MEDIÇÃO DE TERRA

MEDIÇÃO DE TERRA
MEDIÇÃO DE TERRAS

domingo, 7 de junho de 2026

 Pode ser uma imagem de texto que diz "@rioverdegoies Mroverdegolas riovere egoias ADIDAS, NIKE E FILA SAEM DO BRASIL E TRANSFEREM PRODUÇÃO PARA o PARAGUAI APROVEITANDO MENOS IMPOSTOS MANANCIAL AMPARO RH SOLUT ECONDICIONADO"

A conta que sempre chega

 


 

Alex Pipkin, PhD

         Recentemente, ao comentar o declínio intelectual promovido por décadas de hegemonia "progressista" nas universidades, recebi uma observação que me levou a uma conclusão talvez mais importante do que a crítica original. O verdadeiro problema não é a existência de determinadas ideias, mas a institucionalização de ideias imunes à lógica da ralidade.

Toda geração produz suas utopias. O problema começa quando elas deixam de ser hipóteses e passam a ser tratadas como verdades sagradas. Nesse instante, os fatos deixam de ser um teste da teoria, e essa teoria passa a julgar os fatos.

Foi exatamente esse erro que acompanhou tantas experiências coletivistas ao longo da história. Não faltaram boas intenções. Faltou realidade.

O mundo não é como gostaríamos que fosse. O mundo é como é.

O ser humano não é uma peça de laboratório esperando ser moldada por burocratas, intelectuais ou engenheiros sociais. Ele possui interesses, ambições, medos, virtudes e defeitos. Coopera, mas também compete. É capaz de solidariedade, mas responde a incentivos. Ignorar essa realidade não transforma a natureza humana, apenas converte a teoria em ficção.

Existe uma característica particularmente resistente nas utopias; elas nunca admitem fracasso. Quando produzem pobreza, a culpa é dos governantes. Quando produzem escassez, a culpa é das circunstâncias. Quando produzem miséria, a culpa é de sabotagens externas. A teoria permanece sempre "inocente".

Vejam Cuba, por exemplo. Décadas de estagnação, escassez e fuga de cidadãos. Ainda assim, para muitos, o problema não está no modelo. A explicação é sempre a mesma; foi mal aplicado.

Mas quantas vezes uma ideia pode fracassar antes que se considere a possibilidade de que o problema esteja na própria ideia? A realidade não exige perfeição, mas resultados.

A grande tragédia das utopias não é produzir fracassos. É convencer sucessivas gerações de que, desta vez, a realidade finalmente se curvará à teoria.

Nunca se curvou. Nunca se curvará.

Alguns amigos que visitaram o antigo Leste Europeu, caminharam pelas ruas de Cuba, conversaram com pessoas que escaparam da Coreia do Norte ou testemunharam os contrastes da China moderna relatam a mesma sensação. Em determinado momento, a névoa desaparece. As teorias ficam para trás, restando apenas os fatos.

É assim. A realidade não vota, não milita, não assina manifestos e não participa de debates ideológicos.

Quem tem os pés no chão sabe que, mais cedo ou mais tarde, a realidade sempre apresenta a conta.

A ideologia do medo

 


 

Percival Puggina

         Há poucos dias, numa entrevista, indagado sobre o encerramento do inquérito dito “do fim do mundo” ou das “fake news”, o ministro Gilmar Mendes afirmou que esse inquérito “vai acabar quando terminar”. Salientou que a investigação segue necessária e “não deve ser encerrada antes do período eleitoral”, pois “o STF tem sido vilipendiado”.

A propósito, há que sublinhar, mais uma vez, que os membros de um poder não são a instituição a que pertencem. As pessoas dos ministros não são o Supremo, como as pessoas dos senadores não são o Senado. Não surpreende que tantos cidadãos não façam essa distinção se os próprios ministros, reiteradamente, incorrem no mesmo erro. E há que reconhecer, também, os dois fatores que dão causa às reações da sociedade. Refiro-me aos excessos que, para salvar a democracia, a tornaram irreconhecível e o silêncio que envolve seriíssimas ocorrências nas entranhas do poder.     

Esquece-se, o ministro, de que o inquérito em questão é um concentrado de anomalias: foi instaurado de ofício; viola o sistema acusatório; desrespeita o juiz natural (o relator foi designado e não sorteado); seu objeto é indeterminado e tem servido para uma devassa genérica; não há como incluir a quase totalidade dos investigados num foro (o do STF) cuja natureza é especial por prerrogativa de função.

O leitor destas linhas, que não é bobo, deve ter percebido uma falácia lógica (um non sequitur) na afirmação reproduzida no primeiro parágrafo. O que têm a ver o encerramento de um inquérito e o período eleitoral com o fato de estar, o Supremo, sendo vilipendiado? Nada! A menos que a intenção seja usar o inquérito como instrumento no período eleitoral. Toda essa história é uma narrativa de tragédias pessoais, de pressões psicológicas, de críticas amordaçadas, de interdições, de mandados de busca e apreensão que, recolhendo telefones e computadores, equivalem, em tempos modernos, a mutilação dos investigados. O produto eficaz desse instrumento é a difusão do medo para obter, dos cidadãos, um silêncio de cemitério.

De fato, a violência sofrida por uns intimida os demais. Os danos sofridos por uns estendem seus efeitos para além das vítimas diretas, afetando a população civil e produzindo submissão. Muitos cientistas políticos, sem hesitar, classificariam como terrorismo de Estado a relação entre o instrumento – inquérito – e a finalidade descrita.

Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

Fundação Bahia apresenta nova fase e reúne lideranças do agro na Bahia Farm Show

 




Encontro marcará a apresentação dos novos direcionamentos estratégicos da instituição e reunirá pesquisadores, parceiros e representantes do setor produtivo


Jarbas Bergamaschi, presidente da Fundação BA (Fotos Agência Marca Comunicação)

A partir desta segunda-feira (8), quando a Bahia Farm Show abre oficialmente sua edição comemorativa de 20 anos, um dos principais debates sobre o futuro da agricultura brasileira ganhará espaço dentro da feira. A Fundação Bahia preparou uma agenda estratégica que reunirá pesquisadores, empresas, consultores, produtores rurais e lideranças do setor para discutir inovação, pesquisa e os desafios que moldam o agro do MATOPIBA.


Reconhecida por sua atuação em pesquisa agrícola aplicada, a instituição transformará seu espaço na feira em um ambiente voltado à troca de ideias, fortalecimento de parcerias e construção de novas soluções para o campo. A programação marca também o início de uma nova fase da Fundação Bahia, sob a presidência do produtor rural Jarbas Bergamaschi, que assumiu a entidade em janeiro de 2026 ao lado de uma nova diretoria.


A agenda começa na terça-feira (9), às 8h, com o evento "Nova Era", que reunirá pesquisadores do Comitê Técnico Científico da Fundação Bahia (CTC), empresas parceiras, consultores, produtores e lideranças do agronegócio regional. O encontro será dedicado à apresentação dos novos direcionamentos estratégicos da Fundação Bahia e das prioridades que devem orientar a atuação da instituição nos próximos anos.


Além de apresentar sua visão para o futuro, a Fundação pretende reforçar o papel da pesquisa como ferramenta essencial para aumentar a competitividade da agricultura tropical, aproximando ainda mais o conhecimento científico das demandas do setor produtivo.


Ainda no dia 9, a instituição promove um encontro com seus sócios cotistas, em uma agenda interna voltada ao alinhamento institucional e ao fortalecimento das ações desenvolvidas pela entidade.

Campo Experimental da Fundação Bahia, em Luís Eduardo Magalhães/BA

Encontros estratégicos

Entre os dias 10 e 12 de junho, a programação segue com reuniões e encontros exclusivos com empresas e parceiros no estande da Fundação Bahia, localizado no prédio da Aiba, ampliando oportunidades de cooperação, desenvolvimento tecnológico e geração de soluções para o campo.


A movimentação ocorre em um momento em que o Oeste da Bahia e o MATOPIBA consolidam sua posição entre as regiões agrícolas mais importantes do país, impulsionando a demanda por inovação, sustentabilidade e ganhos de produtividade.


“Estamos iniciando uma nova fase da Fundação Bahia, com foco em modernização, fortalecimento da pesquisa e ampliação das conexões com o setor produtivo. A Bahia Farm Show é o ambiente ideal para apresentar essa visão e construir, junto aos nossos parceiros, os próximos passos da instituição”, afirma o presidente da Fundação Bahia, Jarbas Bergamaschi.


A Fundação Bahia convida os profissionais de imprensa para acompanhar o evento "Nova Era", que será realizado na terça-feira (9), às 8h, no auditório da instituição, dentro da Bahia Farm Show. O encontro reunirá diretores, pesquisadores, parceiros e lideranças do agronegócio regional, proporcionando uma oportunidade para conhecer de perto os projetos, prioridades e perspectivas que devem orientar a atuação da entidade nos próximos anos

 

SERVIÇO

Evento: Nova Era – Fundação Bahia

Data: 9 de junho de 2026 (terça-feira)

Horário: 8h

Local: Auditório da Fundação Bahia – Complexo Bahia Farm Show, Luís Eduardo Magalhães (BA)

Primor celebra maior Pé de Moleque do Mundo: tradição, cultura e sabor, em Caruaru


Primor celebra maior Pé de Moleque do Mundo: tradição, cultura e sabor, em Caruaru


O clima junino tomou conta da Praça das Rendeiras neste sábado (6) com a realização da 29ª edição do Maior Pé de Moleque do Mundo, que mais uma vez é patrocinado por Primor.


A margarina mais querida do Nordeste, reafirma seu compromisso com a valorização da cultura nordestina, gastronomia junina e de tradições que atravessam gerações.


A festa reúne moradores e visitantes em uma celebração marcada pela gastronomia, pela música e pela valorização das manifestações populares que ajudam a construir a identidade da Capital do Forró.


Este ano o Maior Pé de Moleque do mundo ganhou  um significado especial ao celebrar os 80 anos de Maria Eugênia da Silva, carinhosamente conhecida como Dona Maria do Bolo. Referência na gastronomia popular e na cultura junina de Caruaru, ela é a idealizadora da festa e mantém viva a tradição.


O evento é conhecido por transformar uma das receitas mais tradicionais do período em um verdadeiro símbolo de confraternização. São distribuídas milhares de fatias do gigante pé de moleque, com apresentações musicais, homenagens e momentos de integração entre artistas, comunicadores e representantes da cultura local.


A programação contou com apresentações dos cantores Derso Luiz e Reginaldo Azevedo, além de outras atrações culturais que animaram o público ao longo da noite. Foram mais de 2 toneladas, em 20 metros do tradicional bolo, que rendeu entre 8 e 10 mil fatias, distribuídas gratuitamente durante a festa.


A edição de 2026, também prestou homenagem a personalidades e instituições que contribuem para a cultura e a comunicação da cidade, entre elas a Câmara Setorial de Portais de Notícias e Blogs da Acic, os comunicadores Almir Vilanova e Moisés Rouche, o cantor Elifas Júnior, a artesã Tereza Gonzaga, a chefe do 1º Batalhão 27, Ângela Bacamarteira, e o poeta Jénerson Alves.


História e tradição


Natural de Santa Maria do Cambucá, Dona Maria chegou a Caruaru ainda na adolescência e construiu sua história na cidade. Em 1998, a partir de uma conversa em família, surgiu a ideia de criar o Maior Pé de Moleque do Mundo. O que começou como uma iniciativa para celebrar a cultura popular cresceu e se transformou em um dos eventos mais aguardados do São João caruaruense.


Ao longo de quase três décadas, a festa consolidou-se como um patrimônio afetivo da cidade, reunindo moradores e turistas em torno da partilha, da solidariedade e das tradições nordestinas. 


Mais do que um grande bolo, o Maior Pé de Moleque do Mundo representa a força da cultura popular e o espírito acolhedor que fazem do São João de Caruaru uma referência para todo o Brasil.


INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

LK COMUNICAÇÃO

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+55 2137-5250 / 2137-5251

Acionamento do plano emergencial do ONS expõe déficit na infraestrutura elétrica e reforça urgência de modernização setorial, diz ABSOLAR

 

Acionamento do plano emergencial do ONS expõe déficit na infraestrutura elétrica e reforça urgência de modernização setorial, diz ABSOLAR
 

 



 


Segundo a entidade, geração renovável avançou no Brasil, porém sem o necessário investimento em flexibilidade, armazenamento de energia e modernização tarifária, medidas que o setor cobra há anos
 

7 de Junho de 2026 – As medidas de operação emergencial estabelecidas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) neste domingo, 07/06, para gestão de excedentes junto às redes de distribuição de energia elétrica, evidenciam um gargalo estrutural de aprimoramentos setoriais, inserção das tecnologias de armazenamento e adaptação da infraestrutura elétrica do País, que não acompanhou a evolução do uso da fonte solar e das demais renováveis na última década.
  
Para a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), as medidas do ONS, embora necessárias, são sintomas de um problema estrutural mais profundo. A conjuntura deste domingo, com alta irradiação solar combinada à baixa demanda do feriado prolongado, não é uma anomalia: é um cenário previsível, recorrente em países que avançaram com sucesso na transição energética. A diferença é que esses países já se adaptaram a este novo normal, adotando instrumentos de flexibilidade e armazenamento de energia elétrica adequados. O governo brasileiro, por outro lado, ainda não entregou o que o setor elétrico reivindica há anos.
 
Segundo Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR, o acionamento do plano emergencial do ONS demonstra, de forma clara, que a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) chegou a um ponto de inflexão. “O sistema elétrico nacional cresceu em geração renovável solar, eólica, hídrica a fio d’água, biomassa e biogás, porém sem o correspondente investimento em mecanismos de flexibilidade, armazenamento de energia elétrica e controle de carga. O desequilíbrio não é resultado da expansão de apenas uma fonte, tecnologia ou modalidade de geração, mas da falta de política pública estrutural adequada para acompanhar essa natural expansão”, pontua.
 
Ao longo das últimas décadas, o Brasil construiu uma matriz elétrica robusta e segura, com participação crescente de fontes renováveis variáveis, incluindo solar, eólica, hídrica a fio d’água, biomassa e biogás. Atualmente, o País conta com mais de 70 gigawatts (GW) de capacidade instalada da fonte solar fotovoltaica em operação, somados a mais de 34 GW da fonte eólica.
 
Essa transição, na visão de Bárbara Rubim, presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, é uma conquista estratégica do Brasil e que merece destaque, pois contribuiu de forma decisiva para a diversificação do suprimento elétrico nacional e a redução dos riscos de apagão por falta de chuvas no País. “No entanto, transições de escala exigem planejamento e infraestrutura compatíveis, capazes de viabilizar a adequada gestão dos recursos disponíveis. É exatamente neste quesito que o Brasil acumula um preocupante déficit”, enfatiza.
 
Neste sentido, a ABSOLAR alerta para três gargalos estruturais da atual composição da matriz elétrica. Um deles é a tributação de mais de 70% incidente hoje sobre os sistemas de armazenamento de energia elétrica no Brasil, algo inadequada e incompatível com o papel estratégico que essa tecnologia precisa cumprir em nosso País. “Enquanto apostas esportivas, bebidas alcoólicas e armas têm tratamento tributário mais favorável do que equipamentos essenciais para a segurança do sistema elétrico, a sociedade sofre um desnecessário risco operacional por essa distorção”, lembra Sauaia.
 
Outro ponto são os Leilões de Reserva de Capacidade para Armazenamento, que acumulam anos de demora para sua efetiva realização, prejudicando a segurança e otimização da operação elétrica nacional. O Brasil não realizou até o momento nenhum leilão específico para a contratação, em larga escala, de baterias, capazes de lidar com os excedentes de geração renovável nos períodos de baixa carga, dando origem exatamente ao cenário que se manifesta hoje.
 
Há, ainda, o atraso estrutural na modernização do setor elétrico brasileiro, que anda a passos lentos e descoordenados. “A aprovação da Lei n° 15.269/2025 e a vinda da primeira etapa do Marco Regulatório dos Sistemas de Armazenamento de Energia, aprovado pela ANEEL no último dia 02 de junho via Consulta Pública ANEEL n° 039/2023, representaram avanços importantes, mas insuficientes para posicionar o Brasil na vanguarda da tecnologia”, diz Bárbara.
 
Para a associação, o Brasil precisa, urgentemente, caminhar: (i) no aprimoramento dos mecanismos de reconhecimento de receitas às baterias; (ii) na modernização tarifária, tema discutido sem avanços desde dezembro de 2018; e (iii) na regulação dos sistemas de armazenamento de energia elétrica também junto aos consumidores, atrás do medidor, como já ocorre em diversos países do mundo.
 
Assim, a ABSOLAR defende uma agenda setorial urgente, coordenada entre Ministério de Minas e Energia (MME), Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em diálogo e colaboração permanente com as associações representativas do setor, que inclua: (i) a realização de leilões anuais de armazenamento de energia elétrica, com escala robusta e previsibilidade; (ii) a redução imediata da carga tributária sobre sistemas de armazenamento de energia elétrica, seus componentes, partes e peças, tornando a tecnologia mais barata e acessível à população, pequenos negócios e produtores rurais do Brasil; e (iii) o desenvolvimento de mecanismos técnicos e regulatórios para gestão dos excedentes de energia elétrica que respeitem os investimentos já realizados pela sociedade.
 
A ABSOLAR e o setor solar fotovoltaico se colocam à disposição para contribuir construtivamente na estruturação dessas soluções, em conjunto com o Governo Federal e as demais autoridades do setor elétrico brasileiro.
 
Sobre a ABSOLAR
 
Fundada em 2013, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) é a entidade do Brasil que reúne todos os elos da cadeia de valor da fonte solar fotovoltaica e demais tecnologias limpas, incluindo armazenamento de energia elétrica e hidrogênio verde. Com associados nacionais e internacionais, de todos os portes, a entidade é fonte de informação e articulação em prol da transição energética sustentável do Brasil.



Para mais informações, contatar:
Thiago Nassa (MTb. 30.914)
TOTUM Comunicação
(11) 99544 4954

De que falamos quando falamos de valores europeus?

 

BLOG ORLANDO TAMBOSI

O economista e diplomata francês Jean Monnet (à direita) recebe o chanceler alemão Konrad Adenauer (à esquerda) quando este chegou a Paris a 13 de abril de 1951. Ambos foram fundamentais para a criação daquilo que viria a ser a União Europeia


"Valores Europeus — Uma Longa História" é o título do novo livro de Jaime Nogueira Pinto, um ensaio que vai da mitologia à União Europeia. O Observador faz a pré-publicação:


A frase está em destaque no livro e explica a origem de “Valores Europeus”: “Certos valores e princípios que, na longa tradição do Ocidente, identificaram uma cultura e uma civilização, estão a ser desafiados e contestados em múltiplas frentes”. Para o explicar, Jaime Nogueira Pinto (politólogo, escritor, professor, colunista do Observador) recorda, analisa e comenta o trajeto do continente europeu, da política de Atenas e da república romana ao pós-Segunda Guerra Mundial e à busca pela unidade europeia. Que traços foram comuns ao longo dos séculos, que cisões surgiram, onde chegámos e como.

Nestes dois excertos que o Observador revela, Jaime Nogueira Pinto aborda a oposição entre a vontade e os objetivos dos “pais fundadores” daquilo a que viria a ser a União Europeia e a realidade política e social que se regista no século XXI, sobretudo depois da pandemia, de Trump e da imparável escalada chinesa na economia mundial.


A ideia dos pais-fundadores da Europa, ou melhor, da União Europeia – já que a Europa, como Cristandade, Respublica Christiana, ou como concerto das “nações civilizadas” começou muito mais cedo –, veio na sequência daquilo a que alguns chamaram as “guerras civis europeias” do século XX: a Grande Guerra e a Segunda Guerra Mundial, que ditaram o fim do mundo eurocêntrico e do Direito Público Europeu. Foi assim, no pós-guerra, num tempo de reconstrução política e económica, que franceses, alemães e italianos, traumatizados pelo que tinham vivido e contemplado, quiseram juntar esforços para que não se repetisse a tragédia.


Os pais-fundadores da então comunidade europeia eram quase todos católicos de convicção e prática – Robert Schuman, Jean Monnet, Konrad Adenauer, Alcide de Gasperi – e queriam a paz pelo comércio e pela prosperidade. O eixo franco-alemão foi também decisivo para unir a Europa Ocidental nos valores da liberdade económica e política, da liberdade de expressão, de credo e de ideologia; isto também porque, depois da guerra, a Cortina de Ferro, trazida pelas tropas soviéticas na sua marcha sobre Berlim, descera sobre o Centro-Leste do Continente, com os países e os povos que ficavam para lá do Elba submetidos a Moscovo e ao comu nismo por interpostos partidos e ditadores.

À semelhança dos fundadores da Europa e dos povos e dirigentes dos países do Leste Europeu que, depois do fim da União Soviética e da libertação, recuperaram a independência, hoje muitos europeus acreditam na Europa, mas estão longe – muito longe – dos “novos direitos humanos” que algumas instituições e dirigentes políticos querem agora apresentar como “valores europeus”.

Quem propõe estes novos “valores e direitos”? Que grau de adesão têm? Quem mandatou os deputados e os burocratas de uma União que é essencialmente económica para acrescentarem à Carta novos “direitos fundamentais”, muitas vezes contrários a outros direitos verdadeiramente fundamentais, à tão evocada Ciência, ao senso comum mais elementar e às crenças de grande parte dos europeus? Quem os indigitou para lavrarem recomendações de bom e correcto comportamento ético, político e ideológico e fazer depender do seu cumprimento a atribuição de subsídios ou a aplicação de sanções? Que “valores europeus” são estes, que agora nos propõem – ou, até, nos impõem –, geralmente ao sabor da influência dos grupos e dos lobbies mais activistas?

Valores e contra-valores

Presentemente, os ataques à tradição romano-cristã e aos seus valores partem de movimentos com uma genealogia gramsciana pós-moderna, ligada a alguns dos autores a que Raymond Aron chamou “marxistas imaginários”. Aron, um representante agnóstico do conservadorismo liberal ou do liberalismo conservador europeu, pressentiu e testemunhou a decadência política e geopolítica da Europa no mundo do segundo pós-Guerra. Para Aron, a decadência começara um quarto de século antes:

Desde que a Europa saiu, dizimada e amarga, da grande carnificina em que se lançara, burguesa e cega, nunca mais afastou da sua consciência a angústia da decadência.

Este fantasma da decadência fora pressentido, ao longo do século XX, por uma série de pensadores e intelectuais europeus de todos os quadrantes: os que viveram a nostalgia do “mundo de ontem”, como Stephan Zweig; os que fizeram o retrato romanticamente realista de uma sociedade em agonia, como Proust em À la recherche du temps perdu; os que assumiram a História como uma grande batalha civilizacional e geopolítica, como Spengler; finalmente, os que procuraram resposta à decadência nas soluções de ruptura do fascismo e do comunismo, como alguns “escritores malditos” franceses ou alguns comunistas italianos da literatura e do cinema.

Mas todas estas contestações tinham – na sua adesão nostálgica ou na sua radicalidade iconoclasta – uma referência à tradição europeia e aos seus valores; mesmo quando os nega vam e combatiam em nome de novas mensagens ou de velhas correntes e realidades alternativas que brotavam do mesmo tronco europeu. Foram os casos de Marx, Proudhon, Renan, Nietzsche, Wagner, Thomas Mann, Bergson, Aron, Pareto, Croce, Gramsci, Gentile, Dostoievski, Tolstoi, Berdaiev, Kolakowski.


Raymond Aron, representante agnóstico do conservadorismo liberal ou do liberalismo conservador europeu, pressentiu e testemunhou a decadência política e geopolítica da Europa no segundo pós-Guerra

Religiosos ou anti-religiosos, românticos ou realistas, crentes ou cépticos, todos eles mantiveram uma linha de imaginação criadora, de continuidade ou de ruptura, baseada num certo cânone de valores ou contra-valores de herança europeia ou ocidental.

No entanto, as forças que, há um quarto de século, irromperam nesse mesmo espaço cultural euro-americano contestam tão radicalmente essa tradição que parecem querer instaurar uma nova ortodoxia, e fazer, mais uma vez, tábua rasa do passado, como no hino da Internacional. Esta ortodoxia nega o cânone europeu em nome de um quadro alternativo de desconstrução radical de valores, de corte com tradições enraizadas e continuadas e até com as tradições de ruptura de que também se foi fazendo a Europa. Para os apóstolos da nova fé laica, os grandes clássicos, antigos e modernos, de continuidade ou de mudança – Homero, Virgílio, Dante, Shakespeare, Goethe, Tolstoi, Proust, Joyce – não passam de DWEM (Dead White European Males) ou de DWAM (Dead White American Men), os seus equivalentes norte-americanos. Por isso – e também porque a análise do presente sofre sempre com a ausência de distância – sentimos este tempo como um tempo particularmente inquietante e diferente, na sua rejeição prévia de uma obra ou de um feito pela simples proveniência do autor – circunstancial, racial, nacional ou sexual –, um tempo tomado por uma cega febre correctora e reconstrutora em nome de uma perfeição irreal e irrealista. É um tempo que agora nos chega com maior veemência da América do Norte – terra prometida dos dissidentes do Mayflower, mas também dos juízes de Salem, terra da imaginação criativa das novas artes, mas também dos puritanismos mais arcaicos e inquisitoriais.

Foi nas universidades de elite e da elite, nos campus norte-americanos, que os discípulos dos heréticos marxistas europeus da Escola de Frankfurt e dos estruturalistas franceses geraram os seus rebentos e as suas filosofias de desconstru ção, vitimização e agressão. E propõem-se agora colonizar o mundo, ou seja, a velha Europa que “subjugou o mundo”, com a sua lista de interditos, cancelando uma História “de opressão branca, de racismo e de sexismo”, estátua a estátua, frase a frase, pronome a pronome.

Como se chegou aqui? O desconstrucionismo começou há quase meio século na América e foi desde logo denunciado por pensadores não-reaccionários, como Allan Bloom. No seu famoso bestseller The Closing of American Mind, Bloom fazia uma análise dos princípios do relativismo moral dominante na Academia e nos media que estavam a minar a educação mental das novas gerações de estudantes. Seguindo uma temática cara a Leo Strauss, Bloom mostrava pessimismo quanto à falta de entendimento dos “Grandes Livros” e à ausência de “liberal education”. As novas modas de desconstrução dos textos e a obsessão com a “cultura de massas” (para ele uma contradição nos termos) levavam-no a retomar a expressão nietzscheana do caminho para o niilismo. E o niilismo era a consequência da absolutização do relativismo e de um individualismo utilitário radical, aliados a uma retórica optimista quanto ao sentido da História, à inovação técnica e ao experimentalismo humano e social. Para Bloom, a liberal education implicava hierarquia e diferenciação – um velho tema straussiano – e não amálgama, desconstrução e tábua rasa.

A partir dos anos de 1970 e como consequência da própria radicalização americana, mas também por reacção à crescente viragem à direita do eleitorado, com a vitória esmagadora de Nixon em 1972 – que antecederia o reaganismo –, houve uma radicalização reactiva dos meios académicos e mediáticos. Watergate e a onda de moralismo que gerou dinamizaram mais ainda a reacção, com a Esquerda a entender a viragem do eleitorado americano para o nacionalismo popular como um perigo mortal e a achar-se legitimada a usar todos os meios na luta contra a “regressão civilizacional”.

Paralelamente, dava-se um fenómeno cultural – a consolidação do neomarxismo americano; com livros importantes e de sucesso agraciados com prémios de prestígio, como os da American Sociological Association, atribuídos a autores radicais como Immanuel Wallerstein, Jeffery M. Paige e Theda Skocpol. Os estudos incidiam especialmente sobre o Estado capitalista, a estrutura de classe, o processo de trabalho e a economia política internacional.

O desconstrucionismo começou há quase meio século na América e foi desde logo denunciado por pensadores não-reaccionários, como Allan Bloom

Estes estudos iriam beneficiar também da progressiva decadência do comunismo soviético. Perante as mudanças ocorridas nas sociedades capitalistas e nas suas estruturas sociais desde o Manifesto Comunista e da morte dos pais fundadores de O Capital, havia muito que rever quanto à luta de classes, considerando, sobretudo, o grande elefante na sala – as classes médias – que não cabiam no dualismo burguesia-proletariado e que várias gerações de pensadores marxistas tentavam entender e explicar sem sucesso.

Entretanto, o fim da Guerra Fria e a abertura da China comunista ao capitalismo – embora mantendo a direcção política central – tinham-se traduzido numa deslocalização das indústrias, com a consequente desindustrialização parcial do Ocidente e a perda de poder de pressão social da classe trabalhadora e da organização sindical. E dada a incapacidade dos neomarxistas académicos de enquadrarem os sobreviventes da classe operária ocidental e os novos “danados da terra”, o operariado ainda activo ou no desemprego começou a votar na direita nacionalista e populista.

Antes que se desenvolvesse este neomarxismo, e também a partir da redescoberta de Gramsci, surgira um marxismo terceiro-mundista – disseminado por figuras como Mao Tsé-Tung, Che Guevara e Frantz Fanon e teorizado no Ocidente por intelectuais como Immanuel Wallerstein.

Outro elemento importante na genealogia ideológica das novas esquerdas – além da recuperação da metodologia gramsciana sobre o poder cultural e da teoria da economia-mundo de Wallerstein – veio da divisão da sociedade americana quanto à guerra do Vietname, com escritoras como Mary McCarthy e Susan Sontag a viajarem até à capital do Vietname do Norte, Hanoi, e a exprimirem a sua solidariedade para com o governo comunista. As suas percepções e opiniões ficaram expressas nos livros Hanoi, de McCarthy, e Trip to Hanoi, de Sontag. No rasto dos iluminados europeus do século XVIII, dos orientalistas do século XIX ou dos primitivistas do fim do século XIX e princípios do século XX, em viagens utópicas para fora e para longe da própria civilização em direcção a um “outro” idealizado e imaginado na distância temporal ou espacial – na China, na Pérsia, nas florestas ameríndias –, Sontag escrevia: “The North-Vietnamese genuinely love and admire their leaders”.

Esta exaltação de um inimigo totalitário, retratado em termos idílicos e utópicos, ditada por um sentimento de auto-desprezo e auto-culpabilização, era um discurso voltado contra a própria identidade naquilo que tinha de imutável. Sontag deixava-o bem claro numa entrevista à Partisan Review:

A raça branca é o cancro da história humana; é a raça branca, e apenas ela – com as suas ideologias e invenções – que erradica a civilização autónoma sempre que se expande, que desequilibrou o equilíbrio ecológico do planeta e que agora ameaça a própria existência da vida.

Esta denúncia e este repúdio do pecado próprio ou comu nitário era uma versão laicizada e sem horizonte de perdão e redenção (que não a auto-aniquilação) do exame de cons ciência cristão, uma versão laica que encontrara já o seu apanágio na autocrítica comunista. De resto, neste como noutros aspectos, a doutrina comunista mostrava-se uma “contrafacção da redenção dos humildes, uma laicização da promessa da Epístola de S. Pedro, de um novo Céu e uma nova Terra” onde a justiça reinaria, para usar a expressão do Papa Pio XI na Encíclica Divini Redemptoris de 1937. Raymond Aron chamava-lhe a escatologia socialista das religiões seculares “qui prennent dans les âmes de nos contemporains la place de la foi évanouie et situent ici-bas, dans le lointain de l’avenir, sous la forme d’un ordre social à créer, le salut de l’humanité”.

O neomarxismo, a teoria crítica da Escola de Frankfurt, o radicalismo norte-americano dos anos 60, as experiências do Maio de 68, a ressurreição da metodologia gramsciana e do libertarismo sexual e moral de Sade convergiam, em dialético cocktail, para a Nova Esquerda que se consolidou e afirmou nos Estados Unidos da primeira Administração Trump e na Europa da pandemia e da reacção nacional popular. Mas enquanto a teoria crítica de Frankfurt procurava explicar e superar o fracasso do marxismo clássico na interpretação e mudança das sociedades ocidentais, a Nova Esquerda procurava identificar novas dicotomias de opressores e oprimidos – de raça, sexo e género – e somar-lhes agressões e ofensas, sem limites de espaço ou tempo, aplicando, actualizados, os cânones clássicos do marxismo à desconstrução das sociedades contemporâneas e das suas células familiares e individuais.

No princípio da década de 2020, a situação mundial era inquietante e os valores europeus achavam-se ameaçados por diferentes modos: no interior do próprio mundo euroa mericano, por uma poderosa ofensiva pró-aborto, com os activistas da extrema-esquerda radical a ameaçarem pessoalmente, à porta de casa, os juízes conservadores do Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos e o atentado à mão armada ao juiz Brett Kavanaugh, silenciado pela grande imprensa. A América estava tão radicalmente dividida que Robert Reich, antigo secretário do Trabalho de Bill Clinton, escrevia na sua coluna do The Guardian: “A segunda guerra civil americana já começou”, ainda que, logo a seguir emendasse a mão, recorrendo à retórica frequentemente usada por estas novas esquerdas para adoçar o radicalismo da clivagem: “Não é bem uma guerra, é uma espécie de separa ção benigna; a separação de um casal infeliz que não quer passar pelo trauma de um divórcio formal”.


Também por reacção à crescente viragem à direita do eleitorado, com a vitória esmagadora de Nixon em 1972, houve uma radicalização reactiva dos meios académicos e mediáticos

Assim, certos valores e princípios que, na longa tradição do Ocidente, identificaram uma cultura e uma civilização, estão a ser desafiados e contestados em múltiplas frentes. Com a mesma fé cega e a mesma fúria justiceira com que o Estado Islâmico, em Palmira, arrasou construções milenares, a religião, a família, a sociedade, a própria identidade biológica são agora sujeitas a uma razia acrítica que não se detém no presente, avançando pelo passado adentro para o corrigir ou cancelar em nome de uma nova ordem de perfeição e vir tude que se deve impor, uniformemente, ao orbe terrestre e a todas as Eras.

Pelo caminho, quebra-se uma memória e uma ética que, sob formas políticas diversas, conseguiram subsistir e sobreviver até hoje. E até a memória e a ética da admissão da contradição e de uma tradição de ruptura, também europeias, que foram permitindo que quase tudo mudasse para que tudo fosse perdurando.

Mas haverá valores europeus capazes de atravessar os tempos? E se os houver, de onde vêm e como é que caracterizam um modo europeu de ser e de estar no mundo? Em que princípios e modelos se fundamenta essa eventual concepção de vida? Haverá uma continuidade civilizacional que ressalte dos textos homéricos e do teatro grego, que entronque na ética da paz e da guerra da República Romana e que persista quando da erupção do cristianismo no Império dos Césares?

Terão os valores que moldaram o Velho Continente um “outro lado” nas lendas da Bretanha e nos códigos de Cavalaria da Europa feudal? Onde se encontram na filosofia católica, entre Agostinho e Tomás de Aquino? Terá aquilo que fez a Europa de alguma forma sobrevivido, condicionando o movimento de centralização dos Estados soberanos nos séculos XVI e XVII? E como conviveram esses valores com as novas ideias do Século das Luzes e do Despotismo Iluminado? E com as revoluções que, contra esse e outros despotismos, abalaram a Europa e o mundo eurocêntrico, da Revolução Inglesa à Revolução Francesa? Qual foi depois o impacto de Marx e da Revolução Soviética? O que aconteceu aos ditos “valores europeus” quando das respostas do fascismo e do nacional-socialismo ao comunismo, na idade dos totalitarismos? E como se adaptaram ao fim do mundo eurocêntrico e à Guerra Fria, ao eclipse dos Impérios coloniais e do sovietismo e a esta espécie de paz perpétua kantiana, posta em causa pela invasão da Ucrânia e pelas guerras do Médio Oriente? Haverá, entre todas estas correntes e entre todas as vicissitudes históricas registadas nas crónicas político-militares e espelhadas nos clássicos do pensamento e da ficção de cada tempo um mínimo denominador comum, um fio ético condutor?


Surto de patriotada por criminosos promovidos a "nossos" é inaceitável

 

BLOG ORLANDO TAMBOSI

Glorificar o crime corrói organicamente a sociedade e é o que importa. Vilma Gryzinski: 


Os Estados Unidos vão invadir o Brasil — ou, no mínimo, derrubar aviões do tráfico sobre a Amazônia ou explodir narcobarcos? A alucinação coletiva que engolfou o Brasil desde a declaração de duas quadrilhas do crime como organizações terroristas fez circular especulações enlouquecidas. No campo mais do ridículo do que do dramático, houve especialistas alegando que os bancos, pobrezinhos, iam ter mais trabalho para barrar a lavagem de dinheiro. Imaginem só o ônus de cumprir a lei — ignorando o fato de que as grandes instituições já têm mecanismos eficientes. Não deveriam os defensores da soberania bancária estar mais preocupados com a sofisticação das organizações criminosas, capazes de criar suas próprias estruturas no sistema financeiro? Não deveria essa capacidade causar horror pelo que retrata do avanço tentacular do crime?

É compreensível que países mais fracos tenham reações de orgulho nacional ferido quando o gigante americano se mobiliza para reprimir mais a lavagem de dinheiro em escala internacional, implicando monitoramento de movimentos nacionais. Mas é inaceitável que isso dê vazão a surtos de patriotada, quando não de simpatia pelos próprios criminosos, agora promovidos a “nossos”, como espécie de riqueza nacional mais cobiçada do que terras-raras. A simpatia por bandidos é um dos pontos mais fracos de qualquer governo de esquerda, seja no Brasil, seja no México, onde a presidente Claudia Sheinbaum reagiu com veemência comparável à das autoridades brasileiras ao caso dos cartéis declarados terroristas, embora sem a palhaçada populista alheia a seu estilo austero. Falar é uma coisa, fazer é outra — e ela já extraditou 29 bandidões para os Estados Unidos. É um modo de evitar que, como no Brasil, chefes do crime conservem na cadeia o domínio da estrutura de poder que lhes permite continuar tocando suas atividades ilegais. Sem contar a glamorização da bandidagem transformada em fenômeno por personalidades como a influenciadora que, além de ósculos presidenciais, provoca até manifestações de apoio nas ruas e o cantor de funk da dinastia do crime. Esse é o problema mais sistêmico: quando os maus convencem os bons a segui-los e exaltar seus feitos. Em vez de sonhar em ser Vinicius Jr., filhos de pobres são doutrinados a projetar suas expectativas em traficantes com medalhão de ouro no pescoço e Glock na mão. É pedagógico prestar atenção à letra do mencionado cantor que diz: “Noites de ódio na boca, revoltado com o Estado / Em memória de uns parceiro que hoje não está do meu lado / Na madrugada é nóis que manda, fortemente armado”.

O “nóis que manda” tem um apelo forte entre os que não mandam nada, nem mesmo em seus instintos manipuláveis. Não são as diatribes de um presidente nem as novas regras americanas sobre a reclassificação de organizações criminosas que mudarão isso. Somos “nóis” mesmos. Apesar da impotência diante de forças poderosas, é possível resistir, sim, e ver resultados. Nos EUA, as mortes por overdose de fentanil caíram de mais de 100 000 em 2022 para menos de 70 000. O número é espantoso, mas ajuda a entender por que o governo Trump resolveu peitar um fenômeno de proporções existenciais, mesmo passando por cima das sensibilidades de líderes esquerdistas. “Sobe lá no morro e pergunta se o bandido é o vilão”, desafia outra música do tal cantor. Da resposta depende o país que nos tornaremos.

Publicado em VEJA de 5 de junho de 2026, edição nº 2998

Polarização anestesia eleitorado e escândalos ainda não afetam favoritos de 2026

 


Eleitorado se acomodou na armadilha do amor e ódio

Dora Kramer
Folha

Mudanças na dinâmica da relação entre os políticos e o eleitorado criam dificuldades para a análise e exigem a adoção de novos critérios no exame do andamento de campanhas eleitorais. Daí decorrem circunstâncias aparentemente inexplicáveis. O que valia já não vale.

Na cena atual, dois fatores em tese fortes o bastante para abalar ou impulsionar as intenções de voto não foram suficientes para alterar de modo significativo o quadro retratado pelas pesquisas de opinião.

GASTOS E MENTIRAS – Tanto Luiz Inácio da Silva (PT) como Flávio Bolsonaro (PL) ficaram mais ou menos onde estavam em levantamentos anteriores, a despeito de o primeiro patrocinar gastança calculada em R$ 190 bilhões para captar eleitores e o segundo ter sido pego em mentiras reiteradas sobre o relacionamento com Daniel Vorcaro.

Houve uma mexida nos índices, mas o presidente não deslanchou nem o senador despencou. Do empate, a situação migrou para uma distância de nove a quatro pontos porcentuais com vantagem para Lula, segundo as medições de primeiro e segundo turnos registradas na última pesquisa Datafolha.

Tão amados quanto rejeitados, os dois consolidam torcidas movidas por amor e ódio, resultando numa paralisia do cenário. Bondades de um e malfeitorias do outro não abalaram o favoritismo de ambos, introduzindo uma incógnita e um dado concreto no exercício da interpretação.

POLARIZAÇÃO – Por que isso acontece? É a dúvida em princípio dirimida pelo fator polarização. Não explica tudo. A certeza que se extrai dessa situação é a impossibilidade de se estabelecer comparações com exemplos do passado.

Lula já não consegue se escorar na mítica do provedor dos desvalidos, como quando se safou do escândalo do mensalão. Flávio Bolsonaro não foi abatido como Roseana Sarney em 2002, quando a foto de dinheirama encontrada no escritório do marido interrompeu sua trajetória ascendente nas pesquisas para presidente.

O tempo passou, a política não se arejou e o eleitorado, pelo visto, se acomodou na armadilha das emoções dominadas.

PGR e PF decidem nos próximos dias se mantêm tratativas com Daniel Vorcaro

 


Charge do Cláudio (Folha)

Deu no G1

PGR e PF devem decidir nesta semana se mantêm a negociação para um acordo de colaboração com Daniel Vorcaro após receberem um novo complemento da proposta de delação. O material, entregue na última segunda-feira pela defesa do empresário, ainda está sob análise de investigadores e procuradores. Eles avaliam se as informações apresentadas superam as deficiências apontadas na primeira versão.

Segundo fontes envolvidas na negociação, a nova versão não trouxe uma mudança radical de rumo. A avaliação preliminar é de que não houve um “cavalo de pau” na narrativa apresentada por Vorcaro. O material é visto, até agora, como um aprofundamento do que já havia sido colocado na mesa após a primeira rodada de negociações.

NOVAS INFORMAÇÕES – A análise ainda não foi concluída. Procuradores e investigadores da Polícia Federal estão relendo todo o material para verificar se as novas informações atendem às exigências feitas após a primeira proposta, considerada insuficiente para a celebração de um acordo. A expectativa é que a avaliação técnica seja concluída  nos próximos dias. Depois disso, representantes da PGR e da PF devem se reunir para definir os próximos passos.

Há três cenários possíveis: apontar novos ajustes necessários para a colaboração, reconhecer avanços e manter a negociação aberta ou, no limite, concluir que não há elementos suficientes para justificar a continuidade das tratativas. Reservadamente, integrantes envolvidos na análise afirmam que, até o momento, não identificaram fatos substancialmente novos. Ainda assim, ressaltam que a avaliação definitiva só será feita após o exame completo do material entregue.

COLABORAÇÃO – Caso a colaboração não avance, as investigações seguem normalmente. A eventual ausência de acordo não interrompe as apurações em curso. A defesa de Vorcaro sustenta que o empresário continua disposto a colaborar e acredita que os benefícios previstos na legislação para colaboradores podem ser aplicados ao seu caso.

Pela lei, acordos de colaboração podem prever redução de pena de até dois terços, desde que as informações prestadas sejam consideradas efetivas e relevantes para as investigações.


sábado, 6 de junho de 2026

Novas regras do crédito rural aumentam exigências por soluções com inteligência territorial nos bancos

 


Agrotools

Novas regras do crédito rural aumentam exigências por soluções com inteligência territorial nos bancos

Com as Resoluções CMN nº 5.267/2025 e nº 5.268/2025, instituições financeiras passam a precisar de monitoramento contínuo, rastreabilidade socioambiental e análise de risco em tempo real. Plataforma da Agrotools é a pioneira em cruzar questões regulatórias com dados ambientais e territoriais em poucos segundos para apoiar decisões mais seguras, automatizando assim análises complexas

As novas regras do crédito rural instituídas pelo Banco Central do Brasil, válidas a partir dos últimos meses, inauguram uma nova fase para o agronegócio nacional, marcada por maior rigor regulatório, rastreabilidade e monitoramento contínuo das operações financiadas. Com a publicação recente de duas importantes resoluções, instituições financeiras passam a enfrentar um cenário em que tecnologia, compliance socioambiental e capacidade analítica deixam de ser diferenciais e passam a ser exigências estratégicas para concessão e acompanhamento do crédito.

Enquanto a Resolução CMN nº 5.267/2025 estabelece uma camada operacional mais robusta, exigindo monitoramento das operações ao longo de todo o ciclo produtivo por meio de sensoriamento remoto, imagens de satélite e análise de risco, a Resolução CMN nº 5.268/2025 amplia os critérios socioambientais e climáticos que podem restringir ou até impedir o acesso ao crédito. Nesse novo contexto, instituições financeiras precisarão de soluções capazes de integrar inteligência territorial, monitoramento contínuo, validação documental, análise socioambiental e gestão de risco em uma única plataforma.

É justamente nesse cenário que a Agrotools se posiciona e se destaca. A bigtech que consolidou-se nos últimos 20 anos como o maior ecossistema de ferramentas digitais baseado em uma robusta plataforma de inteligência de dados para o agro corporativo no mundo, é uma das únicas empresas preparadas para oferecer essas soluções completas de tecnologias. Desta forma, apoia bancos e agentes financeiros na adequação às novas exigências regulatórias, com mais segurança, eficiência operacional e capacidade de tomada de decisão baseada em dados.

De acordo com Rodolpho Mittelstaedt, gerente comercial Agrotools, as novas medidas publicadas trazem grandes mudanças e aproximam o sistema financeiro brasileiro dos padrões internacionais de governança, rastreabilidade e conformidade ESG, aumentando a pressão por digitalização e controle dentro da cadeia agropecuária. “As duas resoluções juntas representam uma alteração estrutural no agro brasileiro. O efeito prático deve ser um aumento da digitalização, da necessidade de documentação organizada e da pressão ainda maior por sustentabilidade dentro da cadeia agropecuária”, diz.

Na prática as resoluções exigem validação da operação por sensoriamento remoto, antes e durante todo o ciclo do crédito. Desta forma, não basta monitorar é preciso comprovar, com metodologia, rastreabilidade e consistência de fato a idoneidade das atividades. “Esse é o grande diferencial da Agrotools, uma plataforma que transforma cada operação dos bancos ou cooperativas de crédito em evidência técnica auditável, no padrão exigido pelo Banco Central”, detalha Mittelstaedt.

Diferenciais da plataforma

A solução “Monitor de Safras”, desenvolvida pela bigtech, utiliza imagens de satélite, séries temporais e cruzamento de dados para validar informações como realização do plantio, cultura implantada, evolução da lavoura e compatibilidade entre área financiada e área efetivamente cultivada. A proposta é permitir que bancos e instituições financeiras monitorem grandes carteiras de crédito de forma automatizada, reduzindo a dependência de visitas presenciais e minimizando riscos regulatórios. Além disso, a solução performa também de forma integrada aos sistemas legados dos parceiros, a depender da necessidade.

Entre os diferenciais apresentados pela empresa estão:

  • Monitoramento contínuo da carteira;
  • Geração de laudos auditáveis;
  • Metodologia MRV (mensurável, reportável e verificável);
  • Rastreabilidade por operação;
  • Cobertura de culturas como soja, milho, algodão, trigo, arroz e sorgo;
  • Além de integração com operações de pecuária.

A solução consiste em uma plataforma web baseada em API e funciona de forma muito prática e objetiva. Por meio de login e senha, os bancos enviam para a Agrotools via Monitor de Safras, os detalhes das operações de crédito rural. No sistema, essas informações serão processadas e cruzadas com diferentes bases de dados, dados territoriais, algoritmos proprietários, utilizando técnicas de geoprocessamento, sensoriamento remoto e inteligência territorial.

A partir dessa análise, a plataforma retorna às instituições financeiras informações que ajudam a validar se a operação atende ou não aos critérios necessários para concessão e vigência do crédito. Um dos diferenciais é a velocidade do processo que acontece quase que em tempo real mesmo diante de operações robustas gerando respostas imediatas. “Fornecemos relatórios completos, de forma rápida e precisa com todos os apontamentos necessários para que o banco avalie se pode conceder o crédito em conformidade com as normativas. Desta forma garantimos uma operação com compliance e sustentabilidade”, reforça o especialista.

Atualmente grandes instituições financeiras, como Itaú, Bradesco, Sicoob, Cresol e Rabobank, já utilizam soluções da Agrotools para fortalecer análises de crédito. Com isso conseguiram automatizar critérios ESG e ampliar a conformidade regulatória exigida pelo Banco Central.

 



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Rodolpho Mittelstaedt, gerente comercial Agrotools
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