sábado, 5 de agosto de 2017

Eleições corrompidas sob medida para Maduro


In this photo released by Miraflores Press Office, Venezuela's President Nicolas Maduro shows his ballot after casting a vote for a constitutional assembly in Caracas, Venezuela on Sunday, July 30, 2017. Maduro asked for global acceptance on Sunday as he cast an unusual pre-dawn vote for an all-powerful constitutional assembly that his opponents fear he'll use to replace Venezuelan democracy with a single-party authoritarian system. (Miraflores Press Office via AP) ORG XMIT: XFLL101
Maduro está ficando cada vez mais isolado
Hélio Schwartsman
Foto 
O mundo inteiro critica, com razão, o método pelo qual Nicolás Maduro resolveu eleger sua Assembleia Constituinte. O candidato a tirano compilou um elaborado mecanismo de escolha pelo qual pequenas cidades do interior, onde o chavismo é mais forte, têm quase o mesmo peso de capitais, com populações incomensuravelmente maiores e mais oposicionistas.
Maduro ainda adicionou a esse voto territorial uma outra modalidade pela qual categorias profissionais escolhidas a dedo pelo governo também têm direito a representação.
SOB MEDIDA – O problema com o sistema de Maduro é que ele foi desenhado para produzir um colégio pró-governo quando a população há muito deixou de sê-lo. Para isso, o ditador teve de afastar-se do princípio do “um homem, um voto” que deveria caracterizar as democracias. Escrevo “deveria” porque, apesar de óbvio, o princípio nem sempre é respeitado, mesmo em democracias consolidadas.
O caso americano é emblemático. O presidente ali não é eleito diretamente pela população, mas através de um arcaico sistema indireto que permite, inclusive, que seja escolhido o candidato que recebe menos sufrágios populares. Foi o que ocorreu com Trump, que obteve 3 milhões de votos a menos do que Hillary Clinton.
FALSA REPRESENTAÇÃO – No Brasil, algo parecido ocorre no Legislativo. As bancadas estaduais na Câmara estão limitadas a um teto de 70 deputados e têm o número de oito parlamentares como piso. Isso significa que Estados mais populosos (leia-se São Paulo) ficam com a representação tolhida, e os pequenos a têm inflada. Pelo princípio do “um homem, um voto”, São Paulo, com 45 milhões de 207 milhões de habitantes, deveria ter 112 das 513 cadeiras da Câmara.
Os governos americano e brasileiro fazem bem em denunciar os pecados eleitorais de Maduro, mas não deveriam esquecer de corrigir os seus próprios, ainda que estes, ao contrário do que se dá na Venezuela, não cheguem a invalidar a democracia.
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