O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concluiu sua visita à China ontem, assinando dezenas de acordos comerciais
Após dois dias de programação intensa na China, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iria concluir sua visita ao país com uma entrevista coletiva ontem, na embaixada do Brasil em Pequim. Mas na última hora o presidente cancelou a coletiva e deu por encerrada a agenda de compromissos oficiais. Foi uma despedida em tom de anticlímax, depois de uma visita marcada por uma série de declarações fortes do presidente, de apreço à China e contra a hegemonia dos EUA.
No texto da declaração final da visita presidencial à China, os dois países se comprometeram a “fortalecer o comércio em moedas locais”, uma indicação da intenção de substituir o dólar pelo yuan e o real. A declaração também destaca o convite do governo brasileiro à ampliação dos investimentos chineses no país, “com ênfase no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), uma das maiores carteiras de projetos, no mundo, de concessões de ativos de infraestrutura, inclusive ambientais”.
Na declaração conjunta divulgada pelos governos da China e do Brasil, o governo brasileiro reafirmou que “adere firmemente ao princípio de uma só China”, que inclui o entendimento de que Taiwan é “parte inseparável do território chinês”, o que mantém a posição historicamente adotada pelo Brasil e pela maioria dos países.
Recentemente, os chineses escalaram a tensão com a ilha, que tem um governo autônomo, após um encontro da presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, com o presidente da Câmara dos Estados Unidos, Kevin McCarthy. Os Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas com a ilha, mas são o principal aliado militar e vem intensificando os contatos com Taipei, provocando forte reação chinesa. A declaração conjunta diz que “a parte chinesa manifestou grande apreço a esse respeito”.
O presidente Lula agradeceu a calorosa acolhida e a grande hospitalidade recebidas do presidente Xi Jinping e do governo e do povo chineses durante a visita à China e convidou o Xi a realizar uma visita de Estado ao Brasil em 2024, para celebrar os 50 anos de relações diplomáticas entre Brasil e China.
O presidente chinês agradeceu o convite "com satisfação", e as partes tratarão o assunto por via diplomática.
Clima - Após o encontro oficial, os presidentes Lula e Xi Jinping reconheceram que a mudança climática representa "um dos maiores desafios de nosso tempo" e que o enfrentamento da crise contribui para "construir um futuro compartilhado de prosperidade equitativa e comum para a Humanidade".
Em uma declaração conjunta de 14 pontos, os dois líderes afirmam que "os países desenvolvidos têm responsabilidade histórica pelas emissões de gases de efeito estufa e devem assumir a liderança na ampliação das ações climáticas".
"O Brasil e a China enfatizam a necessidade de combinar uma ação urgente para o clima com a conservação da natureza para alcançar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), incluindo a erradicação da pobreza e da fome, sem deixar ninguém para trás".
Fonte: Agência O Globo
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