MEDIÇÃO DE TERRA

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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Sandbagging: o divisor de águas em operações de M&A

 

Marcos Martins Advogados

Sandbagging: o divisor de águas em operações de M&A

* por Carolina Barboza da Silva e Emanuela Bombonato de Almeida

Em operações de M&A, a segurança das informações obtidas durante a due diligence é uma das principais preocupações do comprador. Afinal, o valuation da transação está diretamente atrelado à confiança nas declarações e garantias prestadas pelo vendedor. É neste cenário que ganha relevância a chamada cláusula de sandbagging, um mecanismo contratual amplamente utilizado no mercado internacional e que, embora ainda gere debates no Brasil, tem impacto direto na alocação de riscos de qualquer transação.

De forma objetiva, a cláusula define se o comprador pode ou não exigir indenização por violação de declarações e garantias, mesmo quando já tinha conhecimento prévio de uma inconsistência antes do fechamento do negócio. Em termos práticos, ela responde a uma pergunta fundamental: o comprador pode reclamar, após o fechamento, de uma contingência que ele já conhecia no momento da compra?

A resposta depende da estratégia desenhada no contrato. Na abordagem pró-sandbagging, garante-se o direito à indenização independentemente de o comprador já ter conhecimento do risco ou de tê-lo identificado durante a due diligence. Já na cláusula anti-sandbagging, impede-se o comprador de pleitear reparação caso o problema já fosse de seu conhecimento antes do closing.

A discussão é, essencialmente, sobre alocação de risco. Para o comprador, a versão pró-sandbagging reforça a confiança nas declarações recebidas e evita que ele sofra prejuízos por falhas já existentes. Para o vendedor, a versão anti-sandbagging funciona como um escudo contra posturas oportunistas, incentivando a transparência na disponibilização das informações e a diligência total do comprador durante a auditoria.

Na prática, essa negociação é indissociável de outros pontos sensíveis, como o escopo das declarações e garantias, limites de responsabilidade (caps), prazos de sobrevivência e os documentos de divulgação (disclosure schedules).

No Brasil, como não existe uma regra legal específica sobre o tema, a interpretação jurídica se apoia em princípios contratuais gerais, como a boa-fé objetiva e a vedação ao comportamento contraditório. Na ausência de uma cláusula expressa, abre-se uma perigosa margem para litígios: o vendedor pode argumentar que o comprador agiu de má-fé ao "guardar" um problema para reclamar posteriormente; o comprador, por sua vez, pode sustentar que as garantias contratuais são independentes de sua própria investigação.

A ausência de clareza sobre o sandbagging gera insegurança jurídica e eleva o risco de disputas no pós-closing. É comum, inclusive, que a limitação à indenização recaia sobre o que foi efetivamente divulgado pelo vendedor, e não sobre todo o conhecimento do comprador. Por isso, a previsão expressa é essencial para garantir previsibilidade e alinhar expectativas entre as partes.

Atualmente, operações com maior influência internacional ou participação de investidores institucionais têm adotado ou a cláusula pró-sandbagging ou soluções intermediárias, limitando a vedação ao "conhecimento efetivo e comprovado".

O sandbagging pode parecer um detalhe técnico, mas impacta diretamente o equilíbrio econômico do negócio. Ignorar esse ponto, ou tratá-lo de forma genérica, é abrir espaço para conflitos evitáveis. Em um mercado onde as transações são cada vez mais sofisticadas, definir claramente essa regra deixou de ser uma opção. É parte fundamental da boa engenharia contratual.

* Carolina Barboza da Silva e Emanuela Bombonato de Almeida são advogadas da área Societária no Marcos Martins Advogados



Carolina Barboza Emanuela Bombonato
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Anna Mattos
anna.mattos@rpmacomunicacao.com.br
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 Pode ser uma imagem de ‎texto que diz "‎FOLHA DE S.PAULOTas Fláviodiz diz que tarifa é édoLula do Lula e que Pix é 'do Brasil e de Bolsonaro' BRASII MARCOS ) AGORA O PIX É DO BRASIL É DE BOLSONARO SENADOR MARCOS ة DOVAL D0 SWAT‎"‎

Bamaq Máquinas projeta 10% de participação no mercado da Bahia impulsionada pelo crescimento do Matopiba

 





Grupo Bamaq

Bamaq Máquinas projeta 10% de participação no mercado da Bahia impulsionada pelo crescimento do Matopiba

Empresa reforça estratégia de expansão na Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães, ao lado da parceira PME Máquinas e da New Holland

De olho no avanço acelerado do Matopiba, a Bamaq Máquinas projeta alcançar 10% de participação no mercado da Bahia. Para reforçar sua estratégia de expansão, a companhia participa da Bahia Farm Show, entre os dias 08 e 13 de junho, em Luís Eduardo Magalhães, no oeste baiano, ao lado da parceira agrícola PME Máquinas.

A presença na principal feira agropecuária do Norte e Nordeste acompanha o crescimento da região, que se consolidou como uma das mais importantes fronteiras agrícolas do país. Formado por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, Matopiba reúne 337 municípios e responde hoje por aproximadamente 12% da produção nacional de soja, com cerca de 18,5 milhões de toneladas produzidas. Na Bahia, Luís Eduardo Magalhães concentra cerca de 60% da produção estadual de grãos e se tornou um dos principais polos do agronegócio brasileiro.

“A cidade acompanha uma transformação acelerada do agronegócio e exige operações cada vez mais eficientes. O produtor busca produtividade, disponibilidade das máquinas e suporte técnico ágil para manter o ritmo de crescimento da região”, afirma Leandro Souto, gerente regional da Bamaq Máquinas na Bahia.

A participação na Bahia Farm Show também reforça a estratégia de expansão da empresa no estado. Segundo o diretor da Bamaq Máquinas, Guilherme Nogueira, a companhia possui oito operações na região do Matopiba, sendo quatro delas na Bahia: Salvador, Vitória da Conquista, Teixeira de Freitas e a unidade mais recente, em Luís Eduardo Magalhães, cidade que sedia a feira.

“Na Bahia, nossa meta é alcançar 10% de participação de mercado. Estamos estruturados para isso, com equipe local, consultoria técnica, assistência ágil e a força da marca New Holland”, destaca Nogueira.

A New Holland Construction reforça a parceria estratégica entre as marcas e apresenta soluções da linha amarela voltadas também às necessidades do agronegócio, como a pá carregadeira W130B e a retroescavadeira B95C.

“Estar na Bahia Farm Show reforça a importância estratégica da região para a New Holland Construction e nossa proximidade com o produtor rural. Levamos soluções da linha amarela que apoiam desde grandes operações agrícolas até nichos específicos, como a avicultura, com mais eficiência e versatilidade no campo”, afirma Rogério Toneto, gerente comercial da New Holland Construction para o Brasil.

Logística, produtividade e eficiência

Com o crescimento contínuo da produção agrícola, desafios ligados ao escoamento da safra e à logística ganham cada vez mais relevância. O aumento do fluxo operacional exige mais eficiência no transporte, disponibilidade de equipamentos e soluções capazes de reduzir custos e ampliar a produtividade no campo.

Nesse cenário, a tecnologia passou a ter papel estratégico. Todos os equipamentos da New Holland Construction já saem de fábrica com telemetria integrada à plataforma MyNewHolland e sete anos de assinatura inclusos. Além disso, os modelos fabricados no Brasil contam com garantia de três anos ou 4.500 horas de uso.

“A conectividade embarcada permite monitorar o desempenho das máquinas em tempo real, otimizar operações e aumentar a disponibilidade dos equipamentos. São recursos que contribuem diretamente para a eficiência e a produtividade das operações agrícolas”, afirma Toneto.

Sobre a Bamaq Máquinas – www.bamaqmaquinas.com - @bamaqmaquinas

Presente em 16 estados brasileiros, a Bamaq Máquinas é a maior rede de concessionárias New Holland Construction do mundo. Com mais de 150 mil clientes atendidos, 51 anos de mercado e mais de 350 colaboradores, conquista a categoria máxima no Dealer Standard Program Award da New Holland Construction desde a criação do selo, que avalia o atendimento ao cliente e a qualidade do serviço em todas as concessionárias da marca. A empresa também representa a FPT Industrial e a Continental Pneus, oferecendo peças genuínas, oficina especializada e soluções completas em serviços.



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Retroescavadeira modelo B95C da New Holland
Divulgação
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Link Comunicação    Michele de Melo Borges
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Analista de Comunicação
michele.borges@linkcomunicacao.com.br
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Fim do prompting:

 

Photoroom

Fim do prompting: Photoroom lança gerador de vídeo com IA para ajudar vendedores a criar vídeos de produto prontos para venda sem sessões de gravação

Uma abordagem "template-first" elimina o custo, a complexidade e a tentativa-e-erro que impedem as PMEs de adotar vídeo com IA

  • O novo fluxo de geração de vídeo template-first da Photoroom chega ao iOS, Android e ao aplicativo web
  • Mais de 300 templates para modelos virtuais, visualizações de produto em 360° e formatos com movimento
  • 59% dos vendedores afirmam que fotos de produto de baixa qualidade já lhes custaram vendas
  • 58% reduziram o tempo de produção de imagens de 15 minutos para menos de cinco
  • 89% agora criam visuais finalizados de produtos em menos de 30 minutos
  • Usuários que mensuraram o impacto relataram um aumento de 30% em conversão, CTR ou volume de vendas
  • Cerca de 40% dos usuários em todos os planos citam o processamento em lote como um recurso essencial
  • Quase 12 horas economizadas por vendedor por mês em média; mais de 31 horas para assinantes Ultra

A Photoroom, plataforma de comércio visual com IA que processa mais de sete bilhões de imagens por ano, lançou seu gerador de vídeo com IA — um novo fluxo de geração de vídeo template-first projetado para ajudar vendedores a criar vídeos de produto realistas e prontos para venda, sem sessões de gravação, prompts ou equipes de produção.

O lançamento acontece junto com o novo relatório da Photoroom, The Hidden Cost of Product Photography for SMBs, baseado em respostas de quase 1.400 vendedores pagantes nos planos Pro, Max e Ultra, que revela que 59% dos vendedores afirmam que visuais de produto fracos já lhes custaram vendas, reforçando como a qualidade visual está cada vez mais diretamente ligada à conversão e à confiança nos marketplaces. As conclusões também mostram que 89% dos usuários agora criam visuais finalizados de produtos em menos de 30 minutos, refletindo como a produção com IA está reduzindo o tempo entre a chegada do produto, a criação do anúncio e a prontidão para a venda no e-commerce. reforçando como a qualidade visual está cada vez mais diretamente ligada à conversão e à confiança nos marketplaces.

O novo fluxo de geração de vídeo estará disponível no iOS, Android e no aplicativo web para usuários dos planos Photoroom Max e Ultra, e faz parte da missão mais ampla da Photoroom de tornar a produção visual profissional acessível a todos os negócios, de vendedores em marketplaces e boutiques independentes a equipes maiores de e-commerce que escalam conteúdo em milhares de anúncios. O lançamento também reflete a demanda crescente por fluxos de trabalho de comércio video-first, com 20% dos usuários Max afirmando que a capacidade de vídeo foi um motivo-chave para fazer upgrade da assinatura, e a Layer relatando um aumento de 50% nas vendas online com a Photoroom.

A novidade marca uma mudança na forma como o vídeo com IA é integrado a fluxos de trabalho comerciais, afastando-se do prompting em aberto e indo em direção a resultados predefinidos pensados para o uso prático no e-commerce. Os usuários selecionam a partir de uma biblioteca com mais de 300 templates, cada um desenhado em torno de movimentos de câmera ou interações de produto específicas, incluindo ciclos de caminhada de modelos virtuais, rotações em 360 graus e formatos com movimento em estúdio.

Os vendedores também poderão adicionar várias imagens de referência para melhorar a precisão do resultado, ajudando o sistema a manter maior consistência entre diferentes ângulos e reduzindo o risco de distorção frequentemente associado a ferramentas de vídeo a partir de uma única imagem. Se uma geração falhar por erro técnico, os créditos são reembolsados automaticamente. Se o usuário não estiver satisfeito com a qualidade, ele pode sinalizar o resultado e a Photoroom o revisará para reembolso dos créditos.

Essa abordagem responde diretamente a uma das maiores barreiras na adoção da IA generativa: usabilidade e velocidade de produção. O relatório também descobriu que 58% dos vendedores reduziram o tempo de produção de imagens de cerca de 15 minutos por imagem para menos de cinco minutos usando a plataforma, enquanto a economia de tempo relatada chegou a 12 horas por mês entre os usuários.

Entre os assinantes Ultra, a economia de tempo relatada subiu para mais de 31 horas por mês, equivalente a recuperar quase quatro dias úteis. Além disso, constatou que 36% dos vendedores usaram o tempo economizado pela Photoroom para listar mais produtos, enquanto 31% reinvestiram esse tempo em outras áreas do negócio, reforçando como a eficiência operacional se traduz cada vez mais em crescimento de estoque e atividade comercial.

Dados da Photoroom também revelaram que 72% dos usuários Pro dependiam anteriormente de fluxos de edição caseira pelo celular, enquanto 25% dos usuários Max e 32% dos usuários Ultra reduziram gastos com fotógrafos após adotar a plataforma.

Para vendedores de moda e beleza, os recursos de modelos virtuais estão ajudando as empresas a criar imagens com modelos sem o custo e a coordenação de sessões tradicionais, que podem rapidamente chegar a centenas ou milhares de libras quando se considera fotografia, modelo, estúdio e styling. "Muitos dos nossos clientes são uma ou duas pessoas tocando um negócio inteiro da mesa da cozinha, eles não conseguem justificar uma sessão de fotos de quase R$ 3.000 para um produto de R$100, e nem deveriam ter de fazê-lo." afirma Matt Rouif, CEO e cofundador da Photoroom.

O processamento em lote agora figura como um requisito central em todas as etapas de crescimento do vendedor, com cerca de 40% dos usuários nos planos Pro, Max e Ultra citando-o como um recurso essencial, de forma consistente, independentemente do tamanho do catálogo. A edição em massa deixou de ser uma função de usuário avançado para se tornar uma necessidade prática para vendedores que tentam colocar mais produtos no ar. “Para marcas em expansão, a diferença entre publicar mil anúncios em uma semana ou em um mês é a diferença entre aproveitar uma tendência ou perdê-la. É por isso que o envio em lote e os vídeos precisam funcionar da mesma forma que as fotos já funcionam” complementa Rouif.

À medida que o e-commerce migra para a descoberta video-first, especialmente nas plataformas sociais, a capacidade de gerar conteúdo em vídeo de alta qualidade e alinhado à marca rapidamente está se tornando um fator crítico para a conversão. O novo gerador de vídeo com IA da Photoroom posiciona o vídeo não como um produto especializado que exige equipes de produção, mas como um formato repetível e acessível que pode ser criado com a mesma facilidade que as imagens de produto, com a mesma simplicidade template-first que os vendedores já utilizam para fotos.

Segundo Matt, "A maioria das ferramentas de IA hoje joga o trabalho no usuário, escreva o prompt, adivinhe os parâmetros, itere até algo ficar bom. Nós adotamos a abordagem oposta. Um vendedor não deveria ter de aprender engenharia de prompt para fazer um vídeo de produto. Ele deveria poder escolher um template, inserir seu produto e publicar. É assim que a IA se torna genuinamente útil para quem toca um negócio."

Metodologia

As conclusões do estudo “The Hidden Cost of Product Photography for SMBs” têm como base uma pesquisa quantitativa realizada com 1.356 usuários pagantes da Photoroom, todos vendedores de e-commerce, com o objetivo de mensurar o custo, o tempo e o impacto da IA nos fluxos de trabalho de fotografia de produto. Trata-se de uma análise de alcance global, com um recorte universal voltado às PMEs.

Sobre a Photoroom

Fundada em 2019, a Photoroom tornou-se uma das plataformas de edição e design de fotos com tecnologia de IA mais utilizadas, especializada em imagens para comércio eletrônico. Com mais de 300 milhões de downloads em mais de 180 países, a Photoroom está entre os produtos de IA generativa mais utilizados globalmente.

Disponível em dispositivos móveis, web e API, a Photoroom oferece suporte a pequenas e médias empresas, equipes corporativas e prosumidores, permitindo uma produção visual rápida, precisa e consistente, incluindo remoção de fundo, edição em lote e ferramentas de IA generativa, como fundos de IA, imagens de IA e sombras de IA.

Processando mais de sete bilhões de imagens por ano, a Photoroom oferece uma solução escalável para a criação de imagens de produtos, ajudando as empresas a melhorar a visibilidade, operar com mais eficiência e converter a demanda de forma mais eficaz.

Para obter mais informações sobre a Photoroom, acesse www.photoroom.com e o Instagram @Photoroom.Brasil.



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Sing Comunicação
Nathalia Alcoba - Sing Comunicação de Resultados
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Investir no Paraguai: sugestões sedutoras

 


Gilberto Simões Pires

MAIS SOBRE INVESTIR NO PARAGUAI

Face ao interesse manifestado por inúmeros leitores quanto às sugestivas declarações feitas pelo ministro de Indústria e Comércio do Paraguai, Marco Riquelme, em recente evento do grupo Mercado&Opinião, em São Paulo, com pedidos de mais informações sobre as reais vantagens de INVESTIR NO PARAGUAI, que foram alvos do editorial de ontem, 25 , com o título - PARAGUAI - A PASÁRGADA LATINO-AMERICANA-, eis aí o que o governo do nosso país vizinho está oferecendo, por exemplo, às pessoas físicas:  

INVESTOR PASS

 

Para começar, como bem refere Rafael Balago, repórter internacional da Exame, em abril o PARAGUAI lançou NOVAS MODALIDADES DE VISTO DE RESIDÊNCIA PARA INVESTIDORES. Neste modelo, chamado de INVESTOR PASS, quem abrir um negócio ou investir no país GANHA DIREITO A UM DOCUMENTO DE RESIDENTE PERMANENTE, O QUE PERMITE PAGAR MENOS IMPOSTOS. O programa possui QUATRO CATEGORIAS DE INVESTIMENTO, que exigem A PARTIR de US$ 70 mil (R$ 350 mil na cotação atual).

QUATRO CATEGORIAS DE INVESTIMENTOS

 

1- INVESTIMENTO EM NEGÓCIOS COMERCIAIS OU INDUSTRIAIS - Para tanto se faz necessário empregar ao menos cinco cidadãos paraguaios.

2- INVESTIMENTO FINANCEIRO - O interessado precisa investir ao menos US$ 200 mil (R$ 1 milhão) no mercado de ações do Paraguai, ou em outros tipos de investimento financeiro, e manter o dinheiro nele ao menos por DOIS ANOS. 

3- INVESTIMENTO EM IMÓVEIS - É preciso investir ao menos US$ 200 mil (R$ 1 milhão) em um projeto imobiliário, como a compra, a construção ou a operação do imóvel, que não pode ser para uso pessoal.

4- INVESTIMENTO EM TURISMO - O estrangeiro deve investir ao menos US$ 150 mil em serviços, infraestrutura ou atividades relacionadas ao turismo. O Paraguai tem interesse especial em desenvolver o turismo em Ciudad del Este, vizinha de Foz do Iguaçu. A região já recebe fluxo intenso de turistas e compradores, e o país quer oferecer mais opções a eles, bem como aumentar seu faturamento no setor.

DIREITO OFERECIDO PELO INVESTOR PASS

 

Em caso de aprovação, o estrangeiro recebe um VISTO DE RESIDÊNCIA PERMANENTE -VÁLIDO POR DEZ ANOS- QUE PODE SER RENOVADO. O documento dá direito a trabalhar no país e a pagar menos impostos, na comparação com estrangeiros que não possuem o visto. A taxação de dividendos cai de 15% para 8%. A permissão vale apenas para o aplicante. Outros membros da família precisam fazer pedidos de residência temporária separadamente. Após dois anos, eles também podem pedir a residência permanente.

REQUISITOS

DETALHE: O RESIDENTE NÃO PRECISA MORAR NO PAÍS PARA MANTER O DOCUMENTO. Basta comparecer para retirar o documento. A solicitação pode ser feita online. O interessado precisa apresentar certidões de antecedentes criminais, declarar a origem dos recursos e, depois, demonstrar o andamento dos investimentos para o governo paraguaio. De acordo com o governo paraguaio, os pedidos de residência passaram de 28.000 para 47.000 em 2025, com a expectativa de atingir 80.000 em 2026. A maioria deles vem do Brasil.

A redução da jornada de trabalho no Brasil e seus impactos econômicos

 


Luiz Guedes, Adv.

Uma análise crítica da PEC 221/19

16 minutos de leitura

 

1. INTRODUÇÃO

Nos últimos meses, o debate sobre a redução da jornada de trabalho ganhou contornos definitivos no cenário legislativo brasileiro. A Câmara dos Deputados aprovou, em maio de 2026, a Proposta de Emenda à Constituição n. 221/19, que reduz a jornada semanal máxima das atuais 44 para 40 horas, extingue a escala de seis dias de trabalho por um de descanso, a denominada escala 6×1, e assegura dois dias de folga semanais sem redução salarial. O texto, aprovado em segundo turno por 461 votos favoráveis e apenas 19 contrários, aguarda agora a apreciação do Senado Federal.

A proposta em comento inseriu-se numa agenda de ampla aprovação popular — pesquisa do instituto Datafolha, realizada em março de 2026, indicou que 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, o que imprimiu ao debate uma dimensão política que frequentemente obscurece a análise técnica dos seus reais efeitos sobre a economia e o mercado de trabalho. Não obstante a legitimidade das demandas sociais que inspiram a medida, mister que o jurista e o pesquisador a examinem com o rigor que a complexidade do tema exige, apartando a simpatia popular da demonstração empírica das consequências da mudança.

Diante desse cenário, surge o problema de pesquisa a seguir: a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem correspondente redução salarial, é uma medida capaz de gerar os benefícios econômicos prometidos pelos seus defensores, em especial a criação de novos postos de trabalho e o aumento da produtividade, considerando as características estruturais da economia brasileira?

Como proposta de resposta ao problema de pesquisa acima mencionado, eis a hipótese apresentada: a redução da jornada de trabalho, na forma como aprovada pela Câmara dos Deputados, gerará aumento relevante dos custos trabalhistas para o setor produtivo, não produzirá novas contratações em escala suficiente para compensar esse custo, mormente nas micro, pequenas e médias empresas , e não será acompanhada pelos ganhos de produtividade necessários para neutralizar o encarecimento do trabalho, haja vista o problema estrutural e histórico de estagnação da produtividade total da economia brasileira.

A metodologia adotada será a descritiva e analítica, com base em revisão de estudos econométricos e notas técnicas produzidas por instituições de pesquisa de reconhecida reputação, a saber: a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), o Centro de Liderança Pública (CLP), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), bem como de dados históricos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O presente artigo tem como objetivo geral demonstrar que a aprovação da PEC 221/19 produzirá efeitos econômicos adversos sobre o setor produtivo brasileiro, com impacto desproporcional sobre as micro, pequenas e médias empresas, sem que a prometida melhoria de produtividade apresente fundamento empírico suficiente para neutralizar tais efeitos.

Os objetivos específicos constituem os seguintes: a) analisar o impacto da redução da jornada sobre os custos trabalhistas das empresas; b) examinar a capacidade, ou incapacidade, das micro, pequenas e médias empresas de absorverem o choque de custos sem recorrerem a demissões ou à informalização da mão de obra; c) verificar o histórico de produtividade do trabalho no Brasil nos últimos vinte anos, avaliando a consistência da tese de que a redução da jornada gerará, por si mesma, ganhos compensatórios de eficiência; d) apresentar contrapontos às projeções otimistas que fundamentam a defesa da medida.

Trata-se, portanto, de tema atual e urgente, com consequências práticas e diretas sobre a dinâmica do mercado de trabalho formal, sobre o nível de preços ao consumidor e sobre o potencial de crescimento da economia brasileira. Por essa razão, justifica-se a análise crítica da proposta em comento, especialmente diante da constatação de que a aprovação legislativa se deu sem que tenha sido conduzida qualquer avaliação de impacto regulatório séria e publicamente disponível.

2. O CUSTO TRABALHISTA COMO VARIÁVEL CENTRAL: O QUE DIZEM OS ESTUDOS

A redução da jornada de trabalho sem correspondente redução salarial produz, por uma operação matemática elementar, um encarecimento do custo do trabalho por hora. Se um trabalhador que labora 44 horas semanais passa a trabalhar 40 horas pelo mesmo salário, o empregador está pagando, proporcionalmente, mais por cada hora de trabalho contratada. Essa constatação não é ideológica, é aritmética, e a controvérsia reside não na sua existência, mas na sua magnitude e nas possibilidades de compensação.

Consoante estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a redução da jornada das atuais 44 para 40 horas semanais pode provocar uma perda de R$ 76 bilhões no Produto Interno Bruto brasileiro, o que equivale a uma retração de 0,7% do PIB. No caso específico da indústria, o impacto seria ainda mais severo, com queda de 1,2%. Nas palavras do presidente da CNI, Ricardo Alban, “nossa indústria vai perder participação no mercado doméstico e internacional, a partir da redução nas exportações e da alta nas importações.”

Vale frisar que a CNI não se encontra sozinha nesse diagnóstico. O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), utilizando modelo setorial que simula três cenários distintos de compensação de produtividade, projetou que mesmo no cenário mais otimista, aquele que assume um aumento de produtividade de 2% por hora trabalhada, o PIB ainda recuaria 4,2%, diante de uma eventual redução para 36 horas. Setores com jornadas historicamente longas, como transportes e comércio, sofreriam perdas superiores a 12%.

Outrossim, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) calculou que a manutenção dos salários frente à redução da jornada encarecerá o custo do trabalho em 22%. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta elevação de até 15% nos custos com mão de obra no setor. E a Frente Parlamentar da Agropecuária projeta que o custo da mão de obra no campo aumentaria no mesmo patamar de 22%.

Não se olvida que o Ipea, em nota técnica, sustenta que o impacto médio sobre o custo operacional seria de apenas 1%, o que, mesmo em caso de repasse integral ao consumidor, teria efeito limitado sobre os preços. Porém, é de se notar que essa projeção parte de premissas distintas das adotadas pelos estudos do setor produtivo, em especial a premissa de que parte relevante das empresas opera com capacidade ociosa suficiente para absorver o choque sem necessidade de repasse. Essa premissa, como será visto adiante, não encontra sustentação na realidade das micro, pequenas e médias empresas, que compõem a espinha dorsal do mercado de trabalho formal brasileiro.

É, aliás, a economista Marilane Teixeira, pesquisadora da Unicamp e uma das maiores defensoras da medida, quem reconhece que a divergência entre os estudos não é puramente técnica, mas também política: “do ponto de vista dos empregadores, é claro que qualquer mudança é vista a partir do seu negócio.” A observação é pertinente e revela que ambos os lados operam com modelos que incorporam premissas carregadas de escolhas normativas. A diferença, porém, é que as projeções pessimistas partem de pressupostos com maior respaldo na estrutura real da economia brasileira, mormente no que tange ao comportamento das pequenas e médias empresas, e é sobre esse ponto que o argumento do presente artigo se sustenta.

3. O PROBLEMA ESPECÍFICO DAS MICRO, PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

Ao contrário do que ocorre com grandes corporações, que dispõem de margens para absorver o aumento de custos mediante reorganização interna, automação e ganhos de escala, as micro, pequenas e médias empresas operam em patamares de lucratividade muito mais estreitos, o que as torna especialmente vulneráveis a choques exógenos de custo.

Segundo o Centro de Liderança Pública (CLP), caso a jornada seja reduzida para 40 horas sem redução salarial, o custo do trabalho por hora sobe automaticamente, e as grandes empresas poderiam absorver o aumento por reorganização interna e mudanças tecnológicas, mas pequenas e médias enfrentariam compressão de margens, repasse a preços ou redução de escala, com risco de corte de até 640 mil postos de trabalho formais. João Gabriel Pio, economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), sintetiza o problema com precisão: “grandes corporações têm margem para absorver o aumento de custos, mas as menores operam com margens apertadas. Muitas não sobreviveriam.”

Importa mencionar que o próprio Ipea reconhece, em sua análise, que as empresas com até nove funcionários, responsáveis por cerca de 25% do emprego formal, podem sofrer impactos mais intensos. Esse dado é de suma relevância, pois revela que o argumento de que os custos serão facilmente absorvidos pela livre competição e pela capacidade ociosa das empresas é válido, no melhor dos casos, para um segmento específico do tecido empresarial brasileiro, aquele composto pelas grandes empresas, e não para o universo mais amplo e representativo das micro e pequenas unidades produtivas.

Diante disso, a consequência mais provável, no âmbito das empresas de menor porte, não será a contratação de novos trabalhadores para cobrir as horas reduzidas, como supõe o modelo otimista da Unicamp, mas sim uma de três saídas, a saber: a) o repasse do aumento de custo ao preço final ao consumidor; b) a demissão de trabalhadores para adequar a folha de pagamento à nova realidade de custo; ou c) a informalização dos vínculos de trabalho, com a contratação de trabalhadores sem carteira assinada ou por intermédio de pessoas jurídicas.

Vale ressaltar que a terceira hipótese é particularmente preocupante, pois representaria uma regressão nos avanços de formalização do mercado de trabalho brasileiro observados nos últimos anos. Dados do IBGE indicam que 38,1% dos trabalhadores brasileiros já se encontram fora do regime celetista, o que corresponde a cerca de 40 milhões de pessoas. Um aumento da informalidade decorrente da elevação dos custos de contratação formal agravaria esse quadro, afetando, paradoxalmente, os trabalhadores mais vulneráveis, justamente aqueles a quem a proposta em comento pretende beneficiar.

O exemplo recente do Chile reforça essa preocupação. Segundo Daniel Duque, pesquisador do FGV IBRE e do CLP, a redução de jornada realizada naquele país em 2024 implicou aumento de informalidade, desemprego e inflação, além de queda entre 1% e 3% no PIB. A experiência chilena, por envolver uma economia com características estruturais mais próximas da brasileira do que os casos europeus frequentemente invocados pelos defensores da medida, merece atenção especial no debate.

4. A ESTAGNAÇÃO HISTÓRICA DA PRODUTIVIDADE BRASILEIRA E A FRAGILIDADE DO ARGUMENTO COMPENSATÓRIO

O argumento central dos defensores da redução da jornada, no plano econômico, é o de que trabalhadores mais descansados e satisfeitos serão mais produtivos, e que esse ganho de produtividade compensará o encarecimento do custo do trabalho por hora. Trata-se de argumento que tem respaldo em experiências internacionais pontuais e em fundamentos teóricos plausíveis. Porém, para que produza os efeitos esperados no Brasil, é necessário que a economia brasileira reúna as condições estruturais de produtividade que permitam a materialização dessa compensação. E é exatamente nesse ponto que o argumento encontra seu calcanhar de Aquiles.

O histórico de produtividade do trabalho no Brasil nos últimos vinte anos é, para dizer o mínimo, desolador. Segundo levantamento baseado em dados do FGV IBRE, nos últimos quarenta anos a produtividade brasileira avançou apenas 20%, enquanto a americana evoluiu 65%. Em termos comparativos ainda mais eloquentes: nos anos 1980, um trabalhador brasileiro produzia quase metade do que um americano (46% da sua produtividade); hoje, produz cerca de um quarto (25,6%). A distância, portanto, não apenas não diminuiu, ela aumentou.

Nos últimos vinte anos, cerca de 77% da evolução do PIB brasileiro decorreu do crescimento da população empregada, enquanto o incremento da produtividade contribuiu com apenas 22%. Em outras palavras, o Brasil cresceu mais por ter mais gente trabalhando do que por cada trabalhador produzir mais, um modelo de crescimento extensivo, baseado na expansão do fator trabalho, que se torna insustentável à medida que a transição demográfica reduz a oferta de novos trabalhadores.

O Observatório da Produtividade Regis Bonelli, do FGV IBRE, oferece um diagnóstico setorial preciso da questão. O único setor que apresentou crescimento robusto de produtividade desde 1995 foi a agropecuária, com taxa média de 5,6% ao ano, crescimento fortemente associado ao uso intensivo de tecnologia e à adoção de práticas de gestão modernas. A indústria, em contraste, registrou queda de 0,2% ao ano no mesmo período, e o setor de serviços, que concentra mais de 70% das horas trabalhadas no país, apresentou variação de apenas 0,2% ao ano. A produtividade agregada da economia cresceu apenas 2,3% em 2023, após dois anos de queda pronunciada provocada pela pandemia, e recuou para o patamar irrisório de 0,1% em 2024.

Assim sendo, a tese de que a redução da jornada, por si mesma, desencadeará um processo de ganhos de produtividade capazes de compensar o encarecimento do trabalho não possui sustentação empírica no contexto brasileiro. A baixa produtividade brasileira é um fenômeno estrutural, cujas causas são amplamente conhecidas e que não serão removidas por uma alteração legislativa na duração da jornada. Essas causas, como lembrado por especialistas da Universidade de São Paulo e do FGV IBRE, envolvem: a) infraestrutura deficiente, especialmente no transporte, que torna o Brasil dependente do modal rodoviário, caro e ineficiente, enquanto economias desenvolvidas utilizam predominantemente ferrovias; b) carga tributária elevada e sistema burocrático complexo, que desviam recursos e energia das empresas para o cumprimento de obrigações acessórias improdutivas; c) baixa qualidade da educação básica; o Brasil figura na 55ª posição entre 58 países no ranking TIMSS de ensino fundamental, o que gera uma força de trabalho com qualificação insuficiente para operar em atividades de maior valor agregado; d) processo de desindustrialização acentuado, com a participação da indústria no PIB caindo de 48% em 1985 para 24,7% em 2024, segundo a CNI, o que empurra a economia para setores de serviços de baixo valor agregado e baixa produtividade.

Não se olvida que a experiência de países como a Islândia e o Reino Unido com a redução da jornada apresentou resultados positivos em produtividade e bem-estar. Porém, ao que parece, os defensores da medida realizam uma transposição acrítica de experiências europeias para o contexto brasileiro, ignorando diferenças estruturais decisivas. A Islândia, que realizou seu experimento com jornadas reduzidas entre 2015 e 2019, é um país com altíssimo nível educacional, infraestrutura consolidada, força de trabalho qualificada e uma base produtiva radicalmente distinta da brasileira. A produtividade islandesa não cresceu como consequência da redução da jornada em ambiente de estagnação estrutural — ela já era elevada, e a redução foi realizada num contexto de plena capacidade de geração de valor por hora trabalhada. Mutatis mutandis, reproduzir esse resultado numa economia que já registrou queda de produtividade industrial por décadas demanda mais do que uma simples mudança legislativa.

5. A PRESSÃO INFLACIONÁRIA E O EFEITO DISTRIBUTIVO REGRESSIVO

Além do custo direto para as empresas, a redução da jornada sem redução salarial tende a gerar pressão inflacionária, especialmente nos setores intensivos em mão de obra. Segundo a CNI, o impacto médio nos preços gerais ao consumidor seria de 6,2%, com efeito de 5,7% especificamente sobre alimentos e itens básicos. É de se notar que esse impacto recai de forma desproporcionalmente severa sobre as famílias de menor renda, que comprometem parcela muito maior de seu orçamento com itens de consumo básico do que as camadas mais abastadas.

Não obstante a contestação do Ipea, que projeta impacto inflacionário mais limitado com base na premissa de capacidade ociosa, o risco de pressão sobre os preços em setores essenciais (alimentação, saúde, transporte) é real e não pode ser descartado. Em um mercado de trabalho com desemprego historicamente baixo, como o brasileiro no momento da aprovação da medida, qualquer redução da oferta de horas trabalhadas sem compensação proporcional de produtividade pode criar desequilíbrios entre oferta e demanda, com consequências previsíveis sobre o nível geral de preços.

Outrossim, o estudo do FGV IBRE revela um efeito distributivo que merece especial atenção: a medida tenderia a beneficiar desproporcionalmente os trabalhadores com maior escolaridade, cujas jornadas já são naturalmente menores, aumentando seus salários reais por hora em até 9%, ao passo que trabalhadores menos escolarizados ganhariam apenas 0,7%. Na prática, a proposta, embora bem-intencionada do ponto de vista das aspirações de bem-estar, poderia gerar um efeito regressivo na distribuição de renda, elevando o custo do trabalho justamente nos setores mais intensivos em mão de obra pouco qualificada, que são exatamente os setores onde se concentram os trabalhadores mais vulneráveis e de menor renda.

Diante dessa realidade, a narrativa de que o fim da escala 6×1 é uma medida redistributiva e de valorização do trabalhador de baixa renda merece ser examinada com cautela. O trabalhador que labora em regime 6×1 tipicamente o faz nos setores de comércio, serviços, saúde, construção e segurança — setores em que a elasticidade da demanda por trabalho é negativa, isto é, em que o encarecimento do trabalho tende a gerar redução da quantidade contratada. Assim sendo, ao menos para esse segmento de trabalhadores, o benefício de ter dois dias de folga semanal pode ser neutralizado pelo risco de perda do próprio emprego ou de migração para a informalidade.

5. A PRESSÃO INFLACIONÁRIA E O EFEITO DISTRIBUTIVO REGRESSIVO

Além do custo direto para as empresas, a redução da jornada sem redução salarial tende a gerar pressão inflacionária, especialmente nos setores intensivos em mão de obra. Segundo a CNI, o impacto médio nos preços gerais ao consumidor seria de 6,2%, com efeito de 5,7% especificamente sobre alimentos e itens básicos. É de se notar que esse impacto recai de forma desproporcionalmente severa sobre as famílias de menor renda, que comprometem parcela muito maior de seu orçamento com itens de consumo básico do que as camadas mais abastadas.

Não obstante a contestação do Ipea, que projeta impacto inflacionário mais limitado com base na premissa de capacidade ociosa, o risco de pressão sobre os preços em setores essenciais (alimentação, saúde, transporte) é real e não pode ser descartado. Em um mercado de trabalho com desemprego historicamente baixo, como o brasileiro no momento da aprovação da medida, qualquer redução da oferta de horas trabalhadas sem compensação proporcional de produtividade pode criar desequilíbrios entre oferta e demanda, com consequências previsíveis sobre o nível geral de preços.

Outrossim, o estudo do FGV IBRE revela um efeito distributivo que merece especial atenção: a medida tenderia a beneficiar desproporcionalmente os trabalhadores com maior escolaridade, cujas jornadas já são naturalmente menores, aumentando seus salários reais por hora em até 9%, ao passo que trabalhadores menos escolarizados ganhariam apenas 0,7%. Na prática, a proposta, embora bem-intencionada do ponto de vista das aspirações de bem-estar, poderia gerar um efeito regressivo na distribuição de renda, elevando o custo do trabalho justamente nos setores mais intensivos em mão de obra pouco qualificada, que são exatamente os setores onde se concentram os trabalhadores mais vulneráveis e de menor renda.

Diante dessa realidade, a narrativa de que o fim da escala 6×1 é uma medida redistributiva e de valorização do trabalhador de baixa renda merece ser examinada com cautela. O trabalhador que labora em regime 6×1 tipicamente o faz nos setores de comércio, serviços, saúde, construção e segurança — setores em que a elasticidade da demanda por trabalho é negativa, isto é, em que o encarecimento do trabalho tende a gerar redução da quantidade contratada. Assim sendo, ao menos para esse segmento de trabalhadores, o benefício de ter dois dias de folga semanal pode ser neutralizado pelo risco de perda do próprio emprego ou de migração para a informalidade.

REFERÊNCIAS

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA (CNI). Impactos da redução da jornada de trabalho no Brasil. Brasília: CNI, 2026.

CENTRO DE LIDERANÇA PÚBLICA (CLP). Estudo sobre impactos da redução da jornada. São Paulo: CLP, fev. 2026.

DUQUE, Daniel. Impactos da redução da jornada sobre o emprego formal. Rio de Janeiro: FGV IBRE / CLP, 2026.

FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO DO ESTADO DE SÃO PAULO (FecomercioSP). Nota técnica sobre custos da PEC 221/19. São Paulo: FecomercioSP, 2026.

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). Nota técnica: impactos da redução da jornada de trabalho. Brasília: Ipea, 2026.

INSTITUTO BRASILEIRO DE ECONOMIA DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (FGV IBRE). Produtividade do trabalho no Brasil: uma análise dos resultados setoriais no período 1995–2024. Observatório da Produtividade Regis Bonelli. Rio de Janeiro: FGV IBRE, 2025.

INSTITUTO BRASILEIRO DE ECONOMIA DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (FGV IBRE). Impactos setoriais da redução da jornada de trabalho. Blog do IBRE. Rio de Janeiro: FGV IBRE, 2025.

TEIXEIRA, Marilane et al. Dossiê 6×1: o Brasil está pronto para trabalhar menos. Campinas: Unicamp/Cesit, 2026.

CÂMARA DOS DEPUTADOS. PEC 221/19 — Texto aprovado em segundo turno. Brasília: Câmara dos Deputados, maio de 2026.

AGÊNCIA BRASIL. Fim da escala 6×1: estudos divergem sobre impactos no PIB e inflação. Brasília, 28 abr. 2026. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/fim-da-escala-6-1-estudos-divergem-sobre-impactos-no-pib-e-inflacao. Acesso em: 1 jun. 2026.

IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Rio de Janeiro: IBGE, 2025.

Falemos, então, sobre escândalos

 


 

Percival Puggina

         Na semana passada, um surto moralista acometeu parcela significativa da sociedade brasileira. Emergências lotadas reportavam casos graves de hipertensão arterial, dispneia, taquicardia, sudorese, distúrbio de sono e por aí vai. A imaculada esquerda brasileira sente-se mal perante a simples menção à palavra escândalo, seja de quem for. Todo fiel da seita criada pelo monge de Garanhuns tem esse compromisso com a santidade e horror a toda forma de pecado.

Se o Brasil tem uma dívida com Lula e seu partido é a régua moral proporcionada por uma vida franciscana, partilhada no convívio seleto com os bons entre os melhores, no Brasil e pelo mundo afora.

Agora, bem..., agora falemos sério. Só há um motivo para a esquerda brasileira se dedicar com tal intensidade à infamante tarefa de destruir a reputação de seus adversários sempre que há uma campanha eleitoral. E eu já acompanhei muitas e posso assegurar, sem medo de errar, que o motivo é este: eles sabem que o eleitor conservador, de direita, diferentemente do eleitor de esquerda, é intransigente com a corrupção. Como regra geral, abalada a confiança, arranhado o cristal, vão-se o vinho, a taça e os votos. Com Lula, passa-se o oposto. Ele só é presidente pela terceira vez e postula a quarta eleição por ser de esquerda. Fosse de direita teria encerrado atividades em 2006.

Flávio Bolsonaro não disse que não está falando com jornalistas e não procurou se blindar. Antes, cobra investigação. Tenho certeza de que, neste caso, não haverá pacotes lacrados nem investigações proibidas, mas muita transparência e muito barulho. Perceberam? Viveríamos numa democracia se fosse sempre assim!

Então, de escândalos em escândalos, chegamos ao que considero o maior da história republicana brasileira. Refiro-me ao que a esquerda fez com nossas instituições! Isso, realmente, causa hipertensão arterial, dispneia, taquicardia, sudorese, distúrbio de sono, indignação, emigração ou êxodo, e por aí vai. O Brasil esquerdista está fazendo, em 24 anos, o que Cuba levou 67 anos para produzir, tornando-se um país em pandarecos. Nada escapa às consequências do aparelhamento pela esquerda! Veja a OAB, a ABI, a ABL, a CNBB. Olhe a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o governo da União, o STF, o TSE.  Por fim, observe para quem a corrupção bilionária distribui suas merrecas em forma de milionárias mesadas.

Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

 

Mexa-se!

 


 

Percival Puggina

         Você sabia que nos totalitarismos o Estado aplica força punitiva menor contra alguém que fez algo do que contra coletividades inteiras, apenas por serem o que são? Independentemente de qualquer conduta individual, Robespierre perseguia membros da nobreza, clérigos, monarquistas e girondinos. Lênin e Stalin, cada um a seu turno, faziam o mesmo com intelectuais, empresários e produtores rurais. Hitler eliminava judeus por serem judeus. Mao Tse Tung eliminava professores, cientistas e, claro, líderes religiosos e minorias. Fidel e Che Guevara perseguiam gays, intelectuais e padres.

Quebrados os ovos mais pavorosos da história para fazer trágicos omeletes e com bem nutrido poder, eles derrubavam todos os marcadores, todas as balizas e invadiam a vida privada. Sob o peso de seu braço, nunca houve direito contra a vontade do Estado. Nenhuma dissidência ou divergência era tolerada. Para assegurar-se disso, o aparato estatal protagonizava coerção, disseminando terror na sociedade.

Se você, assim como eu, sofre física, moral e espiritualmente com o padecimento dos injustiçados, com a dor dos perseguidos, e se indigna ante o evidente desejo de perenizar os meios de dominação, chegou a hora da autossuperação! Haverá eleição nacional dentro de quatro meses. Os que jogam com as cartas dessa eleição sabem que a mais importante é a dos novos 54 senadores que se somarão aos 27 remanescentes do pleito de 2022. Não haverá democracia, nem liberdade, nem bom direito, nem boa política, enquanto o poder sem voto continuar sua sanha persecutória contra “bolsonaristas” e “direitistas”, a usar o Direito como estratégia e a redigir a Lei com as próprias mãos.    

Na primeira travessia do Delta do Jacuí, há uma parte levadiça para passagem de embarcações. Quando isso acontece, formam-se extensas filas nas pistas de entrada e saída da capital. Certa manhã, fui detido durante operação dessa ponte. Ao retomar a viagem, com os veículos se deslocando lentamente até encontrarem espaço para acelerar, percebi um hiato no fluxo da pista em sentido contrário e avistei, mais adiante, grande concentração de veículos. Passei observando o que detivera o trânsito e o quadro era bem incomum. Havia um motorhome parado no meio das duas pistas; por ambos os lados, alguém tentara passar, mas não conseguira espaço suficiente e deteve quem vinha atrás de si e assim, sucessivamente, todos foram parando. O motorista do motorhome, reclinado no banco, parecia dormir. Fui em frente, rindo do que vira, mas logo deixei de rir ao dar-me conta da lição que ali se proporcionara a todos: uma pessoa parada pode deter uma multidão. Logo, uma pessoa que se mova pode mobilizar uma multidão.

Desculpe-me, caro leitor, mas a hora o exige. O Brasil não aguenta mais quatro anos disso que nos está imposto. Escolha dois bons candidatos a senador, comprometidos não só com seu Estado, mas com a liberdade dos brasileiros e com o fim da tirania das canetas que saíram de todo controle. Trabalhe para eleger esses dois senadores (são dois votos e a liberdade precisa de ambos). Já, agora, mexa-se!

Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letr

Do Banco Rural ao Banco Master e de Barbosa a Mendonça

 


 

 

Percival Puggina

              Diante dos bilhões que as instituições da República passariam a disponibilizar a seus protegidos nos anos seguintes, os números do mensalão (Ação Penal 470) parecem contabilidade de quermesse escolar. Naquele caso, para garantir maioria ao primeiro governo Lula, R$ 104 milhões de reais saídos da publicidade oficial haviam sido fracionados, ao longo de dois anos, como mesadas para parlamentares, à base de R$ 30 mil por cabeça... Banqueiros, publicitários, lideranças políticas e congressistas da envergadura de José Dirceu, José Genoino, Roberto Jefferson, Valdemar Costa Neto, Pedro Correa, João Paulo Cunha (ex-presidente da Câmara dos Deputados), após 53 sessões de julgamento, foram para trás das grades. Por poucas semanas, é verdade, mas foram. O Banco Rural, que operava o esquema, teve dirigentes também presos e foi liquidado pelo Banco Central.

A ideia, porém, nunca foi essa. E continua não sendo essa. As coisas no Brasil não funcionam assim, como se sabe. Por isso, o 27 de fevereiro de 2014 foi o pior dia de Joaquim Barbosa como ministro do STF e como relator da AP 470. Naquela sessão plenária, embargos infringentes apresentados pelos advogados dos réus obtiveram apoio da maioria formada com o ingresso dos novos ministros Teori Zavascki (2012) e Roberto Barroso (2013). Foram excluídas as condenações pelo crime de formação de quadrilha, reduzidas as penas e afastado o cumprimento em regime fechado...

No final daquela sessão, o relator profetizou:

“Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que esse é apenas o primeiro passo. É uma maioria de circunstância que tem todo o tempo a seu favor para continuar sua sanha reformadora". Depois, acrescentou: "Essa é uma tarde triste para este Supremo Tribunal Federal. Com argumentos pífios, foi reformada, foi jogada por terra, extirpada do mundo jurídico uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada, que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012”.

A esquerda adota uma política de "cancelamento" da divergência em todo o Ocidente, numa extensão que vai do Parlamento Europeu até as salas de aula aí onde você vive. Essa prática recebe, internacionalmente, o nome de "cordão sanitário". Isolado pelos colegas, três meses depois, Barbosa deixou o Supremo.

Nos dias que correm, o ministro Mendonça já vive isolamento semelhante. Nunes Marques, no TSE, vai pelo mesmo caminho. Os desconfortos se agravarão caso a eleição dos novos senadores no pleito de outubro não conceda sólida maioria à atual oposição. O futuro Senado deve promover uma reforma institucional, colocar cada poder no seu quadrado, restaurar o Estado de Direito e restituir aos brasileiros a liberdade que lhes tomam as canetadas brasilienses.

Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

Crise financeira: Correios registram prejuízo de R$ 3,2 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026

 

VERDINHO ITABUNA

Os Correios fecharam o primeiro trimestre do ano de 2026 com um resultado financeiro alarmante, registrando um prejuízo líquido de R$ 3,16 bilhões. O montante representa uma alta expressiva de 82,3% na comparação com o prejuízo contabilizado no mesmo período do ano anterior. O aprofundamento do déficit operacional e financeiro da estatal ocorre imediatamente após a empresa pública acumular perdas recordes que somaram R$ 8,5 bilhões ao longo de todo o ano de 2025.

De acordo com o balanço emitido pela própria estatal, o resultado severamente negativo foi impulsionado por uma combinação de queda nas receitas institucionais, elevação das despesas financeiras e a necessidade de constituir pesadas provisões para enfrentar ações judiciais em andamento. O principal vilão do orçamento trimestral foi o provisionamento compulsório de R$ 1,06 bilhão reservado para mitigar possíveis perdas trabalhistas na Justiça, uma manobra contábil que elevou o estoque total de contingências judiciais da companhia para o patamar de R$ 4,66 bilhões.

No campo operacional, a receita bruta dos Correios sofreu uma retração de 2,2%, fechando o trimestre em R$ 4,04 bilhões. O segmento de encomendas — que sofre com a acirrada concorrência de grandes operadoras logísticas privadas no país — amargou um recuo de 5,5%. O cenário mostrou-se ainda mais crítico no setor de postagens internacionais, que despencou 60,3%, evidenciando o reflexo direto da perda de espaço no mercado de logística global e de uma menor demanda geral pelos tradicionais serviços postais da estatal brasileira.

Para tentar conter a sangria financeira, a diretoria da estatal conseguiu implementar uma redução nos custos operacionais gerais e nas despesas diretas com o quadro de pessoal, um reflexo parcial da adesão dos servidores ao Programa de Demissão Voluntária (PDV). Em contrapartida, as despesas financeiras da empresa dispararam, saltando de R$ 283 milhões para R$ 985 milhões, pressionadas pelos juros e encargos de financiamentos vultosos que precisaram ser contratados recentemente para dar fôlego e reforçar o caixa da companhia.

Outro indicador que pesou negativamente no balanço trimestral foi o aumento exponencial no pagamento de indenizações aos clientes por atrasos em entregas, valor que saltou de R$ 2 milhões para R$ 30,5 milhões em um intervalo de apenas um ano. Atualmente, os Correios tentam executar um plano de reestruturação profunda que envolve o corte rígido de gastos supérfluos, revisão de contratos com fornecedores, venda de ativos imobiliários ociosos e a modernização de seus processos, com a meta de estabilizar as contas e voltar a apresentar lucros operacionais a partir do ano de 2027.

Prática abusiva: Drogasil é condenada a pagar R$ 10 milhões por condicionar descontos ao fornecimento de CPF

 

VERDINHO ITABUNA

A Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís condenou a rede de farmácias Drogasil pelo condicionamento de descontos e vantagens promocionais à entrega de dados pessoais dos clientes, como o CPF, no momento do pagamento. A sentença judicial estabelece que os valores promocionais oferecidos pela empresa devem ser aplicados integralmente a todos os compradores, ficando expressamente proibida a exigência de qualquer cadastro prévio ou fornecimento de informações cadastrais no ato da aquisição de produtos.

A determinação atende a uma ação civil movida de forma conjunta pelo Centro de Promoção da Cidadania e Defesa dos Direitos Humanos Padre Josimo e pelo ICDESCA. Na decisão, o juiz Douglas de Melo Martins vetou a continuidade da prática e ordenou que a rede farmacêutica adote imediatamente uma política rigorosa de transparência, que obriga a empresa a detalhar aos clientes a finalidade da coleta, o período de armazenamento e os possíveis compartilhamentos de dados antes que ocorra qualquer adesão a programas de fidelidade.

Ao fundamentar a condenação, o magistrado classificou a conduta da rede como um método comercial coercitivo e desleal. O juiz destacou na sentença que as empresas não podem se aproveitar da necessidade básica da população de ter acesso à saúde e a medicamentos para forçar a coleta de dados, pontuando que o cidadão que se recusa a ceder suas informações privadas não pode sofrer nenhum tipo de prejuízo econômico na hora da compra. Diante das irregularidades constatadas, a rede foi condenada ao pagamento de R$ 10 milhões a título de danos morais coletivos, montante financeiro que deverá ser integralmente revertido para o Fundo Estadual de Proteção dos Direitos Difusos.

Mepel celebra 60 anos, inaugura fábrica e consolida expansão no Brasil e no exterior

 


Mepel

Mepel celebra 60 anos, inaugura fábrica e consolida expansão no Brasil e no exterior

Com investimento superior a R$ 20 milhões, a nova unidade industrial, em Estação (RS), poderá mais que dobrar a capacidade produtiva atual da empresa nos próximos anos, ampliando a geração de empregos na região. Mais do que números, o avanço simboliza a força de uma história familiar construída por gerações e que segue unida pelo propósito de crescer sem perder suas raízes

Em um movimento estratégico que consolida sua trajetória de crescimento sustentável, a MEPEL Máquinas e Equipamentos, acaba de inaugurar sua nova unidade industrial em Estação (RS). A estrutura, fruto de anos de planejamento, dedicação e persistência, contou com investimento superior a R$ 20 milhões e tem um propósito muito mais amplo. Além de melhorar a capacidade produtiva modernizando processos, dando fluidez às outras unidades, a fábrica proporcionará à empresa um novo posicionamento e salto no mercado capaz de atender uma demanda cada vez mais aquecida e exigente, tanto no Brasil quanto no mercado internacional e ainda dando continuidade ao legado familiar.

Instalada às margens da RS-135, a unidade foi construída em um terreno de 66 mil metros quadrados adquirido em 2008 e conta, nesta primeira fase, com 8.250 m² de área construída, com possibilidade de expansão futura para o dobro desse tamanho. O projeto faz parte do plano de expansão da empresa e foi pensado para garantir maior eficiência operacional, otimizar fluxos industriais e elevar ainda mais o padrão de qualidade dos produtos.

Segundo Hugo Mario Boff, diretor administrativo, a concretização desse projeto carrega um significado que vai além do investimento. “Com muita prudência, responsabilidade e os pés no chão, tivemos paciência de esperar e a persistência para continuar. Construir essa fábrica sempre foi um sonho da família. Hoje, celebrar essa conquista é reconhecer o esforço de gerações, dos nossos colaboradores e de todos que caminharam conosco ao longo dessa história”, disse.

Mais do que ampliar a produção, a nova fábrica também representa o compromisso da MEPEL no desenvolvimento regional. A unidade deve gerar novas oportunidades de empregos e renda ao município, fortalecendo a economia local e oferecendo uma alternativa atrativa para profissionais que buscam qualidade de vida em cidades menores, com forte senso de comunidade e proximidade a polos regionais como Erechim e Passo Fundo. “Temos muito orgulho da nossa origem e somos gratos por tudo que construímos aqui. Crescer junto com a comunidade sempre fez parte dos nossos valores”, disse o diretor administrativo.

Estrutura sólida, valores ainda mais fortes

Atualmente, a MEPEL conta com aproximadamente 410 colaboradores e uma rede com mais de 500 revendas espalhadas pelo país. Só em 2025, foram mais de dois mil equipamentos comercializados, atendendo a mais de 800 clientes em mais de 450 cidades.

Nos últimos quatro anos, o faturamento médio anual da empresa girou em torno de R$ 200 milhões, refletindo a solidez e consistência de sua atuação. “A meta é sermos ainda mais competitivos. Teremos condições de ofertar produtos ao mercado com preços mais atrativos, sem abrir mão da qualidade. Isso nos permitirá impulsionar o crescimento da operação de forma sustentável mesmo diante de crises momentâneas”, diz Hugo Mario Boff.

A expansão também acompanha a evolução tecnológica da MEPEL, que já oferece um portfólio de mais de 160 modelos abrangendo máquinas e implementos agrícolas, equipamentos rodoviários e soluções para setores como saneamento, limpeza urbana, construção e transporte. Entre os principais produtos estão os distribuidores de adubo orgânico líquido, distribuidores de calcário, carretas agrícolas, vagões desensiladores e tratadores para pecuária, além da linha de tanques para combate a incêndio e equipamentos para preparação de calda para pulverização. Modelos que podem ser customizados desenvolvidos sob medida para os clientes.

Recentemente a companhia conquistou certificações importantes para a produção de tanques rodoviários voltados ao transporte de produtos perigosos, saneamento e combustíveis. Com isso, amplia seu portfólio e reforça a presença em novos segmentos, consolidando-se como uma indústria versátil e preparada para diferentes demandas.

A MEPEL atende desde produtores rurais e cooperativas até grandes grupos do agronegócio, como COAMO, COOPERCITRUS, COMIGO, GRUPO ELDORADO, AMAGGI, BOM FUTURO E RAÍZEN. Além da forte presença nacional, vem ampliando sua atuação internacional, com negócios e parcerias em países da América do Sul e da América Central, como Argentina, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Peru, Honduras e Costa Rica. “Esse avanço reforça o posicionamento da marca como uma referência em soluções robustas e adaptáveis para diferentes realidades do campo”, destaca Vitor Hugo Boff, diretor comercial.

De uma oficina familiar para atender as demandas próprias a uma indústria global

A nova fase da MEPEL ganha ainda mais significado em 2026, ano em que a empresa completa 60 anos de história. Fundada em 1966 como uma pequena oficina mecânica, formada inicialmente por quatro sócios, sendo Otávio Cyro Boff, Adão Gregório Russi de Oliveira, Érvin Grudzinski e Frederico Neumann, a empresa nasceu para atender as necessidades da própria família Boff em resolver desafios da lavoura. Foi dentro desse ambiente, onde trabalho e vida se misturavam, que surgiram as primeiras soluções, os primeiros equipamentos e, principalmente, os valores que sustentam a empresa até hoje: confiança, proximidade, respeito e compromisso.

Ao longo dos anos, a evolução foi natural. Em 1988, a família de Otávio Ciro Boff, um dos sócios-fundadores, assumiu o controle societário e estruturou a empresa que passou de Mecânica Pérola Indústria e Comércio Ltda. para MEPEL Máquinas e Equipamentos Ltda. A oficina deu lugar à indústria, os produtos ganharam escala e o mercado se expandiu. Ainda assim, o espírito familiar permaneceu como base de todas as decisões.

Hoje, a gestão da família equilibra tradição com inovação e visão global. Segundo Gabriel Boff, diretor industrial, a nova fábrica simboliza exatamente esse equilíbrio entre tradição e evolução, posicionando a empresa familiar como uma indústria preparada para crescer de forma consistente, competitiva e alinhada às demandas do agronegócio moderno.

Desta forma, a transição para a nova estrutura será gradual, respeitando os processos e assegurando a qualidade dos produtos. “Estamos dando um passo importante, mas com a mesma cautela que sempre guiou a empresa. Crescer, para nós, nunca foi sobre pressa, mas sobre consistência, não vamos desligar uma fábrica para ligar outra de forma abrupta. Tudo o que começar a ser produzido na nova unidade seguirá as etapas naturais do processo, como prototipagem, início de linha e estabilização. Somente após isso é que definiremos a migração completa de cada linha de produtos”, disse.

Ainda segundo o diretor industrial, esse cuidado é fundamental para evitar qualquer impacto no mercado. “Naturalmente, poderão existir diferenças nos produtos, já que os processos evoluem, mas essa substituição será feita de forma progressiva. A expectativa é que, nos próximos anos, consigamos mais do que dobrar a produção, com ganhos significativos em eficiência e ainda mais qualidade”, acrescenta.

A expansão da MEPEL também fortalece a integração entre as unidades da empresa, incluindo a PRODUFORT, em Colorado (RS), responsável pela linha de vagões desensiladores, ampliando sinergias e tornando a operação ainda mais eficiente. Segundo Fernando Boff, diretor industrial responsável pela unidade, esse movimento reforça uma característica essencial da empresa: fazer bem feito, dentro de casa, com controle e qualidade. “Temos um compromisso muito forte com aquilo que entregamos. E isso vem da nossa cultura, da forma como fomos criados dentro da empresa e da família. Esse cuidado faz toda a diferença”, destaca.

Ele reforça ainda que essa nova reorganização das unidades facilitará muitos processos internos.  “Além de ampliar a eficiência de todos os processos, a nova fábrica poderá ser uma importante fornecedora para a unidade de Colorado. Sempre que for necessário e fizer sentido, a própria MEPEL pode nos fornecer matéria-prima. Ficará muito mais estratégico resolver as questões logísticas internas”, detalhou Fernando Boff.

Desafios e nova responsabilidade

Com a nova estrutura fabril, abrem-se portas para novas oportunidades para a MEPEL avançar na agilidade da tomada de decisão, porém também aumentam os desafios para ter ganho em competitividade. “Está no nosso DNA entregar exatamente o que o cliente precisa de forma personalizada, tanto em produtos atuais quanto em futuros lançamentos. Agora, queremos fazer isso com ainda mais velocidade, acompanhando as transformações do mercado”, reforça Vitor Hugo Boff.

No campo comercial e das revendas, o desafio também é acompanhar a rápida mudança geracional. “A tomada de decisão está mudando muito, antes, era mais presencial, mais técnica; hoje, muitas vezes, acontece de forma digital, com clientes que decidem até sem ver o equipamento pessoalmente. Esse cenário exige atenção e adaptação”, disse diretor comercial.

Apesar disso, na MEPEL, tem como valor central o relacionamento. “Negócios são feitos por pessoas e esse vínculo, construído com confiança, é algo que a tecnologia não substitui. É isso que sustenta nossa trajetória até aqui. Por isso, seguimos investindo fortemente tanto no relacionamento interno quanto, principalmente, com clientes e parceiros. Mais do que uma venda pontual, nosso objetivo é construir relações duradouras. Além disso, brincamos internamente que queremos ‘mexer’ um pouco no mercado, trazer mais dinamismo, e essa nova estrutura vai nos permitir dar esse passo”, acrescentou Vitor Hugo.

Um legado que segue em frente

Durante a inauguração, Hugo Mario Boff também marcou um momento importante ao oficializar o avanço do processo de sucessão familiar, transferindo a gestão das fábricas aos seus três filhos. O gesto reforça a continuidade de um legado construído ao longo de décadas, que agora chega à terceira geração.

Esse movimento não representa um afastamento, mas uma transição. Hugo Mario Boff deixa o dia a dia operacional para atuar de forma mais estratégica, no aconselhamento e no acompanhamento da empresa. Ao mesmo tempo, passa a dedicar ainda mais atenção ao agro, realizando um sonho cultivado desde as décadas de 1970 e 1980: estar mais próximo da porteira para dentro, com uma rotina mais equilibrada, sem abrir mão da sua essência e da sua ligação com o setor.

Segundo ele, a ideia é focar mais nas áreas estratégicas para assim ter mais tempo à esposa, aos netos e à família. “Honrar o passado não é ficar preso a ele, mas reconhecer quem veio antes e seguir evoluindo. Hoje temos uma gestão mais estruturada, mais profissional, mas sem perder aquilo que sempre nos trouxe até aqui: o cuidado com as pessoas, o respeito pelas relações e a responsabilidade com tudo o que fazemos. Tenho plena convicção e confiança que meus filhos estão preparados e seguirão esse legado”, finalizou Hugo Mario Boff.



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Família Boff
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Equipamento sob medida da MEPEL: tanque rodoviário customizado para combate a incêndios, integrado a um sistema inteligente de preparo de calda para pulverização.
Equipamento sob medida da MEPEL: tanque rodoviário customizado para combate a incêndios, integrado a um sistema inteligente de preparo de calda para pulverização.
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