judias que combateram nos guetos de Hitler

 



Neta de sobreviventes polacos do Holocausto, Judy Batalion resgata os feitos das mulheres judias que lutaram contra os nazis. O Observador pré-publica "As Resistentes", nas livrarias a partir do dia 22.


Esconderam revólveres dentro de pães, mensagens codificadas nos seus cabelos, ajudaram a construir sistemas de bunkers subterrâneos e esconderam milhares em refúgios seguros. No total, os alemães criaram mais de 400 guetos na Polónia, com o objetivo de dizimar a população judaica através da doença e da fome, e concentrar os judeus de modo a serem transportados com facilidade até campos de trabalho e de extermínio. “Para eles”, escreveu Renia Kukielka, “matar uma pessoa era mais fácil do que fumar um cigarro”.

Neta de sobreviventes polacos do Holocausto, Judy Batalion guia-nos por 1939 e resgata os feitos das mulheres judias que arriscaram a sua vida a viajar, a pé ou de comboio, num território ocupado e por entre uma sinistra operação maciça, tornando-se o coração de uma vasta rede que lutou contra os nazis.


Foram incríveis contrabandistas, espias, sabotadoras, “As Resistentes”, em suma, cujos trajetos ímpares são recordados nesta edição da Crítica, que chega às livrarias no próximo dia 22 e que o Observador pré-publica.

Capítulo 4

Ver mais uma manhã – terror no gueto

Renia
ABRIL DE 1940

Embora sendo verdade que os horrores do Holocausto evoluíram como uma série de pequenos passos, cada um deles uma ligeira escalada em relação ao precedente, uma acumulação no sentido do genocídio em massa, para Renia, o terror do princípio da guerra dividiu de modo irreparável a sua vida entre um «antes» e um «depois». O emprego que conseguira no secretariado do tribunal desapareceu, as suas esperanças para o futuro desvaneceram‐se. A sua vida ficou virada do avesso.

Em 1940, aprovaram‐se decretos atrás de decretos em comunidades por toda a Polónia, incluindo a minúscula aldeia de Jędrezejów. Estas novas regras tinham como objetivo apontar, humilhar e enfraquecer os judeus. E também identificá‐los. Os alemães não sabiam diferenciar um polaco de um judeu, por isso, Renia e todos os judeus com mais de dez anos estavam obrigados a usar uma faixa branca com a estrela de David a azul no cotovelo. Se a faixa estivesse suja ou se a sua largura fosse incorreta podiam ser punidos com a morte. Os judeus tinham de tirar o chapéu quando se cruzavam com nazis; não podiam caminhar pelos passeios. Renia assistia, agoniada, às propriedades dos judeus a serem confiscadas e oferecidas a folksdeutsche: polacos com uma ascendência em parte alemã que se candidatavam a essa elevada posição. De repente, escreveu, os polacos mais pobres tornaram‐se milionários e os judeus tornaram‐se criados nas suas casas, obrigados a pagar renda e a ensinar os folksdeutsch a gerir as suas anteriores mansões. Então, as famílias judaicas foram pura e simplesmente expulsas, tornando‐se mendigos nas ruas. As suas lojas foram ocupadas. Os seus pertences, sobretudo ouro, peles, joias e valores que tinham conseguido esconder nos jardins ou debaixo de tijoleiras soltas na cozinha, foram confiscados. Leah confiou a sua máquina de costura Singer e os candelabros a um vizinho, para que os guardasse. Renia via polacos espreitar pelas janelas enquanto passeavam pela povoação, a fantasiar sobre o que mais poderia vir a pertencer‐lhes.

Em abril estabeleceu‐se compulsivamente um «bairro judeu», uma iniciativa que muitos judeus esperavam que os protegesse. A família de Renia – exceto Sarah, que já se juntara a um kibbutz do Liberdade, e Zvi, que fugira para a Rússia – foi notificada de que dispunha de dois dias para transferir as suas vidas inteiras até a uma área a poucos quarteirões da praça central: um lugar esquálido de pequenas casas baixas e estreitos becos que anteriormente albergara a escumalha da povoação. Tiveram de abandonar mobílias, bens – quase tudo menos uma pequena sacola e alguma roupa de cama. Há relatos de mães que não dormiram toda a noite a empacotar coisas, os filhos a correrem para lá e para cá, a levar tudo o que podiam transportar às costas ou em cestos: roupa, comida, panelas, animais de estimação, sabão, casacos, calçadeiras, materiais de costura e outros meios de ganhar a vida. Joias escondidas foram coladas a corpos. Uma pulseira de ouro foi cosida na manga de uma camisola. Dinheiro foi escondido em massa de biscoitos e levado ao forno.

A sobrelotação era insuportável. Cada apartamento alojava várias famílias, as pessoas dormiam no chão ou em catres improvisados – Renia dormia em cima de um saco de farinha. Chegava a haver 50 pessoas amontoadas numa pequena casa. As raras fotografias disponíveis de habitações no gueto mostram diversas famílias a partilhar o santuário de uma sinagoga, filas de irmãos a dormir no bimah ou debaixo dos bancos. As pessoas mal tinham espaço para esticar os braços ou as pernas. O espaço pessoal não existia. Por vezes, as pessoas tinham a sorte de conhecer alguém que morava na área do gueto e mudavam‐se para casa desse amigo ou familiar; a maior parte, no entanto, coabitava com estranhos, muitas vezes com hábitos distintos. Judeus das aldeias circundantes e de classes sociais diferentes eram obrigados a habitar juntos, aumentando a tensão, introduzindo uma disrupção na normalidade da ordem social.

 Em 1940, aprovaram‐se decretos atrás de decretos em comunidades por toda a Polónia, incluindo a minúscula aldeia de Jędrezejów, na foto. Estas novas regras tinham como objetivo humilhar os judeus

Mesmo que as pessoas comprassem mobílias, não havia espaço para colocá‐las. As camas improvisadas desmontavam‐se durante o dia para deixar espaço para as lavagens e as refeições; as roupas ficavam penduradas em pregos espetados nas paredes; pequenas celhas eram usadas para lavar partes do corpo e a roupa suja, que secava nos telhados dos vizinhos. Empilhavam‐se mesas e cadeiras no exterior. À medida que as semanas se arrastavam, a família de Renia utilizava os restos da sua antiga vida como lenha. As chamas consumiam coisas que tinham sido essenciais.

No total, os alemães criaram mais de 400 guetos na Polónia, com o objetivo de dizimar a população judaica através da doença e da fome, e concentrar os judeus de modo a serem arrebanhados e transportados com facilidade até campos de trabalho e de extermínio. Era uma operação maciça, e cada gueto apresentava regulamentações e qualidades um tudo‐nada diferentes, dependendo da cultura judaica local, do governo nazi local, da situação geográfica e da liderança interna. Mesmo assim, muitos elementos da política dos guetos seguiam o mesmo padrão em todo o país, de remotas povoações até aldeias ainda mais remotas, incluindo o encarceramento.

Ao princípio, os Kukiełka estavam autorizados a sair do gueto para trabalhar e comprar comida; do mesmo modo, os polacos podiam passar os portões e levar pão para trocar por valores. Mas não tardou que o acesso fosse vedado em todos os guetos. Os judeus só podiam sair com uma autorização emitida pelo Judenrat. A partir de 1941, todo o movimento através da fronteira dos guetos, para polacos ou judeus, passou a ser proibido. Uma barreira física selava uma parte da área, um rio outra. Até que tentar sair significava nada menos que uma execução sumária.

Renia vestia camada de roupa por cima de camada de roupa: meias, mais um par, um vestido por cima de outro, grosso como os que as camponesas polacas envergavam. Esther usava dois casacos e um lenço. Às apalpadelas no escuro, Bela ajudava a prender as roupas da irmã antes de enfiar várias camisas dobradas debaixo do cós da saia, para fingir uma barriga de grávida. Todas escondiam pequenos artigos nos bolsos, tecido dentro de tecido; um palimpsesto de mercadoria e disfarce, tudo no corpo. Era assim, recordava Renia a si mesma, que podia ajudar a mãe, o irmão pequeno, a família.

Por um segundo, a adolescente voava para uma terra distante – que na realidade ficava apenas a poucos quilómetros de distância e a alguns meses no passado –, antes de a sua vida de classe média se ter desintegrado. Devaneava sobre como a mãe, uma força da natureza, se ocupava de tudo: cozinhava, limpava, geria o dinheiro. As vizinhas polacas dirigiam‐se a Leah, incrédulas: «Como consegues vestir sete filhos com aquilo que ganhas e fazê‐los parecer tão ricos?» Em iídiche, Leah era uma balabasta: uma prodigiosa fada do lar que tinha sempre uma casa cheia de filhos bem‐educados e bem comportados e respetivos amigos, e toda‐ via miraculosamente limpa e arrumada. E ela tinha sempre as suas respostas prontas: «Comprem roupas caras porque duram. E então passem‐nas de uns para os outros. E deem a cada criança um par de sapatos feitos por encomenda… um tamanho acima. Espaço para crescer.»

Aquilo que se vestia, a maneira como se usava. Agora, as raparigas utilizavam tudo ao mesmo tempo como roupa e modo de vida. Eram quase nove da noite – horas de ir. Acenaram um rápido adeus, e juntas caminharam pela rua e saíram do gueto. Renia nunca revelou como saía daquele gueto, mas talvez subornasse um guarda, se esgueirasse por uma ripa ou grade solta, trepasse um muro, passasse por uma cave ou um telhado. Tudo isto eram meios que os contrabandistas – na sua maioria‐ mulheres – usavam para entrar e sair dos lugares onde estavam confinados os judeus da Polónia.

Porque, com frequência, eram apanhados nas ruas, os homens ficavam em casa. As mulheres, das mais pobres às da alta sociedade, tornaram‐se as abastecedoras. Vendiam cigarros, soutiens, objetos de arte, por vezes o próprio corpo. Era também mais fácil para as crianças escapulirem‐se do gueto para procurar comida. Os guetos criaram toda uma cascata de inversão de papéis.

As irmãs Kukiełka chegaram à aldeia e começaram a percorrer as ruas. Enquanto caminhava a passo estugado, Renia pensava em como costumava ir com a mãe à padaria todas as sextas‐feiras comprar biscoitos das mais variadas cores e feitios. Agora, cartões de racionamento para o pão: dez decagramas por dia ou um quarto de uma pequena carcaça. Vender pão além da quantidade e preço autorizados significava execução.

Aproximou‐se de uma casa. Cada passo era um risco. Quem estaria a vê‐la ali de pé? Polacos? Alemães? Membros da milícia? Quem abrisse a porta poderia denunciá‐la. Ou matá‐la. Ou a pessoa podia fingir com‐ prar, e então não pagar e ameaçar entregá‐la à Gestapo a troco de uma recompensa. Nesse caso, que poderia ela fazer? E pensar que tinha tra‐ balhado no tribunal, com advogados, justiça, leis que faziam sentido. Já não. Noite após noite, havia mulheres que saíam assim, algumas delas mães a tentar alimentar a família.

Outras raparigas ajudavam as respetivas famílias realizando trabalhos forçados para as entidades municipais ou empresas privadas. Todos os judeus dos catorze aos setenta e cinco deviam trabalhar, mas, por vezes, rapariguinhas muito novas calçavam sapatos de salto alto para parecerem mais velhas porque queriam comida. Alguns judeus viram‐se obrigados a ser alfaiates, costureiros e carpinteiros; outros demoliam casas, reparavam estradas, limpavam as ruas, descarregavam bombas de comboios que, por vezes, explodiam e os matavam. Apesar de palmilharem quiló‐ metros para ir trabalhar a partir pedra, amiúde com neve pelos joelhos e um frio de rachar ossos, famintas e esfarrapadas, as mulheres eram espancadas sem piedade se pediam um momento de descanso. As pessoas escondiam as suas feridas e morriam mais tarde de infeções. Partes do corpo congelavam. Partiam‐se ossos nos espancamentos.

A autora, Judy Batalion Beowulf Sheehan

«Ninguém diz uma palavra», escreveu uma jovem trabalhadora a respeito das marchas às quatro da madrugada para ir trabalhar, cerca‐ das por guardas nazis. «Tenho o cuidado de não pisar os calcanhares da pessoa que vai à minha frente, a tentar calcular na escuridão o ritmo e o comprimento das suas passadas. Avanço por entre o vapor da sua respiração, o cheiro de roupas que não foram lavadas, o fedor das casas apinhadas à noite.» E depois havia as chegadas tardias a casa, cheias de nódoas negras, rígidas, desapontadas por não terem conseguido fazer passar nem sequer uma cenoura para a família por causa das revistas à entrada do gueto. Não obstante o terror de serem espancadas, voltavam aos locais de trabalho na manhã seguinte, incluindo mães que tinham de deixar os filhos entregues a si mesmos. Que outra coisa podiam fazer?

Cuidar das famílias nos guetos, manter as crianças judias vivas – alimentar física e espiritualmente a próxima geração – era a forma de resistência das mães. Os homens eram levados ou fugiam, mas as mulheres ficavam para tratar dos filhos e, frequentemente, dos pais. Como Leah, muitas estavam familiarizadas com gerir dinheiro e comida, só que tinham agora de trabalhar em condições de privação extrema. Os cupões para um dia – que permitiam comprar pão de milho feito com grãos, caules e folhas, um pouco de sêmea, uma pitada de sal, um punhado de batatas – não proporcionavam alimento suficiente nem sequer para o pequeno‐almoço.

Os pobres eram os que mais sofriam, notava Renia, por não terem dinheiro para comprar os bens vendidos no mercado negro. Uma mãe faria tudo para evitar ter de ver os filhos morrer de fome – «a pior de todas as mortes», refletiria Renia. Incapazes de satisfazer as necessidades básicas da existência, procuravam nutrientes, escondiam os filhos da violência e, mais tarde, das deportações (mantinham‐nos calados em esconderijos, por vezes obrigadas a abafar o choro dos bebés), tratavam as doenças o melhor que podiam sem medicamentos. As mulheres do gueto, sempre vulneráveis ao assédio sexual, saíam para trabalhar ou contrabandear, correndo o risco de serem apanhadas e deixarem os filhos sozinhos no mundo. Outras entregavam os bebés a cuidadoras polacas, frequentemente a troco de substanciais quantias, e por vezes tinham de ver ao longe os filhos serem maltratados ou intoxicados com mentiras a respeito delas. No fim, inúmeras mães que poderiam ter sido poupadas para trabalhar acabaram por ser mandadas para as câmaras de gás com os filhos, recusando deixá‐los morrer sozinhos – a confortá‐los e a abraçá‐ ‐los até ao último segundo.

"A fome, a infestação, o fedor dos corpos por lavar, a falta de trabalho ou de qualquer rotina diária, o medo constante de ser apanhado e obrigado a fazer trabalhos forçados e espancado eram a realidade quotidiana. As crianças brincavam aos nazis contra judeus na rua. Uma menina gritava ao gato da família que não saísse do gueto sem levar os documentos. Não havia dinheiro para as velas do Hanukkah nem para os challahs do Sabat"

Quando os maridos continuavam em casa, os conflitos conjugais surgiam com regularidade. Os homens, que alegadamente tinham menos tolerância à fome, tendiam a comer tudo o que encontrassem. As mulheres precisavam de esconder as rações. O sexo num quarto apinhado e entre corpos famintos não era de um modo geral uma possibilidade, o que acrescia à tensão. De acordo com os registos do gueto de Łódź, muitos casais pediram o divórcio, não obstante o facto de ser solteira tornar uma pessoa mais suscetível de ser deportada e morta. Em muitos casos, eram a primeira geração a beneficiar de casamentos por amor em vez de uniões combinadas, mas a fome crónica, a tortura e o terror desintegravam os laços românticos.

As mulheres, que foram treinadas nas competências domésticas, tinham também o cuidado de se manterem livres de parasitas, limpas e arranjadas – coisas que contribuíam para a sua sobrevivência física e emocional. Alguém dizia que as mulheres sofriam mais com a falta de higiene do que com a fome.

A despeito de todos os esforços, a falta de comida, a sobrelotação e a ausência de água corrente e serviços sanitários levaram a uma epidemia de tifo no gueto de Jędrezejów. As casas onde se declarava a infeção eram entaipadas e os doentes levados para um hospital judaico criado de propósito para combater esta doença, que se propagava através dos piolhos. A maior parte dos doentes morria devido à falta de tratamento. Balneá‐ rios especiais desinfetavam corpos e roupas, que ficavam muitas vezes inutilizáveis. Renia ouviu rumores a respeito de os alemães proibirem o tratamento dos doentes de tifo e ordenarem o seu envenenamento. (Os nazis eram notoriamente germofóbicos. No hospital de Cracóvia, havia judeus não infetados que se misturavam com os contagiados para salvar a vida.)

A fome, a infestação, o fedor dos corpos por lavar, a falta de trabalho ou de qualquer rotina diária, o medo constante de ser apanhado e obrigado a fazer trabalhos forçados e espancado eram a realidade quotidiana. As crianças brincavam aos nazis contra judeus na rua. Uma menina gritava ao gato da família que não saísse do gueto sem levar os documentos. Não havia dinheiro para as velas do Hanukkah nem para os challahs do Sabat. Até os judeus ricos acabaram por ficar sem o dinheiro que tinham levado para o gueto ou que receberam da venda dos seus bens. Embora vendessem as suas coisas aos polacos por quase nada, o mercado negro era exorbitante. Uma fatia de pão vendida no gueto de Varsóvia custava a um judeu pouco mais de 50 euros atuais.

Naquele momento, diante da porta, era a oportunidade de Renia; estava desesperada por fundos. Como tantas outras mulheres por todo o país, não se considerava uma pessoa política. Não pertencia a qualquer organização, e no entanto ali estava, a arriscar a vida em ação. Estendeu o punho fechado, cada pancada uma potencial bala.

Foi uma mulher que lha abriu, pronta para negociar. Ficam felizes por comprar, pensou Renia. Não têm mais nada em que gastar o dinheiro. A mulher ofereceu uma pequena quantidade de carvão. Renia pediu umas poucas moedas, muito menos do que valiam os panos de renda da família. «Está bem.» Afastou‐se apressada, com o coração a bater. Tocou nas moedas que levava no bolso. Uma miséria, mas ao menos tinha conseguido qualquer coisa.

Uma manhã, a temida pancada na porta. A milícia. Uma ordem. A comunidade judaica teria de escolher 220 homens fortes e saudáveis para serem levados até um campo de trabalhos forçados fora da povoação. Aaron, o irmão mais novo de Renia, fazia parte da lista.

Os Kukiełka suplicaram‐lhe que não fosse, mas ele receou as consequências da desobediência: a família inteira podia ser executada. As entranhas de Renia arderam ao ver aquela figura alta e loura sair porta fora. Juntaram os homens no quartel dos bombeiros, onde foram examinados por médicos e torturados pela Gestapo, obrigados a cantar e dançar temas judaicos e a espancarem‐se uns aos outros até sangrarem, enquanto a Gestapo ria. Quando chegou o autocarro para os levar, os esbirros da Gestapo, com cães e pistolas‐metralhadoras, espancaram os retardatários com tal violência que os outros rapazes tiveram de carregá‐los para o veículo.

Camaradas do Liberdade em Budapeste, 1944, incluindo Renia Kukiełka (embaixo à direita). 

 
O irmão de Renia dir‐lhe‐ia mais tarde que estava convencido de que o levavam para ser executado, mas que, para sua surpresa, o haviam deixado num campo de trabalhos forçados perto de Lvov. Pode ter sido o campo Janowska, um campo de trânsito que também tinha uma fábrica onde os judeus eram obrigados a trabalhar gratuitamente em carpintaria e metalurgia. Os alemães criaram mais de 40 mil campos para facilitar o assassínio das «raças indesejáveis», incluindo campos de trânsito, campos de concentração, campos de extermínio, campos de trabalho e combinações de todos eles. As SS arrendavam alguns dos campos de trabalho a empresas privadas, que pagavam por escravo. As mulheres custavam menos, o que encorajava essas empresas a «alugá-las», colocando‐as a executar as tarefas mais árduas. Por toda a Polónia, nos campos de trabalho estatais ou privados, as condições eram atrozes, e morria‐se de fome, espancamentos constantes, doenças provocadas pelo ambiente insalubre e exaustão por excesso de trabalho. Nos primeiros anos da guerra, desmoralizavam‐se os prisioneiros dos campos de trabalho ao obrigá‐los a realizar tarefas humilhantes e, muitas vezes inúteis, como partir pedra. Com o tempo, cresceu a necessidade de trabalhadores para fazer face às necessidades do exército alemão, e as tarefas diversificaram‐se. A ementa diária num dos campos consistia de uma fatia de pão e uma tigela de sopa preta feita com ervilhaca, uma planta que servia para alimentar o gado e sabia a pimenta cozida. A perspetiva do envio para um campo de trabalho escravo aterrorizava os jovens judeus.

Não obstante o total colapso social do país, os correios ainda funcionavam, e um dia chegou uma carta. A tremer, Renia desdobrou as páginas e ficou a saber que Aaron estava vivo. Mas os horrores da sua vida chocaram‐na: os rapazes dormiam nos estábulos, em camas de palha nunca mudadas; trabalhavam do nascer ao pôr do sol, morriam de fome e gelavam, alimentavam‐se de bagas silvestres e ervas que apanhavam do chão. Eram espancados todos os dias, levados para casa aos ombros dos camaradas. À noite, eram obrigados a fazer ginástica, e se não aguentassem – morte. Os piolhos devoravam‐nos vivos. Não havia lavatório. Nem latrina. O fedor era letal. Vinha então a disenteria. Apercebendo‐se de que os seus dias estavam contados, muitos rapazes fugiam. Mas por causa das roupas que vestiam, conspícuas no frio do inverno, evitavam as povoações e cortavam por campos e florestas. A Gestapo perseguia‐os, ao mesmo tempo que torturava os que tinham ficado.

Renia apressou‐se a enviar ao irmão encomendas de ajuda. Incluía roupas com dinheiro cosido nos bolsos para que ele pudesse comprar um bilhete para casa se conseguisse fugir. Todos os dias estava atenta ao regresso de quaisquer refugiados. O aspeto deles era assustador: reduzi‐ dos a pele e osso, corpos cobertos de úlceras e impingens, roupas infestadas de parasitas, membros inchados. De repente, rapazes pareciam débeis anciãos. Onde estava Aaron?

Eram tantos os judeus enviados para o desconhecido. «Um pai, um irmão, uma irmã, uma mãe», escreveu Renia. «Em todas as famílias faltava uma pessoa.»

Porém, tudo pode tornar‐se relativo. Renia não tardaria a saber que faltar só «uma pessoa» era bom. Até «uma pessoa viva» significava que se tinha sorte.

Renia sabia que precisava de fazer a sua própria sorte.

"Foi assim que os judeus do gueto começaram a sentir‐se verdadeiramente ocupados. O seu território, a sua pele, até os seus pensamentos estavam ameaçados. Qualquer coisa que dissessem ou fizessem – o mais pequeno gesto ou movimento – podia resultar na execução do autor e de toda a sua família. Todos os elementos da sua existência física e espiritual estavam sob vigilância. «Ninguém podia respirar, tossir ou chorar sem ter um público», relatava uma jovem habitante do gueto. Em quem se podia confiar? Quem estava à escuta?"

Uma noite, com o crepúsculo a pesar sobre os decrépitos telhados do gueto, chegou uma notícia. Cada mensagem, cada pequena nota, tinha o potencial de alterar a vida de uma pessoa para sempre, de esmagar o frágil conforto, fosse ele qual fosse, que essa pessoa tivesse conseguido construir para se aguentar. Dessa vez, os Kukiełka, com as outras 399 famílias mais ricas do gueto, seriam obrigadas a abandonar a povoação. À meia‐noite.

Renia tinha visto como os ricos tentavam pagar para encontrar uma forma de contornar os decretos, subornando o Judenrat para pôr outros nos seus lugares ou contratando operários para trabalhar por eles. As pessoas lidavam com as dificuldades das maneiras que conheciam, jogavam com os sistemas como sempre tinham jogado – só que agora os jogos não tinham regras. Os ricos só eram respeitados por outros judeus; os alemães não queriam saber. As famílias mais abastadas ten‐ taram usar o dinheiro para escapar também àquela partida forçada, mas os cofres do Judenrat estavam cheios com o produto de subornos anteriores – na realidade, oferecia a cada família rica 50 złotys para des‐ pesas de recolocação.

Os Kukiełka amontoaram à pressa os seus pertences num trenó e partiram a meio da noite. Estava um frio de gelar em Wodzisław, onde foram largados. Aquilo fazia parte do plano alemão, deduziu Renia: transferir os judeus de uma povoação para outra sem outro propósito que não fosse envergonhá‐los e deprimi‐los. Renia tiritava, apertava melhor o casaco à volta do corpo (era uma sorte ainda ter um casaco) e testemunhava, impotente, como mães desesperadas viam a carne dos seus bebés ficar azulada por causa do frio. Os judeus de Wodzisław dei‐ xaram as mães e os bebés meio‐mortos instalarem‐se nos redis das ove‐ lhas, nos pátios, o que pelo menos os protegia um pouco dos ululantes ventos.

Por fim, os judeus foram todos encaminhados para a gélida sinagoga, de cujas paredes pendiam pingentes de gelo, e receberam uma malga de sopa de uma cantina comunitária. Em tempos as pessoas mais ricas e influentes da sua comunidade, aceitavam agora que a única coisa importante era manterem‐se vivos. «O resultado foi que os alemães endureceram o coração dos judeus», escreveu Renia, a sentir o endurecimento do seu próprio âmago. «Agora, cada um só se preocupava consigo mesmo, disposto a tirar a comida da boca dos irmãos.» Como comentava um sobrevivente a respeito do calejamento da alma que, com o tempo, aconteceu no gueto de Varsóvia: «Se alguém via um cadáver na rua, tirava‐lhe os sapatos.»

Tal como acontecera em todos os guetos, os decretos tornavam‐se cada vez mais bárbaros.

«Um dia, os alemães inventaram uma nova forma de matar judeus», escreveu Renia. Seria possível alguém sentir‐se ainda mais aterrorizado? De algum modo, a despeito de tudo, o choque não tinha ainda desaparecido. Com cada sádica inovação, Renia sentia um medo doentio, uma noção mais profunda da malícia sem limites, da miríade de maneiras como os assassinos podiam infligir violência. «À noite, aparecia um autocarro cheio de homens da Gestapo perdidos de bêbedos.» Traziam uma lista com 30 nomes, arrancavam esses homens, mulheres e crianças de suas casas, e espancavam‐nos antes de os abater a tiro. Renia ouvia os gritos e os disparos, e, de manhã, via os corpos espalhados pelos becos, negros e azuis das pancadas. Os insuportáveis lamentos das famílias destroçavam‐lhe o coração. Sempre que acontecia, imaginava que um dos seus podia ser o próximo. A comunidade demorava dias a acalmar depois destes incidentes. Quem fazia a lista de nomes? Com quem era preciso ter cuidado? Quem antipatizava com quem? As pessoas tinham medo até de falar.

Foi assim que os judeus do gueto começaram a sentir‐se verdadeiramente ocupados. O seu território, a sua pele, até os seus pensamentos estavam ameaçados. Qualquer coisa que dissessem ou fizessem – o mais pequeno gesto ou movimento – podia resultar na execução do autor e de toda a sua família. Todos os elementos da sua existência física e espiritual estavam sob vigilância. «Ninguém podia respirar, tossir ou chorar sem ter um público», relatava uma jovem habitante do gueto. Em quem se podia confiar? Quem estava à escuta? Ter uma cândida conversa com uma velha amiga exigia combinar com antecedência um local de encontro, e então caminharem juntas como se fossem encarregar‐se de qual‐ quer tarefa doméstica. Os judeus polacos temiam que até os seus sonhos pudessem traí‐los.

Por vezes, a Gestapo chegava ao gueto a meio da noite e pura e simplesmente matava pessoas. Uma noite, todos os membros do Judenrat e as respetivas famílias foram executados. Numa outra noite memorável, homens da Gestapo transportados em vários autocarros obrigaram judeus seminus, descalços ou com roupas de dormir, a sairem de casa e a correrem à volta do mercado coberto de neve enquanto os perseguiam com bastões de borracha, ou lhes diziam que ficassem deitados na neve durante meia hora, ou forçavam‐nos a fustigarem‐se uns aos outros com chicotes, ou a deitarem‐se no chão e deixar que veículos militares lhes passassem por cima. Os nazis despejavam água sobre as pessoas geladas e obrigavam‐nas a permanecer na posição de sentido. «Uma pessoa nunca sabia se estaria viva na manhã seguinte.» Era esta a nova realidade de Renia.

Começaram os pesadelos diurnos. O fogo das metralhadoras ecoava na floresta. Os nazis obrigavam os judeus a cavar as suas sepulturas e depois a cantar e dançar dentro das covas até que os abatiam. Obrigavam outros judeus a enterrar as vítimas – ou, por vezes, a enterrá‐las vivas. Também os judeus mais idosos eram obrigados a cantar e dançar, e os alemães arrancavam‐lhes os pelos da barba um a um e esbofeteavam‐nos até cuspirem os dentes.

O gueto era uma sociedade fechada – não se permitiam os rádios –, mas Renia tinha formas de obter informação. Centenas de mulheres eram transportadas para locais desconhecidos e nunca mais se sabia delas. Um soldado mais ingénuo revelou‐lhe que levavam essas mulheres para a frente de guerra, onde serviam como prostitutas. Contraíam doenças sexualmente transmissíveis e eram queimadas vivas ou mortas a tiro. Fascinada, ouviu‐o dizer que, certa vez, vira centenas de jovens revoltarem‐se. Atacaram os nazis, roubaram‐lhes as baionetas, feriram‐nos com elas, arrancaram‐lhes os olhos e depois mataram‐se, a gritar que nunca conseguiriam forçá‐las a ser prostitutas. As raparigas que não morreram acabaram por ser dominadas e violadas.

O que podia fazer uma rapariga de quinze anos? Renia mantinha‐se vigilante, sabendo por instinto que tinha de recolher informação e enfrentar a verdade. Ouvia os rumores que chegavam das outras povoações. As pessoas morriam de fome, mendigavam cascas de batata, comida do lixo. Os judeus matavam‐se e matavam os filhos para não caírem nas mãos dos alemães. Transportes inteiros – por vezes 10 mil judeus – eram obrigados a caminhar do gueto até à estação ferroviária; partiam das suas cidades para lugares desconhecidos. Selecionavam‐se as pessoas e, supostamente, colocavam‐nas a trabalhar. As comunidades judaicas ouviam falar de uns poucos escolhidos que, pensava‐se, eram deixados para trás intencionalmente pelos alemães para espalhar desinformação. A maior parte das pessoas pura e simplesmente desaparecia. «Deixavam‐nos como que sugadas por um abismo», escreveu Renia. Para onde ia toda aquela gente?

Os nazis privilegiavam o castigo coletivo. As SS decretavam que qual‐ quer polaco que ajudasse um judeu seria morto. Os judeus do gueto temiam que, se fugissem, as suas famílias fossem assassinadas como represália. Ficar e proteger a comunidade? Ou fugir? Fugir, lutar.

A matança era constante. Os comités de extermínio constituídos por folksdeutsch, «selvagens ucranianos», como Renia escreveu, e «alemães jovens e saudáveis para os quais a vida humana nada significava», puseram mãos à obra. «Estavam sempre sedentos de sangue», disse Renia a respeito dos nazis e dos seus colaboradores. «Era a natureza deles. Como um vício em álcool ou em ópio.» Aqueles «cães negros» usavam uniformes pretos e quépis decorados com caveiras. Quando apareciam com os seus rostos pétreos, olhos esbugalhados e grandes dentes – animais selvagens prontos a atacar –, toda a gente sabia que metade da população seria executada naquele dia. No instante em que eles entravam no gueto, as pessoas corriam a esconder‐se.

«Para eles», escreveu Renia, «matar uma pessoa era mais fácil do que fumar um cigarro.»
 
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