segunda-feira, 26 de abril de 2021

Após cortes de R$ 2,2 bilhões na Saúde, Guedes garante a Queiroga que ministério não ficará sem recursos

 


Vetos a despesas da Saúde foram repartidos em diversos programas

Camila Turtelli
Estadão

Também alvo dos cortes orçamentários, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse neste sábado, dia 24, ter a garantia do chefe da Economia, Paulo Guedes, de que não vai faltar recursos para a área responsável pelo combate à pandemia da Covid-19 no País. “Sempre temos um bom diálogo com Guedes, que me assegurou que não faltaria recurso para a saúde”, disse o ministro, em entrevista coletiva.

Na sequência, o secretário executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, afirmou que, na eventual necessidade de ampliação do Orçamento da pasta, a suplementação será feita via abertura de crédito extraordinário. Mas não disse de onde o governo poderá buscar o recurso, caso precise.

AJUSTE – Para sancionar o Orçamento de 2021, o presidente Jair Bolsonaro fez um ajuste de R$ 29 bilhões de duas formas: vetou parte de emendas parlamentares e verbas dos ministérios (R$ 19,8 bilhões) e bloqueou uma parcela das despesas previstas para este ano em vários órgãos federais (R$ 9,3 bilhões).

Mesmo em meio à pandemia, foram vetados R$ 2,2 bilhões do Ministério da Saúde. Os vetos a despesas da Saúde foram repartidos em diversos programas, que incluem a adequação de sistemas tecnológicos, ações de pesquisa e desenvolvimento, manutenção de serviços laboratoriais, assistência farmacêutica e até construções de sedes regionais da Fiocruz.

AMEAÇA – Na entrevista, Queiroga foi questionado sobre a fala do presidente Bolsonaro, feita na sexta-feira, dia 23, em que ameaçou acionar as Forças Armadas contra medidas de restrição estabelecidas por governadores, durante entrevista concedida à TV A Crítica, no Amazonas.

“Se nós usarmos as medidas não farmacológicas, nunca vamos chegar ao lockdown, isso é fruto do fracasso dessas medidas e é nesse sentido que o presidente se manifesta”, disse Queiroga.

O ministro se referia ao uso de máscaras e respeito ao distanciamento social, medidas preventivas recomendadas para evitar a contaminação pela covid-19. Apesar da defesa feita pelo ministro, neste sábado mesmo, pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro visitou comunidades em Brasília, sem usar a proteção facial, causando aglomeração por onde passou.

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