Segundo
a fonoaudióloga e analista do comportamento infantil, Daniella Sales
Brom, a brincadeira é um momento de fortalecer vínculos com os filhos e
identificar atrasos no desenvolvimento deles
Brincar
com os filhos é uma tarefa que deve ser levada a sério. Durante o
feriado de carnaval, os pais podem aproveitar não apenas para fortalecer
o vínculo com os filhos longe das telas, mas também para acompanhar o
seu desenvolvimento, identificando atrasos, dificuldades e limitações.
“As telas proporcionam um efeito repetitivo e de fascinação com as
crianças porque elas ficam na zona de conforto diante da tela, em uma
comunicação unilateral. Só a tela faz a comunicação e a criança é um
espectador e é no contato durante as brincadeiras que os pais conhecem
verdadeiramente a sua criança”, afirma a fonoaudióloga e diretora do Centro de Especialidades BabyKids, Daniella de Pádua Sales Brom.
“Sem
a correria do cotidiano, os pais podem brincar junto, não comandar a
brincadeira e não redirecionar, mas estar junto para que a criança
desenvolva as habilidades psicosociemocionais e de linguagem e fala, com
muito mais confiança e naturalidade”, explica a especialista. Por
isso, os feriados podem ser um momento oportuno para os pais observarem
os filhos, fazerem uma refeição juntos com mais calma e terem uma
interação maior, porque é na brincadeira que a criança tem o momento de
aprendizagem global, desenvolve habilidades motoras e os pais descobrem o
repertório de linguagem e a construção que a criança faz das
interações.
O que observar durante a interação?
Segundo
Daniella, é possível observar muitas coisas relacionadas ao
desenvolvimento dos filhos no momento da brincadeira. Dá para avaliar se
a criança quer socializar, se ela vira ou se fica quietinha, se ela nos
busca e se faz contato visual, se ela compartilha o brincar, se quer
nossa participação ou ela se tem uma rigidez comportamental, que fica só
com um tipo de brinquedo com rodinha ou som e não quer brincar fazendo a
socialização.
Até
um ano de idade, podemos observar se as crianças têm intenção de
comunicar, mesmo com um vocabulário menor, se elas que querem se
comunicar apontando, se compartilha o brinquedo e se dá o sorriso
social. Tudo isso mostra um desenvolvimento dentro do esperado. Se tem
alguma coisa diferente disso que chama a atenção dos pais em relação à
comunicação, mesmo que ainda não fale as primeiras palavrinhas, é bom
buscar ajuda de um fonoaudiólogo”, explica Daniella.
“Na
brincadeira é que a criança realmente se entrega para a interação, para
a linguagem e, também, para as questões do desenvolvimento de forma
global e pontual. Por exemplo, quando brincamos com uma criança
e deixamos ela começar a falar, começar uma interação ou uma
brincadeira, ela solta a imaginação e começa a mostrar realmente o que
ela aprendeu. Isso favorece o desenvolvimento, a curiosidade, a
autonomia e faz com que a criança demonstre também suas dificuldades e
barreiras para continuar brincando”, pontua Daniella, que é explica a
fonoaudióloga especialista em Análise do Comportamento Aplicada (ABA, em
inglês).
Em
brincadeiras com começo, meio e fim, as crianças demonstram sua
linguagem, como faz para que o outro participe da brincadeira e como
consegue organizar a brincadeira. Tudo isso faz parte dos degraus do
desenvolvimento e é possível perceber se existe alguma barreira ou não.
“Por exemplo, uma criança que começa a brincar com uma boneca e, de
repente, começa a jogar a boneca, dependendo da sua faixa etária, já não
é mais esperado que isso aconteça. É esperado que ela faça o brincar de
faz de conta, então a gente já pode perceber que pode ter um atraso ou
uma dificuldade”, finaliza a especialista.
Dicas para criar brincadeiras infantis
“Sei
que muitos pais não sabem exatamente como brincar, então vão aí algumas
dicas para eles. Pensar em atividades que envolvam exercícios físicos,
que incentivem o pensamento, jogos de faz de conta e brincadeiras que
simulam coisas do cotidiano, como as construções – montar prédios,
torres e casas – ou brincar como se estivesse na cozinha. O faz de conta
é muito importante para incentivar a imaginação e o pensamento”, pontua
Daniella Brom.
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