MEDIÇÃO DE TERRA

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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Sobrevivência ou agilidade: como alcançar a maturidade digital nos negócios?

 


Por Regina Francisco 

É aquela velha história: durante muito tempo, a área de TI foi vista como uma frente de suporte, responsável apenas por resolver problemas. No entanto, hoje, cada vez mais, essa linha de pensamento tem sido deixada de lado, uma vez que a vertical tem ocupado um papel que vai além de instalar sistemas. Ela participa ativamente na criação de novos produtos e soluções, estando vinculada diretamente aos resultados conquistados pela empresa e sendo protagonista em tomadas de decisões em tempo real. 

Sabemos que falar sobre tecnologia pode parecer um tema “repetido”, afinal, ela já faz parte do nosso dia a dia. Contudo, quando se trata do ambiente corporativo, presenciamos um cenário dominado pelo uso de Inteligência Artificial e automações, que criam a ideia errônea de que, ao utilizarem esses recursos, as empresas já atingiram a tão falada “maturidade digital”. 

Um exemplo disso pode ser visto com a ascensão do Cloud Computing. De acordo com dados do Gartner, até o final de 2027, projeta-se que 90% das organizações já tenham adotado soluções em nuvem. Ainda, segundo o Statista, o volume desse mercado deve atingir 1 trilhão de dólares até 2028. 

Embora esse crescimento de organizações migrando para a nuvem e digitalizando suas operações seja um excelente indicativo, é fundamental reforçar que esse é apenas o primeiro degrau rumo à maturidade digital. Ela só é, de fato, alcançada quando o dado é transformado em decisão. Ou seja, o que diferencia uma empresa que apenas sobrevive digitalmente daquela que já atingiu um nível satisfatório é a capacidade de atribuir inteligência aos processos, antecipar demandas e sanar gargalos. 

Vivemos uma era marcada pela agilidade. O que é tendência hoje, amanhã já não é mais. Diante dessa realidade marcada pelo imediatismo, ter um ecossistema de negócios eficiente deixou de ser um diferencial e se tornou uma necessidade. E é aqui que a integração de sistemas ganha ainda mais relevância. 

Não adianta buscar por fórmulas mágicas e/ou soluções inovadoras se o básico não é feito: manter a fluidez das informações. Com a velocidade do mercado, levar dias para emitir relatórios ou ter acesso a dados é sinônimo de ineficiência e prejuízo na certa. Afinal, o mercado oferece sistemas de gestão robustos que, quando implementados de acordo com o desenho e as características do negócio, ampliam o poder de decisão, uma vez que entregam registros confiáveis e, sobretudo, agilidade. 

Falar sobre esses benefícios, certamente, brilha os olhos. Até porque, atire a primeira pedra quem não busca ter esses ganhos na gestão. Entretanto, para alcançá-los, é preciso mudar; e toda mudança dói. Estamos falando de deixar de lado hábitos antigos e passar a executar ações de acordo com o contexto atual do negócio. É, justamente por terem esse receio, que muitos líderes optam por manter os processos da mesma forma. 

Em suma, todo projeto de tecnologia é um investimento, mas, quando realizado sem planejamento e sem a consciência de que transformações serão feitas, ele se torna um custo. Na prática, a governança é o fio condutor da consolidação de um novo ecossistema de negócios, uma vez que reforça a importância de manter um acompanhamento e estabelecer métricas que permitam observar o passado, o presente e como a empresa está caminhando rumo ao futuro. 

A transição de cultura é o que ajuda a moldar a resiliência da organização frente a contextos de alta complexidade, considerando que essa característica nasce da habilidade de orientar, prever e reagir de forma assertiva. Contudo, essa transformação não acontece do dia para a noite, já que estamos falando de uma nova forma de executar tarefas. Quanto a isso, ter o apoio de uma consultoria especializada segue sendo um fator primordial para apoiar os usuários e, principalmente, guiá-los para o melhor caminho a ser seguido. 

Como mencionamos, a tecnologia tem se tornado cada vez mais intrínseca no ambiente empresarial. Hoje, não é mais a falta de opções de recursos no mercado que é um problema, mas a ausência da compreensão de que os sistemas não devem operar de forma isolada, mas conectados para conseguirem extrair valor. Afinal, a escolha não deve ser feita entre sobreviver ou ser ágil, mas em encontrar formas de atingir e aplicar a maturidade digital. 

Regina Francisco é consultora de implementação na ABC71. 

Sobre a ABC71  
Desde 1971, a ABC71 é pioneira em ERPs para indústrias com a missão de melhorar a performance das empresas brasileiras com software e serviços. Atendendo aproximadamente 400 clientes, a organização soma uma trajetória de sucesso com o objetivo de ser reconhecida como a melhor empresa de software de gestão no Brasil.   



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Cinthia Guimarães


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Reforma Tributária: nova etapa na emissão de notas fiscais começa em agosto

 

Por Taís Baruchi

A Reforma Tributária sobre o consumo deixou de ser um projeto para se tornar uma realidade operacional nas empresas brasileiras. O ano de 2026 foi concebido como um período de transição para que empresas, profissionais das áreas contábil, financeira, tributária e de tecnologia e desenvolvedores de software adaptassem seus sistemas às novas exigências relacionadas ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Essa fase, no entanto, possui um marco importante.  

O Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1, de 2025, estabeleceu que a ausência do preenchimento dos novos campos relativos ao IBS e à CBS não acarretaria penalidades até o primeiro dia do quarto mês subsequente à publicação dos regulamentos desses tributos. Como a regulamentação foi publicada em 30 de abril de 2026, por meio do Decreto nº 12.955, para a CBS, e da Resolução CGIBS nº 6, para o IBS, o marco legal passou a ser 1º de agosto de 2026. 

Como essa data caiu em um sábado, o Comitê Gestor do IBS orientou que a aplicação operacional das novas validações pelos sistemas autorizadores teria início em 3 de agosto de 2026, primeiro dia útil subsequente. Na prática, esse foi o momento em que se encerrou o período de adaptação para os emissores de documentos fiscais eletrônicos. 

A partir daí, a correta parametrização dos sistemas passou a ser decisiva. O preenchimento dos novos campos, a utilização das classificações tributárias previstas na regulamentação e o destaque das alíquotas de teste tornaram-se parte da rotina operacional. O descumprimento dessas exigências poderá levar à rejeição do documento fiscal pelos sistemas autorizadores, conforme as regras técnicas aplicáveis, além de provocar atrasos no faturamento, na expedição de mercadorias e na regularização das operações. 

Os impactos não se limitam ao aspecto operacional. A Lei Complementar nº 227, de 2026, prevê penalidades para infrações relacionadas às novas obrigações acessórias. A aplicação dessas sanções dependerá das hipóteses previstas em lei e da observância do devido processo administrativo, mas evidencia que a qualidade das informações fiscais passou a ter papel ainda mais relevante na gestão das empresas. Da mesma forma, a dispensa do recolhimento financeiro da alíquota de teste durante 2026 está condicionada ao atendimento dos requisitos legais estabelecidos para esse período de transição. 

Imagine uma distribuidora que realize uma venda de R$ 100 mil utilizando um sistema ainda não totalmente adaptado, por exemplo. Caso sejam identificadas inconsistências, a nota poderá ser rejeitada, exigindo sua correção antes da conclusão da operação. Se a fiscalização, posteriormente, constatar irregularidades, poderão ser aplicadas as medidas administrativas e as penalidades previstas na legislação, sempre observadas as circunstâncias de cada caso. 

Ao mesmo tempo, a legislação procurou privilegiar a conformidade espontânea. Em determinadas situações, o contribuinte notificado poderá promover a autorregularização dentro do prazo legal, corrigindo as inconsistências e reduzindo os impactos decorrentes da infração. A lógica da transição não é apenas sancionar, mas incentivar a adaptação ao novo modelo tributário. 

Por isso, o restante do período de transição deve ser encarado como uma oportunidade para fortalecer a governança tributária. A atualização das tabelas fiscais é apenas uma etapa. Também são indispensáveis a revisão dos cadastros, a parametrização dos ERPs, a integração entre sistemas, a realização de testes e a capacitação das equipes responsáveis pelo faturamento. 

Essa preparação será determinante para os próximos anos. Com a evolução da Reforma Tributária, a integração entre documentos fiscais, sistemas de apuração, administração tributária e instituições financeiras será cada vez maior, aumentando a importância da qualidade das informações transmitidas pelas empresas. 

Mais do que atender a uma obrigação legal, adequar processos e sistemas significa reduzir riscos, preservar a continuidade das operações e preparar a empresa para um ambiente tributário mais digital, automatizado e integrado. Em um cenário em que a informação fiscal passa a influenciar diretamente a operação dos negócios, antecipar a conformidade deixa de ser apenas uma medida preventiva para se tornar uma decisão estratégica. 
 
Taís Baruchi é CEO na PKF BSP, fundadora e diretora do Instituto de Direito Tributário Contemporâneo (IDTC).  

 

Sobre a PKF BSP:  

www.pkfbrazil.com.br 

PKF BSP, firma-membro da PKF Brazil   

A PKF Brazil é uma firma-membro da PKF Global, a rede de empresas-membro da PKF International Limited. Cada uma das quais é uma entidade legal separada e independente, não assumindo qualquer responsabilidade ou obrigação pelas ações ou omissões de qualquer empresa-membro ou correspondente. 



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Nathália Bellintani


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Carro elétrico ou híbrido: qual vale mais a pena para o seu dia a dia?

 



Com vendas em alta no país, os modelos despertam interesse dos consumidores, mas entender as diferenças entre eles é essencial antes da compra

São Paulo, julho de 2026- O avanço das tecnologias e a chegada de novas marcas têm acelerado a adoção de veículos eletrificados no Brasil. Em 2025, o país registrou 223.912 emplacamentos de veículos leves eletrificados, um crescimento de 26% em relação a 2024, quando foram vendidas 177.358 unidades, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). A tendência de expansão segue forte em 2026: apenas em março, foram 35.356 veículos eletrificados emplacados, o maior volume mensal da série histórica da entidade, fazendo com que esses modelos representassem 14% das vendas de veículos leves no mês e reforçando a consolidação da eletromobilidade no mercado brasileiro.
 

Apesar da popularidade crescente, muitos consumidores ainda têm dúvidas sobre qual opção escolher: um carro 100% elétrico ou um híbrido. A resposta depende do estilo de vida, do padrão de uso do veículo e até da infraestrutura disponível para recarga.
 

Os carros elétricos (BEV) são movidos exclusivamente por baterias recarregáveis e não utilizam motor a combustão. Já os híbridos combinam um motor elétrico com um motor a combustão, que pode funcionar de forma alternada ou conjunta. Segundo Alan Ladeia, especialista no setor automotivo e CEO da Carflix, entender o funcionamento de cada tecnologia é fundamental para tomar uma decisão mais consciente.
 

“A escolha entre elétrico e híbrido não é apenas tecnológica, mas comportamental. O consumidor precisa analisar sua rotina, distância média percorrida e acesso a pontos de recarga para entender qual modelo realmente faz sentido no dia a dia”, afirma o especialista.
 

Entre os principais atrativos dos veículos totalmente elétricos estão a economia e a sustentabilidade. As vantagens dele são: zero emissão de poluentes durante o uso, custo menor por quilômetro rodado, manutenção reduzida, com menos peças mecânicas e condução mais silenciosa e tecnológica. Já as desvantagens estão na dependência de infraestrutura de recarga, tempo de abastecimento maior que o de um carro a combustão e preço inicial ainda mais elevado em muitos modelos.
 

Para Alan Ladeia, o perfil ideal do motorista de carro elétrico costuma ser urbano. “O elétrico combina muito com quem roda majoritariamente dentro da cidade e tem acesso fácil a pontos de recarga, seja em casa, no trabalho ou em condomínios.”
 

Já os híbridos surgem como uma espécie de “ponte” entre os carros tradicionais e os totalmente elétricos. E em suas vantagens se encontram maior autonomia, combinando motor elétrico e combustão, não depender exclusivamente de pontos de recarga, consumo de combustível mais eficiente e transição mais suave para quem está migrando da gasolina ou etanol. Já as desvantagens é que esse modelo ainda emite poluentes, tem a manutenção potencialmente mais complexa por ter dois sistemas e economia menor em comparação aos elétricos puros.
 

De acordo com Ladeia, esse tipo de veículo tende a agradar quem ainda não quer depender totalmente da infraestrutura elétrica. “O híbrido costuma ser a escolha de quem faz viagens frequentes ou ainda não tem acesso fácil a carregadores. Ele oferece eficiência energética sem mudar drasticamente a rotina do motorista.”
 

Na prática, a escolha entre um carro elétrico e um híbrido está diretamente ligada ao estilo de vida do motorista. Os modelos 100% elétricos tendem a ser mais indicados para quem circula majoritariamente em áreas urbanas, possui acesso fácil a pontos de recarga, seja em casa ou no trabalho, e busca menor custo de manutenção aliado a uma proposta mais sustentável e tecnológica.

Já os veículos híbridos atendem melhor quem realiza viagens com mais frequência, ainda não conta com uma infraestrutura de carregamento consolidada e deseja reduzir o consumo de combustível sem abrir mão da autonomia.


Informações para a Imprensa:
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Numen anuncia Diego Giordani como Vice-Presidente de Vendas nos Estados Unidos

 


Com mais de duas décadas de liderança no ecossistema SAP, Diego vai fortalecer a consolidação em território americano

A Numen, consultoria global de tecnologia especializada em SAP e transformação corporativa, anuncia a chegada de Diego Giordani como Vice-Presidente de Vendas para os Estados Unidos. 

A nomeação marca mais um passo estratégico na expansão internacional da Numen, que segue investindo de forma consistente em sua presença fora do Brasil. Depois de anos construindo uma atuação sólida na América do Norte, a companhia agora reforça sua estrutura comercial nos EUA para atender à crescente demanda por SAP Cloud ERP e serviços de transformação digital, ao mesmo tempo em que aprofunda sua parceria com a SAP no mercado americano. 

Baseado na Flórida, Diego vai liderar as iniciativas de crescimento comercial da Numen nos EUA, com foco em ajudar organizações a modernizar seus ambientes de ERP por meio do SAP Cloud ERP e a transformar a forma como conduzem seus processos de negócio com o SAP Signavio. Em atuação conjunta com os times de conta da SAP, ele vai ajudar a levar valor aos clientes em cada etapa da jornada para a nuvem. 

Diego chega à Numen depois de uma carreira construída inteiramente dentro do ecossistema SAP. Já ocupou posições executivas como Vice-Presidente de Vendas para a América do Norte em um dos maiores parceiros globais da SAP, além de cargos de Country Manager e Chief Operating Officer, à frente de expansão de negócios, estratégia comercial e iniciativas de transformação digital nas Américas. Ao longo do caminho, construiu relações de confiança com times de campo da SAP e ajudou centenas de clientes a extrair valor de seus investimentos em SAP. 

"A experiência de Diego à frente de organizações SAP de alta performance, suas relações de confiança consolidadas no ecossistema SAP e seu profundo conhecimento do mercado americano fazem dele uma adição excepcional ao nosso time. Tão importante quanto isso, seu estilo colaborativo de liderança e sua forte aderência à cultura e aos valores da Numen o tornam um encaixe ideal neste momento de expansão nos Estados Unidos", afirma Eduardo Nagata, CEO da Numen América do Norte. "À medida que as organizações modernizam seus ambientes de ERP e adotam a transformação de negócios orientada por IA, a liderança de Diego vai nos ajudar a escalar nossa presença ao lado da SAP, sempre entregando resultados de negócio mensuráveis para nossos clientes.", complementa.  

A chegada de Diego reforça o investimento de longo prazo da Numen no mercado americano, onde a empresa segue ampliando sua presença por meio de parcerias estratégicas com SAP, AWS, Salesforce, Celonis, Esker e outros provedores de tecnologia de referência. 

"Construí minha carreira dentro do ecossistema SAP, ao lado de clientes, parceiros e times da SAP em toda a região das Américas — e estou animado em continuar essa trajetória na Numen justamente em um momento tão importante do seu crescimento", diz Diego Giordani. "Eu já conhecia a Numen por reputação, mas conhecer de perto a profundidade de sua capacidade local de pré-vendas e entrega superou minhas expectativas. Estou pronto para ajudar empresas a extrair o máximo do SAP Cloud ERP e das soluções corporativas modernas para acelerar inovação e crescimento sustentável.", diz.  

Essa é mais uma etapa de um movimento que a Numen vem construindo há alguns anos, e que cresce cada vez mais forte: consolidar uma presença global relevante, sempre de forma estratégica e com um objetivo claro: fomentar inovação real para os clientes, onde quer que eles estejam. 

Sobre a Numen:     
Com presença no Brasil, Europa e América do Norte, a Numen é uma consultoria especializada em SAP e parceira estratégica de grandes players globais como AWS, Salesforce, Celonis e Esker. Em 2025, foi premiada como Melhor Parceiro SAP do Ano. Reconhecida por sua abordagem inovadora e foco consistente em resultados, a Numen apoia empresas na transformação digital e na geração de valor sustentável. Para mais informações, visite: https://numenit.com/     



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Cinthia Guimarães


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Meritocracia: ainda faz sentido no mercado atual?

 


Por Thiago Gaudencio

Quem define que alguém "merece" uma promoção, um aumento salarial ou uma nova oportunidade? Qual a forma mais “justa” de reconhecer e justificar um bom desempenho? Poucos conceitos provocam tanto debate no ambiente corporativo quanto a meritocracia – considerada, para alguns, um modelo ultrapassado e incapaz de considerar as diferentes realidades e oportunidades existentes dentro das organizações; e, por outros, o principal instrumento para reconhecer talentos, estimular resultados e promover o desenvolvimento profissional. Entre esses extremos, talvez a discussão esteja sendo conduzida pelo caminho errado: afinal, o problema está na meritocracia em si, ou na forma como ela vem sendo aplicada? 

Embora sejam tratados como sinônimos por muitas pessoas, o merecimento e a meritocracia não devem ser confundidos. O primeiro está mais ligado à interpretação de quem avalia, enquanto o segundo precisa estar fundamentado em critérios objetivos, previamente definidos e conhecidos por todos. São os objetivos e expectativas que as empresas deixam claro a seus profissionais, através de uma comunicação constante e clara do que é esperado de cada um, sem que haja margem para subjetivismo. 

Toda organização saudável precisa encontrar uma forma de reconhecer esse desempenho, de forma que deixe de ser uma percepção individual e passe a refletir conquistas concretas. O que precisa evoluir não é o termo em si, mas a forma como é aplicado, expandindo os critérios de medição para além de resultados entregues a curto prazo e, sobretudo, prezando pela construção de um ambiente que sustente essas conquistas à longo prazo, através do desenvolvimento contínuo dos liderados. Do contrário, perde-se engajamento, confiança e credibilidade entre as partes. 

Dados da Gallup reforçam esse cuidado: apenas 20% dos profissionais no mundo se declaram verdadeiramente engajados. Vivemos um cenário delicado, em que as organizações que comunicam objetivos, critérios de avaliação e expectativas de forma transparente, ganham ainda mais relevância e eficácia para tomar decisões assertivas sobre reconhecimento, crescimento profissional e desenvolvimento de carreira.  

Naturalmente, nenhuma empresa conseguirá construir um modelo de reconhecimento que agrade a todos, e nem deve ser esse o foco. A ideia é definir e transmitir, de forma objetiva, quais comportamentos e resultados esperam e desejam incentivar, transformando esses princípios em critérios claros de avaliação. Há, por exemplo, aquelas que valorizam mais a capacidade de inovação; enquanto outras priorizam a colaboração, desenvolvimento de pessoas, excelência técnica, geração de negócios ou superação de metas. 

O importante não é que todas utilizem a mesma régua, mas que essa seja coerente com sua cultura, aplicada de maneira consistente e amplamente comunicada. Quando os profissionais compreendem quais atitudes, entregas e posturas são efetivamente valorizadas, a percepção de justiça na meritocracia deixa de depender das preferências individuais e passa a estar ancorada nas regras que a própria organização estabeleceu e compartilhou previamente. 

Isso não significa que a organização deva abrir mão de ambientes colaborativos, nos quais as pessoas participam das decisões, contribuem com ideias e tenham espaço para influenciar a evolução da empresa. Pelo contrário: esse engajamento fortalece a cultura e aumenta o senso de pertencimento. No entanto, quando o assunto é definir quais comportamentos e resultados serão reconhecidos, a responsabilidade precisa partir da própria organização, imprimindo uma direção clara, traduzindo a estratégia e os valores da empresa. 

Da mesma forma, uma cultura organizacional sólida não pode premiar exclusivamente resultados individuais. O desempenho de uma empresa depende, cada vez mais, da capacidade de diferentes áreas trabalharem em conjunto para resolver problemas complexos e gerar valor de forma integrada – o que torna ainda mais importante criar projetos multidisciplinares, cujos resultados precisem da colaboração entre equipes.  

Com isso, a equidade deixa de ser um contraponto à meritocracia e passa a ser uma condição para que ela funcione, assegurando que todos tenham acesso às mesmas oportunidades, conheçam claramente as regras do jogo e entendam quais comportamentos, níveis de engajamento, indicadores de performance e resultados a organização espera de cada um. 

No fim, a discussão não deveria ser se a meritocracia ainda faz sentido, mas como torná-la mais eficiente e consistente, através da combinação entre critérios transparentes, oportunidades bem definidas e reconhecimento baseado em conquistas, e não em percepções. Se não, seria o mesmo que disputar uma corrida sem saber onde está a linha de chegada, ou fazer uma prova sem conhecer os critérios que serão levados em consideração. Desigual, não é mesmo? 

Thiago Gaudencio é headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.      

       

Sobre a Wide:      

https://wide.works/      
Com mais de 30 anos somados de recrutamento especializado e mais de 20 mil entrevistas realizadas, o propósito da Wide, empresa de recrutamento e seleção de alta gerência, é construir legados, seja o das empresas contratantes, o dos candidatos e o seu próprio. 



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Nathália Bellintani


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O risco de transformar a eleição brasileira em palco da direita internacional

 


Sem projeto, Flávio recorre ao espetáculo

Pedro do Coutto

O lançamento oficial da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência deveria representar a afirmação de um projeto político nacional. O que se viu, porém, foi uma cerimônia marcada menos pela apresentação de uma agenda própria e mais pela tentativa de reafirmar a continuidade do bolsonarismo, pela presença simbólica de Jair Bolsonaro e pela intervenção de um presidente estrangeiro no debate eleitoral brasileiro. Em vez de projetar autonomia, o evento expôs a dependência de uma candidatura que ainda parece procurar sua própria identidade.

Flávio atacou o PT, criticou o governo Lula e prometeu chegar ao Palácio do Planalto acompanhado do pai, a quem atribui papel central em uma eventual vitória. A promessa tem força emocional para a base bolsonarista, mas também revela um paradoxo: uma candidatura que pretende representar o futuro continua organizada em torno da figura de um ex-presidente condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. O passado, nesse caso, não aparece apenas como herança eleitoral. É o eixo da narrativa.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – A própria convenção deixou isso evidente. Impedido de participar presencialmente, Jair Bolsonaro esteve presente por meio de uma mensagem produzida com inteligência artificial. A tecnologia permitiu reproduzir a presença política de um líder ausente, mas também criou uma imagem carregada de simbolismo: o candidato que busca representar a continuidade de um projeto precisou recorrer a uma versão virtual do próprio pai para ocupar o espaço que, em outras circunstâncias, seria naturalmente dele. A mensagem reforça a força do sobrenome, mas evidencia também a dificuldade de Flávio em se apresentar como liderança plenamente autônoma.

O elemento mais controverso, contudo, foi Javier Milei. A presença do presidente argentino transformou o lançamento em algo maior do que uma convenção partidária brasileira. Milei subiu ao palco, atacou Lula e o ministro Alexandre de Moraes e associou a candidatura de Flávio a uma suposta ofensiva continental contra o socialismo. A eleição brasileira passou, assim, a ser apresentada como parte de uma disputa ideológica latino-americana.

A estratégia tem lógica eleitoral. Flávio tenta transformar uma candidatura ainda marcada por dificuldades de articulação em um capítulo de uma onda conservadora internacional. Ao lado de Milei, busca transmitir a ideia de que não está isolado e de que existe uma corrente política regional capaz de enfrentar a esquerda. O problema é que essa associação pode funcionar para consolidar uma base já convencida, mas não necessariamente para ampliar o eleitorado.

PROJETO DEFINIDO – A eleição brasileira, afinal, não será decidida em Buenos Aires. Será disputada diante de uma sociedade que enfrenta problemas concretos, como segurança pública, custo de vida, emprego, saúde e educação. A presença de líderes estrangeiros pode produzir imagens fortes e alimentar as redes sociais, mas dificilmente substitui a necessidade de apresentar ao eleitor um projeto consistente para o país.

Há ainda uma questão institucional que não deveria ser minimizada. Um chefe de Estado estrangeiro participar ativamente do lançamento de uma candidatura presidencial no Brasil é algo incomum e politicamente sensível. Não se trata de afirmar que a presença de Milei constitua, por si só, uma interferência ilegal no processo eleitoral.

Mas sua participação introduziu uma dimensão externa em uma disputa que deveria, essencialmente, ser decidida pelos brasileiros. Ao atacar diretamente o presidente brasileiro e um ministro do Supremo Tribunal Federal durante um evento partidário, Milei deixou de ser apenas um convidado internacional e assumiu o papel de protagonista de uma disputa política doméstica.

REFERÊNCIA EXTERNA – O contraste é significativo. Enquanto Flávio procura se afirmar como alternativa para governar o Brasil, o palco do lançamento foi ocupado por referências externas: Milei, Jair Bolsonaro e até a inteligência artificial usada para recriar a presença do ex-presidente. A impressão que fica é a de uma candidatura que ainda precisa responder a uma pergunta fundamental: o que há de Flávio Bolsonaro além do sobrenome Bolsonaro?

Esse será um dos maiores desafios de sua campanha. O apoio de Milei pode oferecer entusiasmo à militância e reforçar a imagem de pertencimento a uma direita internacional. Mas uma eleição presidencial exige mais do que mobilizar os já convencidos. Exige conquistar eleitores que não votaram no candidato anterior, dialogar com setores moderados e apresentar uma agenda capaz de ultrapassar as fronteiras ideológicas de sua própria base.

Flávio precisa administrar três forças: a fidelidade ao pai, que continua sendo seu principal patrimônio eleitoral; a necessidade de conquistar uma direita menos confrontacional e mais capaz de formar alianças; e a pressão para integrar uma articulação internacional que tem em Milei um de seus principais símbolos. O equilíbrio entre essas dimensões será decisivo para saber se sua candidatura conseguirá crescer ou permanecer restrita ao núcleo mais fiel do bolsonarismo.

MAIS DO MESMO– Por isso, o lançamento merece ser observado menos pelo espetáculo e mais pelo que revela. Ao colocar Milei no centro da cerimônia, apresentar Jair Bolsonaro por meio da inteligência artificial e fazer da crítica a Lula e Alexandre de Moraes um dos principais eixos do discurso, a candidatura parece ter escolhido reafirmar suas trincheiras antes de demonstrar capacidade de ampliar seu território político.

Milei pode ter ajudado Flávio a ocupar as manchetes e oferecido à campanha uma fotografia poderosa para sua base. Mas a mesma imagem que fortalece sua identidade ideológica também pode reforçar a percepção de dependência de referências externas e de uma política cada vez mais internacionalizada por líderes que não disputarão a Presidência do Brasil.

ARTIFÍCIO –  A presença de Milei produziu um efeito ambíguo. Para os que já estão com Flávio, foi um gesto de força e solidariedade política. Para os que estão fora desse campo, pode ter parecido justamente o contrário: a demonstração de que uma candidatura que pretende governar o Brasil ainda precisa recorrer a um presidente estrangeiro para ampliar sua estatura.

A eleição, entretanto, será brasileira. E o desafio de Flávio Bolsonaro será provar que consegue ser mais do que o herdeiro político de Jair Bolsonaro e mais do que o aliado brasileiro de Javier Milei. Precisará convencer o eleitor de que existe, em sua candidatura, um projeto próprio de país. Até aqui, o lançamento ofereceu muitas referências ao passado e ao exterior. O que ainda falta apresentar, com clareza, é o futuro que pretende construir para o Brasil.

Buscas por carros blindados 0KM crescem 16% na Bahia no primeiro semestre de 2026, aponta Webmotors; confira os mais buscados

 

Webmotors

Buscas por carros blindados 0KM crescem 16% na Bahia no primeiro semestre de 2026, aponta Webmotors; confira os mais buscados

Levantamento do Webmotors Autoinsights considera as visitas por veículos blindados novos anunciados na plataforma entre janeiro e junho deste ano

São Paulo, julho de 2026 – Novo levantamento da Webmotors aponta o crescimento do interesse por carros blindados 0KM nos últimos seis meses na Bahia. O estudo, realizado pelo Webmotors Autoinsights, ferramenta que fornece dados e informações sobre o mercado automotivo brasileiro, mostra um salto de 16% nas visitas por veículos blindados novos entre janeiro e junho de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior. 

A pesquisa traz ainda os 10 modelos novos mais procurados dessa categoria: a Toyota Hilux SW4 lidera o ranking, com 16,24% de participação entre os 10 mais buscados no período. Na sequência, aparecem Toyota Corolla (12,37%), Mercedes-Benz AMG GT 63 (11,46%), Jeep Commander (11,03%), Land Rover Defender (8,77%), Volkswagen Nivus (8,41%), Volkswagen Tiguan (8,38%), Porsche Cayenne (8,31%), Ford Ranger (7,86%) e Volkswagen Jetta (7,17%).

WEBMOTORS OFERECE NOVO SERVIÇO DE BLINDAGEM

A Webmotors anunciou em abril o lançamento de um concierge especializado em blindagem, que orienta o consumidor gratuitamente em todas as etapas de um processo ainda considerado complexo. O suporte contempla desde a personalização da blindagem para o novo ou seminovo, passa pelo direcionamento a parceiros homologados que são referências em blindagem, até o acompanhamento do processo de implementação, com fotos detalhadas de todas as etapas, acompanhamento próximo por especialistas e auxílio na regularização da documentação. O serviço está disponível na área de Serviçoauto do aplicativo Webmotors.

Confira os rankings dos 10 carros blindados novos mais buscados na plataforma pelos usuários baianos no primeiro semestre de 2026:

Sobre a Webmotors

A Webmotors (www.webmotors.com.br) foi a primeira marca brasileira a inovar na forma de comprar e vender carros e é o principal ecossistema automotivo, que engloba desde a compra, venda e uso do veículo, oferecendo soluções completas para o segmento no Brasil. Fundada em 1995, Webmotors foi pioneira na inovação do marketplace online automotivo e continua a definir o padrão para compra, venda e pesquisa online automotiva.

Em 2002, o Grupo Santander Brasil se juntou à Webmotors como seu principal parceiro e, em abril de 2013, a empresa deu boas-vindas à carsales.com Ltd., que adquiriu uma participação de 30%. Desde então, a empresa de tecnologia australiana contribuiu para a aceleração do crescimento da Webmotors e, em março de 2023, a carsales.com Ltd. aumentou sua participação acionária na Webmotors para 70%. O Santander mantém os outros 30%, além da exclusividade comercial, sendo o parceiro de crédito, seguros e soluções financeiras para transações feitas por meio da plataforma da Webmotors.

Informações para a imprensa

RPMA Comunicação

www.rpmacomunicacao.com.br

Jaqueline Nunes - jaqueline.nunes@rpmacomunicacao.com.br

(11) 94119-9351

Relações com a imprensa – Webmotors

www.webmotors.com.br/

Vinícius Fernandes Chaves – vinicius.chaves@webmotors.com.br

Relações com a imprensa – Santander Brasil

www.santander.com.br

Luciana Silva – luciana.silva@prservicos.com.br

 




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Samara Castro
samara.castro@rpmacomunicacao.com.br
(11) 5501-4655

Inteligência artificial está transformando a aplicação de defensivos no Brasil

 



AgrochemShow

Inteligência artificial está transformando a aplicação de defensivos no Brasil

Tecnologia será tema de palestra durante o mais importante evento de agroquímicos das Américas, nos próximos dias 3 e 4 de agosto na capital paulista

A inteligência artificial já está presente em diferentes etapas da produção agropecuária brasileira, auxiliando no monitoramento de lavouras, na identificação de pragas e doenças, na previsão climática, na manutenção de máquinas e no direcionamento da aplicação de insumos. O avanço dessas tecnologias e seus impactos sobre a rotina de produtores, agrônomos e empresas serão discutidos durante o 17º Brasil AgrochemShow, que será realizado nos dias 3 e 4 de agosto de 2026, no Centro de Eventos São Luís, em São Paulo (SP).

A palestra “Inteligência Artificial na Agricultura” será apresentada pelo engenheiro agrícola e especialista no assunto, Guilherme Sanches. Apesar de ferramentas como ChatGPT, Claude e Gemini terem popularizado o tema, o uso da IA no agro não começou com os sistemas generativos. Áreas como visão computacional e aprendizado de máquina já estão incorporadas há algum tempo a equipamentos, plataformas digitais e softwares agrícolas.

Essas tecnologias permitem analisar imagens de satélites e drones, reconhecer plantas daninhas, identificar falhas nas operações, prever produtividade e cruzar dados climáticos, agronômicos e operacionais. “Grande parte dessas aplicações já está presente em máquinas e softwares, muitas vezes sem que o produtor perceba que existe IA por trás. Ela já ajuda na identificação de pragas e doenças, na previsão de riscos climáticos, na antecipação de problemas em máquinas e no direcionamento do uso de insumos”, afirma o palestrante.

Pulverização seletiva reduz desperdícios

Entre as aplicações mais consolidadas está a pulverização seletiva. Câmeras e algoritmos instalados nos equipamentos identificam plantas daninhas em tempo real e acionam os bicos pulverizadores somente nos pontos em que o produto é necessário. Segundo Sanches, há casos em que a tecnologia reduziu em mais de 50% o uso de herbicidas.

O aprendizado de máquina também pode cruzar velocidade do vento, temperatura, umidade e previsão de chuva para indicar condições mais adequadas à pulverização e reduzir riscos de perdas. Segundo ele, na área de defensivos agrícolas, a IA ainda pode auxiliar no reconhecimento dos alvos, na estimativa do nível de infestação, no ajuste automático das doses e na identificação de falhas durante a operação.

Nos bioinsumos, a aplicação da IA ocorre principalmente por meio da análise de dados. Como o desempenho desses produtos depende de fatores como solo, clima, estágio da cultura e histórico da área, modelos preditivos podem ajudar a identificar em quais condições cada solução apresenta melhores resultados.

Contudo, o desafio está na organização dessas informações. Muitas empresas ainda possuem dados dispersos em diferentes planilhas, relatórios e sistemas, dificultando análises mais consistentes. “A IA não resolve sozinha dados incompletos, planilhas espalhadas ou cadastros sem padronização. Ela amplifica o que já existe, para o bem e para o mal”, explica o especialista.

Tecnologia deve apoiar o conhecimento agronômico

A inteligência artificial generativa também começa a ser utilizada na elaboração de relatórios, organização de resultados de ensaios, comparação de dados de talhões e preparação de consultas técnicas. Atividades que antes exigiam horas ou dias de trabalho manual podem ser realizadas em menos tempo.

Ainda assim, os resultados precisam ser revisados e interpretados por profissionais com conhecimento técnico. “A IA substitui tarefas, não profissionais. Ela consegue tratar dados e ler um volume de informações que nenhuma pessoa conseguiria analisar no mesmo período. Mas interpretar o contexto da lavoura, assumir a responsabilidade técnica e tomar a decisão final continua sendo função do profissional”, ressalta.

Na avaliação de Sanches, a tecnologia pode permitir que agrônomos e consultores dediquem menos tempo à organização das informações e mais tempo à análise e à tomada de decisão. Um dos principais erros das empresas, entretanto, é iniciar a adoção da tecnologia sem definir claramente o problema que se pretende resolver. Sem objetivos relacionados à produtividade, redução de custos, eficiência ou qualidade das aplicações, a ferramenta pode se transformar apenas em uma despesa.

Outro obstáculo é a falta de capacitação. Disponibilizar acesso a uma plataforma de IA não significa que a equipe conseguirá utilizá-la estrategicamente. “Dar acesso ao ChatGPT para a equipe não é implementar IA. Sem compreender os conceitos e sem prática, a pessoa utiliza a ferramenta apenas como uma versão mais sofisticada de um mecanismo de busca”, afirma.

Acesso não está restrito às grandes propriedades

Pequenos e médios produtores também podem utilizar todos esses recursos, já que muitas dessas soluções já estão presentes em aplicativos de previsão climática, plataformas de gestão, imagens de satélite e equipamentos agrícolas.

Também é possível começar com ferramentas de IA generativa para organizar informações, analisar documentos e apoiar a elaboração de relatórios, sem a necessidade de investir imediatamente em drones, robôs ou máquinas de alto custo. Para Sanches, o investimento mais importante é a capacitação. “Um problema bem definido, dados minimamente organizados e pessoas preparadas podem gerar mais resultados do que a aquisição de tecnologias sem planejamento”, afirma.

Nos próximos anos, a tendência é que a IA embarcada em máquinas avance ainda mais, principalmente na pulverização seletiva, no reconhecimento de plantas, na manutenção preditiva e na automação das operações.

Também devem ganhar espaço sistemas especializados no agro, treinados com conhecimento técnico e conectados a dados climáticos, sensores, imagens de satélite e plataformas de gestão. “A tecnologia vai chegar de qualquer maneira. Quem dominar os conceitos antes e souber utilizar essas ferramentas terá mais condições de transformar informação em resultado”, conclui Sanches.

Serviço

17º Brasil AgrochemShow
Data: 3 e 4 de agosto de 2026
Local: Centro de Eventos São Luís
Endereço: Rua Luís Coelho, 323, São Paulo (SP)
Mais informações: www.agrochemshow.com.br
WhatsApp: +55 11 99330-4717



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domingo, 26 de julho de 2026

O presidente que governa por décadas

 


 

 

Claudio Apolinario

 

                No Brasil, quem vence a eleição presidencial não governa apenas por quatro anos.

Existe uma conta que raramente aparece no debate eleitoral. E é a mais importante de todas.

Está nas atribuições do presidente da República Federativa do Brasil indicar os ministros da Suprema Corte do País. As vagas se abrem pelas aposentadorias de cada magistrado — quando os ocupantes completam 75 anos, idade limite estabelecida pela Constituição.

O presidente que tomará posse em 2027, por exemplo, poderá indicar até quatro dos onze membros da corte mais poderosa do país — 3 vagas que se abrem pelas aposentadorias compulsórias previstas para 2028, 2029 e 2030 — somada a uma vaga já aberta antes da posse.

Quatro em onze. Mais de um terço do Supremo Tribunal Federal.

Mas o número que realmente importa não é esse. É o tempo que esses ministros ficam no cargo depois de indicados, somado à visão de mundo que o ministro indicado carrega para dentro da corte.

Um ministro indicado aos 55 anos permanece na corte por 20 anos. Um indicado aos 50 anos permanece por 25. O ministro empossado mais recentemente tem previsão de permanência até 2050. Isso significa que as escolhas feitas pelo próximo presidente vão moldar as decisões do Supremo até meados do século — décadas depois que esse presidente tiver deixado o cargo.

Na prática, o próximo presidente governa o Brasil por 20 anos. Especialmente num momento em que decisões judiciais têm definido o que pode ser dito, publicado e investigado no país.

Uma das formas mais questionadas de exercício desse poder são as chamadas decisões monocráticas — quando um único ministro, sozinho, sem votação dos demais, define algo que afeta todo o país. Não é um colegiado decidindo. É uma pessoa. Sem eleição, sem mandato fixo, sem aprovação popular. Uma pesquisa da Genial/Quaest mostrou que 66% dos brasileiros querem limites para esse tipo de decisão.

A insatisfação existe. O mecanismo para mudá-la também.

E aqui está o ponto que o debate eleitoral quase nunca toca: nenhum ser humano consegue separar completamente seus valores pessoais de suas decisões. Isso não é crítica — é natureza humana. Um presidente indica para o Supremo pessoas que compartilham sua visão de mundo, sua forma de entender o que a lei permite e o que o governo pode fazer. Não existe indicação neutra. Nunca existiu.

A história confirma esse padrão. Cada composição do Supremo reflete os governos que a construíram. Os valores de quem indica ficam na corte muito depois do mandato acabar.

Uma pesquisa Atlas realizada em março de 2026 mostrou que 60% dos brasileiros não confiam no STF — o maior índice de desconfiança desde que a série histórica começou a ser medida. O Brasil está insatisfeito com a corte que tem. E o próximo presidente vai moldá-la por décadas.

O voto para presidente não é apenas uma escolha sobre os próximos quatro anos de governo. É uma escolha sobre quem vai decidir questões fundamentais para o Brasil até 2045, 2050 e além. Liberdade de expressão. Propriedade. Limites do poder do Estado. Direitos individuais. Essas questões passam pelo Supremo — e o Supremo é composto por pessoas com visões de mundo definidas.

O eleitor informado vota com essa consciência — seu voto vai além do presidente. Decide também quem vai interpretar a Constituição pelas próximas décadas.

A pergunta que cada um deveria fazer antes das eleições não é apenas "quem vai gerir melhor a economia nos próximos quatro anos?" É também: "quais valores esse candidato vai instalar na Suprema Corte do nosso país para as próximas duas décadas?"

São perguntas diferentes. Com respostas que moldam gerações.

Quem entende esse mecanismo para de apenas criticar a Corte. Porque a Corte que temos é o resultado dos votos que demos para presidente. E a corte que teremos nas próximas décadas depende do voto que daremos.

Criticar sem votar com consciência é reclamar da chuva molhando a sala sem fechar a janela. A mudança está nas mãos de quem vota — não de quem apenas observa.

*             O autor, Claudio Apolinario, é articulista e analista político.

Essa “coisa” que se impôs ao Brasil

 


 

 

Percival Puggina

         Durante os governos militares, anos 60 e 70, surgiram no Brasil algumas dezenas de organizações revolucionárias de base marxista. Mataram, feriram, assaltaram, sequestraram. Por rejeitarem tanto o autoritarismo quanto a democracia e a liberdade, atrasaram a redemocratização. Os adjetivos por trás das siglas com que se tornaram conhecidas diziam o que queriam. Eram revolucionárias, comunistas, maoístas, leninistas, trotskistas, armadas, vermelhas. Como tais se apresentavam. Procure no Google e peça uma lista tão completa quanto possível (porque a primeira resposta traz apenas meia dúzia) e verá que nenhuma fala em democracia ou em liberdade. Algumas traziam o L significando que eram "libertadoras", mas sua libertação se referia ao regime instalado e tinha fins totalitários que os adjetivos das demais letrinhas esclareciam bem.

Quando caiu o Muro de Berlim e o Leste Europeu retornou à democracia, Lula e Fidel criaram o Foro de São Paulo. Olhe a lista das quatro dezenas de organizações que o constituíram. Em todas, os adjetivos reproduzem os mesmos objetivos. Muitas ingressariam no processo político e chegariam ao poder, em cujo exercício cuidaram de instituir regimes que protegessem o Estado e inibissem as liberdades inerentes aos cidadãos. Criaram ditaduras, fraudaram eleições, silenciaram a divergência e perseguiram quem se lhes opusesse.

Faço este preâmbulo para afirmar que hoje, quando a “coisa” manda com uso abusivo e ostentatório de poder, esses presos políticos, esses exilados, essas vítimas de assédio estatal, essas confissões exigidas para libertar prisioneiros culpados de ter lado político e participar do protesto do 8 de janeiro, são vítimas de velha cultura política, antagônica à democracia e às liberdades.

Quando essa nova classe chegou ao poder, eu já escrevia há mais de 15 anos para os dois maiores jornais da Capital e para quase todos os periódicos do Rio Grande do Sul, situação que se prolongou por mais uma década e meia. O período todo coincide com a vigência da nova Constituição e nunca, em trinta anos, sofri qualquer restrição à liberdade de expressão. Agora, a “coisa” tem fãs do regime chinês e isso exige cautela.

Quando ainda não havia rede social, e desde que o PT chegou ao poder em 2003, o governo e seu partido se empenharam, isto sim, no que ficou conhecido como “controle social da mídia”. Tentaram impor ao Congresso a criação de um Conselho Federal de Jornalismo para “orientar, disciplinar e fiscalizar” o exercício da profissão. O sonho dourado do arbítrio para controlar a imprensa, porém, era o fabuloso “Marco Regulatório das Comunicações”. Esses ensaios rumo às arbitrariedades caíram no esquecimento quando chegaram as redes sociais e o velho jornalismo deixou de lado o ideal libertário para se alinhar com o governo contra os adversários comuns. Há mais de dez anos, tempo suficiente para que essa longa história seja esquecida, as redes são o alvo preferido ... de ambos.

Quem queria controlar a mídia, agora quer controlar as redes sociais com apoio da mídia. O que pode a sociedade quando o parlamento é submisso, dá o exemplo com o próprio temor e a desejada blindagem é objeto de escambo nos altares do poder?

Desprotegida do próprio parlamento, a sociedade foi e permanece intimidada. Há verdades que a “coisa” considera intoleráveis e às quais reage de modo truculento alegando motivos impróprios. Essa “coisa” em que vivemos vem daí e democracia não é. Contra ela votarei em outubro!  Oh, céus!

Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

 

sábado, 25 de julho de 2026

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Do Banco Rural ao Banco Master e de Barbosa a Mendonça

 


 

 

Percival Puggina

              Diante dos bilhões que as instituições da República passariam a disponibilizar a seus protegidos nos anos seguintes, os números do mensalão (Ação Penal 470) parecem contabilidade de quermesse escolar. Naquele caso, para garantir maioria ao primeiro governo Lula, R$ 104 milhões de reais saídos da publicidade oficial haviam sido fracionados, ao longo de dois anos, como mesadas para parlamentares, à base de R$ 30 mil por cabeça... Banqueiros, publicitários, lideranças políticas e congressistas da envergadura de José Dirceu, José Genoino, Roberto Jefferson, Valdemar Costa Neto, Pedro Correa, João Paulo Cunha (ex-presidente da Câmara dos Deputados), após 53 sessões de julgamento, foram para trás das grades. Por poucas semanas, é verdade, mas foram. O Banco Rural, que operava o esquema, teve dirigentes também presos e foi liquidado pelo Banco Central.

A ideia, porém, nunca foi essa. E continua não sendo essa. As coisas no Brasil não funcionam assim, como se sabe. Por isso, o 27 de fevereiro de 2014 foi o pior dia de Joaquim Barbosa como ministro do STF e como relator da AP 470. Naquela sessão plenária, embargos infringentes apresentados pelos advogados dos réus obtiveram apoio da maioria formada com o ingresso dos novos ministros Teori Zavascki (2012) e Roberto Barroso (2013). Foram excluídas as condenações pelo crime de formação de quadrilha, reduzidas as penas e afastado o cumprimento em regime fechado...

No final daquela sessão, o relator profetizou:

“Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que esse é apenas o primeiro passo. É uma maioria de circunstância que tem todo o tempo a seu favor para continuar sua sanha reformadora". Depois, acrescentou: "Essa é uma tarde triste para este Supremo Tribunal Federal. Com argumentos pífios, foi reformada, foi jogada por terra, extirpada do mundo jurídico uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada, que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012”.

A esquerda adota uma política de "cancelamento" da divergência em todo o Ocidente, numa extensão que vai do Parlamento Europeu até as salas de aula aí onde você vive. Essa prática recebe, internacionalmente, o nome de "cordão sanitário". Isolado pelos colegas, três meses depois, Barbosa deixou o Supremo.

Nos dias que correm, o ministro Mendonça já vive isolamento semelhante. Nunes Marques, no TSE, vai pelo mesmo caminho. Os desconfortos se agravarão caso a eleição dos novos senadores no pleito de outubro não conceda sólida maioria à atual oposição. O futuro Senado deve promover uma reforma institucional, colocar cada poder no seu quadrado, restaurar o Estado de Direito e restituir aos brasileiros a liberdade que lhes tomam as canetadas brasilienses.

Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

Deem uma chance a nossas crianças

 




Nossa educação há muito foi capturada por um ecossistema sindical, político e acadêmico cuja obsessão é manter intocado o monopólio estatal sobre a educação pública. Fernando Schüler para o Estadão:


Semanas atrás, escrevi aqui sobre o sucesso da parceria da Prefeitura de São Paulo com o Liceu Sagrado Coração de Jesus, no centro de São Paulo. A escola é confessional, católica, os alunos são bem atendidos, há disciplina, os professores não faltam e os resultados são bons. A escola é 100% privada, sem fins lucrativos, e sua função 100% pública. Um clássico ganha-ganha.

A prefeitura lançou agora um chamamento público para ampliar o modelo para mais três escolas. Uma em Parelheiros, outra no Jardim Bandeirantes e ainda outra no Jaraguá. É exatamente assim que se faz política pública. O modelo é testado, em menor escala. E vai avançando, se os resultados forem positivos.

De minha parte, vejo algo incrível aí: a chance única de permitir que crianças de famílias pobres possam estudar em escolas similares àquelas frequentadas por seus pares de classe média e maior renda. É isto que temos que fazer, se quisermos de verdade combater as desigualdades, no Brasil.

Dias atrás, escutava uma entrevista do professor Ricardo Paes de Barros sobre nossa educação. Ele foi direto ao ponto: nós planejamos, avaliamos, aumentamos os recursos da educação, mas os resultados são “desastrosos”. E não sabemos bem o porquê. Paes de Barros e Laura Muller realizaram uma importante pesquisa mostrando que, no conjunto analisado, as escolas de tempo integral, vistas por muitos como uma espécie de “bala de prata” da educação brasileira, perderam desempenho entre 2019 e 2023. O Ideb médio dessas escolas caiu de 4,51 para 4,44, enquanto o das demais apresentou pequeno avanço. A conclusão mais prudente é a de estagnação. É um quadro semelhante ao revelado pelo Pisa. Considerando a média aritmética das três áreas avaliadas, o Brasil passou de aproximadamente 401 pontos em 2009 para 397 em 2022. Em matemática, a nota caiu de 386 para 379.

O problema começa quando se tenta entender o porquê disso. Em regra, agimos de um modo algo estranho. Admitimos as mais diversas hipóteses, menos uma. Nos recusamos a considerar que possa haver um problema estrutural com o sistema estatal. Rejeitamos uma pergunta bastante simples: não estaríamos basicamente fazendo a mesma coisa e esperando resultados diferentes? Faz sentido dobrar sempre a aposta e colocar mais dinheiro em um sistema que não funciona? E não porque há um problema com os professores, com os diretores, com o currículo ou o que seja. Não funciona porque insistimos em ignorar a lógica mais elementar dos incentivos.

Em primeiro lugar, não há competição. Uma escola privada capricha na gestão por uma razão simples: porque do contrário os alunos vão embora. A segunda questão trata do que os americanos chamam de “accountability”. O fato elementar de que raramente alguém é responsabilizado se os resultados não aparecerem. Os professores podem faltar 15% dos dias letivos que “não dá nada”.

Se os alunos não aprendem ou os pais estão insatisfeitos, a escola não perde nada com isso. Isso vale para diretores, secretários ou governadores, visto que a retórica política é sempre capaz de explicar qualquer coisa. Há centenas de institutos, fundações e “especialistas” dando sugestões sobre como melhorar o sistema. Mas se ele não melhora, depois de 20 ou 30 anos, ninguém perde uma só noite de sono por causa disso.

A verdade é que nossa educação há muito foi capturada por um ecossistema sindical, político e acadêmico cuja obsessão é manter intocado o monopólio estatal sobre a educação pública. O resto, sendo bem direto, importa muito pouco.

É o que vemos agora, a partir da iniciativa da prefeitura de São Paulo. Bastou abrir o modelo e permitir que os estudantes possam estudar em boas escolas de gestão privada, com mais diversidade e resultados significativamente melhores, que o ecossistema do monopólio estatal se põe em movimento.

O PSOL, espécie de porta-voz do grupo, entrou com uma ação na Justiça que simplesmente pode inviabilizar todo o processo. A ação diz que o programa é “ilegal”. Não é. O art. 213 da Constituição é claríssimo ao dizer que os recursos públicos serão aplicados às escolas públicas, “podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais e filantrópicas”.

Nossa educação básica é um sistema misto – estatal e não estatal. Esse é o espírito da Constituição, bem desenhado no processo constituinte. Não fosse assim, por que teríamos uma lei, aprovada pelo Congresso, à época da ex-Presidente Dilma, o chamado “Marco Regulatório da Sociedade Civil”, autorizando as parcerias com o setor privado sem fins lucrativos? Exatamente a legislação que a Prefeitura de São Paulo utiliza agora para levar adiante estas parcerias.

O fato é que nossas crianças de menor renda merecem esta oportunidade. A mesma que seus pares de maior renda. Elas não têm lobby, em lugar nenhum, diferentemente da incrível rede corporativa que orbita no entorno do sistema estatal.

O que deveríamos estar discutindo é como fazer com que as parcerias ofereçam o melhor resultado. Na experiência americana com as charter schools, que são modelos de parceria, há dois dados fundamentais, revelados pelo National Charter School Study, feito em Stanford: o modelo como um todo oferece resultados melhores do que o das escolas públicas tradicionais, e há um ganho ainda mais robusto quando as parcerias são feitas com redes de ensino de maior porte, com experiência e capacidade de investir em qualidade.

É sobre isto que deveríamos estar discutindo. Olhando para frente, e não para trás. Rompendo com a prisão ideológica em que nos encontramos, e cuja conta é paga por mais de 80% dos alunos brasileiros que dependem das redes públicas.

São Paulo está nos oferecendo uma rara oportunidade de avançar. Trata-se de um avanço voltado não aos filhos de juízes, promotores, políticos e pessoas com renda para matricular os filhos em boas escolas, mas às crianças de Parelheiros e do Jaraguá. E por nada deveríamos retirar delas esta oportunidade.

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