MEDIÇÃO DE TERRA

MEDIÇÃO DE TERRA
MEDIÇÃO DE TERRAS

terça-feira, 9 de junho de 2026

Qual o futuro do ERP diante da era da IA?

 


Por Marco Vonzodas 

No atual cenário corporativo, existe uma corrida desenfreada rumo à Inteligência Artificial. CEOs, conselhos e diretores compartilham do mesmo temor: o medo de ficar para trás. Diante dos olhos do mercado, a IA assumiu o papel de resolver gargalos históricos, acelerar entregas e cortar custos com um simples comando. No entanto, é nos bastidores dessa euforia coletiva que reside um erro invisível, silencioso e que pode custar milhões de reais: tentar acelerar a adoção de IA sem antes alcançar a maturidade operacional.   

A verdade que o mercado tenta ignorar é que a Inteligência Artificial não cria organização, mas depende dela. Isso é, dentro do ecossistema de uma empresa, velocidade sem contexto não é eficiência — é um risco financeiro e jurídico imenso. Afinal, uma IA só consegue operar com profundidade, precisão e segurança quando compreende as nuances do negócio. Dessa forma, sem uma base estruturada, a tecnologia trabalha às cegas, operando sobre dados fragmentados e gerando diagnósticos falhos que podem direcionar investimentos errados ou comprometer a conformidade fiscal.   

Neste aspecto, o ERP continua se mantendo como o elo principal para garantir o direcionamento correto. No entanto, mesmo tendo essa relevância, muitos previram, de forma precipitada, que a era da IA decretaria o fim dos sistemas de gestão tradicionais. Entretanto, a realidade aponta para o caminho oposto, uma vez que o futuro do ERP não é desaparecer, mas sim tornar-se invisível, integrando-se de forma tão profunda à inteligência operacional que passará a funcionar como o verdadeiro sistema nervoso da empresa.   

Durante décadas, o mercado enxergou o ERP sob uma ótica transacional. Seu papel era meramente registrar o que já havia acontecido: o pedido faturado, o nível do estoque, o fechamento do balancete financeiro ou o volume produzido. Com a maturidade tecnológica atual, essa dinâmica mudou drasticamente. O ERP deixa de ser um livro de registros e passa a ser o motor operacional ativo.  

Não à toa, segundo a pesquisa feita pela Censuswide com mais de quatro mil CFOs, CISOs, CIOs e CEOs em todo o mundo, 33% acreditam que o futuro está em um “ERP agêntico, com tomada de decisão autônoma orientada por IA”. Isso acontece porque é o sistema de gestão que transforma dados brutos em inteligência empresarial real.   

O que a inteligência artificial de fato elimina não é o sistema de gestão, mas a burocracia que antes podem o cercar, como interfaces manuais, tarefas repetitivas, dependência de consultas humanas morosas e workflows engessados. Em contrapartida, ela eleva drasticamente a exigência por dados confiáveis, governança e processos padronizados. Ou seja, quanto mais automações uma empresa deseja aplicar, mais sólida e madura sua base operacional precisa ser.   

Até porque, uma vez que os dados estão centralizados, o sistema não diz apenas o que aconteceu, mas dá os insumos para a IA apontar o que deve ser feito. Contudo, quando as áreas de uma empresa operam desconectadas, com cada departamento defendendo sua própria versão da verdade em planilhas paralelas, a inteligência perde o contexto, e a partir disso, a organização pode estar exposta a erros.  

E uma IA sem contexto toma decisões frágeis, que podem desalinhar o planejamento de compras, comprometer o fluxo de caixa ou gerar furos graves na cadeia de suprimentos. A integração operacional, portanto, deixou de ser uma métrica de eficiência interna para se tornar a condição de sobrevivência para a Inteligência Artificial corporativa.   

Segundo dados da McKinsey, cerca de 72% das empresas do mundo já usam essa tecnologia. Por sua vez, a respostas daquilo que a organização precisa não está necessariamente vinculada à ferramenta adquirida, mas na qualidade operacional que alimenta essa solução. O  

Sob essa nova perspectiva, o papel da implementação de um sistema de gestão ganha um peso muito mais estratégico. No passado, o sucesso de uma implantação se resumia a colocar o software para funcionar dentro do prazo e do orçamento. Hoje, implantar um sistema significa construir a fundação estrutural que sustentará toda a inteligência operacional e a escala futura da empresa.   

É por essa razão que plataformas globais e integradas, como o SAP Business One, ganham ainda mais relevância nessa nova era dos negócios. O ecossistema SAP atua justamente como esse alicerce de dados centralizados, integração nativa entre áreas, rastreabilidade ponta a ponta e governança rígida que a tecnologia exige. Além disso, utilizar uma solução consolidada de mercado garante que os processos estejam maduros e os dados limpos antes mesmo de a IA interagir com eles. Sem essa preparação prévia, a automação pode até gerar velocidade, mas dificilmente entregará consistência operacional.   

O grande movimento de mercado daqui para frente exige uma mudança de mentalidade por parte das lideranças. Empresários e gestores precisam compreender, de uma vez por todas, que a Inteligência Artificial não substitui a gestão. Ela potencializa a qualidade da gestão que já existe. Por isso, antes de buscar a próxima tecnologia revolucionária, é fundamental olhar para a base. Afinal, o sucesso do próximo passo tecnológico depende inteiramente da solidez do solo onde que está pisando hoje.  

Marco Vonzodas é Co-CEO da Okser.

Sobre a Okser    
A Okser é uma consultoria especializada na implementação do SAP Business One. Com 17 anos de expertise, atendendo empresas em todo o território nacional, a empresa já soma mais de 2 mil projetos realizados e mais de 3 mil usuários. A organização vai além, criando soluções tecnológicas personalizadas para lidar com qualquer desafio, simplificando processos e garantindo maior segurança e eficiência operacional. 



Imagens relacionadas


baixar em alta resolução



Cinthia Guimarães


Tel: +55 (11) 95457-3500
Email: cinthia@informamidia.com.br
www.informamidia.com.br

Ford Ranger é o 0KM mais buscado da Bahia em maio, segundo a Webmotors

 


Webmotors

Ford Ranger é o 0KM mais buscado da Bahia em maio, segundo a Webmotors

Levantamento do Webmotors Autoinsights aponta os 10 modelos novos e usados mais procurados no período com base nas visitas em anúncios da plataforma

São Paulo, junho de 2026 – A Ford Ranger foi o veículo zero quilômetro mais procurado da Bahia no mês de maio. A informação é do Webmotors Autoinsights, ferramenta que fornece dados sobre o mercado automotivo brasileiro com base nas visitas em anúncios da plataforma por usuários do estado.

Na sequência, entre os carros novos, aparecem Toyota Corolla (2º) e BYD King (3º). Logo após, surgem a Toyota Hilux SW4 (4º), Hyundai Creta (5º), BYD Dolphin Mini (6º) e Volkswagen Tiguan (7º). Fiat Fastback (8º), BYD Dolphin (9º) e CAOA Chery Tiggo 7 (10º) completam a lista.

Já em relação aos veículos usados, o Toyota Corolla (1º) lidera as buscas em maio no estado, seguido por Honda Civic (2º) e Chevrolet Onix (3º). Também figuram entre os modelos mais pesquisados no período o Volkswagen Polo (4º), Volkswagen Gol (5º), BMW 320i (6º), Hyundai HB20 (7º), Chevrolet S10 (8º), Toyota Hilux SW4 (9º) e Toyota Hilux (10º).

Confira os rankings dos 10 carros novos e usados mais buscados na Bahia em maio de 2026 e a comparação com o mês anterior:

 

0KM - BAHIA

MAIO DE 2026

ABRIL DE 2026

Ford Ranger (1º)

Ford Ranger (1º)

Toyota Corolla (2º)

Hyundai Creta (2º)

BYD King (3º)

Volkswagen Tera (3º)

Toyota Hilux SW4 (4º)

BYD King (4°)

Hyundai Creta (5º)

Fiat Toro (5°)

BYD Dolphin Mini (6º)

Toyota Corolla (6°)

Volkswagen Tiguan (7º)

BYD Dolphin Mini (7º)

Fiat Fastback (8º)

Caoa Chery Tiggo 8 Pro (8°)

BYD Dolphin (9º)

Volkswagen Jetta (9°)

CAOA Chery Tiggo 7 (10º)

BYD Seal (10°)

 

USADOS - BAHIA

MAIO DE 2026

ABRIL DE 2026

Toyota Corolla (1º)

Toyota Corolla (1º)

Honda Civic (2º)

Honda Civic (2º)

Chevrolet Onix (3º)

Chevrolet Onix (3º)

Volkswagen Polo (4º)

Volkswagen Polo (4º)

Volkswagen Gol (5º)

BMW 320i (5º)

BMW 320i (6º)

Hyundai HB20 (6º)

Hyundai HB20 (7º)

Volkswagen Gol (7º)

Chevrolet S10 (8º)

Toyota Hilux (8º)

Toyota Hilux SW4 (9º)

Ford Ranger (9º)

Toyota Hilux (10º)

Hyundai Creta (10º)

Sobre a Webmotors

A Webmotors (www.webmotors.com.br) foi a primeira marca brasileira a inovar na forma de comprar e vender carros e é o principal ecossistema automotivo, que engloba desde a compra, venda e uso do veículo, oferecendo soluções completas para o segmento no Brasil. Fundada em 1995, Webmotors foi pioneira na inovação do marketplace online automotivo e continua a definir o padrão para compra, venda e pesquisa online automotiva.

Em 2002, o Grupo Santander Brasil se juntou à Webmotors como seu principal parceiro e, em abril de 2013, a empresa deu boas-vindas à carsales.com Ltd., que adquiriu uma participação de 30%. Desde então, a empresa de tecnologia australiana contribuiu para a aceleração do crescimento da Webmotors e, em março de 2023, a carsales.com Ltd. aumentou sua participação acionária na Webmotors para 70%. O Santander mantém os outros 30%, além da exclusividade comercial, sendo o parceiro de crédito, seguros e soluções financeiras para transações feitas por meio da plataforma da Webmotors.

Informações para a imprensa RPMA Comunicação

www.rpmacomunicacao.com.br

Jaqueline Nunes - jaqueline.nunes@rpmacomunicacao.com.br

(11) 94119-9351

Relações com a imprensa – Webmotors

www.webmotors.com.br/

Vinícius Fernandes Chaves – vinicius.chaves@webmotors.com.br

Relações com a imprensa – Santander Brasil

www.santander.com.br

Luciana Silva – luciana.silva@prservicos.com.br


Samara Castro
samara.castro@rpmacomunicacao.com.br
(11) 5501-4655

Moçambique e Brasil articulam uso de 10% de receitas extrativas para resiliência climática em encontro internacional

 


Com foco na transparência, projeto utiliza democracia deliberativa para que cidadãos definam investimentos em serviços públicos e mitigação de impactos ambientais

 

SALVADOR – Um modelo inovador de gestão pública, que destina 10% dos impostos da produção mineira e petrolífera para o desenvolvimento local, é o centro das discussões que reúnem autoridades e especialistas em Salvador entre os dias 10 e 16 de junho. O programa “Troca de Experiências e Boas Práticas pós-Deliberação” foca na implementação das recomendações das Assembleias Cidadãs de Moçambique sobre as Mudanças Climáticas, projeto que busca garantir que a exploração de recursos naturais reverta em benefícios diretos para a resiliência das comunidades.

Baseado nas Leis 15/2022 e 16/2022 de Moçambique, o processo envolveu cerca de 60 cidadãos escolhidos por sorteio representativo em Cabo Delgado e Tete. Os resultados práticos já incluem a priorização de 13 ações em Cabo Delgado — como a construção de maternidades e sistemas de aviso prévio — e 11 recomendações em Tete, com foco em agricultura de conservação e escolas resilientes que servem de abrigo em crises.

 

Destaque: Práticas Reais na Quinta-Feira (11 de junho)

O ponto alto do debate sobre a viabilidade dessas políticas ocorre nesta quinta-feira, 11 de junho, no Fera Palace Hotel. Sob o tema "Práticas na prática: experiências reais e possibilidades para acompanhamento e implementação das recomendações cidadãs", o encontro promoverá um intercâmbio direto entre modelos internacionais e brasileiros.

Pela manhã, das 9h às 12h30, os holofotes se voltam para a experiência global com as apresentações de Iain Walker (Austrália), diretor da newDemocracy Foundation, e Doreen Grove (Escócia), líder de Governo Aberto na Escócia. Walker traz o conhecimento de mais de 20 projetos de inovação democrática, enquanto Grove compartilha sua expertise em transparência e inovação nos serviços públicos escoceses.

No turno da tarde, a partir das 14h30, a programação foca na realidade dos municípios brasileiros. Serão apresentados casos de sucesso em participação cidadã de:

  • Francisco Morato (SP): com o Prefeito Ildo Gusmão.
  • Fortaleza (CE): com a Professora Elis Teixeira.
  • Salvador (BA): com a apresentação de Thais Rebouças, Fernanda Gonzalez e Tássio Santos, detalhando como a capital baiana integra o planejamento público à voz do cidadão.

O dia se encerra com um trabalho prático em grupos para definir governança, controle social e matrizes de esforço para a implementação dessas políticas, seguido por um café de integração.

 

Continuidade e Governança

A programação segue na sexta-feira, 12 de junho, com mesas de cocriação para adaptar as melhores práticas aos contextos específicos de Moçambique e do Brasil. 

O encerramento das atividades técnicas no hotel contará com a sistematização dos aprendizados antes da transição para o seminário acadêmico na Universidade do Estado da Bahia (Uneb), que ocorrerá nos dias 15 e 16 de junho.

O evento é organizado pelo governo moçambicano (projeto GEPRES) e pela organização Delibera Brasil, contando com o apoio financeiro do Banco Mundial.


Luanda Nera
Diretora
luanda@lneracomunica.com.br
(11) 99320-3726

domingo, 7 de junho de 2026

 Pode ser uma imagem de texto que diz "@rioverdegoies Mroverdegolas riovere egoias ADIDAS, NIKE E FILA SAEM DO BRASIL E TRANSFEREM PRODUÇÃO PARA o PARAGUAI APROVEITANDO MENOS IMPOSTOS MANANCIAL AMPARO RH SOLUT ECONDICIONADO"

A conta que sempre chega

 


 

Alex Pipkin, PhD

         Recentemente, ao comentar o declínio intelectual promovido por décadas de hegemonia "progressista" nas universidades, recebi uma observação que me levou a uma conclusão talvez mais importante do que a crítica original. O verdadeiro problema não é a existência de determinadas ideias, mas a institucionalização de ideias imunes à lógica da ralidade.

Toda geração produz suas utopias. O problema começa quando elas deixam de ser hipóteses e passam a ser tratadas como verdades sagradas. Nesse instante, os fatos deixam de ser um teste da teoria, e essa teoria passa a julgar os fatos.

Foi exatamente esse erro que acompanhou tantas experiências coletivistas ao longo da história. Não faltaram boas intenções. Faltou realidade.

O mundo não é como gostaríamos que fosse. O mundo é como é.

O ser humano não é uma peça de laboratório esperando ser moldada por burocratas, intelectuais ou engenheiros sociais. Ele possui interesses, ambições, medos, virtudes e defeitos. Coopera, mas também compete. É capaz de solidariedade, mas responde a incentivos. Ignorar essa realidade não transforma a natureza humana, apenas converte a teoria em ficção.

Existe uma característica particularmente resistente nas utopias; elas nunca admitem fracasso. Quando produzem pobreza, a culpa é dos governantes. Quando produzem escassez, a culpa é das circunstâncias. Quando produzem miséria, a culpa é de sabotagens externas. A teoria permanece sempre "inocente".

Vejam Cuba, por exemplo. Décadas de estagnação, escassez e fuga de cidadãos. Ainda assim, para muitos, o problema não está no modelo. A explicação é sempre a mesma; foi mal aplicado.

Mas quantas vezes uma ideia pode fracassar antes que se considere a possibilidade de que o problema esteja na própria ideia? A realidade não exige perfeição, mas resultados.

A grande tragédia das utopias não é produzir fracassos. É convencer sucessivas gerações de que, desta vez, a realidade finalmente se curvará à teoria.

Nunca se curvou. Nunca se curvará.

Alguns amigos que visitaram o antigo Leste Europeu, caminharam pelas ruas de Cuba, conversaram com pessoas que escaparam da Coreia do Norte ou testemunharam os contrastes da China moderna relatam a mesma sensação. Em determinado momento, a névoa desaparece. As teorias ficam para trás, restando apenas os fatos.

É assim. A realidade não vota, não milita, não assina manifestos e não participa de debates ideológicos.

Quem tem os pés no chão sabe que, mais cedo ou mais tarde, a realidade sempre apresenta a conta.

A ideologia do medo

 


 

Percival Puggina

         Há poucos dias, numa entrevista, indagado sobre o encerramento do inquérito dito “do fim do mundo” ou das “fake news”, o ministro Gilmar Mendes afirmou que esse inquérito “vai acabar quando terminar”. Salientou que a investigação segue necessária e “não deve ser encerrada antes do período eleitoral”, pois “o STF tem sido vilipendiado”.

A propósito, há que sublinhar, mais uma vez, que os membros de um poder não são a instituição a que pertencem. As pessoas dos ministros não são o Supremo, como as pessoas dos senadores não são o Senado. Não surpreende que tantos cidadãos não façam essa distinção se os próprios ministros, reiteradamente, incorrem no mesmo erro. E há que reconhecer, também, os dois fatores que dão causa às reações da sociedade. Refiro-me aos excessos que, para salvar a democracia, a tornaram irreconhecível e o silêncio que envolve seriíssimas ocorrências nas entranhas do poder.     

Esquece-se, o ministro, de que o inquérito em questão é um concentrado de anomalias: foi instaurado de ofício; viola o sistema acusatório; desrespeita o juiz natural (o relator foi designado e não sorteado); seu objeto é indeterminado e tem servido para uma devassa genérica; não há como incluir a quase totalidade dos investigados num foro (o do STF) cuja natureza é especial por prerrogativa de função.

O leitor destas linhas, que não é bobo, deve ter percebido uma falácia lógica (um non sequitur) na afirmação reproduzida no primeiro parágrafo. O que têm a ver o encerramento de um inquérito e o período eleitoral com o fato de estar, o Supremo, sendo vilipendiado? Nada! A menos que a intenção seja usar o inquérito como instrumento no período eleitoral. Toda essa história é uma narrativa de tragédias pessoais, de pressões psicológicas, de críticas amordaçadas, de interdições, de mandados de busca e apreensão que, recolhendo telefones e computadores, equivalem, em tempos modernos, a mutilação dos investigados. O produto eficaz desse instrumento é a difusão do medo para obter, dos cidadãos, um silêncio de cemitério.

De fato, a violência sofrida por uns intimida os demais. Os danos sofridos por uns estendem seus efeitos para além das vítimas diretas, afetando a população civil e produzindo submissão. Muitos cientistas políticos, sem hesitar, classificariam como terrorismo de Estado a relação entre o instrumento – inquérito – e a finalidade descrita.

Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

Fundação Bahia apresenta nova fase e reúne lideranças do agro na Bahia Farm Show

 




Encontro marcará a apresentação dos novos direcionamentos estratégicos da instituição e reunirá pesquisadores, parceiros e representantes do setor produtivo


Jarbas Bergamaschi, presidente da Fundação BA (Fotos Agência Marca Comunicação)

A partir desta segunda-feira (8), quando a Bahia Farm Show abre oficialmente sua edição comemorativa de 20 anos, um dos principais debates sobre o futuro da agricultura brasileira ganhará espaço dentro da feira. A Fundação Bahia preparou uma agenda estratégica que reunirá pesquisadores, empresas, consultores, produtores rurais e lideranças do setor para discutir inovação, pesquisa e os desafios que moldam o agro do MATOPIBA.


Reconhecida por sua atuação em pesquisa agrícola aplicada, a instituição transformará seu espaço na feira em um ambiente voltado à troca de ideias, fortalecimento de parcerias e construção de novas soluções para o campo. A programação marca também o início de uma nova fase da Fundação Bahia, sob a presidência do produtor rural Jarbas Bergamaschi, que assumiu a entidade em janeiro de 2026 ao lado de uma nova diretoria.


A agenda começa na terça-feira (9), às 8h, com o evento "Nova Era", que reunirá pesquisadores do Comitê Técnico Científico da Fundação Bahia (CTC), empresas parceiras, consultores, produtores e lideranças do agronegócio regional. O encontro será dedicado à apresentação dos novos direcionamentos estratégicos da Fundação Bahia e das prioridades que devem orientar a atuação da instituição nos próximos anos.


Além de apresentar sua visão para o futuro, a Fundação pretende reforçar o papel da pesquisa como ferramenta essencial para aumentar a competitividade da agricultura tropical, aproximando ainda mais o conhecimento científico das demandas do setor produtivo.


Ainda no dia 9, a instituição promove um encontro com seus sócios cotistas, em uma agenda interna voltada ao alinhamento institucional e ao fortalecimento das ações desenvolvidas pela entidade.

Campo Experimental da Fundação Bahia, em Luís Eduardo Magalhães/BA

Encontros estratégicos

Entre os dias 10 e 12 de junho, a programação segue com reuniões e encontros exclusivos com empresas e parceiros no estande da Fundação Bahia, localizado no prédio da Aiba, ampliando oportunidades de cooperação, desenvolvimento tecnológico e geração de soluções para o campo.


A movimentação ocorre em um momento em que o Oeste da Bahia e o MATOPIBA consolidam sua posição entre as regiões agrícolas mais importantes do país, impulsionando a demanda por inovação, sustentabilidade e ganhos de produtividade.


“Estamos iniciando uma nova fase da Fundação Bahia, com foco em modernização, fortalecimento da pesquisa e ampliação das conexões com o setor produtivo. A Bahia Farm Show é o ambiente ideal para apresentar essa visão e construir, junto aos nossos parceiros, os próximos passos da instituição”, afirma o presidente da Fundação Bahia, Jarbas Bergamaschi.


A Fundação Bahia convida os profissionais de imprensa para acompanhar o evento "Nova Era", que será realizado na terça-feira (9), às 8h, no auditório da instituição, dentro da Bahia Farm Show. O encontro reunirá diretores, pesquisadores, parceiros e lideranças do agronegócio regional, proporcionando uma oportunidade para conhecer de perto os projetos, prioridades e perspectivas que devem orientar a atuação da entidade nos próximos anos

 

SERVIÇO

Evento: Nova Era – Fundação Bahia

Data: 9 de junho de 2026 (terça-feira)

Horário: 8h

Local: Auditório da Fundação Bahia – Complexo Bahia Farm Show, Luís Eduardo Magalhães (BA)

Primor celebra maior Pé de Moleque do Mundo: tradição, cultura e sabor, em Caruaru


Primor celebra maior Pé de Moleque do Mundo: tradição, cultura e sabor, em Caruaru


O clima junino tomou conta da Praça das Rendeiras neste sábado (6) com a realização da 29ª edição do Maior Pé de Moleque do Mundo, que mais uma vez é patrocinado por Primor.


A margarina mais querida do Nordeste, reafirma seu compromisso com a valorização da cultura nordestina, gastronomia junina e de tradições que atravessam gerações.


A festa reúne moradores e visitantes em uma celebração marcada pela gastronomia, pela música e pela valorização das manifestações populares que ajudam a construir a identidade da Capital do Forró.


Este ano o Maior Pé de Moleque do mundo ganhou  um significado especial ao celebrar os 80 anos de Maria Eugênia da Silva, carinhosamente conhecida como Dona Maria do Bolo. Referência na gastronomia popular e na cultura junina de Caruaru, ela é a idealizadora da festa e mantém viva a tradição.


O evento é conhecido por transformar uma das receitas mais tradicionais do período em um verdadeiro símbolo de confraternização. São distribuídas milhares de fatias do gigante pé de moleque, com apresentações musicais, homenagens e momentos de integração entre artistas, comunicadores e representantes da cultura local.


A programação contou com apresentações dos cantores Derso Luiz e Reginaldo Azevedo, além de outras atrações culturais que animaram o público ao longo da noite. Foram mais de 2 toneladas, em 20 metros do tradicional bolo, que rendeu entre 8 e 10 mil fatias, distribuídas gratuitamente durante a festa.


A edição de 2026, também prestou homenagem a personalidades e instituições que contribuem para a cultura e a comunicação da cidade, entre elas a Câmara Setorial de Portais de Notícias e Blogs da Acic, os comunicadores Almir Vilanova e Moisés Rouche, o cantor Elifas Júnior, a artesã Tereza Gonzaga, a chefe do 1º Batalhão 27, Ângela Bacamarteira, e o poeta Jénerson Alves.


História e tradição


Natural de Santa Maria do Cambucá, Dona Maria chegou a Caruaru ainda na adolescência e construiu sua história na cidade. Em 1998, a partir de uma conversa em família, surgiu a ideia de criar o Maior Pé de Moleque do Mundo. O que começou como uma iniciativa para celebrar a cultura popular cresceu e se transformou em um dos eventos mais aguardados do São João caruaruense.


Ao longo de quase três décadas, a festa consolidou-se como um patrimônio afetivo da cidade, reunindo moradores e turistas em torno da partilha, da solidariedade e das tradições nordestinas. 


Mais do que um grande bolo, o Maior Pé de Moleque do Mundo representa a força da cultura popular e o espírito acolhedor que fazem do São João de Caruaru uma referência para todo o Brasil.


INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

LK COMUNICAÇÃO

www.lkcomunicacao.com.br

+55 2137-5250 / 2137-5251

Acionamento do plano emergencial do ONS expõe déficit na infraestrutura elétrica e reforça urgência de modernização setorial, diz ABSOLAR

 

Acionamento do plano emergencial do ONS expõe déficit na infraestrutura elétrica e reforça urgência de modernização setorial, diz ABSOLAR
 

 



 


Segundo a entidade, geração renovável avançou no Brasil, porém sem o necessário investimento em flexibilidade, armazenamento de energia e modernização tarifária, medidas que o setor cobra há anos
 

7 de Junho de 2026 – As medidas de operação emergencial estabelecidas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) neste domingo, 07/06, para gestão de excedentes junto às redes de distribuição de energia elétrica, evidenciam um gargalo estrutural de aprimoramentos setoriais, inserção das tecnologias de armazenamento e adaptação da infraestrutura elétrica do País, que não acompanhou a evolução do uso da fonte solar e das demais renováveis na última década.
  
Para a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), as medidas do ONS, embora necessárias, são sintomas de um problema estrutural mais profundo. A conjuntura deste domingo, com alta irradiação solar combinada à baixa demanda do feriado prolongado, não é uma anomalia: é um cenário previsível, recorrente em países que avançaram com sucesso na transição energética. A diferença é que esses países já se adaptaram a este novo normal, adotando instrumentos de flexibilidade e armazenamento de energia elétrica adequados. O governo brasileiro, por outro lado, ainda não entregou o que o setor elétrico reivindica há anos.
 
Segundo Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR, o acionamento do plano emergencial do ONS demonstra, de forma clara, que a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) chegou a um ponto de inflexão. “O sistema elétrico nacional cresceu em geração renovável solar, eólica, hídrica a fio d’água, biomassa e biogás, porém sem o correspondente investimento em mecanismos de flexibilidade, armazenamento de energia elétrica e controle de carga. O desequilíbrio não é resultado da expansão de apenas uma fonte, tecnologia ou modalidade de geração, mas da falta de política pública estrutural adequada para acompanhar essa natural expansão”, pontua.
 
Ao longo das últimas décadas, o Brasil construiu uma matriz elétrica robusta e segura, com participação crescente de fontes renováveis variáveis, incluindo solar, eólica, hídrica a fio d’água, biomassa e biogás. Atualmente, o País conta com mais de 70 gigawatts (GW) de capacidade instalada da fonte solar fotovoltaica em operação, somados a mais de 34 GW da fonte eólica.
 
Essa transição, na visão de Bárbara Rubim, presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, é uma conquista estratégica do Brasil e que merece destaque, pois contribuiu de forma decisiva para a diversificação do suprimento elétrico nacional e a redução dos riscos de apagão por falta de chuvas no País. “No entanto, transições de escala exigem planejamento e infraestrutura compatíveis, capazes de viabilizar a adequada gestão dos recursos disponíveis. É exatamente neste quesito que o Brasil acumula um preocupante déficit”, enfatiza.
 
Neste sentido, a ABSOLAR alerta para três gargalos estruturais da atual composição da matriz elétrica. Um deles é a tributação de mais de 70% incidente hoje sobre os sistemas de armazenamento de energia elétrica no Brasil, algo inadequada e incompatível com o papel estratégico que essa tecnologia precisa cumprir em nosso País. “Enquanto apostas esportivas, bebidas alcoólicas e armas têm tratamento tributário mais favorável do que equipamentos essenciais para a segurança do sistema elétrico, a sociedade sofre um desnecessário risco operacional por essa distorção”, lembra Sauaia.
 
Outro ponto são os Leilões de Reserva de Capacidade para Armazenamento, que acumulam anos de demora para sua efetiva realização, prejudicando a segurança e otimização da operação elétrica nacional. O Brasil não realizou até o momento nenhum leilão específico para a contratação, em larga escala, de baterias, capazes de lidar com os excedentes de geração renovável nos períodos de baixa carga, dando origem exatamente ao cenário que se manifesta hoje.
 
Há, ainda, o atraso estrutural na modernização do setor elétrico brasileiro, que anda a passos lentos e descoordenados. “A aprovação da Lei n° 15.269/2025 e a vinda da primeira etapa do Marco Regulatório dos Sistemas de Armazenamento de Energia, aprovado pela ANEEL no último dia 02 de junho via Consulta Pública ANEEL n° 039/2023, representaram avanços importantes, mas insuficientes para posicionar o Brasil na vanguarda da tecnologia”, diz Bárbara.
 
Para a associação, o Brasil precisa, urgentemente, caminhar: (i) no aprimoramento dos mecanismos de reconhecimento de receitas às baterias; (ii) na modernização tarifária, tema discutido sem avanços desde dezembro de 2018; e (iii) na regulação dos sistemas de armazenamento de energia elétrica também junto aos consumidores, atrás do medidor, como já ocorre em diversos países do mundo.
 
Assim, a ABSOLAR defende uma agenda setorial urgente, coordenada entre Ministério de Minas e Energia (MME), Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em diálogo e colaboração permanente com as associações representativas do setor, que inclua: (i) a realização de leilões anuais de armazenamento de energia elétrica, com escala robusta e previsibilidade; (ii) a redução imediata da carga tributária sobre sistemas de armazenamento de energia elétrica, seus componentes, partes e peças, tornando a tecnologia mais barata e acessível à população, pequenos negócios e produtores rurais do Brasil; e (iii) o desenvolvimento de mecanismos técnicos e regulatórios para gestão dos excedentes de energia elétrica que respeitem os investimentos já realizados pela sociedade.
 
A ABSOLAR e o setor solar fotovoltaico se colocam à disposição para contribuir construtivamente na estruturação dessas soluções, em conjunto com o Governo Federal e as demais autoridades do setor elétrico brasileiro.
 
Sobre a ABSOLAR
 
Fundada em 2013, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) é a entidade do Brasil que reúne todos os elos da cadeia de valor da fonte solar fotovoltaica e demais tecnologias limpas, incluindo armazenamento de energia elétrica e hidrogênio verde. Com associados nacionais e internacionais, de todos os portes, a entidade é fonte de informação e articulação em prol da transição energética sustentável do Brasil.



Para mais informações, contatar:
Thiago Nassa (MTb. 30.914)
TOTUM Comunicação
(11) 99544 4954

De que falamos quando falamos de valores europeus?

 

BLOG ORLANDO TAMBOSI

O economista e diplomata francês Jean Monnet (à direita) recebe o chanceler alemão Konrad Adenauer (à esquerda) quando este chegou a Paris a 13 de abril de 1951. Ambos foram fundamentais para a criação daquilo que viria a ser a União Europeia


"Valores Europeus — Uma Longa História" é o título do novo livro de Jaime Nogueira Pinto, um ensaio que vai da mitologia à União Europeia. O Observador faz a pré-publicação:


A frase está em destaque no livro e explica a origem de “Valores Europeus”: “Certos valores e princípios que, na longa tradição do Ocidente, identificaram uma cultura e uma civilização, estão a ser desafiados e contestados em múltiplas frentes”. Para o explicar, Jaime Nogueira Pinto (politólogo, escritor, professor, colunista do Observador) recorda, analisa e comenta o trajeto do continente europeu, da política de Atenas e da república romana ao pós-Segunda Guerra Mundial e à busca pela unidade europeia. Que traços foram comuns ao longo dos séculos, que cisões surgiram, onde chegámos e como.

Nestes dois excertos que o Observador revela, Jaime Nogueira Pinto aborda a oposição entre a vontade e os objetivos dos “pais fundadores” daquilo a que viria a ser a União Europeia e a realidade política e social que se regista no século XXI, sobretudo depois da pandemia, de Trump e da imparável escalada chinesa na economia mundial.


A ideia dos pais-fundadores da Europa, ou melhor, da União Europeia – já que a Europa, como Cristandade, Respublica Christiana, ou como concerto das “nações civilizadas” começou muito mais cedo –, veio na sequência daquilo a que alguns chamaram as “guerras civis europeias” do século XX: a Grande Guerra e a Segunda Guerra Mundial, que ditaram o fim do mundo eurocêntrico e do Direito Público Europeu. Foi assim, no pós-guerra, num tempo de reconstrução política e económica, que franceses, alemães e italianos, traumatizados pelo que tinham vivido e contemplado, quiseram juntar esforços para que não se repetisse a tragédia.


Os pais-fundadores da então comunidade europeia eram quase todos católicos de convicção e prática – Robert Schuman, Jean Monnet, Konrad Adenauer, Alcide de Gasperi – e queriam a paz pelo comércio e pela prosperidade. O eixo franco-alemão foi também decisivo para unir a Europa Ocidental nos valores da liberdade económica e política, da liberdade de expressão, de credo e de ideologia; isto também porque, depois da guerra, a Cortina de Ferro, trazida pelas tropas soviéticas na sua marcha sobre Berlim, descera sobre o Centro-Leste do Continente, com os países e os povos que ficavam para lá do Elba submetidos a Moscovo e ao comu nismo por interpostos partidos e ditadores.

À semelhança dos fundadores da Europa e dos povos e dirigentes dos países do Leste Europeu que, depois do fim da União Soviética e da libertação, recuperaram a independência, hoje muitos europeus acreditam na Europa, mas estão longe – muito longe – dos “novos direitos humanos” que algumas instituições e dirigentes políticos querem agora apresentar como “valores europeus”.

Quem propõe estes novos “valores e direitos”? Que grau de adesão têm? Quem mandatou os deputados e os burocratas de uma União que é essencialmente económica para acrescentarem à Carta novos “direitos fundamentais”, muitas vezes contrários a outros direitos verdadeiramente fundamentais, à tão evocada Ciência, ao senso comum mais elementar e às crenças de grande parte dos europeus? Quem os indigitou para lavrarem recomendações de bom e correcto comportamento ético, político e ideológico e fazer depender do seu cumprimento a atribuição de subsídios ou a aplicação de sanções? Que “valores europeus” são estes, que agora nos propõem – ou, até, nos impõem –, geralmente ao sabor da influência dos grupos e dos lobbies mais activistas?

Valores e contra-valores

Presentemente, os ataques à tradição romano-cristã e aos seus valores partem de movimentos com uma genealogia gramsciana pós-moderna, ligada a alguns dos autores a que Raymond Aron chamou “marxistas imaginários”. Aron, um representante agnóstico do conservadorismo liberal ou do liberalismo conservador europeu, pressentiu e testemunhou a decadência política e geopolítica da Europa no mundo do segundo pós-Guerra. Para Aron, a decadência começara um quarto de século antes:

Desde que a Europa saiu, dizimada e amarga, da grande carnificina em que se lançara, burguesa e cega, nunca mais afastou da sua consciência a angústia da decadência.

Este fantasma da decadência fora pressentido, ao longo do século XX, por uma série de pensadores e intelectuais europeus de todos os quadrantes: os que viveram a nostalgia do “mundo de ontem”, como Stephan Zweig; os que fizeram o retrato romanticamente realista de uma sociedade em agonia, como Proust em À la recherche du temps perdu; os que assumiram a História como uma grande batalha civilizacional e geopolítica, como Spengler; finalmente, os que procuraram resposta à decadência nas soluções de ruptura do fascismo e do comunismo, como alguns “escritores malditos” franceses ou alguns comunistas italianos da literatura e do cinema.

Mas todas estas contestações tinham – na sua adesão nostálgica ou na sua radicalidade iconoclasta – uma referência à tradição europeia e aos seus valores; mesmo quando os nega vam e combatiam em nome de novas mensagens ou de velhas correntes e realidades alternativas que brotavam do mesmo tronco europeu. Foram os casos de Marx, Proudhon, Renan, Nietzsche, Wagner, Thomas Mann, Bergson, Aron, Pareto, Croce, Gramsci, Gentile, Dostoievski, Tolstoi, Berdaiev, Kolakowski.


Raymond Aron, representante agnóstico do conservadorismo liberal ou do liberalismo conservador europeu, pressentiu e testemunhou a decadência política e geopolítica da Europa no segundo pós-Guerra

Religiosos ou anti-religiosos, românticos ou realistas, crentes ou cépticos, todos eles mantiveram uma linha de imaginação criadora, de continuidade ou de ruptura, baseada num certo cânone de valores ou contra-valores de herança europeia ou ocidental.

No entanto, as forças que, há um quarto de século, irromperam nesse mesmo espaço cultural euro-americano contestam tão radicalmente essa tradição que parecem querer instaurar uma nova ortodoxia, e fazer, mais uma vez, tábua rasa do passado, como no hino da Internacional. Esta ortodoxia nega o cânone europeu em nome de um quadro alternativo de desconstrução radical de valores, de corte com tradições enraizadas e continuadas e até com as tradições de ruptura de que também se foi fazendo a Europa. Para os apóstolos da nova fé laica, os grandes clássicos, antigos e modernos, de continuidade ou de mudança – Homero, Virgílio, Dante, Shakespeare, Goethe, Tolstoi, Proust, Joyce – não passam de DWEM (Dead White European Males) ou de DWAM (Dead White American Men), os seus equivalentes norte-americanos. Por isso – e também porque a análise do presente sofre sempre com a ausência de distância – sentimos este tempo como um tempo particularmente inquietante e diferente, na sua rejeição prévia de uma obra ou de um feito pela simples proveniência do autor – circunstancial, racial, nacional ou sexual –, um tempo tomado por uma cega febre correctora e reconstrutora em nome de uma perfeição irreal e irrealista. É um tempo que agora nos chega com maior veemência da América do Norte – terra prometida dos dissidentes do Mayflower, mas também dos juízes de Salem, terra da imaginação criativa das novas artes, mas também dos puritanismos mais arcaicos e inquisitoriais.

Foi nas universidades de elite e da elite, nos campus norte-americanos, que os discípulos dos heréticos marxistas europeus da Escola de Frankfurt e dos estruturalistas franceses geraram os seus rebentos e as suas filosofias de desconstru ção, vitimização e agressão. E propõem-se agora colonizar o mundo, ou seja, a velha Europa que “subjugou o mundo”, com a sua lista de interditos, cancelando uma História “de opressão branca, de racismo e de sexismo”, estátua a estátua, frase a frase, pronome a pronome.

Como se chegou aqui? O desconstrucionismo começou há quase meio século na América e foi desde logo denunciado por pensadores não-reaccionários, como Allan Bloom. No seu famoso bestseller The Closing of American Mind, Bloom fazia uma análise dos princípios do relativismo moral dominante na Academia e nos media que estavam a minar a educação mental das novas gerações de estudantes. Seguindo uma temática cara a Leo Strauss, Bloom mostrava pessimismo quanto à falta de entendimento dos “Grandes Livros” e à ausência de “liberal education”. As novas modas de desconstrução dos textos e a obsessão com a “cultura de massas” (para ele uma contradição nos termos) levavam-no a retomar a expressão nietzscheana do caminho para o niilismo. E o niilismo era a consequência da absolutização do relativismo e de um individualismo utilitário radical, aliados a uma retórica optimista quanto ao sentido da História, à inovação técnica e ao experimentalismo humano e social. Para Bloom, a liberal education implicava hierarquia e diferenciação – um velho tema straussiano – e não amálgama, desconstrução e tábua rasa.

A partir dos anos de 1970 e como consequência da própria radicalização americana, mas também por reacção à crescente viragem à direita do eleitorado, com a vitória esmagadora de Nixon em 1972 – que antecederia o reaganismo –, houve uma radicalização reactiva dos meios académicos e mediáticos. Watergate e a onda de moralismo que gerou dinamizaram mais ainda a reacção, com a Esquerda a entender a viragem do eleitorado americano para o nacionalismo popular como um perigo mortal e a achar-se legitimada a usar todos os meios na luta contra a “regressão civilizacional”.

Paralelamente, dava-se um fenómeno cultural – a consolidação do neomarxismo americano; com livros importantes e de sucesso agraciados com prémios de prestígio, como os da American Sociological Association, atribuídos a autores radicais como Immanuel Wallerstein, Jeffery M. Paige e Theda Skocpol. Os estudos incidiam especialmente sobre o Estado capitalista, a estrutura de classe, o processo de trabalho e a economia política internacional.

O desconstrucionismo começou há quase meio século na América e foi desde logo denunciado por pensadores não-reaccionários, como Allan Bloom

Estes estudos iriam beneficiar também da progressiva decadência do comunismo soviético. Perante as mudanças ocorridas nas sociedades capitalistas e nas suas estruturas sociais desde o Manifesto Comunista e da morte dos pais fundadores de O Capital, havia muito que rever quanto à luta de classes, considerando, sobretudo, o grande elefante na sala – as classes médias – que não cabiam no dualismo burguesia-proletariado e que várias gerações de pensadores marxistas tentavam entender e explicar sem sucesso.

Entretanto, o fim da Guerra Fria e a abertura da China comunista ao capitalismo – embora mantendo a direcção política central – tinham-se traduzido numa deslocalização das indústrias, com a consequente desindustrialização parcial do Ocidente e a perda de poder de pressão social da classe trabalhadora e da organização sindical. E dada a incapacidade dos neomarxistas académicos de enquadrarem os sobreviventes da classe operária ocidental e os novos “danados da terra”, o operariado ainda activo ou no desemprego começou a votar na direita nacionalista e populista.

Antes que se desenvolvesse este neomarxismo, e também a partir da redescoberta de Gramsci, surgira um marxismo terceiro-mundista – disseminado por figuras como Mao Tsé-Tung, Che Guevara e Frantz Fanon e teorizado no Ocidente por intelectuais como Immanuel Wallerstein.

Outro elemento importante na genealogia ideológica das novas esquerdas – além da recuperação da metodologia gramsciana sobre o poder cultural e da teoria da economia-mundo de Wallerstein – veio da divisão da sociedade americana quanto à guerra do Vietname, com escritoras como Mary McCarthy e Susan Sontag a viajarem até à capital do Vietname do Norte, Hanoi, e a exprimirem a sua solidariedade para com o governo comunista. As suas percepções e opiniões ficaram expressas nos livros Hanoi, de McCarthy, e Trip to Hanoi, de Sontag. No rasto dos iluminados europeus do século XVIII, dos orientalistas do século XIX ou dos primitivistas do fim do século XIX e princípios do século XX, em viagens utópicas para fora e para longe da própria civilização em direcção a um “outro” idealizado e imaginado na distância temporal ou espacial – na China, na Pérsia, nas florestas ameríndias –, Sontag escrevia: “The North-Vietnamese genuinely love and admire their leaders”.

Esta exaltação de um inimigo totalitário, retratado em termos idílicos e utópicos, ditada por um sentimento de auto-desprezo e auto-culpabilização, era um discurso voltado contra a própria identidade naquilo que tinha de imutável. Sontag deixava-o bem claro numa entrevista à Partisan Review:

A raça branca é o cancro da história humana; é a raça branca, e apenas ela – com as suas ideologias e invenções – que erradica a civilização autónoma sempre que se expande, que desequilibrou o equilíbrio ecológico do planeta e que agora ameaça a própria existência da vida.

Esta denúncia e este repúdio do pecado próprio ou comu nitário era uma versão laicizada e sem horizonte de perdão e redenção (que não a auto-aniquilação) do exame de cons ciência cristão, uma versão laica que encontrara já o seu apanágio na autocrítica comunista. De resto, neste como noutros aspectos, a doutrina comunista mostrava-se uma “contrafacção da redenção dos humildes, uma laicização da promessa da Epístola de S. Pedro, de um novo Céu e uma nova Terra” onde a justiça reinaria, para usar a expressão do Papa Pio XI na Encíclica Divini Redemptoris de 1937. Raymond Aron chamava-lhe a escatologia socialista das religiões seculares “qui prennent dans les âmes de nos contemporains la place de la foi évanouie et situent ici-bas, dans le lointain de l’avenir, sous la forme d’un ordre social à créer, le salut de l’humanité”.

O neomarxismo, a teoria crítica da Escola de Frankfurt, o radicalismo norte-americano dos anos 60, as experiências do Maio de 68, a ressurreição da metodologia gramsciana e do libertarismo sexual e moral de Sade convergiam, em dialético cocktail, para a Nova Esquerda que se consolidou e afirmou nos Estados Unidos da primeira Administração Trump e na Europa da pandemia e da reacção nacional popular. Mas enquanto a teoria crítica de Frankfurt procurava explicar e superar o fracasso do marxismo clássico na interpretação e mudança das sociedades ocidentais, a Nova Esquerda procurava identificar novas dicotomias de opressores e oprimidos – de raça, sexo e género – e somar-lhes agressões e ofensas, sem limites de espaço ou tempo, aplicando, actualizados, os cânones clássicos do marxismo à desconstrução das sociedades contemporâneas e das suas células familiares e individuais.

No princípio da década de 2020, a situação mundial era inquietante e os valores europeus achavam-se ameaçados por diferentes modos: no interior do próprio mundo euroa mericano, por uma poderosa ofensiva pró-aborto, com os activistas da extrema-esquerda radical a ameaçarem pessoalmente, à porta de casa, os juízes conservadores do Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos e o atentado à mão armada ao juiz Brett Kavanaugh, silenciado pela grande imprensa. A América estava tão radicalmente dividida que Robert Reich, antigo secretário do Trabalho de Bill Clinton, escrevia na sua coluna do The Guardian: “A segunda guerra civil americana já começou”, ainda que, logo a seguir emendasse a mão, recorrendo à retórica frequentemente usada por estas novas esquerdas para adoçar o radicalismo da clivagem: “Não é bem uma guerra, é uma espécie de separa ção benigna; a separação de um casal infeliz que não quer passar pelo trauma de um divórcio formal”.


Também por reacção à crescente viragem à direita do eleitorado, com a vitória esmagadora de Nixon em 1972, houve uma radicalização reactiva dos meios académicos e mediáticos

Assim, certos valores e princípios que, na longa tradição do Ocidente, identificaram uma cultura e uma civilização, estão a ser desafiados e contestados em múltiplas frentes. Com a mesma fé cega e a mesma fúria justiceira com que o Estado Islâmico, em Palmira, arrasou construções milenares, a religião, a família, a sociedade, a própria identidade biológica são agora sujeitas a uma razia acrítica que não se detém no presente, avançando pelo passado adentro para o corrigir ou cancelar em nome de uma nova ordem de perfeição e vir tude que se deve impor, uniformemente, ao orbe terrestre e a todas as Eras.

Pelo caminho, quebra-se uma memória e uma ética que, sob formas políticas diversas, conseguiram subsistir e sobreviver até hoje. E até a memória e a ética da admissão da contradição e de uma tradição de ruptura, também europeias, que foram permitindo que quase tudo mudasse para que tudo fosse perdurando.

Mas haverá valores europeus capazes de atravessar os tempos? E se os houver, de onde vêm e como é que caracterizam um modo europeu de ser e de estar no mundo? Em que princípios e modelos se fundamenta essa eventual concepção de vida? Haverá uma continuidade civilizacional que ressalte dos textos homéricos e do teatro grego, que entronque na ética da paz e da guerra da República Romana e que persista quando da erupção do cristianismo no Império dos Césares?

Terão os valores que moldaram o Velho Continente um “outro lado” nas lendas da Bretanha e nos códigos de Cavalaria da Europa feudal? Onde se encontram na filosofia católica, entre Agostinho e Tomás de Aquino? Terá aquilo que fez a Europa de alguma forma sobrevivido, condicionando o movimento de centralização dos Estados soberanos nos séculos XVI e XVII? E como conviveram esses valores com as novas ideias do Século das Luzes e do Despotismo Iluminado? E com as revoluções que, contra esse e outros despotismos, abalaram a Europa e o mundo eurocêntrico, da Revolução Inglesa à Revolução Francesa? Qual foi depois o impacto de Marx e da Revolução Soviética? O que aconteceu aos ditos “valores europeus” quando das respostas do fascismo e do nacional-socialismo ao comunismo, na idade dos totalitarismos? E como se adaptaram ao fim do mundo eurocêntrico e à Guerra Fria, ao eclipse dos Impérios coloniais e do sovietismo e a esta espécie de paz perpétua kantiana, posta em causa pela invasão da Ucrânia e pelas guerras do Médio Oriente? Haverá, entre todas estas correntes e entre todas as vicissitudes históricas registadas nas crónicas político-militares e espelhadas nos clássicos do pensamento e da ficção de cada tempo um mínimo denominador comum, um fio ético condutor?