MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

domingo, 9 de agosto de 2026

O valor do dinheiro: por que a liberdade econômica é o contraponto ao excesso de intervenção estatal

 


 

Jordani Maciel

             Quando falamos sobre dinheiro, normalmente pensamos em uma nota de papel ou no saldo disponível em uma conta bancária. Porém, o verdadeiro valor do dinheiro vai muito além de um número. Ele está no poder de compra, na confiança que uma moeda transmite e na capacidade de pessoas, empresas e investidores planejarem o futuro.

Em 1994, o Brasil iniciou uma das maiores transformações econômicas de sua história com a implantação do Plano Real. Um país marcado por décadas de hiperinflação passou a conviver com algo essencial para qualquer sociedade que deseja crescer: previsibilidade.

Mais de três décadas depois, uma reflexão continua necessária: o que antes representava R$ 100,00 no início do Plano Real possui hoje um poder de compra equivalente a R$ 12,33. Para dimensionar essa corrosão na base da sociedade, basta olhar para o Salário Mínimo em 1994. Convertido para a nova moeda representava pouco mais de R$ 60,00, enquanto atualmente supera R$ 1.600,00 em valor nominal.

Entretanto, o crescimento do número estampado no contracheque não significa, necessariamente, aumento proporcional do poder de compra. Essa diferença revela uma realidade que muitas vezes passa despercebida: a inflação reduz silenciosamente o valor do dinheiro, dificulta o planejamento e influencia diretamente as decisões das famílias, das empresas e dos investidores.

Essa perda de valor do dinheiro pode ser analisada sob dois aspectos:

a) O impacto sobre o poder de compra: a inflação reduz a quantidade de bens e serviços que uma determinada quantia consegue adquirir ao longo do tempo. A nota continua tendo o mesmo valor nominal, mas sua capacidade econômica real despenca.

b) O impacto sobre o planejamento: quando famílias, empresas e investidores perdem a previsibilidade econômica, tomar decisões de longo prazo torna-se um exercício de alto risco. Investimentos, contratações e expansão de negócios passam a ser travados pela incerteza.

O Plano Real foi responsável por controlar a hiperinflação e recuperar a confiança na moeda brasileira. Entretanto, preservar o valor do dinheiro continua sendo um desafio constante. A estabilidade econômica não é uma conquista definitiva; ela depende de responsabilidade fiscal, segurança jurídica, respeito às instituições e de um ambiente capaz de gerar confiança.

A inflação não aparece apenas nos indicadores econômicos. Ela está no supermercado, no custo de vida, nos investimentos, nos salários e nas decisões tomadas diariamente por quem produz. Funciona como um imposto silencioso, corroendo o poder de compra e reduzindo a capacidade de as  famílias e empresas planejarem o futuro.

Para quem empreende, cada aumento de custo representa uma escolha difícil: absorver perdas, repassar reajustes ao consumidor ou buscar ganhos de produtividade para manter a competitividade. Em ambientes de incerteza, investir deixa de ser apenas uma oportunidade e passa a representar um risco maior.

Nas últimas décadas, consolidou-se a ideia de que um Estado cada vez mais presente seria capaz de organizar melhor a atividade econômica. Contudo, a experiência prática e os números revelam o oposto: com uma média de crescimento anual do PIB brasileiro travada em torno de modestos 2% a 2,4% ao longo dos anos, e uma carga tributária que ultrapassa 33% da riqueza nacional, o excesso de intervenção, a burocracia excessiva e a insegurança regulatória produzem efeitos contrários aos desejados. Em vez de desenvolvimento, limitam a inovação, reduzem os investimentos produtivos e aumentam os custos de quem gera riqueza e empregos.

O desafio de uma sociedade moderna não está em escolher entre Estado ou mercado, mas em encontrar o equilíbrio adequado. O Estado possui um papel fundamental na criação de regras claras, na garantia da segurança jurídica e na construção de um ambiente estável. Porém, quando ultrapassa esses limites e passa a substituir a iniciativa das pessoas e das empresas, pode reduzir a capacidade de inovação e crescimento.

É nesse contexto que a liberdade econômica se apresenta como um contraponto necessário. Não por defender a ausência do Estado, mas por reconhecer que o desenvolvimento depende de previsibilidade, confiança e liberdade para empreender. Um ambiente econômico saudável permite que pessoas e empresas assumam riscos, invistam, inovem e criem oportunidades.

A Lei da Liberdade Econômica representa essa mudança de perspectiva. Mais do que simplificar procedimentos, ela reforça a ideia de que o Estado deve atuar como garantidor das regras do jogo, oferecendo segurança para quem deseja produzir, investir e gerar empregos. Reduzir burocracias desnecessárias e fortalecer a livre iniciativa significa ampliar as condições para o crescimento sustentável.

Empresas não existem apenas para gerar resultados financeiros. Elas movimentam a economia, criam empregos, desenvolvem comunidades e transformam realidades. Para cumprir esse papel, precisam de previsibilidade, confiança e liberdade para produzir.

No fim, o valor do dinheiro representa muito mais do que uma questão econômica. Representa a confiança de uma sociedade em seu próprio futuro. E confiança não nasce do excesso de controle, mas da combinação entre estabilidade, responsabilidade e liberdade.

Quando esses pilares caminham juntos, quem prospera não são apenas as empresas, mas toda a sociedade.

*              O autor, Jordani Maciel, é Administrador, ex-diretor de Desenvolvimento Econômico e Habitação e relator da Lei da Liberdade Econômica de Glorinha/RS.

o preço do crime

 


 

Claudio Apolinario

O Brasil perde mais de R$ 693 bilhões por ano com a criminalidade. Mas o custo mais alto não aparece nos números — aparece nas vidas que param.

Em 2024, o Brasil registrou 42.590 homicídios. São 116 pessoas mortas por dia. Quatro a cada hora. Enquanto você lê este parágrafo, alguém no Brasil está sendo assassinado.

Esses números são do Atlas da Violência 2026, publicado pelo Ipea em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O dado oficial aponta queda de 7,4% em relação a 2023 — o menor patamar desde 2014. Mas o próprio Ipea alerta: parte das mortes simplesmente não está sendo contada. Quando esses casos são incluídos, a queda real cai para apenas 0,3%. Na prática, estagnação.

E mesmo aceitando os números oficiais como verdadeiros, o Brasil perdeu mais de 300 mil jovens entre 15 e 29 anos para a violência em onze anos. Não são estatísticas. São pessoas. São filhos, pais, irmãos que não voltaram para casa.

Mas há uma dimensão desse problema que raramente aparece no debate público. O custo econômico da violência.

Segundo o Ipea, o Brasil perde o equivalente a R$ 693 bilhões por ano com os efeitos do crime — quase 6% de tudo que o país produz em um ano inteiro — mais do que todo o orçamento federal de saúde e educação somados. O número inclui gastos com segurança, perdas de produtividade, danos à propriedade e o custo humano das mortes prematuras. Cada homicídio custa, em média, R$ 1 milhão aos cofres públicos — somando saúde, previdência, segurança, processos judiciais e perda de produtividade. Com mais de 42 mil homicídios por ano, a conta ultrapassa R$ 42 bilhões só com mortes.

Empresas brasileiras gastam R$ 170 bilhões por ano em segurança privada — 1,7% do PIB, segundo a Confederação Nacional da Indústria. São recursos que não constroem nada, não criam empregos, não melhoram a vida de ninguém. São gastos para tentar compensar a ausência do Estado onde ele mais deveria estar presente: garantindo que as pessoas possam viver e trabalhar em segurança.

E aqui está o ponto que o debate político prefere evitar: o problema não é falta de policial. É a impunidade.

Em 2023, apenas 36% dos homicídios dolosos — quando há a intenção de matar — foram esclarecidos, segundo o Instituto Sou da Paz. Isso significa que em 64% dos assassinatos, ninguém foi responsabilizado. Nenhuma investigação concluída. Nenhuma denúncia ao Ministério Público. Nenhuma punição.

Na Bahia, o pior estado do ranking, apenas 13% dos homicídios foram esclarecidos. Na prática, quem mata na Bahia tem 87% de chance de não ser responsabilizado.

Esse dado explica tudo o que os discursos sobre segurança pública não conseguem explicar. O crime não persiste porque faltam policiais. Persiste porque matar no Brasil raramente tem consequência. A polícia prende — e com frequência o sistema solta. O inquérito some na fila. O processo prescreve. A impunidade não é exceção. É o padrão.

Um país que não pune o crime ensina que o crime compensa. E quando o crime compensa, ele se expande — para as comunidades, para as periferias, para os jovens sem perspectiva que aprendem cedo que a lei não vale para todos da mesma forma.

O crime não é um problema de falta de recursos para a segurança pública. O Brasil gastou R$ 124,8 bilhões em segurança pública em 2023, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O problema é que esse dinheiro entra num sistema que não fecha o ciclo — que investiga pouco, denuncia pouco, condena pouco e prende ainda menos.

E o custo vai além do bolso. Uma criança que cresce num bairro onde tiroteios são rotina, perde dias de aula. O professor pede transferência. O comerciante fecha mais cedo. O investidor escolhe outra cidade. O ciclo de pobreza se aprofunda — não porque as pessoas não querem trabalhar, mas porque o Estado não consegue garantir o mínimo: que elas cheguem ao trabalho e voltem para casa.

A solução não está em mais gastos com segurança. Está em acabar com a impunidade — investigar mais, denunciar mais, julgar mais rápido e punir com consistência. Não como vingança. Como sinal claro de que o crime tem preço.

Quando o Estado não dá esse sinal, alguém ocupa o vácuo. E quem ocupa nas periferias brasileiras não é o governo — é o crime organizado, com suas próprias regras, sua própria justiça e seu próprio preço para quem desobedece.

*          O autor, Claudio Apolinario, é articulista e analista político.

As doze mentiras que sustentam o Crime Organizado no Brasil

 


 

 

Francisco Carneiro Junior

E Por Que Elas Caem, Uma a Uma, Diante dos Fatos

 

Há um vocabulário inteiro construído para que o brasileiro comum nunca precise olhar de frente para o tamanho real do problema que ocupa o seu país. Esse vocabulário não nasce do debate técnico, nasce do conforto retórico: frases curtas, repetidas em estúdio de televisão, em postagem de rede social, em nota de ONG e em parecer de comissão parlamentar, que dispensam quem as repete de qualquer obrigação de prova e que, ao mesmo tempo, blindam exatamente quem mais se beneficia da inércia do Estado brasileiro diante do território que o crime organizado já ocupa. Não é coincidência que essas frases sobrevivam por décadas sem nunca serem submetidas a um teste empírico sério. Elas não precisam ser verdadeiras. Precisam apenas ser repetíveis. E o que se segue é exatamente isso: o teste que essas doze frases nunca quiseram enfrentar, frase por frase, fato por fato, sem anestesia.

“O Brasil é soberano.”

É a frase mais confortável de todas, a que abre qualquer discurso oficial sobre segurança pública e fecha qualquer debate antes que ele comece. Pergunte isso a um morador de uma comunidade sob hegemonia de facção e a resposta virá em silêncio, no jeito como ele evita determinada rua porque sabe que ali existe pedágio armado, no jeito como a concessionária de energia precisa negociar acesso ao poste com quem nunca disputou eleição alguma, no jeito como o motorista de aplicativo memoriza, sem precisar de mapa nenhum, onde termina a jurisdição da Constituição e onde começa a jurisdição do fuzil. Soberania não é o título que se ostenta no preâmbulo de uma carta constitucional. É a capacidade concreta, mensurável, de o Estado fazer valer sua autoridade sem pedir licença a um terceiro armado. E o ano de 2026 trouxe a prova mais humilhante dessa fratura: foi um governo estrangeiro, e não o brasileiro, quem primeiro chamou a coisa pelo nome. Em 28 de maio, o Departamento de Estado dos Estados Unidos, sob assinatura do secretário Marco Rubio, classificou o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como Terroristas Globais Especialmente Designados, com efeito a partir de 5 de junho, e anunciou a intenção de também os enquadrar como Organizações Terroristas Estrangeiras. A decisão não nasceu no vácuo. Nasceu de articulação política conduzida pelo senador Flávio Bolsonaro, que dois dias antes havia se reunido com o próprio presidente Donald Trump e, na véspera do anúncio, com Rubio, pedindo explicitamente esse enquadramento. O governo Lula reagiu como reage todo poder que prefere administrar a vergonha a admitir a derrota: chamou a designação de risco à soberania nacional, de manipulação política promovida por “falsos patriotas” e insistiu que o terror praticado por essas organizações busca lucro, não ideologia, e que por isso não se equipara, tecnicamente, ao terrorismo internacional. A nota é juridicamente defensável e politicamente patética ao mesmo tempo, porque ela defende uma soberania de papel justamente no momento em que o papel já não vale nada nas ruas de três milhões e meio de moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro que vivem, segundo o mapeamento mais recente do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense em parceria com o Instituto Fogo Cruzado, sob domínio territorial direto de milícias e facções, parcela que corresponde a quatorze por cento de toda a área urbanizada da região. Soberania que precisa ser defendida com nota oficial, mas não com presença armada contínua, é exatamente o tipo de soberania que um governo estrangeiro tem todo o direito de não respeitar.

“Pancadão é festa.”

A segunda mentira tenta vestir de cultura aquilo que é, na realidade, logística de poder. O argumento cultural é sedutor justamente porque mobiliza um sentimento legítimo, a defesa da expressão popular contra o preconceito de classe, mas esconde uma função econômica que raramente entra no debate. O evento de rua com fluxo intenso de dinheiro vivo, sem fiscalização fiscal de qualquer espécie, funciona também como mecanismo de lavagem e circulação de capital de origem difícil de rastrear, e essa não é uma acusação gratuita: é a mesma lógica que motivou Francisco a investigar, em trabalho anterior, como parte da indústria do funk no Brasil opera como canal de lavagem de dinheiro para organizações criminosas que financiam o próprio evento que depois se apresenta como manifestação espontânea de lazer popular. Cultura autêntica não depende de fechamento ilegal de via pública, não depende de presença armada discreta nas saídas para garantir que nenhum forasteiro circule sem ser notado, não depende de segurança que pergunta documento antes de o Estado perguntar qualquer coisa. Manifestação cultural não precisa de sentinela. Poder territorial precisa. E a distinção entre as duas coisas é exatamente o que a frase tenta apagar, porque uma vez apagada essa distinção, toda crítica técnica ao financiamento criminoso de eventos de massa passa a ser tratada como ataque à cultura popular, quando na verdade é o contrário: é defesa da cultura popular contra quem a sequestrou como fachada.

“A polícia é o problema.”

A terceira mentira é a mais perigosa de todas porque finge ser progressista enquanto entrega a rua a quem nunca mereceu recebê-la. Em qualquer território onde o Estado perde o monopólio legítimo da força, o vácuo nunca é ocupado por harmonia espontânea. É ocupado por quem já tinha capacidade de impor regra à força antes da polícia chegar e que continuará tendo essa capacidade depois que ela sair. Esse não é um argumento ideológico, é uma lei observável em qualquer território do planeta onde o Estado recuou: do Sahel à fronteira colombiana, do interior do México às próprias favelas brasileiras antes e depois da era das Unidades de Polícia Pacificadora. Retirar a polícia da equação não devolve a rua ao cidadão comum, devolve a rua a quem já estava armado. Críticas pontuais a abusos específicos, a excessos documentados, a operações mal planejadas, são legítimas e necessárias, e nenhum profissional de tropa de elite que já vestiu uniforme operacional discorda disso. Mas usar esses casos pontuais para deslegitimar a função policial como instituição é confundir o instrumento mal utilizado com a inexistência de qualquer instrumento. A alternativa real à presença policial, mesmo a presença policial imperfeita, nunca foi liberdade. Foi domínio de quem a polícia deveria conter.

“O crime nasce da fome.”

A quarta mentira tenta explicar com miséria aquilo que nasceu, documentadamente, dentro de cela. Se essa equação fosse verdadeira, bastaria erradicar a pobreza para erradicar o crime organizado, e a história recente de países que reduziram drasticamente a miséria sem reduzir na mesma proporção o crime corporativo mostra que a conta não fecha. O Primeiro Comando da Capital nasceu em 1993 dentro do sistema penitenciário paulista, fundado por presos comuns que perceberam, com frieza absolutamente empresarial, a vantagem econômica de estruturar hierarquia, disciplina e estatuto interno. O Comando Vermelho nasceu ainda antes, em 1979, na Ilha Grande, na convivência forçada entre presos comuns e presos políticos da ditadura, que ensinaram aos primeiros disciplina organizacional, célula, compartimentação. Fome explica furto isolado de sobrevivência. Não explica organização com estatuto escrito, comando reconhecido hierarquicamente e capacidade de tributar bairro inteiro como se fosse contribuinte regular de uma prefeitura paralela. Atribuir a existência da facção à fome é confundir o sintoma da desigualdade brasileira, que é real e que merece política pública séria, com a arquitetura deliberada de quem decidiu lucrar com ela.

“Desarmar a população reduz a violência.”

A quinta mentira inverte o risco e chama isso de proteção. O cálculo por trás da política de desarmamento civil parte de uma premissa que o comportamento cotidiano do criminoso desmente todos os dias: a de que quem já rompeu a lei mais grave do ordenamento jurídico, a que proíbe matar, vai se conter diante de uma lei muito mais branda, a que regula posse e porte de arma de fogo. O efeito prático do Estatuto do Desarmamento, sancionado em 2003 sob enorme entusiasmo do establishment político e midiático da época, não foi simetria de paz. Foi assimetria de risco. O cidadão ordeiro perdeu, em larga medida, a ferramenta de defesa imediata exatamente no momento em que o agressor manteve a sua intacta, porque facção criminosa não compra fuzil em loja registrada e não se submete a cadastro de posse responsável. Reduzir a circulação legal de armas entre quem nunca pretendeu usá-las contra ninguém, sem reduzir na mesma proporção o arsenal de quem já as usa todos os dias contra civis e contra policiais, não desarma a violência. Apenas escolhe, com uma assinatura de canetada legislativa, de que lado dela a desvantagem vai recair.

“Barricada é questão social.”

A sexta mentira desloca para o urbanismo aquilo que pertence à logística de guerra territorial. Toda estrutura física de controle de acesso, seja muro, seja cancela, seja barricada de madeira e fogo erguida às pressas, existe para regular quem entra e quem sai de um espaço, e quem regula esse fluxo exerce poder sobre quem depende dele para circular. A barricada erguida em via de comunidade dominada não nasce de carência de infraestrutura. Nasce de necessidade tática de quem precisa de tempo de reação contra a chegada da polícia e de instrumento de controle sobre o próprio morador, que perde a autonomia de ir e vir sem autorização de quem ergueu a estrutura. Isso não é especulação literária. É exatamente o que se viu, documentado por câmera de celular e por reportagem ao vivo, na manhã de 28 de outubro de 2025, quando organizações criminosas incendiaram barricadas, posicionaram setenta e um ônibus atravessados nas principais vias da Zona Norte do Rio de Janeiro e lançaram explosivos por meio de drones contra equipes de força especial durante a chamada Operação Contenção. Chamar isso de questão social é deslocar para o campo da assistência urbana aquilo que qualquer oficial de operações táticas reconhece, no primeiro segundo de leitura de cenário, como manual de guerra irregular.

“Bandido é vítima da sociedade.”

A sétima mentira rebaixa moralmente quem resistiu à tentação ao equiparar quem cedeu a ela. A mesma estrutura social que produz o traficante produz, na vasta maioria estatística dos casos, o trabalhador que nunca cometeu crime algum, criado na mesma rua, sob a mesma ausência de Estado, com a mesma falta de oportunidade. Se a circunstância bastasse como explicação causal completa, o resultado seria uniforme. Não é. O que distingue os dois destinos não é o ambiente compartilhado, é a decisão individual tomada dentro dele, e atribuir essa decisão inteiramente a fatores externos retira do criminoso a condição de agente moral responsável pelos próprios atos — condição que, paradoxalmente, é a mesma que permite reconhecer mérito e dignidade a quem, na mesma circunstância, escolheu o caminho honesto. Tratar o bandido como vítima não engrandece o pobre. Rebaixa ao mesmo patamar moral aquele que resistiu e aquele que cedeu, e isso é, sob qualquer ética que mereça o nome, uma injustiça contra o primeiro.

“Retomar território é impossível.”

A oitava mentira chama de impossibilidade técnica o que é, na verdade, falta de vontade política de pagar um custo. Toda afirmação sobre impossibilidade política, quando examinada de perto, revela-se afirmação sobre custo, não sobre limite técnico. A prova está documentada em números frios e em sangue real. Em 28 de outubro de 2025, aproximadamente dois mil e quinhentos agentes de segurança do estado do Rio de Janeiro, sob comando do governador Cláudio Castro, deflagraram a Operação Contenção nos Complexos da Penha e do Alemão, cumprindo cem mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho em vinte e seis comunidades. O resultado operacional foi a apreensão de mais de uma tonelada de droga e cento e dezoito armas, incluindo noventa e três fuzis de procedência identificada em fábricas clandestinas e em arsenais de origem venezuelana, argentina e peruana — prova material, e não retórica, de que o domínio armado daquele território estava lastreado em capacidade bélica equivalente a tropa regular. O custo humano foi monumental: cento e vinte e um mortos confirmados oficialmente, a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, superando até a Chacina do Carandiru. Cláudio Castro chamou a ação de sucesso. Parte da sociedade civil, defensoria pública e Ministério Público abriram apuração sobre possíveis execuções, sobre cadáveres encontrados amarrados, sobre indícios de fraude processual na cena do crime, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou em fevereiro de 2026 que o governo fluminense, o Ministério Público estadual e o Conselho Nacional de Justiça prestassem esclarecimentos formais sobre todas as fases da operação. A controvérsia é real e nenhuma análise séria a esconde. Mas o que a controvérsia jamais conseguiu desfazer foi o fato operacional bruto: o domínio do Comando Vermelho sobre aquele perímetro recuou, de forma mensurável, depois de décadas em que recuar parecia impossível. O preço foi imenso. A impossibilidade, não.

“Reduzir a maioridade penal vai aumentar o problema.”

A nona mentira inverte causa e efeito com uma elegância retórica que não resiste ao primeiro contato com a prática das próprias facções. O recrutamento sistemático de adolescentes para funções de risco máximo — vigilância armada, execução, transporte de carga ilícita — não acontece por afinidade etária. Acontece porque a estrutura penal vigente oferece a essas organizações um ativo extremamente valioso: o agente capaz de matar e morrer sem responder como adulto pelas consequências, protegido pelo limite de internação que o Estatuto da Criança e do Adolescente fixa em no máximo três anos, com ficha que se apaga depois da soltura. Em 10 de junho de 2026, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou, por quarenta e quatro votos a dezoito, a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição que reduz de dezoito para dezesseis anos a idade mínima de responsabilização penal, sob relatoria do deputado Coronel Assis, do PL do Mato Grosso. A oposição, representada por nomes como o deputado Tadeu Veneri, do PT do Paraná, e a deputada Sâmia Bonfim, do PSOL de São Paulo, argumentou que a medida é eleitoreira, que vai parar no Supremo Tribunal Federal por violar cláusula pétrea e que vai apenas empurrar o recrutamento para idades ainda mais baixas. Esse último argumento merece resposta técnica, não dispensa retórica: ele assume que existe, hoje, algum piso de proteção real contra o recrutamento infantil pelas facções, quando na verdade o que existe é o oposto, um incentivo estrutural explícito ao uso de menores como instrumento descartável de violência, precisamente porque o sistema atual já garante impunidade prática a quem recruta e a quem é recrutado. Reduzir a maioridade penal não cria uma vulnerabilidade nova. Fecha a brecha jurídica que hoje funciona como vantagem competitiva de quem usa criança como escudo legal e operacional. O deputado Mendonça Filho, defensor da proposta, lembrou que o Brasil registra ao redor de quarenta e quatro mil homicídios por ano e descreveu a situação como padrão de guerra civil que o debate público insiste em fingir não existir. A comparação com El Salvador, onde o regime de exceção do presidente Nayib Bukele esvaziou bairros inteiros de domínio de maras ao custo de uma política prisional de dureza extrema, não é usada por acaso nesse debate: é usada porque, goste-se ou não do método, o resultado empírico de redução de homicídio está documentado, e isso pesa mais, para quem sofre a violência todos os dias, do que qualquer objeção de principiologia constitucional discutida a portas fechadas em Brasília.

“Milícia é o mal menor.”

A décima mentira trata como equivalentes duas estruturas que nascem de origens moralmente opostas. Comparar milícia e tráfico como se fossem apenas pontos diferentes de gravidade na mesma escala ignora exatamente a origem que separa as duas estruturas. O traficante nunca pertenceu ao aparato que deveria combatê-lo. O miliciano, na maioria documentada dos casos, sim, e usa o treinamento, o conhecimento operacional e por vezes o próprio distintivo recebido do Estado para construir domínio paralelo sobre gás, água, internet e transporte alternativo dentro do território que jurou proteger. O mapeamento mais recente do Geni-UFF em parceria com o Instituto Fogo Cruzado confirma que essa traição de origem não é figura de linguagem: milícias ainda respondem pela maior fatia histórica das áreas dominadas ou influenciadas por grupos armados na região metropolitana do Rio de Janeiro, mesmo após perderem espaço territorial para o Comando Vermelho nos últimos anos, em uma disputa que inclui inclusive a venda informal de território entre grupos rivais, como ocorreu em Bangu, na Zona Oeste fluminense, quando uma milícia local repassou parte de sua área de influência ao Terceiro Comando Puro. Essa traição de origem não torna a milícia mais branda. Torna-a mais corrosiva, porque corrompe por dentro exatamente a instituição que a sociedade deveria poder confiar como antídoto contra esse tipo de domínio.

“Operação policial não resolve.”

A décima primeira mentira confunde limite temporal de uma ação com prova de inutilidade estrutural. Quem sustenta essa frase raramente apresenta o que resolveria em seu lugar, e esse silêncio é o ponto mais revelador do argumento. Toda operação tem custo e limite temporal, isso é fato técnico inquestionável; tratar esse custo pontual como prova de inutilidade é erro de raciocínio, não conclusão de evidência. A pergunta correta nunca foi se uma operação isolada resolve o problema por completo. Foi se a presença sustentada do Estado, com continuidade e inteligência, reduz o domínio armado ao longo do tempo, e a própria disputa institucional em torno da Operação Contenção prova o ponto às avessas: o motivo pelo qual o Supremo Tribunal Federal, por meio do ministro Moraes, e o Ministério Público fluminense passaram a exigir relatórios contínuos sobre cada fase da ação não foi para provar que ela não funcionou taticamente, foi para garantir que o sucesso tático não vire pretexto para abandono da fiscalização institucional depois que as câmeras de televisão desligarem. Presença intermitente, qualquer que seja a desculpa para ela, sempre ensina ao território ocupado que a ausência do Estado vai voltar.

“Endurecer pena não resolve, o problema é a impunidade estrutural.”

A décima segunda mentira acerta o diagnóstico e erra a receita. A premissa está correta — a impunidade estrutural brasileira é fato documentado, grave e antigo. A conclusão que se extrai dela, porém, não decorre logicamente da premissa. Recursos protelatórios manipulados, prescrição usada como estratégia de defesa e sistema prisional incapaz de gerir sua própria capacidade não são argumento contra pena mais severa, são argumento a favor de corrigir a engrenagem que impede qualquer pena, leve ou severa, de se cumprir de fato. Essa é exatamente a disputa que paralisou o Congresso Nacional ao longo de 2025 e 2026 em torno do chamado Marco Legal de Combate ao Crime Organizado. O projeto original do governo Lula, enviado sob o número 5582/2025, criava o tipo penal de organização criminosa qualificada, com pena entre oito e quinze anos, voltado a grupos que controlam território por meio de violência sistemática. O deputado Guilherme Derrite, secretário de Segurança Pública de São Paulo sob o governo de Tarcísio de Freitas, relator do projeto na Câmara, apresentou substitutivo que eliminou essa figura e equiparou facções e milícias diretamente ao regime da Lei Antiterrorismo, elevando penas e reduzindo o papel de coordenação da União. O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias, acusou Derrite de ter contaminado politicamente um projeto técnico para transformá-lo em instrumento de disputa eleitoral. Derrite respondeu, sem rodeios, que é hora de endurecer a lei, não de suavizá-la. Em paralelo, tramitava ainda o Projeto de Lei 1283/2025, de autoria do deputado Danilo Forte, que pretendia o mesmo enquadramento antiterrorista, sob relatoria sucessiva de Alexandre Ramagem e depois de Nikolas Ferreira. O ponto que une as duas frentes legislativas, apesar de toda a disputa partidária entre elas, é o reconhecimento, mesmo que tácito, de que o arcabouço penal de 2013 já não corresponde ao tamanho real da ameaça, e essa é a única conclusão coerente que se pode extrair da premissa da impunidade estrutural: corrigir a engrenagem processual e, ao mesmo tempo, endurecer a pena, porque pena dura sem certeza de cumprimento não inibe ninguém, e abandonar o endurecimento por causa da impunidade processual é resolver a metade errada do problema.

As doze mentiras compartilham um único mecanismo, e identificá-lo é mais importante do que desmontar cada frase isoladamente: deslocar a responsabilidade do agente que escolhe o crime, ou da estrutura que o sustenta, para qualquer abstração disponível — pobreza, cultura, corporação policial, idade penal ou o próprio conceito de soberania nacional. Mas há um risco em parar aqui, em tratar como doze problemas isolados aquilo que é, na verdade, um único fenômeno com doze sintomas. Chamar facção criminosa de problema social, chamar domínio territorial de tráfico comum, chamar extorsão sistemática de cultura de rua, é recusar-se a nomear o que de fato ocupa parte do mapa brasileiro. Quem domina território, impõe medo de forma sistemática sobre população civil inteira e ataca com violência letal quem ousa resistir não está cometendo crime no sentido tradicional do termo. Está exercendo controle armado com finalidade territorial e econômica, com estrutura de comando, logística de combate e capacidade de mobilização equivalente, em escala local, a um exército irregular. A diferença entre essa categoria e o crime comum não é semântica, é doutrinária: esse tipo de ameaça exige resposta de inteligência permanente, doutrina de guerra irregular e continuidade estratégica de décadas, enquanto crime comum se resolve com policiamento ostensivo de rotina. Foi exatamente essa percepção, amadurecida sob enorme pressão diplomática externa, que levou Washington a classificar Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas globalmente designadas antes que Brasília o fizesse, e foi a mesma percepção que moveu deputados de diferentes bancadas a tentar, por caminhos legislativos distintos e às vezes rivais entre si, alcançar a mesma equiparação dentro da legislação brasileira. O governo Lula pode resistir ao rótulo internacional, e tem argumentos jurídicos técnicos respeitáveis para isso, mas não pode mais negar a substância sem que a negação pareça, ela mesma, parte do problema.

A prova de que se trata de governo paralelo, e não de criminalidade dispersa, está na lista exata de funções que hoje dependem de autorização armada em território dominado. Internet, gás de cozinha, transporte alternativo, abertura e funcionamento de comércio, circulação de pessoas pela própria rua: quando o acesso a cada uma dessas necessidades básicas de vida civil passa pelo crivo de quem porta fuzil, esse território já não é administrado pelo Estado brasileiro. É administrado por quem ali impôs sua própria estrutura de cobrança e permissão, com os mais de três milhões e quatrocentos mil moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro vivendo sob esse domínio direto, segundo o levantamento mais recente do Geni-UFF, e com áreas urbanizadas inteiras — a Zona Oeste da capital fluminense é o exemplo mais extremo, com a maior parte de seu território sob controle ou influência armada — funcionando, na prática administrativa cotidiana, sob jurisdição paralela. Isso não é figura de linguagem. É descrição técnica de governo de fato, ainda que ilegítimo e nunca reconhecido como tal pelo discurso oficial. Negar essa realidade não a apaga. Apenas atrasa a hora em que o Estado vai precisar reconhecê-la para poder revertê-la.

E quem paga a conta dessa governança paralela nunca é quem a romantiza à distância, do conforto de um apartamento na Zona Sul ou de um estúdio de televisão. É o pequeno comerciante que abre a loja sabendo que parte do lucro do mês já está comprometida com taxa que não consta em nenhuma nota fiscal. É o motorista de aplicativo e o entregador que aceitam rota mais longa para não cruzar esquina onde sabem que existe cobrança informal de passagem. É o morador que paga duas vezes pelo mesmo serviço, uma à concessionária legal e outra a quem controla o acesso físico ao poste ou ao cano. Quem se nega a pagar não recebe advertência administrativa. Recebe ameaça direta, e o silêncio em torno dessa extorsão cotidiana é o combustível que permite à narrativa romântica sobre o crime sobreviver sem nunca precisar enfrentar quem de fato sustenta a conta no fim do mês. Trabalhador, mãe de família, aposentado e pequeno comerciante formam a lista invariável de quem sustenta, sem nunca ter sido consultado, o orçamento de uma estrutura armada que nenhum deles escolheu.

A resposta a isso não cabe em meio termo, e qualquer política pública desenhada como meio termo já nasce derrotada. Não existe negociação possível com quem já demonstrou, pela prática diária, que entende diálogo como sinal de fraqueza a ser explorado, não como gesto de boa-fé a ser retribuído. O Estado brasileiro precisa retomar rua por rua, comunidade por comunidade, bairro por bairro, com a mesma consistência e o mesmo tempo que o crime organizado levou para construir o domínio que hoje exerce, porque presença intermitente apenas ensina ao território ocupado que a ausência sempre volta. O novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, empossado em janeiro de 2026 em substituição a Ricardo Lewandowski, repetiu o diagnóstico correto ao afirmar que ações isoladas, ainda que eficientes, não bastam para enfrentar estruturas criminosas complexas e financeiramente organizadas, e defendeu a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública como instrumento de coordenação federativa permanente. O diagnóstico está certo. O que falta, depois de décadas de diagnósticos corretos sem execução correspondente, é a disposição de sustentar o custo da execução além do ciclo de manchete. Recuar diante da primeira baixa, da primeira pressão midiática ou da primeira negociação informal por trégua não é prudência. É confirmação pública de que o controle territorial paralelo pode esperar a próxima onda de cansaço institucional para se reconsolidar — e a história recente do Rio de Janeiro, com o Comando Vermelho retomando, entre 2022 e 2023, mais de duzentos e quarenta quilômetros quadrados que havia perdido para milícias um ano antes, mostra exatamente essa lógica de maré: o território vacante nunca fica vacante por muito tempo, ele apenas espera saber quem vai ocupá-lo de novo.

Cidades inteiras estão sendo tomadas em pedaços, rua após rua, enquanto parte significativa da opinião pública e de sua representação política trata o fenômeno como exagero retórico de quem quer alarmar sem motivo, ou pior, como pretexto eleitoral de quem busca capital político em cima do medo da população. Não é exagero. É descrição precisa de um processo em curso, mensurável pelo número de territórios onde o cidadão comum já não decide por conta própria quando sair de casa, o que vender, quanto cobrar ou para quem prestar contas. Fingir que não vê não interrompe o processo. Apenas garante que, quando a urgência for impossível de ignorar, o custo da reação será proporcionalmente maior ao tempo perdido em negação. O relógio dessa disputa territorial não para porque Brasília decidiu chamá-la de outra coisa, e não vai parar porque algum gabinete climatizado no centro do poder considera o tema desconfortável demais para a próxima campanha. Ele só para quando o Estado brasileiro decidir, de uma vez, pagar o preço que ele sempre soube que essa guerra custaria.

*         Enviado ao site pelo autor em 7 de agosto de 2026

Se é para abrir o portão, para que Forças Armadas?

 


 

Dagoberto Lima Godoy

             A recente declaração do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, segundo a qual, diante de uma hipotética invasão dos Estados Unidos, seria melhor “abrir o portão”, porque o Brasil não teria condições militares de enfrentá-los, merece reflexão para além da evidente ironia da frase.

É possível que o ministro tenha utilizado a comparação para defender maiores investimentos na Defesa e, principalmente, maior previsibilidade orçamentária para projetos militares de longo prazo. Mesmo considerado esse contexto, porém, a frase continua profundamente infeliz.

Há coisas que um cidadão pode dizer em tom de brincadeira, mas que adquirem outro significado quando pronunciadas pelo ministro da Defesa.

Ninguém razoavelmente imagina que o Brasil possa enfrentar os Estados Unidos em uma guerra convencional de igual para igual. Pouquíssimos países poderiam fazê-lo. Mas daí não decorre que, diante de uma potência militar superior, a única alternativa seja a rendição.

Essa conclusão ofende os brios da nação e desconsidera a própria essência da defesa moderna.

Forças Armadas não existem para assegurar que um país consiga derrotar qualquer adversário. Existem, antes de tudo, para dissuadir: tornar uma agressão tão difícil, demorada e custosa que o potencial agressor prefira não a realizar.

O Brasil não precisa ter poder militar equivalente ao dos Estados Unidos, da China ou da Rússia. Precisa possuir meios suficientes para proteger seu território, suas fronteiras, sua imensa costa, a Amazônia, suas reservas naturais, sua infraestrutura estratégica e, sobretudo, para tornar extremamente cara qualquer tentativa de ocupação.

O artigo 142 da Constituição estabelece que Marinha, Exército e Aeronáutica se destinam, em primeiro lugar, à defesa da Pátria. É essa sua razão fundamental de existir.

Por isso, se diante de uma agressão externa relevante a resposta imaginável é “abrir o portão”, alguma coisa precisa ser revista: a dimensão das Forças, sua organização, sua doutrina, seus equipamentos ou a maneira como os recursos da Defesa estão sendo empregados.

Há ainda uma questão mais delicada.

As Forças Armadas devem, evidentemente, estar subordinadas ao poder civil e à Constituição, mas não existem para servir ao governo de turno. Devem cumprir ordens legais, dentro das funções que a Constituição lhes atribui. Há uma diferença essencial entre subordinação ao Estado democrático e instrumentalização pelo governo.

Afinal, parece incontestável que um país continental, rico em recursos naturais e com a projeção internacional do Brasil precise de Forças Armadas. Estas, porém, devem ser modernas, profissionais, tecnologicamente avançadas, afastadas das disputas político-partidárias e verdadeiramente preparadas para sua missão primordial: defender a Pátria.

E devem ser capazes de fazer com que qualquer potência pense muitas vezes antes de agredir o Brasil e, sobretudo, de deixar claro que o portão não está aberto.

*                O autor, Dagoberto Lima Godoy, é engenheiro civil.

sábado, 8 de agosto de 2026

Escravos, gladiadores, prostitutas e soldados: a esquecida maioria do Império Romano

 



Ático de los Libros publica el ensayo de Robert Knapp sobre la "gente corriente" que constituía la base social romana.
En ese estrato también figuran libertos, pobres y bandidos. Alfredo Asensi para El Cultural:


Para reconstruir las formas de vida y las mentalidades de los "invisibles" de la antigua Roma, Robert Knapp (1946-2023) acudió no solo a la "literatura de la élite" sino también a novelas, comedias y romances, colecciones de fábulas y proverbios, la papirología y la epigrafía.

El historiador enfoca a la "gente corriente" que constituía la mayor parte de la población del Imperio y que se encontraba por debajo de los estratos superiores de la pirámide social. Son Los olvidados de Roma (Ático de los Libros), entre los que encontramos una amplia gama de oficios, actitudes y modos de vida: gladiadores, prostitutas, forajidos, esclavos, pobres… Knapp examina sus roles, desafíos, inquietudes y esperanzas, que alguna había.

Empecemos por lo que más nos interesa, que es el sexo. En el ámbito conyugal, todas las posiciones excepto la "natural", esposo y esposa cara a cara, eran consideradas aberrantes, así como la fellatio. En el matrimonio resultaban deseables la fidelidad mutua y el recato y pasividad de la mujer en el acto sexual. Y los hijos, claro, con preferencia por los varones.

El autor colige que en la gente corriente había más compromiso con el matrimonio y más rechazo a las prácticas homosexuales que en la clase dominante. Visitar prostitutas (estaban por todas partes, la mayoría bajo el control de proxenetas) era "una actividad inocua". A las autoridades no les importaba "el aspecto moral de la prostitución". Las muestras artísticas de Pompeya proporcionan ejemplos gráficos de lo que las prostitutas ofrecían a sus clientes. Aunque la explotación y el maltrato estaban muy extendidos, algunas llevaban una vida "razonablemente buena".

Como afirma Knapp, doctor en Historia Antigua por la Universidad de Pensilvania, las vidas de los hombres corrientes en Roma y el Imperio estaban marcadas sobre todo por la familia, los negocios y las relaciones sociales. Confiaban en la superstición, la magia y la religión para dar sentido y control a su existencia.

El papel fundamental de la mujer (el mundo grecorromano introdujo la afirmación de su "inferioridad física y mental" en "todos los intersticios posibles de la vida") era ocuparse del marido, los hijos y el hogar, si bien algunas desarrollaban actividades fuera del ámbito familiar (comerciales, sociales, religiosas…).

La mujer ideal era alabada por su modestia, prestancia, rectitud moral y lealtad (y su tolerancia a los defectillos del marido, abuso del alcohol o del juego, devaneos con esclavas o prostitutas…). Su posición era de desventaja ante la ley: carecía de capacidad jurídica.

Capítulo pobres. Aquí entra la mayoría de la población del Imperio: campesinos, jornaleros, mendigos… Vivían al día y su objetivo principal y comprensible era la supervivencia.

No obstante, es una categoría "borrosa". Para estudiar su mentalidad hay que acudir sobre todo a los proverbios y las fábulas.

En esta esfera social se cultiva una sabiduría popular que da protagonismo a la acción sobre la reflexión. Las fábulas retratan los comportamientos antisociales de los pobres. Tienen aversión al riesgo y creen en "la voluntad de los dioses". A pesar de su posición subordinada, conservan la autoestima, como refleja un episodio del Satiricón de Petronio. Hacían frente al sometimiento con adaptación y resistencia.

Los romanos nunca negaron la humanidad de los esclavos, cuyas voces no son fáciles de rastrear en las fuentes de la Antigüedad. Knapp recurre a los epitafios y los papiros. El porcentaje aproximado de población esclava era el 15 %, y en la mayoría no había una señal o rasgo visible que identificase su condición.

En el proceso de expansión del dominio romano en tiempos de la República, los prisioneros de guerra proporcionaron la mayor cantidad de esclavos. Era frecuente que los hijos no deseados de personas libres fueran abandonados y acabaran en la esclavitud. La Lex Cornelia prohibía la venta de ciudadanos como esclavos, pero "los tratantes eran conocidos por no hacer preguntas".

El hecho central de la servidumbre "era la total sumisión del esclavo al amo": disponible siempre y para lo que fuera. El maltrato físico era habitual (y aparece con frecuencia en las obras de ficción de Plauto, Apuleyo y Petronio). El maltrato psicológico tenía como finalidad fundamental el aprendizaje de la sumisión. Y no faltaba el abuso sexual.

Hay testimonios legales de esclavos que reclamaban justicia en estos casos (como puede suponerse, con poca fortuna). La mentalidad romana no concebía una estructura social en la que la esclavitud no fuese aceptada. También se producían episodios de violencia entre los miembros de la comunidad esclava, en la que una idea siempre presente era la fuga, hasta el punto de que los amos recurrían a los collares de esclavos.

Algunos lograban formar una familia. Y algunos eran liberados, y se convertían en exesclavos. Los libertos se parecían a la gente corriente, pero provocaban una animadversión que surge del retrato que la élite hacía de ellos. Juvenal, Marcial, Tácito y Suetonio revelan que, para la clase dirigente, los libertos eran ofensivos y a veces odiosos.

Pero, igual que los esclavos, eran "indispensables para la vida acomodada de la aristocracia". Se les encomendaban tareas de responsabilidad en las casas y las fincas rústicas. La manumisión podía llevarse a cabo de diferentes formas, y también en la relación con los patrones hay muchas variaciones, posibilidades y matices (algunos permanecían en la casa del amo, otros creaban su propio hogar…).

Cabe pensar que los libertos eran numerosos y se sabe que existían rivalidades entre ellos y que se mezclaban con esclavos. Encontraban su identidad en la libertad, la familia y el trabajo (en muchas ocasiones desarrollaban el oficio —panadero, cocinero…— que habían aprendido en la esclavitud). El "liberto típico" era "un hombre polifacético, socialmente avispado y económicamente apto".

El privilegio de ser militar

En una sociedad no muy flexible en la que no era fácil encontrar una manera de ganarse la vida, convertirse en soldado era una buena opción para un hombre joven y sano. Pero las fuentes no ofrecen mucha información sobre ellos (sobre su cotidianidad, más allá de las batallas, la épica y la muerte).

Miembros de ejércitos o legiones (masas uniformes) rara vez comparecen en los testimonios de manera individual. Pero Knapp aclara que tenían una vida privilegiada (aunque dura y a veces corta), ya que gozaban de "una estabilidad y unas ventajas a las que muy pocos hombres corrientes podían aspirar".

Se alistaban (la cifra anual de reclutamientos era bastante baja) en torno a los 20 años. El ejército les ofrecía un empleo a tiempo completo, comida suficiente y un salario regular, y privilegios como otorgar testamento sin tener en cuenta los deseos paternos y beneficios legales y judiciales.

Muchos eran analfabetos y otros tantos desarrollaban un sentido de superioridad sobre la población civil (Apuleyo describe esta arrogancia). Knapp subraya que el aspecto más controvertido de la vida militar era la llamada "prohibición matrimonial".

Los veteranos gozaban de exenciones y privilegios, pero en ocasiones "dilapidaban sus recursos en malas inversiones o en mujeres y bebida", si es que eso es dilapidar. No era mala decisión convertirse en soldado del Imperio romano, si bien había que renunciar a algunos aspectos importantes de la libertad civil.

De todos los romanos "corrientes", los gladiadores, de gran impacto en el cine, son quizá el colectivo más fascinante. Procedían de dos grupos: esclavos y voluntarios libres. Los procesos de organización, dirección y suministro de gladiadores involucraban a muchos personajes, entre ellos los lanistae, que los compraban, entrenaban y alquilaban. Sus epitafios hacen hincapié en su obsesión por la gloria. Había asociaciones profesionales de gladiadores. Y se conocen casos de gladiadoras.

Terminamos el recorrido con los bandidos y piratas, la gente que se pasaba al otro lado de la ley, en lucha contra el sistema que hacía que los pobres y oprimidos no dejaran de serlo y que los recursos siguieran monopolizados por los poderosos.

Era una vida "alternativa", pero no buscaba el cambio ni se trataba de una forma de resistencia. Muchos forajidos (lo leemos en Apuleyo, Jenofonte, Estrabón) nacían de la desesperación. Otros, de la avaricia.

Cuando eran capturados, el castigo implicaba a menudo la exposición pública antes de la ejecución de la pena, que solía ser la muerte (por crucifixión o entre las fauces de fieras salvajes en el ruedo). A la plebe le gustaba ver al malo encadenado y sufriente antes de ser pasaportado.

Cicerón nos transmite que la gente viajaba de una ciudad a otra para ver estos espectáculos, algo así como la Champions League de la época, pero en vez de Mbappé y Bellingham estaban Seluro y Trasileón.


Agentes de IA da Meta: expansão da ferramenta exige novas estratégia conversacionais para as empresas

 


Pontaltech, Business Partner da Meta, oferta consultoria estratégica durante toda a jornada de transformação

O lançamento do Meta Business Agent para o WhatsApp e Instagram inaugura uma nova geração de experiências conversacionais nos processos de atendimento, vendas e relacionamento entre empresas e clientes. A solução, lançada pela Meta em julho, atua como uma camada inteligente e integrada aos sistemas das empresas, que executa o atendimento ao cliente de maneira resolutiva e orientada a geração de negócios. Apoiando essa transição, a Pontaltech, empresa de tecnologia especializada em comunicação omnichannel e Business Partner da Meta, está preparada para oferecer uma consultoria estratégica que apoie as organizações durante toda essa jornada. 

Diferentemente dos modelos tradicionais de atendimento automatizado, baseados em fluxos predefinidos com regras rígidas, menus fixos, escalabilidade limitada e experiências fragmentadas, o Meta Business Agent altera essa lógica ao compreender a intenção do cliente e executar tarefas automaticamente, através de suas capacidades de integração com sistemas corporativos como CRM, ERP, plataformas de e-commerce e bancos de dados.    

Isso, na prática, cria uma experiência mais natural para o consumidor, além de uma maior capacidade de automação para as empresas, reduzindo transferências para atendentes humanos e aumentando os índices de resolução na primeira interação. “Mais do que responder perguntas, a IA passa a executar ações dentro da jornada do cliente, compreendendo suas necessidades e executando as resoluções de ponta a ponta, sem transferências”, explica Carlos Feist, Diretor de Growth Platforms da Pontaltech. 

Essas mudanças, segundo Feist, reforçam uma tendência que já vinha sendo observada há tempos: a necessidade de as empresas tratarem cada interação de forma mais estratégica, medindo, cuidadosamente, o retorno gerado por cada jornada conversacional. Isso porque, não se trata apenas de uma inclusão de recursos tecnológicos, mas uma mudança estrutural na forma como as empresas se relacionam com seus clientes.   

No atendimento, por exemplo, haverá uma busca maior por resoluções automáticas mais eficientes, reduzindo contatos desnecessários e aumentando a assertividade dos agentes de IA.  No marketing, as marcas deverão priorizar campanhas mais segmentadas, relevantes e contextualizadas, aproveitando os canais conversacionais para criar experiências personalizadas ao longo de toda a jornada do consumidor. Já em vendas, ganha força o conceito de comércio conversacional (Conversational Commerce), no qual a conversa deixa de ser apenas um canal de suporte e passa a atuar diretamente na geração de receita.   

Ao operar como uma camada de inteligência transversal, capaz de atuar em múltiplos domínios do negócio simultaneamente, os ganhos se tornam ainda mais significativos. Dados do “Meta Conversations”, de 2026, comprovam esses benefícios: as taxas de engajamento e resolução via canal conversacional chegam em torno de 79%, com um índice médio de 80% de satisfação dos consumidores. E é nesse ponto que a atuação da Pontaltech ganha destaque. 

Como Business Partner Select da Meta e especialistas em plataformas conversacionais, atuam como uma consultora estratégica durante toda a jornada de transformação. “Nosso papel não é apenas implementar a tecnologia em si, mas ajudar as empresas a identificarem onde a IA gera valor, quais processos devem ser automatizados, quais integrações são necessárias, os melhores canais para a jornada do cliente, e como estruturar uma operação sustentável e orientada a resultados”, destaca o Diretor. 

Ao combinar conhecimento técnico, experiência em comunicação empresarial e visão de negócios, focam em transformar os canais conversacionais em ativos estratégicos para atendimento, marketing, vendas e relacionamento. Isso, através de uma implementação gradual e estruturada, alinhada ao nível de maturidade digital de cada empresa. Até porque, mais do que incorporar uma nova tecnologia, é fundamental preparar processos, dados, integrações e jornadas de relacionamento para que a IA gere resultados concretos para o negócio. 

Essa abordagem, conforme destaca Feist, reduz riscos, acelera a curva de aprendizado, garante uma maior aderência à realidade de cada empresa e maximiza o retorno sobre o investimento em inteligência artificial conversacional – identificando as oportunidades de ganho de eficiência e definindo um plano de adoção compatível com os objetivos estratégicos da organização. 

Diante desta fase estratégica para que cada vez mais empresas consigam transformar a IA em resultados concretos, as expectativas são altas. “Nosso papel será atuar como um parceiro estratégico de transformação, ajudando clientes a navegar pelas mudanças de precificação, definir prioridades de investimento, estruturar jornadas inteligentes e criar operações conversacionais preparadas para escalar. Estamos preparados para apoiar cada cliente em sua jornada de amadurecimento digital, desde a avaliação do momento atual até a implementação e evolução contínua dessas novas experiências conversacionais, garantindo que cada operação obtenha o máximo valor dessa transformação”, finaliza Feist. 

 

Sobre a Pontaltech:     

Fundada em 2011, a Pontaltech é uma empresa de tecnologia especializada em comunicação omnichannel que ajuda empresas a automatizar e escalar seus atendimentos com um portfólio composto por diversos canais digitais e de voz. Com soluções integradas de SMS, e-mail, chatbot, WhatsApp, RCS, VoiceBot, entre outros, simplifica a comunicação das empresas com seus clientes de forma inteligente e eficiente, sem nunca perder a proximidade humana. 



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Nathália Bellintani


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Tecnologia muda papel do professor, que passa de transmissor de conteúdo a designer de experiências de aprendizagem

 

Vitru Educação


Tecnologia muda papel do professor, que passa de transmissor de conteúdo a designer de experiências de aprendizagem


Avanço da inteligência artificial e novas formas de aprender exigem dos docentes competências que vão além do domínio do conteúdo, como mediação, pensamento crítico e capacidade de conectar teoria e prática


Avanço da inteligência artificial e novas formas de aprender exigem dos docentes competências que vão além do domínio do conteúdo, como mediação, pensamento crítico e capacidade de conectar teoria e p

A inteligência artificial já consegue acessar informações, sintetizar conteúdos e oferecer respostas em poucos segundos. Nesse cenário, o avanço tecnológico também transforma o trabalho do professor, que deixa de atuar apenas como transmissor de conteúdo e passa a assumir uma função cada vez mais estratégica na construção da aprendizagem. Essa mudança no papel docente já começa a se refletir nas metodologias utilizadas nas Instituições de Ensino Superior.

Mais do que apresentar informações, o profissional da educação é chamado a estimular o pensamento crítico, mediar experiências, conectar teoria e prática e ajudar o estudante a desenvolver a capacidade de resolver problemas. A UNIASSELVI é uma das instituições de Ensino Superior que se adaptou a esta nova realidade. A instituição lançou neste ano uma nova arquitetura pedagógica, chamada CODEX. Ela reorganiza a experiência de aprendizagem a partir da integração entre conexão, cognição e ação. A ideia da proposta é transformar a sala de aula em um espaço voltado à interação, contextualização, resolução de problemas, desenvolvimento do pensamento crítico e aplicação prática do conhecimento.

Para a pró-reitora de Ensino EAD da UNIASSELVI, Márcia de Souza, esse processo não significa colocar tecnologia e atuação humana em lados opostos. “Nossos docentes estão em constante movimento, pertencem a um mundo contemporâneo, estão atentos às transformações do mundo e vivem em sala de aula o contexto de transformação e uso de ferramentas para a aprendizagem”, afirma. Segundo ela, entre os desafios atuais está a compreensão da inteligência artificial “como ferramenta e não como elemento que substitui o pensamento humano”.

“Arquiteto da aprendizagem”

Atualmente, mais de 600 professores regentes e mediadores pedagógicos da instituição têm sua atuação pautada pela metodologia CODEX. Segundo Márcia, a metodologia estabelece uma referência pedagógica para o planejamento das aulas, as estratégias de ensino, o uso de recursos educacionais e a integração entre aula ao vivo, mediação pedagógica, materiais didáticos e avaliações. “Na prática, o CODEX representa a transição do professor como transmissor de conteúdo para o professor como arquiteto da aprendizagem”, explica.

A mudança também altera a maneira como o professor planeja e conduz as aulas. Em vez de se concentrar apenas na apresentação de conteúdos, a proposta busca criar situações em que os estudantes possam relacionar conhecimentos, analisar problemas e aplicar o que aprenderam em diferentes contextos. O modelo também preserva a autonomia docente para adaptar a experiência às características de cada turma.

“Mesmo que o conteúdo seja o mesmo, cada sala de aula, que é viva, tem suas próprias características, respeitando as experiências prévias e o contexto de cada grupo”, afirma Márcia. Para ela, a clareza proporcionada pela arquitetura pedagógica oferece ao professor segurança para exercer essa autonomia, ao integrar recursos educacionais, aula ao vivo, mediação pedagógica, materiais didáticos e avaliações em uma sequência voltada à aprendizagem.

Formação e nova postura

Para acompanhar essa transformação, os docentes também passaram por um processo de formação continuada. A construção da identidade pedagógica relacionada ao CODEX começou em 2025 e encontrou, em 2026, um ambiente de assimilação. Entre as iniciativas estão trilhas formativas específicas desde o ‘onboarding’, encontros com coordenações de cursos, multiplicação de conhecimentos entre pares e produção de artigos e publicações sobre as experiências docentes com a nova arquitetura e metodologia.

Mais do que aprender a utilizar novos recursos, a mudança exige uma nova postura diante da aprendizagem. Para Márcia, o professor é desafiado a se reposicionar, reaprender e se inspirar. A própria identidade da instituição é utilizada como referência para essa visão: o nome Centro Universitário Leonardo da Vinci remete ao artista e inventor italiano, e o CODEX recupera a ideia dos cadernos de anotações nos quais ele registrava e desenvolvia suas ideias.

“Ser um docente da UNIASSELVI é, antes de tudo, ser esse promotor do pensamento que decodifica e se apropria do conhecimento como algo tangível”, afirma. Segundo ela, a metodologia desafia o professor a atuar como mentor e inspirador do conhecimento materializado na capacidade de resolução de problemas, na criatividade e na construção de conhecimentos capazes de transformar realidades.

Tecnologia como ferramenta democrática

Nesse contexto, a tecnologia é incorporada ao processo sem perder de vista as diferenças existentes entre os estudantes. Para Márcia, além de preparar os alunos para os desafios contemporâneos, cabe à educação garantir acesso de qualidade às ferramentas tecnológicas. “Nossa responsabilidade, antes de pensar que as ferramentas contemporâneas geram prejuízo para a aprendizagem, é garantir acesso de qualidade e uma real democratização do acesso tecnológico aos nossos estudantes”, afirma.

A perspectiva reforça uma dimensão que permanece essencialmente humana na atuação docente: compreender o contexto em que cada estudante está inserido. “Nossa sala de aula é espaço diverso e, o nosso professor, é esse arquiteto de diversos aprendizados, decodificando o mundo com o estudante”, conclui Márcia.

Em um cenário de transformação acelerada, portanto, a tecnologia amplia as possibilidades disponíveis para ensinar e aprender, mas também redefine o que se espera de quem está à frente da sala de aula. O professor passa a atuar menos como uma fonte de informação e mais como alguém capaz de dar sentido ao conhecimento, estimular perguntas, conectar diferentes perspectivas e transformar informação em aprendizagem.

 

Sobre a UNIASSELVI

A UNIASSELVI é uma das mais conceituadas instituições de ensino superior do Brasil. Com uma oferta diversificada de mais de 500 cursos, que incluem Graduação, Pós-Graduação, Profissionalizantes e Técnicos, nas modalidades presencial, semipresencial e a distância (EAD), a instituição se destaca pela sua abrangência e qualidade educacional. Presente em todos os estados brasileiros, a UNIASSELVI conta com uma ampla rede de mais de 1,3 mil polos e mais de 16 unidades de ensino presencial. É reconhecida como a única instituição de grande porte nacional a receber nota máxima no Recredenciamento Institucional, concedido pelo Ministério da Educação (MEC). A missão da UNIASSELVI é fornecer os recursos e o suporte necessários para que os alunos construam suas próprias histórias e alcancem o sucesso acadêmico e profissional, promovendo assim o desenvolvimento pessoal e profissional de cada estudante.

 


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COLUNA MALHA FINA - JORNAL A REGIÃO08/08/2026

 

Arquitetos do invisível

Lembra de Zerônimo e Rui Cannabis falando das grandes obras que fizeram, incluindo o Porto Sul, na história pra boi dormir? Pois agora a gente descobriu que nem a área foi comprada ainda. Só nesta semana Zerônimo assinou decreto declarando de utilidade pública uma área de 384 hectares "para a implantação do Porto Sul". Foi lançado em 2008, ou seja, 18 anos depois, nem começou ainda. Talvez nem comece.

Olhando o números errados

No programa Frequencia News, da Morena FM, o vereador ilheense Jeba Mole fez uma análise da última pesquisa e disse que Zerônimo ganha no primeiro turno por 10 pontos de frente. A análise pode estar certa, mas se baseia na única pesquisa que dá empate técnico com ACM Neto. Todas as outras dão frente ampla para Neto. E o dono da Quest tem cargo no governo do Ladrão...

Confissão de incompetência

Ao ser perguntado sobre segurança, disse que nenhum governador fez mais pela área do que Zerônimo. Faltou expllicar por que, então, a Bahia tem o dobro de homicídios que o Rio de Janeiro, o dobro de assassinatos de São Paulo. Por que lidera em mortes de mulheres, de jovens, de gays, de negros. Por que em SC o crime quase não existe, se o problema "é nacional".

Dinheiro filho de coelhos

wagner Jaques Master, do PT, teve como empregos na vida operário, sindicalista, governador e senador. Quando foi eleito governador em 2006, declarou ao TSE que seu patrimônio somava R$ 690 mil. Em 2010 era de R$ 820 mil. Quando saiu do governo e concorreu ao Senado saltou para R$ 3,47 milhões. Cresceu R$ 2,5 milhões, do nada. Agora ele diz que chegou a R$ 24 milhões.

Conta não tem como bater

Imagine que, desde que Master entrou no Senado não gastou 'uma nica' sequer do salário, que em 2019 era de R$ 33.763 ou R$ 24.600 liquidos. Viveu quatro anos de vento, sem comer, beber, pagar luz, água, fazer mercado, comprar roupa nem sapatos. Em quatro anos teria acumulado R$ 1.180.800. Mas, na reeleição em 2018, declarou ter R$ 3,47 milhões. De onde saíram R$ 2,3 milhões?

Só a Receita não viu isso?

Se voce já ficou intrigado, a coisa fica pior depois da reeleição ao Senado. Se de 2019 a 2026 não tivesse tirado um centavo do bolso, não gastasse uma moedinha sequer para se manter, Jaques Master teria no final dos quatro anos mais R$ 1,98 milhão. Mas declarou R$ 24 milhões... Como conseguiu R$ 22 milhões acima do que recebeu? Só um 'master' economista consegue.

O tanque caiu no dique

Acostumado a brigar com os colegas vereadores, Tanque do Dick encontrou um maior que ele e se deu mal. O vereador de Ilhéus acusou o juiz Alex Venícius Miranda de fazer "gatunagem". A ofensa gratuita saiu caro. Tanque foi condenado a pagar R$ 30 mil de indenização mais R$ 6 mil de honorários de sucumbência. Paga pela língua descontrolada.

Defunto de corpo presente

O finado Gelado Limões, que nesta semana saiu da tumba e circulou pelo CCAF, tinha anunciado o Psol como seu novo mausoléu e que seria candidato a deputado federal. Era tudo conversa mole. O Psol não quis receber refugo do PT e ele não é candidato a nada. Continua no PT, guardado num frasco com formol até que seja expulso. Talvez candidato a múmia.

Até placa o PT frauda

Sandro Filho é vereador em Salvador, mas candidato a deputado. Por isso está rodando a Bahia com um objetivo simples: mostrar as mentiras do PT. Nesta semana, flagrou um verdadeiro crime de canalhice. O desgoverno de Zerônimo trocou a placa da construção de uma creche em Conceição do Almeida. A placa da obra, abandonada, agora diz que ela começou neste ano...

O resto todo pode ser mentira

O problema é que isso é uma fraude. Sandro consultou o documento oficial da obra e descobriu que ela começou em 2014 e está parada há mais de 10 anos. O governo trocou a placa para fingir que começou agora e vai ser entregue depois das eleições. Imagine a quantidade de obras abandonadas que estão sendo disfarçadas com placas mentirosas...

Comunidade científica alerta

negao Cientistas do mundo inteiro estão vindo à Bahia para estudar o inédito caso de mutação epidérmica do deputado Elmar Nasci Menta. Na eleição de 2018, ele declarou que era branco, como um tablete de menta. Na de 2022, sua pele mudou para parda, como papel de acarajé. Mas a pele continuou escurecendo, talvez por falta de filtro solar, e agora ele se declara negro. Virou negão.

Oligarquia do atraso

O Partido dos Traficantes confirmou sua chapa "só CPX", com Zero, Ladrão, Cannabis e Master. Depois de 20 anos fazendo o Brasil descer a ladeira, de sexto para décimo no ranking dos países, e deixar a Bahia na lanterna da educação, saúde, segurança e emprego, a facção quer mais quatro anos para terminar de arruinar nossas vidas.

Comemorando o fracasso

A Prefeitura de Itabuna comemorou as notas 4,8 nos anos iniciais do Fundamental e 3,3 nos finais no Ideb. Vale festejar por ser o quarto ano aumentando a nota. Mas basta olhar os vizinhos para passar vergonha. No sul da Bahia, Itabuna, a maior cidade, é só a oitava no Ideb, atrás de Una, Almadina, Itapé, Itacaré, Ibicaraí, Barro Preto e Coaraci.

Celebrando a indigência

Nos anos finais, Itabuna fica em sexto no sul da Bahia, atrás de Itapé, Almadina, Aurelino Leal, Ilhéus e Una. No estado, Itabuna está na 338ª posição dos anos iniciais e na 352ª dos finais. Isso numa lista de 412 municípios que têm ensino municipal. A culpa não é de Augusto, pegou muito pior. Mas não existe motivo para comemorar. Ninguém comemora o fracasso.

O estado mais ignorante

Itabuna não está sozinha no vexame. A Bahia, desgovernada pelo PT há 20 anos, conseguiu somente uma nota 4 no Ideb do Ensino Médio. Por mais maluco que seja, esse fracasso foi comemorado pelos ex-secretários de Deseducação, Zerônimo e Rowena Brito. Nota menor que a da Bahia, só as do Amazonas, Roraima e Maranhão. Por 0,2 ponto...

A pior até no Nordeste

Nos anos do Fundamental, a Bahia está na lanterna do Nordeste, empatada com o Rio Grande do Norte e o Maranhão, todos com 5,7. No país inteiro, só ganha do Amapá e do Pará, por 0,1 ponto. A Bahia é vítima da aprovação automática de quem não assiste aula e perde nas provas, do ensino ideológico que prega português errado tipo "presidenta", "elu, delu" e outras merdas.

Miserável de alto padrão

O candidato a vice-derrotado ao governo da Bahia, Geraldo Cabeção, deve achar que todo mundo é tão idiota quanto quem escolheu ele para a vaga. Na declaração de bens ao TSE garantiu que só tem R$ 200 mil. Imagino quem é o dono dos carrões de luxo que ele e os parentes usam para circular por Salvador. Talvez de algum 'padrino', tipo Don Corleone.

Situação e oposição iguais

caes de rua Ilhéus e Itabuna têm prefeitos de lados diferentes, mas os dois se omitem quanto a um problema grave das duas cidades: a quantidade de cães e gatos abandonados nas ruas. Eles se multiplicam rapidamente, invadem as casas e levam doenças para os animais caseiros. As prefeituras têm obrigação de castrar e tratar esses animais. Mas se fingem de mortas.

Tem dinheiro, falta vontade

São duas prefeituras ricas, que podem recolher os animais e fazer convênio com clínicas veterinárias para vacinar e castrar os machos. Depois eles podem ser colocados para adoção ou até ser devolvidos às ruas. Pelo menos não aumentarão a população de cães e gatos nas ruas nem levarão doença para os animais com tutores. Não é difícil. Basta vontade.

Proibido de ser deputado

Se voce ainda acha que vivemos tempos normais, tente me explicar a situação do deputado Leandro de Jesus. Ele está respondendo processo na Assembleia Petista da Bahia e ameaçado de cassação porque fez um video mostrando que a ponte Salvador - Itaparica é uma farsa. Ela é e, mesmo que não fosse, um deputado tem fala inviolável. É a Constituição.

Avisando horário da batida

Mas não é só a Alba quem tenta calar o deputado. Um juiz proibiu que ele exerça o que não só é seu direito, como sua obrigação: fiscalizar como o governo do estado gasta nosso dinheiro. O juiz disse que ele precisa informar dia e horário e ter autorização a quem será fiscalizado. Mais surreal que conto de Kafka, a decisão rasga a Constituição e é ilegal.

Reação mostra PT com medo

A ofensiva do governo petista contra Leandro de Jesus na Alba, que controla há anos, mostra duas coisas. Uma é que o PT está preocupado com a quantidade de fraudes e obras abandonadas que Leandro pode mostrar. Outra é que tem medo da reeleição do deputado e da força da internet, onde Leandro desfila as mentiras de Zerônimo e Rui Cannabis.

Em terra de pamonha...

Adivinhe qual município tem a pior educação municipal do sul da Bahia e a segunda pior do estado... acertou quem disse Canavielas. No estado, é a 400ª nos anos iniciais do Fundamental e 411ª (de 412) nos anos finais. A educação dada pela casa da mãe Joana de Paulo Pamonha é tão ruim que até os caranguejos estão indo estudar em Una, que é a 88ª.

A baboseira prolixa

A esquerdista alucinada Ai Dela Dinheiro pode ficar fora do horário eleitoral obrigatório no rádio e tv. Não por falta de prestígio, afinal ocupava boquinha de aspone de Zerônimo. O problema será encaixar em 30 segundos ou um minuto os textos quilométricos que ela envia para a imprensa falando baboseira e expondo delírios sobre vários assuntos.

Já era hora de exigir

Não importa se voce só tem os votos dos amigos, nem se tenta uma candidatura de bolso vazio. Voce tem direito a figurar nas pesquisas eleitorais. Por isso o Mobiliza cobrou formalmente a inclusão do advogado sulbaiano Carlos Sodré nas pesquisas ao Senado. Pode não ter nem 1%, mas pode virar supresa eleitoral, quem sabe? Se até Tiririca se elegeu...

Obra dá comissão

Tijolo não cura ninguém. Viatura sem eficiencia não garante segurança. Prédio escolar não educa. O governo do PT aposta em obras como se elas resolvessem. Não resolvem. Tanto que ele investiu "milhões", mas o resultado continua sendo morte na fila da regulação, a pior educação do país, e o dobro de assassinatos que o segundo estado mais perigoso.

Não vote em incapazes

Itabuna e Ilhéus, como toda cidade no Brasil, tem seus candidatos analfabetos, primários, que viram candidatos por fazer dancinha, piada ou falar besteira online. Sem nenhuma capacidade mental para ser deputado, sem nenhum plano, sem ter ideia do que fazer na Assembleia ou na Câmara federal. Os partidos usam eles para engordar os votos dos outros. Não caia nessa.

Esta coluna é dedicada às futricas, intrigas e críticas à política baiana, e de Itabuna e Ilhéus. Não inventamos nada, mas desnudamos o que tentam esconder...

 Pode ser uma imagem de texto que diz "IDEB BAHIA FICA EM ÚLTIMO LUGAR NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL NO BRASIL E TEM PIOR NOTA DO ENSINO MEDIO NO NORDESTE @ocristalnoticias https://www.ocristal.com.br/"