MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

domingo, 16 de abril de 2023

A violência só vai acabar na base da porrada!

 



Antigamente o brasileiro era um povo cordial, mas agora, só pra imitar os americanos, resolvemos copiar a violência deles. Agamenon Mendes Pedreira para a revista Crusoé:


Eu estava aqui, quieto no meu canto quando vi invadir a Rua da Amargura (onde fica estacionado meu Dodge Dart 73, enferrujado) uma horda de repórteres da Globo que tinham sido despedidos.

A Globo aproveitou o Coelhinho da Páscoa para entubar uma avantajada cenoura orgânica em vários jornalistas com mais de um século de empresa. A Globo alega “corte de custos” para as traumáticas demissões. Se for verdade acho que, se vivo fosse, o companheiro jornalista Roberto Marinho também teria sido vitimado por este cruel “passaralho” que sobrevoa a empresa.

As pobres criaturas de imprensa desempregadas já saíram do prédio atacando os transeuntes em busca de algum dinheiro, uma roupa velha, um microfone usado e, principalmente um “furo”, não necessariamente jornalístico, enfim, algo para comer.

Os pobres jornalistas (uma redundância em si) famélicos chegaram até a arrombar a minha residência, mas ao depararem com o miserê, se penalizaram comigo e até me deram alguns Vales Refeição que tinham recebido antes de ganharem o Vale Demissão das mãos do Ali Kamel, o único jornalista arabo-caucasiano que sobrou na emissora.

Agora esses “coleguinhas” mortos-vivos vão ficar rondando a minha vizinhança feito uns zumbis, aumentando a concorrência e disputando emprego com os mendigos, camelôs e vagabundos do pedaço. E o que é pior: não adianta “chamar a Globo” para fazer uma reportagem-denúncia porque não sobrou ninguém para contar nenhuma história.

A Rede Globo vive um momento de crise e penúria generalizada, contrataram o Sebastião Salgado para diretor de fotografia. A Globo está vivendo das doações do Criança Esperança, de contribuições para o Médicos Sem Fronteiras, venda de jornais velhos, garrafas usadas e outros programas (de TV) de inclusão social.

A fim de refrescar a cabeça, resolvi dar uma olhada no noticiário na Globonews. Só que não tinha mais ninguém apresentando as notícias, todos tinham ido pra rua. Os fatos mais importantes do dia eram lidos pela Alexa, numa mesa de botequim. Até o cenário tinha sido despedido! A robô, com seu tom monótono, desfiou uma série de tragédias, chacinas e violências e eu, de saco cheio, decidi mudar de canal. Podia ser assim na vida real: quando você não aguentasse mais a realidade, era só apertar um botão e trocar de país. Aí você saía do Brasil e ia, por exemplo, pra Suíça. Acontece que isso não ia dar certo também, nunca iam aceitar um pobretão como eu na helvética terra da limonada, do chocolate, do canivete, do relógio cuco e do Ovomaltine. Lá só moram endinheirados abonados em seus confortáveis e luxuosos cofres com vista para os Alpes.

Tá ruim pra todo mundo, mas pra mim e para a Globo, tá pior. Até o Trump está em cana! Nesse ponto, o Brasil está na frente dos estadunidenses da América do Norte. Nós já tivemos presidente na cadeia muito antes deles e até mesmo uma presidenta cross-dresser. Quem sabe um dia vamos ter uma presidenta mulher e, de preferência, do sexo feminino.

Antigamente o brasileiro era um povo cordial, mas agora, só pra imitar os americanos, resolvemos copiar a violência deles. Como se a nossa boa e velha violência moleque, malemolente, de raiz, não fosse suficiente para saciar os mais baixos instintos dos psicopatas brazucas. Além do hambúrguer e da cerveja, o Brasil está copiando a violência artesanal dos EUA e, o que é pior, em reais! Quem tem as respostas para estas questões indagadoras? Cartas, digo, e-mails para a redação. O problema é que não tem mais ninguém alfabetizado na redação, todos que sabiam ler foram despedidos.

Agamenon Mendes Pedreira é pacifista faixa preta
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