MEDIÇÃO DE TERRA

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Bahia concentra 4 em cada 10 ações do país contra reajustes de planos de saúde

 



Gandini Comunicação Jurídica

Bahia concentra 4 em cada 10 ações do país contra reajustes de planos de saúde

Estado registrou 14.330 novos processos no primeiro semestre; advogados explicam quando o aumento pode ser abusivo

A Bahia registrou 14.330 novos processos sobre reajuste contratual de planos de saúde no primeiro semestre de 2026. Foram 79 ações por dia. O estado respondeu por 40,59% de todos os casos novos do país no período, segundo levantamento com base no Painel da Saúde do DataJud, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Em todo o Brasil, a Justiça recebeu 35.301 ações até junho, média de 195 por dia. Depois da Bahia, aparecem São Paulo, com 8.587 processos, Pernambuco, com 4.559, e Rio de Janeiro, com 2.126. Entre 2020 e 2025, o total nacional cresceu 218,06%, de 19.328 para 61.475 casos.

Neste ano, a Justiça julgou 28.159 processos sobre reajuste contratual. Em 10.860 deles, ou 38,57%, aceitou total ou parcialmente o pedido de quem contestou a cobrança. Isso corresponde a uma decisão favorável ao consumidor em cerca de quatro de cada dez casos julgados.

Para avaliar se o aumento está correto, o primeiro passo é identificar qual reajuste foi aplicado. Geovani Valério, advogado especializado em Direito da Saúde e sócio-fundador do GV Assessoria Jurídica, explica que a mensalidade pode subir pelo reajuste anual, aplicado no aniversário do contrato, ou pela mudança de faixa etária. 

“Em ambos os casos, o beneficiário tem o direito de saber qual índice foi aplicado, qual regra vale para o contrato e como o percentual foi calculado. Sem essas informações, ele não consegue verificar se a cobrança está correta”, afirma. Independente do tipo, os reajustes podem ser questionados judicialmente quando forem “excessivos, desproporcionais ou não estiverem devidamente justificados”.

 

Quando o reajuste pode ser abusivo

As regras variam conforme a modalidade do plano. Nos contratos individuais e familiares firmados a partir de 2 de janeiro de 1999 ou adaptados à Lei dos Planos de Saúde, o reajuste anual deve respeitar o limite definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para contratos com aniversário entre maio de 2026 e abril de 2027, o teto é de 5,11%, e a cobrança só pode começar no mês de aniversário.

Lucas Dohmen, advogado especializado em Direito da Saúde e sócio do Dohmen & Matta Advogados Associados, explica que um percentual superior ao autorizado ou aplicado fora do período correto deve ser analisado. O consumidor também deve observar se foram reunidos diferentes aumentos no mesmo boleto.

“Também é importante verificar se, no mesmo boleto, foram acumulados reajuste anual, mudança de faixa etária ou cobranças retroativas. A incidência de mais de um reajuste não significa, por si só, que exista uma irregularidade, mas cada aumento possui fundamento e regras próprias e deve ser apresentado de maneira clara ao consumidor”, ressalta.

Nos planos coletivos empresariais ou por adesão, o teto de 5,11% não se aplica. O percentual pode considerar os critérios previstos no contrato, a variação dos custos médico-hospitalares e a sinistralidade. A operadora, contudo, precisa demonstrar como chegou ao índice cobrado.

“O reajuste precisa estar previsto contratualmente e deve ser fundamentado em critérios objetivos e demonstráveis”, afirma Dohmen.

 

E quando o plano empresarial cobre apenas uma família?

Nos planos empresariais com poucos beneficiários, a discussão pode começar pela própria natureza da contratação. Quando o grupo é formado principalmente por integrantes da mesma família, pode surgir o questionamento sobre o chamado “falso coletivo empresarial”. 

Geovani Valério explica que há decisões judiciais que afastam os reajustes próprios dos planos empresariais quando não identificam uma relação coletiva real. Nesses casos, a Justiça pode determinar a aplicação dos índices divulgados pela ANS.

“Conforme o caso, a mensalidade pode ser recalculada e os valores pagos a mais, devolvidos”, afirma Valério.

Entretanto, a composição familiar do grupo, isoladamente, não basta para caracterizar o falso coletivo. Segundo Lucas Dohmen, devem ser consideradas a realidade da contratação, a existência efetiva do vínculo empresarial e as características do grupo.

“Essa discussão ganha especial relevância quando um grupo muito pequeno recebe reajustes elevados típicos dos contratos coletivos. Dependendo das circunstâncias, pode ser discutido judicialmente se aquela contratação possui verdadeira natureza coletiva ou se a forma empresarial está sendo utilizada em uma relação que, materialmente, se aproxima de um plano familiar”, afirma. 

 

Reajuste por faixa etária 

Além da modalidade do plano, a mudança de faixa etária também pode elevar a mensalidade. Nos contratos celebrados a partir de 1º de janeiro de 2004, existem dez faixas, sendo a última a partir dos 59 anos.

Dohmen explica que o valor cobrado nessa faixa não pode superar seis vezes o da primeira. Além disso, a variação acumulada entre a sétima e a décima faixas não pode ser superior à variação acumulada entre a primeira e a sétima.

Conforme o Tema 952 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o reajuste por idade precisa estar previsto no contrato, respeitar as normas regulatórias e possuir justificativa atuarial.

“Assim, não basta constar no contrato que haverá reajuste aos 59 anos. O percentual aplicado também precisa respeitar a regulamentação e possuir justificativa atuarial adequada. Quando isso não ocorre, é possível discutir judicialmente a abusividade do reajuste e buscar a revisão da mensalidade”, afirma Dohmen.

Para quem já passou dos 60 anos, Valério recomenda atenção a aumentos acentuados atribuídos à idade, principalmente quando o valor sobe abruptamente de um mês para o outro.

“O reajuste por mudança de faixa etária aplicado a partir dos 60 anos pode ser considerado abusivo, especialmente quando é excessivo, discriminatório ou não possui justificativa clara. Nessa situação, o consumidor pode pedir a revisão da cobrança e a devolução dos valores pagos a mais”, explica.

 

Como conferir a cobrança

Como as regras variam entre os planos individuais, familiares e coletivos, é necessário considerar a modalidade do contrato, o motivo informado pela operadora e a data em que a cobrança começou.

O beneficiário deve reunir o contrato, os aditivos, os boletos anteriores, o aviso de reajuste e os protocolos de atendimento. Também pode solicitar à operadora, diretamente ou por meio da ANS, o índice aplicado, a memória de cálculo, a metodologia utilizada e os dados que sustentam o aumento.

“A resposta precisa mostrar, de forma compreensível, a origem da cobrança. Frases genéricas ou um simples percentual no boleto não substituem a demonstração do cálculo”, afirma Valério.

Nos contratos coletivos, a operadora deve fornecer à empresa contratante a memória de cálculo e a metodologia do reajuste com antecedência mínima de 30 dias. Depois que o aumento entra em vigor, o próprio beneficiário pode solicitar essas informações à operadora ou à administradora de benefícios, que deve fornecê-las em até dez dias.

Enquanto busca os esclarecimentos, o consumidor deve evitar o cancelamento precipitado ou a interrupção do pagamento da mensalidade.

“Um cancelamento precipitado pode trazer consequências relevantes, como a perda da rede de médicos e hospitais já utilizada, o cumprimento de novas carências em determinadas situações ou dificuldades para contratar outro plano em condições semelhantes”, alerta Dohmen.

Antes de tomar essa decisão, o advogado recomenda documentar o reajuste, reunir o contrato e os boletos anteriores e verificar se o aumento possui fundamento e foi calculado corretamente.

Se os documentos indicarem alguma irregularidade, o consumidor pode pedir a revisão da cobrança. Conforme o caso, também é possível buscar judicialmente o recálculo da mensalidade, a substituição do índice considerado abusivo e a restituição dos valores pagos a mais.

“Quando o aumento for expressivo e colocar em risco a permanência do beneficiário no plano, também pode ser avaliado um pedido de tutela de urgência para que o Judiciário analise, desde o início do processo, a possibilidade de suspender ou limitar os efeitos do reajuste enquanto a discussão estiver em andamento”, acrescenta Dohmen.

Se a operadora não apresentar os esclarecimentos solicitados, o consumidor também pode buscar essas informações por meio da ANS. A possibilidade de recorrer à Justiça dependerá das condições do contrato, do tipo de reajuste e dos documentos disponíveis.




Mylena Cristina
Assessora de imprensa jurídica
mylena@gandinicomunicacao.com.br
(61) 99201-0808

Ford Ranger é o 0KM mais buscado da Bahia em julho, segundo a Webmotors

 

Webmotors

Ford Ranger é o 0KM mais buscado da Bahia em julho, segundo a Webmotors

Levantamento do Webmotors Autoinsights aponta os 10 modelos novos e usados mais procurados no período com base nas visitas em anúncios da plataforma

São Paulo, agosto de 2026 – A Ford Ranger foi o veículo zero quilômetro mais procurado da Bahia no mês de julho. A informação é do Webmotors Autoinsights, ferramenta que fornece dados sobre o mercado automotivo brasileiro com base nas visitas em anúncios da plataforma por usuários do estado. 

Na sequência, entre os carros novos, aparecem Fiat Toro (2º) e Toyota Corolla (3º). Logo após, surgem a BYD Song Pro (4º), CAOA Chery Tiggo 7 (5º), CAOA Chery Tiggo 8 Pro (6º) e Toyota Hilux SW4 (7º). Hyundai Creta (8º), Toyota Yaris Cross (9º) e BYD Song Plus (10º) completam a lista.

Já em relação aos veículos usados, o Honda Civic (1º) lidera as buscas em julho no estado, seguido por Toyota Corolla (2º) e Chevrolet Onix (3º). Também figuram entre os modelos mais pesquisados no período o Volkswagen Polo (4º), Hyundai HB20 (5º), Volkswagen Gol (6º), Hyundai Creta (7º), BMW 320i (8º), Toyota Yaris Cross (9º) e BYD Song Plus (10º).

Confira os rankings dos 10 carros novos e usados mais buscados na Bahia em julho de 2026 e a comparação com o mês anterior:

Sobre a Webmotors 

A Webmotors (www.webmotors.com.br) foi a primeira marca brasileira a inovar na forma de comprar e vender carros e é o principal ecossistema automotivo, que engloba desde a compra, venda e uso do veículo, oferecendo soluções completas para o segmento no Brasil. Fundada em 1995, Webmotors foi pioneira na inovação do marketplace online automotivo e continua a definir o padrão para compra, venda e pesquisa online automotiva.

Em 2002, o Grupo Santander Brasil se juntou à Webmotors como seu principal parceiro e, em abril de 2013, a empresa deu boas-vindas à carsales.com Ltd., que adquiriu uma participação de 30%. Desde então, a empresa de tecnologia australiana contribuiu para a aceleração do crescimento da Webmotors e, em março de 2023, a carsales.com Ltd. aumentou sua participação acionária na Webmotors para 70%. O Santander mantém os outros 30%, além da exclusividade comercial, sendo o parceiro de crédito, seguros e soluções financeiras para transações feitas por meio da plataforma da Webmotors.

Informações para a imprensa 

RPMA Comunicação 

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Jaqueline Nunes - jaqueline.nunes@rpmacomunicacao.com.br

(11) 94119-9351

Relações com a imprensa – Webmotors  

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Vinícius Fernandes Chaves – vinicius.chaves@webmotors.com.br

Relações com a imprensa – Santander Brasil

www.santander.com.br 

Luciana Silva – luciana.silva@prservicos.com.br




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Samara Castro
samara.castro@rpmacomunicacao.com.br
(11) 5501-4655

Mais canais, menos eficiência? O paradoxo do omnichannel

 


Por Renata Reis

Poucas situações são tão frustrantes quanto entrar em contato com uma empresa, explicar um problema, mudar de canal e precisar contar toda a história novamente. Essa experiência, ainda muito comum, revela um dos principais desafios do atendimento moderno: a falsa impressão de que oferecer diversos canais significa, automaticamente, oferecer um bom relacionamento. Quando voz, chat, mensagens e outros pontos de contato não compartilham informações, quem assume o trabalho de conectar a jornada é o próprio cliente – o que apenas gera insatisfação e compromete a percepção sobre a marca. 

Por mais que a transformação digital tenha ampliado, significativamente, as possibilidades de comunicação entre empresas e consumidores, muitas organizações ainda abrem novos pontos de contato sem o devido planejamento de como integrá-los, o que prejudica a visibilidade compartilhada entre as equipes e a sensação, para o consumidor, de estar falando com empresas diferentes a cada interação. E, um dos motivos pelos quais ainda se vê tamanha fragmentação, é a base tecnológica corporativa: sistemas legados, muitas vezes adquiridos em momentos diferentes e sem interoperabilidade nativa, dificultam a troca de dados em tempo real entre canais.  

A isso, se soma a resistência interna — equipes acostumadas a fluxos de trabalho segmentados podem enxergar a mudança como uma ameaça à rotina já estabelecida. E, não menos importante, há uma preocupação legítima com a segurança e privacidade de dados, já que consolidar informações de clientes em uma base única exige controles robustos de acesso e conformidade com a LGPD. Vencer essas barreiras costuma exigir plataformas em nuvem, processos bem desenhados e suporte técnico qualificado. 

Cada vez que um consumidor muda de canal e precisa recontar seu problema, a empresa paga um preço que, nem sempre, aparece na planilha financeira. Do lado operacional, a equipe gasta tempo reconstruindo o contexto do zero, o que aumenta o tempo médio de atendimento e reduz a produtividade dos agentes. Do lado da experiência, a repetição é um dos maiores geradores de frustração e abandono, impactando, diretamente, indicadores como a taxa de resolução no primeiro contato e o Net Promoter Score, além de elevar o risco de churn 

Enquanto isso, quando uma empresa deixa de olhar para seus canais separadamente, e passa a gerenciar a jornada do cliente como um todo (orquestração omnichannel), a lógica operacional se inverte: o histórico de interações passa a acompanhar a pessoa, não o meio em si, carregando consigo todo o contexto já registrado. Isso permite uma personalização real do atendimento, redução do tempo de resolução e libera os atendentes para lidar com casos que exigem mais sensibilidade e complexidade, já que as demandas repetitivas podem ser resolvidas por automações e ferramentas como a IA. O resultado é uma operação mais ágil e uma experiência mais fluida e satisfatória para quem é atendido. 

Em um mercado onde a fidelização é cada vez mais disputada, esse desgaste silencioso tem custo direto sobre a receita recorrente e a imagem da marca. Não à toa, segundo o relatório “State of Service 2025”, 80% das organizações passaram a acompanhar a taxa de resolução no primeiro contato, frente a apenas 51% em 2018. 

A transição para um atendimento verdadeiramente integrado começa por um diagnóstico honesto: mapear todos os canais em uso, identificar onde estão os dados de cada cliente e localizar os pontos de maior atrito na jornada atual. A partir daí, a centralização das conversas em uma única plataforma, com histórico compartilhado entre os atendentes, costuma ser o primeiro passo estruturante. Também é essencial definir métricas claras desde o início, como tempo médio de atendimento, taxa de resolução no primeiro contato, satisfação (CSAT/NPS) e taxa de abandono, para acompanhar a evolução da estratégia com dados, não apenas percepção. 

Esse diagnóstico costuma revelar clientes que já usam um ou dois produtos do portfólio, mas que seguem operando os demais canais fora da plataforma. É aí que mora a maior oportunidade de expansão de receita: não vender um cliente novo, e sim ajudar um atual a completar a jornada que ele já começou. Um processo que envolve automatizar o que é repetitivo, para que chatbots e fluxos inteligentes absorvam boa parte da demanda inicial, direcionando à equipe humana apenas os casos que realmente exigem esse contato.  

Tecnologicamente, a IA é uma das soluções que mais vem sendo aplicada nesse sentido, não apenas em chatbots de primeiro nível, mas na análise de comportamento, priorização de atendimentos e monitoramento do sentimento do cliente em tempo real. Uma arquitetura baseada em nuvem também se destaca, com APIs que conectam sistemas diferentes e bases de dados centralizadas, garantindo escalabilidade sem comprometer a segurança. 

E, claro, não há como deixar de lado a governança de dados, com controles de acesso, auditoria constante e conformidade regulatória como pilares não negociáveis. Juntos, esses cuidados auxiliam que a capacidade de incorporar novos canais, como assistentes de voz e aplicativos corporativos, se torne ainda mais eficaz, enquanto aquelas que seguem esse caminho sem redesenhar toda a operação, perderão seu potencial competitivo. 

Até hoje, muitas empresas ainda tratam a voz, chat e mensagens como frentes separadas no atendimento ao cliente, com contratos, metas e fornecedores diferentes para cada um. Contudo, o consumidor moderno não enxerga canais isolados, mas sim uma relação com a marca. Traduzir essa percepção do consumidor em um modelo comercial assertivo é crucial para que gerem valor com essa estratégia, sempre se lembrando de prezar pela melhor experiência dos clientes ao longo de sua jornada. 

Renata Reis é CRO da Pontaltech, empresa especializada em soluções integradas de VoiceBot, SMS, e-mail, chatbot, WhatsApp e RCS.      

       

Sobre a Pontaltech:      

Fundada em 2011, a Pontaltech é uma empresa de tecnologia especializada em comunicação omnichannel que ajuda empresas a automatizar e escalar seus atendimentos com um portfólio composto por diversos canais digitais e de voz. Com soluções integradas de SMS, e-mail, chatbot, WhatsApp, RCS, VoiceBot, entre outros, simplifica a comunicação das empresas com seus clientes de forma inteligente e eficiente, sem nunca perder a proximidade humana. 



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Nathália Bellintani


Tel: +55 (11) 9848-4042
Email: nathalia@informamidia.com.br
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Marketing de influência: como potencializa a geração de negócios B2B?

 


Por Renan Cardarello

O marketing de influência já provou sua força no mercado B2C, mas ainda existe uma oportunidade pouco explorada no universo B2B: transformar especialistas em verdadeiros agentes de geração de negócios. Em um ambiente onde decisões de compra são mais complexas e envolvem múltiplos responsáveis, essa construção de credibilidade passou a ser um fator determinante para empresas que desejam gerar vendas de forma consistente – transformando autoridade em confiança, e confiança em oportunidades reais de geração de valor. 

Nesse cenário, especialistas, executivos e lideranças têm assumido um papel cada vez mais relevante na produção de conteúdo e no fortalecimento da reputação das marcas. Isso porque, mais do que ampliar o alcance das empresas, esses profissionais ajudam a construir autoridade, compartilhar conhecimento e aproximar as organizações de potenciais clientes, ao transformar suas experiências e perspectivas em pontos de conexão com um público que busca informação qualificada antes de tomar decisões. 

Isso, na prática, é visto em comunicações que vão além do que apenas institucionais. É muito comum, por exemplo, que, antes de contratar um fornecedor, os gestores pesquisem referências, acompanhem especialistas do setor e consumam conteúdos que demonstrem experiência prática sobre determinado assunto. Nesse contexto, a autoridade construída por pessoas passa a complementar a autoridade da própria empresa. 

Essa movimentação ganha ainda mais força com a consolidação dos canais digitais na jornada de compra B2B. Segundo o Panorama de Marketing e Vendas 2025, como prova disso, as redes sociais estão entre os principais canais utilizados pelas empresas para a geração de leads – o que reforça sua importância no ponto de relacionamento entre as partes, abrindo espaço para conteúdos produzidos por profissionais que atuam, diretamente, no mercado, e que, justamente por isso, conseguem agregar conhecimento, experiência e credibilidade às conversas que antecedem uma decisão de compra. 

Plataformas como o LinkedIn ganham protagonismo nesse processo. A rede deixou de ser utilizada apenas para networking e recrutamento, passando a funcionar como um ambiente de troca de conhecimento, compartilhamento de experiências e posicionamento profissional. Nesse contexto, publicações produzidas por especialistas ajudam a manter as empresas presentes no cotidiano de clientes e parceiros, fortalecendo sua reputação de forma contínua e criando pontos de contato que podem influenciar decisões futuras. 

Ainda, outro movimento que também vem crescendo é o employee advocacy, estratégia que incentiva colaboradores e lideranças a compartilharem, em seus próprios perfis, conteúdos relacionados ao mercado, tendências e boas práticas. Ao ampliar o número de vozes que representam a empresa, a organização consegue aumentar seu alcance de maneira mais orgânica e, ao mesmo tempo, fortalecer a percepção de autenticidade. Afinal, quando o conhecimento é compartilhado por pessoas que vivenciam o mercado e conhecem, de perto, os desafios dos clientes, a comunicação tende a ser percebida menos como publicidade e mais como uma contribuição relevante para a tomada de decisão. 

Esse tipo de estratégia, contudo, não substitui as ações tradicionais de marketing, pelo contrário. A atuação de especialistas potencializa iniciativas de branding, eventos e geração de demanda, criando diferentes pontos de contato ao longo da jornada de compra. Ainda mais, considerando que o mercado B2B depende, cada vez mais, da construção de relacionamento antes da abordagem comercial em si.  

Para que haja a conquista de resultados verdadeiramente positivos nesse sentido, é necessário produzir conteúdos relevantes de forma consistente. O objetivo não deve ser promover produtos ou serviços em todas as publicações, mas compartilhar conhecimento, análises, tendências e experiências capazes de gerar valor para o público, de forma que a venda seja uma consequência da autoridade construída ao longo do tempo.   

A comunicação precisa estar, constantemente, alinhada ao posicionamento corporativo, assegurando que as mensagens estejam coerentes com a visão do negócio e fortalecendo, assim, a identidade da organização, aumentando sua capacidade de gerar conexões duradouras. 

Em um ambiente digital marcado pelo excesso de informações, profissionais que compartilham conhecimento de forma consistente conseguem estabelecer relações de confiança que, dificilmente, seriam construídas apenas por campanhas publicitárias. Mais do que uma tendência, esse fortalecimento da autoridade representa uma evolução na forma como empresas se relacionam com o mercado, combinando conhecimento técnico, presença digital e produção de conteúdo relevante, e ampliando sua capacidade de gerar negócios e construir relacionamentos sustentáveis no ambiente B2B.   

Renan Cardarello é Fundador e Diretor da iOBEE - Agência de marketing digital e Growth.  

  

Sobre a iOBEE:  

https://iobee.com.br/  

Atuando de forma abrangente com serviços de Google Ads & Meta Ads, SEO, Inteligência em Gestão de Redes Sociais, Inbound Marketing e outros mais, a iOBEE é uma agência de marketing digital e tecnologia, com uma abordagem mais estratégica e serviços que atendem todas as áreas que são vitais para alavancar o faturamento das empresas. 



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terça-feira, 11 de agosto de 2026

 Pode ser uma imagem de texto que diz "Descansa em paz guerreiro MORRE O SETIMO PRESO POLÍTICO SEM SEM A JUSTIÇA FEITA Marco Aurélio Gonçalves Pedroso não resistiu à leucemia. Sua história é símbolo de uma dor que não pode ser esquecida."

5ª edição do Festival Caju de Leitores acontece em setembro no Território Indígena Pataxó, em Porto Seguro

 

Festival Caju de Leitores

5ª edição do Festival Caju de Leitores acontece em setembro no Território Indígena Pataxó, em Porto Seguro

Com o tema "Um Manifesto de Bichos", festival reúne literatura, oralidade, educação, artes e saberes indígenas nos dias 2, 3 e 4 de setembro, na Aldeia Xandó

O Festival Caju de Leitores realiza sua 5ª edição nos dias 2, 3 e 4 de setembro de 2026, na Aldeia Xandó, no Território Indígena Barra Velha, em Porto Seguro (BA). Com o tema “Um Manifesto de Bichos”, o evento terá programação gratuita e reunirá escritores, artistas, educadores, estudantes, pesquisadores, lideranças indígenas e comunidades em atividades dedicadas à literatura, à oralidade, às artes, à educação e aos saberes tradicionais.

Realizado desde 2022, o Caju de Leitores tem como eixos centrais a formação de leitores e a aproximação entre literatura, território e educação. Ao longo de suas edições, o festival vem ampliando a presença da literatura indígena em sua programação e fortalecendo o diálogo com autores, artistas, educadores e comunidades de diferentes territórios.

Em 2026, a realização do festival em território Pataxó ganha ainda mais centralidade. A programação acontecerá principalmente na Oca Tururim, na Aldeia Xandó, e abordará as relações entre literatura, memória, língua, natureza e os conhecimentos compartilhados pelas comunidades indígenas.

Um Manifesto de Bichos

O tema desta edição propõe olhar para os bichos a partir de diferentes narrativas, saberes e formas de relação com o território. “Um Manifesto de Bichos” atravessará rodas de conversa, contações de histórias, atividades literárias e experiências com as escolas, aproximando a literatura de questões relacionadas à natureza, à ancestralidade, à língua, à educação e aos modos de existência.

A proposta dialoga diretamente com o território onde o festival acontece e com a presença dos bichos nas histórias, nas memórias e nos conhecimentos do povo Pataxó.

A homenageada desta edição será Maria Coruja, liderança Pataxó cuja trajetória está ligada à comunidade, à memória e aos saberes do território.

Literatura, território e educação

A relação com as escolas permanece como um dos eixos centrais do Caju de Leitores. Estudantes e educadores participarão da programação não apenas como público, mas também compartilhando experiências e produções desenvolvidas no ambiente escolar.

Entre as ações previstas está o Vozes da Escola, espaço criado para que as instituições de ensino presentes no festival apresentem atividades realizadas por seus estudantes, como leituras, contações de histórias, poesias, músicas, pesquisas e produções literárias.

A programação dos três dias também contará com rodas de conversa, encontros com escritores e artistas, atividades sobre a língua e a cultura Pataxó e ações relacionadas ao território e ao meio ambiente.

Desde sua criação, o Caju de Leitores já alcançou mais de 12 mil pessoas em suas diferentes ações. Em sua quinta edição, o festival dá continuidade à construção de um espaço de encontro entre livros, leitores, escolas, escritores e comunidades, compreendendo a literatura também como instrumento de circulação de memórias, conhecimentos e diferentes formas de compreender o mundo.

Serviço

5ª edição do Festival Caju de Leitores
Tema: Manifesto de Bichos
Data: 2, 3 e 4 de setembro de 2026
Local: Oca Tururim, Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha, Porto Seguro (BA)
Acesso: gratuito
Programação: atividades literárias, rodas de conversa, encontros, ações educativas e apresentações relacionadas à literatura, à cultura, ao território e à natureza.

O Festival Caju de Leitores é uma realização do Ministério da Cultura e da Savá Cultural. Conta com patrocínio da Neoenergia e do Itaú, via Lei Rouanet, além da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, por meio da Superintendência de Cultura e Patrimônio Histórico. Tem ainda parceria acadêmica da Universidade Federal do Sul da Bahia.

Informações para a imprensa

Débora do Carmo
Assessoria de imprensa regional
abcdeboraa@gmail.com
11 95772-1789

Gabriela Toledo
Assessoria de imprensa nacional
obaramail@gmail.com
11 98227-0770

ACESSO EXCLUSIVO PARA IMPRENSA (não divulgar): https://drive.google.com/drive/folders/1cFuQ6KoWAfVJWzYzFzFlrDrJPBvYk2U2?usp=sharing 



A programação dos três dias também contará com rodas de conversa, encontros com escritores e artistas, entre outras atividades Desde sua criação, o Caju de Leitores já impactou mais de 12 mil pessoas em suas diferentes ações O 5º Festival Caju de Leitores acontece nos dias 2, 3 e 4 de setembro, na Aldeia Xandó, no Território Indígena Barra Velha, em Porto Seguro (BA)
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Savá Cultural
producao@cajuleitores.com.br
(73) 99916-2495

A FRIA SOMBRA QUE NOS ASSOMBRA

 



por Dartagnan da Silva Zanela (*)

Sempre desconfiei daqueles caboclos que dizem, com o peito estufado, que não têm medo de nada, porque coragem é uma virtude que, como toda e qualquer virtude, dispensa alardes. De mais a mais, coragem não significa viver sem nada temer, mas sim viver e enfrentar os seus temores, mesmo estando se borrando de medo. O resto, te digo, é apenas encenação e efeito pirotécnico.

Eu, de minha parte, admito: tenho um punhado de medos. Um deles é de pessoas e organizações que dizem que aqui estão para “restabelecer a verdade”, “salvaguardar as instituições” e tra-la-lá. Toda vez que uma turma se apresenta assim, com toda essa marra e sofisticação, não tenho dúvida alguma: são discípulos da Rainha de Copas que não medirão esforços para fazer imperar a insânia e o engodo.

Por exemplo, ao voltarmos nossos olhos para a história desta terra de desterrados que é o nosso país, lembramos que, nos idos dos anos 60, quando aqui imperava o tempo do “Ame-o ou deixe-o”, o regime militar jurava, de coturnos juntos, que estava agindo em nome — adivinhe do quê? — da defesa das instituições.

Aliás, vale muito a pena reler um trecho de um dos documentos históricos dessa época. Um trecho do famigerado AI-5, de 13 de dezembro de 1968, que marcou o começo do tempo mais sombrio deste período umbrífero da história do Brasil, que diz o seguinte: “conforme decorre dos Atos com os quais se institucionalizou, fundamentos e propósitos que visavam a dar ao País um regime que, atendendo às exigências de um sistema jurídico e político, assegurasse autêntica ordem democrática, baseada na liberdade, no respeito à dignidade da pessoa humana...”, e trelelé.

Que coisa, hein? Então quer dizer que órgãos de imprensa, jornalistas, artistas e intelectuais foram censurados, prisões arbitrárias foram realizadas, pessoas foram torturadas e mortas em um regime de exceção em nome da “ordem democrática”? Isso mesmo.

Agora, se voltarmos nossos olhos para o Velho Mundo, num outro contexto, quando o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, capitaneado por Adolf [bigodinho do satanás] Hitler, tomou o poder, eles juravam de pés juntos que, entre outras coisas, iriam restabelecer a verdade. Pois é: deu no que deu.

Aliás, vale lembrar que esse partido, quando esteve à frente da Alemanha, tinha inclusive um órgão criado especificamente para restabelecer a “verdade”. Era o Ministério do Reich para o Esclarecimento Popular e Propaganda, chefiado por Joseph Goebbels.

Ora, meu caro Watson, vale a pena lembrar que todo aquele que se dá ao trabalho de censurar nunca diz que está calando uma verdade inconveniente, nada disso. Todo bom censor, por definição, afirma que está agindo pelo bem do povo, das instituições e, é claro, para proteger a todos contra as mentiras, calúnias e fake news espalhadas por sujeitos tão “ardilosos” quanto “ameaçadores”.

Por isso, não nos esqueçamos: arbitrariedades e tiranias raramente são implementadas declaradamente pelo vil prazer sádico e escancarado de abusar do poder. Nananinanão. Essas tranqueiras — autoritárias ou totalitárias — sempre foram, e sempre serão, implantadas em nome de algum ideal fofo que justifique e disfarce bem a sanha maquiavélica que as motiva. E quem diz o contrário, não sei não; talvez esteja — ou gostaria de estar — se locupletando com alguma farra dessas.

Ainda bem que esse tipo de arbitrariedade suprema, em nosso país, é uma página virada da nossa história. Mas o que dá medo é que temos o péssimo hábito de ignorar as lições da mestra da vida, ou não?

*
 
(*) professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “NAS ENTRANHAS DO LEVIATÔ, entre outros livros.

domingo, 9 de agosto de 2026

O valor do dinheiro: por que a liberdade econômica é o contraponto ao excesso de intervenção estatal

 


 

Jordani Maciel

             Quando falamos sobre dinheiro, normalmente pensamos em uma nota de papel ou no saldo disponível em uma conta bancária. Porém, o verdadeiro valor do dinheiro vai muito além de um número. Ele está no poder de compra, na confiança que uma moeda transmite e na capacidade de pessoas, empresas e investidores planejarem o futuro.

Em 1994, o Brasil iniciou uma das maiores transformações econômicas de sua história com a implantação do Plano Real. Um país marcado por décadas de hiperinflação passou a conviver com algo essencial para qualquer sociedade que deseja crescer: previsibilidade.

Mais de três décadas depois, uma reflexão continua necessária: o que antes representava R$ 100,00 no início do Plano Real possui hoje um poder de compra equivalente a R$ 12,33. Para dimensionar essa corrosão na base da sociedade, basta olhar para o Salário Mínimo em 1994. Convertido para a nova moeda representava pouco mais de R$ 60,00, enquanto atualmente supera R$ 1.600,00 em valor nominal.

Entretanto, o crescimento do número estampado no contracheque não significa, necessariamente, aumento proporcional do poder de compra. Essa diferença revela uma realidade que muitas vezes passa despercebida: a inflação reduz silenciosamente o valor do dinheiro, dificulta o planejamento e influencia diretamente as decisões das famílias, das empresas e dos investidores.

Essa perda de valor do dinheiro pode ser analisada sob dois aspectos:

a) O impacto sobre o poder de compra: a inflação reduz a quantidade de bens e serviços que uma determinada quantia consegue adquirir ao longo do tempo. A nota continua tendo o mesmo valor nominal, mas sua capacidade econômica real despenca.

b) O impacto sobre o planejamento: quando famílias, empresas e investidores perdem a previsibilidade econômica, tomar decisões de longo prazo torna-se um exercício de alto risco. Investimentos, contratações e expansão de negócios passam a ser travados pela incerteza.

O Plano Real foi responsável por controlar a hiperinflação e recuperar a confiança na moeda brasileira. Entretanto, preservar o valor do dinheiro continua sendo um desafio constante. A estabilidade econômica não é uma conquista definitiva; ela depende de responsabilidade fiscal, segurança jurídica, respeito às instituições e de um ambiente capaz de gerar confiança.

A inflação não aparece apenas nos indicadores econômicos. Ela está no supermercado, no custo de vida, nos investimentos, nos salários e nas decisões tomadas diariamente por quem produz. Funciona como um imposto silencioso, corroendo o poder de compra e reduzindo a capacidade de as  famílias e empresas planejarem o futuro.

Para quem empreende, cada aumento de custo representa uma escolha difícil: absorver perdas, repassar reajustes ao consumidor ou buscar ganhos de produtividade para manter a competitividade. Em ambientes de incerteza, investir deixa de ser apenas uma oportunidade e passa a representar um risco maior.

Nas últimas décadas, consolidou-se a ideia de que um Estado cada vez mais presente seria capaz de organizar melhor a atividade econômica. Contudo, a experiência prática e os números revelam o oposto: com uma média de crescimento anual do PIB brasileiro travada em torno de modestos 2% a 2,4% ao longo dos anos, e uma carga tributária que ultrapassa 33% da riqueza nacional, o excesso de intervenção, a burocracia excessiva e a insegurança regulatória produzem efeitos contrários aos desejados. Em vez de desenvolvimento, limitam a inovação, reduzem os investimentos produtivos e aumentam os custos de quem gera riqueza e empregos.

O desafio de uma sociedade moderna não está em escolher entre Estado ou mercado, mas em encontrar o equilíbrio adequado. O Estado possui um papel fundamental na criação de regras claras, na garantia da segurança jurídica e na construção de um ambiente estável. Porém, quando ultrapassa esses limites e passa a substituir a iniciativa das pessoas e das empresas, pode reduzir a capacidade de inovação e crescimento.

É nesse contexto que a liberdade econômica se apresenta como um contraponto necessário. Não por defender a ausência do Estado, mas por reconhecer que o desenvolvimento depende de previsibilidade, confiança e liberdade para empreender. Um ambiente econômico saudável permite que pessoas e empresas assumam riscos, invistam, inovem e criem oportunidades.

A Lei da Liberdade Econômica representa essa mudança de perspectiva. Mais do que simplificar procedimentos, ela reforça a ideia de que o Estado deve atuar como garantidor das regras do jogo, oferecendo segurança para quem deseja produzir, investir e gerar empregos. Reduzir burocracias desnecessárias e fortalecer a livre iniciativa significa ampliar as condições para o crescimento sustentável.

Empresas não existem apenas para gerar resultados financeiros. Elas movimentam a economia, criam empregos, desenvolvem comunidades e transformam realidades. Para cumprir esse papel, precisam de previsibilidade, confiança e liberdade para produzir.

No fim, o valor do dinheiro representa muito mais do que uma questão econômica. Representa a confiança de uma sociedade em seu próprio futuro. E confiança não nasce do excesso de controle, mas da combinação entre estabilidade, responsabilidade e liberdade.

Quando esses pilares caminham juntos, quem prospera não são apenas as empresas, mas toda a sociedade.

*              O autor, Jordani Maciel, é Administrador, ex-diretor de Desenvolvimento Econômico e Habitação e relator da Lei da Liberdade Econômica de Glorinha/RS.

o preço do crime

 


 

Claudio Apolinario

O Brasil perde mais de R$ 693 bilhões por ano com a criminalidade. Mas o custo mais alto não aparece nos números — aparece nas vidas que param.

Em 2024, o Brasil registrou 42.590 homicídios. São 116 pessoas mortas por dia. Quatro a cada hora. Enquanto você lê este parágrafo, alguém no Brasil está sendo assassinado.

Esses números são do Atlas da Violência 2026, publicado pelo Ipea em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O dado oficial aponta queda de 7,4% em relação a 2023 — o menor patamar desde 2014. Mas o próprio Ipea alerta: parte das mortes simplesmente não está sendo contada. Quando esses casos são incluídos, a queda real cai para apenas 0,3%. Na prática, estagnação.

E mesmo aceitando os números oficiais como verdadeiros, o Brasil perdeu mais de 300 mil jovens entre 15 e 29 anos para a violência em onze anos. Não são estatísticas. São pessoas. São filhos, pais, irmãos que não voltaram para casa.

Mas há uma dimensão desse problema que raramente aparece no debate público. O custo econômico da violência.

Segundo o Ipea, o Brasil perde o equivalente a R$ 693 bilhões por ano com os efeitos do crime — quase 6% de tudo que o país produz em um ano inteiro — mais do que todo o orçamento federal de saúde e educação somados. O número inclui gastos com segurança, perdas de produtividade, danos à propriedade e o custo humano das mortes prematuras. Cada homicídio custa, em média, R$ 1 milhão aos cofres públicos — somando saúde, previdência, segurança, processos judiciais e perda de produtividade. Com mais de 42 mil homicídios por ano, a conta ultrapassa R$ 42 bilhões só com mortes.

Empresas brasileiras gastam R$ 170 bilhões por ano em segurança privada — 1,7% do PIB, segundo a Confederação Nacional da Indústria. São recursos que não constroem nada, não criam empregos, não melhoram a vida de ninguém. São gastos para tentar compensar a ausência do Estado onde ele mais deveria estar presente: garantindo que as pessoas possam viver e trabalhar em segurança.

E aqui está o ponto que o debate político prefere evitar: o problema não é falta de policial. É a impunidade.

Em 2023, apenas 36% dos homicídios dolosos — quando há a intenção de matar — foram esclarecidos, segundo o Instituto Sou da Paz. Isso significa que em 64% dos assassinatos, ninguém foi responsabilizado. Nenhuma investigação concluída. Nenhuma denúncia ao Ministério Público. Nenhuma punição.

Na Bahia, o pior estado do ranking, apenas 13% dos homicídios foram esclarecidos. Na prática, quem mata na Bahia tem 87% de chance de não ser responsabilizado.

Esse dado explica tudo o que os discursos sobre segurança pública não conseguem explicar. O crime não persiste porque faltam policiais. Persiste porque matar no Brasil raramente tem consequência. A polícia prende — e com frequência o sistema solta. O inquérito some na fila. O processo prescreve. A impunidade não é exceção. É o padrão.

Um país que não pune o crime ensina que o crime compensa. E quando o crime compensa, ele se expande — para as comunidades, para as periferias, para os jovens sem perspectiva que aprendem cedo que a lei não vale para todos da mesma forma.

O crime não é um problema de falta de recursos para a segurança pública. O Brasil gastou R$ 124,8 bilhões em segurança pública em 2023, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O problema é que esse dinheiro entra num sistema que não fecha o ciclo — que investiga pouco, denuncia pouco, condena pouco e prende ainda menos.

E o custo vai além do bolso. Uma criança que cresce num bairro onde tiroteios são rotina, perde dias de aula. O professor pede transferência. O comerciante fecha mais cedo. O investidor escolhe outra cidade. O ciclo de pobreza se aprofunda — não porque as pessoas não querem trabalhar, mas porque o Estado não consegue garantir o mínimo: que elas cheguem ao trabalho e voltem para casa.

A solução não está em mais gastos com segurança. Está em acabar com a impunidade — investigar mais, denunciar mais, julgar mais rápido e punir com consistência. Não como vingança. Como sinal claro de que o crime tem preço.

Quando o Estado não dá esse sinal, alguém ocupa o vácuo. E quem ocupa nas periferias brasileiras não é o governo — é o crime organizado, com suas próprias regras, sua própria justiça e seu próprio preço para quem desobedece.

*          O autor, Claudio Apolinario, é articulista e analista político.

As doze mentiras que sustentam o Crime Organizado no Brasil

 


 

 

Francisco Carneiro Junior

E Por Que Elas Caem, Uma a Uma, Diante dos Fatos

 

Há um vocabulário inteiro construído para que o brasileiro comum nunca precise olhar de frente para o tamanho real do problema que ocupa o seu país. Esse vocabulário não nasce do debate técnico, nasce do conforto retórico: frases curtas, repetidas em estúdio de televisão, em postagem de rede social, em nota de ONG e em parecer de comissão parlamentar, que dispensam quem as repete de qualquer obrigação de prova e que, ao mesmo tempo, blindam exatamente quem mais se beneficia da inércia do Estado brasileiro diante do território que o crime organizado já ocupa. Não é coincidência que essas frases sobrevivam por décadas sem nunca serem submetidas a um teste empírico sério. Elas não precisam ser verdadeiras. Precisam apenas ser repetíveis. E o que se segue é exatamente isso: o teste que essas doze frases nunca quiseram enfrentar, frase por frase, fato por fato, sem anestesia.

“O Brasil é soberano.”

É a frase mais confortável de todas, a que abre qualquer discurso oficial sobre segurança pública e fecha qualquer debate antes que ele comece. Pergunte isso a um morador de uma comunidade sob hegemonia de facção e a resposta virá em silêncio, no jeito como ele evita determinada rua porque sabe que ali existe pedágio armado, no jeito como a concessionária de energia precisa negociar acesso ao poste com quem nunca disputou eleição alguma, no jeito como o motorista de aplicativo memoriza, sem precisar de mapa nenhum, onde termina a jurisdição da Constituição e onde começa a jurisdição do fuzil. Soberania não é o título que se ostenta no preâmbulo de uma carta constitucional. É a capacidade concreta, mensurável, de o Estado fazer valer sua autoridade sem pedir licença a um terceiro armado. E o ano de 2026 trouxe a prova mais humilhante dessa fratura: foi um governo estrangeiro, e não o brasileiro, quem primeiro chamou a coisa pelo nome. Em 28 de maio, o Departamento de Estado dos Estados Unidos, sob assinatura do secretário Marco Rubio, classificou o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como Terroristas Globais Especialmente Designados, com efeito a partir de 5 de junho, e anunciou a intenção de também os enquadrar como Organizações Terroristas Estrangeiras. A decisão não nasceu no vácuo. Nasceu de articulação política conduzida pelo senador Flávio Bolsonaro, que dois dias antes havia se reunido com o próprio presidente Donald Trump e, na véspera do anúncio, com Rubio, pedindo explicitamente esse enquadramento. O governo Lula reagiu como reage todo poder que prefere administrar a vergonha a admitir a derrota: chamou a designação de risco à soberania nacional, de manipulação política promovida por “falsos patriotas” e insistiu que o terror praticado por essas organizações busca lucro, não ideologia, e que por isso não se equipara, tecnicamente, ao terrorismo internacional. A nota é juridicamente defensável e politicamente patética ao mesmo tempo, porque ela defende uma soberania de papel justamente no momento em que o papel já não vale nada nas ruas de três milhões e meio de moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro que vivem, segundo o mapeamento mais recente do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense em parceria com o Instituto Fogo Cruzado, sob domínio territorial direto de milícias e facções, parcela que corresponde a quatorze por cento de toda a área urbanizada da região. Soberania que precisa ser defendida com nota oficial, mas não com presença armada contínua, é exatamente o tipo de soberania que um governo estrangeiro tem todo o direito de não respeitar.

“Pancadão é festa.”

A segunda mentira tenta vestir de cultura aquilo que é, na realidade, logística de poder. O argumento cultural é sedutor justamente porque mobiliza um sentimento legítimo, a defesa da expressão popular contra o preconceito de classe, mas esconde uma função econômica que raramente entra no debate. O evento de rua com fluxo intenso de dinheiro vivo, sem fiscalização fiscal de qualquer espécie, funciona também como mecanismo de lavagem e circulação de capital de origem difícil de rastrear, e essa não é uma acusação gratuita: é a mesma lógica que motivou Francisco a investigar, em trabalho anterior, como parte da indústria do funk no Brasil opera como canal de lavagem de dinheiro para organizações criminosas que financiam o próprio evento que depois se apresenta como manifestação espontânea de lazer popular. Cultura autêntica não depende de fechamento ilegal de via pública, não depende de presença armada discreta nas saídas para garantir que nenhum forasteiro circule sem ser notado, não depende de segurança que pergunta documento antes de o Estado perguntar qualquer coisa. Manifestação cultural não precisa de sentinela. Poder territorial precisa. E a distinção entre as duas coisas é exatamente o que a frase tenta apagar, porque uma vez apagada essa distinção, toda crítica técnica ao financiamento criminoso de eventos de massa passa a ser tratada como ataque à cultura popular, quando na verdade é o contrário: é defesa da cultura popular contra quem a sequestrou como fachada.

“A polícia é o problema.”

A terceira mentira é a mais perigosa de todas porque finge ser progressista enquanto entrega a rua a quem nunca mereceu recebê-la. Em qualquer território onde o Estado perde o monopólio legítimo da força, o vácuo nunca é ocupado por harmonia espontânea. É ocupado por quem já tinha capacidade de impor regra à força antes da polícia chegar e que continuará tendo essa capacidade depois que ela sair. Esse não é um argumento ideológico, é uma lei observável em qualquer território do planeta onde o Estado recuou: do Sahel à fronteira colombiana, do interior do México às próprias favelas brasileiras antes e depois da era das Unidades de Polícia Pacificadora. Retirar a polícia da equação não devolve a rua ao cidadão comum, devolve a rua a quem já estava armado. Críticas pontuais a abusos específicos, a excessos documentados, a operações mal planejadas, são legítimas e necessárias, e nenhum profissional de tropa de elite que já vestiu uniforme operacional discorda disso. Mas usar esses casos pontuais para deslegitimar a função policial como instituição é confundir o instrumento mal utilizado com a inexistência de qualquer instrumento. A alternativa real à presença policial, mesmo a presença policial imperfeita, nunca foi liberdade. Foi domínio de quem a polícia deveria conter.

“O crime nasce da fome.”

A quarta mentira tenta explicar com miséria aquilo que nasceu, documentadamente, dentro de cela. Se essa equação fosse verdadeira, bastaria erradicar a pobreza para erradicar o crime organizado, e a história recente de países que reduziram drasticamente a miséria sem reduzir na mesma proporção o crime corporativo mostra que a conta não fecha. O Primeiro Comando da Capital nasceu em 1993 dentro do sistema penitenciário paulista, fundado por presos comuns que perceberam, com frieza absolutamente empresarial, a vantagem econômica de estruturar hierarquia, disciplina e estatuto interno. O Comando Vermelho nasceu ainda antes, em 1979, na Ilha Grande, na convivência forçada entre presos comuns e presos políticos da ditadura, que ensinaram aos primeiros disciplina organizacional, célula, compartimentação. Fome explica furto isolado de sobrevivência. Não explica organização com estatuto escrito, comando reconhecido hierarquicamente e capacidade de tributar bairro inteiro como se fosse contribuinte regular de uma prefeitura paralela. Atribuir a existência da facção à fome é confundir o sintoma da desigualdade brasileira, que é real e que merece política pública séria, com a arquitetura deliberada de quem decidiu lucrar com ela.

“Desarmar a população reduz a violência.”

A quinta mentira inverte o risco e chama isso de proteção. O cálculo por trás da política de desarmamento civil parte de uma premissa que o comportamento cotidiano do criminoso desmente todos os dias: a de que quem já rompeu a lei mais grave do ordenamento jurídico, a que proíbe matar, vai se conter diante de uma lei muito mais branda, a que regula posse e porte de arma de fogo. O efeito prático do Estatuto do Desarmamento, sancionado em 2003 sob enorme entusiasmo do establishment político e midiático da época, não foi simetria de paz. Foi assimetria de risco. O cidadão ordeiro perdeu, em larga medida, a ferramenta de defesa imediata exatamente no momento em que o agressor manteve a sua intacta, porque facção criminosa não compra fuzil em loja registrada e não se submete a cadastro de posse responsável. Reduzir a circulação legal de armas entre quem nunca pretendeu usá-las contra ninguém, sem reduzir na mesma proporção o arsenal de quem já as usa todos os dias contra civis e contra policiais, não desarma a violência. Apenas escolhe, com uma assinatura de canetada legislativa, de que lado dela a desvantagem vai recair.

“Barricada é questão social.”

A sexta mentira desloca para o urbanismo aquilo que pertence à logística de guerra territorial. Toda estrutura física de controle de acesso, seja muro, seja cancela, seja barricada de madeira e fogo erguida às pressas, existe para regular quem entra e quem sai de um espaço, e quem regula esse fluxo exerce poder sobre quem depende dele para circular. A barricada erguida em via de comunidade dominada não nasce de carência de infraestrutura. Nasce de necessidade tática de quem precisa de tempo de reação contra a chegada da polícia e de instrumento de controle sobre o próprio morador, que perde a autonomia de ir e vir sem autorização de quem ergueu a estrutura. Isso não é especulação literária. É exatamente o que se viu, documentado por câmera de celular e por reportagem ao vivo, na manhã de 28 de outubro de 2025, quando organizações criminosas incendiaram barricadas, posicionaram setenta e um ônibus atravessados nas principais vias da Zona Norte do Rio de Janeiro e lançaram explosivos por meio de drones contra equipes de força especial durante a chamada Operação Contenção. Chamar isso de questão social é deslocar para o campo da assistência urbana aquilo que qualquer oficial de operações táticas reconhece, no primeiro segundo de leitura de cenário, como manual de guerra irregular.

“Bandido é vítima da sociedade.”

A sétima mentira rebaixa moralmente quem resistiu à tentação ao equiparar quem cedeu a ela. A mesma estrutura social que produz o traficante produz, na vasta maioria estatística dos casos, o trabalhador que nunca cometeu crime algum, criado na mesma rua, sob a mesma ausência de Estado, com a mesma falta de oportunidade. Se a circunstância bastasse como explicação causal completa, o resultado seria uniforme. Não é. O que distingue os dois destinos não é o ambiente compartilhado, é a decisão individual tomada dentro dele, e atribuir essa decisão inteiramente a fatores externos retira do criminoso a condição de agente moral responsável pelos próprios atos — condição que, paradoxalmente, é a mesma que permite reconhecer mérito e dignidade a quem, na mesma circunstância, escolheu o caminho honesto. Tratar o bandido como vítima não engrandece o pobre. Rebaixa ao mesmo patamar moral aquele que resistiu e aquele que cedeu, e isso é, sob qualquer ética que mereça o nome, uma injustiça contra o primeiro.

“Retomar território é impossível.”

A oitava mentira chama de impossibilidade técnica o que é, na verdade, falta de vontade política de pagar um custo. Toda afirmação sobre impossibilidade política, quando examinada de perto, revela-se afirmação sobre custo, não sobre limite técnico. A prova está documentada em números frios e em sangue real. Em 28 de outubro de 2025, aproximadamente dois mil e quinhentos agentes de segurança do estado do Rio de Janeiro, sob comando do governador Cláudio Castro, deflagraram a Operação Contenção nos Complexos da Penha e do Alemão, cumprindo cem mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho em vinte e seis comunidades. O resultado operacional foi a apreensão de mais de uma tonelada de droga e cento e dezoito armas, incluindo noventa e três fuzis de procedência identificada em fábricas clandestinas e em arsenais de origem venezuelana, argentina e peruana — prova material, e não retórica, de que o domínio armado daquele território estava lastreado em capacidade bélica equivalente a tropa regular. O custo humano foi monumental: cento e vinte e um mortos confirmados oficialmente, a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, superando até a Chacina do Carandiru. Cláudio Castro chamou a ação de sucesso. Parte da sociedade civil, defensoria pública e Ministério Público abriram apuração sobre possíveis execuções, sobre cadáveres encontrados amarrados, sobre indícios de fraude processual na cena do crime, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou em fevereiro de 2026 que o governo fluminense, o Ministério Público estadual e o Conselho Nacional de Justiça prestassem esclarecimentos formais sobre todas as fases da operação. A controvérsia é real e nenhuma análise séria a esconde. Mas o que a controvérsia jamais conseguiu desfazer foi o fato operacional bruto: o domínio do Comando Vermelho sobre aquele perímetro recuou, de forma mensurável, depois de décadas em que recuar parecia impossível. O preço foi imenso. A impossibilidade, não.

“Reduzir a maioridade penal vai aumentar o problema.”

A nona mentira inverte causa e efeito com uma elegância retórica que não resiste ao primeiro contato com a prática das próprias facções. O recrutamento sistemático de adolescentes para funções de risco máximo — vigilância armada, execução, transporte de carga ilícita — não acontece por afinidade etária. Acontece porque a estrutura penal vigente oferece a essas organizações um ativo extremamente valioso: o agente capaz de matar e morrer sem responder como adulto pelas consequências, protegido pelo limite de internação que o Estatuto da Criança e do Adolescente fixa em no máximo três anos, com ficha que se apaga depois da soltura. Em 10 de junho de 2026, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou, por quarenta e quatro votos a dezoito, a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição que reduz de dezoito para dezesseis anos a idade mínima de responsabilização penal, sob relatoria do deputado Coronel Assis, do PL do Mato Grosso. A oposição, representada por nomes como o deputado Tadeu Veneri, do PT do Paraná, e a deputada Sâmia Bonfim, do PSOL de São Paulo, argumentou que a medida é eleitoreira, que vai parar no Supremo Tribunal Federal por violar cláusula pétrea e que vai apenas empurrar o recrutamento para idades ainda mais baixas. Esse último argumento merece resposta técnica, não dispensa retórica: ele assume que existe, hoje, algum piso de proteção real contra o recrutamento infantil pelas facções, quando na verdade o que existe é o oposto, um incentivo estrutural explícito ao uso de menores como instrumento descartável de violência, precisamente porque o sistema atual já garante impunidade prática a quem recruta e a quem é recrutado. Reduzir a maioridade penal não cria uma vulnerabilidade nova. Fecha a brecha jurídica que hoje funciona como vantagem competitiva de quem usa criança como escudo legal e operacional. O deputado Mendonça Filho, defensor da proposta, lembrou que o Brasil registra ao redor de quarenta e quatro mil homicídios por ano e descreveu a situação como padrão de guerra civil que o debate público insiste em fingir não existir. A comparação com El Salvador, onde o regime de exceção do presidente Nayib Bukele esvaziou bairros inteiros de domínio de maras ao custo de uma política prisional de dureza extrema, não é usada por acaso nesse debate: é usada porque, goste-se ou não do método, o resultado empírico de redução de homicídio está documentado, e isso pesa mais, para quem sofre a violência todos os dias, do que qualquer objeção de principiologia constitucional discutida a portas fechadas em Brasília.

“Milícia é o mal menor.”

A décima mentira trata como equivalentes duas estruturas que nascem de origens moralmente opostas. Comparar milícia e tráfico como se fossem apenas pontos diferentes de gravidade na mesma escala ignora exatamente a origem que separa as duas estruturas. O traficante nunca pertenceu ao aparato que deveria combatê-lo. O miliciano, na maioria documentada dos casos, sim, e usa o treinamento, o conhecimento operacional e por vezes o próprio distintivo recebido do Estado para construir domínio paralelo sobre gás, água, internet e transporte alternativo dentro do território que jurou proteger. O mapeamento mais recente do Geni-UFF em parceria com o Instituto Fogo Cruzado confirma que essa traição de origem não é figura de linguagem: milícias ainda respondem pela maior fatia histórica das áreas dominadas ou influenciadas por grupos armados na região metropolitana do Rio de Janeiro, mesmo após perderem espaço territorial para o Comando Vermelho nos últimos anos, em uma disputa que inclui inclusive a venda informal de território entre grupos rivais, como ocorreu em Bangu, na Zona Oeste fluminense, quando uma milícia local repassou parte de sua área de influência ao Terceiro Comando Puro. Essa traição de origem não torna a milícia mais branda. Torna-a mais corrosiva, porque corrompe por dentro exatamente a instituição que a sociedade deveria poder confiar como antídoto contra esse tipo de domínio.

“Operação policial não resolve.”

A décima primeira mentira confunde limite temporal de uma ação com prova de inutilidade estrutural. Quem sustenta essa frase raramente apresenta o que resolveria em seu lugar, e esse silêncio é o ponto mais revelador do argumento. Toda operação tem custo e limite temporal, isso é fato técnico inquestionável; tratar esse custo pontual como prova de inutilidade é erro de raciocínio, não conclusão de evidência. A pergunta correta nunca foi se uma operação isolada resolve o problema por completo. Foi se a presença sustentada do Estado, com continuidade e inteligência, reduz o domínio armado ao longo do tempo, e a própria disputa institucional em torno da Operação Contenção prova o ponto às avessas: o motivo pelo qual o Supremo Tribunal Federal, por meio do ministro Moraes, e o Ministério Público fluminense passaram a exigir relatórios contínuos sobre cada fase da ação não foi para provar que ela não funcionou taticamente, foi para garantir que o sucesso tático não vire pretexto para abandono da fiscalização institucional depois que as câmeras de televisão desligarem. Presença intermitente, qualquer que seja a desculpa para ela, sempre ensina ao território ocupado que a ausência do Estado vai voltar.

“Endurecer pena não resolve, o problema é a impunidade estrutural.”

A décima segunda mentira acerta o diagnóstico e erra a receita. A premissa está correta — a impunidade estrutural brasileira é fato documentado, grave e antigo. A conclusão que se extrai dela, porém, não decorre logicamente da premissa. Recursos protelatórios manipulados, prescrição usada como estratégia de defesa e sistema prisional incapaz de gerir sua própria capacidade não são argumento contra pena mais severa, são argumento a favor de corrigir a engrenagem que impede qualquer pena, leve ou severa, de se cumprir de fato. Essa é exatamente a disputa que paralisou o Congresso Nacional ao longo de 2025 e 2026 em torno do chamado Marco Legal de Combate ao Crime Organizado. O projeto original do governo Lula, enviado sob o número 5582/2025, criava o tipo penal de organização criminosa qualificada, com pena entre oito e quinze anos, voltado a grupos que controlam território por meio de violência sistemática. O deputado Guilherme Derrite, secretário de Segurança Pública de São Paulo sob o governo de Tarcísio de Freitas, relator do projeto na Câmara, apresentou substitutivo que eliminou essa figura e equiparou facções e milícias diretamente ao regime da Lei Antiterrorismo, elevando penas e reduzindo o papel de coordenação da União. O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias, acusou Derrite de ter contaminado politicamente um projeto técnico para transformá-lo em instrumento de disputa eleitoral. Derrite respondeu, sem rodeios, que é hora de endurecer a lei, não de suavizá-la. Em paralelo, tramitava ainda o Projeto de Lei 1283/2025, de autoria do deputado Danilo Forte, que pretendia o mesmo enquadramento antiterrorista, sob relatoria sucessiva de Alexandre Ramagem e depois de Nikolas Ferreira. O ponto que une as duas frentes legislativas, apesar de toda a disputa partidária entre elas, é o reconhecimento, mesmo que tácito, de que o arcabouço penal de 2013 já não corresponde ao tamanho real da ameaça, e essa é a única conclusão coerente que se pode extrair da premissa da impunidade estrutural: corrigir a engrenagem processual e, ao mesmo tempo, endurecer a pena, porque pena dura sem certeza de cumprimento não inibe ninguém, e abandonar o endurecimento por causa da impunidade processual é resolver a metade errada do problema.

As doze mentiras compartilham um único mecanismo, e identificá-lo é mais importante do que desmontar cada frase isoladamente: deslocar a responsabilidade do agente que escolhe o crime, ou da estrutura que o sustenta, para qualquer abstração disponível — pobreza, cultura, corporação policial, idade penal ou o próprio conceito de soberania nacional. Mas há um risco em parar aqui, em tratar como doze problemas isolados aquilo que é, na verdade, um único fenômeno com doze sintomas. Chamar facção criminosa de problema social, chamar domínio territorial de tráfico comum, chamar extorsão sistemática de cultura de rua, é recusar-se a nomear o que de fato ocupa parte do mapa brasileiro. Quem domina território, impõe medo de forma sistemática sobre população civil inteira e ataca com violência letal quem ousa resistir não está cometendo crime no sentido tradicional do termo. Está exercendo controle armado com finalidade territorial e econômica, com estrutura de comando, logística de combate e capacidade de mobilização equivalente, em escala local, a um exército irregular. A diferença entre essa categoria e o crime comum não é semântica, é doutrinária: esse tipo de ameaça exige resposta de inteligência permanente, doutrina de guerra irregular e continuidade estratégica de décadas, enquanto crime comum se resolve com policiamento ostensivo de rotina. Foi exatamente essa percepção, amadurecida sob enorme pressão diplomática externa, que levou Washington a classificar Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas globalmente designadas antes que Brasília o fizesse, e foi a mesma percepção que moveu deputados de diferentes bancadas a tentar, por caminhos legislativos distintos e às vezes rivais entre si, alcançar a mesma equiparação dentro da legislação brasileira. O governo Lula pode resistir ao rótulo internacional, e tem argumentos jurídicos técnicos respeitáveis para isso, mas não pode mais negar a substância sem que a negação pareça, ela mesma, parte do problema.

A prova de que se trata de governo paralelo, e não de criminalidade dispersa, está na lista exata de funções que hoje dependem de autorização armada em território dominado. Internet, gás de cozinha, transporte alternativo, abertura e funcionamento de comércio, circulação de pessoas pela própria rua: quando o acesso a cada uma dessas necessidades básicas de vida civil passa pelo crivo de quem porta fuzil, esse território já não é administrado pelo Estado brasileiro. É administrado por quem ali impôs sua própria estrutura de cobrança e permissão, com os mais de três milhões e quatrocentos mil moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro vivendo sob esse domínio direto, segundo o levantamento mais recente do Geni-UFF, e com áreas urbanizadas inteiras — a Zona Oeste da capital fluminense é o exemplo mais extremo, com a maior parte de seu território sob controle ou influência armada — funcionando, na prática administrativa cotidiana, sob jurisdição paralela. Isso não é figura de linguagem. É descrição técnica de governo de fato, ainda que ilegítimo e nunca reconhecido como tal pelo discurso oficial. Negar essa realidade não a apaga. Apenas atrasa a hora em que o Estado vai precisar reconhecê-la para poder revertê-la.

E quem paga a conta dessa governança paralela nunca é quem a romantiza à distância, do conforto de um apartamento na Zona Sul ou de um estúdio de televisão. É o pequeno comerciante que abre a loja sabendo que parte do lucro do mês já está comprometida com taxa que não consta em nenhuma nota fiscal. É o motorista de aplicativo e o entregador que aceitam rota mais longa para não cruzar esquina onde sabem que existe cobrança informal de passagem. É o morador que paga duas vezes pelo mesmo serviço, uma à concessionária legal e outra a quem controla o acesso físico ao poste ou ao cano. Quem se nega a pagar não recebe advertência administrativa. Recebe ameaça direta, e o silêncio em torno dessa extorsão cotidiana é o combustível que permite à narrativa romântica sobre o crime sobreviver sem nunca precisar enfrentar quem de fato sustenta a conta no fim do mês. Trabalhador, mãe de família, aposentado e pequeno comerciante formam a lista invariável de quem sustenta, sem nunca ter sido consultado, o orçamento de uma estrutura armada que nenhum deles escolheu.

A resposta a isso não cabe em meio termo, e qualquer política pública desenhada como meio termo já nasce derrotada. Não existe negociação possível com quem já demonstrou, pela prática diária, que entende diálogo como sinal de fraqueza a ser explorado, não como gesto de boa-fé a ser retribuído. O Estado brasileiro precisa retomar rua por rua, comunidade por comunidade, bairro por bairro, com a mesma consistência e o mesmo tempo que o crime organizado levou para construir o domínio que hoje exerce, porque presença intermitente apenas ensina ao território ocupado que a ausência sempre volta. O novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, empossado em janeiro de 2026 em substituição a Ricardo Lewandowski, repetiu o diagnóstico correto ao afirmar que ações isoladas, ainda que eficientes, não bastam para enfrentar estruturas criminosas complexas e financeiramente organizadas, e defendeu a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública como instrumento de coordenação federativa permanente. O diagnóstico está certo. O que falta, depois de décadas de diagnósticos corretos sem execução correspondente, é a disposição de sustentar o custo da execução além do ciclo de manchete. Recuar diante da primeira baixa, da primeira pressão midiática ou da primeira negociação informal por trégua não é prudência. É confirmação pública de que o controle territorial paralelo pode esperar a próxima onda de cansaço institucional para se reconsolidar — e a história recente do Rio de Janeiro, com o Comando Vermelho retomando, entre 2022 e 2023, mais de duzentos e quarenta quilômetros quadrados que havia perdido para milícias um ano antes, mostra exatamente essa lógica de maré: o território vacante nunca fica vacante por muito tempo, ele apenas espera saber quem vai ocupá-lo de novo.

Cidades inteiras estão sendo tomadas em pedaços, rua após rua, enquanto parte significativa da opinião pública e de sua representação política trata o fenômeno como exagero retórico de quem quer alarmar sem motivo, ou pior, como pretexto eleitoral de quem busca capital político em cima do medo da população. Não é exagero. É descrição precisa de um processo em curso, mensurável pelo número de territórios onde o cidadão comum já não decide por conta própria quando sair de casa, o que vender, quanto cobrar ou para quem prestar contas. Fingir que não vê não interrompe o processo. Apenas garante que, quando a urgência for impossível de ignorar, o custo da reação será proporcionalmente maior ao tempo perdido em negação. O relógio dessa disputa territorial não para porque Brasília decidiu chamá-la de outra coisa, e não vai parar porque algum gabinete climatizado no centro do poder considera o tema desconfortável demais para a próxima campanha. Ele só para quando o Estado brasileiro decidir, de uma vez, pagar o preço que ele sempre soube que essa guerra custaria.

*         Enviado ao site pelo autor em 7 de agosto de 2026