Fundador da Cosan, Rubens Ometto afirma que financiamento a campanhas de 13 partidos tem ‘caráter pessoal’
Na primeira eleição para cargos
majoritários e proporcionais nos Estados e na União após a proibição das
doações de pessoas jurídicas, o empresário Rubens Ometto, fundador da
multinacional Cosan, se destacou, até o momento, como o maior
financiador de campanhas nas eleições 2018.
Conforme dados da Justiça Eleitoral,
Ometto havia doado até esta sexta-feira, 21, R$ 6,33 milhões para 50
candidatos, a maioria a deputado federal. O empresário também fez
repasses para cinco diretórios partidários. As doações abrangem 13
partidos e 13 Estados.
Os R$ 6,3 milhões doados por Ometto
representam 21% do que a Cosan Lubrificantes doou em 2014 (R$ 30
milhões), última eleição nacional antes de o Supremo Tribunal Federal
(STF) proibir as doações empresariais. O valor deste ano ainda pode
aumentar até o fim do primeiro turno.
O segundo doador que mais injetou
dinheiro em campanhas foi o empresário Nevaldo Rocha, dono da Riachuelo.
Ele distribuiu entre cinco candidatos R$ 2,57 milhões.
Ometto disse, por meio da assessoria,
que os repasses para postulantes de diversas colorações partidárias, têm
“caráter pessoal”. O empresário preside o Conselho de Administração do
Grupo Cosan, com negócios nas áreas de energia, logística,
infraestrutura e agrícola.
“As doações eleitorais foram feitas em
caráter pessoal e seguem as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior
Eleitoral e demais normas aplicáveis”, afirmou a assessoria.
Do total doado de R$ 6,3 milhões, R$ 1,1
milhão foi destinado a dez candidatos que são alvo de investigação na
Lava Jato. Esses políticos, de oito partidos e cinco Estados, receberam
entre R$ 50 mil e R$ 250 mil.
Distribuição
Um dos candidatos que receberam doações
de Ometto é o ex-líder do PT na Câmara Cândido Vaccarezza (Avante-SP),
preso no ano passado na Lava Jato e solto sob fiança. Ele tenta voltar à
Câmara, enquanto responde a ação penal na 13.ª Vara Federal de
Curitiba. O empresário foi o único doador da campanha. Fez um repasse de
R$ 50 mil. Procurado, Vaccarezza não comentou.
Alguns dos candidatos que receberam
recursos do empresário atuam em setores de interesse do grupo Cosan. A
Raízen, controlada pelo grupo, é uma gigante do setor energético,
principal fabricante de etanol no País.
O deputado federal e ex-secretário da
Agricultura de São Paulo Arnaldo Jardim (PPS-SP), recebedor da maior
doação direta do empresário, de R$ 250 mil, tem em comum com Ometto a
formação em Engenharia na Politécnica da USP e a atuação nos setores
energético e agrícola. Jardim é alvo de inquérito no STF por suspeita de
ter recebido caixa 2 de R$ 50 mil da Odebrecht em 2010.
Relação
Arnaldo Jardim disse que tem relação
bastante antiga com Ometto. “Sou coordenador da frente parlamentar em
apoio ao setor sucroenergético. Tenho relação pessoal e identidade do
ponto de vista de setores em que ele atua”, afirmou. Quanto à
investigação em andamento, ele disse que já prestou esclarecimentos e
destacou que não é réu.

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